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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

ENTRE A ARTE E A MEDICINA: à memória do Dr. Flávio Leitão

Por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (*)

Ontem, 1º de setembro de 2026, partiu um querido confrade da Academia Cearense de Medicina.

Hoje, ao recordá-lo, quero fazê-lo através daquilo que tantas vezes nos encantou: a Arte, esse território onde a Medicina também encontra a sua mais profunda dimensão humana.

Penso na célebre tela de André Brouillet, “Uma lição clínica na Salpêtrière”, que eternizou o professor Jean-Martin Charcot diante de seus alunos, em uma das mais emblemáticas cenas da história da Medicina. Ali, ciência, observação, sofrimento humano e Arte se encontram em uma mesma imagem.

Essa obra, que tantas vezes nos aproximou em conversas e reflexões, hoje adquire, para mim, um significado ainda mais profundo, pois a escolhi, entre tantas outras, para a capa do meu livro, com o intuito de homenagear o Dr. Flávio Leitão.

O médico que partiu deixa de estar entre nós, mas permanece na memória daqueles e daquelas que tiveram o privilégio de compartilhar sua presença, sua amizade e sua dedicação à Medicina e à luta por uma sociedade mais igualitária e justa.

Que a Arte seja também hoje uma forma de dizer adeus e que permaneça, na memória de seus confrades e confreiras, a imagem de um homem que soube compreender que a Medicina é ciência, mas também é humanidade e que, como na grande Arte, cuidar é, antes de tudo, saber olhar.

À sua memória, minha homenagem, meu carinho, meu respeito e minha saudade.

Descanse em paz, querido confrade!

Fortaleza, 2 de setembro de 2026

(*) Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Fiar, tecer, tramar no Ceará das rabecas

Por Izabel Gurgel (*)

"Arte da Tradição - Mestres do Povo" (Expressão Gráfica e Laboratório de Estudos da Oralidade da Uece e UFC, 2005) reúne as mais de 50 matérias publicadas no Ceará. Quatro rabequeiros estão em "Artes da Tradição - Mestres do Povo": Raimundo Veríssimo, de batismo Raimundo Bezerra do Nascimento, de Itapipoca; Zé Oliveira, do Cariri, cego e artista como o pai, o cego Oliveira; mestre Silvino, Silvino Veras D'Ávila, de Irauçuba; e Antônio Hortênsio, da Varjota, também presente no livro "Mestres da Cultura Popular Tradicional do Ceará" (Secult Ceará, 2006), que reúne 11 mulheres e 25 homens reconhecidos Tesouros Vivos do Ceará pela lei estadual instituída em 2003.

"Ora direis, ouvir rabecas...". O professor Gilmar de Carvalho (1949-2021) assim finaliza o texto de apresentação do livro "Rabecas do Ceará" (Expressão Gráfica e Editora, 2006). No município de Graça, encontrou o mais velho dentre eles: Chico Flor, Francisco João da Silva, nascido em 1916. No município de Carnaubal, o mais novo dentre os 105 rabequeiros: Pedro Fontenele Sampaio, nascido em 1954.

"Ora direis, ouvir rabecas" é como Gilmar intitula o texto introdutório do livro "Tirinete - Rabecas da Tradição", de 2018, com 184 rabequistas e uma única mulher dentre eles, Ana Soares, de Umari. As artes de fazer e tocar rabeca estão em outras publicações, como "Mestres Santeiros - Retábulos do Ceará" (Museu do Ceará, 2004). Gilmar encontra em Guaraciaba do Norte o mestre Heráclito, nascido em 1910.

Cada livro, e todos eles com fotos de Francisco Sousa, é uma espécie de botija.

Leio e releio Gilmar, prestando atenção à presença de fiandeiras, rendeiras, bordadeiras. Mãos e mães que fiam e tecem, cortam e costuram, fazem e consertam redes de dormir, roupa de vestir, roupa de cama, mesa e banho. Fazem croché e outras artes têxteis. Para uso em casa, para sustento da casa. Anoto o nome delas. Mulheres com as quais Gilmar conversa, escutando-as sobre ofícios e labores, como a rendeira Maria Daniel, do serrote da Mataquiri, em Cascavel; Vicência Antônia Barbosa, Dona Miúda das bonecas de pano feitas desde a infância no sítio Bebida Nova, no Crato; a tecelã Dona Edite da rede de travessa, Maria Edite Pereira Santos, da Varjota dos Tremembé (as três no livro "Artes da Tradição"). Mulheres cujos nomes Gilmar faz seus entrevistados anunciarem como portadoras de 'ciência própria' para ganhar a vida, como as mães, avós e esposas dos rabequeiros. Dona Hilda Trajano, mãe do mestre Antônio Hortênsio, fiava algodão e tecia redes. Cada uma a seu modo, e todas elas, a tocar o cotidiano, a cuidar da casa, das crianças, dos adultos, por vezes da roça. E da almofada de renda, do tear, da grade com o labirinto, do bastidor com o bordado, do fio da vida. E da vida por um fio.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/07/26. Vida & Arte, p.2.


sábado, 18 de abril de 2026

ENCONTROS COM BELCHIOR

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

1 Quando eu cursava medicina na UFC, ouvia falarem de um aluno na Faculdade de Medicina que se destacava por seu talento de compositor. Chamava-se Belchior, mas não foi por termos sido contemporâneos na Faculdade que nos conhecemos.

Fui conhecê-lo no dia em que um amigo, Osterne Brandão (irmão do poeta e letrista de música Antônio José Brandão) me convidou para um sarau. A casa do meu amigo ficava na Parquelândia e levei comigo o violonista Claudio Costa. Nesse dia, além de Antonio Carlos Belchior, conheci também o Miguel da Flauta.

