domingo, 17 de abril de 2016

O MILAGRE DA PINGA


O cara estava bebendo num bar.
Como era o último cliente, o funcionário informou-o que ele tinha que sair, pois iam fechar.
O cara levantou-se e caiu no chão... Novamente, tentou levantar-se e caiu outra vez.
Optou por arrastar-se até à porta do bar. Tentou levantar-se e voltou a cair.
Já na rua, tentou levantar-se e caiu novamente. Foi assim para casa... Tentando levantar-se e caindo.
No dia seguinte, já em casa e pela manhã, a esposa comentou:
- Puta porre ontem a noite, hein?!
- O que!!!... Como é que você sabe que eu cheguei bêbado?
- Telefonaram do bar... Você deixou sua cadeira de rodas lá.....
Fonte: Internet (circulando por e-mail).

Presidente Dilma Rousseff coleciona discursos e falas com frases engraçadas e desconexas


As frases de Dilma saudando a mandioca e a evolução das 'mulheres sapiens' são apenas algumas das muitas 'pérolas' criadas pela petista ao longo de quatro anos e meio de mandato.

Quem ouviu a saudação da presidente Dilma Rousseff (PT) à mandioca na terça-feira e sua teoria sobre a evolução dos “homo e mulheres sapiens” a partir da bola pode ter pensado que a petista, assim como sua personagem nas redes sociais, estava apenas “bolada” durante a inauguração dos Jogos Mundiais Indígenas. Só que essa não foi a primeira vez que ela ganhou os noticiários com frases engraçadas ou desconexas em discursos ou entrevistas durante seu governo. Ao longo dos quatro anos e seis meses de mandato, Dilma fez abordagens curiosas sobre cachorros ocultos, o ET de Varginha, a circunferência da Terra e até sobre as escadas em bibliotecas. As pérolas lhe renderam piadas nas redes sociais, um Top 10 no site Buzzfeed e um perfil chamado Dilmês, em que os usuários reúnem frases consideradas cômicas no Facebook.
Um clássico do pensamento dilmês, com direito a vídeo circulando no YouTube, foi o ensinamento da petista sobre as crianças no dia delas, em 2013. Ao anunciar investimentos em mobilidade urbana durante uma cerimônia em Porto Alegre, ela alertou que era também o Dia dos Animais. “Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta que é um cachorro atrás, o que é muito importante”, afirmou.
Essa não foi a única vez que Dilma usou o melhor amigo do homem em seu discurso. Em abril do ano passado, ela fez uma comparação canina para defender o tão propalado legado da Copa. Começou falando de redução de impostos, passou pelas casas dos brasileiros que têm ou não cachorros e desembocou nas obras em aeroportos. “E é interessante que, muitas vezes, no Brasil, você é, como diz o povo brasileiro, muitas vezes, você é criticado por ter o cachorro e, outras vezes, por não ter o mesmo cachorro.” A presidente também já usou outro animal em seus discursos. Para falar da necessidade de se ter um plano de safra, Dilma disse que os bodes são importantíssimos.
Em outra ocasião, ao visitar Varginha, no Sul de Minas, a presidente Dilma chegou à cidade fazendo reverência ao seu personagem mais famoso, o ET. Entrevistada por uma rádio local em agosto de 2013, a petista disse que, no município, quem não viu, conhece alguém que viu o suposto extraterrestre que se tornou marca do lugar. “De qualquer jeito, eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido”, disse. Em 2013, ao sobrevoar a Região Leste de Minas, arrasada pelas chuvas, Dilma concedeu entrevista em que confundiu os nomes das cidades. “O município apresentou seu estado de emergência, está liberado. Eu fui lá em Virginópolis... Virgolândia. Ou seja, é perto de Virginópolis – eu confundo porque virgo e virgem é a mesma coisa.
Nem a Cidade Maravilhosa escapou das frases inusitadas da presidente. Em março passado, na comemoração do aniversário da cidade, Dilma disparou: “Paes é o prefeito mais feliz do mundo, que dirige a cidade mais importante do mundo e da galáxia. Por que da galáxia? Porque a galáxia é o Rio de Janeiro. A Via Láctea é fichinha perto da galáxia de que o nosso querido Eduardo Paes tem a honra de ser prefeito”.
Fonte: em.com.br, de 25/06/2015.

sábado, 16 de abril de 2016

COMO DILMA QUEBROU SUA LOJA DE R$ 1,99 E UM PAÍS


Por Sérgio Pardellas (sergiopardellas@istoe.com.br)

Na década de 90, ela faliu duas lojinhas de bugigangas baratas. Vinte anos depois, a presidente mergulha o Brasil numa interminável crise político-econômica e marca sua gestão pela irresponsabilidade fiscal e falta de confiabilidade externa.

