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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Escritor potiguar lança romance histórico sobre o Nordeste do século XIX

O romance histórico "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas" será lançado pelo escritor Italo Gurgel no dia 1º de setembro, no Ideal Clube, em Fortaleza

Trazendo um romance histórico situado entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, o livro "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas” será lançado pelo escritor Ítalo Gurgel no dia 1º de setembro, no Ideal Clube, em Fortaleza.

A história acontece no século XIX, passeando entre Aracati (CE) e Caraúbas (RN). A protagonista Quitéria, que se transfere para o então vilarejo de Caraúbas, passa a descobrir aspectos fortes e também sensíveis na sua vida.

"Em Caraúbas, Quitéria se projetou como liderança, tendo tido forte participação no crescimento do vilarejo e na sua emancipação. Muito generosa e religiosa, prestou ajuda essencial na construção da Igreja Matriz", conta Ítalo ao Vida&Arte.

Personagens e acontecimentos reais e fictícios dialogam na trama, que busca mostrar homens e mulheres do Nordeste como os principais operários na construção de um novo Brasil. Recriar costumes e vozes é um dos objetivos, preservando a cultura regional.

O romance tem capítulos independentes que narram, aos poucos, a história de Quitéria. Há ainda trechos que trazem enredos paralelos, abordando Caraúbas e outros de seus habitantes.

Inspirações para a obra

O autor do romance de 370 páginas é Italo Gurgel, jornalista, professor e poeta natural de Caraúbas. Conforme ele, "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas” surgiu a partir dos registros que encontrou sobre a cidade.

Escritores como a cearense Rachel de Queiroz, o alagoano Graciliano Ramos e os paraibanos José Lins do Rego e José Américo de Almeida estão entre as inspirações para a obra e para o apreço pela cultura regional.

Em segundo plano, a pesquisa histórica exerceu influência para a escrita do livro. Ainda que seja um romance, a intenção sempre foi ter um caráter memorialístico.

"A narrativa tomou forma naturalmente. Nem sempre aquilo que é planejado pelo escritor se concretiza. Muitas vezes, é o personagem quem 'decide' o que vai acontecer na cena seguinte. O meu cuidado era não transgredir os parâmetros da verossimilhança, da plausibilidade, da coerência histórica", completa o escritor.

Lançamento de "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas"

Quando: terça-feira, 1º, às 19 horas

Onde: Ideal Clube (av. Monsenhor Tabosa, 1381 - Meireles)

Valor: R$ 100

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1º/09/26. Vida & Arte. p.2.


segunda-feira, 28 de junho de 2021

O ROMANCE DO NORDESTE

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Segundo o escritor Adonias Filho, não houve no Nordeste brasileiro romance modernista, mas sim o ciclo pré-modernista e o pós-modernista. O primeiro, de Franklin Távora e Domingos Olympio, colocava em plano secundário os elementos sociais e na fase principal da cena, de forma invulgar, a chamada ação episódica. O segundo, com destaque, entre outros, para a querida e incomparável Rachel de Queiroz e José Américo de Almeida, onde os elementos sociais superam a ação episódica, traduzindo com rigor o documentário. “Mas, ao fechar-se o segundo ciclo, Graciliano Ramos abre a terceira fase: acrescenta ao documentário, sem anular a irradiação social, as indagações psicológicas”. Por trás das obras dos autores mencionados, existem componentes políticos, econômicos, sociais e religiosos compatíveis com os momentos em que foram escritas. A literatura nordestina, com certeza é a que apresenta com maior realismo as características de um povo que mata e reza para não morrer. A visão do intelectual, além de ser abrangente, é caracterizada por conter, na maioria das vezes, sentimentos sociais, diferentemente, daquilo que pensam muitos tecnocratas. A produção literária do Nordeste precisa ser levada em consideração pelos formuladores de políticas econômicas. Talvez, seja mais importante a leitura de “O Quinze”, “A Bagaceira”, “Vidas Secas” e tantos outros livros do que de compêndios estrangeiros de economia política, mesmo de alguns mestres famosos como Friedman, Hansen, Acley, Leftwich etc. O Nordeste tem suas peculiaridades e também suas vantagens comparativas que precisamos transformá-las em vantagens competitivas. Da maneira como não tivemos no romance a fase modernista, segundo Adonias Filho, podemos mediante prioridades concretas para a educação e a tecnologia, entrarmos mais rapidamente na fase pós-informática. Necessitamos dar um salto de informação e de conhecimento. Por sua vez, não basta a educação formal, mas também a educação comportamental. Esta só se adquire através do saudável “vício” da leitura diversificada. Somente assim a cultura nordestina poderá ser considerada na análise da problemática regional.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 4/6/2021.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

