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domingo, 6 de setembro de 2026

Melissa Vieira: “A curiosidade é o mais importante para um futuro cientista”

Por Kaio Pimentel, jornalista especial para O Povo

Foto: Divulgação/ Igor Alisson Marques Roman | Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Natural de Fortaleza, a engenheira química Melissa Gurgel Adeodato Vieira passou em 1º lugar para ocupar cadeira de titularidade acadêmica após 16 anos de docência em Campinas.

Um professor-titular representa e exerce atividades nos extramuros do ensino superior. É assim que a fortalezense Melissa Gurgel Adeodato Vieira, 47, resume o cargo que deve assumir, em janeiro de 2027, após aprovação em 1º lugar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Formada em Engenharia Química pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela mudou-se para realizar mestrado em São Paulo aos 22 anos, seguindo para doutorado e pós-doutorados. "Ninguém chega lá em cima sozinho", assegura.

O currículo da profissional inclui ainda intercâmbio acadêmico na École Centrale Paris (ECP), na França, e pós-doutorado pela Universität Stuttgart, na Alemanha. Não à toa, desde 2023, é citada na lista de cientistas mais influentes do mundo, segundo a editora internacional Elsevier.

Depois de 16 anos como associada com livre-docência na Unicamp, ela ocupará a nova responsabilidade institucional, enquanto já coordena dois laboratórios de pesquisas sobre saúde e meio ambiente e orienta quase 20 estudantes.

O POVO - Qual deve ser a melhor metodologia para aproveitar o campo da ciência desde a infância e promover futuros interessados na área?

Melissa Vieira - Acho que a curiosidade é o mais importante para um futuro cientista. Não aceitar porquês preestabelecidos, mas buscar sempre novas respostas, porque o conhecimento é dinâmico. A gente tem que sempre estar investigando. Coisas que antigamente estavam consolidadas, hoje já se descobre que não é mais dessa forma.

Eu diria que também a resiliência, nem sempre você tem os dados que está esperando. Ser ambicioso nas suas perguntas para procurar as respostas que, de fato, vão contribuir para os desafios que a gente tem hoje. Todo pesquisador tem que ser muito disciplinado naquilo que faz.

O POVO - O começo da sua vida acadêmica foi por meio de uma graduação em engenharia química na UFC. Por que esse curso?

Melissa Vieira - Porque é um curso muito interdisciplinar. É um curso que consegue, com a formação que a gente tem ao longo dos cinco anos, resolver problemas relevantes da sociedade em termos de produção de produtos químicos para fertilizantes, segurança alimentar, desenvolvimento de larga escala de medicamentos, área de energia limpa, produção de hidrogênio verde, produção de baterias, energia solar.

O POVO - A xenofobia contra nordestinos ainda persiste no Brasil. Precisou enfrentar isso na Unicamp?

Melissa Vieira - Eu não tive problemas de xenofobia [na Unicamp]. Eu senti um pouco disso quando eu fui fazer mobilidade na França. Eu fiz vários trabalhos acadêmicos sozinha, porque ninguém queria fazer grupo comigo lá. Iniciação científica era realizada em dupla. Ninguém quis fazer dupla comigo, eu fiz sozinha também.

Não me causou nenhum problema, porque eu já realizava iniciação científica desde o primeiro ano da graduação. Eu consegui desempenhar bem, trabalhando sozinha. Na França, eu senti não por ser cearense, mas por ser brasileira.

O POVO - A que passos o Brasil caminha se comparado à França e à Alemanha no que se refere aos estudos científicos e à engenharia química?

Melissa Vieira - Eu diria que a Unicamp tem uma infraestrutura muito mais avançada do que as duas universidades que eu presenciei. Poderia te dizer certamente que atualmente eu estou numa universidade de excelência, compatível com as melhores universidades do mundo. Pesquisadores altamente competentes que não seriam diminuídos em relação a nenhum outro pesquisador.

O POVO - Morando em Campinas, você ainda mantém vínculo afetivo com o Ceará? De que forma consegue fazê-lo?

Melissa Vieira - Sim. Todos os anos eu retorno ao Ceará. Eu tenho minha família, irmãs, meus pais, sobrinhos, tios, todos estão no Ceará, com exceção de uma tia que mora em Campinas. Tenho também convívio com professores da UFC, que foram inclusive meus colegas durante a graduação e pós-graduação aqui na Unicamp, meus antigos orientadores também são professores ainda da UFC.

O POVO - Você passou em primeiro lugar no concurso para professora-titular da Unicamp. Qual é a sensação?

Melissa Vieira - É uma sensação gratificante de reconhecimento pelos pares. Porque o professor-titular avalia toda a trajetória acadêmica do docente, as contribuições na área de ensino, pesquisa, extensão e gestão universitária. Ser indicada em primeiro lugar mostra que os meus pares me reconheceram, que eu tenho potencial de liderança, prevista para um titular.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/09/26. Farol. p.4.

Nota do Blog do Marcelo Gurgel: Melissa Gurgel é uma querida sobrinha minha que obteve o primeiro lugar, disputando esse concurso público da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, com cinco concorrentes, sendo três da própria Unicamp e dois outros de fora. Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Cearense Melissa Gurgel alçada ao cargo de professor titular da Unicamp

Ontem (18/08/2026) foi dia de alegria para a família Gurgel Adeodato. A Melissa Gurgel Adeodato Vieira, filha dos jornalistas aposentados Márcia Gurgel e Adeodato Junior, foi aprovada em primeiro lugar como professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Melissa já desempenha o cargo de professora desde 2010 na própria universidade.

Aos 47 anos de idade, atinge o ápice da carreira acadêmica, tendo em seu robusto currículo mestrado e doutorado em Engenharia Química e três pós-doutorados, sendo um em Stuttgart, na Alemanha.

