sábado, 3 de setembro de 2011

DOM HELDER: FORTE E HABILIDOSO


Dom Helder Câmara
Por Pe. Geovane Saraiva *

Dom Helder Pessoa Câmara, por sua simplicidade, humildade e estatura franzina, nos faz lembrar o jumentinho que Jesus escolheu para montar, na sua entrada em Jerusalém, animal sem aparente beleza, mas de uma importância, força e resistência extraordinária (cf. Mt 21, 2-8). O pastor dos empobrecidos foi assim, no seu temperamento e na sua audácia sem limites, isto acontecia quando tinha que defender seus pontos de vistas, com um profundo desejo, usando de todos os meios possíveis, para que a Igreja se engajasse na causa dos empobrecidos, que fosse mais servidora e mais fiel a vontade daquele que a instaurou e menos "senhora e rica".
Falamos de uma criatura humana extremamente habilidosa e com uma desenvoltura, que se tornou o mais influente bispo brasileiro no Concílio Vaticano II (1962-1965), a ponto de decisivamente contribuir para que a Igreja, no nosso continente latino americano, nos anos que se seguia, fizesse a sua "opção profética e preferencial pelos pobres".
Segundo o grande teólogo José Comblin, falecido recentemente, aos 88 anos, que conviveu muito de perto com o querido arcebispo de Olinda e Recife, dizia: "Ele era um articulador de primeira grandeza, com noção de que, às vezes, sua influência seria maior se ficasse calado e não se manifestasse". Muitas vezes seus próprios colegas bispos ignoravam de onde vinham as excelentes propostas contribuições que estavam votando, narra José Comblin.
Já bem antes do Concílio, as vésperas da inauguração de Brasília, Juscelino Kubitschek chamou Dom Helder e o convidou para ser o prefeito da nova capital federal, sendo insistente. Afirmou que tinha o parecer favorável de todos os líderes partidários, depois de consultá-los. Dom Helder recusou polidamente, dizendo: "Hoje, senhor presidente, eu estou aqui, frente a frente, debatendo com o senhor pontos de vista com absoluta liberdade e sem condicionamentos de qualquer ordem. No dia em que me incorporar ao seu grupo de comando, dentro das injunções concretas das práticas políticas, eu estarei amarrado, balançando a cabeça para concordar com o que o senhor disser, deixando de lhe trazer a colaboração original e independente da Igreja. Eu quero ter sempre um canal de diálogo livre e respeitoso com o Estado para cobrar o seu dever. Quero fazê-lo em nome de Deus e do povo. Quero ser a boca dos que não têm vez nem voz".
