terça-feira, 19 de dezembro de 2023

PESAR PELA PÁSCOA DO ACAD. EDUILTON GIRÃO

Sob um profundo estado de choque, recebi a notícia do súbito falecimento do amigo, colega e confrade José Eduilton Girão.

Estivemos juntos no Natal da Academia Cearense de Medicina em 7/12/23 e tivemos, Angelita e eu, o prazer de levar em casa o harmonioso casal Valtina e Eduilton, após o término daquele evento.

Na semana passada, trocamos várias mensagens relacionadas ao seu verbete, como médico escritor, para uma publicação em organização.

No último sábado (16/12/23) participamos da Missa de Natal da Sociedade Médica São Lucas. Dele me despedi entregando um livro que recentemente eu lançara, mas não tive tempo de travar um diálogo com ele.

Presença constante nas confrarias e sociedades em que tomava parte, Eduilton fará muita falta e será uma pessoa sempre muito lembrada por todos nós, porquanto ser ele portador de notáveis atributos pessoais, um verdadeiro gentleman da Medicina cearense.

Segue em paz ao encontro do nosso Pai, querido Eduilton.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina


SAÚDE E VIZINHANÇA, UMA VISÃO ATUAL

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Há alguns dias perguntaram-me, numa conversa de corredor, se era verdade que a "saúde" não tem jeito. Foi sob essa provocação que decidi escrever esse artigo. Assim, conversei com várias pessoas, perguntei-lhes o que era boa saúde. A grande maioria respondeu-me que era não ter nenhuma doença.

Nesse ano foi publicado no Jornal of American College of Cardiology os fatores responsáveis pela qualidade de vida e da saúde cardiovascular. Especificamente são: a realidade social e da comunidade, a qualidade da educação, a vizinhança, o acesso ao sistema de saúde de qualidade e a estabilidade econômica.

O artigo é oportuno pois precisamos discutir as necessidades de ajuste do Sistema de Saúde Público e Privado, quando se mostram em evidente crise, tanto no aspecto financeiro quanto na incapacidade de responder às necessidades da sociedade, independente da região do nosso país.

Também foi recentemente publicada análise do excesso de mortalidade nos EUA entre 2017 e 2021. A constatação do aumento em 17% do número de mortes esperadas, mesmo antes da Covid, põe em questão a eficiência do modelo de saúde. É ainda mais preocupante que 50% dos mortos eram pessoas de 15 a 60 anos, principalmente vítimas do abuso de drogas, álcool e suicídio.

Para alguns pesquisadores, ou mesmo estudiosos de saúde pública, os fatos são bastantes conhecidos. Especialmente a relação direta entre o ambiente social, em particular a questão da qualidade das moradias, a renda per capita média e o bem-estar social.

Olhando para esse ângulo de análise é incompreensível o silêncio ou a incapacidade de estabelecer um debate com a sociedade.

É certo afirmar que em tempos de crise o bom senso desaparece. Por outro lado, sabe-se que uma atitude política desvinculada da realidade se traduz em propostas inscientes, e evidentemente, com resultados negativos.

A formulação de políticas públicas exige compreensão das mudanças dos valores e da realidade social, análise das relações de trabalho e conhecimento consubstanciado das necessidades contemporâneas. Ou seja, qualquer estratégia que objetive melhorar a saúde e qualidade de vida precisa focar na transformação do contexto social, moradias e distribuição de renda.

A ciência precisa subsidiar processos de transformação. Só para exemplificar a OCDE publicou algumas habilidades essenciais para futuros empregos; liderança, resolução de conflitos, domínio de línguas, capacidade de trabalho em grupo, raciocínio crítico e visão humanista.

Afinal, estamos no caminho certo, ou não?