Melissa teve uma sólida base estudantil no Colégio Christus e na Universidade Federal do Ceará (UFC), por onde se graduou em Engenharia Química com diploma de Magna Cum Lauda, tendo sido, até então, o concludente com o maior IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) da história desse curso da UFC. Fez parte do curso de Engenharia Química na École Centrale de Paris.

Desde 2023, ela compõe a lista de pesquisadores cientistas mais influentes no Mundo segundo ranking elaborado pela editora científica Elsevier e liderado por uma equipe de especialistas da Universidade de Stanford.

Nota do Blog do Marcelo Gurgel: Melissa Gurgel é uma querida sobrinha minha que obteve o primeiro lugar, disputando esse concurso público da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, com cinco concorrentes, sendo três da própria Unicamp e dois outros de fora. Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

SEU PRÉDIO ESTÁ PREPARADO PARA O CARRO ELÉTRICO?

Por Carlos Farias (*)

O avanço dos veículos elétricos e híbridos no Ceará revela uma mudança importante no comportamento de consumo e na mobilidade urbana. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que a frota de veículos eletrificados no Estado cresceu 226,1% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2026, ultrapassando 17 mil unidades em circulação.

O crescimento acelerado do setor traz um alerta importante: a infraestrutura elétrica de residências, condomínios e empresas nem sempre está preparada para suportar esse novo perfil de consumo.

Existe um erro comum de acreditar que basta instalar uma tomada ou adaptar um ponto de energia para carregar um veículo elétrico. Na prática, carregadores exigem potência elevada, uso contínuo e instalações dimensionadas corretamente. Quando isso não acontece, os riscos são sérios.

Sobrecarga elétrica, sobreaquecimento de cabos, curtos-circuitos e incêndios podem ocorrer em estruturas que não passaram por avaliação técnica adequada. Em condomínios, o problema ganha proporções ainda maiores, já que uma instalação irregular pode comprometer toda a rede elétrica do prédio.

Um incêndio iniciado em uma instalação inadequada pode causar perda de veículos, danos estruturais e prejuízos materiais, além de colocar vidas em risco. Não se trata apenas de um problema individual, mas de segurança coletiva.

Muitos edifícios antigos não foram projetados para suportar a demanda energética gerada por carregadores elétricos. Por isso, antes de qualquer instalação, é fundamental realizar análise de carga, revisão do cabeamento, avaliação dos quadros elétricos e estudo da capacidade.

A expansão dos veículos elétricos representa um avanço importante para a mobilidade e sustentabilidade, mas o crescimento do setor precisa vir acompanhado de responsabilidade técnica, planejamento e prevenção.

Nos condomínios, esse debate precisa envolver moradores, administração e gestão predial, para que as decisões sobre instalação da infraestrutura elétrica aconteçam com acompanhamento técnico adequado.

(*) Engenheiro eletricista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/06/26. Opinião, p.18.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

ARIOSTO HOLANDA, PRESENTE!

Por Antônio Vusques (*)

A partida de Ariosto Holanda deixa uma lacuna não apenas nos corredores da política, mas sobretudo naqueles que tiveram o privilégio de conviver com sua grandeza humana. Ex-deputado federal por cinco legislaturas, Ariosto construiu uma trajetória marcada pela seriedade, pelo compromisso público e por uma visão rara de desenvolvimento baseada no conhecimento e na educação.

Foi um servidor incansável da sociedade. Defensor da ciência, da tecnologia e da inovação, acreditava que o verdadeiro progresso se faz com investimento nas pessoas. Sua atuação parlamentar sempre esteve voltada à interiorização das oportunidades, à inclusão social e à valorização das instituições de ensino, pesquisa e extensão tecnológica.

Tive a honra de servi-lo como auxiliar direto por mais de duas décadas. Nesse tempo, testemunhei não apenas o político dedicado, mas o ser humano íntegro, generoso e profundamente respeitoso. Ariosto liderava pelo exemplo: firme em seus princípios, mas sempre acessível, atento e disposto a ouvir.

Entre suas contribuições mais transformadoras está a criação do Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará- Nutec, instituição que se consolidou como referência no apoio à indústria, à inovação e ao desenvolvimento tecnológico do Estado e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior-Secitece. Também foi o grande idealizador de um modelo inovador de educação profissional, capitaneado pelo Instituto Centec e pelos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs).

O modelo de educação profissional por ele concebido e implantado mostrou-se tão eficaz que foi replicado em nível nacional, tornando-se referência para políticas públicas voltadas à formação técnica e à inclusão produtiva. Trata-se de um legado concreto, que segue gerando oportunidades e transformando realidades.

Sua partida para o plano celestial nos entristece, mas também nos convida à reflexão. Permanecem sua história, seus valores e sua inspiração. Cabe a nós, que tivemos o privilégio de caminhar ao seu lado, honrar sua memória dando continuidade ao seu compromisso com o bem público.

Ariosto Holanda parte, mas sua presença seguirá viva na construção de um Brasil mais justo, consciente e preparado para o futuro.

(*) Ex-presidente do NUTEC e ex-secretário da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/04/26. Opinião, p.28.

quinta-feira, 26 de março de 2026

ARIOSTO HOLANDA, um construtor de futuros

Por Ricardo Cavalcante (*)

O tempo costuma medir os homens. Porém, há aqueles que o superam.

Ariosto Holanda foi um desses raros construtores de futuro que não se limitam ao tempo em que vivem. Sua presença segue nas ideias que semeou, nas instituições que ajudou a erguer e, sobretudo, nas vidas que transformou por meio da educação.

