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domingo, 5 de julho de 2026

UFC realiza evento de agradecimento a apoiadores do novo Hospital Universitário

Por Lara Vieira, jornalista de O Povo.

UFC realiza solenidade de agradecimento aos apoiadores do novo Hospital Universitário Paulo Marcelo Martins Rodrigues, previsto para o primeiro semestre de 2028

A Universidade Federal do Ceará (UFC) realizou, na manhã dessa sexta-feira, 3, uma solenidade de agradecimento às pessoas e instituições que contribuíram para a concretização do projeto do novo Hospital Universitário da UFC Paulo Marcelo Martins Rodrigues. O evento ocorreu na Reitoria da instituição, no bairro Benfica, em Fortaleza.  O equipamento, atualmente em obras, tem previsão de entrega para o primeiro semestre de 2028.

A solenidade reuniu dirigentes da Universidade e do Complexo Hospitalar, médicos, empresários, lideranças políticas e representantes da sociedade civil que participaram da concepção e da viabilização da iniciativa por meio de recursos, articulação institucional e apoio político desde o início do projeto.

O novo equipamento integrará o Complexo Hospitalar da UFC e será destinado ao atendimento de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de ampliar a formação de profissionais da saúde e as atividades de ensino e pesquisa da instituição.

O reitor da UFC, professor Custódio Almeida, destacou a trajetória do projeto e agradeceu o apoio que a iniciativa recebeu nas últimas duas décadas.

Este é um momento muito especial e reitero o meu agradecimento a cada um de vocês que, lá no início, acreditou no sonho do Dr. Cabeto e contribuiu para que ele se tornasse realidade. Ele cumprirá uma missão social histórica para a posteridade, atendendo à população que mais precisa de assistência especializada dentro do complexo hospitalar, em parceria com a Rede HU Brasil (antiga Ebserh) e a Universidade Federal do Ceará.”

Essas pessoas que construíram o projeto não fizeram apenas uma doação financeira; elas doaram amizade. Uma amizade não só comigo, mas com a sociedade cearense”, afirmou o professor da UFC e diretor do Instituto de Ciências Médicas (ICM) Carlos Roberto Martins Rodrigues, Dr. Cabeto. “O hospital sempre teve vocação para se relacionar com a Universidade, pois nasceu da ideia de ampliar o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). O que estamos vendo agora é a continuidade desse processo”, complementou.

Entre os homenageados esteve a presidente institucional e publisher do Grupo O POVO, Luciana Dummar, que ressaltou a importância da concretização do Hospital para a saúde pública e para a Universidade.

"Esse hospital é algo incrível, pois ele vai somar ao Walter Cantídio, que já ajuda milhares de cearenses. Ver a Universidade Federal do Ceará conseguindo, neste momento, ‘desembrulhar esse presente’ sob a gestão do [reitor] Custódio é muito emocionante. Acredito que todos esses fatores mostram que a UFC e O POVO são instituições irmãs. Este é mais um passo importante”, destacou.

Hospital terá atendimento terciário

O novo Hospital Universitário Paulo Marcelo Martins Rodrigues assumirá o atendimento de nível terciário da assistência médica, concentrando casos de maior gravidade em diversas especialidades. Segundo o reitor Custódio Almeida, após a entrega, o Hospital Universitário Walter Cantídio deverá passar por uma readequação de perfil, voltando-se principalmente para atendimentos de média complexidade.

Segundo a Universidade, serão investidos cerca de R$ 179,3 milhões na conclusão do empreendimento, dos quais R$ 78,8 milhões são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A unidade será administrada pela Rede HU Brasil e atenderá exclusivamente pacientes do SUS.

É um projeto extremamente moderno e que vai proporcionar uma inserção ainda maior na nossa rede de saúde. O agradecimento que trazemos hoje reflete a relevância da adesão a este projeto inovador, que leva o atendimento de ‘padrão Sírio-Libanês’ para o SUS do Ceará e do Nordeste”, pontuou a superintendente do Complexo Hospitalar da UFC, Josenília Gomes.

Novo Hospital Universitário fará homenagem ao médico Paulo Marcelo Martins Rodrigues

Na ocasião, o reitor Custódio Almeida também divulgou que, no último dia 26 de junho, o Conselho Universitário (Consuni) aprovou o nome da nova unidade como Hospital Universitário Paulo Marcelo Martins Rodrigues. A escolha homenageia o médico e pai do Dr. Cabeto (Carlos Roberto Martins Rodrigues), presidente do Instituto de Ciências Médicas (ICM).

Toda a história desse equipamento está intimamente ligada ao Dr. Cabeto e à homenagem ao Instituto de Ciências Médicas Paulo Marcelo Martins Rodrigues. Como o próprio hospital que seria construído levaria este nome, resolvemos mantê-lo”, justificou o reitor.

O projeto do novo Hospital Universitário da UFC teve origem em 2001, a partir de uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará e o Instituto de Ciências Médicas Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ICM).

Em 2021, o ICM formalizou a doação do terreno à UFC, contudo, a gestão anterior da Universidade instituiu uma comissão para reavaliar a proposta e, posteriormente, ingressou na Justiça cobrando uma multa de cerca de R$ 31 milhões do ICM, além de declarar que a Universidade não tinha interesse em assumir o imóvel.

A partir de 2023, a atual administração da UFC retomou as negociações com o ICM, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Educação (MEC), resultando na homologação de um acordo de doação em pagamento que permitiu a transferência definitiva do imóvel para a Universidade.

