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sábado, 10 de julho de 2021

PIADA DO SOLDADO MALUCO

Um general notou que um de seus soldados estava se comportando de maneira estranha.

O soldado pegava qualquer pedaço de papel que encontrasse, franzia a testa e dizia:

"Não é esse" e o jogava fora novamente.

Isso continuou por algum tempo, até que o general providenciou para que o soldado fosse testado psicologicamente.

O psicólogo concluiu que o soldado estava enlouquecido e escreveu sua dispensa do exército.

O soldado pegou, sorriu e disse: "É esse".

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

domingo, 6 de junho de 2021

TURBULÊNCIAS PRESIDENCIAIS DESTEMPERADAS

No artigo ‘Uma presidente fora de si’, publicado em abril de 2016 na revista Isto É, os jornalistas Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco relataram o desequilíbrio emocional da Sra. Dilma Rousseff, diante da iminência de perder o mandato. Segundo a Isto É, a presidente, cuja grosseria é notória, vinha exorbitando o seu destempero nos dias de tensão pré-impeachment, penosamente sentido pelos pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) que servem à Presidência, os quais relataram o mau humor presidencial nos ares:

Nesse período, em viagem a bordo do avião presidencial, um Airbus A319, popularmente conhecido por “Aerolula”, tripulantes e passageiros ficaram estupefatos com outro surto de Dilma. Depois de uma forte turbulência, a presidente invadiu a cabine do piloto aos berros:

– Você está maluco? Vai se f…! É a presidente que está aqui.

– O que está acontecendo? – Vociferou a mandatária-mor do País.

Não era a primeira vez que Dilma perdia o equilíbrio emocional durante um voo oficial.

No final de janeiro de 2016, o avião presidencial despencou uns 100 metros, enquanto passava pela região entre a floresta Amazônica e o Acre. O piloto preparava-se para pousar em Quito, no Equador. A presidente saiu de si. Na sequência do incidente, tratou de cobrar satisfações do piloto. Aos gritos reclamou:

Não te falei para não pegar esse trajeto? Quer que eu morra de susto, cace…?

De acordo com o artigo “Os desvarios de Dilma durante os voos já lhe renderam uma reclamação formal. Em carta, a Aeronáutica pediu para que a presidente não formulasse tantas perguntas sobre trajetos e condições climáticas nem adentrasse repentinamente às cabines para não tirar a concentração dos pilotos”.

Os jornalistas assinaram no artigo em comento que “a presidente não demonstra paciência nem mesmo para esperar o avião presidencial seguir o procedimento usual de taxiamento”. Um dos seus assessores presidenciais recorda que, certa vez, Dilma determinou à Aeronáutica que reservasse uma pista exclusiva para a decolagem de seu avião. Com isso, outras aeronaves, que estavam na dianteira, tiveram de esperar na fila por horas, atrasando as partidas desses voos e trazendo prejuízos a centenas de passageiros retidos no aeroporto ou já embarcados.

Pelo visto, o impedimento da vernaculicida “presidenta”, antecipando o seu final do mandato, trouxe um alívio à tripulação do “Aerolula”, que por mais de dois anos ficou livres dos arroubos e destemperos emocionais da ex-presidente Dilma.

Fonte: Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco. In: Isto É/montedo.com

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.72-73.

A ‘MARECHALA DO AR’

A jornalista Natuza Nery escreveu no jornal A Folha de São Paulo online, em 2013, que Sra. Dilma Rousseff, quando no exercício da presidência, não tolerava “turbulências – nem as corriqueiras agitações da política nacional nem as literais: ela detesta quando o avião presidencial sacode em pleno ar”.

Foi por medo do balanço que a ex-presidente se habituou a conferir, pessoalmente, o plano de voo antes da decolagem, como se fosse um controlador de tráfego aéreo.

Ela examinava as cartas meteorológicas e insistia em tentar apreender os dados do painel da cabine do piloto, enigmáticos e complexos para qualquer não iniciado.

Comumente, a mais de mil metros de altura, Dilma exibia nos ares o seu estilo autoritário de chefia em terra, dirigindo-se ao tenente-brigadeiro do ar e comandante do avião presidencial da Força Aérea Brasileira (FAB), com sentenças admoestadoras, tão próprias da sua conhecida arrogância:

– Por que o avião está sacudindo?

 – Que curva é essa?

– Eu não quero ir mais rápido se for para passar por turbulência.

Quando o Airbus balançava, Dilma acionava o estrelado militar por um botão situado ao lado de sua poltrona. Na dependência da trepidação, a campainha tocava com muito vigor.

Uma vez, ela viajava de Brasília a Porto Alegre quando um detalhe intrigante despertou a atenção de uma acompanhante. Ao invés de uma linha reta, a trajetória da aeronave descrita no gráfico revelava um zigue-zague porque a presidente insistiu para que o piloto fugisse de qualquer zona capaz de produzir turbulência.

Os deslocamentos aéreos da presidente Dilma costumavam demorar mais do que os voos comerciais. Certa vez, o desvio foi tão “aloprado” que o “Aerolula” fez a “curva” em Mato Grosso antes de aterrissar em Brasília.

