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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

AS BETS EM NOVAS REFLEXÕES

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Na edição de 13/07/2026, deste Jornal, abordamos uma questão que consideramos de enorme gravidade, caracterizada por uma avalanche do que se designou como bets (apostas, em inglês), as temíveis plataformas de apostas digitais.

No Brasil, elas trazem um problema adicional, por estarem fortemente vinculadas ao futebol, esporte de enorme popularidade, e assim aparentarem uma diversão inocente. Mas, além dos esportes tradicionais, eletrônicos e entretenimentos, as bets exploram, especialmente, jogos de sorte virtuais, como caça-níqueis, roletas e cartas.

O massivo investimento de patrocínio nos clubes e campeonatos brasileiros se dá na contramão do que ocorre, por exemplo, na Europa, em que algumas ligas proíbem as agremiações de estamparem em seus uniformes propagandas de bets. Aqui, pelo contrário, há um incentivo não apenas para uniformes, mas para estádios e programas de televisão, por exemplo.

Assim, as pessoas são expostas a um mundo fantasioso, em que desfilam craques do presente e do passado, influenciadores digitais e outras figuras de destaque, sempre passando a falsa ideia de que apostar é algo glamuroso, que não representa qualquer risco e pode proporcionar uma renda extra, sempre bem-vinda.

No entanto, quando se chegou ao ponto em que os gastos com essas apostas ultrapassaram os R$ 30 bilhões mensais, em contraponto aos R$ 20 bilhões mensais investidos no nosso programa de saúde pública, o SUS, não há dúvidas de que é preciso, para ontem, inibir as facilidades hoje apresentadas, com uma forte regulamentação na publicidade, que não pode se limitar às discretas frases de advertência impostas pelas recentes regulamentações governamentais.

E, para além disso, uma reavaliação, também urgente, na questão da educação financeira e digital já a partir dos primeiros anos escolares, trabalhando o tema de forma transversal em que se ligue Matemática à interpretação de tabelas e juros, o consumo consciente em disciplinas como Geografia e História ou o impacto das mídias na Sociologia, e no campo da Tecnologia, a criação de barreiras virtuais para inibir o consumo por compulsão.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/08/26. Opinião. p.18.


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Quem ganhou a copa? Espanha ou Japão?

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Nas corridas de cavalos na Inglaterra, quando havia apenas um competidor apto a disputar a prova, bastava caminhar (to walk) até o ponto de chegada para ser considerado vencedor, sem precisar competir de fato.

Neste caso, para indicar uma vitória por ausência do adversário, ou sem competição, passou-se a usar a expressão inglesa "Walkover" - depois abreviada para W.O., a designar vencedor sem contenda.

A Espanha ganhou, com disputa, a tradicional Copa, mas, se tivéssemos criado a Copa do Meio Ambiente, o Japão teria ganho todos os jogos por W.O., porque sua torcida deu exemplo ao recolher, sempre, o lixo nas arquibancadas, após os jogos nipônicos.

Como um dos coordenadores do Programa de Escolas Associadas à Unesco, fui um dos visitantes a colégios japoneses quando, entre outras atividades, assistimos a aulas juntamente com as crianças. No final da manhã, os estudantes formam várias equipes. Uma delas transforma as carteiras escolares em mesas para o almoço, que se dá na própria sala de aula. Alguns vão à cozinha e trazem os alimentos. Um grupo deles serve-os. Outros recolhem a louça e as sobras. Após a refeição, uns limpam a sala e removem as cestas de lixo.

O que os japoneses fizeram na Copa do Mundo não foi sacrifício algum. Faz parte de sua cultura. Para quem viu tudo isso, não foi surpresa observar que, no metrô, em atenção aos vizinhos, as pessoas não usam o telemóvel por voz e se comunicam apenas com mensagens, para evitar o incômodo a terceiros. No aeroporto, há cabines telefônicas sem telefone exclusivamente para o uso de celulares.

O garçom não aceita gorjeta e se ofende se você deseja concedê-la. Para eles, o bom serviço independe de gratificação. Objetos e dinheiro são recebidos com as duas mãos. Cumprimentos não são feitos com mãos a trocar bactérias senão por mesuras; e, quanto maior o respeito, maior a curvatura do corpo.

Valorizam os mais velhos, as hierarquias, as autoridades, o próximo, a disciplina, os valores coletivos, o bem comum, a harmonia entre tradição e modernidade, a educação e a priorização do social sobre o individual. Chegaremos lá? 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/07/26. Opinião, p.18.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

UMA NOVA DOENÇA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Um novo e sinistro mal acomete os brasileiros e as brasileiras: as tais plataformas de apostas esportivas, também conhecidas como bets, nome derivado do verbo bet que em inglês significa apostar. Não que só agora o nosso povo descobriu essa mania; a população brazuca sempre se viu envolvida com algum tipo de jogo, seja o do bicho, seja o carteado, seja o turfe, seja a loteria, seja o bingo, seja qualquer atividade lúdica em que o azar, esta triste palavra, esteja envolvida.

Todavia, se no passado essas manias se davam com base no "vale o escrito", nestes tempos que correm, as bets operam na velocidade do algoritmo, gerando uma espécie de vício que faz adoecer as pessoas, estas cada vez mais incontroláveis em suas tentativas de ganhar dinheiro, cruéis fracassos.

Essa doença é alimentada por duas características da nossa sociedade: a aversão ao planejamento e a irresponsabilidade financeira. O gosto pelo lema "deixa a vida me levar, ao léu e ao deus-dará" é o leitmotiv de muita gente boa por aí. De outra parte, estourar cartão de crédito, esbanjar o que não se tem, comprar coisas desnecessárias ou fúteis são atos que desenham a cara da turma que costuma frequentar a fila do Serasa.