SUS

O novo hospital assumirá o atendimento de nível terciário da assistência médica, concentrando casos de maior gravidade em diversas especialidades

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/07/2026. Cidades. p.11.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Exame de Qualificação em Ciências Farmacêuticas (UFC) da Profa. Jaciara Alves

Ocorreu na tarde de ontem (27/05/26), de forma virtual, na Universidade Federal do Ceará, o Exame de Qualificação de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Ceará.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Marta Maria de França Fonteles, Marcos Aguiar Ribeiro, Kilvia Helane Cardoso Mesquita e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, aprovou o Projeto de Tese Desenvolvimento e validação de uma matriz lógica de indicadores para avaliação econômica da assistência farmacêutica básica no Sistema Único de Saúde”, apresentado pela doutoranda JACIARA ALVES DE SOUSA, orientada da Profa. Dra. Marta Maria de França Fonteles.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva- PPSAC UECE


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Homenagem aos Ex-Coordenadores do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará

Hoje, 12 de maio de 2026, a querida Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará celebra 78 anos de fundação. Entre os eventos comemorativos, destaca-se a inauguração da galeria de fotografias dos ex-coordenadores do Curso de Medicina — justa homenagem aos professores que, no exercício desse importante cargo, dedicaram-se ao acompanhamento e à formação dos alunos. A iniciativa foi liderada pela atual coordenadora, Profª. Mônica Façanha, com o apoio do Diretor da Faculdade, Prof. João Macedo, e do Magnífico Reitor, Prof. Custódio Almeida, ambos presentes à solenidade.

Por ter exercido a função de coordenador do curso de graduação em Medicina, sei o quanto esse cargo é relevante para o corpo discente, pois envolve o desempenho de múltiplas atribuições. Assumi essa responsabilidade no tempo do Centro de Ciências da Saúde, o qual era dirigido pelo Prof. Afonso Bruno. Recebi o convite com certo receio de não corresponder plenamente às exigências da função. Felizmente, tudo transcorreu bem, graças à colaboração de dois extraordinários servidores: Dona Natércia Esmeraldo e João Carlos Pordeus Freire, com os quais compartilho esta homenagem.

Foi uma fase de grande aprendizado para mim, ocasião em que ampliei minha visão acerca do vasto universo da Universidade Federal do Ceará. No Campus do Pici, realizavam-se reuniões mensais na Pró-Reitoria de Graduação, conduzidas pelo Pró-Reitor, Prof. Gil de Aquino Farias, com a presença de todos os coordenadores dos cursos de graduação da UFC. Eram encontros de grande relevância, nos quais cada coordenador expunha as peculiaridades e os desafios de seu respectivo curso.

Os coordenadores dos cursos do Centro de Ciências da Saúde — Perboyre Castelo (Odontologia), Ana Martins (Enfermagem), Carlos Couto (Farmácia) e Sebastião Diógenes (Medicina) — viajávamos para cidades do interior com o objetivo de acompanhar os alunos do estágio rural. Guardo especial lembrança de duas delas: Croatá e Tejuçuoca. Éramos sempre muito bem recebidos pelos prefeitos e secretários de saúde dos municípios. As viagens, realizadas em ônibus da UFC, tornavam-se momentos particularmente agradáveis de convivência e troca de experiências.

Recordo também que, naquele período, foi implantado o serviço de informatização da UFC, representando um grande avanço administrativo. João Carlos e eu participamos de treinamento na Pró-Reitoria de Graduação, no Pici. Sempre admirei sua inteligência voltada para a informática, assim como a dedicação exemplar ao serviço público demonstrada por Dona Natércia Esmeraldo e João Carlos Pordeus Freire.

Por fim, gostaria de recordar dois grandes professores que me visitaram logo após eu assumir a coordenação. O Prof. Aprígio Mendes Filho presenteou-me com o Regimento da UFC e recomendou que eu o seguisse fielmente, assegurando-me que assim não haveria erro. Já o Prof. Haroldo Juaçaba aconselhou-me a jamais abandonar o centro cirúrgico e o ambulatório, permanecendo na coordenação apenas o tempo necessário para resolver as pendências administrativas.

Tenho profunda gratidão a todos que me ajudaram nessa trajetória. Felicito a Faculdade de Medicina pelo transcurso de seu 78º aniversário de fundação.

Muito obrigado pela homenagem!

Sebastião Diógenes 12-05-2026


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Hospitais de ensino para fortalecer o SUS

Por Josenília Gomes (*)

Desde que foi vinculado à HU Brasil, antes chamada Ebserh, o Complexo Hospitalar da UFC teve sua capacidade de resposta à rede de saúde fortalecida por um modelo de gestão que garante previsibilidade, qualificação de processos e melhores condições para o cuidado em saúde. No último ano, essa parceria institucional se traduziu em resultados que evidenciam isso.

A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand seguiu referência para a gestação de alto risco com emergência obstétrica e cuidados a recém-nascidos prematuros extremos, oferecendo cirurgia fetal como correção intrauterina de meningomielocele e fetoscopia a laser para síndrome de transfusão feto-fetal. Também acolheu mulheres vítimas de violência, em tratamento de endometriose e para neovagina com pele de tilápia. Foram realizados quase 490 mil procedimentos com foco no cuidado da mulher durante a gestação e fora dela.

No Hospital Universitário Walter Cantídio, foram registrados quase 400 mil atendimentos ambulatoriais, cinco mil cirurgias, mais de um milhão de exames diagnósticos, 13 mil procedimentos oncológicos e 254 transplantes. Destaque para a primeira infusão da medicação Spinraza para o tratamento de crianças com atrofia muscular espinhal.

Em 2025, o CH-UFC avançou ainda na qualificação do ensino em saúde, com o fortalecimento da formação de preceptores, a ampliação dos programas de residência e a diversificação dos campos de estágio. O período também foi marcado pela conquista do Prêmio PIT HU Brasil/MEC 2025, que reconheceu iniciativas tecnológicas.

A gerência da HU Brasil no CH-UFC trouxe avanços em infraestrutura, como ampliação de consultórios, modernização da unidade de pesquisa clínica e laboratório de simulação para treinamento prático simulado, além da reorganização de unidades administrativas. Foram mais de R$ 11 milhões investidos em obras e aquisição de equipamentos.

Em 2026, será necessário consolidar políticas permanentes de formação, continuar investindo em inovação pedagógica, fortalecer indicadores de qualidade e integrar ainda mais gestão, ensino, assistência e pesquisa. É o caminho para o Complexo Hospitalar da UFC, para a HU Brasil, para o SUS e, sobretudo, para a população que dele depende.

(*) Médica. Superintendente do Complexo Hospitalar da UFC/HU Brasil.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/04/2026. Opinião. p.20.


terça-feira, 28 de abril de 2026

Um trecho da história — e de um sonho que marcou gerações

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Em 1º de março de 2001, inauguramos o Instituto de Ciências Médicas Paulo Marcelo Martins Rodrigues. Ali começava um sonho ousado: criar no Ceará um centro de excelência capaz de unir assistência qualificada, pesquisa, ensino e inovação. Inspirados em modelos nacionais de referência, acreditávamos que era possível transformar a realidade da saúde pública do Estado.