POÇO


Por Socorro Acioli, escritora e colunista de O Povo
Inúmeros livros estão sendo escritos neste exato momento. Um dos mais bonitos tem surgido, palavra a palavra, das mãos de uma médica cearense com uma belíssima história para contar. Ela está transformando a maior luta e a mais plena experiência profissional de sua vida em um romance, um texto literário.
Toda grande história nasce de um “e se?”. Pois imaginemos: e se o trabalho de uma médica, no meio de uma região pobre do Ceará, salvasse a vida de centenas de homens? E se, para isso, ela contasse com a ajuda de um deles, Joel, à beira da morte? Parece ficção, tem as feições de um grande filme. Mas é real. É pura vida.
O título do livro é Poço, e conta todo o processo vivido pela pneumologista Márcia Alcântara Holanda na identificação e luta pela erradicação da silicose nos cavadores de poço da região da Ibiapaba. O texto poderia ser um tratado técnico, uma explicação científica sobre a doença. Isso ela já fez. Publicou artigos, apresentou trabalhos em congressos, ganhou prêmios e o reconhecimento da comunidade acadêmica.
Agora ela quer jogar luz nos meandros emocionais e humanos dessa experiência. Quer narrar, com feitio literário, as cenas que nunca sairão da sua memória, da sua pele. Na serra da Ibiapaba, centenas de homens dedicavam a vida a perfurar poços sozinhos, aspirando a poeira que os levaria a morte. Um acaso do destino levou Márcia a conhecer um deles, já nos últimos sopros de vida. Ele confessou sua atividade, e, por sua causa, a médica chegou à conclusão de que a silicose estava matando aquelas pessoas, pouco a pouco. E que ela tinha nas mãos uma missão.
Ao abraçar a causa, Márcia começou uma luta não só contra uma doença. Era muito maior que isso. A luta tinha caráter político, social e econômico. Ela, sozinha, contra obstáculos gigantescos. Felizmente, quase nada a fazia esmorecer.
Márcia é minha aluna do Ateliê de Narrativas, pela segunda vez. Quando idealizei um curso para escritores, não fazia ideia de que teria a grande felicidade de colaborar com trabalhos dessa magnitude. Ajudar Márcia a dar voz a essa realidade esquecida, a iluminar a vida de um herói como foi Joel, como foram tantos outros, é uma das maiores realizações do meu trabalho.
É assim que uma vida faz sentido: na coragem de permitir que as experiências sejam enlaçadas, sentidas, compartilhadas. Ver o Poço escrito e publicado será uma alegria tão grande quanto ver uma criança nascer. Os dez anos de luta e vitória dessa pequena grande mulher serão do conhecimento de todos, e fazer parte disso é uma honra.
Poço fala da alma dessa médica, mãe de três filhos, que descobriu em um dos seus pacientes, o Joel, um herói. Um grande amigo, um exemplo, um cúmplice. Que esteve com ele no minuto da sua morte. Que venceu. Venceu a luta contra a silicose e a maior batalha de todas, que é chegar à maturidade com alegria.
A escrita do Poço é um marco para Márcia, uma metáfora de relato de uma vida inteira. Ela é uma mulher livre, sorridente, divertida, bem humorada, apreciadora de música, teatro, artes plásticas, café e tapioca. Mãe, avó, bisavó, amiga. Uma das alunas mais aplicadas que tive. Uma alma gigantesca.
Que sorte a minha ter inventado esse Ateliê de Narrativas. Que beleza poder colaborar com tantos escritores em formação, com grandes histórias para contar.
Poço é uma delas. É uma metáfora. A vida, às vezes é muito difícil. O amor, a coragem e o sentimento de missão são caminhos possíveis para o encontro da felicidade. Poço é uma luta que virou sonho, um sonho que vai virar livro.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/06/2018. Coluna de Socorro Acioli.