Há absurdos tais como muitos beneficiados pelo programa Bolsa Família apostarem tudo o que têm e o que não têm no jogo do tigrinho, virando reféns de uma roleta russa ignominiosa. Não são mais seres humanos, são zumbis, são drogados que precisam da heroína do jogo constante para seguir vivendo, se é que isso é vida. Nada fácil a situação.

O governo federal, preocupado com o endividamento dos apostadores e de suas famílias, criou regras para a publicidade das bets, tal como faz em relação ao cigarro. O Ministério da Fazenda tornou obrigatória a exibição de advertências relativas à jogatina, bem como ampliou as restrições quanto ao conteúdo das propagandas, principalmente aquelas que incentivam as apostas como forma de amealhar caraminguás ou que se utilizem de figuras populares para influenciar o respeitável público.

Realmente, dá raiva ver jogador de futebol que até bem pouco tempo tinha uma imagem sagrada, se revelar, na verdade, um santinho do pau oco vendendo enganosas facilidades na televisão e nas redes sociais. Quem sabe se não foi essa nova pandemia o que acabou com a nossa seleção?

Especialistas, por seu turno, informam que só o aviso repreensivo não basta. Há que se contar com fiscalização tecnológica, tratamento médico para dependentes, programas de educação financeira e mecanismos rigorosos de controle de gastos. O Desenrola está por aí, resolvendo o buraco das finanças pessoais arrasadas com dinheiro público, mais um gargalo administrativo.

Com certeza, esse assunto mais a segurança pública serão os temas mais abordados neste ano eleitoral. Com a cabeça zonza de tanto pensar no momentoso e angustiante problema, deixei a crônica de lado e fui respirar no jardim. Lá fora, dois sujeitos conversavam. "Aposto dez paus que nos próximos cinco minutos não passa nenhuma Topic 703 aqui na Antônio Sales". Ah, Brasil, tem jeito não...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/07/26. Vida & Arte. p.2.


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A QUE PONTO CHEGAMOS

Por Rev. Munguba Jr. (*)

De quatro em quatro anos o Brasil se reúne para viver a magia de uma Copa do Mundo. Pais sacrificam parte da poupança para realizar o sonho dos filhos com os álbuns de figurinhas, e milhões de brasileiros alimentam a esperança de ver mais uma estrela estampada na camisa da nossa seleção.

Lembro-me da Copa de 1970. Eu era apenas um menino, comendo rocambole de goiaba e correndo pelas ruas atrás do Colégio Batista, onde morávamos, comemorando cada vitória da seleção brasileira. Depois daquela conquista vieram outras duas inesquecíveis, consolidando o Brasil como a única seleção pentacampeã do mundo.

Entretanto, neste ano chegamos a um ponto diferente. O debate deixou de ser sobre futebol.

Assistimos a campanhas favoráveis e contrárias ao nosso camisa 10 não por sua condição física, seu talento, sua capacidade técnica ou sua recuperação das lesões, mas por causa de suas preferências políticas e declarações públicas.

Todo cidadão tem o direito de manifestar suas convicções e fazer suas escolhas. Somos contrários a qualquer forma de discriminação. Seja na política, na religião, na vida familiar ou na esfera da sexualidade, cada pessoa deve ser livre para expressar suas convicções. Respeitar uma decisão não significa, necessariamente, concordar com ela.

Quando escolhemos um médico para realizar uma cirurgia, observamos sua formação, sua experiência e seus resultados. Quando buscamos um salão de beleza, avaliamos a qualidade do atendimento e o resultado do serviço. Raramente perguntamos qual é a preferência política ou a orientação ideológica dessas pessoas.

Talvez estejamos perdendo a capacidade de distinguir o que é essencial do que é secundário. Precisamos aprender novamente a separar as estações da vida e evitar transformar diferenças de opinião em critérios absolutos para julgar pessoas.

Quando confundimos competência com preferência, perdemos muito mais do que um jogo. Perdemos a capacidade de conviver.

Vai lá, Neymar! Faça no campo aquilo que você sabe fazer. Honre a camisa da seleção com dedicação, entrega e excelência. E, se Deus permitir, ajude a trazer para o Brasil mais uma estrela.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 4/07/2026. Opinião. p.24.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A ILUSÃO NO CLIQUE: o custo social das bets

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

No Brasil de hoje, bares, calçadas ou pontos de ônibus exibem o brilho de telas de celulares com gráficos coloridos, foguetes que sobem, promessas de multiplicação instantânea de dinheiro das chamadas "bets". Elas passaram de entretenimento para um problema de urgência social, econômica e de saúde pública, ocupando, com uma velocidade impressionante, espaço no cotidiano de uma população já endividada e pouco alertada para os riscos sobre o orçamento doméstico.

Dados recentes de pesquisa realizada pela CNC, estimam em 81,6% o número de famílias endividadas, 29,7% com atraso e 12,3% sem condições de quitação. Esse recorde histórico, não admitindo mais protelações.

A demora já favoreceu o caminho para aquele clique, que cria um momento lúdico, mas, na realidade, torna o cidadão um possível viciado, com a ilusão do ganho fácil, desde que persevere. "Insista, persista, não desista. O seu dia chegará", já dizia velho bordão da Loteria Cearense.