Compreendemos a força e a habilidade de Dom Helder, a partir daquilo que é belo e maravilhoso no poeta ou escritor, ao externar o que tem dentro de si: suas fantasias e suas ideias. Aquilo que ele tem na mente e no coração, releva-a e manifesta-a. Assim, também, foi o que aconteceu com os autores sagrados, ao redigirem as Sagradas Escrituras. Há tanta coisa bonita e surpreendente, muitas vezes, com tanto exagero, que se tem a impressão de se ir além do sagrado.
No último versículo do Evangelho de São João o autor sagrado afirma que o que Jesus realizou, neste mundo, é belíssimo e maravilhoso e, se tudo fosse escrito, livro algum caberia. O milagre da multiplicação dos pães (Mt 14, 13-21), finda dizendo: “Os que comeram dos cinco pães e dos dois peixes eram cinco mil homens sem contar mulheres e crianças”. Estudiosos e especialistas da Palavra de Deus, sem negar, evidentemente, a divindade do Filho de Deus, acham um exagero, para aquele tempo, o grande número de pessoas.
Deus fez o homem com uma imaginação fértil e criadora, chamando-o para participar da sua natureza divina. Aí está sua grandeza. A terra tornou-se pequena para caber a criatura humana, grandiosa na sua capacidade de imaginar e realizações em todos os sentidos.
Padre Manfredo Oliveira, cearense de Limoeiro do Norte, grande figura humana e um dos maiores filósofos da atualidade, na sua mente dadivosa, foi extremamente feliz, ao afirmar que Dom Helder não cabia dentro da Igreja. Certamente ele quis enaltecer sua força imaginadora, talentos, sensibilidade e a inteligência privilegiada do pastor dos empobrecidos, que com habilidade soube perceber todas as novidades e desafios do século XX e colocá-los no seu coração, procurando dar-lhes uma resposta, indo da criatura humana, na sua dignidade de filho de Deus.
Já o Cardeal Aloísio Lorscheider falava de Dom Helder, assim: "Foi um corifeu, com uma visão de futuro e com grande influência, muito respeitado e inquieto como uma barata tonta: Sua tribuna foi sua sabedoria em agir e articular nos bastidores", com uma oratória vibrante e com gestos rasgados que sensibilizavam e arrebatavam as multidões.
Tudo ele realizava, numa atitude de oração e na fidelidade ao Pai, no seu amor acendrado à Igreja. Ele mesmo dizia: "Abandonar a Igreja seria o mesmo que abandonar o meu próprio corpo". Por isso devemos acolher tudo o que se disse e o que ainda irão dizer desse homem profundamente amado por Deus. Ele, na sua grandeza, força e habilidade mística, via tudo em Deus e a partir de Deus. Extraordinária figura humana da esperança, de fato é grande demais, e a Igreja é pequena para comportá-lo.