De início, saímos divulgando a ideia, movidos por entusiasmo e esperança. Alguns embarcaram nessa jornada comigo, mesmo diante da descrença de tantos outros. Vieram anos de trabalho intenso, de tentativas, visitas técnicas pelo Brasil, análises de modelos de financiamento e estudos sobre o que deu certo e errado em outras instituições. Aprendemos que os modelos exclusivamente públicos enfrentavam limitações, enquanto os privados nem sempre priorizavam educação e pesquisa. Foi nesse contexto que fomos construindo, pouco a pouco, o nosso caminho.

Com o apoio sensível de líderes da sociedade cearense, conseguimos transformar parte desse sonho em realidade. A obra do hospital no Porangabuçu é fruto dessa união de esforços. O prédio, ao lado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, representa mais que uma construção física: simboliza uma visão de saúde que valoriza profissionais, incentiva inovação, atrai talentos e coloca o paciente no centro, independentemente de sua condição social.

No entanto, depois de 24 anos de dedicação contínua, compreendemos que o projeto, tal como foi concebido, ainda não encontrava apoio político e institucional suficiente para se concretizar plenamente. Assim, transferimos o patrimônio para a Universidade Federal do Ceará, que de parceira passou a ser a única responsável por seguir adiante.

A continuidade da obra foi licitada há cerca de um ano. Não sabemos se o projeto físico permanecerá fiel ao original e, certamente, o modelo assistencial idealizado não será mantido. Ainda assim, sua conclusão poderá fortalecer a assistência pública, ampliar oportunidades de ensino e contribuir para a humanização do atendimento no Estado. Mesmo distante da proposta inicial, será um passo importante para o Ceará.

Encerramos, assim, um ciclo. Mas não perdemos a esperança. Acreditamos que o tempo esclarecerá nossa trajetória e, quem sabe, permitirá que os princípios que guiaram essa instituição um dia sejam retomados. A responsabilidade por esse legado não se extingue; permanece com todos nós, os teimosos que continuam acreditando.

Um dia, como diz a música, "o sertão vai virar mar".

Agradeço profundamente a todos que ajudaram a construir essa história.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/03/2026. Opinião. p.17.


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

AS BIBLIOTECÁRIAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Foto: Inauguração da Sala de Obras Raras Cleide Ancilon.

Da esquerda para a direita, as ex-diretoras da Biblioteca de Ciências da Saúde: Gabrielita Carrah, Maria Socorro Braga, Cleide Ancilon, Norma Linhares e Sálemma Sugette. (2010).

Fonte: Biblioteca de Ciências da Saúde da UFC - 70 anos. p. 67.

A Biblioteca da Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi instalada em 1948, no mesmo ano da fundação da Faculdade de Medicina do Ceará (FMC), subordinada diretamente ao Diretor dessa faculdade e recebendo orientação e assistência do Assessor da Biblioteca, no caso o Prof. Newton Teófilo Gonçalves.

Desde os seus primórdios, a Biblioteca da Medicina era dirigida pela Profa. Cleide Ancilon de Alencar Pereira, então a sua única bibliotecária, e uma pioneira da Biblioteconomia no Ceará, tendo sido mantida nessa função quando da federalização da FMC.

Com a extinção do Instituto de Medicina Preventiva (IMEP), no começo da década de 1960, a Biblioteca da Faculdade de Medicina recebeu todo o acervo da biblioteca do IMEP. Nesse processo a bibliotecária Vânia de Holanda de Farias foi transferida para Biblioteca da Medicina, valiosa aquisição, que passou a dispor de duas bibliotecárias.

Com a Reforma Universitária, as Faculdades se transformaram em cursos, formando, no caso, o Centro de Ciências da Saúde, reunindo Medicina, Farmácia e Odontologia e, mais tarde, Enfermagem, curso criado pela UFC em 1975. A nossa Biblioteca passou a se denominar Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde (BCCS), subordinada à Biblioteca Central, no Campus do Pici.

Alguns anos mais tarde, com as transferências das Faculdades de Farmácia e Odontologia para o bairro Porangabuçu, hoje denominado Rodolfo Teófilo, formando o Campus da Saúde, a Biblioteca foi enriquecida com seus acervos e o aporte das bibliotecárias Luiza Maria de Alcântara e Saraiva Leão e Maria do Socorro Melo Braga. E assim passou a contar com quatro bibliotecárias e, logo depois, passou a ter cinco bibliotecárias, com a nomeação de Sálemma Maria Lima Sugette. Nos anos 1970, outras bibliotecárias foram incorporadas ao quadro funcional da BCCS: Gabriela Carrah, Joesta Jucá e Norma Linhares.

A limitação do acervo em obras indicadas para uso das disciplinas obrigatórias, com número de exemplares insuficiente para atender à demanda estudantil, e às vezes composto por livros de edições já obsoletas, era compensada pelas competência e gentileza das zelosas bibliotecárias, que se desdobravam para prover o melhor atendimento possível aos usuários.

Parte das obras integrantes da bibliografia básica das disciplinas ficava reservada para consulta local, não sendo computadas entre as disponíveis para empréstimo regular.

A BCCS, na década de 1970, era dotada de boas instalações físicas e possuía um bom nível de organização de seus serviços. Havia um amplo espaço de leitura, com mesinhas individuais, devidamente vigiado pelas funcionárias para garantir um obsequioso silêncio, e também existia um setor específico, inclusive com cabines privativas, que podiam ser agendadas, previamente, para utilização por professores e alunos.

O corpo funcional da BCCS oferecia orientação para pesquisa bibliográfica e acesso às obras de referência, via Index Medicus, Mensal e Acumulado anual, e auxiliava na normalização bibliográfica dos trabalhos acadêmicos e das publicações de docentes e discentes. A busca de artigos publicados em periódicos não assinados pela BCCS era facilitada por meio da BIREME, com emprego do Sistema COMUT.