Contudo, o problema não é o jogo em si, mas o dinheiro da bodega, da conta de luz ou do mercantil do mês, canalizado para a ilusão do ganho fácil. Números do Banco Central indicam que os recursos transferidos via Pix para plataformas de apostas - hoje na casa das 200 legalmente estabelecidas -, podem chegar a R$ 30 bilhões mensais e, mais grave, análises amostrais apontam para que 5 milhões de  teriam destinado, em um mês, cerca de R$ 3,0 bilhões para essas plataformas.

Não é de estranhar que os varejistas cearenses já se ressintam da perda de fôlego do consumo básico, porquanto a renda que circularia no comércio do bairro, por exemplo, está sendo desviada para essas plataformas e distribuída não se sabe exatamente para onde.

O debate sobre a regulamentação, com regras de publicidade, tributação e mecanismos de identificação de perfis de risco, já tardio, da burocracia estatal, em ritmo de tartaruga versus a velocidade do clique. Devemos tratar o superendividamento por apostas não como um desvio de caráter, mas como um problema de saúde coletiva— a ludopatia.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

SELEÇÃO, SAMBA E RAÇAS

 Por Raimundo Padilha (*)

Estamos entrando em clima de Copa do Mundo. O técnico da seleção brasileira já anunciou a convocação de 26 jogadores. Embora estejamos com um dos mais consagrados técnicos do mundo, não deixa de ser um momento difícil a escolha dos convocados. As torcidas vibram quando os seus ídolos são anunciados. O Brasil é penta

campeão, mas há mais de 20 anos não traz o troféu. Tivemos uma fase áurea do futebol e hoje, embora, com alguns valores individuais não temos conquistado a taça. No dia do anúncio o clima era de expectativa, principalmente, para se saber se Neymar seria ou não convocado. A sua convocação era defendida pela grande maioria dos torcedores.

Acho que um bom time precisa do binômio talento individual e espírito de equipe (entrosamento). E são 11 que precisam estar bem alinhados, Assim, não foi fácil a escolha do técnico Carlo Ancelotti. Pessoalmente, achei longo o período de observação dos jogadores e muito curto o período de treinos para ser criado o espírito de equipe.

Particularmente quanto à convocação do Neymar, talvez, tenha sido a maior dificuldade do Ancelotti. Neymar ainda é um craque, mas já não é o craque de ontem, embora o seu nome ainda pese. Historicamente, ele é muito marcado e recebe muitas faltas passando longos períodos fora de campo.

Acho que o técnico passou pelo seguinte dilema: se não convocar o Neymar e perder a copa, a culpa é dele (técnico), mas se escalar o Neymar e perder a taça a culpa será do jogador. Não desejo que Neymar assuma o peso desta responsabilidade que poderá comprometer o seu desempenho. Quero que entre em campo fazendo o que ele ainda pode fazer de melhor. Ele tem o apoio de toda a torcida brasileira e dos seus 10 companheiros, que ainda veem nele um talento.

E justiça lhe seja feita ele tem noção das quatro linhas, da bola redonda, das traves e dos seus companheiros de equipe. E isto ele vai levar para toda a sua vida, mas a idade vai limitando o seu desempenho. E isto é da natureza humana.

Mas, é bom lembrar que somos 26 e todos têm muito valor e responsabilidade pela camisa que vestem. Enfim, somos penta. E temos raça.

Aliás, a propósito de raça, no mundo temos várias raças: a branca, a negra, a parda, a amarela e a indígena.

No futebol brasileiro e na música, os melhores têm sido da raça negra. Pelo menos, esta é a minha observação pessoal. E isto se constitui num grande valor, que pode eliminar a má ideia dos preconceituosos. A nossa arte musical, principalmente, no samba, no baião, no chorinho e no rap, a predominância com talento e elegância é a raça negra que melhor nos representa.

No futebol/arte é da mesma forma. Basta lembrar de Zizinho, Didi, Pelé, Garrincha, Barbosa, Jairzinho, Djalma Santos e tantos outros, que para orgulho nosso vestiram a camisa canarinha. Sem demérito das demais, a raça negra é orgulho nacional.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 10/06/26. Opinião. p.17.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Rio, quem te viu, quem te vê

Por Romeu Duarte Junior (*)

Assim como muitos e muitas da minha geração, fui criado sob a égide da visão do Rio de Janeiro como a maior das maravilhas do mundo. Meu pai, mineiro de nascença, mas carioca por desejo, morou cerca de 15 anos na belíssima Cidade Maravilhosa, precisamente no período que é conhecido como "anos dourados". Quando falava do que lá passara, seus olhos brilhavam, para aborrecimento de minha mãe, que via o Rio como um lugar de perdição e pecado. Aprendi, pois, com o autor dos meus dias (obrigado, Aírton Monte, que também era um fã do RJ), a venerar a capital carioca, sua cultura urbana, suas variadas expressões, seus lugares, seu povo. "Algum dia ainda vou morar lá", repetia sempre de mim para comigo esse mantra. Hoje, por várias questões, não mais, e explico porquê.

Meus interesses se concentravam no futebol, na literatura e na música da terra de Machado de Assis, numa relação idealizada e apaixonada. O Rio é um lugar onde o corpo ainda conta muito, principalmente o feminino, em torno do qual todas essas manifestações artísticas orbitam. Juntamente com as muitas praias, formavam um binômio irresistível, a Garota de Ipanema que o diga. O Botafogo de 1969, Doval, Zico, Adílio e Adão, Rivelino no Flu, a zaga do Vasco em 1974, o Bangu e o Ameriquinha, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, a turma afiada do Pasquim, Clarice Lispector, Antônio Callado, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Vinícius, Chico Buarque, Edu Lobo, Martinho, Paulinho da Viola, tanta gente boa. E aí, e agora?

