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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O PÓ NÃO É O FIM

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Quando ao túmulo baixar,

E meu corpo ao pó retornar,

Corpo, dádiva de meus pais

Órfão de mim não vou ficar.

 

Tampouco virarei alma penada,

Pois ser humano é que nasci.

E outro ser não poderei ser,

Alma e corpo sempre serei.

 

Quando ao túmulo baixar,

Meu eu vai perdurar,

Sopro vital de meu corpo,

Não ficará a vagar.

 

É corpo vindo de Deus,

No seu poder eternal,

Não é retorno ao mundo,

Rasgar meu eu Deus não faz, é mau.

 

Memórias que levarei,

Sejam boas ou más,

Com o perdão que ganhei,

Em mim ficarão guardadas.

 

De meu nome lembrarei,

De amores e amigos também,

Porém, no meu acervo eterno,

Ficarão as que me fazem bem.

 

No meu afã de ver Jesus Cristo,

A Maria pedirei levar-me a Ele.

Depois, com familiares e amigos,

A todo povo de fé me unirei.

 

Banhados aos pés do Criador,

Cantos de júbilo, de adoração,

No sangue imaculado do Cordeiro,

Entoaremos juntos, eterno encanto.

 

E as criaturas todas

Prostrar-se-ão ao Senhor.

Túmulos ficarão vazios

De seres plenos de amor

 

Quando a primavera chegar,

E a ressurreição final brilhar,

Então, grandiosa alegria pulsará

Momento eterno sem fim selará.

 

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/08/26.


quinta-feira, 8 de outubro de 2026

FOI ONTEM

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Foi ontem que te vi.

Estavas alegre,

E sorrias, feliz.

 

Falavas de tuas pelejas,

E ria de tuas peraltices,

Na condução de tua vida.

 

Teus olhos tinham o brilho

De tuas vitórias e lutas,

Das perdas mágoas vazias.

 

Hoje, vejo teu corpo.

Sem teu álacre sorriso,

Em palidez exangue.

 

Olhos cerrados

A ver outros cenários,

Dantes invisíveis.

 

Coração transmudado

Noutra escala a pulsar,

Em perpétuo ritmar.

 

Tua mente livre

Voa no infinito,

Memórias de teus feitos.

 

Com teus amores,

Com teus princípios,

Com teus valores.

 

No tempo que tiveste,

Elegeste teu espaço,

Eis tua sempre morada.

 

A fé que cultivaste,

A acolhida que fizeste,

O perdão que dispensaste,

 

São teus assessores,

Teus sinceros guias,

Nessa travessia.

 

Tu sentes os ardores

Dessa infinita viagem.

Sorrisos ou lamentos

 

Teu nome ornarão.

Amigos e criaturas todas

Também te reconhecerão.

 

E Deus indicar-te-á

Teu lugar eterno,

Casa que tu construíste,

 

Com os dons que te deu

O Soberano Altíssimo,

E ao teu alvedrio Lhe restituíste.

 

Teus princípios vividos,

Baluartes de tua vida,

À eternidade dizem-te:

 

Bem-vindo!

Bem-vindo!

Bem-vindo in aeternum!

(Pierre Nadie)

 

Uma boa terça-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 3/08/26.


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

SORRISO DO ABRAÇO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

O abraço do peito

Desperta emoção,

Sentimento de acolhida,

Sem impor condição.

 

O sorriso da mente

Alegra o diálogo,

Emite sinais candente

De tolerância e paz.

 

O beijo do coração

Aquece boa amizade,

Para ser capaz

De ecoar ao mundo

 

Que a fé existe,

Nunca se omite,

Nem o afeto sincero

Do amor trovador.

 

O abraço sorri

Colhendo amores

Sabendo quais flores

Não sucumbem a dores.

 

E o cuidado aparece,

No imo sagrado do peito,

A Deus eleva uma prece,

Ajoelhado, sorri e agradece.

 

Uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 4/08/26.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

SACRA CRUZ

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Ó Sacrifício Sagrado,

Quão amoroso que sois

De incondicional brado

Misericordioso sois.