Era manhã e fez-se tarde. Quando alguém sugeriu que continuássemos a reunião no Bar do Anísio, na Beira-Mar. E fomos todos a esse local no carro do anfitrião Osternes.

Além de nos apresentar as canções que vinha compondo, pelas tantas Belchior passou a mostrar outras versatilidades, tais como 1) fazer repente e 2) contar causos.

Um causo

Faziam os alunos da Medicina um semicírculo em torno do professor da disciplina de Proctologia. Interessados todos em acompanhar, da melhor forma possível, os ensinamentos do mestre naquela aula prática. E, também, em ver os detalhes da lesão que ele, com a ajuda da mão enluvada e lubrificada, estava a lhes apontar... no ânus de um paciente.

Num dado momento, em seu afã de descrever a patologia, o mestre empregou uma expressão de duplo sentido: "na entrada". No jargão proctológico, esta expressão tem um sentido próprio. Mas não para o paciente que, em posição de prece maometana, tomou por desfeita o que acabara de ouvir. A ponto de retrucar peremptoriamente:

- Alto lá, doutor, esse negócio aí nunca foi entrada. É só saída.

E saiu meio que ofendido.

[comentário]

Estimado Paulo,

Como a disciplina de Proctologia, com 4 créditos = 60 horas, foi por mim criada e implantada em 1965, para ser ofertada como "optativa", é bem provável, ou certamente (a bem da verdade, não recordo), esse causo aconteceu numa de minhas aulas. De qualquer maneira, categoricamente afirmo que, muita coisa jocosa e muitos "causos" patéticos por lá ocorreram.

José Maria Chaves

2 Em 6 de junho de 1969, botei umas cervejas para gelar e encomendei umas bandejas de salgadinhos. Reuni em minha casa Francisco Dário, Osternes Brandão, Claudio Costa e o compositor Belchior, entre outros amigos. Por volta da meia-noite, encerramos a parte doméstica da noitada e fomos ao Pombo Cheio, onde nos encontramos com o Miguel da Flauta em seu retorno de um compromisso profissional.

Naquela data, eu estava completando 21 anos. Uma fita-cassete registrou aquelas maravilhosas canções que foram tocadas e cantadas durante o encontro. Uma delas, por exemplo, era a canção "Paralelas", que Belchior originalmente cantava assim: "No Karmann-Ghia, sobre o trevo a cem por horas, meu amor". Adiante, foi que ele modificou a letra da canção para: "Dentro do carro..."

No entanto, algo aconteceu com a fita-cassete da festa. Meu irmão Marcelo usou-a para gravar a leitura das anotações que a nossa irmã Marta havia feito em caderno de uma aula de biologia do Prof. Hildemar. E, ao fazer o novo registro, o gravador (que era de fita única) apagou definitivamente o registro anterior.

3 Em 1972, com frequência eu me deslocava do centro do Rio para Copacabana, e vice-versa. Quando o ônibus passava por/sobre o viaduto do Botafogo, dava para ver que existia um pequeno teatro nas proximidades. Um belo dia, notei que aquele teatro estava com uma placa, onde se lia em letras garrafais: BELCHIOR. À noite, fui ver o show do conterrâneo. Pouca gente a prestigiá-lo. No repertório, Belchior incluía um clássico da "música de fossa" nacional, provavelmente do Lupicínio. Ao interpretá-la, foi que alguém acionou a estrondosa descarga de um vaso sanitário do teatro (risos, mas era tudo combinado). Findo o show, descemos ao aterro do Botafogo para conversar: Belchior, eu e uma terceira pessoa (Lauro Benevides? Pretestato Melo? Ah, não recordo). Quanto a Belchior, deduzi que a música o havia desencaminhado das lides acadêmicas. Como, em tempos mais remotos, aconteceu a Noel Rosa, um "monstro sagrado" da música popular brasileira.

4 Voltando a residir em Fortaleza, numa noite fui a um show do Gonzaguinha no teatro da Emcetur. Belchior chegou acompanhado do jornalista Odosvaldo Portugal Neiva, que cobria a pauta de música no Diário do Nordeste. E tivemos uma conversa rápida.

5 Em minhas andanças boêmias, uma vez resolvi baixar num restaurante novo (com algumas indicações a point). Não me recordo do nome do estabelecimento, apenas de que ele ficava próximo à Praça Portugal. Numa boca de noite, sentei-me a uma mesa e comecei a beber. Algumas horas após, já meio sonolento, paguei a conta para me retirar. Na calçada, alguém que acabava de chegar com amigos, abraçou-me e disse: "Professor, já está indo?" Era Belchior. Mudei de ideia e voltei ao bar. Como eu havia lido um texto de Belchior no Pasquim e do qual muito gostara, convidei-o para prefaciar um livro que eu vinha escrevendo. Não posso acusá-lo de haver faltado comigo, pois eu nunca concluí aquele livro.

6 Show do Belchior no Siará Hall. Fui (com Elba) ao Siará Hall, uma casa de eventos localizada na av. Washington Soares, em Fortaleza. Inaugurada em 2005, contava com uma infraestrutura que comportava mega-shows. Considerada a maior casa de espetáculos da cidade até seu fechamento em 2017, trouxe shows e espetáculos de níveis nacionais e internacionais. Visitei-o no camarim, ora pois.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 23/02/2025.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/02/encontros-com-belchior.html


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Obras de Arte Famosas Que Celebram o Amor IV

7 "O Grande Canal em Veneza", de Édouard Manet, 1875.

Manet estava incrivelmente impressionado com Veneza depois de visitar a cativante ilha com colegas. Ele cuidadosamente pintou uma cena do Grande Canal com uma gôndola, a melhor experiência da cidade para os apaixonados.