Nota do Blog: O livro Poço, de Márcia Alcântara será lançado hoje (10/06/18), na Livraria Cultura às 19h30min.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

CONVITE: Lançamento do livro "Poço"



A Editora Imprece e a Livraria Cultura têm a honra de convidar a todos para o lançamento do livro "Poço", primeiro romance da autora Márcia Alcântara.
A Dra. Márcia Alcântara é médica pneumologista e membro titular da Academia Cearense de Medicina.
Dia: 10/08/2018 (sexta feira), às 19h30min.
Local: Livraria Cultura, Auditório Eva Herz, do Shopping Varanda Mall.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O ROMANCE DO NORDESTE


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Não houve no Nordeste brasileiro o romance modernista, mas sim o ciclo pré-modernista e o pós-modernista. O primeiro, de Franklin Távora e Domingos Olympio, colocava em plano secundário os elementos sociais e na fase principal da cena, de forma invulgar, a chamada ação episódica. No segundo, com destaque, entre outros, para a incomparável Rachel de Queiroz e para José Américo de Almeida, os elementos sociais superam a ação episódica, traduzindo com rigor o documentário. Mas, ao fechar-se o segundo ciclo, Graciliano Ramos abre a terceira fase: acrescenta ao documentário, sem anular a irradiação social, as indagações psicológicas. Por trás das obras dos autores mencionados, existem componentes políticos, econômicos e religiosos compatíveis com os momentos em que foram escritas. A literatura nordestina, com certeza, é a que apresenta com maior realismo as características de um povo que mata e reza para não morrer. A visão do intelectual, além de ser abrangente, é caracterizada por conter, na maioria das vezes, sentimentos sociais, diferentemente daquilo que pensam muitos tecnocratas. A produção literária do Nordeste precisa ser levada em consideração pelos formuladores de politicas econômicas globais. Talvez seja mais importante a leitura de "O Quinze", "A Bagaceira", "Vidas Secas" e tantos outros livros do que de compêndios estrangeiros de economia politica, mesmo de alguns mestres famosos, como Friedman, Samuelson, etc. É importante a conexão entre a realidade cultural e o desenvolvimento. O Nordeste tem suas peculiaridades e também suas vantagens comparativas que precisamos transformá-las em vantagens competitivas.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 3/3/2017.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

PÁDUA, SAFIRA E A FLOR EXPOSTA


Por João Soares Neto (*)
Caro Pádua Lopes, desculpe-me por me imiscuir com a sua Safira. Não a pedra preciosa azul usada nos anéis dos engenheiros e dos administradores. Escrevo sobre a mulher erigida em seu romance, de capa do mesmo matiz, “Safira Não é Flor”.
Uma crendice assevera, para as pessoas nominadas Safira, personalidade com sabedoria, fidelidade e razão. Imagina!
Não haveria muito a acrescentar à crítica segura de Dellano Rios (DN, 05.11.2016). Refiro, mesmo sendo óbvio, nada há em mim de crítico literário. Vou escrever o lido, o sublinhado, sem ordenação e raso como um pé de alface.
Deixo para leitores cultos beber a história lavrada em 278 páginas, palavra a palavra. Admito ser modéstia do Pádua se restringir à marotice de presentear “Safira” a amigos. Obrigado, Pádua. Por favor, deixe o seu belo livro aparecer em estantes condignas nas escassas livrarias locais, aviltadas e semidestruídas pela incursão de empresas de capital aberto ou daquelas financiadas a juros mínimos. Elas se estabeleceram aqui para vender de tudo. Até livros.
Safira parece ter algo a ver com o citado no livro cinco dos Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento. Essa Safira bíblica foi, junto com o marido Ananias, condenada à morte por faltarem à verdade ao Espírito Santo.
A Safira do Pádua não era santa, não foi condenada por sua escapadela à Europa com alguém apenas conhecido via Internet. Ela o fez sem sentimento de culpa, mesmo ao saber de outro estranho na empreitada. Larga o marido e os três filhos. Iria, para consumo familiar, viajar com amigas.
Lá se foi Safira para a Itália, não para rezar, mas para escarafunchar museus, igrejas, lojas, restaurantes com acepipes e vinhos, hospedando-se em requintados ou simples hotéis, sem deixar de vivenciar espelunca.
Passam por cidades como Veneza, Milão, Firenze e Roma. É exato aí quando o autor se desfaz em ciente de artes, contando as histórias de cada obra e do seu artífice. Ele diz: “Gostar de arte, no sentido de apreciá-la com inteligência e sensibilidade, é uma etapa atingida por quem se emociona com a mensagem estética”. Dou fé.
Transpostas as soleiras de igrejas, de praças, de museus, Safira se espanta com a profusão de arte. A Itália é um grande museu, com várias exposições marcando os signos e os significados de escolas e séculos diferentes. Esse grande Museu há resistido a guerras e terremotos. Como o mais recente. Os sismos podem sacudir a terra do indefectível Berlusconi, o vário, mas não a destrói.
Depois de tudo visto, a trinca foi parar na Grécia. O fim do século XX não era ainda pleno de barcaças com imigrantes árabes e africanos morrendo ou singrando o Mediterrâneo, em busca da Europa a apontar não a entrada, mas a saída ou, como dizem os ingleses, the Exit.
Devo arranjar um jeito de incluir a palavra tessitura. Ela aparenta erudição. Não a possuo. Pois bem, há na tessitura de Lopes – fica chique assim – um Aracati novo na brisa literária cearense.
Ele embaralha arte sacra e profana, história geral, geografia e o enlevo picante de (des)amantes de primeira viagem. De sentença em sentença, Pádua marca um ponto no bingo com o leitor.
Ele dá pista, falsa ou vera, de personagens ao falar do figurante Melchior - não o Rei Mago - e de seus seguidores. Mostra pudor ao escrever “calcinha íntima” e finaliza com cartas capitais.
Recomendo a leitura de Safira a quem gosta e sabe ler. Aos embevecidos com a arte. Aos informados ou curiosos da História antiga e da Renascença, com um mínimo de concentração para captar a saudável trama urdida.  Parabéns, Pádua.
(*) João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado no jornal O Estado, 11/11/16.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