Pão & Circo. Com esse nome sugestivo, alusivo à estratégia romana destinada a entreter e ludibriar a massa insatisfeita com os excessos do Império, a presidente Dilma Rousseff abriu em fevereiro de 1995 uma lojinha de bugigangas, nos moldes das populares casas de R$ 1,99. O negócio em gestação cumpriu a liturgia comercial habitual. Ao registro do CNPJ na Junta Comercial seguiu-se o aluguel de um imóvel em Porto Alegre, onde funcionava a matriz. Quatro meses depois, uma filial foi erguida no centro comercial Olaria, também na capital gaúcha. O problema, para Dilma e seus três sócios, é que a presidente cuidou da contabilidade da empresa como lida hoje com as finanças do País – recém-rebaixado pela agência de risco Standard & Poors por falta de confiabilidade. Em apenas 17 meses, a loja quebrou. Em julho de 1996, já não existia mais.
Tocar uma lojinha de quinquilharias baratas deveria ser algo trivial, principalmente para alguém que 15 anos depois se apresentaria aos eleitores como a “gerentona” capaz de manter o Brasil no rumo do desenvolvimento. Mas, ao administrar a Pão & Circo, Dilma cometeu erros banais e em sequência. Qualquer semelhança com a barafunda administrativa do País atual e os equívocos cometidos na área econômica de 2010 para cá, levando ao desequilíbrio completo das contas públicas e à irresponsabilidade fiscal, é mera coincidência. Ou não.
Para começar, a loja foi aberta sem que os donos soubessem bem ao certo o que seria comercializado ali. Às favas o planejamento, primeiro passo para criação de qualquer negócio que se pretenda lucrativo. A empresa foi registrada para vender de tudo um pouco a preços módicos, entre bijuterias, confecções, eletrônicos, tapeçaria, livros, bebidas, tabaco e até flores naturais e artificiais. Mas a loja acabou apostando no comércio de brinquedos para crianças, em especial os do “Cavaleiros do Zodíaco”, série japonesa sucesso entre a meninada dos anos 90. Os artigos revendidos pela Pão & Circo eram importados de um bazar localizado no Panamá, para onde Dilma e uma das sócias, a ex-cunhada Sirlei Araújo, viajaram três vezes para comprar os produtos. As mercadorias eram despachadas de navio até Imbituba (SC) e seguiam de caminhão até a capital gaúcha.
Apesar de os produtos ali vendidos custarem bem pouco, o negócio de Dilma era impopular – como a presidente hoje, que ostenta míseros 7% de aprovação. Os potenciais clientes e até mesmo os comerciantes vizinhos reparavam na apresentação mal-acabada da loja, com divisórias de tábua de madeira. “Não entrava ninguém ali”, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo Ênio da Costa Teixeira, dono de uma pizzaria próxima. Ao abrir a vendinha de importados, a presidente também não levou em conta um ensinamento básico do bom comerciante: “o olho do dono é que engorda o gado”. Segundo relato dos próprios sócios, Dilma aparecia na loja “eventualmente”. Preferia dar ordens e terceirizar as tarefas do dia a dia, situação bem semelhante ao contexto atual, em que delegou a economia ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy e a política ao vice Michel Temer, até este desistir da função dizendo-se boicotado pelo ministro Aloizio Mercadante, da Casa Civil.
Na sociedade da Pão&Circo, o equivalente ao Mercadante era Carlos Araújo, o ex-marido. Era Araújo quem aconselhava Dilma sobre como ela poderia turbinar as vendas. Mas o ex-cônjuge se revelou tão inepto quanto o titular da Casa Civil. “Acho que ela não era do ramo”, afirmou o comerciante, André Onofre, dono de um café ao lado. Depois de tantas trapalhadas comerciais, não restou outro destino à lojinha de R$ 1,99 de Dilma senão a bancarrota.
Questionada sobre a mal sucedida experiência no mundo dos negócios, a Dilma comerciante lembrou mais uma vez a Dilma presidente. Há duas semanas, numa espécie de negação da realidade, a presidente rechaçou a “catástrofe” econômica vivida atualmente pelo Brasil. Ao se referir à lojinha, cinco anos atrás, a Dilma comerciante saiu-se com a seguinte pérola: “Quando o dólar está 1 por 1 e passa para 2 ou 3 por 1, o microempresário quebra. É isso que acontece com o microempresário, ele fecha. A minha experiência é essa e de muitos microempresários desse País”. Ou seja, como boa petista, a presidente jogou a culpa em FHC pela malfadada experiência administrativa – que hoje, sabe-se, seria apenas a primeira. Com a agravante que a crise atual, também de sua inteira responsabilidade, atinge milhões de brasileiros. A outra teve alcance bem restrito, afetando somente o seu bolso e as economias de seus sócios. Bem, de todo modo, se Dilma atribui a falência à relação dólar/Real no período em que o negócio esteve em funcionamento, com todo respeito, ela comete um grave erro matemático. Dilma administrou seu comércio de quinquilharias importadas no melhor momento da história do Brasil para se gerir esse tipo de negócio — quando o Real estava valorizado em relação ao dólar. No ano e mês em que a Pão&Circo foi criada – fevereiro de 1995 – o dólar valia R$ 0,8. Quando quebrou, a moeda americana ainda não passava de R$ 1.
O negócio tocado pela então política filiada ao PDT fechou as portas em julho de 1996. Três anos depois ao encerramento da casa de bugigangas em Porto Alegre, Dilma assumiria o cargo de secretária de Minas e Energia na gestão Olívio Dutra (1999-2002).
O resto da história, todos sabem.

