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terça-feira, 31 de março de 2026

MISSA DE SÉTIMO DIA POR DRA. ALICEMARIA CIARLINI PINHEIRO

 

Hoje (31/03/2026), terça-feira, às 18h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situada na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE, será celebrada a Missa da Ressurreição em sufrágio da alma da médica Dra. Alicemaria Ciarlini Pinheiro.

Ela ingressou no Curso da Medicina da Universidade Federal do Ceará em 1975 e colou grau em 1980, integrando a Turma Samuel Pessoa.

Fez Residência Médica em Medicina Preventiva e Social do INAMPS-CE, nos anos de 1981 e 1982, concluído com a monografia “Casos de sarampo notificados no Ceará no período de 1976-82, executada em Fortaleza-CE, no período de março a dezembro de 1982, sob a nossa orientação.

Participou do I Curso de Especialização em Epidemiologia, promovido pela Universidade Estadual do Ceará, em convênio com a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, no período de 17 de fevereiro de 1986 a 17 de agosto de 1987, concluso com a monografia “Casos notificados de sarampo no Brasil, Nordeste e Ceará no período de 1976-86, realizada no período de 1º de agosto de 1986 a 17 de agosto de 1987, sob a nossa orientação.

Durante muitos anos, foi uma dedicada servidora da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará e da Secretaria da Saúde de Fortaleza, desenvolvendo suas atividades funcionais na área da Epidemiologia.

A médica sanitarista Dra. Alicemaria Ciarlini faleceu na semana passada, depois de longo padecimento, contristando o seu ciclo de relacionamento, composto por familiares, amigos e colegas.

Descansa em paz, cara Alicemaria.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva


terça-feira, 5 de agosto de 2025

SESA inaugura Centro de Estudos em Vigilância em Saúde do Ceará Maria Zélia Rouquayrol

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), por meio da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde (Sevig), inaugurou, nesta segunda-feira (4/8/25), a sala que abriga o Centro de Estudos em Vigilância em Saúde do Ceará Maria Zélia Rouquayrol.

Com funcionamento na sede da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde (Covep) – Rua Oto de Alencar, 193 Jacarecanga – o Centro de Estudos tem como objetivo principal planejar, coordenar, executar e avaliar ações de educação permanente, pesquisa e formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da Vigilância em Saúde no âmbito estadual.

A sala recebeu o nome de Maria Zélia Rouquayrol, referência na área de Vigilância em Saúde. “Maria Zélia mostrou que o gestor público, especialmente na área da Saúde, não trabalha sem a Ciência, sem evidências científicas, sem dados. Acho que esse é o maior legado da doutora Zélia. Ela mostrou que, para construir qualquer política pública, para que a gente possa fazer intervenção, a gente precisa da Vigilância”, destaca a titular da Sesa, Tânia Mara Coelho.

A principal missão é dialogar acerca de assuntos relacionados à Vigilância em Saúde. Tem a parte de estudos, de pesquisa, de ensino. Esse é um espaço simbólico que recebe muitos estudantes de graduação e de pós-graduação e discute os temas de maior impacto e relevância para a saúde pública”, afirma o titular da Sevig, Antonio Silva Lima Neto (Tanta).

De acordo com Samila Torquato, assessora de treinamento, ensino e pesquisa da Sevig, esse momento é muito mais do que a entrega de um espaço físico, é, também, um marco da Vigilância, uma formação estratégica, comprometida com profissionais para atuar na saúde pública. Esse espaço visa interligar todas as áreas da Vigilância e promover mais acolhimento, pesquisa e ensino”.

Quem foi Maria Zélia Rouquayrol

Nascida em Pernambuco, no município de Sertânia, Maria Zélia Rouquayrol graduou-se em Farmácia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em 1958, transferiu-se para a Universidade Federal do Ceará (UFC), onde lecionou até sua aposentadoria, em 1997, e recebeu o título de Professora Emérita, em 1998.

Sua obra mais conhecida foi o livro “Epidemiologia & Saúde”, idealizado por ela e que, desde 1982, ao longo de oito edições, se tornou fundamental para o ensino da Saúde Coletiva no Brasil. Também recebeu a Medalha de Prata Oswaldo Cruz, honraria instituída pelo Governo Federal a pessoas que se destacam no campo da saúde pública.

Faleceu em fevereiro de 2025, deixando um grande legado para a formação de profissionais de saúde. Sua trajetória motivou a nomeação da Sala de Estudos da Vigilância em Saúde, espaço da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) voltado ao fortalecimento da educação permanente, pesquisa e qualificação desses profissionais.

Fonte: SESA. Assessoria de Comunicação. Em 5/04/2025.


quinta-feira, 6 de março de 2025

A 1ª EDIÇÃO DO LIVRO “EPIDEMIOLOGIA & SAÚDE” DE M. ZÉLIA ROUQUAYROL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Autor: MARIA ZÉLIA ROUQUAYROL

Colaboradores:

Atenção Primária em Saúde FÁTIMA MARIA FERNANDES VERAS

Saúde Mental JOSÉ JACKSON COELHO SAMPAIO

Saneamento Básico SUETÔNIO MOTA

Políticas de Saúde HERVAL PINA RIBEIRO

Saúde Ocupacional PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA

Editado com o auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Impresso na Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Fundação Educacional Edson Queiroz.

Fortaleza, 1983. 327p.

Capa e ilustrações: Mário Kaúla.