 

No patíbulo da cruz,

Vosso trono inaugurou

E para filhos amados

Resgate eterno ele doou.

 

Lavastes nossos pecados

Do céu portas nos abristes

Com teu sangue derramado

 

Alento pra nossa fé

Gratidão em nossos peitos

Ó Christe adoramus Te!

 

Uma agradável segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 20/07/26.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

A CAVERNA DO DRAGÃO

Por Pedro Salgueiro, cronista de O Povo

Na minha "Crônica da Gentilândia", do livro "Fortaleza Voadora", digo que: "…o velho dragão Alcides Pinto sobrevoando as copas das árvores, com suas asas negras — quando ele se cansa de resmungar sozinho em sua caverna e sai para assustar os últimos bêbados da Gentilândia".

À sua casa corriam as mais diversas faunas literárias; escritores de várias idades, ideologias e estéticas, principalmente os mais jovens, que ficavam embevecidos com as atitudes despojadas, estridentes e loquazes do velho poeta.

Sua residência mais famosa foi a da Rua Rodrigues Junior, casa grande, sempre muito frequentada; ainda hoje muitos contam histórias e causos nem sempre verídicos, muitas fantasias e traquinagens ficaram no anedotário boêmio-intelectual dessa nossa loirinha desmiolada pelo sol, tão pródiga em tipos populares e bodes YoYôs, literários ou não.

Já o conheci na Vila Cordeiro, na Av. Tristão Gonçalves, bem próximo à vila onde ainda hoje mora minha mãe. Habitava uma casinha conjugada, numa pobreza franciscana mas digna, com sua querida filha Jamaica. Também conheci seu filho Antonin Artaud, um rapaz magro como o pai, porém de temperamento calmo, com uma timidez oposta à tagarelice do seu progenitor; também avistei algumas vezes sua bela filha Alessandra, que morava com a mãe.

Convivi por um bom tempo com o poeta (era meados dos anos 1990), através dele e de suas muitas visitas fiquei sabendo dos subterrâneos de nossa literatura, tão pródiga em fofocas e vaidades. Ali tive um curso intensivo de como transitar, e sair sem arranhões (embora eu não tenha tirado boas notas em algumas matérias) da famigerada guerrilha literária e suas disputas por farelos e migalhas.

Um dia me pediu para que organizasse seus contos, que estavam dispersos em um livro, "Editor de Insônias" (1965), e uma miscelânea, "Reflexões, terror, sobrenatural" (1984), além de alguns inéditos datilografados em gastas folhar amarelecidas. Em 1997, o Dr. Martins Filho publica essa edição de seus contos completos, "Editor de Insônias e outros contos", pela Coleção Alagadiço Novo.

Depois soube que ele andou criticando umas palavras que inseri como "Nota do Organizador", ou sugerindo que eu estava querendo aparecer às suas custas. Nunca passei recibo nem tomei satisfação, apenas me afastei um pouco de seu convívio. Depois disso ele sempre repetia para mim ou para alguns amigos: "Se não fosse você, o livro não teria saído", no que eu sempre respondia: "Pois não é, poeta. Quem sabe se um dia a gente não tira uma 2ª edição, não é mesmo!?". No seu último livro tem um poema dedicado a mim (quem sabe ainda resquício de uma consciência pesada) e a Nilto Maciel, a quem levei, depois da volta definitiva deste ao Ceará, à sua casa e anunciei alto da porta:

"— Poeta, tô aqui com o maior contista do Ceará!", no que ele perguntou lá de dentro: "— Quem, poeta, o Airton Monte?", acabando de vestir as calças; caímos na gargalhada.

A última vez que o vi ele estava saindo da sua vilinha com a Jamaica, cumprimentei-o e ele me perguntou onde era o "Buraco da Gia", pois estava querendo arranjar uma empregada e lhe deram um endereço, falei que era na Princesa Isabel, vizinho à minha casa, e fomos caminhando devagar. Quando chegou perto do beco ele parou, receoso, e disse que só entraria lá se eu fosse com eles, depois puxou uma pequena faca de mesa, dessas de cortar bife, e disse que estava preparado (mas que era bom eu entrar com ele, disse assombrado). Olhei para Jamaica, que também estava rindo, e disse que não tivesse receio que ali só morava gente de bem, e me despedi alegando ainda ir pegar minha filhinha no colégio.