AS 18 MAIORES PÉROLAS DITAS POR DILMA ROUSSEFF


By Rodrigo da Silva @rodrigodasilva · On 27/04/2014
A política é a arte do embuste. Mas embora essa seja uma concepção consagrada pelos liberais há alguns séculos, jamais me convenci de que a mesquinha produção literária estadista fosse tão dominante quanto aparentemente é. Para cada político bem versado, há ao menos outros milhares de paquidermes iletrados dominando os microfones nos palanques. Para cada Joaquim Nabuco, há uma horda de Tiriricas. A regra é a bestialidade, o despreparo, a estupidez.  Como dizia H.L. Menken.
“Os políticos raramente, se nunca, são eleitos apenas por seus méritos — pelo menos, não em uma democracia. Algumas vezes, sem dúvida, isso acontece, mas apenas por algum tipo de milagre. Eles normalmente são escolhidos por razões bastante distintas, a principal delas sendo simplesmente o poder de impressionar e encantar os intelectualmente destituídos.
Será que algum deles iria se arriscar a dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade sobre a real situação do país, tanto em questões internas quanto externas? Algum deles irá se abster de fazer promessas que ele sabe que não poderá cumprir — que nenhum ser humano poderia cumprir? Irá algum deles pronunciar uma palavra, por mais óbvia que seja, que possa alarmar ou alienar a imensa turba de idiotas que se aglomeram ao redor da possibilidade de usufruir uma teta que se torna cada vez mais fina? Resposta: isso pode acontecer nas primeiras semanas do período eleitoral, mas não após a disputa já ter ganhado atenção nacional e a briga já estiver séria.
Eles todos irão prometer para cada homem, mulher e criança no país tudo aquilo que estes quiserem ouvir.  Eles todos sairão percorrendo o país à procura de chances de tornar os ricos pobres, de remediar o irremediável, de socorrer o insocorrível, e de organizar o inorganizável. Todos eles irão curar as imperfeições apenas proferindo palavras contra elas, e irão resolver todos os problemas com dinheiro que ninguém mais precisará ganhar, pois já estaremos vivendo na abundância. Quando um deles disser que dois mais dois são cinco, algum outro irá provar que são seis, sete e meio, dez, vinte, n.
Em suma, eles irão se despir de sua aparência sensata, cândida e sincera e passarão a ser simplesmente candidatos a cargos públicos, empenhados apenas em capturar votos. Nessa altura, todos eles já saberão — supondo que até então não sabiam — que, em uma democracia, os votos são conseguidos não ao se falar coisas sensatas, mas sim ao se falar besteiras; e todos eles dedicar-se-ão a essa faina com vigoroso entusiasmo. A maioria deles, antes do alvoroço estar terminado, passará realmente a acreditar em sua própria honestidade. O vencedor será aquele que prometer mais com a menor possibilidade de cumprir o mínimo.”
Poucos representam tão bem esse cenário quanto a líder máxima da nação, a loba mais esperta da matilha, a presidente do país: Dilma Rousseff. Frases que não chegam a lugar algum, verbos mal conjugados, uma latente dificuldade em separar o que é singular do que é plural, pensamentos mal construídos, analogias precárias, improvisações tortas… Eis a arte da política em sua mais perfeita mediocridade.
Senhoras e senhores: as 18 maiores pérolas ditas por Dilma Rousseff.
http://liberzone.com.br/as-18-maiores-perolas-ditas-por-dilma-rousseff/