Nas companhias privadas, as nuvens densas não representam uma barreira. De acordo com os especialistas da aviação, balançar em grandes altitudes é ruim porque incomoda, mas não por ser inseguro. Além do mais, prosseguir em linha reta costuma ser mais rápido e mais barato.

Para poupar o erário dos gastos extras decorrentes dos caprichos presidenciais, seria o caso de instituir um parceiro, altivo e de confiança, com quem ela pudesse cantarolar versos da imortal canção de Belchior:

“Foi por medo de avião que eu segurei pela primeira vez na sua mão”.

Fonte: Natuza Nery. In: Folha de São Paulo/montedo.com

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.70-72.

domingo, 30 de maio de 2021

VARRENDO AS NUVENS PRESIDENCIAIS

O senhor Lula da Silva assumiu a Presidência da República do Brasil em 2003. Ainda no primeiro ano da administração petista, o Sr. Lula ficou maravilhado com os voos internacionais e embevecido ao ser recebido por reis, rainhas e governantes de outros países. A aeronave herdada do governo anterior, mais conhecida por “Sucatão”, apesar de sua utilidade e da garantia de uso para mais alguns pares de ano, não possuía maior autonomia de voo, exigindo escalas para abastecimento, quando em longos trajetos, com o agravante de não ser muito luxuosa.

Apesar de saber que dirigentes de algumas das nações mais prósperas não dispõem de equipamento próprio para alçar voos, evitando imobilizar capital e gastos correntes de manutenção, e fazem uso normal de aviões de carreira, a vontade da Presidência do Brasil foi imperativa, determinando a compra de um avião mais moderno.

Na época, além de alijar a Embraer do processo licitatório, desprestigiando a notória competência nacional, no campo da concepção e da montagem de aeroplanos de médio porte, o governo optou por privilegiar uma concorrente estrangeira e também por pagar, com o dinheiro do sofrido contribuinte brasileiro, uma exorbitante soma de US$ 55 milhões. Tal valor foi sobejamente majorado pela inclusão de itens de requinte, com um luxo ostensivo, digno de um abastado “sheik” possuidor de poços de petróleo que, no caso, “torra” o seu próprio dinheiro e não o do povo.

O avião da Airbus, um modelo A319CJ, foi produzido e montado em Hamburgo, na Alemanha, já com a pintura de VC1A da Força Aérea Brasileira (FAB), e batizado oficialmente de Santos-Dumont, mas ficou conhecido por “Aerolula”, apelido derivado do capricho presidencial do então dirigente do País.

A tripulação do “Aerolula” é formada pelo Grupo de Transporte Especial (GTE) da FAB, sendo comandada por oficial de alta patente da Aeronáutica, no caso, ocupante do posto de tenente-brigadeiro do ar, o que se induz pensar que o piloto conduza a aeronave em céu de brigadeiro.

O apego de Lula em cruzar os céus, a bordo de um luxuoso equipamento, prenhe em conforto e iguarias, não era menor do que o medo presidencial quando se experimentava turbulências aéreas, ainda que de pequenas magnitude e duração.

Conta-se que, em um episódio de turbulência, o Sr. Lula, tomado de pavor, acionou o botão da sua poltrona que permite chamar o comandante, com quem travou a seguinte conversa:

– O que é isso, companheiro? O que está acontecendo?Indagou o presidente.

– São turbulências, presidente – respondeu o brigadeiro.

– Por que isso está ocorrendo? – Perguntou Lula.

– O céu está bastante nublado. Há muitas nuvens pela nossa frente provocando essas turbulências – explicou o piloto-mor.

– Pois eu quero que você retire essas nuvens da frentedeterminou Lula.

– Como, Sr. Presidente? – Quis saber o comandante, achando a ordem estranha.

– Vá lá fora! Dê um jeito de tirar essas malditas nuvens da nossa frente – cobrou o assustado presidente, já temeroso de ganhar um “paletó de madeira”.

O brigadeiro, que gozava muito da afeição presidencial, arrematou:

– Só se eu for lá fora com uma vassoura para varrer essas nuvens, presidente. O problema é que não temos aqui uma “vassoura” apropriada para isso.

Não foi necessário, no entanto, recorrer aos préstimos de uma vassoura ou de um mega espanador atmosférico porque as nuvens se dissiparam naturalmente, pondo fim às tão temidas turbulências presidenciais e logo o “Aerolula” passou a sorver um “céu de brigadeiro”.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.68-70.


QUEM COMEU O CORONEL?

Na internet encontra-se a notícia da prisão de um dono de lanchonete por batizar sanduiches da casa com patentes militares.

Esse fato aconteceu em outubro de 2007, em Penedo-AL, cidade de 60 mil habitantes localizada a 170 km da capital alagoana.

Para o proprietário da lanchonete Mister Burg, tratava-se de uma estratégia de marketing. Porém, para o comandante da Polícia Militar (PM) de Penedo, era uma ofensa à Corporação. Por essa razão, o dono da lanchonete terminou sendo detido por ordem do comandante da PM dessa cidade.

