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terça-feira, 17 de setembro de 2024

RESIDÊNCIA MÉDICA NA SANTA CASA

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Um hospital integrado deve não apenas atender às demandas dos pacientes, mas formar novos profissionais com a qualidade necessária, para que as profissões da área da Saúde continuem se expandindo, em termos de conhecimento e de boas práticas.

Assim, no ano 2000, a Santa Casa de Fortaleza resolveu iniciar-se nessa seara, criando sua Residência Médica que, nesses 24 anos já entregou à população cearense 240 médicos especialistas em áreas como Cirurgia Geral, Urologia, Clínica Médica, Proctologia e Cabeça e Pescoço, em Programas com dois ou três anos de duração. Em 2014, a Santa Casa foi reconhecida como hospital de ensino por portaria dos Ministérios da Saúde e da Educação.

Os hospitais de ensino são peças-chave para o funcionamento do Sistema Único de Saúde - SUS, por integrarem o ensino, a pesquisa, a inovação e a própria assistência à saúde de alta complexidade, agindo como verdadeiros laboratórios de formação diferenciada.

Esta integração permite que os conhecimentos gerados sejam mais rapidamente incorporados à prática clínica, beneficiando de forma direta os pacientes. Para isso, espera-se também o fortalecimento das políticas públicas voltadas para o fortalecimento dos hospitais de ensino, garantindo sua sustentabilidade e o seu papel estratégico no SUS.

É o caso da Santa Casa, que veio somar inquestionável qualidade à formação de especialistas, por deter em seus quadros profissionais reconhecidos como expoentes em suas áreas de atuação e, para além disso, ser uma instituição que prima sempre pelo atendimento humanizado.

Contando atualmente com 33 Médicos Residentes, a Santa Casa já projeta para o futuro, a ampliação desses números, inclusive para novas especialidades e profissões, graças às condições de leitos, espaços e profissionais, além do seu lema de salvar vidas, como vem fazendo desde 1861.

Outro ponto a reforçar esse projeto é a atual situação da saúde pública, com uma visível demanda reprimida de pacientes que necessitam de cuidados diagnósticos e terapêuticos em diversas especialidades, sobretudo os mais vulneráveis, que são o foco principal da Santa Casa.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/08/24. Opinião. p.22.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

FORMAÇÃO DE BONS MÉDICOS ESPECIALISTAS


Lúcio Flávio Gonzaga Silva (*)
O primeiro programa de Residência Médica no Ceará iniciou-se em 1961, no Hospital das Clínicas da UFC
Apesar dos registros históricos antigos (no Egito, havia especialistas em catarata e em doenças respiratórias), o livro de George Weisz que estuda o desenvolvimento da especialização médica na Europa e Estados Unidos afirma ser a especialidade médica um fenômeno dos séculos XIX e XX. Ela surgiu nas grandes cidades como um imperativo social. Paris foi a primeira a desenvolvê-la em larga escala, na década de 1830.
Há duas maneiras de formar médicos especialistas no Brasil: por meio da realização de uma residência médica ou por via da aprovação de provas de título de especialista promovidas pelas sociedades de especialidades médicas, vinculadas à Associação Médica Brasileira.
A Residência Médica (RM) é o padrão ouro. Ela segue o modelo idealizado no Hospital John Hopkins, Baltimore, nos anos de 1880, por Halsted, Osler, Kelly e Welch (ovacionados no quadro de Sargent: os quatro doutores), todos na faixa dos 30 anos, que formaram os fundamentos das residências médicas atuais.
Lembro do tripé do ideal Osleriano (William Osler, que dizia aos residentes: “escute o paciente, ele está dando o diagnóstico a você”): 1) É prioridade do hospital de ensino a formação médica; 2) Os especialistas e residentes pensam juntos o cuidado ao paciente; 3) A forte dimensão moral.
No Brasil, os primeiros programas de Residência Médica foram criados no Hospital das Clínicas de São Paulo, em 1944, e no Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro em 1948. O primeiro programa no Ceará iniciou-se em 1961, no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Ceará, craniado pelo professor Haroldo Juaçaba.
A RM é uma modalidade de ensino com objetivo profissionalizante, caracterizada pelo aprendizado em serviço, ou seja, o futuro médico aprende a agir como médico sob a supervisão de profissionais experimentados. Algumas especialidades requerem cinco anos de duração.
Este modelo ideal de formação do médico especialista no Brasil esteve ameaçado recentemente. No entanto, um esforço conjunto das entidades médicas brasileiras, tendo à frente o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira, brindou à nossa sociedade e, sobretudo, ao paciente brasileiro, definitivamente, agora na forma de Lei (DL 8516/2015), a garantia da excelência técnica e moral do médico especialista brasileiro.
Devemos erguer as mãos para comemorar esta grande conquista da sociedade brasileira.
 (*) Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e conselheiro do Conselho Federal de Medicina
Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/09/2015. Opinião. p.11.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

CONCLUSÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ICC-2013



O Instituto do Câncer do Ceará, por meio da sua Escola Cearense de Oncologia (ECO), realizou, na manhã de hoje (1º/2/2013), a solenidade de conclusão de nove médicos que cumpriram Residência Médica, nos programas da instituição credenciados pela CNRM.
Por designação da direção da entidade, coube-me fazer o discurso alusivo a essa efeméride.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor da Seleção da ECO-ICC

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Residência Médica do ICC-2013: resultados pós-PROVAB

O Instituto do Câncer do Ceará, por meio da sua Escola Cearense de Oncologia, divulgará amanhã (21/12/12), em sua home page os resultados finais das provas de conhecimentos e da análise curricular aos inscritos para cumprir Residência Médica, a partir de 2013, nos programas da instituição credenciados pela CNRM, em que se apresentaram candidatos aprovados no PROVAB (Oftalmologia, Patologia e Radioterapia e Diagnóstico por Imagem).
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Coordenador da Seleção da RM do ICC

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Resultados da Seleção da Residência Médica do ICC-2013

O Instituto do Câncer do Ceará, por meio da sua Escola Cearense de Oncologia, divulgará amanhã (18/12/12), em sua home page os resultados das provas de conhecimentos e da análise curricular aos inscritos para cumprir Residência Médica, a partir de 2013, nos programas da instituição credenciados pela CNRM, em que não se apresentaram candidatos que realizaram PROVAB (Cancerologia Clínica, Cancerologia Cirúrgica, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Mastologia e Radioterapia).
Dependendo da liberação dos nomes dos aprovados no PROVAB, projeta-se a divulgação dos resultados finais dos outros programas (Oftalmologia, Patologia e Radiologia e Diagnóstico por Imagem), até o dia 21 corrente.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Coordenador da Seleção da RM do ICC

sábado, 1 de dezembro de 2012

SELEÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ICC-2013


O Instituto do Câncer do Ceará, por meio da sua Escola Cearense de Oncologia, aplicou hoje (1º/12/12), as provas de conhecimentos e a análise curricular aos inscritos para cumprir Residência Médica, a partir de 2013, nos programas da instituição credenciados pela CNRM.
Como acontece desde 2000, o processo seletivo está sendo conduzido sob a nossa direta coordenação. Dependendo da tramitação de eventuais recursos, projeta-se a divulgação dos resultados finais até dia 20 corrente, na dependência do PROVAB.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Coordenador da Seleção da RM do ICC

sábado, 19 de novembro de 2011

SELEÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ICC-2012


O Instituto do Câncer do Ceará, por meio da sua Escola Cearense de Oncologia, aplicou hoje (18/11/11), as provas de conhecimentos e a análise curricular aos inscritos para cumprir Residência Médica, a partir de 2012, nos programas da instituição credenciados pela CNRM.
Como acontece desde 2000, o processo seletivo está sendo conduzido sob a nossa direta coordenação. Dependendo da tramitação de eventuais recursos, projeta-se a divulgação dos resultados finais até dia 26 corrente.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Coordenador da Seleção da RM do ICC

sábado, 6 de novembro de 2010

SELEÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ICC

O Instituto do Câncer do Ceará, por meio da sua Escola Cearense de Oncologia, aplicou hoje as provas de conhecimentos e a análise curricular aos inscritos para cumprir Residência Médica, a partir de 2011, nos programas da instituição credenciados pela CNRM. Como acontece desde 2000, o processo seletivo está sendo conduzido sob a nossa direta coordenação. Dependendo da tramitação de eventuais recursos, projeta-se a divulgação dos resultados finais até dia 12 corrente.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A ORGANIZAÇÃO DA SELEÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO SUS NO CEARÁ

A Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), desde a sua criação, em 1993, tem assumido a coordenação do Processo Seletivo da Residência Médica (RM) para os hospitais estaduais de referência do Sistema Único de Saúde do Ceará, englobando os pertencentes à extinta Fundação de Saúde do Estado do Ceará (FUSEC), representados pelos Hospital Geral César Cals, Hospital São José e Hospital de Saúde Mental de Messejana, além daqueles integrantes do antigo INAMPS, que foram estadualizados, no caso o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital de Messejana.
Ao acolher esse encargo, a seleção já estava unificada, sob a égide da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (SESA), que o realizava por meio do trabalho voluntário e dedicado de alguns coordenadores e preceptores de variados programas, cabendo à ESP-CE introduzir mudanças graduais, sobretudo operacionais, para tornar os procedimentos mais profissionais e regulamentados.
Um ponto de partida foi o reconhecimento da necessidade de expandir a concorrência, para atrair também melhores candidatos, e, também, gerar maiores receitas, com o fito de remunerar as tarefas realizadas, minimizando a colaboração gratuita, ao tempo que se buscava obter o aprimoramento qualitativo dos instrumentos de avaliação dos postulantes.
A aplicação das provas escritas e de títulos ocorria em duas fases, distanciadas em quase duas semanas, o que levava à liberação dos resultados finais ao cabo de quase um mês, gerando fortes e demoradas expectativas entre os inscritos. A correção manual dos gabaritos foi substituída pela leitura ótica dos mesmos, evitando as naturais falhas e imperfeições humanas do procedimento artesanal, e conferindo grande agilidade na correção e no fechamento dos resultados.
As duas fases foram reunidas em um único fim-de-semana, permitindo-se participar da segunda fase, independente do resultado da prova escrita, com as provas de múltipla escolha aplicadas na manhã do sábado e as entrevistas com análise curricular, iniciadas na parte da tarde e se prolongando em todo o domingo; nos últimos anos, com a inclusão de mais examinadores, devidamente treinados, que passaram a contar com pessoal de apoio, e a definição de aprazamento dos horários das análises, foi possível restringir a feitura do certame em apenas um dia.
Os pontos de corte para a aprovação da primeira fase, anteriormente fixados na média menos um desvio padrão de cada programa, geravam sérias distorções por suas brutais diferenças entre os programas, de modo que, às vezes, um candidato eliminado de um programa de alta competição tinha rendimento que o alçava entre os primeiros de programas menos qualificados em competição, e ainda por razões estatísticas da variabilidade produzida em pequenos números, no caso de poucos candidatos em certos programas. Para corrigir tal dissonância, o diapasão adotado foi estabelecer um único “cutoff” para os candidatos dos programas de acesso direto, definido na média menos um desvio padrão dos resultados da prova básica, comum a todos os concorrentes, e, linearmente, considerar o perfil de 50% de acertos das questões válidas como ponto de corte aos candidatos inscritos nas áreas especializadas.
Para aprimorar a qualidade das provas escritas, foram ministrados dois cursos teóricos e práticos sobre a formulação de questões de múltipla escolha aos preceptores encarregados dessa funções, os quais, anualmente, quando convidados a integrar às bancas de provas, recebem um pacote contendo instruções sobre a técnica de elaboração de quesitos, a digitação e formatação e modelos de questões, com referências bibliográficas. A quantidade de questões solicitadas aos formuladores passou a ser quase o dobro do necessário às provas, cabendo a seleção das questões e a montagem de cada prova ao trabalho coletivo, envolvendo elaboradores e coordenação do certame, sob o estreito acompanhamento de técnico experimentado em avaliação educacional, atentando-se para aspectos relativos a conteúdo, consistência, grau de dificuldade, poder discriminatório etc. A montagem final das provas, após a reavaliação técnica, passou a ser submetida à cuidadosa revisão ortográfica.
Os procedimentos comuns de análise curricular aplicados a todos os candidatos foram revistos e desmembrados em dois modelos de Curriculum Vitae (CV) padronizado: o A, que deve ser preenchido pelos candidatos às áreas básicas e especialidades de acesso direto (que não exigem pré-requisito) e o B, ajustado aos candidatos às especialidades que exigem pré-requisito; preservou-se, outrossim, a prática de somente revelar os comprovantes dos títulos por ocasião da análise curricular, evitando-se o acúmulo de análise de documentos na ESP-CE. Esses modelos substituíram os apresentados em diferentes formatos, de modo espontâneo e livre, pelos postulantes, cujo manuseio tomava muito tempo do examinador.
A nota atribuída ao histórico escolar da graduação, como parte da prova de títulos, e que considerava todas as notas e/ou conceitos das disciplinas, demandando a, aproximadamente, meia hora de cada avaliador, foi inicialmente restrita à aferição do desempenho de dez matérias e, posteriormente, a apenas cinco disciplinas: Patologia, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria e Gineco-Obstetrícia. Por três anos, a Coordenação da seleção introduziu, em caráter opcional, o direito do candidato de pleitear essa avaliação baseada no resultado individual do Exame Nacional de Cursos (o Provão do MEC); essa exitosa medida, que tinha a vantagem de harmonizar, em um só instrumento, a dificuldade de lidar com grades curriculares extremamente díspares e conferia uma economia de tempo de análise, foi abortada pela intempestiva decisão do governo federal de extinguir o Provão, equivocadamente substituído pelo ENADE, cujas periodicidade e não individualização de resultados tolheram a continuidade do aproveitamento na pontuação curricular.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Ex-Coordenador da Seleção da RM do SUS-CE

