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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A FÉ NO ATERRO

Por Emanuel Freitas da Silva (*)

Quando o prefeito Juraci Magalhães anunciou a intenção de construção do Aterro da Praia de Iracema, e depois realizou a primeira entrega da obra, muitas e muitas foram as críticas ao empreendimento, visto como o “terror das algas”. Já são quase 30 anos de presença daquele lugar no mapa da cidade. Como pensar na realização da festa de Réveillon sem o Aterro? Nossa economia passa, necessariamente, por lá.

Não só a economia, mas também a fé e sua presença pública. Nos últimos dois sábados o local foi espaço de demonstração da dimensão da fé cristã em sua “diversidade”. No dia 18/10, uma famosa marca que atua no ramo de cosméticos e autocuidado proporcionou a realização de uma celebração gospel, com grandes nomes da música gospel, levando mais de 750 mil pessoas às areias da praia, e outras 500 mil à transmissão do evento nas redes.

Do início da tarde ao começo da madrugada, evangélicos, em sua maioria jovens, se puseram em cânticos e orações, demonstrando a pujança do segmento na cidade. Imagens do evento foram compartilhadas por políticos evangélicos que atuam no Ceará para darem mostras do “poder do Evangelho”, por óbvio entendido, aí, como poder “deles”. É em nome dessa multidão, sugerem, que pautam sua atuação.

No dia 25/10, foi a vez de milhares de católicos darem demonstração de sua resiliência enquanto credo majoritário da cidade, sob a condução do arcebispo de Fortaleza (de presença midiática completamente distinta de seu antecessor) e da presença midiática do Padre Reginaldo Manzotti, que hoje ocupa posição já liderada por outros sacerdotes, como Marcelo Rossi.

Também nas areias do Aterro, católicos (em sua maioria mulheres) deram mostras da permanência de sua identidade religiosa, objetivada em imagens, terços, orações, caravanas, cânticos e, em especial, a presença do clero como legitimador do que se professa em eventos como aquele.

De tudo isso, podemos considerar a realização desses eventos, que põem a religião para fora dos templos, como estratégia de visibilidade ímpar em busca de legitimação (evangélicos) e/ou manutenção de hegemonia (católicos) em meio a sociedade cada vez mais pluralizadas em termos religiosos. Viva, ou graças a, Juraci!

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/10/25. Opinião. p.14.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

FÉ E IMORTALIDADE

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

No coração da fé católica, a morte não representa um fim definitivo, mas sim o início de uma nova vida, um convite a adentrar a eternidade junto a Deus. Este mês de novembro, mês de finados, somos chamados a lembrar nossos entes queridos que partiram e a refletir sobre o mistério da morte sob a luz da esperança cristã.

Para o católico, o luto é acompanhado da certeza de que "Deus enxugará toda lágrima dos olhos deles; a morte já não existirá" (Apocalipse 21, 4). Esta promessa nos impulsiona a olhar para além da dor da separação, confiando que a vida eterna nos espera. Jesus nos ensinou, ao ressuscitar Lázaro, que a morte é transitória para os que nele creem: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11, 25).

A palavra de Cristo nos encoraja a atravessar o luto com esperança, sabendo que aqueles que partiram estão nas mãos de um Deus misericordioso. Na tradição católica, o sentido da morte está intimamente ligado ao mistério pascal; assim como Cristo venceu a morte na cruz, seus fiéis também são chamados a essa ressurreição em Deus.

Assim, a morte não é o término, mas o princípio de uma vida em plenitude, na qual não haverá mais lágrimas, apenas a paz da presença divina. Neste tempo de recordação, cada oração e cada vela acesa nos cemitérios tornam-se sinais de que o amor vai além da barreira da morte. A fé católica nos assegura que, "na casa de meu Pai há muitas moradas" (João 14, 2), e que nossa existência terrena é apenas uma preparação para o encontro eterno com Ele.

Nossos entes queridos, ainda que ausentes fisicamente, permanecem vivos em nosso coração e em nossa fé, aguardando a plenitude dessa vida prometida por Cristo. Vivemos, então, na esperança de que um dia seremos reunidos com aqueles que amamos, celebrando juntos a vida plena que só Deus pode conceder. A dor da perda se dissolve na certeza da ressurreição, e a saudade se torna uma prece constante, um anseio profundo por aquilo que virá.

E ao lembrar nossos mortos, somos convidados a confiar, pois "quem acredita em mim não morrerá jamais" (João 11, 26). Neste tempo, entre orações e homenagens, abraçamos a certeza de que, na morte, somos chamados à luz da vida eterna, onde a paz e o amor de Deus finalmente se cumprem em plenitude.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 16/11/2024. Opinião. p.18.