8 "Sol Ardente de Junho", de Frederic Leighton, 1895.


Esta deslumbrante pintura britânica pré-rafaelita está exposta em um museu na cidade de Ponce, em Porto Rico, após sido considerada cafona em 1960, na Inglaterra. Feita por Frederic Leighton, essa obra de arte foi pintada com a simples intenção de expressar o prazer pela natureza e beleza.

9 "O Primeiro Beijo", de William Adolphe Bouguereau, 1889.

Inspirado pelo conto "O Asno de Ouro", do escritor e filósofo Apuleio, o "Cupido e a Psiquê" (assim chamado em francês), era um dos mitos favoritos de Bouguereau, que costumava pintá-lo frequentemente. Em português, a pintura é conhecida como "O Primeiro Beijo" e descreve a superação de grandes obstáculos por causa do amor.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.



Obras de Arte Famosas Que Celebram o Amor III

4 "O Nascimento da Vênus", de Botticelli, c. 1485-1486

Obra-prima de Botticelli, "O Nascimento da Vênus" é uma das obras de arte mais conhecidas. Esta requintada pintura renascentista era incomum para a época e foi inspirada em um poema antigo de Homero. Botticelli pintou a Vênus inspirado em uma bela mulher casada, Simonetta Cattaneo Vespucci, por quem acreditava-se que havia se apaixonado.

5 "O Pescador e a Criatura da Água", de Frederic Leighton, 1858.

O artista britânico Frederic Leighton foi inspirado por um poema do escritor alemão Goethe, e criou essa marcante obra que mostra a sedução fatal de um pescador por uma fatal sereia. Na era vitoriana, muitos artistas ficaram fascinados por essas míticas criaturas.

6 "O Balanço", de Pierre-Auguste Renoir, 1876.

O pintor impressionista Renoir era conhecido por amar retratar seus amigos parisienses e a sociedade francesa. Nessa belíssima obra ao ar livre, Renoir capta um flerte acanhado entre dois jovens.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.






Obras de Arte Famosas Que Celebram o Amor II

1 "O Beijo", de Gustav Klimt, 1909.

Esta pintura art nouveau retrata lindamente um momento íntimo, em amarelo e dourado. É um dos pôsteres mais comprados na internet, tornando difícil acreditar que, quando esta obra foi apresentada pela primeira vez, ela causou um escândalo e foi considerada pornográfica.

2 Chez le père Lathuille, de Édouard Manet, 1879.

Uma obra impressionista de Manet, "Um Casal no Père Lathuille" mostra delicadamente a cidade do amor, no tranquilo bairro de Batignolles. Esta obra de arte grandiosa apresenta um jovem rapaz cortejando uma moça em um restaurante e cabaré francês, que recebe o nome de Père Lathuille.

3 "O Beijo na Cama", de Henri De Toulouse-Lautrec, 1892.


O boêmio Toulouse Lautrec pintou esta cativante obra pós-impressionista para mostrar o amor terno e sensual. A sugestiva pintura mostra duas mulheres nuas na cama, compartilhando um beijo apaixonado.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.



Obras de Arte Famosas Que Celebram o Amor I

Nove Obras de Arte Famosas Que Celebram o Amor I

Estas pinturas são amadas em todo o mundo. Cada uma delas carrega uma história impressionante que toca milhões de pessoas por causa de seus temas universais de amor e beleza. A paixão e a dedicação de cada pintor são evidentes em cada pincelada e em cada detalhe dessas obras de arte! Espero que você aprecie essas maravilhas tanto quanto eu!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

ZÉ TARCÍSIO: o regador de pedras

Por Raymundo Netto (*)

Quando fevereiro chegou, o mundo estava no rebuliço de guerra. A cegonha amalucada de vida pousou o bebê Zé Tarcísio na casa nº 12 da Vila Diogo, sendo acolhido por dona Chiquinha, matriarca de uma casa de mulheres operárias. O menino de olhos e sonhos azuis era pequeno e assim o seria por toda a vida, se não se tornasse tão grande.

Um dia, recebeu um quarto só para ele, devido à morte de Estelita, aos 17 anos, neta de Chiquinha, que ensinara àquele menino os segredos da voz. Aquele quarto seria o seu infante ateliê de traquinagens e descobertas. Daí, ainda criança, faltava as aulas para ser calouro em programas de auditório nas rádios. Num deles, na PRE-9, sobre um caixote - para alcançar o microfone - e cantando marchinha de Carnaval, ganhou o prêmio maior: uma barra de sabão "Pavão"! Tornou-se locutor mirim na Rádio Iracema - guarda com orgulho sua faixa até hoje - e em outro programa ganharia máquina de costura, oferecida a Marieta, sua mãe biológica, para que pudesse trabalhar em casa.

Não era muito chegado à escola. Tinha bolsa no Ginásio 7 de Setembro, mas dizia que gostava de ir apenas para brincar, jogar e se relacionar com os outros, além de integrar o grêmio. Atuava no palco do catecismo, "Entre a Cruz e o Pecado", assim como nas atividades do Clube dos Sezinhos - iniciativa do Sesi e da Casa de Juvenal Galeno. Nos Carnavais, desenhava e produzia as fantasias. E, nos festejos juninos, era ele a dar vida às ruas espalhando em cordões bandeirinhas coloridas de papel.