Naturalmente que a carência da informatização era própria e inerente à condição da época; no entanto, a carência de títulos tinha mais a ver com a insuficiência da dotação orçamentária das universidades brasileiras já prevalecentes.

Neste 8 de março, dia dedicado internacionalmente à Mulher, tem-se, ao longo deste mês, uma oportunidade muito especial para reverenciar as nossas tão queridas e prestativas bibliotecárias que tanto cooperam à formação de gerações de médicos cearenses.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

* Publicado In: Jornal do médico digital, 3(37): 32-34, março de 2023.

Extraído de: Silva, M. G. C. da. Medicina da UFC 1977-2022. Fortaleza: Edição do autor, 2022. 160p. p.36-38.

RD-Marco-2023-app.pdf (jornaldomedico.com.br)


domingo, 14 de setembro de 2025

MEMÓRIA. A GRANDE EXCURSÃO

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

OS PREPARATIVOS DA EXCURSÃO

Em 1966, nós, os calouros da Faculdade de Medicina reunidos em assembleia, escolhemos por aclamação os representantes da turma para as disciplinas do 1.º ano. Na mesma ocasião, decidimos também sobre a criação de uma entidade (informal) que recebeu o nome de Clube Andreas Vesalius, incorporando o nome latinizado de Andries van Wiesel, famoso médico flamengo que viveu entre 1514 e 1564.

O nome do autor de De humani corporis fabrica (No tecido do corpo humano), que é referido como o fundador da moderna Anatomia, foi escolhido também por aclamação. Era a Anatomia, com a dissecação dos cadáveres humanos conservados em formol e com o manuseio dos esqueletos remontados, a disciplina que dominava mais fortemente o nosso imaginário.

Qualquer nome que não viesse da área da Anatomia seria fatalmente rejeitado. Em meio a outras disciplinas como Histologia e Embriologia, a Bioquímica e a Bioestatística...

A ideia principal, e talvez única, era a de que o clube se destinaria a viabilizar uma grande excursão que faríamos adiante.

Então, toca a trabalhar, arrecadando dinheiro em rifas e tertúlias. E também organizando-nos em grupos que, em períodos noturnos, visitávamos as residências de nossos mestres em busca de doações. Até abrimos um "Livro de Ouro" para que eles se sentissem, ao fazerem suas doações, como se estivessem participando de algo grandioso. É verdade que houve um deles que nos despachou com um ditado ("quem não pode com o pote, não pega na rodilha"), mas esse, no devido tempo (no período de nossa formatura), recebeu o troco: não foi lembrado para ser patrono nem paraninfo.

Além disso, havia as contribuições que nós, futuros excursionistas, pagávamos mensalmente. Sob pena de ter o nome cortado da excursão (o que, aliás, quase aconteceu a este escrivão de bordo).

No início de 1970, com o dinheiro apurado nos quatro anos anteriores, fretamos um ônibus que nos levaria a uma excursão pelo Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. O plano de viagem incluía, após atravessarmos a fronteira, irmos ao Uruguai e à Argentina – o plus que destacaria a Turma Andreas Vesalius da Faculdade de Medicina da UFC das turmas precedentes que haviam excursionado apenas por território nacional. A nossa turma, portanto, seria a que iria mais longe numa excursão - além de Taprobana, como diria Camões.

Esse roteiro fora feito por um grupo que assumiu a liderança.

Éramos trinta e poucos (de quase uma centena de alunos), em nossas férias do término do quarto ano de medicina.

Mas...

O número de excursionistas ultrapassava o de assentos no ônibus!

Divulgou-se, de última hora, a abertura de vagas para quem quisesse aderir ao IDP, o Instituto da Desistência Premiada. Apareceram desistentes e o número de excursionistas foi fechado.

A PARTE BRASILEIRA DA EXCURSÃO

Dois motoristas se revezariam na direção do ônibus: Nelson e Josué. Devido a barbaridades explícitas na estrada que deixaram a gente de cabelo em pé, o segundo logo foi afastado da função. Isto fez com que o Nelson ficasse sobrecarregado em seu trabalho durante a viagem, atingindo os limites dessa situação na fase do retorno.

1) Salvador. Nós, os rapazes, ficamos alojados em uma unidade do Exército, enquanto as moças, em menor número no grupo, foram conduzidas a um hotel. Naqueles anos de chumbo, de descontentamento de parte dos estudantes universitários com as medidas repressivas do governo, a hospedagem fazia parte da "política de boa vizinhança" da ditadura militar. Minhas lembranças de Salvador incluem a Cidade Baixa, o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo, onde adquiri uma sacola de fibra vegetal (que foi apelidada de caçuá). Houve também passeio na Baía de Todos os Santos, Ilha de Itaparica e, numa das noites, fomos ao restaurante Varandá, o qual descobrimos se tratar de um reduto LGBTIQIA+ (estou usando a nomenclatura atualizada).

2) Rio de Janeiro. Ficamos na Casa do Marinheiro, na Praça Mauá. Por motivos óbvios, nossas colegas tornariam a se hospedar num hotel, o que talvez tenha sido a causa de uma amotinação masculina. Exigia-se que o "tesoureiro" da excursão fizesse a imediata partilha dos recursos financeiros comuns. Daí para frente, cada um iria administrar sua parte no espólio. Lembro-me de termos ido à Ilha de Paquetá (acesso através de barcas que partem da Praça XV), ao Maracanã (onde assistimos a um jogo de futebol), ao Corcovado (leia-se: Cristo Redentor), a alguma praia da Zona Sul e de termos passeado no bondinho do Pão de Açúcar. Fui procurado por um marujo, Eduardo César, meu primo em 2.º grau, com a proposta de me mostrar o Rio e que me pegou um dinheiro emprestado (acho que não paga mais). Na Cidade Maravilhosa foi quando chegou ao auge o "campeonato de xexo" disputado por alguns colegas.

Xexo Caloteiro (Nordeste)

A palavra xexo vem de seixo (pedrinha). Antigamente, quando se usavam pedras preciosas como dinheiro, os espertos misturam seixos com as pedras preciosas para enganar os outros. Surgiu, aí, a expressão "dar o seixo", que virou "dar o xexo", que quer dizer "deixar de pagar, dar o calote".