Não tive coragem de ir vê-lo em seu velório na Academia Cearense de Letras. Queria ficar com a lembrança dele vivo, alegre e brincalhão, sempre contando lorotas.

E, ainda hoje, quando alguém se refere a ele, vejo algum dos seus livros ou passo em frente à Vila cordeiro, parece que estou vendo aquele sujeito magro ("tão magro que parecia estar sempre de perfil", como bem disse, em seu "A Guerra do Fim do Mundo", Vargas Llosa), com sua gargalhada espalhafatosa mas sempre sincera, dizendo — e apontando pra si mesmo — para os muitos anjinhos (ou demoninhos, tanto faz) que lhe cercam em algazarra:

"— Agora quem manda aqui é esse poeta 'Viadão Pós-Moderno'!"

"Eu sou aquele que come as flores do aniversário."

(José Alcides Pinto, 10/09/1923 — 03/06/2008)

Fonte: O POVO, de 24/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Pedro Salgueiro. p.2.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

PEDRO, A ROCHA

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

No pátio de Caifás, Pedro negou Jesus,

Mas, reconheceu sua divindade,

Quando, categórico, com lucidez, afirmou:

Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo.

 

Esta profissão de fé

Não o fez o mais amado,

Porém, o mais fiel e confiável,

Mais que Tomé, Tiago e João.

 

A Pedro tornou rocha da Igreja,

Deu-lhe as chaves do Céu,

Ordenou-lhe confirmar os irmãos,

Na fé, que lhes tinha ensinado.

 

A Igreja é de Cristo,

Pedro, seu fiel servidor.

Os princípios da Igreja

Foi Jesus quem implantou.

 

Pedro recebeu o poder:

Ligar ou desligar na terra

Será sancionado no céu.

Uma advertência Jesus lhe deu,

 

Ninguém pode a(dul)lterar,

O que Deus escreveu.

Sua Palavra é eterna,

Sabedoria e salvação dos povos.

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." (Gal 1, 8-9)

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/06/26.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Médico e poeta lança livro no Ideal Clube

José Henrique Leal lança seu segundo livro unindo humanismo e inspiração lírica.

"À Luz da Memória", novo livro de José Henrique Leal, reúne poemas com temática que tem uma feição clássica, sem desprezar as percepções sentimentais e líricas provindas do coração e das muitas paisagens de sua terra Crateús. Foi lá onde viveu desde os três anos de idade vindo de Picos (PI) para desenvolver os primeiros estudos. O livro será lançado nesta quarta, 5, às 19 horas, no Ideal Clube.

Depois, Flávio Leitão de Carvalho, médico e escritor, membro da Academia Cearense de Letras, expressa que "Henrique, da sua adolescência até a sua adulticie, assumiu dois cadinhos fundidores de mentes iluminadas: os Seminário São José de Sobral e, em Fortaleza, o Seminário da Prainha". Certa noite, o poeta seminarista teve um sonho registrando seu adeus à possível vocação para o sacerdócio. E ingressou no Curso de Medicina da UFC.

"À luz da Memória" prova a dedicação poética de Henrique e trata de uma poesia mais conceitual que fantasiosa, daí a beleza de "A Chuva Benfazeja", "Uma Lacuna no Amar", "Entrega" e "Despertar para o Viver". Também, no novo livro, a ser apresentado esta noite pelo médico João Martins, é possível fazer um brinde com o poeta em sonetos revelando a configuração visível do conteúdo, que Henrique expõe com plena dominação de dois elementos: o significado (conceito) e o significante (forma linguística). É um livro que harmoniza o médico e pesquisador com a suavidade do poeta.

