sábado, 21 de novembro de 2020

Lançamento do Nº 4 da Revista Anual da ACEMES

A Diretoria da Academia Cearense de Médicos Escritores (ACEMES), na abertura do III Encontro de Academias Literárias do Ceará, conduziu o lançamento do Nº 4 da sua Revista anual. O evento teve lugar no no Espaço de Convivência da Unichristus, no Campus Parque Ecológico, em Fortaleza-CE, em 20 de novembro de 2020 (sexta-feira), às 20 horas.

A obra, contendo a produção literária dos confrades desse sodalício, foi apresentada pelo médico, escritor e professor João Martins de Sousa Torres.

Participei desta obra com duas produções literárias: “Costa Matos: o poeta partiu, mas a poesia fica...” e “Diálogo Leal (ou legal)”.

Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sobrames-CE e da ACEMES

PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA “SOPRO DE LUZ”

Uma distinta audiência, composta por aproximadamente oitenta pessoas, participou em 20/11/20, no Espaço de Convivência da Unichristus, no Campus Parque Ecológico, em Fortaleza, do lançamento de Sopro de Luz, a Antologia da Sobrames de 2020, produzida sob a nossa organização, em colaboração com a secretária Orlânia Dutra, reunindo contribuições literárias de 70 sobramistas, dos quais 66 médicos.

Além da apresentação da obra, nela republiquei quatro textos de nossa autoria, originalmente publicados In:Contando Causos: de médicos e de mestres!”: São eles: “A poligamia dos mórmons”, A vingança de Saint Klaus, Tamponamento inusitado” e Um ‘gentleman’ em casa.

Esse material será postado, oportunamente, neste blog, observando a sequência citada.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Organizador da Antologia da Sobrames/CE

LANÇAMENTO DA 37ª ANTOLOGIA DA SOBRAMES/CE 2020

Durante a abertura do III Encontro de Academias Literárias do Ceará, ocorreu ontem à noite, dia 20/11/2020, às 20h, no Espaço de Convivência da Unichristus, no Campus do Parque Ecológico do Cocó, em Fortaleza, o lançamento da 37ª Antologia da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE).

Trata-se de uma série que foi começada em 1981 pelos sobramistas pioneiros: Paulo Gurgel e Emanuel de Carvalho. Todos os anos a Sobrames- CE lançava no mês de outubro, mês em que se comemora o dia do Médico (18/10), sua antologia; no entanto, em virtude da pandemia de Covid-19, o lançamento anteriormente agendado foi cancelado.

O grande número de participantes tem sido um ponto forte dessa coletânea anual. Em 2016, foram 62 participantes, dentre eles 58 médicos. Em 2017, o número de participantes foi de 67. Em 2018, foram 63 participantes e no ano pretérito o número de autores colaboradores ficou em 64, sendo 60 médicos. Neste ano, o total de autores bateu o recorde, alcançando a marca de 70, dos quais 66 médicos.

O título da Antologia, "Sopro de Luz", escolhido por meio de votação democrática durante uma das reuniões mensais da nossa entidade, foi uma proposta da sobramista Alcinet Rocha.

Marcelo Gurgel, ex-presidente da Sobrames-CE, como tem feito nos últimos anos, foi o organizador da Antologia/2020. Como de praxe, a capa, foi uma bela criação do sobramista Isaac Furtado. O prefácio foi produzido pela professora e escritora Lourdinha Barbosa, integrante da Academia cearense de Letras.

Em virtude das circunstâncias associadas ao distanciamento social, por determinação do Presidente Arruda Bastos, a antologia foi apresentada pelo organizador dessa obra.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Organizador da Antologia da Sobrames/CE

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

LUIZ CARLOS DA SILVA: o incomum advogado libertário


Muito pouco ama, quem com palavras pode expressar quanto muito ama. (Dante Alighieri)