Na inauguração do Mauc, Antônio Bandeira conheceu os seus desenhos e o aconselhou a tentar carreira no Rio. Assim ele fez. Em Santa Tereza, chegou a morar na mesma casa onde respirava Manuel Bandeira. E lá, atuou em tudo o quanto, bebendo de todas as fontes e explorando diversas linguagens, exercitando a sua criatividade de sonhador, sempre levando ao mundo a sua percepção nordestina, o seu rico imaginário. No cinema, no teatro e na TV, fosse como ator, figurinista/aderecista, cenógrafo, produtor, roteirista e diretor ou mesmo como humorista na TV Tupi em "A, E, I, O... Urca". Como fotógrafo, que surgiu na ABA-Film cearense, assumiu posto na renomada revista "Manchete". Nas artes visuais, durante perverso olhar da ditadura, em pinturas, protestou contra a morte do estudante Edson Luís. Passou três anos na Escola Nacional de Belas Artes, mas não se adequou ao seu academicismo e a abandonou. Como "diabanjo", para escandalizar, correu de bicicleta na contramão em Copacabana sem camisa, usando asas de anjo e sutiã com seios postiços. Foi levado pela Polícia para depor por uma de suas instalações. Autoexilou-se pela Europa, estudando pintura e pintando em calçadas. Voltando ao Brasil, devotado a gravuras, pinturas, colagens, serigrafias, xilogravuras, esculturas e instalações, o jovem múltiplo vanguardista participou e foi premiado em diversos salões e bienais do País.

Até aqui, o leitor já percebeu não ser possível definir esse artista pela sua vida, pois ele mal cabe nela. O que dirá nos limites de uma crônica? Sim, o Zé é de uma beleza gigante, como gigante o era enquanto artista e ser humano. Generoso e alegre, ainda trazia a doçura de menino no olhar miúdo de emoções e no sorriso repleto de esperanças. No museu do tempo dos seus olhos, por aqui permanece a passarela de sua "Ilusão" e, nós, seus colegas, aprendendo a jogar pedras ou a regá-las para extrair flores ou um tiquinho de liberdade. Sem mais blás-blás-blás, vai, Zé Tarcísio, ilumina nosso céu de estrelas, instala por lá o seu novo ateliê e recebe essa ruma de anjos desejosos de seu abraço.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/01/25. Vida & Arte, p.2.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

UM PRESÉPIO PARA O ANO INTEIRO

Por Izabel Gurgel (*)

Hércules Modesto de Souza, escultor. Vi primeiro o trabalho. Um presépio de madeira, com vinte e quatro figuras sentadas, uma ao lado da outra, em um estreito e longo banco. Figuras e banco miniaturizados, é um presépio de dupla anunciação. Além do nascimento do Menino Deus, diz sem uma palavra, com a eloquência de uma promessa desejada e pronta para acontecer: a brincadeira vai começar.

Simples como uma linha, e fecunda para convocar a imaginação, a composição do Hércules é singular. Esculpidas uma a uma na imburana, pela 'docilidade ao talho' a madeira preferida para a xilogravura, as figuras estão prontinhas para entrar em cena. São seis anjos, a sagrada família, três reis e pastores visitadores, burricos, camelos, carneiros, vaca, boi e, o que deu mais trabalho, o galo, "difícil fazer um galo sentado". Os bichos são os únicos que não têm pernas de "palitos feitos de espeto de churrasco que vende em mercantil", mesmo material das pernas do banco de maçaranduba e dos pinos que fixam cada peça no assento.

O presépio feito por Hércules Modesto estava entre os quarenta e três feitos por mulheres e homens em arame, argila, fibras vegetais, papel e pedra, dentre outros materiais, inscritos na edição 2025 do concurso anual realizado pela Ceart - Central de Artesanato do Ceará. Estive outra vez no júri. Há anos vou ver a mostra na loja da Aldeota. E torço para que a própria Ceart venha a constituir um acervo público.

"Nascido e criado em Juazeiro do Norte", Hércules tinha 12 anos em 2000 quando foi levado pelo pai ao Centro de Arte Popular Mestre Noza para acompanhar o trabalho de dois tios maternos, Paulo Sérgio e Severino Silva de Souza. "No começo era só brincadeira." Tornou-se iniciação no ofício.

A escola no Mestre Noza lhe proporcionou mais encontros, e contínua aprendizagem na lida com a madeira. Cita Beto, Adalberto Soares da Silva. Aprendeu a fazer o "monte de mulheres juntas" com Diomar Freitas Dantas (1974-2019), o Diomar das Velhas, por sua vez iniciado pelo mestre Nino (1220-2002). Se Zumbin, de batismo Cícero Caetano Rodrigues, foi iniciado pelo irmão Raimundo Caetano Rodrigues, o Racar (1966-2024), Hércules aprendeu com os dois. "A gente aprende com tudim."

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/12/25. Vida & Arte, p.2.

domingo, 30 de novembro de 2025

ESTUDANTES DE MEDICINA COMPOSITORES DO BRASIL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

1 Noel Rosa

Noel de Medeiros Rosa (1910 - 1937). Nascido no bairro carioca de Vila Isabel, foi um dos mais importantes artistas da música no Brasil. Morto prematuramente aos 26 anos em decorrência de tuberculose, deixou um conjunto de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro ("Último desejo", "Com que roupa?", "Feitiço da Vila", "Pierrô apaixonado", "Conversa de botequim", "O orvalho vem caindo" e outras).

Noel Rosa também compôs um samba e escreveu um soneto nos quais fez referências ao corpo humano e a uma enfermidade: "Coração (Samba anatômico)" e "Ao meu amigo Edgar", respectivamente.