3) São Paulo. Hospedamo-nos no Pacaembu, o estádio. Fomos visitados por um colega de uma turma anterior e líder estudantil que, por motivos políticos, vivia clandestino em São Paulo. Ao se despedir nos quotizamos para ajudá-lo naqueles tempos difíceis. E descemos a Serra do Mar para conhecer Santos e Guarujá.

4) Curitiba. Onde nos hospedamos na Casa do Estudante. Foi inesquecível aquela experiência de descer de trem a Serra do Mar até o porto de Paranaguá. Saibam que até hoje a tal viagem turística ainda existe, mas até Morretes. Desta cidade, passando por Antonina, e com o turista voltando pela belíssima Estrada da Graciosa para Curitiba. No trecho Sul da excursão, demos carona a um gringo de nome Michel. Artur brincava muito com ele ao ensinar português.

5) Porto Alegre. Tinha uma Serra Gaúcha no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma Serra Gaúcha - com vinhos para a nossa degustação. Chegamos a Porto Alegre onde os alojamentos de outro quartel nos esperavam. Numa das noites fomos a um teatro para um show da Gal Costa. Tive a nítida impressão de que ela cantava só para mim (o pior é que outros também pensaram assim com relação a si próprios).

No Chuí (ou Jaguarão), passamos o dia atarefados em resolver nossos entraves burocráticos para podermos atravessar a fronteira. Carreguei a mão na quantidade de azeite que pus no almoço, e atribuí a isso os distúrbios intestinais que me afligiram nas horas seguintes.

Não houve necessidade de providenciar passaporte, apenas a obrigatoriedade de tomar a vacina contra a febre amarela.

A PARTE ESTRANGEIRA DA EXCURSÃO

6) Montevidéu. Jantamos nos arredores da cidade. No restaurante que eu, pressionado por fortes cólicas, escolhi no grito. Fomos tungados na conta (Maureen, por exemplo, não jantou) e, ameaçados pelo dono ("voy a llamar la policía"), pagamos o que ele queria. Passeamos no Centro Histórico de Montevidéu, assistimos a um jogo de futebol no Estádio Centenário e fizemos um passeio do tipo bate-volta a Punta del Este. Por fim, fomos a Colonia del Sacramento para a travessia do Rio da Prata (este detalhe me foi lembrado por Nelson Cunha), com destino à capital portenha.

7) Buenos Aires. Acho que houve uma dispersão do grupo por vários hotéis. Hospedei-me num hotel da Avenida Corrientes, no Centro Histórico de Buenos Aires, que tinha um elevador vintage. Ficava perto da Casa Rosada, da Plaza de Mayo e do Obelisco, o monumento erguido na Praça da República, no cruzamento das avenidas Corrientes e 9 de Julio. Foi onde conheci um Metrô. Tirei fotografias - sem flash - do Metrô de Buenos Aires que só captaram as luzes internas.

Chamaram-me a atenção seus ônibus urbanos: eram pequenos e não tinham cobradores. Escolhi um restaurante para jantar, pollo (frango) y vino. E, no passeio que fiz em La Boca, deparei-me com outro restaurante de grande animação. Era a turma que já estava lá. Subi ao palco para cantar "Garota de Ipanema". E, ao voltar para o hotel, cantei “Sebastiana” no carro de um argentino em que alguns de nós pegamos carona.

Corrientes, 348. Esse endereço em Buenos Aires foi imortalizado por Carlos Gardel, no tango "A Media Luz", um dos mais conhecidos dos chamados "tangos clássicos". Descrito na canção de uma forma envolvente e romântica, já não era mais um hotel e no local existia um estacionamento.

A VOLTA PARA FORTALEZA

8) Porto Alegre (2.ª vez). Carnaval (que acontecia no período de 7 a 10 de fevereiro) no Partenon Tênis Clube, na av. Bento Gonçalves. Problemas particulares me motivaram a antecipar meu retorno para Fortaleza. Na rodoviária de Porto Alegre, peguei um ônibus para o Rio de Janeiro. E, na rodoviária Novo Rio, comprei passagem para um segundo ônibus com destino a Fortaleza. Com algumas horas noturnas disponíveis na Cidade Maravilhosa procurei um hotel para a dormida. Mas quem disse, Berenice? O hotel em que me hospedei, apesar de ficar bem próximo da rodoviária, era uma espelunca. E tinha um postigo que, por não fechar, expunha um medroso hóspede à curiosidade pública. Não dormi, claro. Nunca uma espelunca, como disse o Chico.

A fuga do Nelson

Não estou me reportando ao colega Nelson José da Cunha.

Na década de 2010, atendi algumas vezes o paciente N.A.F. na Multiclínica Fortaleza. Era o motorista Nelson da excursão! Septuagenário, lúcido e com bom estado geral, porém apresentando uma doença associada ao tabagismo em estádio avançado. Numa de suas consultas, Nelson me contou uma história interessante. Quando o grupo voltava para Fortaleza, houve uma noite em que ele foi muito pressionado para não interromper a viagem. No entanto, sentindo-se muito cansado, ele procurou uma pousada para descansar. E não informou a ninguém onde foi dormir. No dia seguinte, reassumiu o volante do ônibus. Se houve quem não gostasse dessa conduta? Sim, mas Nelson agiu assim para o bem de todos.

Relação dos participantes

15 Colegas: Colares, Paulo, Valdenor, Lages, Daniel, Zé Leite, Portela, Beto, Edson, Nelson, César, Ercílio, Clóvis, Mário, Artur

10 Colegas: Adriana, Imeuda, Lúcia, Leni. Maureen, Maura, Mazé, Maria Alice, Maria Regina, Noelma

PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA - cearense (Fortaleza). Escritor, blogueiro e médico aposentado do Ministério da Saúde. Foi contemporâneo de Belchior na Faculdade de Medicina da UFC. Membro fundador da Sobrames Ceará e diretor da entidade no período de 1985 a 1987. Tem a biografia no livro "Portal de Memórias" e o currículo na Plataforma Lattes e na Wikipédia. Seu último livro publicado: "Edição Êxtase", em 2023.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Préblog em 30/08/2025.

https://preblog-pg.blogspot.com/2025/08/memoria-grande-excursao.html


quinta-feira, 12 de junho de 2025

DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS

Por Roberto da Justa Pires Neto (*)

Fortaleza sedia, de 11 a 13 de junho, o Fórum Regional em Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). O evento, promovido pela Universidade Federal do Ceará, reunirá, no Centro de Convivência, Campus do Pici, mais de 200 pesquisadores, especialistas, gestores e representantes da sociedade civil dos nove estados do Nordeste.