O legado de Luiz Carlos da Silva, ao longo de oito décadas de existência, não pode ser medido por palavras, números ou mesmo benquerença. Para nós, seus filhos, a esposa, amigos, ex-colegas da turma de 1947 da Faculdade de Direito do Ceará, o mestre não pode ser esquecido enquanto suas obras persistirem. E suas obras são imateriais. O livro “Dos canaviais aos tribunais: a vida de Luiz Carlos da Silva” publicado por ocasião de seus 90 anos, se vivo estivesse, registrou a grande admiração de familiares, amigos e antigos clientes por ele. Através de suas páginas, é possível acompanhá-lo, ainda menino, vencendo a légua que o separava do Sítio Pau Branco até a escolinha primária, mais adiante, como aluno dedicado do Colégio Cearense, nos bancos da Escola de Comércio Padre Champagnat e no respeitável Curso de Direito, da então Faculdade de Direito do Ceará, que fez dele o advogado vocacionado que era.

Da infância entre os canaviais de sua terra natal, Acarape, até os tribunais, como promotor, por alguns anos, mas principalmente como advogado que sempre escolhia o lado dos mais oprimidos, Luiz Carlos da Silva percorreu uma longa estrada. Também como professor, de sua própria escola, o Instituto Padre Anchieta, e depois no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), ele ajudou a formar gerações. Homem culto, apesar da aparente simplicidade, não se negava a “dois dedos de prosa” com os vendedores do Mercado São Sebastião, onde gostava de comprar mantimentos para o lar de onze filhos e a esposa Elda, mas sabia, ao mesmo tempo, nivelar-se em erudição com os doutores da lei. Ele também ensinava pelo exemplo de retidão. Jamais compactuou com a injustiça e qual Quixote a enfrentar moinhos de vento, enveredou pela política na esperança de ajudar a melhorar o País. Não logrou êxito nas urnas, mas nem assim ele se abateu. Era um otimista incorrigível.

Nascido em um lar cristão, tendo por progenitores pessoas simples, de módicas posses, Luiz Carlos da Silva teve a felicidade de ver, nos seus pais, José Carlos da Silva e Valdevina Carlos da Silva, o descortino de centrar esforços na educação da prole, quando esses tomaram a bem pensada decisão de enviar seus filhos para continuarem os estudos em Fortaleza. Todos os seus irmãos se tornaram professores, legaram o saber a outras gerações. Confirmaram a sábia atitude paterna em valorizar a educação formal da família constituída

Luiz Carlos da Silva deu a seus pais duas enormes alegrias: em 1940, quando se formou perito-contador; e, em 1947, ao receber o diploma de bacharel em Direito, pela tradicional Faculdade de Direito do Ceará, integrando a Turma Sobral Pinto. Dos remanescentes da turma de bacharelandos de 1947, ao ensejo da celebração do jubileu de ouro de formatura, era ele ainda um dos poucos que permaneciam atuando na advocacia, acumulando cinquenta anos de exercício profissional.

As palavras escritas, em especial, ou verbalizadas sempre fizeram parte do encantamento de Luiz Carlos da Silva, quer estivesse no exercício do magistério, ou mesmo na área advocatícia, em mais de 50 anos de atividade profissional. Cultivava a retórica com primorosa erudição, tanto nos tribunais como nas lides jurídicas, produzindo falas e peças oratórias de inegável valor.

Em sua juventude, enveredou por vários gêneros literários, mostrando uma certa afinidade e desenvoltura em expressar seus sentimentos, através da poesia, do conto e da crônica, concretizando uma produção literária que se notabilizou pelo seu estilo, essência e qualidade, sobretudo junto aos leitores das décadas de 1930 e 1940, por ocasião de suas publicações.

Foi professor do ensino primário e médio por longos anos; porém, recusou o acesso à carreira do magistério superior, ao rechaçar o convite para compor o corpo docente, quando da instalação da Universidade Federal do Ceará, porquanto ele privilegiava a sua atuação como causídico, uma deliberação da qual não se arrependia.

Vários dos seus colegas dos bancos da vetusta Salamanca cearense foram bem-sucedidos materialmente, recolhendo um expressivo patrimônio, oriundo de recursos próprios e/ou encorpados por heranças familiares. Não foi precisamente a sua situação, pois seus genitores não transmitiram bens ou haveres, merecedores de um inventário formal de partilha, posto que as suas atenções se direcionavam a que o produto do trabalho fosse aplicado, quase que exclusivamente, na educação dos filhos.