"Coração"

"De sambista brasileiro / Quando bate no pulmão / Traz a batida do pandeiro."

http://www.youtube.com/watch?v=dZg-yexpGVw

Gravado por Noel na Odeon, em 1932, disco 10931-B, matriz 4473, foi feito um ano antes, quando ele estudava Medicina, com um erro crasso. Ao afirmar: "Coração, grande órgão propulsor / Transformador do sangue venoso em arterial". Em 1955, Nélson Gonçalves o regravaria com a letra corrigida para: "distribuidor do sangue venoso e arterial".

http://youtu.be/9-HT_JXHUVk (regravação)

"Ao meu amigo Edgar"

Em 27 de janeiro de 1935, Noel Rosa, doente (com tuberculose) em Belo Horizonte, enviou uma carta em versos a seu médico e amigo Edgar Graça Mello. Uma carta bem-humorada em que ele brincava e dizia que já estava melhor de saúde, mas que continuava com muito medo de tomar injeção. O original desta carta está nos arquivos que pertenceram ao pesquisador Almirante. Muito tempo após a morte de Noel, o sambista João Nogueira musicou-a, incluindo-a em seu LP "Vida boêmia" (EMI-Odeon, 1978).

Fonte: Songbook NOEL ROSA - Vol. 1, produzido por Almir Chediak.

 

"Já apresento melhoras pois levanto muito cedo
E deitar às nove horas pra mim já é um brinquedo
A injeção me tortura e muito medo me mete
Mas minha temperatura não passa de 37.

Nessas balanças mineiras de variados estilos
Trepei de várias maneiras e pesei 50 quilos
Deu resultado comum o meu exame de urina
Meu sangue noventa e um por cento de hemoglobina.

Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro
Pois não há material pro meu exame de escarro.
Até agora só isto para o bem dos meus pulmões

E nem brincando desisto de seguir as instruções.
Que o meu amigo Edgard arranque desse papel
O abraço que vai mandar o seu amigo Noel."

http://blogdopg.blogspot.com/2017/08/ao-meu-amigo-edgar.html

N. do E. "Cordiais saudações", de 1931, é outro samba-epistolar de Noel Rosa.

2 Belchior

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946 - 2017), nascido em Sobral, no Ceará, foi compositor, cantor, escritor e artista plástico. Estudou Medicina na Universidade Federal do Ceará, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Entre seus maiores sucessos estão "Apenas um rapaz latino-Americano", "Como nossos pais", "Paralelas", "Mucuripe" (com Fagner), "Galos, noites e quintais" e "Divina Comédia Humana".

http://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/02/encontros-com-belchior.html

3 Zé Ramalho

José Ramalho Neto (1949 -), cantor e compositor. Nascido em Brejo da Cruz, na Paraíba, estudou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, mas abandonou o curso no segundo ano, atraído pela carreira artística. É autor de "Avôhai", "Sinônimos", "Chão de giz", "Frevo Mulher" e outros sucessos musicais.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog EntreMentes em 23/02/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/02/medicos-compositores-do-brasil.html


MÉDICOS COMPOSITORES DO BRASIL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

1 Zé Dantas

José de Sousa Dantas Filho (1921 - 1962), pernambucano de Carnaíba, médico obstetra e folclorista. Parceiro de Luiz Gonzaga em "Acauã", "Forró de Mané Vito", "Cintura fina", "Riacho do Navio", "A Volta da Asa Branca", "Xote das meninas", "Sabiá", entre outras canções.

2 Alberto Ribeiro

Alberto Ribeiro da Vinha (1902 - 1971), nascido no Rio de Janeiro. Compôs, em parceria com João de Barro, o "Braguinha", algumas das mais famosas marchas carnavalescas e juninas do Brasil. São de sua autoria: "Copacabana, princesinha do mar", "Yes, nós temos bananas", "Touradas em Madrid" e "Chiquita Bacana". Ele é nome de rua no Jardim Botânico, RJ.

3 Joubert de Carvalho

Joubert Gontijo de Carvalho (1900 - 1977), mineiro de Uberaba. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha "Taí (Pra você gostar de mim)", gravada pela jovem Carmen Miranda, em 1930. Compôs também "Minha casa", "Pierrot", com Paschoal Carlos Magno, e "Maringá", que inspirou o nome da cidade paranaense.

4 Paulo Vanzolini

Paulo Emílio Vanzolini (1924 - 2013) nasceu em São Paulo. Formado pela USP, com doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard, tornou-se médico em 1947. Seu primeiro LP: "11 Sambas e uma Capoeira". Foi com "Ronda", "Volta por cima", "Samba erudito e "Praça Clóvis" que este descendente de italianos firmou seu nome na MPB.

5 Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes (1946 - 2020), carioca do Estácio, médico psiquiatra. Com João Bosco, seu principal parceiro, compôs "O Bêbado e A Equilibrista", "Dois pra lá, dois pra cá", "Transversal do tempo", "Mestre-Sala dos Mares" etc. Foi colaborador de "O Pasquim", do jornal carioca "O Dia" e de "O Estado de São Paulo". Publicou alguns livros, dentre eles "Rua dos Artistas e arredores", “Brasil passado a sujo", "Vila Isabel" e "Inventário da infância".

6 Janduhy Finizola

Janduhy Finizola da Cunha (1931 - 2024), natural de Jardim do Seridó-RN. Publicou livros de poesia e compôs canções para grandes nomes do forró. Seu trabalho musical mais famoso é a trilha da "Missa do vaqueiro", solicitada por Luiz Gonzaga, que o apelidou de "Doutor do baião"

7 Capinan

José Carlos Capinan (1941 -) baiano de Entre Rios, é formado em artes cênicas, direito e medicina. Ligado ao Movimento Tropicalista, Capinan, escreveu as letras de "Soy louco por ti América", de Gilberto Gil, "Clarice", de Caetano Veloso, e "Gotham City", de Jards Macalé. Também compôs "Ponteio", com Edu Lobo, "Coração Imprudente", com Paulinho da Viola, "Moça Bonita", com Geraldo Azevedo, "Papel Marchê", com João Bosco e "Cidadão", com Moraes Moreira. É imortal da Academia de Letras da Bahia.