Para o comandante da PM, não ficava bem um consumidor chegar na lanchonete e pedir: “um coronel mal passado”, ou de lá sair dizendo: “acabei de comer um sargento”.

Na delegacia local foi lavrado um boletim de ocorrência e, diante ao tumulto gerado, a lanchonete ficou fechada por algumas horas. Como o delegado de plantão entendeu não haver motivo para prisão, o acusado foi liberado horas mais tarde. Os cardápios da lanchonete foram recolhidos para avaliação e a casa reaberta em seguida.

A casa oferecia no seu cardápio militarizado lanches, como: o “coronel” (que era o filé com presunto), o “comandante” (um prato feito com calabresa frita) etc. O prato mais caro era o “comandante”. O comerciante dizia que não tivera qualquer intenção de brincar ou ofender à Corporação e até intencionava ser uma homenagem à hierarquia militar.

Para o parco humor dos policiais militares, os nomes dos pratos provocavam chacotas e insinuações contra os policiais, entre os moradores da cidade, e repudiaram a suposta homenagem.

O comerciante constituiu um advogado para entrar com uma denúncia contra o comandante local da PM por abuso de autoridade e uma ação reparatória, por dano moral, contra o estado de Alagoas.

Em defesa do seu cliente, o causídico arguiu que inexiste texto legal que impeça um restaurante de inserir no seu menu pratos denominados: “lula à milanesa”, “filé a cavalo” ou “coronel mal passado” etc.

O advogado peticionou habeas corpus preventivo para evitar outra detenção de seu cliente e ainda sustentou na sua peça que “se o argumento do comandante fosse válido, nenhuma festa de criança poderia ter brigadeiro”. Pois, como é sabido, brigadeiro - além de ser a mais alta patente da Aeronáutica - é também o nome de um docinho muito presente nos aniversários infantis.

Os advogados da cidade ironizavam então:Em Penedo, comer brigadeiro pode, mas comer coronel está proibido”.

Fontes: Consultor Jurídico, 12/10/2007, e Blog do Candango.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.66-68.

domingo, 23 de maio de 2021

LIVRO DE PRESENTE AO PRESIDENTE COSTA E SILVA

Segundo Emiliano Otelo de Sousa, presidentes com pouca afinidade com a leitura, lamentavelmente, não constituem raridade na história do Brasil. O ex-presidente Lula, no período de seu encarceramento curitibano, cumprindo a pena que lhe fora imposta em segunda instância por crime de corrupção, teria folheado as páginas de uns 40 títulos. Sabe-se que, no percurso dos seus mais de 70 anos de homem livre, o petista se orgulhava de nunca ter lido um livro até o final. Diante de tão insólita proclamação, seus defensores vinham em seu socorro, alegando que ele não precisava ler os livros porque mantinha a interlocução diretamente com os autores das obras, o que dispensava a necessidade de ler tais obras.

Recuando ao tempo do regime castrense brasileiro, vale lembrar da figura do Gal. Artur da Costa e Silva, rotulado por seus desafetos de possuidor de uma “sesquipedal ignorância”.

Quando aluno das escolas militares, Costa e Silva era notável por ser um típico “papirador”, assim denominado o aluno que se devotava aos estudos para obter boas notas em provas e exames. Apesar do bom rendimento escolar, consta que ele nunca tivera grande apreço pelos livros.

Emiliano de Sousa dá ciência ainda no Jornal de Taquari que, certa vez, na sua residência em Teresópolis-RJ, o ex-presidente Ernesto Geisel, depois de registrar a excelência acadêmica do filho de Taquari nas escolas militares, contou ao showman Jô Soares um causo relacionado ao presidente responsável pela edição do Ato Institucional Nº 5 (AI-5).

Geisel relatou que Costa e Silva estava aniversariando e um dos seus amigos militares sugeriu dar-lhe um livro de presente, ao que outro colega de farda contestou a oferta:

– Um livro não pode.

– Mas por quê? – Insistiu o proponente do regalo.

– Porque ele já tem um livro – retrucou, maldosamente, o companheiro de armas.

Pelo que se tem observado de alguns recentes presidentes civis do Brasil a inimizade com os livros parece ser fato corriqueiro. A Sra. Dilma Rousseff, cujos causos foram e ainda vêm aos borbotões, falava que havia comprado e estava lendo alguns livros, mas não conseguiu citar um só dos títulos dessas obras, quando foi questionada pela imprensa. O atual presidente Bolsonaro não tem ou, quiçá, não transparece ter qualquer afeição aos livros. Dele, recentemente, brotou uma “pérola” que até parecia ter saído da boca de sua presidencial antecessora, ao se reportar aos livros didáticos como um “amontoado de coisas escritas”.

Fonte: https://jornalotaquaryense.com/2020/05/27/opiniao-costa-e-silva-lula-bolsonaro-e-os-livros/

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.65-66.

A ALTURA DO BRASIL PARA O PRESIDENTE

O general de exército Artur da Costa e Silva, nascido em Taquari-RS em 3/10/1899 e falecido no Rio de Janeiro em 27 de dezembro de 1969, foi o 27º presidente brasileiro e o segundo do regime militar pós-1964.