Como dizem seus cultores, a História serve para explicar o presente e não para glorificar o passado. No começo do século XX, de um lado, a cidade esplêndida, com a sua natureza magnífica e a sua arquitetura deslumbrante, e de outro, a morraria, que já se via ocupada pelos pobres favelados. Deixados à própria sorte pelo ausente Estado, criaram normas de conduta próprias que findaram dando no que aí está. A perda da condição de capital do Império e da República foi um duro golpe para o Rio, pondo fim a 152 anos de fastígio. A cidade, referência nacional e internacional da boa vida e do turismo, e o morro, abandonado e cada vez mais perigoso, vão ser dominados respectivamente por uma classe política corrupta e por toda sorte de bandidagem, facções e milícias. O resto você sabe...

Vejo na TV o governador-tampão do RJ demitindo centenas de terceirizados que ganhavam sem trabalhar. Vários agentes da Receita Federal envolvidos em grosso esquema de corrupção na zona portuária. Muitos secretários e deputados estaduais presos por meterem a mão no dinheiro público. Em mais de 30 anos, a única dirigente do estado que não foi presa é Benedita da Silva. O Rio é o locus da atuação do grupo político liderado pelo inominável presidiário. A política se deixou dominar por faccionados e milicianos. A polícia carioca, em seu estilo Robocop, é uma das que mais matam cidadãos e cidadãs no Brasil. Em vez de Festa de Arromba, baile funk. Em vez de Bossa-Nova, gangster rap. Em vez de Nuvem Cigana, tiroteios mil. Em vez de João Gilberto, Poze do Rodo. Barbárie...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/05/26. Vida & Arte. p.2.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

SELECINHA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Mesmo não chegando a ser nem de longe um Sérgio Redes (também conhecido nos mundos da bola e do livro como Serginho Amizade), meu prezadíssimo amigo, gosto de dar meus pitacos quando o assunto é futebol. Não, hipócrita leitor(a), não falarei da tragédia em curso no futebol cearense, de times em baixa, lisos e abandonados pelos próprios torcedores. Reportar-me-ei a um problema muito maior: a péssima fase da nossa seleção, antes chamada carinhosamente de Canarinho e hoje por mim apelidada de selecinha, pelo péssimo futebol que ela apresenta. Fomos campeões do mundo pela última vez em 2002, já lá se vão 24 anos. De lá para cá, só fracasso e frustração. Lembro-me de que eu parava tudo o que estava fazendo para ver um jogo dela. Hoje prefiro mais ver o Chaves.

Sou do tempo em que um jogador, ao ser convocado para a seleção brasileira, levantava as mãos para o céu e agradecia a Deus pelo presente. Sua família o saudava como a um herói de guerra. Na convocação, o sorriso aberto, o peito estufado de orgulho, a postura de guerreiro. Nas copas a que assisti e que o Brasil ganhou (a primeira em 1970), os técnicos eram praticamente entregadores de camisas aos jogadores. Ora, como ensinar o esporte bretão a um Pelé, a um Tostão, a um Gérson, a um Carlos Alberto, a um Rivelino? Os caras resolviam as coisas no campo com a qualidade, a matreirice e o talento que tinham de sobra. Presentemente, parece-me que os nossos atletas veem qualquer jogo da seleção como uma partida a mais, a frio, sem tesão. Nelson Rodrigues vomitaria.

Senão, vejamos: no último prélio com a França, quando perdemos por 2 a 1, com a seleção gaulesa com um a menos, viu-se uma equipe com uma defesa fraca, um meio de campo sem qualquer criatividade e um ataque comandado por um jogador mais interessado em denunciar atos de racismo contra si (no que está certo) do que jogar futebol. O desempenho que os nossos players exibem nos seus clubes da Europa está muito distante daquele que apresentam na seleção. Quando são chamados de "jogadores de time" ficam bravos, vociferam, brigam. Mas, infelizmente, é o que acontece. Salvo uma ou duas exceções de praxe (que só confirmam a regra), são apenas atletas bonzinhos, daqueles que costumam tirar a canela de jogadas mais duras. Assim não passaremos da fase de grupos.

O morcego que mora no meu escritório, pendurado no varal da área de serviço, leu meus pensamentos e veio de lá com uma provocação: "O Brasil só ganha essa Copa se o Neymar for convocado". "Só se for a Copa de mau-caratismo, trambicagem e jogador mascarado", retruquei. Ele deu de ombros, bateu as asas e saiu voando por aí. "Ainda mais essa, aguentar praga de morcego", disse de mim para comigo. Saio do estúdio para tomar um ar sob a sombra do jasmim-manga do meu jardim, quando ouço a conversa de dois sujeitos: "O Brasil não vai ganhar essa Copa porque o treinador é italiano". Febeapá puro, o que tem a ver o traseiro com as calças? O que falta, na verdade, é futebol bem jogado, com raça, malícia e destreza, como alguém faminto que avança num prato de comida.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/03/26. Vida & Arte. p.2.


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O LONGO CAMINHO DE VOLTA

Por Romeu Duarte Junior (*)

A Robson Menezes

Mais de duas semanas já se passaram do acontecido e eu ainda estou triste. Ainda não digeri o rebaixamento do Ceará para a Série B do Campeonato Brasileiro. Aliás, digestão difícil, pois o Fortaleza também caiu para o mesmo grupo naquele fatídico 7 de dezembro de 2025. "Quer dizer então que o fofinho lamenta também a sorte do Láion (argh, tudo menos isso!)?!", perguntarão os nelsonrodrigueanos idiotas da objetividade. Respondo na lata: claro, o futebol não se restringe apenas à disputa do campeonato local. O ano começa logo com o tal "manjadinho", que não motiva mais ninguém a não ser quando da realização do Clássico-Rei e, logo após, começa a pedreira de um certame traiçoeiro com times sem muita expressão. Aliás, como os nossos, que nisto se transformaram.