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

FAZ NOITE, MAS EU CANTO!

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

O fantasma do coronavírus ainda ronda entre nós. O pior de toda esta crise é não saber até onde vai. Diante de tal indefinição, ficamos refém do medo e de imaginações negativas.

A falta de "esperança e confiança" constituem o mal "obscuro" dos tempos atuais. Encontramos opiniões de pessoas que se dividem no que se refere à esperança. Muitos, céticos quanto a tudo e a todos, outros que dão crédito e agarram-se com toda força aos conhecidos aforismas: 'Enquanto há vida, há esperança".

Precisamos de esperança para nos manter em caminho. O papa Francisco tem insistido, diante de um mundo "oprimido pela pandemia", o contágio da esperança.

Em toda mensagem cristã se respira uma atmosfera de esperança. Nos livros sagrados a esperança se caracteriza em esperar, perseverar e confiar. Assim, o cristianismo é muito mais religião de futuro do que de passado, onde sempre viu a fé e a esperança como elementos fundamentais para ler os sinais dos tempos. Forças positivas que nos fazem caminhar rumo a um horizonte, no qual, apenas a alegria de estar caminhando já é, de certa forma, transformadora da realidade. Não há, portanto, verdadeira percepção da mensagem cristã sem a esperança: ela como que se identifica com a pessoa caminhante. Porque sem ela não se chega ao amor ou ao bem.

Portanto, se somos pessoas de fé e amor, não podemos ser menos de esperança. Sem ela, ficaríamos imóveis, colados ao chão, inativos. A esperança é caminhada, mesmo quando as forças parecem faltar, são asas nos pés para atingir o bem possível, é canto que supera os soluços e as dores.

Neste tempo de Advento, é preciso acreditar e cantar a esperança do novo que há de vir, a chegada do Menino Jesus nos dará ânimo para recomeçar bem a jornada que virá.

Nesta hora difícil, com a mão na âncora da esperança, repitamos as palavras de Jesus: "Não tenhais medo!". O bem vai chegar! Ânimo! Faz noite, mas o coração cheio de esperança, canta!

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Diretor pastoral do Colégio Sto. Inácio.

Fonte: O Povo, de 5/12/2020. Opinião. p.20.

domingo, 30 de agosto de 2020

A ESPERANÇA, FRUTO DA FÉ

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

O isolamento social trouxe, para muitos, a oportunidade de uma autoavaliação de comportamentos, de valores e principalmente um reafirmar da fé. Conscientizamo-nos de nossas fragilidades e finitude e que nada somos sem Deus e precisamos da presença de Jesus, o Senhor das Santas Chagas.

A fé, a religião não são ópios, muito menos mecanismos de fuga, ao contrário, acredito que a fé é determinante para enfrentarmos e superarmos o que vem pela frente.

Não sabemos como será nossa realidade pós-pandemia, falasse num "novo normal", mas acredito que tem que ser a hora da mudança, de abandonarmos os velhos costumes, falo do comportamento individualista e consumista, refiro-me ao modo de pensar e de agir que atende apenas aos interesses do próprio indivíduo, sem se importar com as pessoas que estão em volta, o que fere gravemente os desígnios de Deus.

Tenho testemunhado que muitos já firmaram essa consciência, muitos se abriram ao próximo, muitos gestos de solidariedade e preocupação foram praticados e esse é o legado que deve permanecer.

Não somos anjos é verdade, ninguém vive de vento, todo mundo tem que comer, que se vestir, mas não precisamos fazer isso de maneira egoísta, acumulativa. A fé deve nos levar a viver de acordo com a Palavra de Deus, na solidariedade, na partilha, no amor.

Mesmo em tempos de incerteza, quando existe fé verdadeira, existe confiança e o sofrimento nos aproximam do Senhor, isso significa que não devemos concentrar nossa atenção somente nas dificuldades, e sim na presença de Jesus, que disse: "Neste mundo, vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo" (Jo 16, 33).

A esperança é fruto da fé, mas é também o seu sustento. A nossa esperança tem sentido em Jesus, pois Ele é nossa esperança. Ninguém pode esperar de Deus a vida eterna, se antes não colocar sua confiança nas promessas de Jesus Cristo.

Sempre depois de uma tempestade vem a bonança. Tudo vai passar, mas é preciso um esperar ativo no Espírito Santo, confiante em Deus, e na presença de Jesus. Se assim nos mantivermos colheremos os frutos de uma fé provada e vitoriosa. 