Lançamento "À luz da memória"

Quando: quarta, 5, às 19 horas

Onde: Salão do Ideal Clube (Avenida Monsenhor Tabosa, 1381 - Meireles) Entrada gratuita

Valor do livro: R$ 80,00

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/08/2026. Vida & Arte. p.3.


terça-feira, 7 de julho de 2026

ACENO DE AMIZADE

 Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

O tempo não traga amizade;

Amizade, que a gente tem,

Tem, no peito, uma certeza,

Certeza de lealdade gloriosa,

 

Gloriosa é uma amizade gostosa,

Gostosa como o néctar dos deuses;

Deuses lhanos, que povoam minh’alma,

Alma que jamais se quer brejeira.

 

Brejeira, pois, não adjetiva a confiança,

Confiança, pedra angular do afeto,

Afeto, que é bom, se o perdão corteja,

 

Corteja pra não quebrar o apreço,

Apreço, quando uma pedra quebra,

Quebra o vergueiro e aterroriza lastros da amizade.

 

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/06/26.

sábado, 4 de julho de 2026

TROVAS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

É triste a fé sem suporte,

Calote da falsidade,

Interpretações sem porte,

Falseando toda Verdade.

 

A tolerância da paz

Pergaminho fiel de amor,

Nem tudo lhe satisfaz,

Preza, e mantém seu ardor.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/05/26.


QUADRAS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Não sei, ninguém viu

A vida que da terra sumiu,

Creio que aos céus Jesus subiu,

E um lugar para nós erigiu.

 

Amigo que te beija

Os passos que dás,

Não anda ao teu lado,

Pode ser-te um antraz.

 

O misantropo é tão desanimado,

Ao hipocondríaco não faz inveja.

Este sempre se sente prostrado,

Nos dois felicidade não veleja.

 

Honra diz-se dignidade,

Calúnia, maldição da verdade,

Raiz do caráter, sinceridade,

Paz, intolerância a toda maldade.

 

O Espírito sopra onde quer.

Ao homem de boa vontade,

Apressa-se em soerguer,

Dando-lhe dons de bondade.

 

Uma boa quinta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/05/26.

terça-feira, 3 de março de 2026

Lançamento do livro “Árias e Areias” de Pedro Bezerra de Araújo

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Árias e Areias são 314 páginas, que fazem dançar ritmos que moldam relacionamentos, ao som de árias que cantam o amor, a amizade e acontecimentos do dia-a-dia, bem como as areias que tanto podem construir como podem esvair-se ao balanço das ondas do mar ou ao sopro dos ventos tempestuosos. São versos livres, ao sabor da sensibilidade de ver, sorrir, abraçar e amar e motivar o pensar.

"Com o raiar do dia, / O sol põe-me a cogitar: / O amor de onde vem? / E a amizade vem de onde?/ Das areias do mar / Ou das árias de Mozart?"


segunda-feira, 8 de setembro de 2025

CONVITE: Evento Cultural “A Poesia de Lúcio Alcântara”

O presidente da Academia Cearense de Letras (ACL), Dr. Tales de Sá Cavalcante, e o presidente do Ideal Clube, Dr. Fernando Esteves, convidam para o evento cultural com o Acad. Carlos Augusto Viana sobre a Poesia de Lúcio Alcântara.

Local: Ideal Clube (Salão Humbero Cavalcante) – Av. Monsenhor Tabosa, 1.381, Meireles - Fortaleza

Data: Dia 10 de setembro de 2025 (quarta-feira). Horário: 18h30min.

Traje: Esporte fino.


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Atriz Fernanda Quinderé celebra posse na Academia Cearense de Letras

Por Lêda Maria Souto Paulino (*)

Em entrevista poética, Fernanda Quinderé, nova imortal da Academia Cearense de Letras, reflete sobre trajetória e carreira

Fernanda Quinderé lembra muito estes ventos de setembro. Sopram fortes durante o dia e suspiram segredos pela madrugada. Tem momentos que nos deixam respirar forte, recusando passadas lentas e facilitando a liberdade dos cabelos voando em desalinho. São ingratos ao passar pelos jardins e pelos espaços verdes do Parque do Cocó, onde eles não deixam serenos o desabrochar da rosa e aguçam o grito das folhagens, recolhendo-se e temendo serem colhidas em sua velocidade.