Quando aluno das escolas militares, Costa e Silva se notabilizara por ser um estudante que se dedicava aos estudos com vistas à obtenção de boas notas em exames e provas. Em que pese o seu bom rendimento escolar, ele não era igualmente bem visto por seus desafetos como muito provido de inteligência.

Emiliano Otelo de Sousa narrou no Jornal de Taquari uma historinha sobre Costa e Silva. Diz ele que, em viagem de avião para a Europa, o presidente perguntou ao piloto onde estavam naquele momento.

O comandante do avião explicou-lhe que, três horas após a decolagem, estavam sobrevoando o Ceará, a 30 mil pés de altura. Costa e Silva, admirado, teria então confessado:

– Eu sabia que o Brasil era grande, mas não sabia que era tão alto!

Fonte: https://jornalotaquaryense.com/2020/05/27/opiniao-costa-e-silva-lula-bolsonaro-e-os-livros/

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.64-65.

domingo, 16 de maio de 2021

A HONESTIDADE DE CASTELLO BRANCO DIANTE DO IRMÃO

O episódio, relatado por Elio Gaspari (Folha de S. Paulo, 10 de julho de 2005), define o comportamento íntegro de Humberto de Alencar Castello Branco, um cearense filho de um general e descendente da família do escritor José de Alencar.

Gaspari narra que “em 1965, o marechal Castello Branco leu no jornal que um de seus irmãos, funcionário da Receita Federal, ganhara em cerimônia pública um automóvel Aero-Willys. Era o agradecimento de sua classe pela ajuda que dera na elaboração de uma lei que organizava a carreira.

Paulo Castello Branco, filho do presidente, costumava contar que o marechal telefonou para o irmão, dizendo-lhe que deveria devolver o carro. Ele argumentou que se cada fiscal da Receita tivesse presenteado uma gravata, o valor seria muito maior.

Castello interrompeu-o: Você não entendeu. Afastado do cargo você já está. Estamos decidindo agora se você vai preso ou não.”.

Esse exemplo da honestidade de Castello Branco, o primeiro presidente do período castrense, e como tal comandante em chefe das forças armadas brasileiras, por vezes, tem servido, de modo exorbitante, para justificar o regime instaurado pela intervenção militar de 1964.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.63-64.

OS RAPAZES DOURADOS E AS GAROTAS COCA-COLA

Em 1942, o Brasil concedeu, temporariamente, seu território para que os Estados Unidos da América instalassem suas bases militares em Fernando de Noronha e ao longo da costa nordestina, de enorme valor estratégico por sua situação geográfica próxima da Europa Ocidental e também do Norte da África.

Praticamente, essas bases formavam verdadeiras pontes aéreas para o transporte de tropas e suprimentos das forças armadas americanas aos teatros de operação europeu e africano. Natal constituía o principal centro de operação norte-americana no Nordeste, mas Fortaleza, por ser uma cidade de maior porte, também era considerada bastante importante, tendo acomodado, de forma regular ou em trânsito, muitos militares enviados pelos EUA.

As cabeças douradas de norte-americanos, mercê dos fios loiros dos seus cabelos, fizeram as cabeças das nossas moças donzelas, encantadas com a beleza anglo-saxônica dos garbosos efebos e, inclusive, “desencaminharam” algumas dessas garotas de Fortaleza, tomadas por arrebatadora paixão, sonhando serem levadas aos “States”, a tiracolo ou na bagagem, dos pseudo-intrépidos soldados, já que eles estavam a milhares de quilômetros de distância de qualquer “front” e os poucos estampidos, aqui audíveis, eram advindos dos treinamentos e dos exercícios militares.

Para garantir o lazer do oficialato e até um maior entrosamento dos adventícios com os nativos da provinciana capital cearense, foi montado o Cassino Estoril. Por ser um clube destinado aos oficiais norte-americanos, sedentos da companhia feminina, a ele, naturalmente, acorriam graciosas moças da nossa sociedade, pelos mais diversos motivos, dentre os quais, o de desfrutar a convivência de pessoas de tez alva e traços delicados, bem diferentes da moçada cabeça-chata daqui. Além disso, esses rapazes dourados ocupavam uma posição de destaque, o que dava um charme maior à aventura, que poderia, quem sabe, servir para fisgar um marido estrangeiro e, com isso, ir morar na terra do Tio Sam.

Os rapazes locais, conhecidos por sua verve moleque, sentindo-se preteridos por tais raparigas, no sentido lusitano do termo, como correspondente de gênero em oposição a rapazes, apelidaram as ditas cujas de garotas Coca-Cola, em alusão ao arraigado hábito “yankee” de consumir a Coca-Cola, um refrigerante abominado pelos cearenses, à época, cujo sabor era intolerável ao gosto da nossa gente.