Engenheiro de formação, professor por vocação e homem público por compromisso social, Ariosto fez da educação sua maior causa. Não uma educação qualquer, mas aquela que liberta, prepara para o trabalho e gera autonomia e dignidade. Para ele, ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento, era abrir caminhos, provocar pensamento e dar às pessoas a possibilidade real de escolher seus próprios destinos.

Ao longo de sete mandatos como deputado federal, manteve-se fiel a ideias que hoje parecem evidentes, mas que, em seu tempo, exigiam coragem e visão: investir em ciência, tecnologia, educação profissional e inclusão como bases do desenvolvimento. Mais do que defendê-las, transformou-as em políticas públicas e projetos que seguem impactando o Ceará e o Brasil.

Visionário, compreendeu que não há desenvolvimento verdadeiro sem investimento em gente. Por isso, impulsionou iniciativas voltadas à formação para o mundo do trabalho.

Tive o privilégio de conhecer Ariosto, de aprender com sua lucidez e de testemunhar sua coerência. Sua trajetória não foi marcada por discursos vazios, mas por uma impressionante capacidade de transformar ideias em realizações concretas. Ele acreditava no Ceará e trabalhou, incansavelmente, para que o nosso estado acreditasse mais em si mesmo.

No Sistema Fiec, procuramos honrar esse legado. Ao eternizar seu nome no Instituto Sesi Senai de Tecnologia Professor Ariosto Holanda, não fizemos apenas uma homenagem. Firmamos um compromisso: o de continuar levando adiante a visão de futuro que ele nos ensinou. Essa mesma convicção nos levou a confiar ao seu filho, Paulo André Holanda, a missão de dar continuidade a esse trabalho à frente do Sesi e do Senai no Ceará.

Ariosto nos deixa uma lição simples e poderosa não há liberdade sem educação. E não há futuro sem conhecimento.

Nos despedimos dele com gratidão, mas também com responsabilidade. Porque o seu legado é um chamado à continuidade.

Seu legado permanece! 

(*) Empresário. Presidente da FIEC.

Fonte: O Povo, de 24/03/26. Economia. Opinião. p.18.

terça-feira, 24 de março de 2026

A missão de Ariosto Holanda

De sua Limoeiro natal, Ariosto Holanda, morto no último sábado, aos 87 anos, costumava dizer que havia aprendido o dom da fraternidade, levando-o para o mundo. Essa qualidade era conjugada no seu dia a dia de professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), deputado federal ou missionário da ciência, sempre a serviço de um horizonte no qual a justiça social era mestra e definidora de seus passos.

Parlamentar de seis mandatos, com experiência tanto pelo Executivo (foi secretário nos governos de Tasso Jereissati) quanto pela academia, onde ocupou-se da docência por décadas, Ariosto era vocacionado para o trabalho de partilha do conhecimento.

Daí que tenha se especializado nesse papel de estabelecer pontes entre áreas que normalmente se mantêm distantes, associando técnica e humanismo com o propósito de encontrar respostas para problemas concretos. Nele o saber era mais valioso se pudesse ajudar a contornar as dificuldades cotidianas.

A tecnologia, por exemplo, só tinha serventia se auxiliasse na redução do fosso das desigualdades. Desse espírito politicamente comprometido com o bem-comum nasceram os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), ambos instrumentos de disseminação da educação em modalidades diversas.

Esse era o norte da trajetória de Ariosto, que cuidou em aproximar o Ceará de uma perspectiva moderna sem negligenciar a correção dos desníveis econômicos e sociais. Como titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia, lançou sementes que ainda hoje operam como diretriz dos projetos concebidos no estado, o que só reforça uma visão de desenvolvimento de longo prazo que não se media por colorações partidárias. Pelo contrário, a política não era um fim em si mesma, tampouco meio para enriquecimento e permanência no poder.

No Legislativo, empenhou-se na tarefa de fazer avançar o Ceará mediante somatório de esforços orientados para um mesmo objetivo, fosse o de ampliar a rede de ensino técnico, fosse o de criar soluções inteligentes para vencer as dificuldades mais agrestes que o território impunha, tal como a escassez hídrica.

Nisso se vê como Ariosto se guiava por um compromisso inarredável com os cearenses e com o Nordeste, região na qual depositava plena confiança quando se tratava de apostar no futuro.

Nascido Francisco Ariosto Holanda, falava com orgulho da simplicidade dos pais. Logo chegou à universidade, onde se formou em Engenharia Civil. De lá seguiu para vida sortida em experiências na esfera privada e também na pública, onde fez carreira como gestor. Essa caminhada está fartamente documentada nas páginas do O POVO, que sempre soube reconhecer-lhe os méritos.

A propósito de suas ideias e sonhos, dele se dizia com frequência, a título de elogio: é "homem à frente do seu tempo". Não era. Ariosto era fruto de sua época, com raízes fincadas no mesmo presente que dividia com seus conterrâneos, atento aos desafios que a realidade apresentava e pronto a encontrar respostas para os impasses que afligiam sua gente. 

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Editorial, p.20.

domingo, 22 de março de 2026

Ariosto Holanda morre e o Ceará chora

Por Marcelo Bloc (*)

O falecimento aconteceu na manhã deste sábado, 21, e o ex-deputado deixa legado das estratégias de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia para o País e sobretudo para o Ceará

O engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã deste sábado, 21 de março, em Fortaleza, aos 87 anos, por complicações da doença de Parkinson.

O velório de Ariosto ocorreu a partir das 10h, na Funerária Ternura, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento foi realizado às 16h, no cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, na capital cearense. Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Ariosto era filho de Francisco Holanda de Oliveira e Raimunda Chagas Oliveira.