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 18/7/2020. Opinião. p.14.

terça-feira, 14 de julho de 2020

LIÇÕES DA QUARENTENA


Por Tales de Sá Cavalcante (*)
Em plena quarentena, observei, diante de minha casa, sete homens flanando, como diziam os escritores na Paris da Belle Époque. E lhes perguntei: "Vocês assim, sem máscaras, passeando livremente em meio ao isolamento social não têm medo do coronavírus?". Um deles, talvez o líder do grupo, respondeu: "Essa doença eu não pego, porque tenho fé em Deus".
O fato me fez lembrar o mestre de obras João Severo, encarregado-mor das construções do Farias Brito de antigamente. Indaguei-lhe: "As aulas do Colégio serão reiniciadas na próxima segunda. Em que dia será o fim da reforma?". Ele, na simplicidade do seu linguajar, me disse: "Se Deus quisé, no sabo, nós termina". Então, fiz a provocação: "E se Deus não quiser?". O mestre virou filósofo: "Aí né bom nós questioná não".
Depois desses dois episódios e de outros casos, preocupa-me o enfrentamento da pandemia, principalmente o ataque do vírus àqueles que se dizem, às vezes, pobres, infelizes ou, ainda, excluídos porque "Deus quis". Na realidade, mais correta é a fala do professor Luís Carlos Landim ao dizer: "Os planos de Deus se realizam quando você os torna seus".
Bill Gates, financiador de potenciais vacinas contra a Covid-19, impressionou-se ao saber que em muitos países algumas crianças têm como causa mortis a diarreia. Ao ler sobre o assunto em um artigo, sua mulher, Melinda Gates, afirmou: "Isso é inacreditável. Se meus filhos têm esse sintoma, eu vou à farmácia ou os levo ao médico, e a situação fica resolvida". O casal dedicou-se à resolução do problema e salvou muitas vidas.
Afinal, de quem é a culpa de tantas mortes injustas? É do Ser Supremo? É do presidente, do governador, do prefeito? Não. É de toda a sociedade, onde também estamos inseridos.
Aproveitemos, pois, este período de pandemia, com o aumento do índice de solidariedade mundial, para que as atitudes entre seres humanos sejam cada vez mais fraternas. Não precisa ser tão rico, quanto Bill Gates, ou diligente, como João Severo, para ser capaz de um gesto de doação. Até um abraço amigo, nos dias em que pudermos, é de grande valor, irrefutável lição da quarentena. 
(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 4/06/20. p.16.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

O QUE A PANDEMIA NOS ENSINA


Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)
A Páscoa foi diferente. Com silêncio povoado de nomes, dores de tantos próximos a nós. Todos atingidos pelo vírus que modificou agendas e ordem mundial.
Semeia morte e crise econômica que afeta e golpeia, especialmente os mais pobres. Há uma crise ética, que deixa descoberto o afã de líderes inescrupulosos que buscam o próprio interesse, à custa da vida e bem-estar de uma maioria.
O que aprendemos com tudo isso? Primeiro, a finitude da existência humana. Não somos deuses, nem autossuficientes. Apesar de estarmos no topo da pirâmide da evolução, não somos "todo-poderosos" e não temos todas as respostas. Somos fracos, frágeis e indefesos e precisamos aprender a lidar com nossas fraquezas.
A vulnerabilidade nos faz sentir unidos em uma realidade comum. Há um processo de mudança da mentalidade individualista para uma consciência coletiva. Pouco a pouco, se reconhece que vivemos em uma casa comum e que nossas ações têm impacto sobre os outros, onde "cuidar de mim implica cuidar dos outros". Precisamos uns dos outros para expressar afeições, cuidados e compartilhar medos.
A pandemia deu a oportunidade de exercitar a paciência para dialogar com nossos próprios limites, e assim sermos humildes e pacientes para com os outros. O que acreditávamos ser insubstituível, urgente, não era tanto. Paciência para respeitar o ritmo, o tempo de si e dos outros.
A pandemia questiona, desafia e fortalece a fé. A escala de valores e a fé mudou para muitos. Com os pés no chão e os olhos voltados para o alto vamos descobrindo as pegadas de Deus na fraqueza, na impotência, acreditando que, através da cruz de tantos filhos, Deus revela-se como proximidade e esperança.
Quando estamos atentos, percebemos os sinais da ação de Deus em cada detalhe: na atuação dos profissionais de saúde, que estão na linha de frente, nos curados que voltam para casa, nos bebês que nascem trazendo vida e esperança, nas ações de solidariedade que vemos por toda parte. Há bondade no ser humano, o amor é mais forte que a morte.
Aprendizados a não esquecer, quando o medo voltar a desmoronar nossos sonhos. 
(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia.
Fonte: O Povo, de 6/6/2020. Opinião. p.16.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