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/12/2023. Opinião. p.19.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

OS (MAUS) EXEMPLOS DO FUTEBOL

Por Heitor Férrer (*)

Já adianto que adoro futebol e sou fã da seleção brasileira, apesar dos 7x1 e apesar de já estarmos há 20 anos sem ganhar uma Copa do Mundo. Adianto, também, que sou frequentador do estádio Castelão (hoje "Arena Castelão", o que não entendo). Já confesso que, em casa, estou sempre ligado nos canais de esporte para assistir a um bom futebol dos times nacionais ou do campeonato inglês, espanhol, francês… Portanto, vou falar com propriedade de quem vê futebol e assiste às malandragens dos jogadores, principalmente dos jogadores brasileiros.

Assim como eu, existem milhões de outras pessoas que veem futebol, o que obriga essa atividade a ter responsabilidade ética e ser bom exemplo para o mundo. O primeiro grande mau exemplo do futebol está nos salários dos jogadores. Embora regido pelo mercado, são números estratosféricos. Como imaginar um profissional, seja ele de qual área for, ganhar R$ 840 milhões/ano, R$ 70 milhões/mês, R$ 2 milhões/dia, como é o caso do Neymar "Cai-Cai", craque, porém longe de ser um atleta e muito mais longe ainda de ser exemplo para o mundo, por seu deplorável comportamento dentro e fora do campo.

Exposto este primeiro grande mau exemplo, causa-nos indignação o comportamento dos jogadores que, na nítida intenção de enganar o árbitro, usam de má-fé, de conduta desonesta e aética, ofendendo com suas encenações a esses milhões que prestigiam o futebol.

A Fifa tem que endurecer o combate a essas artimanhas em respeito a quem assiste a esses espetáculos de desonestidade, péssimos maus exemplos.

Nada mais insuportável ver um jogador ser tocado levemente no tórax e vê-lo rolar no gramado com a mão no rosto, fazendo crer que o soco foi no rosto, o que torna a falta grave. Não dá pra aceitar, diante das câmeras e auxílio do VAR, o jogador sem, sequer, ser tocado cair dentro da grande área para simular um pênalti.

É indignante ver um goleiro inventar uma falta e ficar meia hora no chão, se contorcendo do nada para esfriar o jogo, fazendo cera, quando seu time está sob pressão do adversário.

Há de se fazer mudanças para punir esses que não respeitam quem prestigia o futebol e os faz ganhar milhões por dia.

A Fifa tem que inovar regras no futebol em nome da ética, da honestidade e do bom exemplo, sem se falar na violência das torcidas organizadas...

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/11/2023. Opinião. p.21.

domingo, 17 de dezembro de 2023

A JORNADA DE ACEITAÇÃO

Gabriel Damasceno, jornalista de O Povo

Positivo.

"Pra mim foi um baque", lembra Cleide Carvalho (nome fictício), 49, sobre o diagnóstico de HIV. "Foi muito sofrido e doloroso". Ela descobriu o vírus aos 19 anos, na década de 1990. Ela vivia com um homem, com quem tinha um filho. "A gente brigou, não lembro mais a razão, mas decidi dar um castigo nele. Deixei ele com a criança e me mandei (para uma festa)".

"Eu era muito nova, muito inexperiente das coisas".

Ela foi para um show na Praça José de Alencar, no Centro de Fortaleza, onde conheceu um outro rapaz. Os dois passaram a noite juntos. "Quando foi de manhã ele falou: 'tenho uma coisa pra te dizer'. Eu disse: 'pois fale, não tem problema não'. Ele, (então), disse assim: 'e se eu te disser que eu tô com aids?'. Aí o negócio desmoronou pro meu lado".

O rapaz percebeu que Cleide ficou abalada e desconversou a história. Disse que tudo não passava de uma brincadeira. Ela, que não conhecia muito sobre o vírus, acreditou e se acalmou. Vale ressaltar que ela foi vítima de um crime. O que o homem fez pode, em tese, se enquadrar como perigo de contágio de moléstia grave — com pena de 1 a 4 anos e multa — ou como lesão corporal gravíssima — com pena de 2 a 8 anos. "Pela aparência dele, eu jamais acharia que ele tivesse (o HIV). Ele se apresentava muito bem".

