Mostrando postagens com marcador Judeus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Judeus. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ANTISSEMITISMO DESPUDORADO

Por Maximiliano Ponte (*)

Nós, judeus de todo o mundo, estamos celebrando Chamucá, uma festividade que celebra a resistência à assimilação forçada e o direito de manter a própria identidade religiosa e cultural e que, neste ano, ocorre entre 14 e 22 de dezembro. Entre suas tradições centrais está o acendimento público de velas. Famílias as colocam à janela, voltadas para fora, e comunidades reúnem-se para acendê-las publicamente, mundo afora, como uma afirmação visível de existência, memória e continuidade.

Neste Chanucá de 5786 (2025), no pogrom de Bondi Beach, na Austrália, o antissemitismo, como tantas vezes ao longo da história, também acendeu suas velas publicamente. Fez isso de forma aberta, tanto por meio da violência explícita - com a morte de pessoas pelo simples fato de serem judias - quanto, de modo mais insidioso, pela justificativa despudorada que responsabiliza as próprias vítimas, enquanto grupo, transformando a agressão sofrida em culpa.

Em vez de uma condenação inequívoca dos agressores, multiplicaram-se explicações: o governo israelense, a guerra em Gaza, a complexa geopolítica do Oriente Médio. Essa lógica é eticamente insustentável. Judeus australianos não são o governo de Israel, não são suas forças armadas, nem extensões simbólicas de disputas geopolíticas. São cidadãos exercendo, de forma pacífica, um direito elementar: viver e expressar publicamente sua identidade religiosa e cultural.

Isso ocorre em um momento da história humana em que, ao menos em tese, já não há abrigo na civilidade para discursos que justificam a violência contra minorias, responsabilizando-as pela agressão sofrida. Não se aceita - pelo menos não publicamente - o discurso de que mulheres sejam violentadas por estarem sozinhas à noite ou por usarem determinadas roupas.

Tampouco se admite, no espaço público legítimo, o discurso de que pessoas LGBTQIA+ devam ser agredidas por demonstrarem afeto em público ou por expressarem sua identidade. Pessoas podem pensar dessa forma e até defendê-la em ambientes privados, mas sabem que sua enunciação pública tende a ser recebida com descontentamento tácito ou com oposição firme e imediata. Não é correto, não é ético, não é justo, não é intelectualmente válido responsabilizar a vítima pela agressão sofrida. Nunca. Ou melhor, quase nunca.

No caso do antissemitismo, esse constrangimento frequentemente desaparece. Torna-se socialmente tolerável - e até intelectualmente aceitável - sugerir que a violência contra judeus se explica por seu comportamento coletivo, por sua identidade ou por uma associação imaginada com um Estado, um governo ou um conflito. Quando se trata de judeus, pode.

Essa é mais uma vela acesa publicamente pelo antissemitismo, neste Chanucá.

(*) Médico psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/12/2025. Opinião. p.17.


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Eu não sou mentiroso

Por Maximiliano Ponte (*)

Neste domingo, 28 de setembro, o jornal O POVO publicou um artigo de minha autoria intitulado “A Flotilha da Liberdade e o Ceará”. O texto é uma crítica dura ao que entendo como incoerência de quem se indigna com injustiças distantes e fecha os olhos para o terror que se impõe aqui. Do que escrevi, não tiro uma vírgula.

Ocorre que o jornal me identificou como membro de um coletivo de profissionais de saúde, do qual não faço parte. Não integro esse grupo há anos. O equívoco é gravíssimo e vexatório. Para mim, porque me coloca como integrante de um grupo do qual me desliguei justamente por divergências ligadas ao conflito Israel–Palestina.

É vexatório ser apresentado como membro de um grupo que possui posições diferentes das minhas nesse ponto tão sensível. Para o coletivo, porque vê o seu nome associado a um artigo que não foi escrito por um de seus membros, que não aprovou e que, em aspectos centrais, não expressa ideias que defende.

Ainda que tenha se tratado apenas de um erro, trouxe consigo um efeito concreto e deletério: a introdução de uma contradição no meu discurso. Abriu uma lacuna na minha credibilidade, permitindo que aqueles que discordam do artigo usem esse equívoco como ponto de partida para suas contra-argumentações. Se, por um instante, coloco de lado a hipótese do erro de estagiário, a pergunta que se impõe é: a quem interessaria fragilizar um discurso como o meu, contra-hegemônico, num mundo em que o antissionismo se apresenta como a nova face do antissemitismo?

O jornal se dispôs a corrigir as versões digitais, mas as milhares de cópias impressas jamais serão corrigidas. Haverá uma mácula perene, porque as erratas a posteriori não apagam o erro já publicado, não limpam a mancha, não retiram da história aquilo que foi impresso. Faço aqui meu esperneio e meu chamado ao jornal: é preciso cuidado redobrado, sobretudo com aqueles que colaboram de forma espontânea e, ao fazê-lo, se expõem ao tratar de temas tão sensíveis.