Luiz Carlos da Silva exerceu a advocacia com afinco e honradez, operando, maiormente, no campo do Direito do Trabalho, com uma clara opção por assumir a defesa do trabalhador, a parte dita mais vulnerável da relação trabalhista, o que lhe conferia, continuadamente, um contingente de centenas de questões trabalhistas ativas, embora fossem elas, em sua maioria, causas de pouco valor pecuniário. Não juntou tesouros cá na terra. Da sua labuta, começada na meninice, com a dura faina de subjugar a terra inclemente, nos roçados e nos canaviais, e sequenciada pelos exercícios de lecionar e de advogar, somou um patrimônio material bem modesto.

Trabalhou, diuturnamente, de forma incansável e sem férias, por mais de cinco décadas, com o fito de garantir o sustento e educar uma prole de onze filhos vingados. Com efeito, ele não legou aos seus descendentes bens materiais de monta; mas, disso não tinha qualquer remorso ou complexo de culpa, dado que propiciou a eles um patrimônio imaterial, intangível, refletido na educação, que os deixou aptos a vencer na vida, com os próprios recursos intelectuais e, de forma livre, sem dependência de apadrinhamentos de qualquer natureza.

Em 28/01/2016, quando completaria o nonagésimo oitavo aniversário, se vivo fosse, Luiz Carlos da Silva estaria sobejamente orgulhoso por verificar que aos seus quatro filhos formados em Ciências Jurídicas (Sérgio, Luciano, Magna e José) se aglutinaram os seus netos operadores do Direito (Leonardo, Germana, Paolo, Marcela, André, Natália e Serginho), coroando assim uma profícua existência.

Perpassado o centenário do jurista e professor Luiz Carlos da Silva, nascido na “Terra da Liberdade” (merecidamente Redenção/CE), sirvo-me do momento para tecer poucas e até para alguns uma épica história de vida, dedicação e zelosa contribuição para a sociedade cearense.

Não tinha a estatura rasputiniana nem os embates ao longo do tempo que enfrentou não foram quixotescos, mas palmilhado por lutas constantes, porém sem louros ou galardões, por voltada aos simplesmente comuns cidadãos, que nele buscaram como um porto seguro a ampará-los. O bastião dos fracos, dos desvalidos e desfavorecidos dos mais comezinhos direitos de cidadanias.

O doutor Luiz poderia merecidamente ter recebido a alcunha de ‘Sobral Pinto’ alencarino, pois grande foi a semelhança entre ele e o justo paladino do Direito pátrio. Tiveram a mesma estatura tanto em saber jurídico, honestidade incomensurável, paciência e fé cristã.

Suspeição por parentesco in primo grado não está em conta. Em verdade, primeiro vem o reconhecimento de fatos convividos no dia a dia e por anos imemoriais – em casa, nas lides e nos meios sociais, e porque não dizer também, políticos.

Com frequência o Dr. Luiz valia-se de Dante Alighieri para lembrar: Não se ganha fama numa cama de penas, para imediatamente dizer de San Tommaso dAquino, que a humildade é o primeiro degrau da sabedoria, e cuidando sempre que a honra é o prêmio da virtude.

Vida de trabalho duro e incansável, temperou por décadas a advocacia com o magistério. Pelejou pelos fóruns cearenses como ninguém. Mostrou conhecimento e pronta atenção como ninguém. Enfrentou os arrogantes com a razão e o tirocínio, despachou os que se embeveciam do poder efêmero de autoridade ou econômico, deles jamais guardou a mágoa ou o rancor, nem buscou por isso reconhecimento algum.

Não há curriculum para quem sempre quis e agiu com simplicidade, pois sua vida foi como divisou Dante Alighieri: o tempo passa e o homem não percebe. Entrementes, para os que conheceram o doutor Luiz ou apenas o seu Silva, foi muito mais: marido exemplar, pai sempre presente, amigo cordial, advogado sábio e reto, mestre profícuo e interessado na transmissão do conhecimento, cristão devotado. Enfim, um homem completo e cheio de virtudes incontáveis.