8 Geraldo Bezerra

Geraldo Bezerra da Silva (1949 -), cearense de Jaguaribe, médico obstetra, escritor e pesquisador. Foi presidente da Sobrames, regional Ceará, sucedendo-me neste cargo. Autor de "Volta, Luiz" (com José Carlos e Zé de Manu) e "Verdade absoluta" (com José Carlos), título de um LP de José Carlos Albuquerque.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog EntreMentes em 23/02/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/02/medicos-compositores-do-brasil.html


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Festa franciscana é joia do Ceará

Por Izabel Gurgel (*)

Depois do último ato da festa de São Francisco em Canindé, tivemos a graça de conhecer o Cineteatro Profa. Aderina Mesquita, parte do mundo que se irradia em torno do Convento de Santo Antônio.

A festa finda na Casa dos Milagres, com bênção e a canção de despedida "Está chegando a hora". Quem canta é a alma da cidade.

Todo dia 5 de outubro, junto ao patamar da Basílica, o arriamento da bandeira do Santo ao meio-dia dá início ao percurso que nos lembra, uma vez mais, para o que foram feitas as ruas das nossas cidades. É uma experiência singularmente bonita de fé na vida em comum.

Na hora em que até os cactos sonham com água fresca, sombrinha líquida e guarda-chuva serenando, o percurso com banda de música, coro de canindeenses e o desejo de tocar a bandeira franciscana levada por mãos a isso devotadas, afirma no corpo a alegria como força de sustentação do mundo.

"Nossa dor, meu amor, é que balança o chão da praça" é verso de uma canção que a gente escuta melhor quando em estado de rua em festa.

Canindeenses cantam Francisco. O 5 de outubro é muito de quem trabalhou para tornar a festa possível. No mercado, ouvimos mais de uma vez algo como "é o nosso dia".

Li aqui n'O Povo a estimativa de público nos festejos de 2025. Por volta de 700 mil, quase dez vezes a população do lugar. Imaginemos, você e eu, o tanto de gente a trabalhar, em cena e nos bastidores.

O 5 de outubro é também anunciação. Virá outra vez o tempo de festa. O calendário começa de novo, como marcação da boa espera. Bonito modo de relembrar que estamos de passagem. Passaremos. Isso a que chamamos 'você', 'eu', um dia cessa. A vida, a vida não cessa. É onde mora o sagrado?

Passei há dias no Belmonte, no Crato. E estavam em flor os pés de hibisco fúcsia que outro Francisco, o Garcia, plantou na sede da Vila da Música. Ele tocava flauta na escola vivíssima criada por Padre Ágio, a Solibel, Sociedade Lírica do Belmonte. Foi só ouvir o nome do padre e o jardineiro virou um ipê florado. Mostrou o "Abençoa", que cantavam antes de almoçar. Um cultivador de gente o Padre Ágio Augusto Moreira (1918 - 2019).

Um grupo da Solibel tocou nos altos do foyer do José de Alencar, quando da reinauguração do teatro a 26 de janeiro de 1991. A primeira peça tocada pelos agricultores, "Jesus, Alegria dos Homens", é parte de uma cantata de Bach. Os 'Homens' do título da tradução é a humanidade, isso que só existe, sabemos, como parte da orquestra do Universo.

Voltemos a Canindé. O Cineteatro está aberto às artes, solistas e grupos artísticos, do mesmo modo que a cidade à gente romeira.

P.S.: tem Zé Pinto (1925 - 2004) no museu de Canindé. Um berimbau. Em Fortaleza, o Museu de Arte da UFC abriu ontem, dia 11, mostra pelo centenário de nascimento do artista, que também era Francisco (Magalhães Barbosa).

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/10/25. Vida & Arte, p.2.


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

ÁGUA NA BOCA, MATU

Por Izabel Gurgel (*)

É percussiva a vagem que guarda as sementes da timbaúba, timbaúva, o bem dito tamboril. O pé de tambor. O nome científico, Enterolobium contortisliquum, diz do formato da vagem, verde quando verde e preta quando madura, seca e resistente. Parece uma orelha. O desenho curvo a lembrar as "circunvoluções do intestino". Cito Paulo Ernani Ramalho Carvalho em "Espécies Arbóreas Brasileiras", volume 1, publicação da Embrapa disponível na internet.

Primavera é um dos outros nomes da Bouganvillea glabra, buganville que o google apresenta também como flor-de-papel. Penso, então, nas cores do papel de seda, outrora tão usado para embalar docinho, fazer lanterna de procissão, bandeirinha de São João. O México usa para as bandeirolas de papel picado. Suspensas, filtram o ar, tornam a passagem do vento um visível festejo. Usadas como toalhinhas de bandejas ou de mesas, explicitam o que o poeta anotou: o mais profundo é a pele.

Outro dia, caminhando ao pé da Chapada do Araripe, paramos para ver as circunvoluções feitas por uma Primavera, rumo ao céu, dividindo os vazios da renda que é a folhagem do pé de tambor. Do outro lado da Chapada, Pernambuco. A memória abriu uma passagem e estampou Luiz Gonzaga fazendo a travessia PE-CE, subindo e descendo a Chapada, de Exu ao Crato, onde pegaria o trem e muitas léguas até fazer cantar o bonito destino que o tornaria um bem comum, patrimônio nosso.