sexta-feira, 15 de abril de 2016

COMO MATAR UM PAÍS


Por Affonso Taboza (*)
O Plano Real, concebido no curto governo Itamar Franco, trouxe ao País mais que alento, trouxe imensa euforia.
Quem quiser aprender visite o Brasil moribundo e veja como dona Dilma e seu PT estão acabando de matá-lo a cacetadas.
Por exiguidade de espaço, nem vou bordejar entre ilhas de tristeza, como a decadência moral que nos aflige, o desmantelamento de crenças e costumes, o aplauso e incentivo a comportamentos e práticas que nos repugnam, a complacência ante a criminalidade exacerbada, ou as maquinações diabólicas do Foro de São Paulo. Este último, uma criação da dupla Lula-Fidel para a comunização lenta e gradual da América Latina, em plena efervescência no governo da “presidenta”.
Vou me ater apenas ao desmantelamento da economia, pilar principal da edificação do País.
Em crises anteriores, costumavam os economistas afirmar que os fundamentos da economia estavam sólidos. Hoje estão falidos. O Plano Real, concebido no curto governo Itamar Franco, trouxe ao País mais que alento, trouxe imensa euforia. Vimos uma hiperinflação crônica, resistente a toda sorte de remédios, despencar para as proximidades de zero. Um feito inacreditável, quase mágico, de um grupo de jovens economistas talentosos, que a nação passou a reverenciar. Para garantir o sucesso do plano, o governo de então adotou providências saneadoras, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limitava os gastos dos governos nos três níveis, e a privatização dos bancos estaduais, fonte da qual se socorriam os estados para gastos inflacionários; e partindo do conceito de que dinheiro é mercadoria, deixou o dólar flutuar livremente até encontrar o seu real valor.
Com base nesses pilares, a economia se estabilizou, e o País passou a crescer, permitindo-nos sonhar. Veio então a loucura petista e desmantelou essa estrutura construída com muito sacrifício e grande dose de inteligência. Decisões de política econômica de cunho populista, roubalheira institucionalizada nas estatais e superfaturamento de obras em ministérios para financiar seu projeto de poder, financiamentos sem retorno de bilhões de dólares a países bolivarianos e ditaduras “amigas”, desrespeito flagrante à Lei de Responsabilidade Fiscal, todo esse conjunto de cacetadas nocauteou o País.
E eis que vêm os dois coautores do crime: ela, fingindo que governa, “fazendo o diabo” para se manter na cadeira presidencial; e, pior de tudo: com o apoio insensato de “representantes” do povo que, encastelados em seus mandatos mal conquistados, de costas para a Nação, só representam seus próprios interesses; e ele, o mentor do desastre, com cara de santo injustiçado, sem escrúpulo, de olho nas eleições de 2018. Triste país!
Deus que se apiede de nós!
(*) Membro efetivo do Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico.
Fonte: Publicado In: O Povo. Fortaleza, 14/04/2016. Opinião. p.11.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