Da profissão como advogado as lembranças: prazos e exposição profunda do direito defendido nunca foram relegados. Intransigência nas causas apresentadas ante a certeza de que a justiça não se media pelo dinheiro, cargo ou origem, nem tremia diante das adversidades, das fraquezas e dos despreparos de juízes e tribunais, nem das sinecuras articuladas as sombras ou segredadas pelos opróbios.

Desceu-lhe a veia política quando por várias tentativas empreendeu disputar mandatos eletivos sem dispender dinheiro ou submeter-se a conchavos. Razão que o tempo cuidou de mostrar que nem tanto as traições partidárias e palanqueiras foram bastante para subtrair a conquista de bravos apoiadores ou o reconhecimento de muitos conscientes eleitores, apesar do malgrado resultado das urnas.

A memória não fica nos escritos dos processos, nas aulas ministradas, na convivência com os familiares e dos amigos, mas pela transmissão do exemplo de vida pautada, honesta e humildade que deixou o doutor Luiz, aliás o seu Silva de todos que o conheceram.

Causae finita est!

Sérgio Gurgel Carlos da Silva

Advogado –OAB-CE Nº 2799

Nota do Blog: Biografia elaborada com participações de familiares e fundamentada nas obras que falam do advogado e professor Luiz Carlos da Silva. Foi lida, como discurso de agradecimento, na Sessão Solene da Assembleia Legislativa do Ceará alusiva ao centenário de nascimento de nosso genitor em 14 de agosto de 2018.

DR. LUIZ CARLOS DA SILVA: vinte anos de saudades

 


Em 20 de novembro de 2000, a família do Dr. Luiz Carlos da Silva sentiu a dor da perda terrena do seu patriarca que, após 82 anos de profícua existência, retornara à Casa do Pai.

Nosso pai cumprira a sua missão entre nós, tendo combatido o bom combate e guardado a sua fé em Deus, deixando um legado de honradez e de integridade, que se transmitiu aos filhos que gerara com a sua consorte Elda Gurgel e Silva, cujos laços matrimoniais foram rompidos à conta do seu falecimento, depois de uma duradoura união, de mais de 53 anos.

Desse consórcio, resultou uma numerosa prole de 13 filhos, dos quais dois fizeram parte do contributo à mortalidade na infância, como parte da sina nordestina da época. Foram criados e educados 11 filhos, todos diplomados e bem reconhecidos por seus pares nos seus respectivos campos de atuação exercidos. Infelizmente, ficamos irmanados no sofrimento paterno quando o acompanhamos na prematura perda da sua primogênita Marta, aos 29 anos de idade, momento que se prenunciava um futuro profissional promissor e ela experimentava a alegria de ser mãe de um garoto de tão tenra idade, o nosso tão amado Leo.

Nosso pai não amealhou um patrimônio material compatível com a sua salutar competência jurídica e de notável educador, porém a educação de seus filhos foi a maior herança que ele deixou aos seus rebentos, benefício esse que vem se transmitindo aos descendentes, na sucessão de gerações, alcançando seus netos e bisnetos.

Na celebração do seu centenário de nascimento, se vivo fosse, Luiz Carlos da Silva estaria sobejamente orgulhoso por verificar que aos seus quatro filhos bacharelados em Ciências Jurídicas (Sérgio, Luciano, Magna e José) se aglutinaram mais sete netos operadores do Direito (Leonardo, Germana, Paolo, Marcela, Natália, Serginho e André), coroando assim a sua proficiente vida.

Ele estaria igualmente realizado como educador, caso conosco estivesse, por verem tantos filhos seus atuarem no magistério superior e, também, como beletrista e cultor do nosso vernáculo, predicados claramente evidentes em seus desdobramentos celulares.

Poucos cidadãos de bem desta Terra da Luz foram tão aquinhoados quanto ele em referências literárias produzidas por seus familiares, admiradores, colegas e amigos e publicadas em formato de livros ou artigos, condições essas que têm propiciado manter presentes nossas lembranças, nesses vinte anos de incontidas saudades, desde quando foi chamado de volta aos braços do Pai Eterno.