RESENHA DE “MULHERES NA VIDA DE JESUS”



Lúcia Arruda, cearense de Fortaleza e religiosa da Congregação de Nossa Senhora do Retiro do Cenáculo, é autora do livro editado pela Paulus “MULHERES NA VIDA DE JESUS – A história das primeiras discípulas”.
Presentemente, a irmã Lúcia, com residência em Fortaleza, onde se dedica à orientação de retiros espirituais, provém de uma família de larga tradição católica, integrante do clã dos Arruda, sendo sobrinha do Comendador Ananias, um dos maiores benfeitores de Baturité.
Licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Ceará, e graduada em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, ela se mune das melhores condições para relatar a vida das mulheres que contribuíram com a missão de Jesus, pondo em destaque a papel por Ele desempenhado no resgate da situação de exclusão em que as mesmas viviam. Em outras palavras, sua intenção é a de resgatar a visibilidade feminina, no contexto do surgimento de Jesus.
O livro, escrito em forma de romance, mescla ficção e realidade, ancorando-se no Evangelho de São Lucas, com mais propriedade, para reproduzir os passos de Jesus, pelas cidades e aldeias da Palestina, seguidos, continuadamente, pelas mulheres convertidas em protagonistas, na obra, as quais tinham, em comum, o fato de terem recebido graças do Filho de Deus, ora relacionadas à cura de doenças, ora à libertação dos pecados.
Essas figuras femininas são representadas, no livro, por Maria, chamada de Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, esposa de Cuza, o procurador de Herodes Antipas; Suzana e mais outras mulheres, como aquela sem nome, mas referenciada por Lucas (Lc 8,1-3), como a “pecadora, que lavou os pés do Mestre com as suas lágrimas, e os enxugou com os seus cabelos”, a quem a autora denominou de Safira, em seu livro.
Para isso, a irmã Lúcia Arruda buscou representar o cotidiano dessas primeiras discípulas, do modo mais próximo possível da realidade, procurando exibir um quadro verossímil de como poderia ter transcorrido o dia-a-dia de cada uma delas, ao tempo em que expõe passagens da vida do Filho do Homem, como a pregação de seus ensinamentos, a sua paixão e morte, e a posterior ressurreição, neste mundo terreno.
O leitor da obra vai alcançar, certamente, uma dimensão da história que não foi relatada pelos evangelistas. Apesar de ser uma obra de ficção, sua base histórica é irrefutável, amparada em consistentes referências bibliográficas, donde se imaginar a contribuição emprestada ao despertar de uma nova consciência sobre o valor intrínseco das mulheres no acompanhamento da trajetória de Jesus, remontando, inclusive, às origens do cristianismo, sem deixar de se ater ao cenário político e socioeconômico da época, ambientado na Judéia, sob o tacão romano, governada por Pôncio Pilatos, ao tempo do Imperador Tibério.
Em resumo, o livro é emocionante, questionador, instrutivo, e até catequético, pelo que se conclui tratar-se de excelente objeto de estudos para especialistas, estudantes e leigos interessados no tema, posicionado nos primórdios do cristianismo, na terra que serviu de berço ao Filho do Pai Eterno, um pouco antes de sua propagação a outras plagas, por intermédio dos seus apóstolos e discípulos.
Ana Margarida Arruda Rosemberg, uma das irmãs da autora, presenteou-me com a obra, lida, por inteiro, com encanto e prazer, enquanto voava de Fortaleza para Lisboa, em outubro do ano passado, na condição de representante da Associação Brasileira de Economia da Saúde, junto à XII Conferência Nacional de Economia da Saúde, realizada pela entidade congênere lusitana. Vem daí a satisfação com que recomendo a leitura desse precioso instrumento de cultura religiosa.
O livro em tela foi lançado em Fortaleza, na Livraria Paulus, em 3 de dezembro de 2011, e tem sido um grande sucesso editorial, em todo o País, mercê da surpreendente aquisição efetivada por tantos leitores, atraídos, inicialmente, pelo próprio título, e, mais ainda, pela divulgação propiciada por aqueles que tiveram o especial enlevo de fazer a sua leitura e sair enriquecido com tão farto material histórico, servindo de argamassa para construção de um conhecimento novo sobre “as mulheres na vida de Jesus”.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas
* Publicado In: Boletim Informativo da Sociedade Médica São Lucas, 8(60): 3-4, julho de 2012.