Com o fim da guerra, quando a Alemanha, em frangalhos, assinara o armistício incondicional, imposto pelos aliados vitoriosos da II Guerra Mundial, a cidade alencarina retomara à sua normalidade, acabando-se o blecaute e retornando os soldados norte-americanos ao seu país de origem, deixando, no ora veja, muitas jovens cearenses.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.62-63.

domingo, 9 de maio de 2021

... E A COBRA VAI FUMAR

Até o início da II Guerra Mundial, em 1939, o governo de Getúlio Vargas guardava bastante afinidade com o Nazifascismo, tendo, inclusive, instituído o chamado Estado Novo, vigente de 1937 a 1945, no qual se compartilhavam certas características com os regimes totalitários, a exemplo do anticomunismo.

A Europa e grande parte do mundo estavam em guerra, enquanto o Brasil procurava permanecer na neutralidade, condição que interessava aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), mas era igualmente cortejado pelos Aliados, liderados por Inglaterra, França e Estados Unidos, para ingressar no conflito global. Distante do epicentro da confusão, o País prosseguia com sua política de não se posicionar, tomando partido de qualquer lado em beligerância, alimentando promissoras expectativas comerciais no pós-guerra.

Enquanto o mundo estava imerso em uma guerra infernal, discutia-se aqui se o país deveria entrar ou não no conflito. O governo Vargas assegurava que o País de maneira alguma entraria na II Grande Guerra. Foi nos anos iniciais da década de 1940 que apareceu a famosa frase “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra”. Alguns colocaram esse vaticínio na boca do fürher Adolf Hitler e outro a atribuíram a Vargas, quando na verdade foi cunhada por um jornalista brasileiro.

No entanto, muito do pensamento dominante no Brasil se alterou com o próprio desenrolar da guerra, quando esta passou a favorecer os Aliados em detrimento do Eixo, assinalando a possível derrota deste grupo. O assédio por parte dos Aliados continuava e especialmente os EUA tentavam seduzir o Brasil. A entrada dos norte-americanos na guerra no final de 1941, após o traiçoeiro e infame ataque japonês a Pearl Harbour, proporcionou uma série de benefícios logísticos e financeiros ao Brasil.

Desse modo, a apregoada neutralidade brasileira começou a ser anulada em 1942, quando o Brasil cedeu seu território para que os EUA instalassem suas bases aéreas militares em Fernando de Noronha e ao longo da costa nordestina, uma faixa de terra de enorme valor estratégico, por sua situação geográfica próxima da Europa Ocidental e também do Norte da África.

Os ataques de submarinos alemães a embarcações comerciais brasileiras, produzindo várias centenas de vítimas fatais, conduziram a opinião pública a uma drástica mudança de rota, impingindo o governo à declaração de guerra contra a Alemanha em 22 de agosto de 1942, levando o Brasil à luta contra o fascismo e o nazismo no teatro de operações europeu, mais precisamente na bota italiana, posteriormente.

Diante da demora no envio das tropas, pairava no ar um certo ceticismo público, desde 1942, quando o presidente Getúlio Vargas anunciou que o Brasil não se restringiria ao fornecimento de materiais e nem à expedição de contingentes simbólicos.

E assim se diz: a cobra fumou… Hoje, quando se usa essa expressão, – ou sua variação no futuro, “a cobra vai fumar” –, a ideia que se quer passar é a de que alguém “vai botar para quebrar”, que a coisa vai ficar “feia”. E foi exatamente isso que o Exército quis dizer quando adotou a frase “A cobra está fumando!”, como slogan da Força Expedicionária Brasileira (FEB), constituída em 1943 para lutar na Europa, durante a 2ª Guerra Mundial, junto aos Aliados na Campanha da Itália.

O slogan foi uma resposta à descrente opinião pública da época, que afirmava ser mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra. A partida das tropas brasileiras para a Itália apenas aconteceu em junho de 1944.

Além de adotar o irônico slogan, a FEB, cujo brasão da companhia trazia uma imagem de uma cobra fumante, editou um periódico que se chamava ...E a Cobra Fumou!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.60-62.


GARRAFAS NAS CABEÇAS DOS SOLDADOS ALEMÃES

A Batalha de Dunquerque foi uma batalha durante a II Guerra Mundial que durou de 25 de maio a 4 de junho de 1940. Uma enorme força britânica e francesa ficou encurralada por uma divisão panzer alemã ao norte da França, junto ao canal costeiro de Calais. Um esforço descomunal levou à mobilização de incontáveis embarcações, de quaisquer tipo, tamanho e capacidade, sobretudo de uso civil, que logrou evacuar, por via marítima, 300.000 soldados aliados.

A Batalha da Inglaterra é a designação dada ao conjunto de combates aéreos travados em céus britânicos sobre o Canal da Mancha, entre julho e outubro de 1940, quando a Luftwaffe da Alemanha tentou destruir a Royal Air Force (RAF), a fim de obter a superioridade aérea necessária para invadir a Grã-Bretanha, por meio da “Operação Leão Marinho”.

Em 1940, entre o dramático episódio da “Retirada de Dunquerque” e a épica “Batalha da Inglaterra”, Churchill realizou um memorável discurso no Parlamento Britânico. Andrew Roberts comenta no seu livro Tempestade da Guerra – Uma nova história da Segunda Guerra Mundial que, após Churchill proferir esse discurso, enquanto ainda era intensamente ovacionado, sentou-se ao lado do ministro conservador Walter Elliot.