Adotado como livro-texto em Epidemiologia e Medicina Preventiva por diversas universidades do Brasil, "Epidemiologia & Saúde" encontra-se na 8.ª edição.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 28/02/2025.

https://preblog-pg.blogspot.com/2025/02/a-1-edicao-do-livro-epidemiologia-saude.html


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

UM TRIBUTO A DRA. ZÉLIA

Por Dr. José Maria Bonfim (*)

Zélia Maria Rouquayrol nos deixou há sete dias. Originária de Pernambuco, formada em Farmácia em 1956, no Recife, fez do Ceará a sua seara preferida. Chão onde realizou com inegável brilho, uma semeadura frutificante. Sem muito alarde foi semeando os grãos da Medicina Preventiva e sem dúvida, colheu seus frutos ainda em vida.

Gozei da sua benfazeja amizade, quando residíamos na Rua Carlos Barbosa 150, no Papicu. Foram momentos saudáveis para as nossas áreas comuns.

A Medicina Preventiva é o primo pobre da arte de curar. Mas foi nesta área que a saúde brasileira se destacou mais. Como trabalho coletivo. Na cidade do Ipu, floresceu abundantemente o cuidado preventivo das endemias e das epidemias que grassavam nos alcantis da Serra.

Médicos saudosos, verdadeiros sacerdotes, como os Drs. Thomáz e José Evangelista que fizeram um trabalho primoroso no combate ao Tracoma, Tuberculose e Peste Bubônica.

Mons. Moraes trouxe para o Ipu, com o apoio do Dr. Francisco Araújo, o posto de endemias rurais. Oswaldo Cruz juntamente com o Presidente Francisco Alves os transformadores do Rio de Janeiro. Fazendo um trabalho maravilhoso na saúde do Rio de Janeiro. A imagem dos escravos com pigmentos brancos no dorso negro, clama aos céus. Eram chamados de tigroes. Um cruel desrespeito ao ser humano!

Pessoalmente tentamos algo para a comunidade. Durante 21 anos fizemos um trabalho preventivo junto à comunidade de Guanacés. Uma vila do município de Cascavel, onde tive ajuda do saudoso José de Arimateia Santos. Com este trabalho fiz meu primeiro mestrado em Saúde Pública. E Dra. Zélia nos ajudou muito.

Medicina Preventiva é a verdadeira medicina. É a medicina onde podemos construir verdadeiros castelos de esperança. É um trabalho calçado na paciência e na perseverança. Sem as cifras da medicina curativa. Porém ´r  a semeadura mais divina que podemos praticar num pobre, num paciente aflito. Educá-lo. Ser um catequista médico.

Catando dentro da pobreza humilhante, valores que o homem esquecido nas lonjuras do sertão não percebe. Dra. Zilda Ars, médica pediatra, caminhando para os nichos celestes, com água, sal e açúcar, salvou mais gente do que milhares de políticos enganadores.

Zélia na sua simplicidade, com seu vigor científico, reuniu tudo no seu fabuloso livro que roda o mundo. Zélia nos deixa um legado precioso. Mesmo se indo deixa a sua catequese frutífera. Preciosa e plena de Esperança.

Requiescat In Pace.

Deus é bom!

(*) Da ACEMES e da Sobrames/CE (circulando por WhatsApp).


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

MISSA DE SÉTIMO DIA POR PROFA. ZÉLIA ROUQUAYROL

 

Amanhã (20/02/25), quinta-feira, às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército (Capela do Hospital Militar), situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, em Fortaleza, será celebrada a Missa da Ressurreição, em sufrágio da alma da Profa. Maria Zélia Rouquayrol, conceituada epidemiologista brasileira, docente aposentada da Universidade Federal do Ceará, Presidente de Honra da Academia Cearense de Saúde Publica (ACESP) e membro titular da Academia Cearense de Ciências e da Academia Cearense de Farmácia, que faleceu na madrugada de 13/02/2025.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Presidente da ACESP

domingo, 16 de fevereiro de 2025

CARTA-HOMENAGEM A MARIA ZÉLIA ROUQUAYROL

“E desde então, sou porque tu és

E desde então és

sou e somos...

E por amor

Serei... Serás... Seremos...”

(Do poeta Pablo Neruda, soneto XVII, traduzido por Carlos Nejar) 

Querida família e amigos,

Hoje, reunimo-nos para celebrar a vida de uma mulher excepcional, Maria Zélia Rouquayrol, que partiu de nossas vidas, mas deixou um legado imenso e um amor que nunca se apagará. Nascida na Sertânia de Pernambuco em 3 de setembro de 1931, Maria Zélia foi uma luz que iluminou o caminho de muitos, especialmente de sua amada família.

Como professora universitária, Maria Zélia dedicou sua vida ao ensino e à pesquisa sobre doenças parasitárias e Epidemiologia. Sua paixão pela ciência e pela educação era evidente em cada aula que ministrava e em cada projeto que coordenava, incluindo a publicação do boletim de saúde da célula de vigilância epidemiológica. Sua curiosidade e determinação a levaram a conquistar marcos importantes em sua carreira, como sua especialização no Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica, o mestrado em Saúde Pública pela Tulane University, nos Estados Unidos, e o doutorado em Higiene e Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará.

Maria Zélia também foi agraciada com diversos títulos e honrarias, incluindo Cidadã Cearense em 2005 e Cidadã de Fortaleza em 2002. Em 2002, recebeu a Medalha Comemorativa do Centenário da Organização Pan-Americana da Saúde, reconhecendo sua valiosa contribuição à saúde pública. Em 1998, tornou-se Professora Emérita da Universidade Federal do Ceará e, em 2013, foi homenageada com o Troféu Sereia de Ouro do Sistema Verdes Mares.

