sábado, 19 de dezembro de 2015

DOIS CAVALOS SENATORIAIS

Por Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Uma história presenciada e contada pelo Conselheiro Meneses aconteceu em Campina Grande, na Paraíba, ao ensejo do Congresso Nordestino de Patologia, ali realizado em 1971. O Prof. Livino Pinheiro, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da UFC, e o Prof. Barbosa Coutinho, notável patologista da Universidade Federal de Pernambuco, eram dois dos mais ilustres convidados desse congresso.
Por tal condição, ambos foram escolhidos para dar uma longa entrevista a um jornal local encarregado de fazer a cobertura do evento, produzindo “releases” e outras peças de comunicação, para divulgação na grande mídia da região Nordeste.
No dia seguinte, o Prof. Livino, de posse do jornal, encontra no congresso o Prof. Barbosa Coutinho, e indaga:
– Você viu a matéria que saiu conosco no jornal daqui?
– Vi, sim – respondeu laconicamente o patologista pernambucano.
– E aí! O que você achou? Gostou das nossas fotos?
– Dois “Incitati” – E assim fulminou a conversa, recorrendo ao nome do afamado cavalo de Calígula, por este nomeado senador romano.
Por certo, o professor cearense ficou desapontado com o comportamento do colega de Pernambuco, um homem erudito, que, tal como ele, cultivava o latim com apuro, mas era avesso a qualquer badalação social.
Fonte: SILVA, M.G.C. da. Dois cavalos senatoriais. In: SOBRAMES – CEARÁ. Ritmo literário. Fortaleza: Sobrames-CE/Expressão, 2015. 304p. p.198.
* Publicado, originalmente, In: SILVA, M.G.C. da. Contando Causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011.

FESTA COM “RODÍZIO DE MULHERES”


Foto: Reprodução/Facebook
Justiça impede festa com “rodízio de mulheres” no Paraná
A “noite do rodízio” festa em que os clientes pagariam R$ 200 para entrar e “consumir” quantas garotas aguentassem, segundo o slogan do evento, foi proibida pela promotoria de Justiça do município de Santo Antônio do Sudoeste, no Paraná, onde a festa seria realizada nos dias 10 e 11 deste mês.
Um termo de ajustamento de conduta (TAC) foi firmado com o dono do estabelecimento para cancelar o “rodízio”. O evento foi denunciado pela Marcha Mundial das Mulheres ao Núcleo de Promoção de Igualdade de Gênero (Nupige) do Ministério Público do Paraná (MP). De acordo com a Promotoria, o evento configuraria conduta criminosa evidente de exploração sexual de mulheres.
O MP também identificou irregularidades no local e exigiu no TAC que o proprietário providencie o alvará de funcionamento e o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros no prazo de três meses. O estabelecimento também está proibido de realizar qualquer evento semelhante à “Noite do Rodízio” que incentive a exploração sexual.
A Marcha Mundial das Mulheres também denunciou a situação através do Facebook e em entrevista ao Paraná Portal, a integrante da Marcha Rosani Moreira, afirmou que o movimento é contra a prostituição e por isso tomou a atitude. “Nós fazemos um combate a legalização da prostituição porque consideramos a forma mais violenta da mercantilização dos nossos corpos, é o capitalismo diretamente sobre o corpo das mulheres como produto de consumo para o prazer dos homens”, disse. O movimento realiza debates sobre o tema e afirmou não ter ideologia discriminatória sobre as pessoas que se prostituem, mas sim sobre o lucro ‘do outro’ sobre o corpo. “Não é uma atitude moralista”, esclareceu.
Ainda segundo Rosani, o grupo teve conhecimento de outras festas semelhantes a “Noite do Rodízio” após as realizações das mesmas e por isso o grupo não conseguiu o cancelamento.
Fonte: Do UOL, Paraná, de 15/09/2015.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