MISSA DE SÉTIMO DIA POR PROF. JOÃO POMPEU LOPES RANDAL


Hoje, faz sete dias do falecimento da Prof. JOÃO POMPEU LOPES RANDAL, mui digno confrade e membro titular da Academia Cearense de Medicina.
Nascido em Sobral, em 4 de janeiro de 1932, Randal formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1958.
Cursou pós-graduação em Gastroenterologia, em Radiologia e em Pneumologia na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Foi professor da UFC, tendo exercido a chefia do Departamento de Medicina Clínica do CCS, sendo ex-presidente da Academia Cearense de Medicina.
Deixa a esposa, Sra. Rita Vãnia, e quatro filhos: Tony, Randal, João Hildo, e Jovânia.
As pessoas que conviveram com o Dr. Randal guardarão dele a lembrança da sua fidalguia e da sua lhaneza de trato que tão bem exercitava em tudo o que fazia.
A família do ilustre mestre convida familiares, confrades e amigos, para a missa de sétimo dia, a ser celebrada em sufrágio de sua alma, hoje, dia 14/04/16, às 19h, na Igreja do Cristo-Rei, situada em frente à Praça a Correia, no Bairro Aldeota.
Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira 18

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Marido que estupra a mulher é punido criminalmente em apenas 52 países


Por Talita Marchao, do UOL, em São Paulo.
Dos 193 países integrantes da ONU, apenas 52 consideram crime o estupro marital –quando a mulher é violentada pelo marido. No Brasil, a agressão está incluída na Lei Maria da Penha, mas na maior parte do mundo a mulher não conta com uma legislação específica que considere o marido um agressor.
Estimativas da ONU avaliam que 2,6 bilhões de mulheres e meninas vivem em países onde o estupro dentro do casamento não é explicitamente criminalizado, e estima-se que uma em cada três mulheres já tenha sofrido algum tipo de violência física e/ou sexual, na maior parte das vezes cometida pelo parceiro.
Historicamente, a violência sexual não era criminalizada quando praticada dentro de uma relação íntima. A mulher era vista como uma espécie de propriedade, e a relação sexual vista como uma obrigação contratual ligada ao casamento.
O estupro era um crime contra a honra (do homem, da família), e não uma violação do corpo feminino. A ideia de que o marido não pode ser responsabilizado por estuprar sua mulher remonta ao século 17, quando o jurista britânico Matthew Hale afirmou que o casamento por si era uma forma de consentimento – ideia mantida em muitas culturas e países até hoje.
O estupro marital foi estabelecido pela ONU como uma violação de direitos humanos em 1993. A recomendação da organização é que o casamento ou nenhum outro tipo de relacionamento constituam a defesa em um caso de ataque sexual segundo a legislação, mas esta medida ganha espaço no mundo a passos lentos.
O maior número de países com legislações avançadas na questão do estupro marital está na América Latina. Países como Brasil – com a Lei Maria da Penha --, Argentina, Bolívia e Equador revisaram seus códigos penais para considerar a violência sexual como uma violação. Alguns países africanos também criminalizam a prática, como Lesoto, Namíbia, a África do Sul e a Suazilândia.
Países como Índia, China, Afeganistão, Paquistão e Arábia Saudita não consideram o estupro do marido contra a mulher um crime. Na Índia, por exemplo, o código penal define que o sexo forçado é crime apenas se a mulher casada tem menos de 15 anos. O Sudão do Sul, país criado em 2011, define explicitamente que, mesmo forçada, a relação sexual entre marido e mulher não é considerada estupro.
 