* Pe Geovane Saraiva, Pároco de Santo Afonso e autor dos livros: "O peregrino da Paz" e "Nascido Para as Coisas Maiores" (centenário de Dom Helder Câmara); "A Ternura de um Pastor" (homenagem ao Cardeal Lorscheider); "A Esperança Tem Nome" (espiritualidade e compromisso)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A PROPÓSITO DOS TRINTA ANOS DE LUTA ANTITABÁGICA NO BRASIL

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (*)
O vício de fumar cigarro (tabaco) expandiu-se no mundo a partir da I Guerra Mundial, entre os homens, e, a partir da II Guerra Mundial, entre as mulheres. Na década de 1960, os primeiros importantes trabalhos científicos desenvolvidos na Inglaterra e Estados Unidos evidenciaram graves malefícios do tabaco para a saúde dos fumantes e fumantes passivos. A partir de então, a atenção dos governantes, órgãos internacionais de saúde, instituições médicas e de educação, cada vez mais, foi voltada para o controle do tabagismo, pois as investigações experimentais, clínicas e epidemiológicas passaram a ser divulgadas através de milhares de publicações.
Até a década de 1970 as ações de combate ao tabagismo no Brasil foram incipientes, circunscritas e desencadeadas, em sua maioria, por médicos. Alguns pioneiros como: Mario Rigatto, do Rio Grande do Sul, José Rosemberg, de São Paulo, e Jaime Zlotnik, do Paraná, tornaram-se grandes líderes desta luta.
Em 1976, o Professor José Rosemberg publicou o livro “Tabagismo - Sério Problema de Saúde Pública” e realizou, no ano seguinte, a Primeira Semana Antitabagismo da PUC-SP. Como desdobramento da referida semana, o tema tabagismo foi incluido no currículo médico da Faculdade de Medicina daquela instituição. Também, em 1976, a Associação Médica do Rio Grande do Sul, através do Professor Mario Rigatto, instituiu o primeiro Programa Estadual de Combate ao Tabagismo do Brasil. Nos anos seguintes, as Sociedades Médicas criaram programas em diversos Estados da Federação e, somente, na década de 1990 os programas de combate ao fumo passaram para o âmbito dos governos estaduais.
Em janeiro de 1979, Antônio Carlos Campos Junqueira, Antonio Pedro Mirra, Almério de Souza Machado, Glacilda Telles Menezes Stewien, José Rosemberg, Luiz Carlos Calmon Teixeira, Mário Rigatto, Mozart Tavares de Lima, Roberto Bibas e Ruth Sandoval Marcondes lançaram a semente para a concretização de um Programa Nacional de Combate ao Fumo que foi oficializado, em 12 de agosto de 1979, pela Associação Médica Brasileira (Rosemberg, 1987. p.321).
Em março de 1979, sob a coordenação do Dr. José Silveira, da Bahia, o Instituto Brasileiro de Investigação Torácica – IBIT realizou um seminário sobre tabagismo que resultou na histórica “Carta de Salvador”. Documento de extrema importância, a carta alerta aos poderes públicos, às instituições médicas e à população sobre os malefícios do tabaco. Foram signatários da “Carta de Salvador” os seguintes doutores: Angelo Rizzo – Professor da Universidade Federal de Pernambuco, Antônio Carlos Peçanha Martins – Presidente da Associação Baiana de Medicina, Antônio Pedro Mirra – Diretor do Departamento de Cirurgia Torácica da Fundação Antonio Prudente de São Paulo, Edmundo Blundi – Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Jaime Santos Neves – Professor de Pneumologia da Escola de Medicina do Espirito Santo, José Rosemberg – Professor Titular da Faculdade de Medicina da PUC-SP e Diretor Geral do Centro de Ciências Médicas e Biológicas da PUC-SP e José Silveira – Superintendente Técnico do IBIT (Rosemberg, 1987. p.320).
Em 29 de agosto de 1980, a Sociedade Médica do Paraná lançou a “Greve do Fumo”, sob a liderança do Dr. Jayme Zlotnik. Em homenagem ao evento, esta data passou a ser o “Dia Nacional de Combate ao Fumo”, comemorado em inúmeros municípios do Brasil com uma corrida rústica, cujo slogan, “Largue o Cigarro Correndo”, inspirou centenas de fumantes a abandonarem o vício (www.amb.org.br).
As comunidades religiosas participaram da luta, desde 1979, através da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Igreja Católica e Centros Espíritas. O Rotary Club, Lions Club e Associação Cristã de Moços abraçaram, também, a causa.