Ele foi estratégico para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia do Ceará. Semeou a ideia da educação técnica e profissional como uma ferramenta de transformação e inclusão social para os jovens, que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje espalhadas por todo o Ceará. Também criou o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

Suas principais contribuições acadêmicas e políticas, para a inovação tecnológica no Nordeste, foram a criação de "bancos de soluções" e o fomento ao biodiesel como ferramentas de emancipação econômica para o pequeno produtor e para o trabalhador regional. Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também foram criados sob a liderança de Ariosto Holanda.

Ariosto concebeu os CVTs como uma ferramenta para levar a Ciência e a Tecnologia ao pequeno produtor e ao jovem. Levava como um dos lemas que o acesso ao conhecimento técnico é um direito fundamental e essencial para a dignidade humana.

Citando o filósofo britânico Karl Popper, em uma entrevista ao documentário do O POVO+, Memórias O POVO, Ariosto defendeu a "audácia intelectual" e criticou a falta de políticas públicas voltadas a dignidade da pessoa humana e para o pequeno produtor, o que considerou uma omissão grave. "O que está em jogo nas regiões subdesenvolvidas é a dignidade da pessoa humana, é o direito à vida. Então isso aí resume tudo, né? É o direito à vida. Nós não temos mais direito à vida. (...) E eu não aceito, não aceito você ter projetos que podem mudar a vida das pessoas e não plantar. Então eu não aceito isso", disse ele.

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, trabalhou na distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e Petrobras. Ariosto Holanda foi parlamentar por cinco mandatos e recebeu diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia.

Iniciou a vida política assumindo a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª posição).

Um dos filhos de Ariosto, Paulo André Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará). Na gestão de Educação e Tecnologia, ele frequentemente representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.

O Instituto Iracema Digital criou uma honraria com seu nome. Em 2025, já chegou à III Comenda Ariosto Holanda de Ciência, Tecnologia e Inovação, que premia pessoas que têm contribuído para o fortalecimento da inovação tecnológica no Ceará. Na ocasião, todos os homenageados no evento exaltaram o legado do ex-deputado Ariosto Holanda, pelo pioneirismo de adotar estratégias voltadas ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Ceará nos anos nos quais não se debatia o assunto.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/03/26. Notícias p.10.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

PÁTRIA, PÁTRIA!

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Além de engenharia, o ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ensina cidadania. A AEITA, Associação dos Engenheiros lá formados, presidida por Alex Pereira, realizou, de 3 a 7/11, o encontro de sócios mirins para 12 crianças de 7 a 14 anos, selecionadas entre 1.050.000 pretendentes.

Foram avaliados o desempenho cognitivo, os sucessos, a paixão por estudo, domínio em ciências, inventividade, curiosidade, criatividade, capacidade de resolver problemas, multiplicar conhecimentos, inspirar e apoiar outrem. Ligaram-se aos que também amam estudar, calcular, raciocinar, submeter-se a desafios, como provas e olimpíadas, jogar xadrez, montar cubo mágico, entre outras atividades.

Formaram-se fortes laços de amizade entre crianças, mães e pais. Eu não ouvi falar. Eu estava lá e, honrado, entreguei diplomas ao JP (João Pedro), Luiz Belém, Felipe Streit e Érilly Bittencourt. Na volta, senti-me mais otimista em relação ao Brasil. Em época de inteligência artificial, que tal exercitarmos a inteligência solidária? Assim, o exemplo da AEITA, do Alex e de seus companheiros de jornada será seguido. No Polo Aeroespacial Brasileiro, visitaram o ITA , quando se detiveram no H8, onde residem os seus alunos; a a fábrica de aviões brasileiros (Embraer); o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); a Mac Jee; o Instituto Alpha Lumen; a Visiona; o Museu Interativo de Ciências (MIC) e o Programa Decolar; o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE); e o castelo do genial cearense Fernando de Mendonça, o primeiro aluno do ITA a receber Summa cum Laude (com a mais alta honra) por obter, em todas as disciplinas cursadas no ITA, médias anuais nunca inferiores a 9,5 em uma escala de zero a 10.

Após visitar muitos castelos europeus e adorá-los, Mendonça idealizou e coordenou a construção do seu castelo, estilo medieval, onde reside em São José dos Campos. As crianças receberam do iteano grandes lições. Ao finalizá-las, em tom de profecia, revelou seu grande amor, tal qual Vinicius de Moraes, no poema "Pátria Minha". Foi o momento em que Fernando liderou um coro com as crianças a bradar: Pátria, Pátria!

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/11/25. Opinião, p.18.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

SUA MAJESTADE, O COBOGÓ

Por Romeu Duarte Junior (*)

"Cobogó é coisa de pobre!", bradou-me certa feita um colega e amigo de forma tão categórica que quase perdia de mim esta última condição. Na ocasião, amante dos materiais construtivos como todo arquiteto que se preza, lembrei-me da célebre frase de Louis Khan: "O que quer ser um tijolo?". Certamente, o preconceito não deve ser a argamassa da construção. Todo material é digno e sua utilização numa obra adequa-se à sua essência e às suas possibilidades. Há beleza e funcionalidade tanto numa parede maciça de tijolo cru quanto numa extensa pele de vidro. São tecnologias diferentes que às vezes se completam, num diálogo fascinante entre o singelo e o complexo. Ah, se todos fossem simples e úteis como você, cobogó, o mundo seria muito melhor, sem frescura...

Como tudo o que nos envolve, este item de obra, arquitetura e design tem uma história. De origem recifense, o cobogó foi criado em 1929 por um grupo de engenheiros, o português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernst August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis, que denominaram a novíssima peça juntando as primeiras sílabas dos seus sobrenomes. Lúcio Costa, o tal, difundiu-o em suas obras modernistas como a releitura de uma herança da cultura árabe, presente desde sempre na arquitetura colonial portuguesa. De uso popular, atende também por combogó e elemento vazado, expressão esta talvez mais adequada aos defuntos encontrados varados de balas nos cafundós. Conheci-o nos corredores da Escola de Arquitetura da UFC. Sim, foi paixão à primeira vista.