COMEDIANTE PAULA NEI É TEMA DE LIVRO


Jader Soares lança biografia do primeiro humorista brasileiro (O Povo/Divulgação)
Nascido em Aracati (148km de Fortaleza), em 1858, Paula Nei, nas palavras de Chico Anysio, é o primeiro humorista brasileiro. E na biografia escrita pelo estudioso do humor Jader Soares, o cearense tem a sua vida e carreira percorridas. Paula Nei – O Primeiro Humorista Brasileiro, será lançado dentro da I Festa Literária do Humor Cearense, amanhã, 19, no Museu do Humor Cearense.
Para o autor, a influência de Paula Nei é importante justamente para mostrar que o Ceará, enquanto “terra de comediantes”, já apresentava talentos na área muito antes de Chico Anysio ou de Renato Aragão. “Defender Nei como o primeiro humorista brasileiro é algo que faço sem esforço. Descobri isso através de depoimentos que li ou simplesmente de citações de pessoas que conviveram e até de quem só ouviu falar depois de sua partida”, conta.
Inicialmente escrito com o título de O Primeiro Humorista Cearense, Jader trocou após uma conversa que teve com Chico Anysio durante a oitava Bienal Internacional do Livro do Ceará. “Chico foi quem me alertou. Disse que ele era, na verdade, o primeiro grande nome da comédia que o Brasil teve”, diz. E coube a Chico escrever a apresentação do livro.
Histórico
Aos 18 anos, Nei resolveu, com o consentimento do pai, morar na capital do Império, Rio de Janeiro, em 1876. No local, tornou-se jornalista, poeta, boêmio e “rei da pilhéria”. A Rua do Ouvidor, centro da efervescência política e cultural do Rio, era o seu “escritório”. Era amigo de intelectuais e escritores como Coelho Neto, Aluísio Azevedo, José do Patrocínio e Olavo Bilac.
Começou a trabalhar com comédia a partir dos sonetos que escrevia. Seu mais famoso foi A Fortaleza, de onde saiu a famosa expressão que define a capital cearense como “a loira desposada do sol”.
Serviço
Lançamento do livro Paula Nei - O primeiro humorista brasileiro
Quando: amanhã, às 20 horas.
Onde: Museu do Humor Cearense (Av. da Universidade, 2175 - Benfica).
Fonte: O Povo, de 18/12/2015. Caderno Vida & Arte. p.5.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Frases e Pensamentos: Churchill III


15. “A Alemanha está ficando forte demais: teremos de acabar com ela.”
16. “Um otimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade.”
17. “Política é quase tão excitante quanto à guerra, e quase tão perigosa. Na guerra, você é morto uma vez mas em política, várias vezes.”
18. “Uma pessoa de vez em quando tropeça sobre a verdade, mas na maioria das vezes se levanta e continua andando.”
19. “A arte da previsão consiste em antecipar o que acontecerá e depois explicar o porque não aconteceu.”
20. “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.”
21. “Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor.”
Fonte: gingaronline.com

O Troféu Sereia de Ouro na Academia Cearense de Medicina


O Troféu Sereia de Ouro, iniciativa do chanceler Edson Queiroz, foi instituído em 1971 com o objetivo de homenagear, de modo expressivo, os que se destacaram e deram importante contribuição ao desenvolvimento do Ceará, em seus distintos campos de atuação.
Uma plêiade de primeira grandeza, formada por 180 pessoas, foi aquinhoada com a estatueta concedida, no percurso de 45 edições anuais, que oferece ao contemplado um reconhecimento público, de notável apelo social, mercê da parcimônia que ancora cada selecionado.
Além do comedimento numérico, uma vez que, invariavelmente, limita-se a quatro premiados anualmente, a concessão segue um bem cuidado rito na definição dos seus beneficiados, começando pela larga consulta entre os possuidores do galardão, que apontam os potenciais nomes de pessoas a premiar.
O troféu em foco afigura-se, indubitavelmente, um reconhecimento público de enorme valor ao agraciado, notadamente devido à origem e à forma de sua outorga institucional.
Os médicos compõem uma substancial representação profissional, no conjunto dos agraciados com esse troféu, porquanto 25 (13,9%) discípulos da arte de Hipócrates foram dignificados com tal honraria, dos quais tão somente seis não guardam vinculação formal com a Academia Cearense de Medicina (ACM), quer como fundadores, acadêmicos titulares ou membros honorários do silogeu.
A cifra acima coloca a ACM em primeira posição, quando comparada a outras entidades culturais ou científicas em funcionamento no Ceará, superando, inclusive as de centenária existência.
A ACM sente-se igualmente prestigiada quando tem um dos seus entre os recebedores da “Sereia de Ouro”, e, no caso deste ano de 2015, o júbilo vem em dose dupla com a entrega desse troféu aos acadêmicos Elias Geovani Boutala Salomão e Lúcia Maria Alcântara de Albuquerque.
Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Titular da cadeira 18 da ACM
* Publicado In: Jornal do Médico em Revista, 11(65): 8, setembro-outubro de 2015. (Revista Médica Independente do Ceará).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Frases e Pensamentos: Churchill II