* Publicado in: Jornal do médico, 5(29): 6, 2009. (Informativo Independente do Ceará).

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A ORGANIZAÇÃO DA SELEÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO SUS NO CEARÁ

A Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), desde a sua criação, em 1993, tem assumido a coordenação do Processo Seletivo da Residência Médica (RM) para os hospitais estaduais de referência do Sistema Único de Saúde do Ceará, englobando os pertencentes à extinta Fundação de Saúde do Estado do Ceará (FUSEC), representados pelos Hospital Geral César Cals, Hospital São José e Hospital de Saúde Mental de Messejana, além daqueles integrantes do antigo INAMPS, que foram estadualizados, no caso o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital de Messejana.
Ao acolher esse encargo, a seleção já estava unificada, sob a égide da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (SESA), que o realizava por meio do trabalho voluntário e dedicado de alguns coordenadores e preceptores de variados programas, cabendo à ESP-CE introduzir mudanças graduais, sobretudo operacionais, para tornar os procedimentos mais profissionais e regulamentados.
Um ponto de partida foi o reconhecimento da necessidade de expandir a concorrência, para atrair também melhores candidatos, e, também, gerar maiores receitas, com o fito de remunerar as tarefas realizadas, minimizando a colaboração gratuita, ao tempo que se buscava obter o aprimoramento qualitativo dos instrumentos de avaliação dos postulantes.
A aplicação das provas escritas e de títulos ocorria em duas fases, distanciadas em quase duas semanas, o que levava à liberação dos resultados finais ao cabo de quase um mês, gerando fortes e demoradas expectativas entre os inscritos. A correção manual dos gabaritos foi substituída pela leitura ótica dos mesmos, evitando as naturais falhas e imperfeições humanas do procedimento artesanal, e conferindo grande agilidade na correção e no fechamento dos resultados.
As duas fases foram reunidas em um único fim-de-semana, permitindo-se participar da segunda fase, independente do resultado da prova escrita, com as provas de múltipla escolha aplicadas na manhã do sábado e as entrevistas com análise curricular, iniciadas na parte da tarde e se prolongando em todo o domingo; nos últimos anos, com a inclusão de mais examinadores, devidamente treinados, que passaram a contar com pessoal de apoio, e a definição de aprazamento dos horários das análises, foi possível restringir a feitura do certame em apenas um dia.
Os pontos de corte para a aprovação da primeira fase, anteriormente fixados na média menos um desvio padrão de cada programa, geravam sérias distorções por suas brutais diferenças entre os programas, de modo que, às vezes, um candidato eliminado de um programa de alta competição tinha rendimento que o alçava entre os primeiros de programas menos qualificados em competição, e ainda por razões estatísticas da variabilidade produzida em pequenos números, no caso de poucos candidatos em certos programas. Para corrigir tal dissonância, o diapasão adotado foi estabelecer um único “cutoff” para os candidatos dos programas de acesso direto, definido na média menos um desvio padrão dos resultados da prova básica, comum a todos os concorrentes, e, linearmente, considerar o perfil de 50% de acertos das questões válidas como ponto de corte aos candidatos inscritos nas áreas especializadas.
Para aprimorar a qualidade das provas escritas, foram ministrados dois cursos teóricos e práticos sobre a formulação de questões de múltipla escolha aos preceptores encarregados dessa funções, os quais, anualmente, quando convidados a integrar às bancas de provas, recebem um pacote contendo instruções sobre a técnica de elaboração de quesitos, a digitação e formatação e modelos de questões, com referências bibliográficas. A quantidade de questões solicitadas aos formuladores passou a ser quase o dobro do necessário às provas, cabendo a seleção das questões e a montagem de cada prova ao trabalho coletivo, envolvendo elaboradores e coordenação do certame, sob o estreito acompanhamento de técnico experimentado em avaliação educacional, atentando-se para aspectos relativos a conteúdo, consistência, grau de dificuldade, poder discriminatório etc. A montagem final das provas, após a reavaliação técnica, passou a ser submetida à cuidadosa revisão ortográfica.
Os procedimentos comuns de análise curricular aplicados a todos os candidatos foram revistos e desmembrados em dois modelos de Curriculum Vitae (CV) padronizado: o A, que deve ser preenchido pelos candidatos às áreas básicas e especialidades de acesso direto (que não exigem pré-requisito) e o B, ajustado aos candidatos às especialidades que exigem pré-requisito; preservou-se, outrossim, a prática de somente revelar os comprovantes dos títulos por ocasião da análise curricular, evitando-se o acúmulo de análise de documentos na ESP-CE. Esses modelos substituíram os apresentados em diferentes formatos, de modo espontâneo e livre, pelos postulantes, cujo manuseio tomava muito tempo do examinador.
A nota atribuída ao histórico escolar da graduação, como parte da prova de títulos, e que considerava todas as notas e/ou conceitos das disciplinas, demandando a, aproximadamente, meia hora de cada avaliador, foi inicialmente restrita à aferição do desempenho de dez matérias e, posteriormente, a apenas cinco disciplinas: Patologia, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria e Gineco-Obstetrícia. Por três anos, a Coordenação da seleção introduziu, em caráter opcional, o direito do candidato de pleitear essa avaliação baseada no resultado individual do Exame Nacional de Cursos (o Provão do MEC); essa exitosa medida, que tinha a vantagem de harmonizar, em um só instrumento, a dificuldade de lidar com grades curriculares extremamente díspares e conferia uma economia de tempo de análise, foi abortada pela intempestiva decisão do governo federal de extinguir o Provão, equivocadamente substituído pelo ENADE, cujas periodicidade e não individualização de resultados tolheram a continuidade do aproveitamento na pontuação curricular.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Ex-Coordenador da Seleção da RM do SUS-CE

* Publicado in: Jornal do médico, 5(29): 6, 2009. (Informativo Independente do Ceará).