Espalhado por todo o Brasil, o cobogó é versátil: deixa passar o vento, apara o sol criando belos jogos de luz e sombra, garante a exaustão do ar quente e preserva a intimidade dos interiores, "livrando a mulher do que a rua pudesse oferecer...", tal como dizia poeticamente Armando de Hollanda, saudoso dos velhos muxarabis de Olinda. Inicialmente executados em cerâmica por extrusão industrial, com ingênuos desenhos florais e geométricos, os cobogós atuais são feitos de materiais diversos, até de porcelana e resina plástica, com projetos elaborados por designers e produzidos através de máquinas comandadas por computador. No começo, restrito aos banheiros e áreas de serviço das casas populares, o cobogó, metido, ganha hoje espaço nas mansões e nas exposições.

Portanto, foi com alegria e alívio que, passando pela Av. Pessoa Anta, na Praia de Iracema (que parece recobrar a antiga vitalidade), deparei com a fachada da Casa Cor Ceará 2024. Um véu cerâmico, perfurado e serpenteante, muito bem construído, sugerindo aos olhos arranjos plásticos os mais variados, chama a atenção do mais desavisado passante. "Quero ver quem ainda terá a coragem de dizer que cobogó é coisa de pobre...", pensei de mim para comigo. Se de dia a renda vermelha filtra e traduz os raios de sol em arte, à noite o pano coleante inteiro transforma-se numa gigantesca luminária via efeitos luminotécnicos. Há uma grande lição nisso tudo: É preciso conhecer os materiais, o que nos podem dar. Na trama esplêndida da arquitetura, o tradicional e o moderno irmanam-se.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/11/24. Vida & Arte. p.2.

domingo, 14 de julho de 2024

OS GUARDIÕES DA SAÚDE E SUSTENTABILIDADE

Por Eduardo Galdino de Souza (*)

O Dia do Engenheiro Sanitarista é comemorado no Brasil em 13 de julho, homenageando profissionais que dedicam suas carreiras ao desenvolvimento de soluções que garantem a qualidade da água, a eficiência do saneamento básico, o controle da poluição e a promoção da saúde pública. Esses engenheiros desempenham um papel crucial na criação de ambientes urbanos mais saudáveis e sustentáveis. A data foi escolhida em referência à transformação do Departamento Nacional de Obras de Saneamento em Autarquia pela Lei No 4.089, de 13 de julho de 1962.

Os engenheiros sanitaristas atuam em diversas áreas, como tratamento de água e esgoto, gestão de resíduos sólidos, drenagem urbana, controle de vetores de doenças e educação ambiental.

No Brasil, apesar dos avanços significativos nas últimas décadas, ainda há milhões de pessoas sem acesso a serviços adequados de água potável e esgotamento sanitário. A atuação dos engenheiros sanitaristas é essencial para alcançar a universalização desses serviços, conforme estabelecido pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Além das questões técnicas, os engenheiros sanitaristas devem lidar com aspectos sociais, econômicos e políticos. É necessário elaborar projetos tecnicamente viáveis, economicamente acessíveis e socialmente justos, considerando as particularidades de cada comunidade.

Um dos maiores nomes da Engenharia Sanitária brasileira foi Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, mais conhecido como Saturnino de Brito (1864-1929). Engenheiro Civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, ele contribuiu em diversos projetos de infraestrutura na área do Saneamento Básico em mais de 50 cidades no Brasil.

Nesta data, é importante reconhecer e valorizar o trabalho desses profissionais que, muitas vezes, atuam de maneira silenciosa, mas cujos impactos são profundamente sentidos na sociedade. Suas contribuições são essenciais para a construção de um futuro sustentável para todos.

(*) Dr. em Engenharia Civil e Recursos Hídricos e docente do Unifanor Wyden.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/24. Opinião. p.16.


segunda-feira, 20 de maio de 2024

IME: berço da Engenharia, centro de excelência, patrimônio nacional

Por João Ferreira Galdino (*)

O Instituto Militar de Engenharia (IME) é legítimo herdeiro da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, criada em 1792. O pioneirismo e a contribuição para o desenvolvimento, a defesa e a soberania nacionais são marcantes na trajetória do IME. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Embratel, a Petrobras, a Eletrobras e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), dentre outras organizações e corporações essenciais ao desenvolvimento nacional, foram consolidadas ou concebidas com efetiva participação de egressos do IME.

Além das inúmeras ações em prol da indústria de Defesa e da geração de poder de combate do Exército Brasileiro, Imeanos participaram da realização de obras de infraestrutura nacionais, como hidrelétricas, pontes, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Participaram de projetos que evidenciam a aguçada criatividade nacional, como o Programa Proálcool e o Sistema PAL-M, voltado à implantação da TV em cores no Brasil, na década de 1970. O rol de contribuições é surpreendente.

Nesses 231 anos de existência, o IME mantém a tradição de oferecer um ensino de excepcional qualidade. Alguns resultados oficiais lastreiam essa assertiva, como os últimos indicadores do MEC, posicionando-o como a melhor escola de ensino superior em graduação do País, ou a sexta melhor, quando se inclui nessa avaliação a pós-graduação. Esse é um dos motivos de nosso concurso de admissão ser um dos mais difíceis do País.

Nesse mister, é importante mencionar que o Ceará vem se destacando nesses concursos. Nos últimos 10 anos, a média de inscritos no concurso é superior a 1.000 candidatos, dos quais, em média, cerca de 160 são aprovados e 32 conseguem ingressar no IME. O Ceará é um dos três estados da Federação com maior quantidade de aprovados em nossos concursos. Certamente, esse excepcional desempenho é uma consequência dos enormes avanços na educação do Estado, que vêm ocorrendo desde 2005, como sugerem os sucessivos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica.