8. “Não há delito maior que a audácia de se destacar.”
9. “A coragem é a primeira virtude do estadista. Sem ela, todas as outras virtudes desaparecem na hora do perigo.”
10. “Eu aproveitei mais o álcool do que ele se aproveitou de mim.”
11. “Não zombe das bobagens que os outros dizem. Podem representar uma oportunidade para você.”
12. “Fanático é quem não pode mudar de idéia e não quer mudar de assunto.”
13. “Existem três tipos de pessoas: as que se preocupam até à morte, as que trabalham até à morte e as que se aborrecem até à morte.”
14. “A Alemanha terá de ser derrotada de novo e desta vez para sempre.”
Fonte: gingaronline.com

MIGRAÇÃO E FÉ


Por JOSÉ CARLOS LINHARES (*)

"O encontro com o outro na gratuidade da vida, é o encontro amoroso proposto por Jesus"
Sai da tua terra e vai” (Gn 12,1): assim começa a caminhada de Abraão, pai da fé, segundo a tradição judaico-cristã. A fé tem, portanto, uma dimensão itinerante que começa com a experiência de migrar... Quando saí do Brasil, para uma missão em Moçambique, tive a oportunidade de vivenciar a fé na simplicidade da vida e no simbolismo dos gestos e ritos. A acolhida foi a porta de entrada num mundo fascinante e encantador. Fui envolvido pela cultura, tradição e alegria do povo que me ensinou a ressignificar o que é essencial para a fé, para a vida. E, acredito que em cada povo, por meio das suas tradições, línguas, danças e estilos de vida, podemos contemplar “o rosto plural da fé”.
Abrir-se ao próximo, fazer-se presente na vida da comunidade e viver em família para além dos laços de sangue são valores tão fortes que rompem com a lógica do ter, do poder e do prazer. Ainda hoje, na região de Furancungo, onde morei, o anfitrião lava as mãos dos seus convidados antes das refeições e todos partilham do mesmo prato; quando alguém fala, os outros sentam para ouvir com atenção; sempre que você entrega ou recebe alguma coisa deve fazer isso com as duas mãos, gesto que significa a totalidade da pertença na troca de vivências.
Em Moçambique, fui missionário e fiz a experiência de ser migrante. Tive a oportunidade de perceber que sou diferente, de aprender outra cultura e língua (chichewa), de me encantar com a pluralidade da nossa fé comum. O encontro com o outro na gratuidade da vida, é o encontro amoroso proposto por Jesus. A fé se incultura quando percebemos que Deus foi se revelando e se dando a conhecer ao ser humano, respeitando a história e a caminhada dos povos. Em Jesus, a revelação plena de Deus Pai se faz assumindo a nossa humanidade: Ele é o Verbo encarnado (Jo 1,1).
Jesus assumiu a identidade humana em sua totalidade. Sentiu frio, fome, sede, alegrias e tristezas. Esteve ao lado dos mais pobres, abandonados, doentes, viúvas, órfãos, estrangeiros. Jesus se aproximou e se envolveu com a realidade das pessoas sem fazer pré-julgamentos. Essa foi a atitude de Jesus e deve ser a nossa, através de quem Ele continua atuando na história da humanidade.
Disse o Papa Francisco aos participantes do encontro sobre mobilidade humana na Cidade do México: “é necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização – que, no final, corresponde precisamente à ‘cultura do descartável’ – para uma atitude que tem por base a ‘cultura do encontro’, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor”.
Ver o mundo com o olhar de Jesus é perceber a diversidade cultural e promover a cultura do encontro. As pluralidades da fé, dos povos e dos costumes se fazem cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia em virtude da globalização e da migração. No passado, foi criado um senso comum no qual as tradições indígenas eram tidas como ritos folclóricos e as raízes africanas eram estigmatizadas como rituais demoníacos. Precisamos superar essas falsas ideias e sentir a Boa-Nova de Jesus viva nos diversos povos.
O rosto de Deus nos fascina pelo amor, o rosto da fé nos encanta pela abertura ao próximo. Somos verdadeiramente filhos e filhas de Deus independentemente de cor, raça, sexo ou nacionalidade. Que Deus nos inspire a exercitar e promover a cultura do encontro com tantos migrantes que se encontram no meio de nós e, muitas vezes, nem percebemos.
 (*) Padre, advogado e missionário redentorista.
Fonte: O Povo, de 12/7/2015. Espiritualidade. p.31.
 

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