Não fragilizem meu discurso. Não me coloquem contra coletivos com os quais tenho divergências, mas nos quais mantenho afinidades e, sobretudo, amizades. Eu não sou mentiroso!

(*) Médico psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/09/2025. Opinião. p.18.

A flotilha da liberdade e o Ceará

Por Maximiliano Ponte (*)

Sendo judeu e cearense, reconheço a importância de iniciativas que chamem atenção do mundo para populações sitiadas e privadas de direitos mais básicos. É justo que a opinião pública internacional se mobilize diante de gente que vive sob o jugo do medo, exposta à violência arbitrária de forças armadas que se impõem como donas da vida e da morte. A ideia de uma flotilha navegando mares para denunciar injustiças é inquestionavelmente nobre.

São histórias de convivência com o terror. Famílias obrigadas a abandonar suas casas. Crianças crescendo sem poder brincar. Comunidades inteiras vivendo reféns de um poder que não reconhece limites éticos. Escolas fechadas de forma abrupta. Ruas bloqueadas por barricadas. Veículos incendiados diante de todos. Toques de recolher que transformam a rotina em cárcere.

Poderia ser a Faixa de Gaza sob os olhos do mundo. Mas é Fortaleza. É o Ceará. Aqui famílias também são arrancadas de suas casas, escolas se fecham de repente, e a rotina se converte em prisão pelo medo. Não é guerra declarada, mas é uma vida sitiada pelas facções criminosas.

Se uma flotilha atravessa oceanos para denunciar o sofrimento humano, por que não aportar também no Porto do Mucuripe? Se pode atracar em Barcelona, por que não em Fortaleza, cidade ensolarada e vibrante. Aqui, os barcos da solidariedade encontrariam famílias desalojadas, comunidades acuadas e cidades inteiras paralisadas pela lógica da violência.

E a flotilha poderia contar até com uma guia local, que está a bordo. Conhece muito bem Fortaleza e o Ceará. Poderia começar apresentando a cidade pela sua boêmia, pelos centros de lazer... Entre um passeio e outro, mostraria também os muros pichados com siglas de organizações criminosas, os avisos de “baixar o vidro do carro” ou “tirar o capacete”, e até as ordens de expulsão de famílias, rabiscadas em paredes como sentença de desterro.

Seria uma excursão não apenas pelas belezas tropicais, mas também pela dura realidade de uma cidade que vive sitiada. É fácil navegar contra Israel e posar de herói internacional. Difícil é reconhecer que aqui, em Fortaleza, e no Ceará, o terror se impõe sobre a população mais vulnerável. Se a indignação fosse coerente, a Flotilha da Liberdade teria escala obrigatória no Mucuripe!

(*) Médico psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/09/2025. Opinião. p.18.

domingo, 17 de agosto de 2025

O caso exemplar dos artigos de Fernando Castelo Branco

Por Gabriel Ben-Tasgal (*)

Os artigos sobre Israel de Fernando Castelo Branco representam um exercício perigoso de manipulação, seja por ignorância ou por malícia - ambas gravíssimas em um jornalista. Ele cita tratados internacionais sem compreender seu conteúdo e julga Israel com um duplo padrão incompatível com o direito internacional.

Israel, como toda democracia moderna, tem o direito e o dever de defender sua população. As acusações de "genocídio" ou "apartheid" não resistem à menor análise jurídica. A Convenção sobre Genocídio exige a "intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo étnico", algo incompatível com a política de Israel - país que possui os meios para cometer um genocídio, mas que no campo de batalha mantém uma proporção de 1:1 (número elogiado por especialistas em guerra e criticado por jornalistas que recebem dados "confiáveis" do jihadista Hamas).

Assim como o nazismo demonizou o judeu como subumano antes de exterminá-lo, hoje se demoniza o judeu coletivo - Israel - por meio de rótulos falsos como “Estado genocida” ou “apartheid”. Essa técnica foi descrita por Ernst Gombrich como o uso de um "mito paranoico" para justificar a violência. O antissemitismo moderno se disfarça sob "críticas a Israel" com obsessão, demonização e duplo padrão. O texto do jornalista não apenas se encaixa nesse padrão, como o exemplifica.

O jornalista em questão aplica, consciente ou não, várias das táticas descritas para fomentar a destruição de Israel. Utiliza manipulação dialética, invertendo os papéis de vítima e agressor; acusa Israel de genocídio e apartheid, numa manipulação narrativa baseada em mentiras repetidas. Propõe boicote e marginalização internacional do Estado judeu, alinhando-se ao movimento BDS, que visa sua extinção sob pretextos humanitários. E recorre a uma vergonhosa manipulação jurídica, distorcendo tratados internacionais para julgar Israel tendenciosamente. Depois, com hipocrisia, se ofende ao ser chamado de antissemita. O padrão é claro e sistemático.

Quem demoniza Israel de forma obsessiva, geralmente não o faz por amor aos direitos humanos, mas por judeofobia. E quem repete essas narrativas sem verificação, torna-se - por ignorância ou ideologia - cúmplice dessa antiga forma de ódio.