Em casa, era uma mulher alegre, espontânea e criativa, que apreciava as coisas simples da vida. Sua varanda era o canto preferido, onde gostava de desfrutar de momentos tranquilos e acolhedores. Maria Zélia era fã de comidas caseiras, especialmente tapioca e cuscuz com leite, e tinha um gosto especial por frutas frescas. Sua beleza era natural, com pouco perfume e maquiagem, mas seu brilho interior era inegável.

Amava o teatro, o cinema e dançar em salão, sempre acompanhada pelas canções que tocavam seu coração. As músicas de Luiz Gonzaga e Roberto Carlos, além de “Glória Aleluia” e “Edelweiss” do filme A Noviça Rebelde, ecoavam em sua casa, trazendo alegria e felicidade.

O maior legado que Maria Zélia nos deixou foi sua determinação inabalável e sua capacidade de sonhar. Ela sempre esteve à frente de seu tempo, inovando e acreditando que, através do esforço e do estudo, poderia alcançar seus sonhos. Sua dedicação à educação dos filhos foi imensa; ela ofereceu todo o seu amor, alegria e vivacidade a Leda, Vera, Paulo Junior e Pedro Leopoldo, que, por sua vez, transmitiram esses valores a seus 11 netos e 6 bisnetos.

Maria Zélia foi uma mulher honrosa, corajosa e inteligente, uma fonte de inspiração que continuará a brilhar nas vidas de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Seu legado na pesquisa da Epidemiologia no Brasil e sua inestimável contribuição para a saúde pública serão lembrados por muitos, sempre com gratidão.

Que a memória de Maria Zélia Rouquayrol nos inspire a valorizar as coisas simples da vida, a amar incondicionalmente e a buscar nossos sonhos com coragem e determinação. Que ela descanse em paz, sabendo que o amor que deixou em nossos corações é eterno.

Com carinho e saudade,

Notas: Carta-homenagem lida pelo cerimonialista antes do início da Missa de corpo presente em 14/02/2025.

A filha Vera Rouquayrol escreveu todas as informações, dados mais pessoais e íntimos, como gosto musical, comidas, lugar preferido da casa, personalidade etc., etc. O cerimonial do complexo velatório Aethernus transformou os informes em um texto, organizando-os em uma redação para a leitura da ocasião.

Os versos do poeta Pablo Neruda, expostos na projeção da fotografia da Profa. Maria Zélia Rouquayrol durante a missa, também foram escolhidos por Vera Rouquayrol.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo e colaborador da Profa. Zélia

FALECIMENTO DA PROF.ª M. ZÉLIA ROUQUAYROL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

É com pesar que aqui registro a notícia do falecimento, na madrugada de 13/02/2025, de um grande nome da Epidemiologia e da Saúde Pública no Brasil: a Prof.ª Dr.ª Maria Zélia Rouquayrol.

Zélia nasceu em Pernambuco (03/09/1931) e graduou-se em Farmácia, em 1955, pela Universidade Federal de Pernambuco, onde iniciou sua trajetória docente como instrutora de ensino de Microbiologia. No ano seguinte, foi transferida para a Universidade Federal do Ceará (UFC), instituição em que ocupou, de forma progressiva, os cargos de instrutor de ensino, professor assistente, professor adjunto e professor titular.

Em 1969, fez o Curso de Especialização no Institute of Tropical Medicine em Antuérpia-Bélgica. Entre 1975 e 1976, durante o mestrado Master of Public Health realizado na Tulane University-USA, publicou o trabalho Control of schistosomiasis in the irrigated areas of Curu River. Ao retornar ao Brasil, deu continuidade às pesquisas e ao ensino da disciplina de Epidemiologia na UFC.

Conheci esta notável pesquisadora, no início da década de 1980, quando preparava a primeira edição de seu "Epidemiologia & Saúde", que viria a se tornar em livro-texto adotado por diversas universidades do Brasil. Em visita que me fez no Hospital de Messejana, Zélia me convidou para participar do quadro de colaboradores da referida edição, um desafio que aceitei ao escrever o capítulo sobre "Saúde Ocupacional".

Após sua aposentadoria como professora titular da UFC, além de professora titular da Universidade de Fortaleza (em que lecionou entre 1982 e 1989, e retornou em 2003), Maria Zélia passou a integrar a Secretaria de Saúde de Fortaleza, onde contribuiu com investigações epidemiológicas e coordenou a publicação do Boletim de Saúde da Célula de Vigilância Epidemiológica.

"Ao deixar um legado inestimável para a ciência e a saúde pública no país", como salienta o médico sanitarista Marcelo Gurgel, "Maria Zélia Rouquayrol permanecerá como inspiração, sobretudo para mulheres que atuam ou desejam atuar profissionalmente nessas áreas."

Requiescat in pace.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 15/02/2025.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/02/falecimento-da-prof-m-zelia-rouquayrol.html


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Nota de pesar da Abrasco: Maria Zélia Rouquayrol

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) recebe com profundo pesar a notícia do falecimento da pesquisadora Maria Zélia Rouquayrol, um dos grandes nomes da Epidemiologia e da Saúde Pública no Brasil. Sua trajetória deixou um legado significativo para a Saúde Coletiva, com contribuições essenciais para a formação de profissionais da área. Seu livro “Epidemiologia & Saúde”, que tem Naomar de Almeida Filho como co-autor, é uma das obras mais adotadas no Brasil para o ensino de tópicos relevantes da Saúde Coletiva.

Graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1955, Maria Zélia iniciou sua carreira como Técnica no Laboratório de Saúde Pública da Secretaria de Saúde de Recife. Em 1957, iniciou sua trajetória docente como instrutora de ensino de microbiologia na UFPE. No ano seguinte, foi transferida para a Universidade Federal do Ceará (UFC), onde ocupou, de forma progressiva, os cargos de instrutor de ensino, professor assistente, professor adjunto e professor titular. Posteriormente, em 1969, fez o Curso de Especialização no Institute of Tropical Medicine em Antuérpia-Bélgica. No período seguinte (1970/1975), com auxílio do CNPq, dedicou-se a pesquisas sobre esquistossomose nos perímetros de irrigação do DNOCS. Entre 1975 a 1976, durante o mestrado Master of Public Health realizado na Tulane University-USA, publicou o trabalho Control of schistosomiasis in the irrigated areas of Curu River. Ao retornar ao Brasil, deu continuidade às pesquisas e ao ensino da disciplina Epidemiologia na UFC.

Após sua aposentadoria como professora titular da UFC, Maria Zélia passou a integrar a Secretaria de Saúde de Fortaleza, onde contribuiu com investigações epidemiológicas e coordenou a publicação do Boletim de Saúde da Célula de Vigilância Epidemiológica (CEVEPI/SMS).

A Abrasco se solidariza aos familiares e amigos neste momento de luto.


Nota de pesar: Fundação Edson Queiroz lamenta o falecimento da Profa. Dra. Maria Zélia Rouquayrol

 Epidemiologista renomada, Dra. Zélia deixa um importante legado para a saúde pública brasileira.

Dra. Zélia foi docente da Unifor entre 1982 e 1989 e retornou em 2003, contribuindo para a formação de gerações de profissionais da área da saúde.

A Fundação Edson Queiroz e a Universidade de Fortaleza manifestam profundo pesar pelo falecimento da Profa. Dra. Maria Zélia Rouquayrol, renomada epidemiologista e referência na Saúde Pública brasileira. Ex-docente da Unifor e da Universidade Federal do Ceará (UFC), Dra. Zélia teve uma trajetória acadêmica e profissional marcada por sua inestimável contribuição à pesquisa e ao ensino da epidemiologia no Brasil.

Pernambucana de nascimento, foi agraciada com os títulos de "cidadã cearense" e "cidadã de Fortaleza" pelos relevantes serviços prestados ao estado. Como pesquisadora, foi uma das grandes responsáveis pela disseminação do conhecimento epidemiológico no país. Seu livro Epidemiologia & Saúde foi adotado pelo Ministério da Saúde nos exames de residência médica e recomendado pela Organização Pan-Americana de Saúde.

Em sua trajetória profissional, atuou na Secretaria Municipal de Saúde, foi Presidente de Honra da Academia Cearense de Saúde Pública (ACESP) e, em 2013, recebeu o Troféu Sereia de Ouro, uma das maiores honrarias do Ceará, em reconhecimento à sua dedicação à ciência e à saúde pública.

Na Unifor, lecionou entre 1982 e 1989 e retornou em 2003, contribuindo para a formação de gerações de profissionais da área da saúde. Também integrou o Comitê Editorial Nacional da Revista Brasileira em Promoção da Saúde (Brazilian Journal in Health Promotion), reforçando sua influência na produção científica.

A Fundação Edson Queiroz e a Unifor se solidarizam com seus familiares e amigos, em especial sua filha, professora Leda Rouquayrol Guillemette, também ex-docente da instituição. O legado da Dra. Maria Zélia permanecerá vivo na história da epidemiologia e da saúde pública brasileira.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Nota de pesar: Maria Zélia Rouquayrol, professora aposentada da UFC

 Escrito por UFC Informa. Quinta, 13 fevereiro 2025 16:31

Em mais de 60 anos de atuação profissional, Maria Zélia Rouquayrol deixou um legado fundamental para a área da saúde coletiva no País (Foto: acervo pessoal)

A Universidade Federal do Ceará (UFC) lamenta profundamente a notícia de falecimento da pesquisadora e docente aposentada Maria Zélia Rouquayrol, ocorrido nesta quinta-feira (13). Referência da Epidemiologia e Saúde Pública no Brasil, ela destacou-se ao longo de uma frutífera carreira por importantes contribuições em suas áreas de atuação, tanto na prática quanto no ensino e na pesquisa. A missa de corpo presente e o sepultamento ocorrem nesta sexta-feira (14), a partir das 9h e das 11h, respectivamente.

Nascida em Pernambuco, Maria Zélia tornou-se cearense de vivência e de coração, tendo recebido os títulos de Cidadã Cearense e Cidadã Fortalezense em 2005 e 2002, respectivamente, pelos relevantes serviços prestados à saúde pública no Estado e na cidade.

Graduada em Farmácia em 1955 pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), deu os primeiros passos profissionais como técnica do Laboratório de Saúde Pública da Secretaria de Saúde de Recife. Em 1957, iniciou sua trajetória na docência no cargo de instrutora de ensino de microbiologia na UFPE. No ano seguinte, foi transferida para a UFC, onde chegou à categoria de professora titular.

Sua formação acadêmica incluiu um investimento robusto na pós-graduação, incluindo especialização em Microbiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); especialização em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP); especialização no Institute of Tropical Medicine em Antuérpia, na Bélgica; mestrado em Saúde Pública pela Tulane University (EUA); e doutorado em Higiene e Saúde Pública pela UFC.