Na palestra "Instituto Militar de Engenharia: Berço da Engenharia, Centro de Excelência, Patrimônio Nacional", a ser proferida em 24 de abril, na Assembleia Legislativa do Ceará, buscarei desvendar o segredo do sucesso de nossa Instituição e mostrarei que o IME é muito mais do que uma escola de engenharia. Lá são forjados líderes e cidadãos que exercem seus deveres com princípios éticos e valores morais.

(*) Comandante e reitor do Instituto Militar de Engenharia (IME). General de Divisão Engenheiro Militar.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/04/24. Opinião, p.23.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Engenheiro Cássio Borges morre aos 90 anos de idade

Por Carlos Enrique Correia (*)

O engenheiro foi membro do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e fundador da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo.

Morreu, na tarde desta quinta-feira, 20/07/23o engenheiro e jornalista Cássio Borges, aos 90 anos.  Ele trabalhou no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e foi membro titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ). Cássio morreu em virtude de complicações de uma encefalite.

Cássio teve a sua trajetória marcada por ter escrito livros técnicos — um deles, intitulado “A face oculta da barragem do Castanhão”, em que defendia a democratização da água para todos os cearenses — e por ter fomentado estudos relacionados à hidrologia, com o objetivo de tracionar o desenvolvimento regional. No livro, o engenheiro também se posiciona de forma contrária à barragem — no seu ponto de vista, o Vale do Jaguaribe deveria ter, ao invés de um grande reservatório, de 10 a 12 pequenas represas, que teriam um custo menor e que atenderiam de maneira mais assertiva a população da região. Também é de autoria do engenheiro a obra “Dnocs: Desenvolvimento e Gestão dos Recursos Hídricos no Semiárido Nordestino”.

Além de ser membro do Dnocs, Cássio também foi diretor-regional e diretor de Hidrologia do órgão. A  gestão dele foi marcada como aquela que mais deixou perímetros irrigados. O seu projeto de Paraipaba transformou a região em uma espécie de oásis, mesmo diante das condições precárias antes observadas.

Graduado pela Escola Politécnica de Pernambuco em 1960,  Cássio Borges se especializou, em 1965, em recursos hídricos pela Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro e pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), também do Rio de Janeiro. Cássio também foi fundador da Academia Cearense de Engenharia (ACE), de onde foi membro titular. O engenheiro é pai do jornalista Marcos André Borges.

Ao O POVO, o engenheiro civil Ângelo Guerra, ex-diretor-geral do Dnocs, sublinha que Cássio Borges foi uma importante figura para o órgão devido ao seu conhecimento e do seu papel como expoente da engenharia — ele conta que o conheceu durante uma visita de uma comitiva americana, em 1988. “Fiquei impressionado, logo de cara, com o seu conhecimento. Posso afirmar que o Brasil perdeu um dos grandes engenheiros da área de recursos hídricos e um dos grandes conhecedores do semiárido nordestino”, afirmou.

O engenheiro civil também sustenta que Cássio sempre atuou com o objetivo de melhorar a vida das pessoas, principalmente das residentes do semiárido nordestino. “Quando assumi o cargo de diretor-geral do Dnocs, ele [Cássio Borges] disse que confiava em mim para revitalizar o órgão. Foi por meio do Dnocs que temos uma região semiárida em desenvolvimento. Cássio Borges faz parte desta trajetória. Onde ele passava, buscava transmitir o seu conhecimento. Ele era uma pessoa muito humilde. Foi um grande profissional e um grande homem”, completa Ângelo.

Ao encontro do ex-diretor-geral do Dnocs,o engenheiro mecânico Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e membro da Academia Cearense de Engenharia (ACE), ressalta que Cássio Borges foi um profissional respeitado pelos seus pares.

Tivemos uma relação muito amistosa. Fui um grande admirador do seu trabalho e da sua obra. Tínhamos um respeito mútuo. Sempre admirei o seu conhecimento e a forma como defendia pautas importantes. Posso garantir que Cássio Borges foi uma pessoa muito admirada e querida”, aponta o membro da ACE ao O POVO.

Legado esportivo

Além de sua atuação no Dnocs e na escrita de diferentes livros, Cássio Borges também foi presidente do Fortaleza Esporte Clube em 1979. Em comunicado, o Leão do Pici afirmou que o engenheiro dedicou anos da sua vida ao clube e foi o responsável por levar a paixão a toda a sua família.

“Por toda sua trajetória em anos de dedicação e pela referência profissional que se tornou no ramo da engenharia, o Fortaleza, em nome do atual Presidente Marcelo Paz, deseja força aos familiares e amigos”.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/07/23. Cidades, p.15.

sábado, 4 de março de 2023

DOIS ADVOGADOS E UM ENGENHEIRO

Dois advogados estavam em um voo para Recife. Um deles sentou-se junto à janela e o outro no assento do meio. No momento da decolagem, um engenheiro sentou-se no assento do corredor, com os dois advogados. O engenheiro então tirou os sapatos e se preparou para tirar um cochilo quando o advogado do lado da janela disse:

— Eu acho que vou precisar me levantar para comprar um refrigerante.

— Não tem problema, eu vou trazer um para você, disse o engenheiro.

Enquanto o engenheiro foi buscar o refrigerante, o outro advogado pegou o sapato que ele havia deixado no chão e cuspiu dentro. Quando ele voltou com a bebida, o outro advogado disse:

— Só um momento, que eu também vou comprar uma bebida. Novamente o engenheiro levantou-se gentilmente e foi buscar outro refrigerante. Nisso, o advogado do lado da janela cuspiu no outro sapato, o mesmo que o amigo tinha feito.