sábado, 27 de agosto de 2011

MULHERES NA VIDA DE JESUS


MULHERES NA VIDA DE JESUS: a história das primeiras discípulas

Lúcia Arruda
Lúcia Arruda, cearense de Fortaleza, é religiosa da Congregação de Nossa Senhora do Retiro do Cenáculo. Licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Ceará, e graduada em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, atualmente se dedica à orientação de retiros espirituais e cursos sobre o Eneagrama.
Sinopse
Por meio de ficção e realidade, lançamento da Paulus conta a história das primeiras discípulas de Jesus.
“Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, o procurador de Herodes; Susana e várias outras…” (Lc 8, 2-3). Quem eram essas mulheres e qual o papel que desempenharam na vida de Jesus e nas origens cristãs?” É a partir dessa reflexão que Lúcia Arruda convida o leitor a conhecer sua obra Mulheres na vida de Jesus –A história das primeiras discípulas.
Lançamento da PAULUS, o livro, escrito em forma de romance, destaca o cenário político e socioeconômico da época, além de retratar a história de algumas das primeiras figuras femininas que, segundo o Evangelho de Lucas (Lc 8,1-3), seguiam os passos de Jesus pelas cidades e aldeias.
“Narrando a história de três dessas mulheres, nossa intenção é tentar resgatar a visibilidade feminina no contexto do seguimento de Jesus. Para isso, procuramos representar o dia a dia dessas primeiras discípulas, do modo mais próximo possível da realidade, buscando fornecer um quadro verossímil de como poderia ter transcorrido o cotidiano de cada uma”, relata Lúcia.
As mulheres escolhidas pela autora tinham algo em comum: o fato de terem recebido graças de Jesus, ora relacionadas à cura de doenças, ora à libertação dos pecados. Maria Madalena e Joana são duas das personagens que têm suas histórias contadas na obra. A terceira é a mulher que, de acordo com o Evangelho de Lucas (Lc 7,36-50), ficou conhecida como a pecadora que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. “Como Lucas não cita o nome desta mulher, eu resolvi chamá-la de Safira (…). O enredo mistura ficção e realidade, contendo uma dimensão da história que não foi relatada pelos autores do Novo Testamento”, explica.
Este trabalho, rico em detalhes, introduz o leitor ao início do cristianismo e propõe reflexões acerca de como a figura feminina era vista na época, utilizando passagens bíblicas que enriquecem o conteúdo apresentado. “Apesar de ser uma obra de ficção, o livro tem uma base histórica irrecusável e, de alguma maneira, alcançará o seu objetivo se contribuir para despertar as consciências para o valor intrínseco das mulheres e a importância do papel que elas desempenharam no movimento de Jesus e nas origens cristãs”, conclui a autora.
“MULHERES NA VIDA DE JESUS – A história das primeiras discípulas” relata a vida das mulheres que contribuíram com a missão de Jesus, além de destacar o papel que Ele exerceu ao resgatá-las da situação de exclusão em que viviam. Livro emocionante, questionador e instrutivo, excelente objeto de estudo para especialistas, estudantes e leigos interessados no assunto.