Pesquisadora bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), teve vários projetos aprovados por esse órgão, que contou com sua colaboração em comitê assessor e em grupo técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foi também coautora do livro Epidemiologia & saúde, considerado o livro-texto mais adotado no Brasil para o ensino de tópicos relevantes da Saúde Coletiva.

Ao longo da década de 1980, em atuação na Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, criou e coordenou o então Departamento de Epidemiologia e o chamado Plantão Epidemiológico, serviço até hoje considerado modelo de atenção à saúde.

Após sua aposentadoria da UFC, Maria Zélia passou a integrar a Secretaria de Saúde de Fortaleza, onde desempenhou atividades de investigações epidemiológicas e coordenou a publicação do Boletim de Saúde da Célula de Vigilância Epidemiológica (CEVEPI/SMS).

Ao deixar um legado inestimável para a ciência e a saúde pública no país, Maria Zélia Rouquayrol permanecerá como inspiração, sobretudo para mulheres que atuam ou desejam atuar profissionalmente nessas áreas. A UFC se solidariza com a família e com amigos nesse momento.

Fonte: Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da UFC.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Nota de pesar da Faculdade de Medicina da UFC por Maria Zélia Rouquayrol

 

A Faculdade de Medicina da UFC divulgou nota de pesar, acima exibida, por Maria Zélia Rouquayrol, valorosa docente aposentada dessa unidade de ensino.

Em tempo: O corpo da Profa. Maria Zélia Rouquayrol está sendo velado na Aethernus (Rua Padre Valdevino, 1.688, Aldeota). A missa de corpo presente será celebrada às 9 horas de amanhã (14/02/25) e o cortejo fúnebre sairá às 10 horas para o sepultamento no Parque da Paz, marcado para as 11h.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo e colaborador da Profa. Zélia


FALECIMENTO DA PROFA. ZÉLIA ROUQUAYROL: a saúde pública brasileira enlutada

 

É com pesar que aqui registro o falecimento na madrugada de hoje, 13 de fevereiro de 2025, da Profa. Dra. Maria Zélia Rouquayrol, a decana e figura de proa da Epidemiologia brasileira e Presidente de Honra da Academia Cearense de Saúde Pública - ACESP.

O acontecimento aporta grande consternação a tantos que com ela conviveram e enluta a Epidemiologia brasileira e, em particular, a cearense, para a qual, a Profa. Zélia Rouquayrol muito concorreu para engrandecê-la.

Conheci a estimada e respeitada docente da Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1974, quando fui seu aluno de Medicina Social no Curso de Medicina, e com ela convivi como representante estudantil junto aos Conselhos do Departamento de Saúde Comunitária e do Centro de Ciências da Saúde da UFC, bem como na condição de estagiário do Projeto Acadêmico Pacatuba, do qual ela era orientadora.

Na vida profissional, abracei a mesma especialidade e o mesmo campo de trabalho da Profa. Zélia Rouquayrol, tendo tido a grata oportunidade de com ela lidar em tantos momentos laborais.

Acompanhei o seu ingente esforço de produzir e de concretizar a publicação do seu livro “Epidemiologia & Saúde”, que, em suas sucessivas edições, alcançou a abrangência nacional, com notável repercussão para o ensino da Saúde Pública e da Epidemiologia no Brasil. Por especial deferência da amada professora, assumi a condução das duas últimas edições, que passou a incorporar o seu nome no título da obra, sendo então denominado: “Rouquayrol - Epidemiologia & Saúde”.

Guardo dela também a boa recordação de sua participação na banca examinadora do concurso que prestei para professor titular da Universidade Federal do Ceará (UECE) em 1998.

Sinto-me gratificado por ter traçado o perfil biográfico da querida epidemiologista em várias solenidades e publicações dessa dama que será reconhecida, na posteridade, para as futuras gerações, como um dos ícones da Saúde Pública no Ceará.

Que Deus a receba em Seus braços misericordiosos, caríssima amiga Zélia.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor titular de Saúde Pública da UECE e presidente da ACESP


quinta-feira, 28 de novembro de 2024

VOLTA DO XII CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA

Retornei à Fortaleza na madrugada de hoje, 28/11/2024, após participar do XII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, realizado no Rio de Janeiro-RJ, no qual apresentei dois trabalhos na modalidade de relato de experiência.

Durante o congresso, foram relançados os livros “MEMÓRIAS DE UM SANITARISTA e MEMORIAL DE UM ONCOEPIDEMIOLOGISTA”, de nossa exclusiva autoria, publicados em Fortaleza-CE.

Nota: Com esses relançamentos alcançamos a marca de 130 (cento trinta) livros publicados.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC/Uece e Sócio da Abrasco

 


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Dr. Marcelo Gurgel lança livro celebrando 50 anos de Oncoepidemiologista

Na última sexta-feira (18/10), o Instituto do Câncer do Ceará (ICC) celebrou o Dia dos Médicos com o lançamento do livro “Memorial de um Oncoepidemiologista”, de autoria do Prof. Dr. Marcelo Gurgel. Com a obra, Dr. Gurgel comemora 50 anos de uma carreira dedicada à saúde pública, à educação e à epidemiologia do câncer, sendo referência nacional e internacional. Sua atuação acadêmica se destaca pela sólida formação: graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Dr. Gurgel é mestre e doutor em Saúde Pública, com especializações em Economia da Saúde.