domingo, 12 de abril de 2009

PRECISAMOS DE BONS MÉDICOS ESPECIALISTAS

Durante a graduação, muitos acadêmicos de Medicina são reconhecidos por exibirem currículos com grande número de títulos inseridos, cobrindo diferentes seções: iniciação científica, monitorias, apresentação de trabalhos, estágios etc.
São variados os motivos que os levam a incorporar títulos ao curriculum vitae, como: o diferencial produzido no renhido vestibular de acesso aos cursos médicos, a maior duração média do curso de Medicina, a clientela preferencial de discentes profissionais, o espírito competitivo do alunado, e, principalmente, a busca da educação continuada, por meio do ingresso na Residência Médica.
Uma pequena parcela dos que não seguiram a Residência Médica, seja por entrave na admissão, ante a insuficiência de vagas para a demanda respectiva, ou por deliberação própria, de pronta inserção no mercado de trabalho, entra em um certo grau de estagnação curricular, acomodando-se à rotina profissional. A maior proporção deles, todavia, a despeito de tolhidos na pretensão de se tornar especialistas, assegura sobejos esforços para se manterem atualizados no estado da arte, mediante a participação em cursos e em eventos científicos, e por intermédio da leitura de obras especializadas.
Aos que cumpriram a Residência Médica, outros degraus são apresentados e transpostos, com vistas à obtenção do título de especialista e do reconhecimento técnico entre os seus pares, integrando o quadro de afiliados das sociedades médicas, para que pratiquem e possam anunciar as suas especialidades à clientela.
O valorizado título de especialista, conquistado mediante concurso de provas e de títulos patrocinado pelas sociedades médicas especializadas de abrangência nacional, presentemente, segundo a norma instituída pela Associação Médica Brasileira, perdeu o seu caráter vitalício. A periodicidade de sua validade agrega a vantagem de fazer com que os médicos prossigam o seu aperfeiçoamento, acumulando pontos em atividades científicas e laborais, acreditadas e certificadas por instituições idôneas, para renovarem o seu título de especialista.
A maior complexidade das doenças, de acordo com perfil epidemiológico que retrata a saúde do brasileiro, impõe, cada vez mais, a necessidade de se dispor de especialistas, bem formados e atualizados, para prover Saúde a todos, com qualidade e equidade, em consonância com os ditames do Sistema Único de Saúde.
Afinal, o cidadão tem o direito de ser bem atendido e de contar com os préstimos de um médico, técnica e legalmente competente, e, sobretudo, sensível aos reclamos de seus pacientes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina
* Publicado in: O Povo. Fortaleza, 12 de abril de 2009. Fato Médico/Reflexões. p.8.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

FORMAÇÃO DE MÉDICOS ESPECIALISTAS PARA O CEARÁ

No início de 2009, o Sr. Secretário de Saúde do Estado do Ceará, João Ananias de Vasconcelos, formulou convite às entidades médicas, tanto profissionais como acadêmicas, para que indicassem representantes, com vistas a compor uma comissão incumbida de estudar as prioridades de formação de especialistas em nosso estado, ao ponto de fazer frente às prementes necessidades de interiorização de determinadas especialidades médicas.