O futebol cearense é hoje um muro de lamentações. O Vozão, com seu time de operários bonzinhos e esforçados, fracassou nos últimos jogos, quando teve 15 pontos ao seu dispor e só ganhou um, degringolando na única vez que entrou no Z4. O Fortaleza, depois de uma campanha horrorosa, construída com três técnicos, na qual passou quase toda na rabeira, teve uma melhora grande na reta final sob Palermo, mas os vacilos foram fatais. Faltou às duas equipes o que é fundamental no futebol: fazer o dever de casa bem feito, ou seja, vencer as partidas aqui. Uma outra grande lição que ficou é que não existe mais lugar para treinador medroso, covarde e retranqueiro. Quem não tem a ousadia de ganhar merece perder. Agora, é refazer cálculos, diminuir orçamentos, apequenar-se...

Numa frase: ludopédio alencarino, teu nome é incompetência. É o tempo de reconstruir equipes, mandar jogadores caros embora, contratar outros baratos (que podem custar caro), misturar maracujina com calmantes e aguentar as finas e as grossas das torcidas, ambas decepcionadas. Vale dizer que as hinchadas cumpriram à risca o seu papel. As galeras alvinegra e tricolor ficaram no Top-4 em média de público no campeonato passado, só perdendo mesmo para a do Flamengo e a do Corinthians, as duas maiores do Brasil. Ou seja, não faltou apoio, faltou foi aplicação e vontade. No bar, um amigo, entre um gole de uísque e outro, vaticina: "o campeonato será longo, muito longo". Muito mais longo, penso eu, será o caminho de volta à elite do pebol nacional. Alguém tem dúvida?

No final da tarde do dia da dupla queda, no botequim, os semblantes dos fregueses se pareciam com aqueles dos personagens do filme "O sétimo selo" de Ingmar Bergman. Em transe depressivo, não acreditavam no que estavam vendo. Tanto tempo perdido defronte à televisão para assistir dolorosamente ao aviltamento, que se deu de forma abraçada e na triste e infausta companhia de Juventude e Sport. É hora também de mudar de hábitos, reinventar-se. De engolir o choro e aceitar que a vida segue o seu rumo inexorável. Às vezes, uma boa chapuletada obra milagres. Já estou me organizando para comprar pacotes televisivos da Série B. Consultei um amigo torcedor do Leão, que não perdeu a piada: "É boa, um kanal atrás de um canal!", caindo na risada. Vamos em frente.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/12/25. Vida & Arte. p.2.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 837

Abro a coluna com o "francês" Dirran.

Infame, mas engraçada...!

Dirran (com "biquinho" para parecer um francês correto), galego meio sarará, entroncado e de pernas curtas, jogava no Clube Atlético Potengi, no Rio Grande do Norte. Um dia, disputava no Machadão uma partida contra o Potyguar de Currais Novos, pela 2ª divisão do campeonato potiguar. O jogador atleticano era o destaque. Fazia dribles desconcertantes e lançamentos perfeitos. Fechou as glórias com um golaço. O narrador da rádio Poti gritava: "Dirran é um craque", "Dirran, revelação do futebol norte-rio-grandense". Dirran prá cá, Dirran pra lá. No final do jogo, o Clube Atlético Potengi perdeu por 3 x 1. Mas o destaque foi Dirran. Vendo todo aquele sucesso, um jovem repórter da Rádio Poti correu para fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado. Disparou uma bateria de perguntas: "Você tem parentes na França? Qual a cidade onde nasceu, Monsieur? Como veio parar no Brasil? Pode comparar o futebol europeu com o futebol brasileiro? Qual a origem de seu nome?" Espantado, sem atinar com a situação, o jogador respondeu ao incrédulo repórter: "Pera aí, meu sinhô, num é nada disso; meu apelido é Cú de Rã, mas como num pode falar na rádio, então, eles abreveia pra Dirran."

(Historinha enviada pelo amigo Álvaro Lopes).

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/402172/porandubas-n-837


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

O MELANCÓLICO FIM DO NOSSO FUTEBOL

Por Heitor Férrer (*)

Vi Pelé jogar. Vi o Brasil ser tricampeão mundial em 1970 no México, trazendo, de vez, a taça Jules Rimet. Portanto, passei a ser exigente e sei o que é jogar bola. Como muitos que viram a seleção jogar encantando o mundo afora, sofro com a apatia da nossa atual seleção que, há 22 anos, vem órfã de um título mundial. Os brasileiros nascidos de 2002 para cá não experimentaram o que vivenciamos de glória e supremacia do nosso futebol.

De lá para cá, o Brasil só tem decepcionado, tendo os melhores craques do planeta. Fomos campeão na Suécia em 1958, no Chile em 1962, em 1970 no México com a prata da casa, com jogadores que atuavam no Brasil. Pegávamos a melhor defesa de um time, o melhor meio campo de outro e o melhor ataque de um outro e fazíamos a melhor seleção do mundo. Hoje, pegamos jogadores que atuam na Europa, juntamos esses bilionários craques para baterem cabeça dentro das quatro linhas sem qualquer entrosamento. Resultado, um fiasco!