Naquela e em qualquer mesa “está faltando ele e a saudade dele está doendo em nós...”.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Filho de Luiz Carlos da Silva


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

VIOLÊNCIA E DROGAS

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

… toda e qualquer substância ou composto químico natural ou artificial que tenha efeito psicoativo e que seja proibido por lei. Bastaria lembrar que o álcool causa dependência e nos países muçulmanos é proibido por lei. Aqui, a propaganda mostra enorme hipocrisia ao dizer: beba com moderação…

O território nacional, além de ser rota do tráfico, dá uma mãozinha para sua produção e muitas vezes agregam valor à droga, pois nosso desenvolvimento tecnológico é maior do que o dos nossos vizinhos produtores de cocaína e outras similares

No Brasil o uso de drogas tem crescido por toda a sociedade, independente do sexo, idade, raça ou classe social. Quando falamos sobre este assunto, é impossível deixar de associar a ele a questão da violência. As drogas se adentraram na sociedade de uma maneira devastadora, fazendo vítimas em todas as ocasiões.

Famílias destruídas pela violência urbana que tem como principal causa essa dependência doentia.

O vício se torna tão essencial ao dependente químico que ele, para sustentá-lo, comete crimes, mata e agride diariamente a população em geral.

Com a universalização do complexo produção-tráfico-consumo de drogas ilícitas, termo de caráter essencialmente moral e sem definição jurídica, usado vulgarmente para referir, de modo um tanto impreciso, toda e qualquer substância ou composto químico natural ou artificial que tenha efeito psicoativo e que seja proibido por lei. Bastaria lembrar que o álcool causa dependência e nos países muçulmanos é proibido por lei. Aqui, a propaganda mostra enorme hipocrisia ao dizer: beba com moderação…

Muitas discussões ocorrem acerca de uma solução para o problema, questões como legalização das drogas, melhoras nas políticas de segurança pública e até mesmo punições mais severas para essa violência que deixa marcas eternas na mente e no corpo de quem já a sofreu, o que de tão comum passou a ser matéria de sustentação das empresas noticiosas.

Bastante conferir nos noticiários estrondosos da mídia, de todas as modalidades, a ligação entre a violência que decorre do uso de drogas.

No Brasil esse uso toma um aspecto particularmente grave pois somos o escoadouro geográfico natural da produção dos nossos vizinhos, alcunhados de países cocaleiros, afora a nossa produção própria como a maconha. E o mais trágico é que grande parte dessas drogas tem seu valor de exportação acrescido, desde que o nosso país possui melhor tecnologia e locais de purificação e refino desses produtos. É os que os economistas chamam de Produto de Exportação com Valor Agregado.

Não creio que legalizar as drogas desativará a bomba-relógio em que se converteu a América Latina, especialmente os países andinos, a América Central e o México.

Em extensão acrescento que a violência provocada por essas drogas é a causa primeira da morte de jovens da classe pobre; os compradores ricos, apesar de drogados, morrem muito menos. Grande número de jovens da população das favelas (agora denominadas de comunidades) e das periferias das nossas cidades é morto pelos chefes desse comercio.  Não é sem razão que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ­- IBGE. alerta, “que a violência está matando mais os jovens brasileiros quando comparada com as demais causa-mortis”.

O aumento da violência modifica prioridades na política, sistemas e equipamentos de saúde, além de aumentar os gastos com o treinamento e capacitação de trabalhadores sanitários para a recuperação fí­sica e emocional dos sobreviventes.

Verbas originalmente destinadas ao combate das doenças veiculadas pela miséria são desviadas para atender às vítimas da violência.

Os antigos bicheiros, agora narcotraficantes, fazem polpudas doações a escolas de samba e clubes de futebol, camuflando nossas mazelas com carros alegóricos e fantasias tapa sexo.

Quanto à posição de legalizar as drogas não encontrei nenhuma definição por parte dos candidatos presidenciais nas últimas eleições, parecia até que não era com eles…

Não creio que legalizar as drogas desativará a bomba-relógio em que se converteu a América Latina, especialmente os países andinos, a América Central e o México.

