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segunda-feira, 31 de março de 2025

AINDA ESTAMOS AQUI

Por Sofia Lerche Vieira (*)

As últimas imagens de "Ainda estou aqui" costumam se confundir com uma plateia comovida e silenciosa. A experiência de ver o filme é única. A um só tempo, individual, coletiva e reverente. O que desperta tal sentimento?

São muitas as razões para aplaudir o filme de Walter Salles. O tema do trauma político nacional tem um sentido universal. Rubens Paiva expressa um caso brasileiro de tortura e morte durante a ditadura. Alexei Navalni, dissidente político russo, morto sob circunstâncias obscuras em 2024, foi reverenciado por mais de mil pessoas em 16 de fevereiro deste ano por ocasião do aniversário de sua morte.

É oportuna a forma escolhida para abordar o tema: a vida de uma família antes e depois da tragédia do assassinato de sua principal figura. A reconstrução através de imagens de luz e alegria, sombra e tristeza expressam um tratamento preciso de imagens onde se misturam flashbacks e cenas do contexto político. Sobre dessas duas realidades, paira a busca incessante da verdade que tem na figura de Eunice Paiva sua âncora. O drama pessoal se mescla, assim, com o contexto político ditatorial, entrelaçando os diferentes níveis de aproximação à realidade.

Outro destaque da obra é a economia de gestos e a inexistência de recursos e efeitos apelativos visível na controlada dor de Eunice e dos seus; nos gritos nos porões da ditadura; e, nos rastros de sangue que se procura expurgar pela lavagem do chão. Imagens grotescas são explícitas apenas nos personagens caricaturescos que levam Rubens Paiva preso para nunca mais voltar. O entrelaçamento entre o dito e o não dito, resulta em uma trama precisa, real e infinitamente triste.

A família, que não perde a capacidade sorrir mesmo em meio a tal adversidade, é o grande esteio da sobrevivência e superação. É exemplo de uma fé na vida que sequer os grilhões de uma ditadura torturante podem conter.

Contrapondo-se aos avanços de um crescente totalitarismo no Brasil e no mundo, a arte é a resposta singular de que, apesar de tudo, como Eunice e sua família, ainda estamos aqui. Venham ou não os Oscars, o filme já venceu!

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/02/25. Opinião. p.20.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

DIVERTIDAMENTE VELHAS

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Recentemente, minha amiga Rita e eu decidimos ver o filme "Inside Out 2" (Divertida Mente 2). No cinema contei que quando falei em casa que íamos assistir, veio uma celeuma: "Vocês vão ver filme de adolescente? Estão regredindo?" Respondi sem titubear: "Sim! Somos velhas, mas ainda temos vida e curiosidade para conhecer quais e como são as emoções dos adolescentes hoje."

Rita perguntou: "Pra quê? Já passou!" Eu disse: "Sim, mas a resenha do filme trata de emoções da adolescente Riley vividamente. Vale a pena conhecer." Ela disse: "Vai nos fazer refletir sobre nossas próprias emoções agora." Concordei.

Foi 1h20min fixada à abordagem inteligente e perspicaz de emoções humanas, retratadas em formato eletrônico que ditavam a mente de Riley. Emoções, representadas de forma personificada como alegria, ansiedade, vergonha, tédio, tristeza, se manifestavam conforme Riley vivia. Mostrando como ela reagia a cada uma, em atitudes e ações.

Esse movimento nos abriu bem os olhos, apurou os ouvidos e gargalhamos das representações ora ingênuas, ora sarcásticas, mas sempre bem decodificadas. Vimos emoções esbarrando, desolando-se, descontrolando-se, crescendo e escondendo-se o quanto podiam. A ansiedade que agitava as cenas não venceu a alegria que driblava a força das crises ansiosas. Cada emoção surgia conforme Riley vivia.

Filme contagiante: Da alegria ao desgosto, uma emoção divertida. Reconhecemos através delas como influenciam nossas vidas, mesmo velhas. Temos momentos simples que trazem alegria, perdas que entristecem, raiva que desonera a mente e nos faz agir, às vezes, com incongruência. As injustiças sociais que tornam os velhos invisíveis desolam, geram tédio e, às vezes, melancolia.

Entusiasmadas com as cenas conectamo-as às nossas vidas. Rita disse: "É bom lembrarmos da célebre afirmação de Sartre em 'A Idade da Razão', de que a velhice é irrealizável porque as limitações corpóreas impostas pela idade podem nos impedir de alcançarmos uma síntese plena de nossa identidade e consciência." Concordei: "Isso mesmo, mas não nos impede de ajustarmos nossas perspectivas viabilizadoras, como e quando quisermos e pudermos. Liberdade para isso, os velhos têm."

Tomamos um café e nos abraçamos, marcando uma apresentação de jazz no CLUBE 5 e nos divertir, velhas assim.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/08/2024. Opinião. p. 19.


sábado, 14 de maio de 2016

Filmes sobre a história Faculdade de Medicina da UFC


Na manhã de ontem, sexta-feira, 13, como parte das comemorações dos 68 anos de fundação da Faculdade de Medicina do Ceará, o Prof. Dalgimar Beserra de Menezes apresentou dois filmes, no Auditório Paulo Marcelo, sobre a história Faculdade de Medicina da UFC, com roteiro e tudo mais da sua lavra.
Um deles, de 1994, tem entrevista com dois personagens de minha elevada estima, o professor José Carlos Ribeiro, entrevista realizada ali no prédio primeiro, da José de Alencar; e do professor Haroldo Juaçaba, que na época discorreu sobre a fundação da escola; a trilha sonora incluiu Zur Namensfeier e Die Weihe des Hauses, ambas do Beethoven significando, segundo o Prof. Dalgimar, como é óbvio, quase literalmente, para a celebração de aniversários de instituição.
O outro filme foi ainda melhor ainda, data de 1989, feito para a turma 1989.1, inspirado nos Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, do Goethe.
Foi um momento muito especial para relembranças entre os participantes dessa seleta audiência.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina
 

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