As DTNs representam um conjunto diverso de doenças, a maioria de natureza infecciosa e parasitária, que afetam mais de 1,7 bilhão de pessoas em cerca de 150 países, especialmente as que vivem em situação de pobreza.

No Brasil e no mundo, as DTNs continuam a operar silenciosamente, muitas vezes à margem dos sistemas de saúde e das políticas públicas. São causadas por uma ampla variedade de agentes - vírus, bactérias, parasitas, fungos e toxinas - e incluem dengue, doença de Chagas, leishmaniose, raiva, esquistossomose, tracoma, infecções fúngicas, envenenamento por cobras, verminoses intestinais, entre outras doenças.

Quando não provocam morte imediata, as DTNs podem produzir cegueira, deformidades, dor crônica, incapacidades e exclusão social, atingindo, sobretudo crianças, idosos, populações indígenas e negras, trabalhadores rurais e comunidades periféricas.

Muitas vezes, essas doenças afastam as pessoas da escola, do trabalho e do convívio comunitário, perpetuando um ciclo intergeracional de miséria e abandono. São doenças que deformam corpos e, ao mesmo tempo, desestruturam vidas.

Apesar de sua gravidade, as DTNs historicamente recebem menos financiamento para seu combate e menos visibilidade do que outras enfermidades globais. Essa negligência não é apenas científica, mas também política, econômica e social. Ela revela quais vidas seguem sendo ignoradas e quais corpos continuam invisibilizados.

O Fórum Regional em Doenças Tropicais Negligenciadas discutirá todos esses aspectos relacionados às DTNs, com ênfase nas de ocorrência na região Nordeste.

Espera-se que se encontrem caminhos e respostas concretas para o avanço no controle e eliminação destas doenças em nossa região. Um avanço necessário. Uma reparação histórica e humanitária urgente.

(*) Médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/06/2025. Opinião. p.19.

domingo, 23 de março de 2025

RESUMO BIOGRÁFICO PÓSTUMO DE JOSÉ ADÃO LOPES

 

Por Franzé Lopes (sobrinho de José Adão Lopes)

José Adão Lopes nasceu no dia 23 de dezembro de 1949, no município de Limoeiro do Norte no Ceará. Estudou no Colégio Diocesano de Limoeiro do Norte, cidade onde cresceu. Menino prodígio cheio de dons e talentos, dono de um boletim impecável, tocava clarinete na banda de música do colégio.

Chegando à idade de prestar serviço militar, alistou-se na Força Aérea Brasileira, vindo a servir na Base Aérea de Fortaleza, onde conquistou a patente de Cabo. Nesse mesmo período se inscreveu para fazer o vestibular da Universidade Federal do Ceará de 1972, no qual tirou notas muito altas que o levaram a optar pela Faculdade de Medicina. Tentou conciliar a vida militar com a faculdade, mas terminou optando por apenas estudar, pois trazia em seu DNA o gene da medicina herdado de alguns de seus ancestrais judeus sefarditas que tinham o mesmo ofício.

Em 1977, graduou-se em medicina com seu irmão Antônio Ferreira Lopes. Médico renomado e de sucesso, especializou-se como anestesiologista. Já formado ingressou como Primeiro Tenente no corpo médico da Polícia Militar do Ceará, no qual ficou pouco tempo.

De acordo com o depoimento colhido por mim do seu amigo Dr. Cândido Pinheiro Koren de Lima, “Adão participava das grandes equipes médicas da cidade de Fortaleza, sendo requisitado por todos, inclusive por mim, quando precisava me submeter à algum procedimento cirúrgico, fazia questão que ele fosse o anestesista da equipe".

Juntamente com outros médicos, Dr. Adão foi homenageado postumamente pela Sociedade de Anestesiologia do Estado do Ceará por sua contribuição para o desenvolvimento da profissão. Os novos profissionais da área eram sempre bem recebidos e orientados por ele.

Para finalizar, gostaria de citar duas palavras que representam o seu caráter e personalidade, as quais são: bondade e generosidade.

Dr. José Adão Lopes faleceu no dia 23 de março de 2023 em Fortaleza.

Nota do Blog: Hoje, 23/03/25, completam-se dois anos do falecimento do nosso querido amigo e colega, cujo desaparecimento terreno causou grande consternação entre médicos cearenses, sobretudo dos egressos da Turma Dr. José Carlos Ribeiro, que concluíram medicina na UFC em dezembro de 1977.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva - Editor


quarta-feira, 12 de março de 2025

10 ANOS DE EBSERH NO CEARÁ: avanços e perspectivas

Por Josenília Gomes (*)

Celebrar 10 anos de gestão do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC) pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é exaltar o crescimento estrutural, o aumento da força de trabalho, as transformações assistenciais e as inovações em ensino e pesquisa que marcam o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC).

Entre os avanços em infraestrutura, destacamos as inaugurações das novas enfermarias cirúrgicas, de transplantes e das novas áreas da pediatria e do transplante de medula óssea do HUWC; além da entrega da nova Emergência da MEAC. Renovamos também nosso parque tecnológico. Entre 2015 e 2024, foram adquiridos 1.250 equipamentos médicos, que somam cerca de R$ 35 milhões, como ventiladores pulmonares, aparelhos de anestesia, mamógrafo e angiógrafo.

O CH-UFC se fortaleceu como referência na assistência à população pelo SUS. A MEAC foi a primeira no Ceará a realizar a cirurgia fetal com útero exposto para correção de mielomeningocele (malformação congênita da coluna vertebral do feto). O Ambulatório de Adolescentes foi pioneiro na cirurgia com uso de pele de tilápia em pacientes com síndrome de Rokitansky, condição de mulheres com canal vaginal curto ou inexistente.

No campo de transplantes, o HUWC segue como uma referência, realizando transplantes de fígado, rim, pâncreas, córnea e medula óssea em números impactantes para o SUS e com taxa de sobrevida equiparáveis às dos melhores serviços do mundo.