Winston Churchill, conhecido como bom apreciador de charutos e de whisky, preocupado no caso de os alemães atravessarem o Canal da Mancha, invadindo a Inglaterra, cochichou lhe:

– Não sei como vamos combatê-los – creio que teremos de quebrar suas cabeças com garrafas – as vazias, é claro.

Fonte: https://tokdehistoria.com.br/2014/02/15/churchill-o-humorista/

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Fora de forma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2020. 128p. p.59.

domingo, 2 de maio de 2021

A RÉGUA DO IMEDIATO

Alguns anos após essas aventuras anteriormente narradas, já como Capitão-Tenente, esse mesmo militar voltou a servir naquela localidade de Ladário, no Mato Grosso do Sul. Conta ele que, certa vez, exercendo o cargo de Imediato, encontrava-se em sua sala, no segundo andar, quando chegou um soldado:

– Capitão, com licença! O Sargento Contramestre mandou pedir para o senhor emprestar uma régua para ele!

– Não pode ser, meu filho – respondeu o oficial, já conhecedor das “peripécias” locais.

– O Sargento não ia mandar você subir aqui para pedir uma régua ao Imediato. Volte lá e verifique exatamente do que é que se trata.

Dali a pouco chegou o próprio Sargento, um tanto preocupado:

– Com licença, Capitão! Acho que o soldado se enganou. É a irmã Régula, do Orfanato, que está aqui, perguntando se o senhor pode emprestar a banda de música para a quermesse de domingo!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.73-74.

Nota: Esse causo acima foi adaptado dos originais de Gil Cordeiro Dias Ferreira, postados em 6 de julho de 2012, no Portal Militar. São desse autor, ao todo, mais de quinze causos relacionados à Marinha de Guerra do Brasil, que podem ser acessados em: http://www.militar.com.br/artigo-2474-Coisa-de-Naval---Causos-Fuzileiros#.Uoi53SfEhHI

O FUZILEIRO SORVETEIRO

Outro causo acontecido no Grupamento de Fuzileiros Navais em Ladário, no Mato Grosso do Sul, foi contado pelo mesmo tenente que o vivenciara.

Lá por meados de 1970, chegara à cidade, finalmente, uma famosa marca de sorvete, adquirida por um comerciante, um antigo fornecedor do quartel.

O Comandante, de então, do Grupamento era um grande apreciador da guloseima. Um certo dia, durante o almoço, solicitou a um soldado que fosse adquirir um “baldinho” de sorvete de morango – porque a embalagem era uma lata com alça que, de fato, lembrava um balde.

O encarregado dessa tarefa era um soldado “antigo”, beneficiado por legislações anteriores, mas já revogadas há muito tempo, e que, por força do direito adquirido, lhe permitiram permanecer no posto mais baixo da carreira por mais de vinte anos, até alcançar o limite de idade autorizado para sua situação funcional.

Era um quarentão, sem condições de acompanhar seus companheiros de fardas mais jovens nos puxados exercícios de Infantaria. Por isso, ele foi designado para trabalhar no refeitório dos Oficiais, onde se desincumbia muito bem de seus afazeres. Mas o raciocínio, estava longe do desejável ...

Pois lá fora ele, a caminhar de pé dois, para buscar o tal “baldinho”. E nada de voltar ao quartel. O Comandante, insatisfeito, terminou o almoço sem ter o sorvete de sobremesa, como queria. Este, preocupado com não regresso, determinou a saída de um jeep, com outro soldado, para localizar o velho “taifeiro”.

Não demora muito, chegam os dois transportando no veículo um enorme balde de plástico, de mais de 20 litros, usado para lavagem de uniformes, cheio até a tampa de sorvete de morango!

Em resumo: o quartel esgotou o estoque de sorvete da cidade e toda a tropa se fartou da iguaria gelada durante uns dois dias; e a conta minguou duramente as escassas dotações de custeio alimentar da corporação ...

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.73-74.

Nota: Esse causo acima foi adaptado dos originais de Gil Cordeiro Dias Ferreira, postados em 6 de julho de 2012, no Portal Militar. São desse autor, ao todo, mais de quinze causos relacionados à Marinha de Guerra do Brasil, que podem ser acessados em: http://www.militar.com.br/artigo-2474-Coisa-de-Naval---Causos-Fuzileiros#.Uoi53SfEhHI


domingo, 25 de abril de 2021

UM FUZILEIRO OBTUSO

No final dos anos sessenta, um tenente fora designado para servir no tradicional Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário, em Mato Grosso do Sul, reduto dos famosos “Fuzileiros do Pantanal”, experts em Operações Ribeirinhas.

Ainda quando servia nesse mesmo quartel, encontrava-se ele no aeroporto, chegando de viagem, e discou para lá, solicitando uma condução.

– Bom dia, aqui é o Tenente Beltrano; quem está falando, por favor?