Embora a adesão tenha sido aquém da esperada, face à omissão de algumas instituições médicas convidadas, a dita Comissão, integrada por Ivan de Araújo Moura Fé (CREMEC), Dalgimar Beserra de Menezes (UFC), Mary Neide Romero (Sociedade Cearense de Anestesiologia), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (UECE), Haroldo Pontes (ESP-CE) e Maria de Fátima Elias (SESA), sob a coordenação do Secretário Adjunto da Secretaria de Saúde do Estado, Marcelo Sobreira, vem se reunindo, com regularidade, desde os idos de janeiro próximo passado.
O ponto de partida dos trabalhos foi o tácito reconhecimento de que a situação de saúde, no “hinterland” cearense, modifica-se, a passos largos, configurando um quadro de transição epidemiológica que evidencia o declínio das doenças infecciosas e a marcha ascendente das doenças crônicas, condição essa que impõe a oferta de serviços especializados e direcionados para as novas necessidades.
Como estratégia, diante da nova situação, a Secretaria de Saúde do Estado (SESA) incluiu em seu plano de ação a construção de dois hospitais de grande porte, sendo um na macrorregional do Cariri, em Juazeiro do Norte, e outro na macrorregional da Zona Norte, sediada em Sobral, além da criação de uma ampla rede de Policlínicas, com dois graus de complexidade, para implantação, a curto e médio prazos, em vinte microrregiões de saúde espalhadas no interior do Ceará.
O governo estadual encampou a proposição como prioridade e aprovou o seu financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), chancelando, assim, a relevância das medidas, que já se expressam, concretamente, na aquisição dos terrenos, na feitura dos projetos arquitetônicos e na recente abertura das licitações para erguer os hospitais. Em relação às Policlínicas, a SESA almeja inaugurar seis delas no correr deste ano, e as demais, no vindouro ano de 2010.
Para pôr em operação todo esse aparato, que prevê a disponibilidade da moderna tecnologia médica para diagnóstico e tratamento, é crucial contar com médicos qualificados, dotados de habilitação técnica (Residência Médica, título de Especialista etc.) e reconhecidos por seus pares (Sociedades Médicas e Conselho Profissional), a fim de garantir a adequada prestação de serviços médicos aos cidadãos, com acessibilidade e resolutividade.
A Comissão tem se debruçado na avaliação do potencial de recursos médicos a ser alocado, considerando as quantidades de especialistas em atuação e as cifras futuras, para propor mecanismos de indução à formação e/ou de captação dos já qualificados. Para isso, levando em conta as especificidades e as características do mercado, tem agendado reuniões, por grupos de especialidades (Clínicas e Cirúrgicas), para traçar as estratégias mais apropriadas que permitam formar especialistas em maior número, inserindo-os no interior do Ceará, e complementando, desse modo, a bem sucedida Estratégia Saúde da Família, ora em franca expansão.
Em tempo: a SESA pretende dar maior agilidade gerencial a esses novos hospitais e policlínicas, cujo funcionamento, em princípio, bancado com recursos estaduais e municipais, será gerido por Consórcios Municipais, aos quais caberão recrutar a mão-de-obra especializada, remunerada dignamente, mas com a natural exigência do cumprimento de metas, definidas tecnicamente.
Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva (Coordenador do Curso de Medicina-UECE)
Ref.: SILVA, M.G.C. da – Formação de médicos especialistas para o Ceará. Conselho, 73: 7, 2009. (Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A RESIDÊNCIA MÉDICA E O “DOCTOR-BOOM” CEARENSES