Esse modelo vem dando errado há 22 anos; temos que arrumar outra equação. Até há pouco tempo, defendia que teríamos que voltar ao modelo antigo, escolhendo os melhores daqui. Se der errado, errado já vem há 22 anos; tentaríamos uma outra fórmula e daríamos oportunidade aos que estão aqui de se projetarem e se tornarem, também, bilionários como os que atuam nos encantadores gramados europeus. Nosso fracasso começa logo quando da execução do hino nacional. Não cantam o hino, balbuciam com uma frieza cadavérica, sem sintonia, sem brasilidade. Veja como cantam seus hinos os europeus e os demais sul americanos. Vibrantes, sintonizados. Já entram em campo com o país nas chuteiras.

Campeã do mundo e agora da América, a Argentina me fez mudar de ideia quanto ao modelo antigo de nossa seleção. Todos os seus jogadores jogam fora. E por que com o Brasil não dá certo? Esses craques dão show na Europa e não rendem nada na seleção! Não se arriscam nas jogadas, não expõem suas bilionárias pernas, não se doam ao Brasil. Não vou ser maldoso. Credito à desorganização da CBF e a não manutenção de um time único que se entrose. Só assim, voltaremos a encantar o mundo e a ser campeão de futuras copas.

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/07/2024. Opinião. p.19.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

O FUTEBOL NORDESTINO E A LATINIDADE

Por Mailson Furtado (*)

Belchior inicia o verso de sua música de maior sucesso dizendo “Eu sou um rapaz latino-americano”, assumindo-se, antes de se dizer brasileiro ou cearense, que também foi, um latino. Contrapondo uma grande lacuna à grande parte da população brasileira, que é o assumir-se ou mesmo saber-se como latino-americano.

Tal fato traz experiências das distintas colonizações na América Latina. Enquanto todos os demais países foram colonizados pela Espanha, apenas o Brasil foi por Portugal, com idiomas diferentes que impõem uma barreira na comunicação.

As formas de independências influem também no sentimento do povo por sua terra. Os países hispânicos se “fizeram” através de lutas sangrentas, enquanto o Brasil, no cerne, por um acordo político dentro da própria corte portuguesa. Assim, diante da magnitude geográfica e da disparidade econômica que se firmou, o Brasil consolidou um olhar hegemônico diante dos vizinhos, descolando-se e garimpando outras referências para comparar-se, geralmente advindas da Europa ou América Inglesa.

Isso reflete muito na história do futebol brasileiro, onde, até os anos 1990, a Libertadores não era o campeonato mais importante para os clubes daqui, sendo desdenhado inclusive em prol dos Estaduais.

De lá pra cá, muita coisa mudou, e mesmo que haja ainda uma grande barreira invisível em relação à América hispânica, ficamos mais próximos, tanto pela globalização inerente desses dias, como pela firmação de acordos como o Mercosul. No entanto, é o futebol, paixão comum de todos, uma das experiências de latinidade que dia a dia prova-se, permitindo conhecer-nos.

Acompanhamos com entusiasmo, nos últimos anos, a consolidação dos clubes cearenses dentro das competições sul-americanas, inclusive como protagonistas. Desde 2020 temos pelo menos um representante seja na Libertadores ou Sul-Americana, fato inédito a qualquer outro estado do Nordeste. E pensando sobre o futebol ser esse mote para encurtamento de distâncias e experiência in loco sobre a própria latinidade, dos tantos Brasis possíveis a encontro, onde estava o Nordeste antes neste processo?

É uma pergunta que a sua não-resposta diz muito. Não estava. Acabando por aumentar as barreiras já tão cristalizadas, principalmente ao Nordeste, que é a única região do Brasil a não ter fronteiras com nenhum outro país.

Dessa forma, ter um clube cearense pelo quinto ano seguido em uma competição continental, para além de um marco esportivo e histórico, é também político, potencializando a nordestinidade como símbolo de brasilidade e de latinidade. Seguindo esse trilhar, não demorará a dizer-nos aqui pelo Ceará, tal qual Belchior, que antes de tudo (também) somos latino-americanos.

(*) Cirurgião-dentista. Escritor e professor.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/04/24. Online.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

INOVAÇÃO E CREDIBILIDADE NO COLUNISMO ESPORTIVO

Por Fernando Adeodato Junior (*)

Foi com muita consternação que recebi a infausta notícia da passagem do amigo e ex-companheiro de longa data do O POVO, Alan Neto, para o Reino Celestial. Convivi com o “Trem Bala” desde 1965, quando ingressamos no Jornal praticamente juntos, na antiga sede da rua Senador Pompeu. Alan introduziu um novo modelo de colunismo esportivo, “caçando” a notícia onde ela estivesse e criando bordões que se sustentaram ao longo de quase seis décadas, como “rigorosamente verdadeiro”, “passem adiante”, “há algo no ar além dos aviões” e “quem me disse não mente”.

A morte de Alan deixa uma lacuna impreenchível neste segmento do jornalismo. Também enveredou na área política e sua coluna, aos domingos, era uma das mais lidas do O POVO. Criou um estilo próprio de escrever sobre esportes, mantendo uma identificação com o torcedor ao falar a sua linguagem, de forma simples e direta, seja no jornal, no rádio ou na televisão.

Alan era um jornalista multifacetado, versátil e que sabia exatamente onde “as andorinhas dormiam”. No início da carreira, fazia questão de marcar presença “em cima do lance”, como, por exemplo, ao comparecer ao escritório de José Elias Bachá, presidente do Ceará na época, para ver o ídolo Gildo renovando contrato, ou ao de Otoni Diniz, do Fortaleza, para testemunhar o não menos famoso Mozart prorrogando seu vínculo com o Leão.