Em 1984, foi criado o Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo no Brasil tendo a frente o Professor Mário Rigatto, que foi o seu primeiro presidente. O Comitê esteve durante muitos anos sob a presidência do Professor Rosemberg e desdobrou-se em vários capítulos, em inúmeros Estados da Federação, e em sub-capítulos nos municípios. Atuando em parceria com os órgãos governamentais, o Comitê teve relevante atuação na luta contra o fumo.
Finalmente, em 1985, o Ministério da Saúde assumiu oficialmente a luta criando um Grupo Assessor para o Controle do Tabagismo no Brasil. Grupo eclético composto por diversos representantes da sociedade atuou junto ao governo para a criação da primeira lei federal de combate ao fumo. A referida Lei de nº 7.488 instituiu o dia 29 de agosto como o Dia Nacional de Combate ao Fumo.
Este grupo foi composto pelo senador Lourival Baptista, José Rosemberg, Mario Rigatto, Antonio Pedro Mirra, Edmundo Blundi, Geniberto Paiva Campos, Germano Gerhardt Filho, Guaracy da Silva Freitas, Jayme Santos Neves, Luiz Carlos Romero, Maria Goretti Pereira Fonseca, Paulo Roberto Guimarães Moreira, Pedro Calheiros Bonfim, Regina Celi Nogueira, Roberto Azambuja, Thomas Szego, Vera Luíza da Costa e Silva e Vitor Manuel Martinez www.inca.org.br/tabagismo).
Em 1991, a ação do MS foi transferida para o INSTITUO NACIONAL DE CÂNCER-INCA sob a coordenação da Dra. Vera Luiza da Costa e Silva. Divisor de águas na luta contra o tabaco no Brasil, o INCA instalou uma ampla rede de ações com abrangência nacional, concretizando, finalmente, a fase vitoriosa da luta.
Com a municipalização das ações de controle do tabagismo, o programa penetrou nas Empresas, Escolas e Unidades de Saúde em mais de 80% dos municípios brasileiros. Além dessas ações o INCA realizou, em parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde e o Comitê Coordenador de Controle do Tabagismo no Brasil, vários Congressos Brasileiros sobre Tabagismo, sendo o primeiro no Rio de Janeiro em maio de 1994, sob a presidência de José Rosemberg. Em junho de 1996, foi realizado em Fortaleza-CE, o II Congresso Brasileiro sobre Tabagismo e o I Congresso Latino-Americano sobre Tabagismo sob à nossa presidência. O III Congresso aconteceu em Porto Alegre-RG, em abril de 2000. O IV Congresso, em Brasília-DF, e o V Congresso, em Belo Horizonte-MG. Além desses congressos inúmeros eventos científicos e esportivos foram realizados, em todo o Brasil, para comemorar o Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio) e do dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto).
A inserção do tabagismo na sociedade brasileira, consequência de um processo histórico e social associado a capacidade da nicotina de causar dependência, teve graves consequências para a saúde pública da população. As representações do tabagismo no imaginário social, sempre tiveram associadas, por um lado, as propagandas enganosas das multinacionais fumageiras e, por outro, pelas campanhas de saúde pública desencadeadas pelas ONGs e órgãos de saúde e educação do governo. Enquanto as multinacionais fumageiras associavam o vicio de fumar à saúde, beleza, sucesso, status etc., os órgãos de saúde pública mostravam outra realidade associando-o a doença e a morte. Como consequência deste embate houve uma acentuada mudança das representações do tabagismo no imaginário social evidenciada pela queda significativa da prevalência de fumantes no Brasil.
Os inquéritos sobre a referida prevalência que foram realizados pela Organização Panamericana de Saúde, Ministério da Saúde, IBGE e INCA ao longo de várias décadas nos mostram estas mudanças. Em 1989, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, 33% da população adulta brasileira fumava. De 2006 a 2009 o percentual de fumantes caiu de 16,2% para 15,5%, segundo inquérito realizado pelo INCA.
O resultado deste inquérito nos mostra que a semente lançada pelos desbravadores desta luta não foi perdida em solo estéril. Custou a medrar. Foi lento o seu crescimento, porém floriu e frutificou para o bem e alivio das vítimas do tabaco. Abriu-se, finalmente, a perspectiva auspiciosa de dias mais promissores e de triunfos sobre a grande pandemia.
(*) Pneumologista e historiadora. Redigido em Fortaleza, em 30 de junho de 2010.