Mas, mesmo temidos, em suas características de mando pela natureza, são os ventos de setembro. Eles vão e voltam fundindo-se em ruídos infantis, robustos, incontidos, destemidos, provocando uma alegria grave entre as crianças brincando de soltar pipas ou dançar na liberdade de seus acenos. São azuis os ventos de setembro. E azul é também Fernanda, igualmente mantendo seus sopros fortes de criatividade, liberdade e querer bem.

Mantendo sua velocidade que não para, nem diminui no tempo, pelo tempo vivido. Fernanda, que escuta e mergulha em fontes de água límpida, contemplando o arco-íris, a beleza de cada amigo e o desabrochar de beleza colhido em cada filho.

Fernanda chega agora entre as estrelas. Assume mais uma academia, que é a de Letras, celebrando o certo dos seus desejos e assistindo a um sonho pertencer ao verbo realizar, habituando-se ao possível, ao caminhar pelas manhãs em lírios e corredores de orvalho. Mas, Fernanda é feita de lutas, daí poder alcançar a noite, as madrugadas, os espinhos, iluminada pelas estrelas, convidando-a para suas fileiras, ela, a Fernanda altiva, corajosa, ardente, espontânea. Fernanda, mãe, atriz, escritora, amiga dos amigos, amada e amante das ventanias e/ou do silêncio da madrugada.

Fernanda, nova imortal, chegando faceira e alegre, com uma bagagem de escritos valorizando a vida e os títulos, para sua nova missão na Academia Cearense de Letras, fundada há 130 anos, sendo a primeira do País.

O POVO - Quem é você?

Murmúrios

Olho-me no espelho

Vejo-me outra

Enigmas de um tempo meu.

Ouço murmúrio da minha alma

Finjo que não escuto.

Ouço de uma cachoeira

Nascida da pedra de onde eu vim.

Firme, livre como o sol

Despida como a natureza

Que fala a língua dos Deuses

Simbólica no tempo do amor

Em que fui e sempre serei

À mercê dos sonhos.

OP - Existem muitas paixões?

Paixão inconfessa

Abro o decote da minha alma.

Mostro meu coração sangrando.

Minha boca oca de paixão

Oncita o gesto suicida.

Minhas mãos

Invadem o seio

Rasgam

O que resta em mim

Desta paixão. Inconfessa.

OP - Quais as suas tristezas?

Dores do tempo

Vivo as dores do tempo

E o soluço compulsivo das estrelas.

Sinto tristeza do mundo

E bebo as astúcias da noite.

À tarde,

As manhãs me angustiam.

O sol

Das noites escuras queima meus olhos azuis.

E a grande flor do meu corpo

Pulsa ausência de amor.

Não há saudade

Apenas desassossego

À espera do que virá

Na solidão dos meus dias

Que se vão. Que se vão...

OP - É possível batizar um prazer?

Um dia azul

Quando acende-me o desejo.

Tal o teu desejo

De ter-me em ti

Meu corpo transpira. Sal.

Bebemos então o mel

Ao sentirmos relâmpagos

Tantos quantos tivemos. Juntos

Naquele dia azul

Quando batizei o prazer

De ter-te em mim

Sem maldizer

O pecado da traição.

OP - Dizem que você já planejou "sua partida"?

Em tempo

Se eu morrer amanhã

Amarrem meus pés

Nas raízes do tempo

Deixem meus cabelos soltos

Aos ventos de agosto à contra-gosto

Da liberdade que nunca tive.

Fechem meus olhos

Sob as ordens da eternidade

Para que eu enxergue

A imensurabilidade

Da solidão que sempre tive.

Libertem minhas narinas

Das flores, odores das velas. Das coroas, dos louros

Que só agora tive

E quando eu gemer de saudades

Enxuguem lágrimas

Nas estrelas

Do meu universo

Para que se tornem poças de luz

No azul da minha poesia morta.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/09/24. Vida & Arte. Coluna da Lêda Maria, p.5.


 

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