(*) Presidente Jornalista, escritor e analista do Oriente Médio.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/25. Opinião, p.18.

sábado, 16 de agosto de 2025

A verdade geopolítica sobre Israel, Palestina e o atual conflito

Por Claudio Lottenberg (*)

A criação do Estado de Israel em 1948 foi resultado de um processo legítimo, respaldado internacionalmente e conduzido por canais multilaterais. Em 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a partilha do território sob mandato britânico em dois Estados: um judeu e outro árabe. O povo judeu aceitou o plano com a esperança de coexistência. Os países árabes, por outro lado, rejeitaram a proposta e optaram por uma guerra aberta contra o novo Estado, com o declarado objetivo de eliminá-lo do mapa. Israel resistiu e sobreviveu — mas o Estado palestino que também estava previsto simplesmente nunca foi criado.

Nos anos seguintes à guerra, houve uma reconfiguração territorial marcante: o Egito ocupou a Faixa de Gaza e a Jordânia anexou a Cisjordânia. Durante os 19 anos em que essas regiões estiveram sob domínio árabe, nenhuma medida significativa foi tomada para promover a criação de um Estado palestino independente. O projeto nacional palestino, que hoje se reivindica como direito histórico, foi ignorado por décadas por aqueles que dizem ser seus maiores defensores.

Somente nas décadas de 1990 e 2000, com os Acordos de Oslo e a posterior retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza em 2005, os palestinos passaram a ter algum grau de autogoverno. Em Gaza, porém, a escolha feita nas urnas foi pelo Hamas — uma organização terrorista fundamentalista, declaradamente antissemita e hostil à convivência pacífica. Desde 2006 governa a região sem realizar novas eleições. Seu estatuto não reconhece o direito de Israel existir. Ao contrário, prega abertamente sua destruição.

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas protagonizou um dos maiores massacres de civis judeus desde o Holocausto, matando brutalmente mais de 1.200 pessoas, entre elas mulheres, crianças e idosos, e sequestrando outras centenas. O ataque teve caráter genocida. Por trás desse grupo está o Irã — o principal financiador do terrorismo internacional. O regime iraniano não esconde seu apoio armado, financeiro e estratégico ao Hamas, ao Hezbollah e aos Houthis. Todos esses grupos compartilham a mesma agenda: destruir Israel e desestabilizar o Oriente Médio.

Ignorar essa realidade é distorcer o debate. A presença judaica naquela terra é milenar, anterior à criação de qualquer país árabe moderno. Jerusalém era a capital do reino judeu há mais de 3 mil anos. O vínculo espiritual, cultural e político do povo judeu com aquela terra jamais foi interrompido, mesmo em tempos de exílio ou dominação estrangeira.

Ainda assim, afirmar isso não nega a legítima aspiração palestina. Muitos de nós acreditamos na necessidade urgente de construir um Estado palestino viável, com instituições sólidas e comprometidas com a paz. Mas isso só será possível se esse futuro Estado aceitar a existência de Israel como nação legítima, rejeitar o extremismo violento e se engajar num processo de coexistência verdadeira.

A solução de dois Estados continua sendo a esperança possível. Mas ela só terá futuro se for sustentada por segurança mútua, reconhecimento recíproco e lideranças que valorizem a vida acima do ódio. Paz duradoura exige memória histórica, responsabilidade política e coragem moral — não slogans, negações ou alianças com quem escolheu a destruição como método.

(*) Presidente da Confederação Israelita do Brasil.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/07/25. Opinião, p.19.

A GUERRA INCOMPREENDIDA

Por Marcos L Susskind (*)

O Oriente Médio ocupa manchetes e notícias sobre guerras chegam num ritmo alucinante, nem sempre correto. A meu ver não existe guerra entre Israel e Palestinos e sim entre Israel e terroristas tiranos do Hamas na Faixa de Gaza. A Palestina tem 6,020 km2. Gaza é só 6% da Palestina (365 km2), tomada pelos terroristas do Hamas, após expulsar a Autoridade Palestina em 2007, depois de sangrentas batalhas.

Quanto ao apartheid: em Israel vivem cerca de 2.100.000 Árabes gozando de todos os direitos - estão no Parlamento, são juízes, oficiais no Exército, médicos, empresários e o capitão da Seleção Nacional de Futebol é árabe. Na área da Autoridade Palestina e também em Gaza não vive um único Judeu. Todos os judeus de Gaza foram evacuados em 2005. Mas a acusação de Apartheid é sempre a Israel.

Outro assunto atual é a guerra com o Irã, uma das mais antigas nações do mundo. Desde Ciro, há 2.584 anos, persas e judeus viviam em perfeita harmonia. Tudo mudou em 1979, quando a Revolução Islâmica tomou o poder e transformou o Irã numa teocracia radical, controlando a população com mão de ferro, discriminando mulheres, gays e minorias e tendo como sua meta principal a destruição de Israel.