O engenheiro retornou e eles todos sentados ficaram por um tempo sem falar nada. Quando o avião estava pousando, o engenheiro puxou seus sapatos e descobriu o que tinha acontecido. Em seguida, ele muito sério e bravo disse:

— Por quanto tempo isso vai acontecer? É por causa do ciúme entre as nossas profissões? Para que esse ódio e rivalidade? Será que este hábito de cuspir nos sapatos e urinar dentro das coca-colas não vai acabar nunca?

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

domingo, 2 de janeiro de 2022

O ENGENHEIRO E O ADVOGADO

Pouco antes do Natal, dois motoristas - um advogado e outro engenheiro - sofreram uma colisão horrível e os dois carros foram destruídos. Pelo que só pode ser descrito como um milagre, os dois homens estão ilesos.

Depois de rastejarem para fora dos carros, o advogado vê o anel de grau do engenheiro e diz:

"Então você é um engenheiro. Eu sou um advogado. Basta olhar para os nossos carros. Não sobrou nada, mas saímos ilesos. Deve ser um sinal de Jesus, já que estamos perto do Natal."

O engenheiro responde:

"Eu concordo totalmente com você. Este deve ser um sinal de Jesus."

O advogado continua:

"E olhe para isso. Aqui está outro milagre. Meu carro está completamente destruído, mas esta garrafa de vinho que eu comprei para ume festa no escritório não quebrou. Certamente Jesus quer que façamos um brinde e celebremos nossa boa sorte."  

Em seguida, ele entrega a garrafa ao engenheiro.

O engenheiro concorda, toma alguns goles grandes e devolve a garrafa ao advogado. O advogado pega a garrafa, coloca imediatamente a tampa e a devolve ao engenheiro.

O engenheiro pergunta:

"Você não vai beber?"

O advogado responde:

"Não ... acho que vou esperar a polícia."

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

É HORA DE PARTIR

Por Germano Gurgel Carlos da Silva

Engenheiro químico da Petrobras

Prezados amigos:

O tempo passou célere, ainda mantenho vívido na memória o dia 11 de fevereiro de 1980, quando adentrei as instalações da NITROFERTIL (posteriormente, teve modificada sua razão social para FAFEN-BA), unidade fabril da Petrobras ubicada no Polo Petroquímico de Camaçari.

Nessa ocasião, era recém-formado em Engenharia Química, estava com 22 anos – no início da vida adulta. A admissão empregatícia no Sistema Petrobras coroava um sonho que começara aos 14 anos, quando decidira pela minha futura profissão, sendo viabilizado em Janeiro de 1979, quando estava em fase final da graduação em Engenharia Química na UFC, tendo sido aprovado em concurso do CENPEQ (Curso de Engenharia de Processamento Petroquímico), peguei o matulão e a arataca, embarquei no primeiro "pau-de-arara", rumo a Salvador, pois a Bahia centenária esperava este cabeça-chata que ousava um lugar ao sol. Concluí o CENPEQ em concomitância com a Eng. Química na UFBA. Pois bem, combati o bom combate, aceitei desafios, desenvolvi minhas potencialidades, cultivei boas amizades e constituí família que alicerçou meu desenvolvimento profissional. Parodiando o grande compositor mineiro, Milton Nascimento, assevero aos amigos que lá deixei, que os trago guardados no lado esquerdo do peito, dentro do coração, um preito de infinita saudade.

Minha vida laboral teve 2 fases distintas: a Baiana e a Cearense.

Permaneci na FAFEN-BA, por período de 22 anos e 6 meses. Nesta tive a oportunidade de assumir diversas funções e tarefas, passando pelos Setores de Otimização, Coordenação de Turno (3 vezes), Setor de Movimentação no Terminal Marítimo de Aratu, Setor de Ureia e Setor de Amônia. Nesta estada profícua na FAFEN-BA, julgaram-me merecedor para assunção de funções de confiança, exercendo-as por aproximadamente 12 anos. Também participei do Grupo que coordenou o REVAMP, ocorrido no ano de 2.000, nas Unidades de Amônia e Ureia.

Exerci a presidência da CIPA na gestão 1999/2000, adicionalmente participamos como instrutor em vários Cursos de Formação de Operadores.

Atendendo a pleito pessoal, em agosto de 2002, efetivou-se a minha transferência para a LUBNOR, no Ceará, retornando assim para a terra natal. Na LUBNOR, inseri-me inicialmente na Gerência de Otimização, atuando como Eng.° de Processamento, posteriormente assumi a função de Gerente deste órgão. Na sequência, exerci a função de Gerente da Produção e depois Gerente de SMS (até 31/08 do ano corrente). Resumindo, fiquei na LUBNOR por 18 anos e 4 meses, sendo em função de confiança por 12 anos e 3 meses.

No próximo dia 7 de dezembro (Dia do Tora, Tora, Tora), estarei me despedindo de uma longa, frutuosa e quase sempre harmoniosa ligação laboral e, porque não dizer, afetiva relação com inúmeros colaboradores da nossa Petrobras. Foram 40 anos, 9 meses e 26 dias de convivência ou 14.912 dias de contrato de trabalho! Ressaltamos que a Petrobras foi a única empresa com que mantive relação trabalhista, caracterizando quase um casamento monogâmico (rsrs), sendo aquinhoado com a conquista e o respeito de grandes amigos.
Por conta de uma sólida formação familiar, onde o trabalho, a ética, a honestidade e o aprendizado constituíam pilares para toda a vida. Tais valores foram e são chancelados pela nossa empresa, que nos franqueou a participação em inúmeros treinamentos, seminários, estágios e visitas técnicas, facilitando a nossa caminhada nestas 4 décadas de muita dedicação, veemência, entrega e companheirismo.