Em ensino, o CH-UFC contribui para a formação de profissionais da saúde desde os estágios dos cursos de graduação até a formação de especialistas nas residências médicas e multiprofissionais. A internacionalização é outro ponto relevante, feita por meio de convênios com países parceiros e formando especialistas de vários países, atuando de forma destacada em Cabo Verde e Angola.

Agora, é o momento de olharmos as conquistas e planejarmos com otimismo aonde queremos chegar. Para 2025, teremos a missão de ampliar as ações de humanização do cuidado, implantando a gestão centralizada de consultas e exames, melhorando ainda mais a gestão dos leitos, a segurança dos pacientes e a satisfação dos trabalhadores. Que venha o novo ano! Estamos prontos!

(*) Médica. Superintendente do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/02/2025. Opinião. p.19.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Nota de pesar: Maria Zélia Rouquayrol, professora aposentada da UFC

 Escrito por UFC Informa. Quinta, 13 fevereiro 2025 16:31

Em mais de 60 anos de atuação profissional, Maria Zélia Rouquayrol deixou um legado fundamental para a área da saúde coletiva no País (Foto: acervo pessoal)

A Universidade Federal do Ceará (UFC) lamenta profundamente a notícia de falecimento da pesquisadora e docente aposentada Maria Zélia Rouquayrol, ocorrido nesta quinta-feira (13). Referência da Epidemiologia e Saúde Pública no Brasil, ela destacou-se ao longo de uma frutífera carreira por importantes contribuições em suas áreas de atuação, tanto na prática quanto no ensino e na pesquisa. A missa de corpo presente e o sepultamento ocorrem nesta sexta-feira (14), a partir das 9h e das 11h, respectivamente.

Nascida em Pernambuco, Maria Zélia tornou-se cearense de vivência e de coração, tendo recebido os títulos de Cidadã Cearense e Cidadã Fortalezense em 2005 e 2002, respectivamente, pelos relevantes serviços prestados à saúde pública no Estado e na cidade.

Graduada em Farmácia em 1955 pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), deu os primeiros passos profissionais como técnica do Laboratório de Saúde Pública da Secretaria de Saúde de Recife. Em 1957, iniciou sua trajetória na docência no cargo de instrutora de ensino de microbiologia na UFPE. No ano seguinte, foi transferida para a UFC, onde chegou à categoria de professora titular.

Sua formação acadêmica incluiu um investimento robusto na pós-graduação, incluindo especialização em Microbiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); especialização em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP); especialização no Institute of Tropical Medicine em Antuérpia, na Bélgica; mestrado em Saúde Pública pela Tulane University (EUA); e doutorado em Higiene e Saúde Pública pela UFC.

Pesquisadora bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), teve vários projetos aprovados por esse órgão, que contou com sua colaboração em comitê assessor e em grupo técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foi também coautora do livro Epidemiologia & saúde, considerado o livro-texto mais adotado no Brasil para o ensino de tópicos relevantes da Saúde Coletiva.

Ao longo da década de 1980, em atuação na Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, criou e coordenou o então Departamento de Epidemiologia e o chamado Plantão Epidemiológico, serviço até hoje considerado modelo de atenção à saúde.

Após sua aposentadoria da UFC, Maria Zélia passou a integrar a Secretaria de Saúde de Fortaleza, onde desempenhou atividades de investigações epidemiológicas e coordenou a publicação do Boletim de Saúde da Célula de Vigilância Epidemiológica (CEVEPI/SMS).

Ao deixar um legado inestimável para a ciência e a saúde pública no país, Maria Zélia Rouquayrol permanecerá como inspiração, sobretudo para mulheres que atuam ou desejam atuar profissionalmente nessas áreas. A UFC se solidariza com a família e com amigos nesse momento.

Fonte: Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da UFC.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Nota de pesar da Faculdade de Medicina da UFC por Maria Zélia Rouquayrol

 

A Faculdade de Medicina da UFC divulgou nota de pesar, acima exibida, por Maria Zélia Rouquayrol, valorosa docente aposentada dessa unidade de ensino.

Em tempo: O corpo da Profa. Maria Zélia Rouquayrol está sendo velado na Aethernus (Rua Padre Valdevino, 1.688, Aldeota). A missa de corpo presente será celebrada às 9 horas de amanhã (14/02/25) e o cortejo fúnebre sairá às 10 horas para o sepultamento no Parque da Paz, marcado para as 11h.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo e colaborador da Profa. Zélia


terça-feira, 8 de outubro de 2024

AS TORTUOSAS TRILHAS DA CIÊNCIA NO CEARÁ

Por Armênio Aguiar dos Santos (*)

É promissor testemunhar a Universidade Federal do Ceará nos 70 anos restaurar o Colégio de Altos Estudos (CEA), incumbido de repensar sua atividade acadêmica. Ademais, pela palestra do Prof. Renato Janine, Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), "O papel das Universidades Brasileiras diante dos desafios contemporâneos", organizada pelo CEA e a Pós-Graduação em Sociologia da UFC, que aliás completa 30 anos.

A data marca ainda os 30 anos de efetiva atuação da Funcap, Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (C&T) que concede bolsas para graduandos, pós-graduandos e pós-doutores, além de bolsas BPI à pesquisadores no interior do estado. E este ano inaugurou o processo de internacionalização da C&T cearense. Já o programa Cientista Chefe desperta inovações em C&T nas secretarias mais estratégicas, tendo na pandemia apoiado a criação do capacete Elmo, premiado com a Medalha da Abolição. E agora, o Governador Elmano reativou, enfim, o Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, definidor das estratégias no setor.

Mas para ultrapassarmos a economia de subsistência agro-pastoril e exploração turística, urge novas atitudes. Apoiar PG sediadas no interior, pelo intercâmbio acadêmico do interior com a capital bem como atrair pesquisadores sêniores para o Ceará. Fomentar interação de grupos emergentes no Ceará e grupos de pesquisa já consolidados no Sudeste.

Retomar ações como: i) Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, ii) Programa de Apoio a Núcleos Emergentes e iii) Programa Primeiros Projetos para jovens pesquisadores atuantes no Ceará. E fomentar o intercâmbio das Universidades locais com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em vias de ser aqui instalado. Reconhecendo o notável papel do governo estadual na melhoria do ensino básico, urge agora elevar o nível do ensino médio com a ajuda das Universidades via amplo programa de divulgação científica, ensejando assim a formação cidadã de nossos adolescentes e jovens.