O Irã tal como um polvo, colocou braços armados no Líbano (Hezbollah), na Faixa de Gaza (Hamas e Jihad Islâmica), milícias pró-Irã na Síria e no Iraque (Kataib Hezbollah) e os Houthis no Yemen. Estes grupos foram armados, financiados e treinados pelo Irã para atacar Israel por todos os flancos. Além disso, o Irã enriquece urânio acima de 60%, podendo chegar à Bomba Atômica.

Recentemente o Irã já tinha urânio e componentes como água pesada e combustível sólido suficientes para 15 bombas atômicas. Isto indicava a iminente produção da bomba nuclear. A declarada intenção de destruir Israel tornou a ação de proteção necessária e urgente, e Israel atacou os alvos militares e áreas científicas ligadas ao desenvolvimento da bomba iraniana. O Irã retaliou, disparando potentes misseis exclusivamente a áreas civis em Israel.

Vale lembrar que os países onde o Irã se envolveu sofreram extrema destruição. O Líbano passa pela mais terrível situação econômica desde a guerra iniciada pelo proxy iraniano Hezbollah. O ex-governo pró-Irã da Síria matou 750.000 civis, 6.500.000 fugiram do país e 7.100.000 são refugiados internos.

Na Faixa de Gaza, o Hamas - apoiado e financiado pelo Irã - provocou uma destruição cuja reconstrução pode levar 20 anos. No Iêmen os Houtis tomaram o sul do país e 1.300.000 crianças e lactentes sofrem de desnutrição aguda.

Se o Irã chegasse à bomba atômica, os riscos ao mundo ocidental seriam imensos, dada a aliança Rússia-Irã. Com sua ideologia violenta, os aiatolás trazem agora a destruição para seu próprio país.

(*) Palestrante e Ativista Social. Autor do livro "Combatendo o Antissemitismo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/06/25. Opinião, p.19.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Resposta da Confederação Israelita do Brasil

Por Claudio Lottenberg (*)

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) manifesta perplexidade e repúdio diante do artigo publicado neste jornal, que ultrapassa todos os limites da crítica legítima e se inscreve no campo do revisionismo histórico, do negacionismo político e do discurso de ódio.

Afirmações como “a criação do Estado de Israel é o erro mais brutal das Nações Unidas” ou “Israel não é um Estado real, mas um projeto militar colonial ancorado em uma ideologia racista” não apenas ignoram os fatos fundamentais da história contemporânea — incluindo a resolução 181 da própria ONU, que reconheceu o direito de judeus e árabes à autodeterminação — como também negam o direito de existência do único Estado judeu do mundo, onde vivem hoje mais de 9 milhões de pessoas, entre elas mais de 2 milhões de cidadãos árabes com direitos civis plenos.

A linguagem utilizada, marcada por termos como “genocídio”, “projeto colonial”, “limpeza étnica”, é uma caricatura cruel e intelectualizada do antissemitismo de sempre, agora disfarçado sob o manto de causas nobres. Ao confundir ideologia com identidade, o texto demoniza não um governo ou uma política, mas um povo inteiro. Isso é inaceitável.

Israel é uma democracia vibrante, com Judiciário independente, eleições livres, imprensa crítica e ampla diversidade política, religiosa e cultural. O país enfrenta desafios complexos, em um cenário de guerra imposto por um grupo terrorista — o Hamas — que usa civis como escudo e nega o direito de Israel existir. Mas isso não pode servir de justificativa para inverter vítimas e algozes, nem para difundir desinformação ou ódio.

A Conib reafirma seu compromisso com a paz, a convivência e o diálogo. E espera que os meios de comunicação, especialmente os que se consideram referências éticas e jornalísticas, saibam distinguir entre crítica legítima e discurso de desumanização.

Agradecemos ao jornal por abrir espaço ao contraditório. Em tempos de polarização e narrativas radicais, garantir vozes plurais é um serviço ao jornalismo e à democracia.

Não há justiça possível quando se deslegitima o direito de um povo existir.

* (Colaborou com o texto Ireland Oliveira, presidente da Sociedade Israelita do Ceará)

(*) Presidente da Confederação Israelita de São Paulo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/06/25. Opinião. p.16.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

SOBRE UM FAMOSO MENINO NEGRO ÍDICHE

About one famous black yiddishe ingale

Um menino negro nasceu, neto de escravos, em um bairro pobre de Nova Orleans conhecido como o "Back of Town".

Seu pai abandonou a família quando o pequeno ainda era uma criança. Sua mãe se tornou uma prostituta e o menino e sua irmã tiveram que viver com a sua avó. Cedo na vida ele provou ter talento para a música, tentando a sorte cantando nas ruas de Nova Orleans. Seus primeiros ganhos foram as moedas jogadas para ele.

A família judia Karnofsky, que havia imigrado da Lituânia para os EUA teve pena do menino de 7 anos de idade, e trouxe-o para sua casa. Inicialmente ele fazia pequenos trabalhos da casa, em troca lhe forneciam, uma cama, comida e abrigo e ainda incluiam-o em seus jantares de Shabbat. Neste lar judaico ele permaneceu e, pela primeira vez em sua vida, foi tratado com gentileza e ternura.