Isso tem levado a uma intervenção crescente por parte dos EUA, país que há mais de uma década vem fortalecendo sua presença militar na região de maneira nunca vista desde o fim da Guerra Fria. https://direitoeliberdade.jusbrasil.com.br/artigos/135366241/10-razoes-para-legalizar-as-drogas (consultado em 05/04/2019)

Quanto à posição de legalizar as drogas não encontrei nenhuma definição por parte dos candidatos presidenciais nas últimas eleições, parecia até que não era com eles…conferir: https://www.uol/eleicoes/especiais/propostas-dos-candidatos-sobre-drogas-legalizacao-descriminalizacao-maconha.htm#frases-30.

O combate à violência associada às drogas deveria ser uma das maiores prioridades brasileiras. O que eu sei é que quando as tábuas da lei foram a Moisés ofertadas, inventou-se a ilegalidade mesmo sem querer. Assim, legalizar as drogas é algo temeroso. Portanto, além da vulnerabilidade das nossas fronteiras, somos um país de grande desnível social e essa história de legalizar as drogas é uma falácia intelectualoide.

Falando com base na minha experiência como profissional da saúde sou contra a legalização das drogas. Com ela surgiria um aumento no número de dependentes, pois as drogas seriam mais baratas e acessíveis e os sistemas públicos de saúde gastariam mais com o tratamento dos dependentes.

As violentas disputas entre traficantes pelo mercado de drogas iriam continuar, com mais pessoas viciadas, haveria um aumento no número de crimes cometidos, em busca de dinheiro para sustentar o vício.

Leitor que sou de Machado de Assis (1839-1893) concordo com o autor quando escreve “ser o vício o estrume da virtude”. Não é necessário legalizar o estrume. Ou para tudo tem que ter Lei!

Uma coisa é conceito, outra é experiência existencial. Não se deve legalizar as drogas.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

DISTANÁSIA

Por Weiber Xavier (*)

Com o desenvolvimento tecnológico e o avanço da medicina têm-se a possibilidade de recuperar muitos pacientes graves antes sem chance de sobreviver. No entanto, muitas vezes têm-se observado a utilização "inadequada" da UTI e o emprego da tecnologia médica sem o devido questionamento ético. O doente grave sem possibilidade de melhora ou cura é levado a sofrer uma morte lenta, dolorosa, tripudiada em decorrência de tratamentos fúteis por meio de medidas extraordinárias geralmente caras, invasivas e complexas.

O exagero e a obstinação terapêutica para manter o paciente vivo a qualquer custo ou distanásia tornou-se, infelizmente, prática em nossas UTIs. Pacientes em estado terminal experimentam menos estresse e cuidados médicos menos agressivos se tiverem discussões sobre o fim da vida com seus médicos, de acordo com os resultados de um estudo do Journal of the American Medical Association.

As discussões sobre o fim da vida oferecem aos pacientes a oportunidade de definir seus objetivos e expectativas quanto aos cuidados médicos que desejam receber perto da morte. Mas essas discussões também significam confrontar as limitações dos tratamentos médicos e a realidade de que a vida é finita, os quais podem causar sofrimento psicológico.

O respeito pela autonomia do paciente (consentimento informado) é fundamental na assistência de saúde, inclusive em terapia intensiva. Cuidados de UTI quando clinicamente apropriados são componentes dos serviços de saúde e devem estar disponíveis para todos. O dever dos provedores de saúde em beneficiar um paciente específico tem limites quando o faz de forma injusta e compromete a disponibilidade dos recursos necessários para outros pacientes. Saber como utilizar a ciência e a tecnologia médica diante dos doentes críticos com recursos finitos é uma tarefa difícil e eticamente desafiadora. Segundo Aristóteles em Ética a Nicômano: "É como a medicina, onde é fácil saber quais são os medicamentos, a cauterização e a cirurgia, mas saber como administrá-los, a quem e quando, para tornar o paciente saudável, é a tarefa verdadeiramente difícil de ser médico". 

(*) Médico e professor de Medicina da UniChristus.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/10/2020. Opinião. p.18.

 

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