Questão religiosa
No Paquistão, onde conselheiros religiosos chamaram recentemente projetos de lei de proteção a mulher de "anti-islâmicos", o estupro dentro do casamento não é crime. "Alguns clérigos islâmicos argumentam que a mulher deve sexo ao marido pela virtude do casamento, então a questão do consentimento não chega nem a ser levantada", diz a paquistanesa Reema Omer, consultora jurídica para o sul da Ásia da ICJ (Comissão Internacional de Juristas). Segundo ela, argumentos semelhantes são também usados por clérigos hindus na Índia.
"Discursos religiosos são muitas vezes conduzidos por homens, permitindo que interpretações contra o direito da mulher prevaleçam. O mesmo vale para o estupro marital", diz Reema.
Raquel Bergen, diretora do estudo de gêneros da Universidade Saint Joseph, nos EUA, acredita que o fator religioso pode ser usado como um facilitador, como é o caso de países com legislações baseadas na sharia --a lei islâmica-- e no hinduísmo. "Livros sagrados podem ser usados como uma justificativa, já que podem ser interpretados de muitas formas diferentes, até mesmo como um meio de reforçar a obrigação do sexo", diz a pesquisadora americana.
A ativista americana Jaclyn Friedman, autora do livro "Yes Means Yes" (Sim é Sim, em tradução livre e ainda não lançado no Brasil), lembra que o conceito de que o estupro marital não representa um crime tem um fundo cultural, e que a ideia de que a masculinidade depende do poder sobre uma mulher é comum em várias culturas.
"O florescimento de qualquer tipo de fundamentalismo religioso, até mesmo cristão, intensifica a dominação do homem sobre a mulher. Até hoje existem homens que acreditam que possuem o direito de controlar a mulher em qualquer lugar do mundo", afirma a escritora.
"O estigma do divórcio, assim como a dependência do marido, faz com que as mulheres não denunciem o estupro marital", conclui Reema. Para Jaclyn, mesmo em países onde o estupro marital é crime, ainda é preciso mudar a forma como as denúncias são feitas e garantir a segurança das vítimas.
"Não vou dizer para uma mulher prestar queixa na delegacia se não irão acreditar nela ou irão constrangê-la. É preciso uma mudança cultural também, não só na conduta da polícia e de autoridades, mas de parentes, amigos e até de conselheiros religiosos. Assim as vítimas se sentirão seguras para denunciar seus agressores e saberão que terão apoio".

Como é no Brasil?

O estupro era considerado um crime, mas não contra a mulher, e sim contra a honra e a honestidade das famílias. Só em 2009 o Código Penal passou a começou a mencionar o estupro como um crime contra a dignidade sexual e a liberdade sexual da mulher. Hoje, o estupro marital está entre as agressões punidas pela Lei Maria da Penha.
Segundo a promotora de Justiça e coordenadora estadual do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo Valéria Diez Scarance Fernandes, a conjunção carnal forçada ou qualquer outro ato libidinoso mediante agressão física ou ameaça grave configura crime de estupro, inclusive se é praticado pelo marido, com pena prevista de 6 a 10 anos de prisão.
Entretanto, a legislação brasileira contempla dentro do estupro marital o chamado estupro de vulnerável –quando a vítima tem menos de 14 anos, se apresenta doença mental ou quando a vítima não consegue oferecer resistência, que é o caso de uma mulher fragilizada.
"Sabemos que a violência deixa a mulher vulnerável aos poucos. Muitas vezes ela não consegue dizer não e não reage, não se opõe ao parceiro", explica Valéria. Existem ainda os casos em que a mulher estava dormindo, dopada, embriagada e fragilizada emocionalmente pela sequência de abusos e agressões. Todos são considerados como estupro de vulnerável.
"Muitas vezes o marido se julga dono e possuidor do corpo da mulher, acha que é um território sob o qual ele exerce o poder. Por isso muitos homens não aceitam ouvir 'não'. Tradicionalmente, o corpo da mulher sempre foi visto como território do homem", diz a promotora.
Valéria explica ainda que, no Brasil, a palavra da vítima tem muita força, já que no caso do estupro marital é um crime praticado dentro de casa e longe do olhar de testemunhas. Ainda que não exista um vestígio diretamente relacionado com o estupro, é possível constatar as suas sequelas. "A perícia pode ou não atestar uma relação sexual recente, mas não é imprescindível. O ideal é que se faça a perícia psicológica, pois a agressão sexual deixa lesões psíquicas, traumas e causa doenças como a depressão e o estresse pós-traumático".
As denúncias de estupro marital feitas por mulheres ainda são raras, já que muitas nem consideram ter o direito de dizer "não" e não sabem que são estupradas. Elas devem procurar uma unidade da Delegacia da Mulher ou o próprio Ministério Público. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 180 de forma anônima.

Fonte: UOL Notícias, de 22/03/2016. Fotos Pin it / Shutterstock.

 
 

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