A lembrança que guardarei do Alan é de uma pessoa cordial, de fino trato, “amigo de fé e camarada” de muitas jornadas. Na Redação do O POVO, no final da noite, me perguntava: “Junior (assim ele me chamava) pode me dar uma carona hoje?” E eu o levava no meu carro, geralmente falando de assuntos diversos, extra futebol. Sempre de regime, passava horas a fio na Redação sem nada comer. Mas não perdia a chance de “filar” uma bolachinha do meu pacote para enganar a fome.

Querido amigo, que Deus o tenha e conforte os corações de Ivanilde (esposa), Alana (filha), Júlia “Xerim” (neta) e demais familiares. Adeus!

(*) Adeodato Junior é jornalista e foi companheiro de redação de Alan Neto no O POVO 

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/04/24. Edição online.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

OS (MAUS) EXEMPLOS DO FUTEBOL

Por Heitor Férrer (*)

Já adianto que adoro futebol e sou fã da seleção brasileira, apesar dos 7x1 e apesar de já estarmos há 20 anos sem ganhar uma Copa do Mundo. Adianto, também, que sou frequentador do estádio Castelão (hoje "Arena Castelão", o que não entendo). Já confesso que, em casa, estou sempre ligado nos canais de esporte para assistir a um bom futebol dos times nacionais ou do campeonato inglês, espanhol, francês… Portanto, vou falar com propriedade de quem vê futebol e assiste às malandragens dos jogadores, principalmente dos jogadores brasileiros.

Assim como eu, existem milhões de outras pessoas que veem futebol, o que obriga essa atividade a ter responsabilidade ética e ser bom exemplo para o mundo. O primeiro grande mau exemplo do futebol está nos salários dos jogadores. Embora regido pelo mercado, são números estratosféricos. Como imaginar um profissional, seja ele de qual área for, ganhar R$ 840 milhões/ano, R$ 70 milhões/mês, R$ 2 milhões/dia, como é o caso do Neymar "Cai-Cai", craque, porém longe de ser um atleta e muito mais longe ainda de ser exemplo para o mundo, por seu deplorável comportamento dentro e fora do campo.

Exposto este primeiro grande mau exemplo, causa-nos indignação o comportamento dos jogadores que, na nítida intenção de enganar o árbitro, usam de má-fé, de conduta desonesta e aética, ofendendo com suas encenações a esses milhões que prestigiam o futebol.

A Fifa tem que endurecer o combate a essas artimanhas em respeito a quem assiste a esses espetáculos de desonestidade, péssimos maus exemplos.

Nada mais insuportável ver um jogador ser tocado levemente no tórax e vê-lo rolar no gramado com a mão no rosto, fazendo crer que o soco foi no rosto, o que torna a falta grave. Não dá pra aceitar, diante das câmeras e auxílio do VAR, o jogador sem, sequer, ser tocado cair dentro da grande área para simular um pênalti.

É indignante ver um goleiro inventar uma falta e ficar meia hora no chão, se contorcendo do nada para esfriar o jogo, fazendo cera, quando seu time está sob pressão do adversário.

Há de se fazer mudanças para punir esses que não respeitam quem prestigia o futebol e os faz ganhar milhões por dia.

A Fifa tem que inovar regras no futebol em nome da ética, da honestidade e do bom exemplo, sem se falar na violência das torcidas organizadas...

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/11/2023. Opinião. p.21.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

FOLCLORE POLÍTICO CX: Porandubas Políticas

Abro a coluna com uma homenagem à seleção francesa, campeã do mundo.

Dirran…Dirran…?

Dirran (com “biquinho” para parecer um francês correto), galego meio sarará, entroncado e de pernas curtas, jogava no Clube Atlético Potengi, no Rio Grande do Norte. Um dia, disputava no Machadão uma partida contra o Potyguar de Currais Novos, pela 2ª divisão do campeonato potiguar. O jogador atleticano era o destaque. Fazia dribles desconcertantes e lançamentos perfeitos. Corria como Mbappé, esse extraordinário centro-avante da seleção francesa. Fechou as glórias com um golaço. O narrador da rádio Poti gritava: “Dirran é um craque”, “Dirran, revelação do futebol norte-rio-grandense”. Dirran prá cá, Dirran pra lá. No final do jogo, o Clube Atlético Potengi perdeu por 3 x 1. Mas o destaque foi Dirran. Vendo todo aquele sucesso, um jovem repórter da rádio Poti correu para fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado. Disparou uma bateria de perguntas: “Você tem parentes na França? Qual a cidade onde nasceu, Monsieur? Como veio parar no Brasil? Pode comparar o futebol europeu com o futebol brasileiro? Qual a origem de seu nome? Já jogou na seleção francesa? Espantado, boquiaberto, o jogador tascou ao incrédulo repórter a inesperada resposta: “Pera aí, meu sinhô, num é nada disso; meu apelido é C… de Rã, mas como num pode falar na rádio, então, eles abreveia”.

(Historinha enviada pelo amigo Álvaro Lopes)

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

terça-feira, 25 de abril de 2023

CÂNCER DE INTESTINO MATA, ÍDOLOS MORREM

Por Sérgio Pessoa (*)

Estádio Azteca, 1970: O Rei Pelé pula mais alto que o italiano Giacinto Fachetti, para no espaço, de olhos fixos e abertos, desfere uma mortal cabeçada no canto do goleiro Albertosi e sai dando socos no ar comemorando o primeiro gol na lendária final da copa do tri, no México.