Humildemente, procurei trabalhar sempre em sinergia com os nossos colaboradores e parceiros, valorizando os esforços e resultados. Posso dizer que nunca “briguei com o despertador” e no final de cada jornada perpassava se o que realizara, agregara conhecimento e valor pessoal, coletivo e para a Companhia. Cremos que a missão foi cumprida.

E o futuro, o que nos aguarda? Obviamente, há uma margem de incerteza, mas temos apenas uma convicção: a de que não podemos parar! A vida flui inexoravelmente, pretendemos retornar aos estudos e leituras. Sempre fomos apaixonado por grandes obras da Literatura e pelas disciplinas História, Geografia e Geopolítica. Quem sabe, reviver o aprendizado do idioma de Shakespeare. Quando a pandemia arrefecer, pretendemos percorrer caminhos e veredas do nosso vasto mundo (aguarde, mano Luciano). E, sobretudo, interagir mais com meus filhos e a família, curtir o 1.º neto que a minha querida filha Marta aguarda e faço votos que meu filho Tiago não demore para dar início à sua prole.

É com enorme gratidão, o coração transbordando de emoção e inolvidável recordação que me despeço de cada um de vocês. Sejam pelas oportunidades, ensinamentos, companheirismo e conquistas. Almejando que prossigam nessa caminhada venturosa. Estarei sempre ansiando pelos reencontros.

Terei o máximo prazer em manter o "cordão umbilical" com vocês, através dos meus contatos telefônicos já conhecidos e do e-mail: gmmtcgb@hotmail.com

Estarei ao dispor de vocês!

NOT GOODBYE, SO LONG (Frase receptiva no Aeroporto de Salvador)

Nota do Blog: O nosso irmão Germano, depois de mais quatro décadas de trabalho na Petrobras, exercidas com dedicação e competência, está saindo do quadro funcional efetivo dessa companhia para gozar uma merecida aposentadoria, já adquirida há vários anos, mas por afeição e reposnsabilidade relutava em aceitar esse desligamento laboral a que tinha direito.

Que ele seja aquinhoado com novos e ousados desafios vivenciais nos anos vindouros.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Editor do Blog

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

DE BIKE

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Nossa família tinha o privilégio de frequentar a casa de praia de meu tio-avô Alcides Santos, em Paracuru. Certa vez, o fundador do Fortaleza Esporte Clube enviou ao caseiro um telegrama a dizer: "Encha a piscina. Estarei aí no feriado." Quem recebeu a mensagem foi o emissor, quando lá já estava. Hoje, um WhatsApp chegaria de imediato.

A eficiência da internet deu-nos as redes sociais. Steve Jobs afirmava ser o computador "como uma bicicleta para nossas mentes". Esse dito e os de ex-ocupantes de altos cargos no Google, Instagram, Facebook, entre outros, estão no documentário O Dilema das Redes, da Netflix, matéria de capa da revista Veja de 30/09/2020.

Tristan Harris, ex-designer ético do Google, aborda um detalhe dos bastidores: a inteligência artificial pode manipular pessoas. Justin Rosenstein, ex-engenheiro do Facebook e do Google, revela que somos mais lucrativos para uma empresa se ficarmos a olhar uma tela do que a viver de forma significativa.

Jaron Lanier, um dos "pais" da realidade virtual, declara que os algoritmos determinam "a gradativa, leve e imperceptível mudança em nosso comportamento e nossa percepção". E isso pode ditar padrões estéticos e causar depressão e suicídio, decidir eleições, polarizar opiniões, levar a uma guerra civil, sem falar em fake news.

Segundo Harris, quando se trata de uma ferramenta, ela fica parada, esperando. Quando não é, ela faz alguma exigência. A tecnologia deixou de ser ferramenta para virar um vício e um meio de manipulação. Ele fecha o filme com um bem-vindo otimismo: "Como podemos tornar o mundo melhor?"

Lanier responde: "Sempre que algo mudou para melhor, foi porque alguém disse: (…) 'Podemos melhorar' (…) Os críticos são os verdadeiros otimistas". E conclui: "Não desejo nada de ruim ao Google ou ao Facebook. Só quero reformá-los, para que não destruam o mundo."

A sugestão deste educador, preocupado com seus discípulos e muito mais, é que você utilize o melhor dos meios. O conhecimento. Assista ao documentário, leia a reportagem e boa viagem numa bike engenhosamente criada a quatro mãos por Steve Jobs e Steven Spielberg. 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Membro da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 8/10/20. p.18.

quinta-feira, 5 de março de 2020

ENGENHARIA DOMÉSTICA


Liguei para um amigo engenheiro e perguntei o que estava fazendo. Ele respondeu:
- Estou fazendo um trabalho sobre o tratamento acquatérmico da cerâmica, vidro e metais, num ambiente de tensão.
Fiquei muito impressionado e pedi mais detalhes para melhor entender. Ele declarou:
- Estou lavando a louça com água quente, sob a supervisão da esposa.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

sábado, 7 de dezembro de 2019

ENGENHEIRO X ADVOGADO


Aquele presidente de multinacional foi mandado pro interior em visita à filial de grande fornecedor. Quando pegou a estrada percebeu que tinha esquecido o mapa e se perdeu. Parou num posto e perguntou ao cara que estava abastecendo o carro:
- Ei amigo, onde estamos?
E o rapaz respondeu:
- Latitude 25 e longitude 36.
O presidente ficou confuso e perguntou:
- Ei, você é engenheiro não é?
- Sim, eu sou como você sabe?
- Eu te pedi uma informação e você me deu, de forma técnica sem utilidade.
- Ah é, e você só pode ser advogado?
- Como você acertou?
- Você me pediu uma informação, e eu te dei da maneira mais precisa possível, você não soube usar e ainda colocou a culpa em mim.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.
 

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