“EFATÁ”


 Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
 Efatá” palavra do aramaico, significa “Abra-se” em português. Segundo o Evangelho de Marcos (capítulo 7, versículo 34), foi uma palavra usada carinhosamente por Jesus para curar um homem com deficiência de audição e de voz. As pessoas presentes ficaram admiradas e diziam: “Tudo o que fez, Ele faz bem” Mc (7,37). A fé do homem foi fundamental para sua cura. Por outro lado, nestes dias difíceis porque passa a humanidade é importante ter fé. Acreditamos ser o filósofo e o poeta figuras bastantes parecidas, pois ambos buscam entender as inquietações da vida: o ser e o não ser, os desencontros e os encontros, a esperança e a desesperança, o certo e o errado, a gratidão e a ingratidão, o começo e o fim, etc. Precisamos abrir os nossos corações em busca da paz, assim como do bem e não do mal. O amor é fundamental e o ódio é cruel. Tentamos, com fé em Deus e mediante ler e escrever poesia, superar o que estamos sofrendo no momento. Dessa forma, escrevemos dois poemas prosaicos para análise e crítica do leitor. 1. “Ilusão”. Tudo Passará: a vida terrestre, a glória, a decepção, a paixão, o amor entre pessoas, o ódio e o orgulho, a vitória e a humildade, a derrota e a preocupação, o poder e a riqueza, a dor e a satisfação, a tristeza e a alegria, o desespero, a inveja e a calúnia; enfim, qualquer manifestação temporal. Tudo é ilusão. Só não passará a verdade divina, pois nos levará à vida eterna. 2. “Sonhar para Viver”. Sonhando talvez encontre: momentos de alegria, o tempo perdido, forças para superar a dor, verdadeiros amigos, a fé, desejo de amar, reconhecimento dos erros, distância da melancolia, a sinceridade, a esperança, corações que ouvem, o carinho da amada, a verdade, o perfume do bem, generosidade, valores vindo d'alma, as veredas, paz. Enfim, a razão de viver. O que devemos fazer, meu Deus, para que existam muitas flores nos jardins de nossos corações?
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 30/5/2020.

domingo, 31 de maio de 2020

MARIA: modelo de fé


Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Maria é nossa Mãe, que intercede por nós junto a Jesus. Como nas Bodas de Caná, Ela continua a ver nossas necessidades e levá-las ao Filho. Ao mesmo tempo, continua sempre a nos dizer: "Façam tudo o que meu Filho vos disser" (cf. Jo 2,5). Baseando-nos no exemplo de Maria, um dos carismas da Obra Evangelizar é Preciso é a Intercessão.
Ela é modelo de fé. Sobre isso, Santo Agostinho disse: "Mais bem-aventurada, pois, foi Maria em receber Cristo pela fé do que em conceber a carne de Cristo. A consanguineidade materna, de nada teria servido a Maria, se Ela não se tivesse sentido mais feliz em acolher Cristo no seu Coração, que no seu seio".
A Anunciação a Maria inaugura a "plenitude dos tempos" (Gl 4,4), ou seja, o cumprimento das promessas e dos preparativos para a chegada do Messias. O anjo a saúda: "Ave, cheia de graça" (Lc 1,28). Na fé, Maria acolheu o anúncio, questionou, mas não duvidou, acreditou que para Deus "nada é impossível" e deu seu consentimento: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". (Lc 1,26-38).
A cheia de graça, como disse o Arcanjo, buscou a luz. E não pensemos que Ela tinha clarividência. Ela não entendia os fatos que aconteciam na sua vida e na de Seu Filho, mas em nenhum momento reclamava ou se revoltava. Ao contrário, com paciência, "guardava tudo em Seu coração".
Maria foi a primeira anunciadora do Filho. Ao visitar sua prima Isabel, é portadora da alegria da boa-nova e da luz do Espírito Santo. Foi pela fé que Ela, ao dar à luz a Jesus entre os animais em um estábulo, acreditou que Ele era o Filho de Deus. E, quando o viu maltratado e crucificado, acreditou que Ele era o Salvador.
Maria continuou com sua missão junto aos apóstolos. Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a 'Mulher', nova Eva, 'mãe dos viventes', Mãe do 'Cristo total'. É nesta qualidade que Ela está presente com os Doze, 'com um só coração, assíduos à oração' (At 1,14), na aurora dos 'últimos tempos' que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja.
Termino citando São Francisco de Sales: "Não existe devoção a Deus sem amor à Santíssima Virgem".
Deus abençoe. 
 (*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 16/5/2020. Opinião. p.14.
 

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