Quando ia para a cama, a Sra. Karnovsky costumava cantar-lhe canções de ninar russas. Com o tempo, esse menino tornou-se o filho "adotivo" da família.

Certo dia, enquanto ajudava o Sr. Karnofsky com seu cavalo e carroça na entrega de carvão, passaram por uma loja e o rapaz apontou para um velho trompete na vitrine. Passado alguns dias, o Sr. Karnofsky, entrou e saiu com o instrumento, dando-lhe de presente. Mais tarde, ele aprendeu a cantar e tocar várias canções russas e judaicas.

Já um músico profissional e compositor, usou estas melodias judaicas em composições, tais como "St. James Infermary" e "Go Down Moses".

O menino negro cresceu e escreveu um livro sobre esta família judaica que o havia adotado em 1907.

Quem é esse menino? Você o conhece como LOUIS "SATCHMO" ARMSTRONG.

Em memória desta família e até o fim de sua vida, ele usou uma estrela de David e disse que nesta família ele tinha aprendido "como viver a vida real e a ter determinação."

Louis Armstrong orgulhosamente falava ídiche fluente! Você sabia?

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

MARRANISMO

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

... De quando sou interpelado por algum amigo qual a minha posição do conflito entre Palestinos e Israelenses...

Pretendo, neste artigo-reposta referir brevemente sobre marraníssimo no Brasil. Não devemos esquecer que essa histórica toda - dessa estranha Gente da Nação - foi alevantada pelo historiador pernambucano José Antônio Gonçalves de Mello, um dos poucos intelectuais que inauguraram o conhecimento do fenômeno marrânico na moderna historiografia brasileira, desnudando o preconceito antijudaico e restabelecendo a importância da contribuição dos judeus-portugueses, enquanto muitos de seus contemporâneos estereotiparam o hebreu em suas obras clássicas, sobre a gênese do povo brasileiro, tentando esconder seus preconceitos através de teorias pseudocientíficas de superioridades raciais. Como se, no gênero humano, houvesse raças puras e raças impuras ou superiores e inferiores.

Definindo o significado e a etimologia do vocábulo marrano: Diz-se do judeu ou mouro que, embora professando abertamente o Cristianismo, para evitar perseguições da Inquisição, permanece fiel à sua religião de origem. Muito embora o verbete marrano esteja dicionarizado pejorativamente como sinônimo de porco, sujo, asqueroso, excomungado, maldito e até de gado-ruim, no Rio Grande do Sul, prefiro, por razões emotivo-sentimentais, tomá-lo como vocábulo originário do hebraico, mar (amargo) e anussim (forçado). Forçado a deixar amargamente a religião de seus ancestrais e que, agora, muitos de seus descendentes desejam tornar ao seio de Israel.

Por sinal determinados vocábulos brasileiros são exemplos de nosso sincretismo.

 Por exemplo:

"OXALÁ" é vocábulo de dupla acepção e origem:

Quando escrita com inicial "O" maiúsculo significa divindade afro-brasileira, toma o lugar de Oloru (o espírito supremo). Sua cor preferida é o branco. Seu dia de devoção é sexta-feira, e os animais sacrificados em sua homenagem são cabras e pombos brancos.

Na correspondência entre orixás e santos católicos, é identificado com Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, ou com o Padre Eterno, Jesus Cristo e, raras vezes, com o Divino Espírito Santo.

O outro significado de oxalá (com, ‘O', minúsculo) é uma interjeição de origem árabe (semita), cujo sentido significa queira Deus; prouver a Deus: exprime o desejo de que certa coisa suceda; tomara que sim!

Oxalá tudo saia como planejamos!

Essa diversidade de interpretação do português falado no Brasil é exemplo da amálgama de concepções heterogêneas que se sedimentaram na formação do brasileiro, não o brasileiro do Eça de Queirós: o português que fez fortuna no Brasil e voltou para Portugal abonado, porém permaneceu um mal-educado, é entre nós o tipo de caricatura mais francamente popular. Conferir em Farpas, fevereiro de 1872.

*****

Considerando que as nossas origens marrânicas jaziam soterradas pelos poderosos de plantão e outros motivos mais, não me cabe, no momento, aprofundar-me.

O rio marrânico de nossa formação, apesar de soterrado pelo antijudaísmo, não importa se por razões religiosas ou, mais tarde, raciais, como na ditadura do Estado Novo, permaneceu, apesar das discriminações, irrigando nossa formação, ajudando a aplainar as diferenças das nossas diferentes etnias, formadoras de nossa gente.