Para tal, basta o Governo do Estado reafirmar o termo de ajuste do firmado em 2018 com o Tribunal de Contas e elevar, progressivamente, a execução financeira da Funcap até atingir os 2% da arrecadação estadual previstos na Constituição Estadual.

(*) Médico. Professor titular da Faculdade de Medicina da UFC. Conselheiro da região Nordeste da SBPC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/09/2024. Opinião. p.23.

domingo, 18 de agosto de 2024

PESAR POR PROFA. NOEMI ELISA ADERALDO

Foi com imenso penar que se tomou conhecimento do falecimento, na manhã de hoje, domingo (18/08/2024), da Profa. Noemi Elisa Costa Soriano Aderaldo, docente aposentada da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A Profa. Noemi Elisa Aderaldo que lecionou, por muitos anos, no Curso de Letras da UFC, destacou-se como escritora e crítica literária, sendo uma proficiente conhecedora da obra de Fernando Pessoa.

Ela ingressou na Academia Cearense de Letras (ACL), há 36 anos, em 1988, como ocupante da Cadeira 33, patroneada por Rodolfo Teófilo, na vaga deixada por Otacílio Colares, sendo a quarta mulher admitida nessa confraria literária cearense.

Desde 1995, essa celebrada escritora exercia a Diretoria de Publicações e presidia a Comissão de Redação da Revista da ACL

O velório terá início às 19h deste domingo (18/08/2024), no Complexo Velatório Ethernus (Rua Padre Valdevino, 1.688, Aldeota), com missa de corpo presente programada para às 14h de amanhã (19/08/2024), e, em seguida, seus despojos serão encaminhados para cremação.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da ACL – Cadeira 25


segunda-feira, 22 de julho de 2024

CÉSAR FORTI (1945 - 2024)

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

César Augusto de Lima e Forti nasceu em 28 de abril de 1945, na cidade de São Paulo-SP.

Formado em medicina no ano de 1971 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), especializou-se em medicina nuclear pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 1973, e fez mestrado em Farmacologia pela UFC, em 1985.

Médico do Ministério da Saúde, ocupou o cargo de chefe do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). Foi também Subsecretário da Saúde do Estado do Ceará, Diretor Médico e Diretor Geral do HUWC e Diretor do Hospital Municipal de Maracanaú.

Fonte: A história dos Secretários da Saúde do Estado do Ceará (arquivo PDF).

Vitimado pelo câncer, César Forti faleceu na noite de 21 de julho de 2024.

Meus sentimentos à família do meu estimado amigo e colega Dr. César Forti.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 22/07/2024.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/07/cesar-forti-1945-2024.html

PESAR PELO FALECIMENTO DO DR. CÉSAR FORTI

 

É com imenso pesar que aqui registro o falecimento ontem, 21 de julho de 2024, do Dr. CÉSAR AUGUSTO DE LIMA E FORTI, médico especialista em Medicina Nuclear e pioneiro dessa especialidade no Ceará, professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFC e ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará, cujo passamento entristece seus familiares e o seu vasto ciclo de amigos e colegas.

A Galeria dos Secretários da Saúde do Estado do Ceará Governador Parsifal Barroso 1961 – 2006 sumariza o currículo do seu dirigente, no período de 25/04/1990 a 20/04/1991, assim:

“Nascido em 28 de abril de 1945, na cidade de São Paulo/SP. Formado em Medicina no ano de 1971 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Especializou-se em Medicina Nuclear pela Faculdade do Rio de Janeiro (FEFIERJ), em 1973; mestre em Farmacologia pela UFC em 1985. Médico do Ministério da Saúde, exerceu as funções do cargo de Chefe do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Universitário Walter Cantídio da UFC; Subscretário da Saúde do Estado do Ceará no período de 1987 a 1989; Diretor Médico do Hospital Universitário Walter Cantídio da UFC no período de 1991 a 1994; Diretor Geral do Hospital Universitário Walter Cantídio da UFC de 1994 a 1997; Diretor da Associação Brasileira dos Hospitais Universitários e de Ensino (ABRAHUE) no período de 1994 a 1997; Diretor do Hospital Municipal de Maracanaú no período de 1999 a 2002. Ocupa o cargo de Coordenador da Coordenadoria da Rede de Unidades da Secretaria da Saúde (CORUS), atual gestão de Dr. Jurandi Frutuoso, tendo sido nomeado desde 2003.”

O corpo do Dr. César Forti está sendo velado hoje (22/07/2024), desde às 7h no Velatório Aethernus, à Rua Pe. Valdivino, Nº 1.688, em Fortaleza. A missa de corpo presente será às 11h e, em seguida, seus despojos serão conduzidos à necrópole Parque da Paz para o sepultamento marcado para às 14h.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina


terça-feira, 25 de junho de 2024

Defesa de Tese para Professor Titular da Enfermagem da UFC de Marcos Venício Lopes

 

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, logo após a defesa de Tese do enfermeiro, estatístico e psicólogo MARCOS VENÍCIO DE OLIVEIRA LOPES. O Prof. Marcos Lopesa está ladeado pelos docentes Alba Lucia Bottura Leite de Barros e Thelma Leite de Araújo, à direita, e por Ana Fátima de Carvalho Fernandes e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à esquerda.

(Foto gentilmente cedida por Samila, secretária do Depto. de Enfermagem da UFC).

Aconteceu na tarde de segunda-feira (24/06/24), na Universidade Federal do Ceará, a Defesa de Tese, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da classe de professor associado IV para Professor Titular do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem da UFC.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. Ana Fátima de Carvalho Fernandes (presidente), Alba Lucia Bottura Leite de Barros, Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Thelma Leite de Araújo, aprovou a Tese “Medidas de agregação para estudos sobre validade de conteúdo de diagnósticos de enfermagem”, apresentada pelo professor doutor MARCOS VENÍCIO DE OLIVEIRA LOPES.

Com essa defesa, completamos 18 (dezoito) participações em concursos para professor titular.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


 

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