O número de vagas nos vestibulares para os cursos de Medicina, sediados no Ceará, passou de 150, em 2000, para 370, ao cabo de três anos, com a chegada da Faculdade de Medicina de Juazeiro, das extensões da UFC em Barbalha e em Sobral, e do curso de Medicina da UECE.
Em 2006, sob o beneplácito do Ministério da Educação, foram autorizados os cursos médicos da Faculdade Christus, com 112 vagas, e da UNIFOR, com 120 vagas, de sorte que, a partir de 2012, sairão cerca de 600 médicos recém-graduados, retratando mais do que o quádruplo da média histórica de formados, anualmente, no Ceará.
Independente da entrada de novas escolas médicas no solo cearense, ora em fase de gestação, as cifras acima serão engrossadas com o aporte de mais 90 vagas, no âmbito da UFC, como decorrência do REUNI, via duplicação da oferta interiorana e implemento de dez vagas na capital, resultando em mais de setecentas vagas anuais nas escolas médicas.
Na virada do milênio, antes desse “doctor-boom”, a oferta da Residência Médica (RM), no Ceará, em programas autorizados pela Comissão Nacional de Residência Médica, era bastante para atender à demanda expressa na quantidade de concludentes da UFC, tomando por parâmetro a cobertura de 70% de graduados que desejavam RM, no País.
Ao longo desta década, esforços institucionais foram conduzidos no sentido de expandir e de diversificar a disponibilidade de vagas de RM, a exemplo do Hospital do Câncer / Instituto do Câncer do Ceará, que se tornou o terceiro maior pólo formador de oncologistas do Brasil; da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, com a adição de vagas aos programas existentes e a criação de novos programas, incluindo os do Hospital Waldemar Alcântara; da Secretaria da Saúde de Fortaleza, que pôs em marcha um ousado programa de RM em Medicina da Família e da Comunidade; e do empenho da FMJ e da UFC, em prol da interiorização da RM.
Essas iniciativas, se bem que importantes, foram eclipsadas, todavia, pelo vertiginoso incremento do total de médicos egressos no Ceará, e pela persistência de algumas distorções, qualitativas e quantitativas, configuradas na ausência ou na insuficiência de vagas em certos programas, e no excedente de vagas em programas especializados (especialidades clínicas e cirúrgicas), frente à limitada oferta nos programas que compõem seus respectivos pré-requisitos (Clínica Médica e Cirurgia Geral).
As instituições formadoras de médicos, no Ceará, notadamente as mais novas, surgidas recentemente, necessitam, igualmente, assumir o ônus de contribuir para a educação médica continuada dos seus egressos, como um imperativo da sua responsabilidade social, avalizando e qualificando as entidades hospitalares que lhes servem de apoio, ao ensino de graduação, a fim de que essas venham a se inserir como centros formadores de médicos residentes.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular de Saúde Pública da UECE
* publicado in: Jornal O Povo, 25/01/09 Fato Médico, p.8.
 

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