Maracanã, 1976: Roberto Dinamite recebe um cruzamento na marca do pênalti, aplica um lençol no zagueiro botafoguense Osmar e fuzila, de voleio, o goleiro Wendell aos 45 minutos do segundo tempo.

Lances imortalizados nas telas da TV, do cinema e agora no YouTube nos dão a impressão de que os dois craques não morrerão jamais. No nosso imaginário, certamente, mas, infelizmente, a realidade mundana é outra. Pelé e Dinamite tiveram sua passagem terrena abreviada pelo câncer de intestino, uma doença comum e absolutamente passível de prevenção e cura, se precocemente diagnosticada.

O câncer colorretal (CCR), popularmente conhecido como câncer de intestino, é o segundo tumor maligno mais frequente entre mulheres e homens no Brasil. É uma lesão que pode ser prevenida e diagnosticada em fases precoces, o que permite altas taxas de cura, se utilizarmos ferramentas como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopias periódicas a partir dos 50 anos.

A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e as Sociedades Brasileiras de Endoscopia Digestiva (SOBED) e de Coloproctologia (SBCP) promovem, em todo o Brasil, a campanha Março Azul. O objetivo é esclarecer a população e cobrar do poder público estratégias que reduzam o risco da doença e permitam o diagnóstico antes da instalação do câncer ou em suas fases iniciais.

A campanha busca popularizar a ideia de que a partir dos 50 anos na população geral, e mais cedo em grupos especiais, como parentes em primeiro grau de portadores de CCR ou indivíduos portadores de doença inflamatória intestinal, a realização de exames laboratoriais e colonoscopias devem fazer parte do cuidado individual de cada um de nós. Lamentavelmente, as doenças de Pelé e de Roberto Dinamite já foram identificadas em fase muito avançada, o que reduziu em muito a chance de cura.

Marque um gol de placa. Lembre-se do Março Azul e previna-se!

(*) Médico gastroenterologista. Presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/03/2023. Opinião. p.20.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

GRANDES FRASES DITAS POR JOGADORES DE FUTEBOL III

O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente... (De um jogador do Benfica de Portugal).

Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar. (De um ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano).

Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático. (De um ex-presidente do Corinthians).

O difícil, como vocês sabem, não é fácil.' (De um ex-presidente do Corinthians).

Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.' (De um ex-presidente do Corinthians).

O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.' (De um ex-presidente do Corinthians ao recusar a oferta dos franceses).

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

GRANDES FRASES DITAS POR JOGADORES DE FUTEBOL II

Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol. (De um ex-jogador do Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito).

A bola ia indo, indo, indo... e iu! (De um jogador do Flamengo da década de 80).

Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu. (De um ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72).

Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola. (De um jogador reclamando de um passe longo).

No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias. (De um ex-ponta esquerda do Santos).

Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe. (De um ex-atacante do Grêmio e da Seleção).

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

GRANDES FRASES DITAS POR JOGADORES DE FUTEBOL I

Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, voo 619 da Varig. (De um ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa).

Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana. (De um ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico).

Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado. (De um ex-atacante do Grêmio).

As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe. (De um técnico em entrevista ao programa Terceiro Tempo).

Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.' (De um ex-atacante do Grêmio).

O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom. (De um meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro).

A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto. (De um jogador assim que chegou no Flamengo).

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

PELÉ, O ATLETA DO SÉCULO

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Quando um dos jovens faltava à "pelada", Roberto Pessoa, já líder carismático, dizia "bota o Pelezinho", aquele garoto que nada parecia fisicamente com Pelé, mas jogava muito bem e por isso recebeu o apelido dado pelo hoje destacado político. Também apareceram o "Pelé" das artes, o da economia, o das vendas. Em cada atividade, "Pelé" tornou-se sinônimo de primeiro.

Apesar de ser o melhor de todos, o rei nunca pôs corte ou pintura de cabelo à frente da bola. Por não considerar o seu corpo um instrumento de beleza, este não era tatuado, e sim burilado para o trabalho. Ao ver o pai chorar logo após o Brasil perder a Copa de 1950, disse: "Chora não, pai; vou ganhar uma Copa para o senhor."

Nelson Rodrigues profetizou, 8 anos depois, ao escrever em sua crônica: "Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós." Não deu outra. Surgia a expressão "complexo de vira-lata" como cousa nossa.

Em fato inédito, tornou-se campeão do planeta aos 17 anos. Em 1961, Pelé driblou quase todo o time do Fluminense e cometeu um golaço no Maracanã. O grande feito originou placa no estádio, criada pelo jornalista Joelmir Beting. Belo tento passou a ser "gol de placa".

No ano de 1968, em jogo do Santos na Colômbia, o juiz expulsou Pelé, e 50 mil colombianos, aos gritos, pediram a volta do craque. Expulsaram o árbitro, e o rei voltou a jogar.

Foi eleito o Atleta do Século em 1980 e recebeu da Rainha Elizabeth II o título de "Sir" em 1997.

Para Tostão, com ele consagrado em 1970, "Pelé foi o melhor de todos os tempos porque tinha (…) todas as qualidades de um supercraque. (…) procurei (…) alguma deficiência de Pelé e não encontrei. O que mais eu estranhava é que Pelé tinha uma condição física magistral, uma velocidade e uma impulsão maior que todos os outros (…) Os reis também morrem. É a finitude da vida, a única certeza absoluta."

E assim finalizou Tostão, ao particularizar trecho de um imortal em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras: "Parafraseando João Guimarães Rosa, Pelé não morreu, ficou encantado."

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Membro da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/1/23. Opinião, p.20.


 

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