Referências
www.inca.gov.br/tabagismo acesso: 30 de junho de 2010
ROSEMBERG, José. Tabagismo – sério problema de saúde pública. São Paulo: Almed, 1987, p. 321.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PARTICIPAÇÃO ATIVA NA XIV BIENAL DA ACM


Flash do momento em que fazíamos a apresentação do livro “À Leste do Atlântico”.

Tivemos ativa participação na XIV Bienal da Academia Cearense de Medicina, como: membro da Comissão Executiva e expositor do subtema “O ensino da Bioética no Brasil”, da Mesa Redonda Fundamentos da Bioética II, além do honroso e prazeroso encargo de fazer a apresentação do livro “À Leste do Atlântico: a propósito de algumas viagens”, de autoria do confrade Acad. José Eduilton Girão.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SOLENIDADE DE ENCERRAMENTO DA XIV BIENAL DA ACM

Uma magnífica e bem organizada solenidade marcou o encerramento da Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), coroando o pleno êxito da realização do evento  ACM, que contou com expressiva participação de confrades e confreiras de outras academias de estados brasileiros, e de conselheiros do Conselho Federal de Medicina.
Foi especialmente tocante a homenagem prestada pela Federação Brasileira de Academias de Medicina (FBAM) ao nosso querido Dr. Geraldo Wilson da Silveira.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva

terça-feira, 30 de agosto de 2011

PRÊMIO IgNOBEL - 2006

Acústica: D. Lynn Halpern, de Harvard Vanguard Medical Associates, a Universidade de Brandeis, a Northwestern University, Randolph Blake, das Universidade de Vanderbilt e Northwestern University e James Hillenbrand, das Western Michigan University e Northwestern University, por conduzirem experimentos para descobrir porque as pessoas não gostam do som de unhas riscando um quadro-negro.
Biologia: Bart Knols, da Wageningen Agricultural University, em Wageningen, Holanda; do National Institute for Medical Research, em Ifakara Centre, Tanzânia; e da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, Áustria; e Ruurd de Jong, da Wageningen Agricultural University e da Santa Maria degli Angeli, Itális, por mostrarem que a fêmea do mosquito da malária é atraída tanto por queijo limburgo quanto por chulé.
Química: Antonio Mulet, José Javier Benedito e José Bon, da Universidade Politécnica de Valencia, Espanha, e Carmen Rosseló, da Universidade das Ilhas Baleares, em Palma de Mallorca, Espanha, pelo estudo Ultrasonic Velocity in Cheddar Cheese as Affected by Temperature (Velocidades Ultrasônicas no Queijo Cheddar Afetadas pela Temperatura).
Literatura: Daniel Oppenheimer, da Universidade de Princeton, pelo seu estudo “Consequences of Erudite Vernacular Utilized Irrespective of Necessity: Problems with Using Long Words Needlessly” (Consequências do vernáculo erudito utilizado sem necessidade: problemas de se usar palavras longas desnecessariamente).
Matemática: Nic Svenson e Piers Barnes, da Australian Commonwealth Scientific and Research Organization, por calcularem o número de fotografias que devem ser tiradas para assegurar que ninguém, em uma foto em grupo, apareça de olhos fechados.
Medicina: Francis M. Fesmire, da University of Tennessee College of Medicine, por seu estudo médico Termination of Intractable Hiccups with Digital Rectal Massage (“Interrupção de soluços incuráveis com massagem retal digital”); e Majed Odeh, Harry Bassan e Arie Oliven, da Bnai Zion Medical Center, Haifa, Israel, por seu subseqüente estudo médico também intitulado Termination of Intractable Hiccups with Digital Rectal Massage (“Interrupção de soluços incuráveis com massagem retal digital”).
Nutrição: Wasmia Al-Houty, da Universidade do Kuwait, e Faten Al-Mussalam, da Kuwait Envirnment Public Authority, por mostrarem que escaravelhos são enjoados para comer.
Ornitologia: Ivan R. Schwab, da University of California Davis, e o falecido Philip R. A. May, da University of California Los Angeles, por investigarem e explicarem porque o pica-pau não tem dor-de-cabeça.
Paz: Howard Stapleton, de Merthyr Tydfil, País de Gales, por inventar um repelente eletromecânico de adolescentes: um aparelho que emite sons agudos desagradáveis, ouvidos por adolescentes, mas não por adultos; posteriormente utilizado em toques de telefone celular audíveis aos adolescentes, mas não a seus professores (também ficou conhecido como “O Mosquito”).
Física: Basile Audoly e Sebastien Neukirch, da Université Pierre et Marie Curie, em Paris, por suas reflexões sobre porquê o espaguete seco sempre se quebra em mais do que dois pedaços.
Fonte: wikipedia.org