Ô coisa boa é coisa boa. A memória traz, então, uma vez mais, a profa. Elba Braga Ramalho no Museu de Arte da UFC, nosso querido MAUC, em Fortaleza, cantarolar Alberto Nepomuceno e nos mostrar como o maestro compôs a música para o poema "A Jangada", de Juvenal Galeno, incorporando o aboio de tantos caminhos percorridos. Luiz Gonzaga e Alberto Nepomuceno tão sabidos quanto às árvores no desfrute do sol. Era uma manhã de Festival Alberto Nepomuceno. O livro "Luiz Gonzaga: a Síntese Poética e Musical do Sertão" resulta da tese da profa. Elba, apresentada em 1997 à Universidade de Liverpool.

E a água na boca do título? Era o texto que eu deveria trazer hoje para você. Assim que a editora Isabel Costa me falou da edição especial dedicada às trocas entre Pernambuco e Ceará, pensei na tese de doutoramento da Matu Macedo, professora da UFC, junto à Universidade de Coimbra. "Percurso de um patrimônio alimentar, histórico e cultural: a massa do bolo de noiva do estado de Pernambuco no Brasil" é de 2022.

Matu conta com gosto os caminhos do bolo de frutas maceradas no vinho, talvez o mais saboroso dos modos de Pernambuco contar o tempo. Guarda-se a maravilha de massa escura sob o glacê mármore, dito real, para apreciá-la também meses ou até anos depois. Apuradíssima composição.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/09/25. Vida & Arte, p.2.

domingo, 26 de outubro de 2025

Os Segredos Revelados das Grandes Obras de Arte IV


7. O Velho Pescador, Csontváry Kosztka Tivadar

Esta é uma pintura marcante na qual todos que a veem ficam impressionados, pois causa uma forte impressão. Mas os detalhes vão além. Se prestar atenção à face bastante realista do homem, vai se chocar com o que foi descoberto após a morte do pintor.

Quando um espelho é colocado no centro da pintura é possível ver dois rostos separados. No lado esquerdo (a direita do homem) está uma piedosa figura paterna; no outro, está um ser diabólico. A engenhosidade do artista ao colocar os dois lados harmoniosamente em uma única figura (que até lembra São Pedro), é realmente incrível. O artista se propôs a mostrar os dois lados do ser humano, o bom e o mau. Esta é certamente uma obra de arte revolucionária e reveladora que só pode ser adequadamente compreendida, após esse grande segredo ser revelado.

8. Retrato de Adele Bloch-Bauer I, Gustav Klimt

Por trás dessa famosa representação de um romance erótico está uma incrível história de triângulo amoroso. Klimt, autor da obra, se apaixonou pela mulher retratada no quadro, o marido dela soube do caso posteriormente, e bolou um plano para acabar com a paixão dos amantes. Ele simplesmente em segredo pagou Klimt para pintar a sua esposa e pediu a ele para fazer inúmeros esboços, para que pudesse passar anos pintando. O resultado disso é a obra que vemos hoje. E o que aconteceu com a musa do pintor? Ela ficou completamente desconfortável com a situação, enjoou do rosto do amante, assim como o marido imaginou. Incrível não é mesmo?

9. De Onde Viemos? O Que Somos? Para Onde Vamos?, Paul Gauguin

A história dessa pintura mostra um momento de desespero na vida de Gauguin, mas na verdade termina com um novo capítulo repleto de alegria e contentamento. Visto da direita para a esquerda, a jornada da vida começa com um bebê e termina com um lagarto morto por um pássaro (no canto inferior da esquerda). Quando finalizou a pintura, Gauguin tentou o suicídio, mas tomou o arsênico de forma errada. Ao ver que estava vivo, ele deu mais valor à própria vida e decidiu seguir em frente, tendo então uma brilhante carreira de artista.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Os Segredos Revelados das Grandes Obras de Arte III

4. O Noivado do Major, Pavel Fedotov

Essa pintura divertiu bastante os amantes de arte ao ser exibida pela primeira vez, devido ao desrespeito aos costumes da época que os artistas estavam cometendo. Para nós, nos dias de hoje, isso pode ser irrelevante, pois vivemos em um mundo moderno, embora críticos concordem que este é o ponto principal da pintura. O major na porta não trouxe flores à sua noiva e à mãe dela, um grande deslize por parte dele. A noiva já estava com o vestido, o que na época também era considerado revelador, ou seja, não poderia usar o vestido antes da data. Ela parece estar muito envergonhada e tenta escapar da embaraçosa situação na qual se encontra.


5. A Liberdade Guiando o Povo, Ferdinand Victor Eugène Delacroix

Esta icônica imagem da Liberdade, considerada um símbolo moderno francês é também comparada à famosa Estátua da Liberdade de Nova Iorque. No entanto, especialistas concordam que os seios expostos da Liberdade é uma representação da vontade do povo de ganhar autonomia das suas ações e ficarem livres, contra os costumes morais da época, que a Revolução Francesa buscou derrubar. Acredita-se que ela está em uma posição de vingança. Anna-Charlotte, que era uma lavadeira, vingou seu irmão morto cobrindo as barricadas e matando nove guardas. O peito à mostra evoca sua coragem e dedicação aos ideais da época.

6. Quadrado Negro Sobre Fundo Branco, Kazimir Malevich

Esta pintura não é tão simples quanto parece. Primeiro, pergunte a si mesmo o que você vê. A resposta é óbvia: um quadrado de cor preta. No entanto, o artista não usou a tinta preta em toda a obra. Ele simplesmente combinou várias outras tonalidades ao mesmo tempo. Além disso, não há de fato um quadrado na tela. Nenhum dos lados está paralelo ao outro e o mesmo vale para a forma branca. É uma pintura desafiadora que merece muita atenção.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 25 de outubro de 2025

Os Segredos Revelados das Grandes Obras de Arte II

1. Danaë, Rembrandt H. van Rijn

Danae foi uma mortal que o deus Zeus a capturou para ser sua amante ilegítima, uma situação captada de forma direta e pessoal nesta pintura. Através de um raio X feito nesta importante obra nos anos 1960, descobriu-se que o rosto da mulher no quadro, na verdade, era da esposa de Rembrandt, Saskia. Ele deve tê-la pintado após a sua morte, porque o rosto que primeiramente vemos é o de sua amante, Geertje Dricxe. Assim, por um lado, é um tributo romântico à sua amante e por outro, um obscuro, mas pungente retrato que mostra a sua dualidade moral.