– Não senhor, o Tenente Beltrano não está – respondeu o soldado telefonista.

Acreditando que ele não houvesse ouvido bem, o oficial retrucou:

– Não, senhor soldado! Creio que você não ouviu bem; aqui é o Tenente Beltrano falando; estou no aeroporto e preciso de uma condução ao quartel.

Mas o soldado repetiu, seguro:

– Não senhor, o Tenente Beltrano saiu. O senhor quer deixar recado?

Já meio impaciente, o Tenente Beltrano pensou em solicitar que ele chamasse o Oficial de Serviço, mas decidiu agir de outro modo:

– Está bem. Quando ele chegar, diga que eu liguei.

– E como é mesmo o nome do senhor?

– Tenente Beltrano – informou o oficial.

Ele então voltou para o quartel de táxi. Ao lá chegar, como esperado, recebeu o recado de que ele havia ligado para si mesmo...

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.72.

Nota: Esse causo acima foi adaptado dos originais de Gil Cordeiro Dias Ferreira, postados em 6 de julho de 2012, no Portal Militar. São desse autor, ao todo, mais de quinze causos relacionados à Marinha de Guerra do Brasil, que podem ser acessados em: http://www.militar.com.br/artigo-2474-Coisa-de-Naval---Causos-Fuzileiros#.Uoi53SfEhHI


O CACHORRO DO COMANDANTE

Por volta dos anos setenta, um comandante de uma região militar entrou em contato com uma companhia aérea, para notificar que sua filha enviara a ele do Rio de Janeiro o seu cachorro de estimação.

Alertou sob os cuidados que se deveria ter com o seu animal de estimação por quem ele nutria uma afeição muito especial, exigindo que o mesmo, tão logo chegasse, fosse levado ao quartel-geral que ele comandava.

A empresa, atenta às recomendações do general, primou por todo o zelo e assim que o avião aterrissou foram apanhá-lo no setor de cargas do aeroporto local.

Ao abrirem a caixa contendo o cão, os funcionários viram que o animal estava morto.

Então, ambos começaram a discutir a situação e telefonaram para a gerência da empresa, para saber que providência caberia a eles tomarem.

Como se estava no auge do regime militar pós-64, não era prudente aborrecer um oficial de alta patente, e ademais era imperioso resguardar a empresa transportadora de possíveis retaliação pelo infortúnio ocorrido.

Deliberaram, enfim, retardar a entrega ao general, alegando atraso no embarque no aeroporto de origem, enquanto mediavam uma forma de se safarem daquela constrangedora situação.

Com se tratava de um animal de raça bastante comum, um pastor alemão, adulto, de porte médio, se valeram dos préstimos de amigos do Kennel Club da cidade e encontraram um espécimen de muita similitude física com o cão falecido. Compraram-no a preço de ouro.

Já com um discurso afiado, para driblar a desconfiança do militar, apresentaram o canídeo substituto ao pretenso proprietário, havendo um estranhamento mútuo entre dono e possuído.

Esse animal não é o meu. É parecido, mas não é o meu, com absoluta certeza.

General, esse foi cachorro que foi enviado por sua filha.

A astúcia de vocês não vai me levar ao engodo.

Ele está o estranhando, e não reconhece, certamente, porque está muito estressado, pois foi uma viagem longa e cansativa, cheia de percalços no trajeto.

Não tem cabimento o que vocês tentaram fazer. O meu querido cachorro morreu no Rio e minha filha me mandou o corpo para que eu o sepultasse no sítio de nossa família, no município vizinho desta capital

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.70-71.


domingo, 18 de abril de 2021

CHURCHILL & MONTGOMERY: conflitos de egos

O marechal britânico Bernard Law Montgomery foi um dos comandantes das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Tornou-se famoso por derrotar o marechal alemão Erwin Rommel, cognominado “a Raposa do Deserto”, nas batalhas pelo Norte da África.

Seus desafetos do alto comando aliado não conferiam a ele a reputação de ser assim tão bom quanto o próprio imaginava crer, pois se achava o máximo depois do término desse conflito bélico. Ademais, Monty, como era chamado pela imprensa, se apresentava como muito certinho, cumpridor estrito de regras e regulamentos.

Certo dia, durante uma celebração militar em que Montgomery estava sendo homenageado por ter vencido Rommel na Batalha da África, ele foi instado a discursar sobre sua experiência na guerra.

Naquela oportunidade, Montgomery, com toda empáfia, no seu discurso proclamou:

Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói.

Winston Churchill, possuidor de fino humor britânico, ao lado, ouvindo o que Montgomery dizia e cheio de ciúme, retrucou para um colega que estava vizinho:

Já eu fumo, bebo e prevarico. Por isso, sou chefe dele.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.69-70.

CHURCHILL & PEARL HARBOUR

Numa noite de dezembro de 1941, o primeiro ministro britânico Winston Churchill foi abruptamente acordado por um assessor assustado.

Ao indagar ao assessor a razão de tanto apreensão, recebeu a resposta foi de que o Japão tinha atacado Pearl Harbour e ele queria saber o que deveriam fazer, posto que a Inglaterra dependia inteiramente de e suprimentos provenientes dos EUA.