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

XIV BIENAL DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA


É com imensa satisfação que a Academia Cearense de Medicina (ACM) convida para as atividades de comemoração de 33 anos de nossa Academia (foi fundada em 12/05/1978, sendo a primeira de âmbito estadual no Brasil). A Bienal da ACM é realizada a cada dois anos e esta será a nossa XIV, tendo a Bioética como tema central do evento, que contará com o efetivo apoio do Conselho Federal de Medicina.
Por especial deferência ao Ceará, a FBAM (Federação Brasileira de Academias de Medicina) vai comemorar os seus 25 anos conosco e homenageando o nosso Dr. Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, seu Presidente de Honra. Pela mesma razão, e com maior honra ainda, estará conosco o Presidente do Conselho Federal de Medicina, também um dos patrocinadores do Evento.
A inscrição é gratuita, mas as vagas são limitadas, e pode ser feita pelo telefone 3223-2782 ou pelo e-mail: reunir@mcanet.com.br
Marcelo Gurgel Carlos da Silva

domingo, 28 de agosto de 2011

O BRASIL ANEDÓTICO XXXI

A SABEDORIA DE FREI DIOGO
Moreira de Azevedo - "Mosaico Brasileiro", pág. 36.
O ano de 1702, de seca intensa, abrasava o nordeste, até Pernambuco. Alarmada, a população de Olinda foi procurar o bispo D. Frei Diogo de Jesus Jardim, pedindo-lhe licença para uma procissão de penitência.
- Nada de procissões, meus filhos, - protestou o velho prelado, notável pelas suas virtudes; - a verdadeira penitência consiste na emenda da vida e na reforma dos costumes. Emendai-vos, e a chuva há de cair.
A multidão retirou-se, contrita.
No dia seguinte começou a chover.
O MONARCA REPUBLICANO
Múcio Teixeira - "O Imperador visto de perto", pág. 69.
Ao visitar, em 1877, Vítor Hugo, cujo estro fulminava as testas coroadas do século, o Imperador Pedro II fez-lhe uma observação piedosa:
- Não queira mal aos "meus colegas". Eles vivem tão rodeados, tão enganados, que não podem ter as "nossas idéias".
E o poeta, com tristeza:
- Sois o único, Senhor, infelizmente...
A ÚNICA MAJESTADE
Múcio Teixeira - "O Imperador visto de perto", pág. 70.
Ernesto Sena - "Deodoro", pág. 149.
Após a apresentação da sua netinha Jeanne ao Imperador do Brasil, Vítor Hugo foi buscar pela mão o seu neto:
- Senhor, tenho a honra de apresentar o meu neto Jorge a Vossa Majestade.
O Imperador abraçou a criança, e, alisando-lhe os cabelos:
- Meu filho, aqui não há mais que uma majestade.
E indicando o poeta:
- Ei-la!
FALTA DE SORTE
Ernesto Sena - "Deodoro", pág. 149.
Quando presidente da República, era Deodoro procurado por dezenas de indivíduos que se diziam republicanos de longa data e que se consideravam, por isso, com direito a serem amparados pelo novo regime. Um deles, homem de idade avançada, queixava-se, certa vez, insistentemente, da ingratidão da pátria, pois que havia sido propagandista, e era republicano há mais de trinta anos.
- Ora, meu caro amigo, - atalhou Deodoro, - eu sou republicano a datar de 15 de novembro, e já cheguei a presidente da República. Logo, a República não é ingrata.
E estendendo-lhe a mão para despedi-lo:
- O senhor é que é caipora!
A ÁGUIA... E O "TICO-TICO"
Constâncio Alves - Revista da Academia Brasileira de Letras, n° 39, pág. 243.
Rui Barbosa era um espírito faminto de leituras. Lia tudo. Passava pelos olhos todos os jornais do Rio, quase todas as revistas, e não dispensava à cabeceira, para conciliar o sono, um romance policial.
Certa vez, em conversa com Constâncio Alves, citou o grande publicista um conto infantil, que lhe havia despertado interesse.
- Onde V. Excia. o leu? - teria indagado Constâncio.
E o mestre:
- Não estou certo; creio, porém, que foi no Tico-Tico...
 

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