Não podendo mais, em pleno século XXI, alguns dos nossos pesquisadores, solapar a verdade de o fato histórico ser contido, resolveram desbravar, com sua pesquisa moderna e menos arraigada ou limitada, pois, como diz o Talmude: A verdade como o azeite sobe a água que camufla os mentirosos ou bajuladores do Poder como lamparina para iluminar os nossos passos. Eis que explode, como a força da água represada, em numerosos trabalhos histórico-científicos. Oxalá continue emergindo, mais e mais, e queira Deus deixe os círculos acadêmicos, ganhe o mundo, ganhe as ruas, as esquinas e as praças, antes que algum brasilianista dos “States” dela se apodere.

*****

Marraníssimo à brasileira

Diferentes dos marranos que se fixaram em outras plagas "deste mundo vasto mundo", foram os portugueses, cristãos-novos - cristãos-velhos, os achadores do Brasil. A demografia de Portugal, na época dos descobrimentos, era constituída por um milhão de católicos e 200.000 judeus! Bastaria tal fato para explicar a importância numérica dos judeus na constituição de nossa gente e país.

*****

Aliás, muito antes das viagens dos Descobrimentos, o infante D. Henrique convocou o judeu Jehuda Cresças, então vivendo nas Ilhas Baleares, personagem também conhecido como Jácome de Majora, cognominado El judio de lãs Brújulas, para chefiar, fazer parte do corpo docente da Escola de Sagres, e foram tantos outros: astrônomos, navegadores, matemáticos, linguísticos de origem semítica que traçaram e colaboraram com o Ciclo dos Descobrimentos, cuja culminância, para Portugal, foi a Descoberta do Brasil. Nomes tantos que seria enfadonho enumerar.

Esses novos católicos-marranos-portugueses aportaram a Terra da Santa Cruz como descobridores, pioneiros, colonizadores, governadores, para fundar uma Nova Nação em um Mundo Novo. Já na frota do Almirante Pedro Álvares Cabral, viajaram eles como conselheiros, especialistas e muitos marinheiros judeus ou cristãos-novos fizeram parte da esquadra do Almirante nascido em Belmonte, lugar conhecido internacionalmente pela prática do cripto-judaísmo, até os dias de hoje.

Cito alguns integrantes da frota cabralina pela relevância:

Mestre João, astrônomo e que tinha, como missão, testar instrumentos náuticos criados por outro judeu, Abrahão Zacuto; Pedro Nunes navegador, Gaspar de Lemos ou Gaspar da Gama, capitão de navio, intérprete e considerado, por muitos historiadores, co-descobridor do Brasil.

Na verdade, em nenhum momento de nossa História ou mesmo na Pré-História da Descoberta do Brasil, os judeus, convertidos e os não-convertidos, deixaram de fazer parte do feito-mor lusitano: o achamento do Brasil. Posso asseverar que inexiste país onde a contribuição dos cristãos-novos, marranos, convertidos à força ou por vontade própria, foi tão evidente e perene como na formação brasileira. Nas levas dos denominados degredados e delinquentes, o crime maior era o de judaizante (judaizar é observar e praticar a lei dos judeus).

Na Igreja, mesmo entre seus catequizadores, vieram muitos cristãos-novos em seus quadros, como é o caso emblemático do Padre Anchieta, descendente de judeus.

******

Em Portugal, estavam ameaçados, por "todos os lados", pela Inquisição. Esses fugidos ou refutados e amedrontados, constituíram a espinha dorsal da nossa europeização e colonização, apesar do longo braço da Inquisição, de cujos rigores não escapou um dos maiores oradores sacros: o Padre Antônio Vieira.

Apesar de saber que qualquer forma de colonialismo é deletéria (não há bom colonizador nem neocolonizador honesto), Portugal legou-nos muitas coisas boas. Uma das mais belas línguas do mundo, a nossa dimensão continental: a maioria dos bandeirantes era de origem cristã-nova. O ouro branco do açúcar era tecnologia dominada pelos judeus-portugueses, a mineração e o ciclo do ouro em Minas Gerais, a floresta amazônica, o que encetou a vinda de milhares de judeus de Marrocos e de outros lugares da África do Norte, para tomar parte no ciclo da borracha, criando uma neodescendência de judeu mameluco, que ainda não foi suficientemente explorada como outras escondidas riquezas da floresta, o pau-brasil, do qual Fernando de Noronha, essa misteriosa figura de donatário, empreendeu o início do desmatamento nacional com o mercado do pau-brasil. Sem dúvida, era um cristão-novo!

******

A continuidade territorial

Quanto aos mistérios dos costumes desses sertões brasileiros, tão grandes e tão assemelhados, podem-se explicar pela mobilidade dos cristãos-novos no Brasil Colônia.

Apesar de encontrarmos famílias europeias portuguesas, radicadas durante gerações nas mesmas regiões, de um modo geral, a população branca era de descendência cristã-nova e, apresentava uma grande instabilidade. A vigilância constante a que estavam expostas por parte dos agentes inquisitoriais, muitas vezes, impedia a sua radicação.