Depois da situação, ela começou a apresentar alguns sinais, mas não achava que pudesse ser o vírus. Tinha acreditado na palavra do homem. "Comecei a fazer exame em cima de exame. O médico suspeitava que eu tava com tuberculose".

Ela fez o teste para a doença, mas deu negativo.

"Voltei para (o hospital) de novo e o médico disse: 'Só tem um jeito: vou pedir o teste do HIV'. Aquilo pra mim foi um baque, mas eu acreditava que não tinha (nada). Não queria nem fazer (o teste)".

Ela fez e, dessa vez, deu positivo.

A reação foi de negação. Mesmo com o resultado em mãos, ela decidiu não iniciar o tratamento. "Eu pensava assim: 'Não vou me tratar, porque não estou com isso não'. Tu acha uma coisa dessa. Como que a pessoa tem um exame na mão e tá se negando desse jeito? Eu não aceitava de jeito nenhum".

Depois do diagnóstico, ela chegou a ir atrás da família, mas foi desprezada. O preconceito nos anos 90 era menor que na década de 80, mas ainda era grande, comparado com hoje. "Me isolaram e eu percebi que essa rejeição tava me fazendo mal. Então, eu decidi que não iria mais procurar por eles. Iria morar só".

Em casa — e sem começar o tratamento — os sintomas foram se agravando. "Quando vi que o negócio tava piorando mesmo, eu tomei a decisão de me tratar. Eu pensei assim: 'vou me tratar porque senão vou morrer. E morrer rápido'. Aí eu comecei a levar a sério".

Cleide e Concebida são retratos de uma outra época. De quando a aids representava uma condenação. Hoje as coisas são diferentes. É possível viver como qualquer outra pessoa, desde que siga o tratamento da forma adequada. Militantes, inclusive, pedem para que pessoas com aids não sejam chamadas de "doentes" ou de "soropositivos", mas como "pessoas que convivem com HIV".

No fim, Concebida estava certa: "A aids não é um bicho de sete cabeças".

Publicada em O Povo, de 1/12/23. Cidades. p.6-7.

A CHEGADA DO HIV CONFORME A IMPRENSA

Gabriel Damasceno, jornalista de O Povo

O POVO remonta os primeiros casos noticiados e a cobertura da imprensa cearense sobre a epidemia

Em 1984, Tadeu Sobreira trabalhava no departamento de patologia da Faculdade Medicina da UFC, localizado ao lado do Hospital das Clínicas (HC). A equipe do hospital recebeu um paciente e suspeitavam que ele pudesse ter o vírus. Então, convidaram o médico para fazer uma análise imunológica.

"Ele virou como se fosse uma curiosidade para muita gente", lembra o imunologista. "A sensação que eu tive, na época, é que ele ficou extremamente incomodado de ser aquela figura, digamos assim, exótica. Que todo mundo queria conhecer. Deve ter sido muito traumático para ele, na minha visão".

O paciente passou um tempo no hospital, mas preferiu voltar para o local onde vivia. "A imagem que ficou para mim é que ele preferiu morrer em casa — porque sabia que iria morrer — do que ficar em um hospital [sendo] motivo de curiosidade".

Na época, Márcia Gurgel, a jornalista aposentada, foi até a casa dele, no Conjunto Ceará, para que pudessem conversar. Ela foi a primeira repórter do Ceará a entrevistar uma pessoa com HIV. "Ele falou da vida dele, que tinha viajado para São Paulo, onde teve muitos companheiros", recorda. "Pouco tempo depois que eu o entrevistei, ele morreu".

Nos jornais cearenses, a história começou a rodar antes mesmo de o HIV chegar ao Brasil. Márcia ficou sabendo do vírus por meio do irmão, que é pneumologista e especialista em doenças infectocontagiosas. "Ele se interessava muito por esse tipo de coisa. Chegou para mim: 'Marcia, tá sabendo que tá surgindo uma doença nova nos Estados Unidos?".