Além de professor do Mestrado Acadêmico em do ICC, Dr. Gurgel ocupa posições importantes no cenário científico e cultural. Ele é membro da Academia Cearense de Letras e da Academia Cearense de Medicina, com uma vasta produção literária, que inclui 130 livros. Sua carreira é marcada pela excelência em projetos de saúde pública e epidemiologia, tendo coordenado e desenvolvido diversas iniciativas voltadas ao estudo e controle do câncer no Brasil.

A renda integral da venda do livro será destinada à Casa Vida, braço de responsabilidade social do Grupo ICC, que oferece suporte a pacientes oncológicos e seus familiares durante o tratamento. A obra não apenas representa uma celebração pessoal de cinco décadas de contribuição à medicina, mas também reforça o compromisso de Dr. Gurgel e do ICC com o cuidado humanizado e social.

Fonte: Blog do ICC em 25/10/24.


sábado, 29 de janeiro de 2022

NOTA DE FALECIMENTO – DR. ANTÔNIO PEDRO MIRRA

 


A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP informa, com pesar, o falecimento do Dr. Antônio Pedro Mirra, sepultado hoje, 27 de janeiro de 2022, no Cemitério do Morumbi, às 12h. A Diretoria da FSP-USP presta solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com ele e dirige-lhes os mais profundos sentimentos de pesar.

O oncologista Antônio Pedro Mirra foi um exemplo de dedicação no combate ao tabagismo, pesquisando e lutando contra essa doença há 40 anos (segundo o Jornal da AMB – Ed.1411). Foi um dos criadores do Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo (RCBP-SP), um sistema de informação em saúde, parceria entre a Secretaria Municipal da Saúde (Prefeitura de SP) e a FSP-USP, que registra os casos de diversos tipos de câncer do Município de São Paulo. O RCBP-SP foi coordenado pelo Dr. Antônio Mirra de 1969 a 31 de dezembro de 2007.

Ele foi também, durante muitos anos, Presidente da Comissão Antitabagismo da FSP-USP e, nessa luta, conseguiu com que a Faculdade fosse uma das primeiras instituições públicas do país a ser um “Ambiente Livre do Tabaco”, pela proibição do ato de fumar, dentro das instalações da Faculdade.

Além de sua contribuição para a luta contra o câncer e contra um de seus piores causadores, o hábito do tabagismo, e de sua atuação na coordenação de várias instituições da área, na produção de pesquisa, livros e artigos sobre o tema e em entrevistas para a imprensa, o Dr. Mirra era um ser humano muito amigável, tendo bom relacionamento com docentes, funcionários e alunos que passaram pela FSP-USP, sendo muito querido por todos.

Texto: ASCOM, com informações de Adriana de Sousa, AMB e filha do Dr. Mirra.

Nota: No ano de 1979, quando eu fazia o Curso de Especialização em Saúde Pública na Universidade de São Paulo, cumpri estágio no Registro de Câncer de São Paulo, que funcionava na Faculdade de Saúde Pública da USP, Registro de Câncer de Base Populacional por ele coordenado, sob a supervisão do Dr. Antônio Pedro Mirra. O Dr. Mirra era um renomado cirurgião torácico do Hospital A. C. Camargo, que muito contribuiu na luta contra o tabagismo no Brasil.

Guardo boas recordações da nossa convivência dos muitos encontros relacionados à Epidemiologia do Câncer de que tomamos parte.

Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico epidemiologista do Instituto do Câncer do Ceará


terça-feira, 9 de novembro de 2021

COVID-19, o fim da pandemia em Fortaleza

Por Antônio Vasques (*)

Continua a tendência de queda de quase todos os indicadores principais sobre a pandemia em Fortaleza no período de 15 a 22 de setembro. Preocupante seria o aumento substancial dos limites do intervalo que poderia conter R (taxa de reprodução do vírus) com 95% de probabilidade divulgado dia 22 de setembro pelo OBSERVATÓRIOCOVID19BR. Os limites indicam que R poderia atingir de R=0,64 até R=2,29. Intervalo muito mais amplo do que o divulgado no dia 15, de (0,54;1,71).

Mas, como há uma redução na taxa de positividade de exames, que passou de 3,45% dia 15 para 2,68% dia 22 e tendo em vista sua alta correlação com a variação de R, pode-se inferir que a tendência é para diminuição da taxa de reprodução principalmente pelo gradual aumento da cobertura vacinal total que atingiu 37% da população de Fortaleza no dia 22 de setembro.

Caso continue a circulação majoritária da variante P1 (Manaus) que tem uma taxa de reprodução R=4,3, com a contenção da variante indiana delta que tem R=7, a taxa de imunidade de rebanho em Fortaleza TIRFOR seria atingida com a vacinação de TIRFOR =1-1/R= 1 - 1/4,3 = 1 - 23,25= 76,8%, da população. Caso a variante delta predomine nos próximos meses a TIRFOR= 1 - 1/ 7 = 1 - 0,14 = 86%, que seria a parcela da população totalmente vacinada com alcance da imunidade de rebanho.

Tornando claro: a pandemia em Fortaleza terminará seu ciclo de expansão rápida tão logo estejam totalmente vacinadas 77% da população, quando será atingida a chamada imunidade de rebanho. Estamos, portanto, diante de uma situação de ENORME expectativa de término da pandemia em Fortaleza nos próximos 90 dias, principalmente com a aplicação de doses extras de Coronavac, compradas diretamente do Instituto Butantan pelo Governo do Estado, o que deve acelerar o ritmo da vacinação.

A partir da obtenção da imunidade de rebanho o gráfico da curva da Covid19 entrará na zona de baixíssimos valores de R no ramo direito da curva (que tem a forma de um sino) prosseguindo assim até o infinito, já que o vírus da Covid19 continuará entre nós, tal qual o H1N1 que circula desde 2009. 