domingo, 6 de junho de 2010

ANIVERSÁRIOS MÚLTIPLOS

O "Seis de Junho" é um grande dia "D"; e não só pelo desembarque das tropas aliadas na Normandia, mas também para o meu irmão Paulo e a sua filha Natália, que acharam por bem desembarcar no mundo terreno, largando o aconchego da "mãe do corpo".
Há 170 anos, nesse dia, nascia para a vida eterna S. Marcelino Champagnat, compondo uma feliz coincidência que conferia feriado escolar no Colégio Cearense Sagrado Coração, permitindo a que Paulo passasse o aniversário em casa e ainda nos induzisse a crer que a folga era em sua homenagem.
Faz 70 anos que o maquisard Luiz Gonzaga Carlos da Silva, nosso "pai-herói", personagem central do nosso romance “Maquis: Redenção na França Ocupada”, esteve no L'Ermitage participando da celebração do Centenário de Champagnat.
Felicitações maristas.
Marcelo Gurgel

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Apreciação sobre “MAQUIS: Redenção na França Ocupada”

É tarefa das mais honrosas opinar sobre a recente obra do Dr. Marcelo Gurgel que, sob o pseudônimo de Luiz Gonzaga Carlos da Silva, uma corruptela do nome do seu pai, nos presenteia com o fabuloso romance epistolar intitulado: MAQUIS: Redenção na França Ocupada.
Misturando ficção com fatos reais, acrescentados de uma boa dose de sonho e fantasia e mais uma pitada de poesia, o autor nos conta a vida de Luiz Gonzaga até seus 30 anos de idade. Tendo como pano de fundo a II Guerra Mundial, Gurgel nos descreve o engajamento de Luiz Gonzaga na Resistência Francesa, durante seus estudos no Centro de Formação Marista de Saint-Étienne, na França, após sua infância em Redenção, Ceará, lavrando a terra na dura labuta do dia a dia, e seu ingresso no Colégio Cearense Sagrado Coração, em Fortaleza.
Ao tratar os fatos que permearam a juventude de Luiz Gonzaga, o autor nos apresenta uma história instigante, repleta de bravura do jovem marista, praticante de ideais e princípios cristãos, que vivenciou e testemunhou os horrores e atrocidades do nazismo na França ocupada.
Neste romance, Marcelo Gurgel ingressou no mundo árido e fatigante das pesquisas históricas, em razão de uma notável capacidade de trabalho e de uma genuína curiosidade historiográfica. Essas qualidades o levaram a pesquisar e a estudar em profundidade a Resistência Francesa, a Segunda Guerra Mundial e os partisans, conhecidos também por “maquis”, na luta contra o nazismo.
Verdadeira viagem às regiões, departamentos, villes, villages, santuários, igrejas e monumentos da França, absorvendo sua cultura e compreendendo como se deu a débâcle française e como se forjou a resistência, na alma de seu povo, contra o Regime de Vichy, do marechal Pétain, este livro nos prende da primeira à última página. É também uma viagem a Espanha, Bélgica, País Basco com sua Guernica destruída, tão bem retratada em seus horrores por Picasso. Essas e muitas outras questões são apresentadas com grande talento e sempre no contexto de uma rigorosa análise historiográfica.
Como nos diz o próprio autor, “este livro é a história de um maquis, cuja bravura não se forjou nos campos da França, mas veio dos tempos em que ele ganhava a mata seca do Acarape, em Redenção, para catar espinhos nos mandacarus resistentes, que se amontoam na beira da estrada. Era com eles que sua mãe marcava os furos no papelão desenhado, que ela prendia com cuidado, na almofada rota, passando, a partir daí, a trocar os bilros e a trançar as linhas, até que o seu esforço diário se transformasse em um quarto de metro de renda ou de bico de grande perfeição e beleza”.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Médica e Historiadora

* Publicado in: O Povo, Fato Médico, de 19 de julho de 2009. p.8.
 

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