Churchill pulou da cama, sorriu e simplesmente falou:

Tragam champanhe, ganhamos a guerra.

Dito isso, consta que o primeiro lorde do almirantado voltou a dormir, serenamente.

Winston Churchill, considerado pela mídia internacional a personalidade mais importante do século XX, estava certo no seu vaticínio, pois o surpreendente e infame ataque nipônico à base naval norte-americana de Pearl Harbour, infringindo enormes perdas humanas e materiais aos americanos, arrastaria os seus irmãos do Norte, com o formidável manancial de recursos, para a guerra contra as tropas do Eixo Berlim-Roma-Tóquio, conferindo outro rumo ao conflito militar.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.68.


domingo, 11 de abril de 2021

A CRUZ DE FERRO E O VASCO

A major enfermeira reformada Elza Cansanção Medeiros, carioca, mas filha de alagoanos, fez parte do grupo de 73 enfermeiras brasileiras que foram à Itália, na II Guerra Mundial. Ela foi a primeira enfermeira voluntária da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e uma das cinco primeiras a desembarcar, em agosto de 1944, no teatro de operações da Itália.

Em 1987, a major Elza, detentora de quase quarenta condecorações, publicou as suas memórias da FEB, intitulando-as de “E assim a cobra fumou.” Em suas várias entrevistas e narrativas, a major Elza Cansanção relatou uma das passagens mais curiosas do período em que esteve em solo europeu, durante a II Grande Guerra, a seguir reportada:

"Certa vez, um nordestino foi servir de isca, para descobrir onde estavam os alemães. Todo mundo voltou do combate e nada de ele chegar. Até que, mais tarde, o soldado apareceu com um alemão levando um fuzil à sua frente. Todo mundo ficou doido, os superiores começaram a gritar que tinha um alemão armado, e o nordestino acalmou todo mundo:

Ele não está armado, não. Eu o desarmei. Esse aí é o meu fuzil, que mandei ele carregar porque eu estava cansado.

Para completar, contou que quase matou o alemão.

Quando eu ia enfiar a peixeira nele, vi que o cabra é do meu time.

Ninguém entendeu nada, então ele apontou a Cruz de Ferro no peito do alemão e concluiu:

Vocês não estão vendo que ele é Vasco?”

Nota 1: Por oportuno, convém esclarecer o clube de futebol carioca Vasco da Gama tem por símbolo a Cruz de Portugal, que é muito parecida com a Cruz de Malta, daí ser chamado, equivocadamente, de o clube da cruz maltina, uma vez que as caravelas usadas por esse navegador lusitano ostentavam a Cruz de Portugal em suas velas, sendo comumente confundida com a de Malta. Uma das condecorações conferidas pelos germânicos aos seus soldados por atos de bravura era a Cruz de Ferro (Eiserne Kreuz), cujo formato era o mesmo da Cruz de Malta.

Nota 2: Baseado no símbolo das Cruzadas, a Cruz de Malta é representada por uma cruz de oito pontas, sendo que quatro pontas apontam para o centro e oito pontas são externas, formando quatro braços simétricos que partem do centro e se juntam em suas bases. Vale lembrar que seu significado principal advém de suas oito pontas, que representam as forças centrípetas do espírito e simbolizam a regeneração da alma.

A Cruz de Portugal é também chamada de Cruz da Ordem de Cristo, ou ainda de Ordem dos Cavaleiros de Cristo. A Cruz de Portugal tem os braços verticais e horizontais proporcionais, formando um quadrado e é vermelha. A Cruz de Portugal foi bastante utilizada durante as cruzadas. A Cruz de Portugal é um símbolo nacional e está relacionada, em sua origem, ao cristianismo e à era das expedições marítimas e dos descobrimentos.

A Cruz de Portugal também está presente como símbolo do clube de futebol brasileiro Vasco da Gama. A Cruz de Portugal também está visível na bandeira e em equipamentos de vários times portugueses. É muito comum a Cruz de Portugal ser confundida com a Cruz de Malta, mas enquanto a Cruz de Malta possui pontas nas extremidades, formando ângulos estrelados, a Cruz de Portugal possui as extremidades quadradas.

http://www.dicionariodesimbolos.com.br/cruz-malta/

Nota 3: A Cruz de Ferro foi, originalmente, uma condecoração militar do Reino da Prússia, e, posteriormente, do Império Alemão, do Terceiro Reich e da atual Alemanha, instituída pelo rei Frederico Guilherme III e concedida pela primeira vez, em 1813 em Breslau. Foi a grande honraria militar, instituída nas Guerras Napoleônicas, reinstituída do Império Alemão, sendo entregue em guerras importantes, como na Guerra Franco-Prussiana e na Primeira Guerra Mundial. Só voltou a ser usada na Segunda Guerra Mundial, sob o Terceiro Reich alemão. A cruz de ferro não é atribuída desde maio de 1945, sendo uma condecoração exclusiva de tempos de guerra.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruz_de_Ferro

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.67-68.


 

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