Ele fez uma pesquisa bibliográfica e, com base nisso, Márcia escreveu a primeira matéria sobre o HIV publicada pelo O POVO, no dia 12 de dezembro de 1982. O texto, intitulado "Americanos descobrem nova doença que ataca crianças", abordava um vírus misterioso que teria causado a morte de 300 pessoas homossexuais em Atlanta, nos Estados Unidos.

A aids chegou a ser chamada — pela mídia e profissionais da saúde — de Deficiência Imunológica Relacionada a Gays (GRID). O vírus costumava ser associado pela imprensa, nacional e internacional, ao público LGBTQIA. No Brasil, chegou a ser chamada de "Peste Gay", por alguns periódicos.

Érica Cavalcante é historiadora e autora do livro A aids vira notícia: os discursos sobre a 'doença nova' nos periódicos cearenses da década de 1980. Ela analisou 20 matérias do O POVO e do Diário do Nordeste relacionadas à epidemia. "Ao menos no que concerne à análise das notícias as quais tive acesso para a elaboração do trabalho, os periódicos cearenses não contribuíram para a difusão dessa concepção errônea, preconceituosa e moralizante em torno da Aids", diz a pesquisadora.

"Pelo contrário, mesmo quando parte dos elementos evidenciados nas notícias referiam-se aos homossexuais, a abordagem utilizada primava pela abertura de espaço para que ativistas e demais representantes da comunidade LGBTQIA (que na época não contava com essa designação) [contestassem] nomenclaturas pejorativas como 'Peste Gay', 'Câncer Gay' e 'Praga Gay'", continua.

Por mais que o estigma não estivesse tão evidente nas páginas do jornal, a situação era diferente no entrelinhas. "Teve um lance muito interessante", lembra Márcia. "Um rapaz chegou no jornal e eu já (o conhecia). Tinha lido uma entrevista com ele na Revista Veja: era funcionário de uma empresa de aviação, que tinha sido diagnosticado com aids e foi demitido. Ele entrou na Justiça e foi readmitido".

Depois da situação, o homem começou a viajar por todo o País para falar sobre a discriminação contra pessoas com HIV. Uma das paradas foi a av. Aguanambi 282 (sede do O POVO). Márcia o recebeu e, para o entrevistar, deixou que ele se sentasse na cadeira de um colega, de um editor.

"Quando o colega dono da cadeira chegou… ele enlouqueceu". "Jogou a cadeira longe. Disse que nunca mais sentava ali, porque eu tinha deixado um 'aidético' sentar na cadeira. (Em resposta) eu disse: 'eu quero (a cadeira)' e acho que fiquei com a cadeira até eu sair do jornal".

Apesar da situação, Márcia acredita que o preconceito era mais uma coisa pontual. À época, ninguém sabia muito sobre a doença. Todos tinham medo. "Depois, colegas nossos morreram de aids. No O POVO, no Diário do Nordeste. O vírus foi chegando a todas as profissões e chegou na imprensa. Então, o preconceito foi diminuindo. A gente trabalhava ao lado de colegas que, de repente, estavam com aids".

Publicada em O Povo, de 1/12/23. Cidades. p.6-7.


sábado, 16 de dezembro de 2023

DIA DE COMBATE À AIDS: quando o HIV chegou ao Ceará


Márcia Gurgel, jornalista aposentada. (Fotografia de Mauri Melo).

Gabriel Damasceno, jornalista de O Povo

Há cerca de 40 anos, a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) tinha os primeiros registros no Ceará. O POVO relembra diagnósticos iniciais no Estado e trajetória recheada de estigmas

"Eu vou à luta. Se não der, não deu, todos morremos". A declaração é de Maria Concebida de Oliveira, de então 25 anos, pouco tempo após o diagnóstico de HIV positivo, em 1987, ao O POVO. Uma época em que, diferente de hoje, o vírus era visto como uma sentença de morte. Concebida não pensava dessa forma. Era otimista: "A aids não é um bicho de sete cabeças, a gente não morre do dia para a noite".