(*) Professor da Uece. Pós-Doutor em Educação.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/10/21. Opinião, p.23

sexta-feira, 2 de abril de 2021

O PICO DA SEGUNDA ONDA DA COVID-19 CHEGOU?

Por Thereza Maria Magalhães Moreira (*)

Algo trivial na primeira e segunda ondas foi a ansiedade dos cearenses sobre a chegada ou não ao pico da curva da Covid-19. Como se sabe, o número de infectados no tempo é representado por uma curva em sino, na qual a transmissão do coronavírus SARS-CoV-2 aumenta inicialmente de forma linear e depois exponencialmente, seguindo padrão matemático (função com expoente maior que zero e diferente de 1), que cresce rapidamente.

A curva epidêmica tem três fases: 1) Crescimento exponencial (subida da curva, aumento de casos novos); 2) Saturação ou platô da curva (não confundir com pico, ponto mais alto do platô); 3) Decaimento exponencial (mais recuperados que novos infectados).

Assim, quanto mais casos novos no menor tempo, mais exponencial a transmissão, mais contaminados e mais mortes.

Existem modelos estatísticos que estimam data do pico, mas essa não é imutável, pois a transmissão da Covid-19 sofre influência das ações realizadas para conter sua curva.

Estatisticamente, é provado que o isolamento social horizontal é a ação que mais fortemente segura o número de casos e óbitos, pois quebra a cadeia de transmissão da doença. Usar máscaras adequadas e manter distanciamento social também é efetivo, mas não com a mesma força.

Considerando, porém, a carência e a necessidade de trabalhar do cearense, necessário é que o isolamento social seja decretado um ciclo ou mais da doença antes do platô, como no atual momento.

Então, não atingimos o pico ainda, mantemos transmissão acelerada e estamos em direção ao platô, mas ainda longe de descer a curva, que acelerará com aumento dos vacinados.

A população deve entender que, se o Ceará não parasse há 15 dias e ampliasse leitos de enfermaria e UTI Covid-19, já viveríamos o caos sofrido por Manaus.

A atual situação sanitária e econômica é difícil, mas as medidas tomadas pouparam e poupam da morte várias pessoas todo dia e é bom lembrar que fantasmas não trabalham, não compram nem pagam impostos. Assim, guardar vidas é meta precípua.

E como findar a Covid-19? Vacina é a solução! Elas custam menos e valem mais, pois são solução definitiva e coletiva. Então, aos que pedem abertura do comércio e escolas, sugiro contribuir com o Ceará na compra de vacinas e logo poderemos respirar aliviados.

(*) Enfermeira, advogada, pesquisadora do CNPq e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/4/2021. Opinião. p.29.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

EPIDEMIOLOGIA DA COVID-19 NO CEARÁ


Por Profa. Dra. Thereza Maria Magalhães Moreira (*)
O Sars-Cov-2 (severe acute respiratory syndrome coronavirus 2) é o Coronavírus causador da Covid-19 [CO = Corona, VI = Virus e D = Disease (Doença)]. Os casos da pandemia em um plano cartesiano (x,y) são uma função com expoente > 0 e ≠ 1, em que a base é multiplicada por ela mesma n vezes em x tempo. O número de casos (transmissores) é a base da função. É representada por uma curva em sino, cuja meta global é seu achatamento. A fácil transmissão da doença gerou grande volume de casos mundialmente, com 80% de casos leves e 20% com complicações, dos quais até a quarta parte (1-5%) requer sérias intervenções terapêuticas, incluindo uso de respirador em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).
No Brasil, a inexistência de unidade na condução da pandemia fez surgir múltiplas formas de controle da doença, impedindo comparação de alguns dados entre estados. No Nordeste, um pacto entre governadores firmou o Consórcio Nordeste para Combate ao Coronavírus. Inicialmente, ainda sem medidas sanitárias adotadas, Fortaleza tinha transmissão (R0) de 2,01 (uma das maiores do país), concentrava mais de 80% dos casos do Estado e tinha predição acelerada de pico para 23 de abril. Mas, após as medidas e dois picos na capital, a transmissão baixou e houve interiorização da doença, com pico da curva nas cidades mais próximas da capital e iminência dele (próximas duas semanas) nos demais municípios cearenses. Atualmente, o Estado soma 144.058 casos e 7.139 óbitos por Covid-19. O sistema de saúde local não colapsou, mostrando adequação do modo/tempo das ações realizadas, mesmo com pressões socioeconômicas, fake news e desinformação.
Como profissional de saúde, vi amigos doentes, conhecidos morrerem, amigos com medo largarem escalas e outros mudarem sozinhos de casa, temendo adoecer ou contaminar um ente querido, mas nada se comparou aos velórios. Foram quatro meses extenuantes. Agora, das três fases da curva/onda [1) Crescimento exponencial (subida da curva), 2) Saturação (pico e platô) e 3) Decaimento exponencial (recuperados > novos infectados)], na capital estamos na última, mas precisamos acelerar a descida, e no interior, muitos municípios estão na fase 2 ou quase lá. Ainda não acabou, creio que em Fortaleza o pior já passou (dois picos e platô), mesmo com previsão de casos até final de setembro. O interior está 1-2 meses atrás do tempo epidemiológico da capital, pois nos interiores dela mais próximos já passou o pico e descem a curva, enquanto nos mais distantes o pico deve ser até o final do mês e há previsão de casos até final de outubro/novembro. Com centralização do controle das medidas tomadas, creio que teremos êxito, a despeito da não colaboração dos que se reservam o direito de contaminar outrem. Infelizmente, muitos só compreenderão a situação ao terem óbitos na família. Defendem que a pandemia acabou, lotam Shoppings e insistem pela volta às aulas. Mas proteger olhos, lavar mãos, usar máscara e distanciar-se 1,5m (mínimo) de outras pessoas ainda é fundamental!
(*) Professora do Curso de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em da Universidade Estadual do Ceará-UECE. Pesquisadora do CNPq. Membro do Grupo de Trabalho-GT para enfrentamento à pandemia do coronavírus da UECE
* Publicado In: Jornal do médico digital, 1(3): 88-9, julho de 2020. (Revista Médica Independente do Ceará).