Sem esquecer que foram também os interesses econômicos dos judeus-portugueses que os levavam a residir temporariamente em vários lugares e mantinham uma união secreta entre familiares, cristãos-velhos, livres-pensadores, formando um continuum de casualidades de crenças, liberdade impossível de ser pensada ou praticada na velha Sefarad (palavra hebraica que designa a Península Ibérica). A Inconfidência Mineira leva muitas características desses tipos de associações. Os poetas, ah! os poetas, sempre chegam primeiro que os cientistas! Minha Pátria é Minha Língua (Fernando Pessoa).

******

Os marranos de Portugal fugiram para o Brasil, principalmente.

Aqui, deitaram suas raízes, não para enriquecer ou, como dizia a maioria dos imigrantes europeus: fazer América, chegaram para ficar.

Assim como os negros escravos não desejam tornar à África, nem o japonês ao Japão, fizeram deste país tropical a sua pátria. Misterioso encanto... a Terra brasilis! Não vamos esquecer, por favor, os índios - verdadeiros proprietários (e o que deles restou). Devem ser respeitados os poucos remanescentes, nas suas riquezas culturais e ecológicas.

Voltando ao marraníssimo à brasileira, foram os cristãos-novos ou marranos que desbravaram as selvas, cultivaram a terra, apresaram índios, guerrearam os jesuítas, foram homens totalmente diferentes dos judeus de origem ashkenaze: judeus de fala iídiche, oriundos dos países da Europa Central e Oriental ou dos sefardins, descendentes dos primeiros israelitas de Portugal e da Espanha, expulsos, respectivamente, em 1496 e 1492, que se dispersaram pela Itália, Holanda, França, norte da África, Levante e outros lugares do Mundo.

Falar dos cristãos-novos, generalizando sua atuação e sua mentalidade, tem levado a uma concepção errônea do que foi o fenômeno marrano brasileiro. Antes precisamos de unguentos para cicatrizar a chaga da escravidão, a vergonha da Inquisição e renovar o que nos ensinou o Genocídio dos povos indígenas. Para isso, conclamo a nossa elite intelectual..., principalmente a nordestina, a trabalhar para resgate do nosso passado.

Pensar que, em plena crise da Violência e do Crime Organizado, o governador do Estado de São Paulo (2006), Cláudio Lembo, diga:

“O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a Inquisição de 1500 até 1821”. Então você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa. Isso é o que está na Sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público externo. É um país que é dúbio, sem mencionar as chagas da escravidão e a matança dos índios.

Em momento algum, aceito tal declaração pondo em perigo nossa frágil Democracia. Aceito, com restrições, tal desabafo como aviso aos nossos historiadores. Urge que nossos antropólogos, sociólogos e geógrafos façam, e divulguem ao povo um melhor conhecimento de nossa historiografia: da miscigenação e igualdade entre as diversas etnias formadoras de nossa gente.

O Professor. Avi Gross, especialista em Judaísmo Português e Espanhol e Marranos do Departamento de História Judaica, na Universidade Ben-Gurion em Beer-Sheva, no deserto de Neguev, afirma ser a concentração de convertidos à força mais numerosa nos estados do Nordeste brasileiro, principalmente Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Em época tão tumultuada, é sumamente pertinente propagar a Nostra Aetate: Sobre a Igreja e as Religiões Não-Cristãs (Declaração do Concílio Vaticano II - ano de 1965):

Hoje, que o gênero humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a Igreja considera mais atentamente qual a sua relação com as religiões não-cristãs. E, na sua função de fomentar a união e a caridade entre os homens e até entre os povos, considera primeiramente tudo aquilo que os homens têm em comum e os leva à convivência.

*********

Acredito que, quando um povo está buscando se conhecer e não se envergonhar das suas raízes, passa a ser exemplo de concórdia para o mundo. Mundo esfacelado pelas guerras, pelos terrorismos de todos os naipes e os homens-bomba: terão suas chamas auto criminosas extintas pelo exemplo do novo homem brasileiro.

Daí lembro, aos meus patrícios, que a contribuição que une a nossa nação à saga do povo judeu é muito importante para entendermos a gênese do povo brasileiro. Porém, muitas vezes, fico pensando nessa herança maldita da Inquisição e em certos comportamentos do nosso homem interiorano, maioria das vezes, um valente, silencioso e reservado. Impossível saber o que pensa. Do não-parecer. Da economia. Do não-ostentar. Das festas e da religiosidade expostas, essas, sim, bastante às vistas. Dos postigos sempre cerrados e protegidos dos olhos dos curiosos. Falar o menos possível, medir o que se diz. Ao prestar um serviço, dizer com insistência:

— Desculpe qualquer coisa! - Como se desejasse pedir desculpas por algo que nunca fez. Evitar qualquer deslize é seu cuidado maior. Algo que poderia ser mal interpretado e, depois, servir da acusação no tribunal do Santo Ofício. Ninguém pode confiar em ninguém. Acusações podem surgir do nada. Não faltar à missa aos domingos, não perder uma procissão, andar na frente, comungar e acatar a palavra do pároco. Foram 300 anos da Inquisição, quinze gerações, e isso fica gravado no inconsciente coletivo de um povo. É a herança cultural da Inquisição.