Ela foi a primeira mulher cearense diagnosticada com aids no Ceará. "O grande sonho dela era tomar uma medicação que havia sido lançada no mundo, o AZT, mas ainda não tínhamos", lembra Anastácio Queiroz, professor de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e ex-diretor do Hospital São José (HSJ).

O HIV chegou ao Ceará há cerca de 40 anos atrás. As datas são confusas: de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), a primeira notificação de HIV aconteceu em 1983. Foi um homem que teria sido atendido no HSJ. As primeiras notícias de casos suspeitos, no entanto, só datam de 1984.

Concebida nasceu em Milagres, a 482,5 km de Fortaleza, e se mudou para São Paulo aos 19 anos. Ela queria uma vida melhor. Estava em busca de trabalho. Mas, na capital paulista, contraiu o vírus.

Os primeiros sintomas apareceram ainda em 1986, enquanto visitava a família, em Milagres. À época, ela chegou a procurar um médico, que apenas lhe receitou um remédio para diarreia. Os sintomas persistiram e, assim que voltou para São Paulo, procurou o Hospital Emílio Ribas. Fez alguns exames e o médico deu o diagnóstico: suspeita de aids.

Em São Paulo, ela começou o tratamento. Ficou internada por mais de um mês, até que um médico recomendou que voltasse para o Ceará. Foi o que fez. "A gente acompanhou a chegada dela na rodoviária. Ela foi para a casa da família e, depois, foi para o Interior", recorda a jornalista aposentada Márcia Gurgel. "A gente acompanhou todo o quadro dela". "Ela melhorou, ela piorou, ela morreu".

Nas décadas de 1960 e 1970, o Ceará, o Brasil e o Mundo viviam um período de liberação sexual. Até que o HIV apareceu. "Obviamente tiveram os radicais dizendo que era um castigo de Deus. Tinha de tudo", lembra Tadeu Sobreira, médico imunologista e professor aposentado da UFC.

"Aos poucos foram se colocando os pingos nos Is: não era um castigo divino". "Era uma exposição, por falta de conhecimento, a um agente viral", sentencia.

No começo, a síndrome ficou conhecida como 'a doença dos 4Hs': viciados em heroína, haitianos, homossexuais e hemofílicos. Tirando o último H, todos faziam parte de grupos até então marginalizados. A sigla "Aids" foi usada pela primeira vez em junho de 1982. Significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida — ou Acquired Immunodeficiency Syndrome, no original. Já o termo HIV — Vírus da Imunodeficiência Humana — só veio a existir em 1986.

"Até então, era uma doença nova, ninguém sabia do que se tratava", destaca Anastácio Queiroz. "A primeira coisa que chamava atenção era o medo de todos. Um preconceito absolutamente incalculável. Todos temiam, apesar de a aids ser uma doença que se transmitia pela intimidade".

Quando os primeiros casos apareceram, muitos hospitais não queriam tratar os pacientes. "Criava-se um pânico muito grande no hospital. Os outros doentes faziam pressão para que o paciente fosse transferido. Ninguém queria ficar em um ambiente com uma pessoa com aids". "Isso era bem claro", lembra Anastácio.

"Eles eram rejeitados por todos, inclusive por membros da família", continua. "A doença carregava muito medo consigo. Então, era muito triste. Lembro de dois pacientes que nunca aceitaram o diagnóstico e evoluíram de maneira muito negativa, porque nunca quiseram fazer o tratamento".

Série

Este é o primeiro de três episódios sobre o HIV/aids no Ceará. O material será publicado com antecedência para assinantes OP. Na próxima semana, o tema será a mudança de perfil de pessoas soropositivas durante as últimas décadas

Publicada em O Povo, de 1/12/23. Cidades. p.6-7.

CONVITE: Confraternização Natalina e Celebração Eucarística da SMSL - 2023

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Confraternização Natalina e da Celebração Eucarística do mês de Dezembro/2023, que serão realizadas HOJE (16/12/2023), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


 

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