terça-feira, 2 de junho de 2020

ABRASCO ADIA O 11º CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA

Diante da necessidade de proteger a saúde de todas e de todos os envolvidos na realização do 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, a Comissão Organizadora do Congresso e a Diretoria da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) informam o adiamento do evento, que ocorreria entre os dias 14 e 18 de novembro, em Fortaleza, CE.
A definição da nova data ocorrerá assim que as condições sanitárias permitirem e será amplamente divulgada nas mídias oficiais da Abrasco e do Congresso. A inscrição de quem já realizou o pagamento está garantida. No entanto, quem não puder comparecer na nova data poderá solicitar a devolução integral do valor pago. Caso sejam necessários novos ajustes nos prazos ou outras medidas de adequação, a organização do evento divulgará com a máxima brevidade.
Compreendendo os enormes desafios colocados ao SUS pela pandemia de COVID-19, além de consequências sociais ainda não totalmente dimensionadas, a Comissão Organizadora do Congresso e a Diretoria da Abrasco seguem acompanhando os desdobramentos desta crise sanitária. Neste sentido, a Abrasco seguirá promovendo debates virtuais pré-congresso, divulgação de conteúdos confiáveis e posicionamentos sobre o tema. Também temos certeza que o Congresso Brasileiro de Epidemiologia, quando realizado, será um momento ímpar para a sociedade científica brasileira se reunir e debater a pandemia, o cenário sanitário pós-pandêmico e todos os demais temas da epidemiologia brasileira.
Com o objetivo de estimular a ampla participação no congresso, o prazo para submissão de resumos expandidos foi prorrogado até 17 de agosto, e a área de submissão no site do evento permanece aberta - acesse  neste link.
A Comissão Organizadora do Congresso e a Diretoria da Abrasco se somam aos esforços necessários ao enfrentamento à atual pandemia, respeitando a dignidade e os direitos humanos, e manifestam seu apoio aos gestores do SUS, aos profissionais de saúde e se solidarizam com familiares e amigos das vítimas da COVID-19.
Em caso de dúvida, não hesite em fazer contato com a Secretaria do evento através do e-mail: faleconosco2020@epi.org.br
Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

quarta-feira, 27 de maio de 2020

A CURVA EPIDÊMICA DOS CASOS DE COVID-19


Por Thereza Maria Magalhães Moreira (*)
Como membro do Grupo de Trabalho (GT) de enfrentamento da Covid-19 da Uece (GT criado pelo reitor Jackson Sampaio, que conta com enfermeiros, médicos e veterinários docentes da Uece, conhecedores de epidemiologia, virologia e infectologia), ouço muito: "Explica a curva da Covid-19?".
O coronavírus Sars-CoV-2 causa Covid-19. A quantidade de infectados é representada por uma curva, que tem o formato de um sino, mostrando o número de casos no passar do tempo. Quanto mais alta e estreita a curva, mais casos em menos tempo. Seu achatamento na China inspirou países, como o Brasil, e aumentou dúvidas. Achatar essa curva significa menos casos em maior período de tempo.
Quanto mais doentes há, mais rápido aumenta o número de casos no mesmo intervalo de tempo. Na Covid-19, um doente pode transmitir vírus a 5-6 pessoas, principalmente nos cinco primeiros dias pós contágio, pois só terá anticorpos a partir do 6-7º dia, e no 14º dia terá anticorpos de memória.
A atual curva do Ceará confirma o efeito do isolamento social, que resultou em um crescimento mais lento na quantidade de infectados, e inclui pacientes atendidos nos postos, UPAs e hospitais; graves internados e óbitos, mas denota subnotificação porque escapam os casos leves, pois testamos pouco, o que aumenta a taxa de letalidade (óbitos/casos).
Voltando à "curva epidêmica" em si, ela é formada por uma subida íngreme, seguida de uma estabilização no topo e depois uma queda também acentuada. As ações do Estado adiaram a chegada dos casos no topo da curva, dando tempo de aumentar o número de leitos clínicos e de UTI, e capacitar profissionais, apesar de persistir a falta de equipamentos de proteção individual e a má remuneração dos enfermeiros, soldados da linha de frente dessa "guerra".
São previstos 10% de casos graves e 2% de óbitos. O desafio é distribuir esses pacientes ao longo do tempo e deixar casos leves monitorando febre, tosse e cansaço em casa para procurar atendimento somente se sentirem falta de ar, deixando os sistemas de atendimento apenas para moderados e, principalmente, para os graves. A boa notícia é que o decaimento da curva também é exponencial, ou seja, a partir de um momento no tempo, os novos casos diminuirão e esta diminuição não será lenta. Que Deus nos guarde!
(*) Enfermeira, advogada, pesquisadora do CNPq e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/5/2020. Opinião. p.17.
 

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