2. Quarto em Arles, Vincent Van Gogh

As cores vibrantes e ao mesmo tempo aconchegantes dessa pintura, uma das mais famosas e amadas do grande Van Gogh, têm duas explicações e significados que se contrastam. Em um deles, Van Gogh estava pintando e idealizando uma espécie de retiro bem claro - um tipo de refúgio do artista, no qual ele podia escapar de todas as provações do seu entorno e pensamentos angustiantes associados à mente de um gênio perturbado. Por outro, Van Gogh, que sofria de epilepsia, fazia um tratamento à base de digitalis, uma planta que na época era utilizada para este fim. Um dos efeitos colaterais dessa planta era justamente a inabilidade de perceber as cores. Portanto, ele pode realmente ter visto o mundo tingido por tons de amarelo e verde por grande parte da sua vida.

3. Mona Lisa, Leonardo da Vinci

A Mona Lisa é um dos retratos mais famosos da história da arte, embora uma recente explicação a respeito de seu enigmático sorriso não tenha agradado a alguns. Joseph E. Borkowski é um dentista e especialista no mundo da arte que acredita em seus instintos e análises. Ele examinou a boca de Mona Lisa em busca de anormalidades e ao encontrar uma nos lábios dessa linda moça, o dentista concluiu que ela poderia ter perdido alguns dentes. Através dessa teoria, ele explica o porquê do sorriso enigmático de Mona Lisa.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Os Segredos Revelados das Grandes Obras de Arte I

Quem é apaixonado por arte sabe o quanto é interessante saber dar histórias que o artista está tentando mostrar em cada obra. Em alguns casos, é fácil identificar o que a pintura representa, enquanto que, em outras ocasiões, isso é bem mais desafiador. Abaixo, você vai encontrar nove grandes obras de arte, algumas das maiores e mais importantes do mundo. Cada uma delas tem um segredo, que até então poucas pessoas sabiam. Você vai ficar absolutamente encantado ao saber o que se esconde atrás da fascinante história da arte.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


terça-feira, 7 de outubro de 2025

JOIAS DO CEARÁ

Por Izabel Gurgel (*)

Parece ninho, rede, renda. Está lá, a compor joias, o crochê em linha de prata feito por Lúcia Araújo. Graças à vida com ela, Antônio Rabelo se tornou joalheiro. Em família, tocam o museu que nasce do ateliê, oficina, loja. A editora Senac publicou em 2024 o livro "Antônio Rabelo, o joalheiro do sertão central do Ceará", de Eduardo Motta.

As casas de fazenda do Ceará dos séculos 18 e 19, estudadas pelo arquiteto e urbanista Clóvis Ramiro Jucá Neto, nos dizem de um sertão conectado, com uma sofisticação de saberes se realizando, por exemplo, a partir de trocas entre mestres construtores. Tão tão finas leituras do lugar, as casas parecem brotar do solo, nascidas.

A versão digital do livro "Arquitetura como Extensão do Sertão - Casa de Fazenda Setecentista e Oitocentista dos Inhamuns no Ceará" está disponível no site da Fundação Waldemar Alcântara. Publicação tem coautoria da Profa. Adelaide Gonçalves.

Realizamos Joias do Ceará, uma série de encontros virtuais com quem estuda, pesquisa, cria, mantém etc., de algum modo trabalha com acervos em diferentes estados de conservação e uso. Estão disponíveis no youtube do Festival Alberto Nepomuceno, o Fan.

Arquiteta e professora, Cristiane Alves nos inicia na obra do mestre Neudson Braga, de quem foi aluna. Fez 90 anos em junho o autor do projeto do BEC dos Peixinhos, em Fortaleza, que um bocado de nós viveu como lição do que pode uma esquina no centro de uma cidade. Ou de como uma vera calçada expande o mais cotidiano ir-e-vir. Você pode ler a dissertação da Cristiane Alves no repositório da UFC ou acessar gratuitamente o livro em formato digital. "Neudson Braga e o modernismo arquitetônico em Fortaleza" é uma publicação da Expressão Gráfica e Editora.

Tem mais. Curadora Dodora Guimarães nos apresenta Sérvulo Esmeraldo a partir de exposição no Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo, no Crato, cidade natal do artista. Na sede do Instituto Sérvulo Esmeraldo, o Ise, em Fortaleza, tem várias publicações sobre o artista.

Ângela Madeiro e Dim Brinquedim nos apresentam o Museu Brinquedim, na zona rural de Pindoretama. Um livro? "Dim Brinquedim, artista brincante brasileiro", publicado pelo Armazém da Cultura.

O Prof. Renato Casimiro nos fala das esculturas por ele encomendadas ao Mestre Noza e doadas ao Museu de Arte da UFC - Mauc. O livro-guia é o organizado por Gilmar de Carvalho, "Noza, o escultor do Padre Cícero", de 2014. Com as bênçãos da Beata Maria de Araújo, tomara que entre na lista de reedições da UFC.

P.S.: hoje tem "Cavucar" no teatro do Dragão do Mar, às 19h30. Dramaturgia: Tércia Montenegro. Direção: Monique Cardoso (atuação) e Murillo Ramos. Beata Maria de Araújo na cena. Grátis.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 31/08/25. Vida & Arte, p.2.


 

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