Lembro a todos que a palavra religião vem do latim religare, que é a forma de uma pessoa se ligar a outra. Assim é como vejo o Marranismo Brasileiro, uma maneira de união para a criação do novo homem do século XXI. Certamente, esta seja uma das missões que cabe ao intelectual brasileiro: divulgar!

Nota: Publicado In: Recanto das Letras - Artigo 7709502.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES), da Academia Recifense de Letras Academia Olindense de Letras e do Instituto Histórico de Olinda. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

terça-feira, 28 de maio de 2024

ANTISSEMITISMO NO VESTIBULAR DA UECE

Por Maximiliano Ponte (*)

Não é no século passado. O ano é 2024. Na entrada de universidades de diferentes cantos do mundo observam-se ofensas contra os judeus, explícitas ou veladas, gritadas ou escritas. Na entrada de universidades americanas estudantes e professores judeus são perseguidos e hostilizados. No vestibular (meio de entrada) da Universidade Estadual do Ceará, candidatos são submetidos à propaganda antissemita. Três questões da prova, tomadas em conjunto, apresentaram aos jovens a clássica narrativa antissemita, em três atos.

1º Ato: Deslegitimização. A questão 27 aborda o êxodo do Egito. Em seu enunciado afirma que Moysés guiou o povo do Egito para "Palestina". Ocorre que a época a região era chamada de Canaã. O nome Palestina só foi adotado após a conquista romana, já no século I. Nomear de "Palestina" a Canãa bíblica, onde atualmente está o Estado de Israel, é deslegitimizar a ligação espiritual, histórica e identitária do povo judeu a sua terra ancestral.

2º Ato: Desumanização. A questão 29 tratava do tema das guerras e em particular da 2ª guerra mundial. A reposta correta, conforme o gabarito divulgado era que o extermínio de judeus, que ficou conhecido como holocausto, foi uma medida antieconômica, pois os nazistas perderam a oportunidade de utilizar a sua mão de obra escrava. Aqui se coisifica os milhares de judeus e não judeus mortos pela máquina nazista, e os desumaniza.

3º Ato: Demonização. Para acertar a questão 35, o candidato deveria definir sionismo, movimento de busca do retorno do povo judeu para sua terra ancestral, como meramente um movimento expansionista e colonialista israelense. Destaca-se que o enunciado abordava a guerra atual com o grupo terrorista Hamas, mas obviamente não citava a invasão do território israelense, nem o assassinato de mais de mil civis, muito menos o sequestro de mais de 100 pessoas, incluindo um bebê!

Desta forma, na prova apresenta-se a velha narrativa antissemita que deslegitima o direito do povo judeu ao retorno a sua terra ancestral, desumunamiza seu sofrimento e demoniza suas ações. Da universidade não espero anulação de questões, mas sim, desculpas públicas e ações no sentido de punir os responsáveis por produzir e autorizar a utilização de questões claramente antissemitas. Afinal, não podemos esquecer: antissemitismo é crime!

(*) Judeu. Médico psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/05/2024. Opinião. p.18.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

SISMÓGRAFO JUDAICO

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Sismógrafo é um instrumento que detecta, amplia e registra as vibrações da Terra, sejam elas provocadas por processos naturais ou pelo Homem.

Meu pai e eu criamos o vocábulo “sismógrafo judaico”, para explicar a judaica premonição dos ‘pogroms’, que atua como se fosse uma espécie de sismógrafo interno. Os judeus ouviam, sentiam, cheiravam que o ar que respiravam tornava-se diferente, e até o relinchar dos cavalos dos cossacos ficava mais alto e nervoso.

Confesso que não simpatizo com a comparação do que ocorre no Brasil com o que está acontecendo nos Estados Unidos, por saber que escravidão branda não existe – como almejava o nosso grande sociólogo Gilberto Freyre. Dito isso, seja no Brasil ou na América do Norte, a escravidão, servidão, cativeiro, é sujeição desumana que atinge todas as sociedades em qualquer lugar do Mundo. É a forma aguda do preconceito.

Temos muito o que crescer intelectualmente, não basta criar cotas ou empregar repórteres de todas as tonalidades da pele humana mais escurinhas, ou menos, ou mais preta, nos canais de TV.

É preciso modificar a mentalidade, psicoeconômica (saúde emocional e econômica), brasileira; é preciso modificar a mentalidade frívola de nossas elites.

No Brasil, continuo afirmando, enquanto não resgatarem os negros, mestiços, mulatos e índios da escravidão não sairemos do subdesenvolvimento.

Não sei o que sinto em relação a quem diz não haver preconceito racial em nosso meio, atualmente. Peço piedade, pois são idiotas ou alienados. Ao tentarmos esconder essa verdade de nós, é bom lembrar que o que se recalca é caminho certo para a angústia nacional e a exclusão voluntária no campo da consciência de certas ideias, sentimentos e desejos que o indivíduo não quer admitir, mas que continuam a fazer parte de nossa vida psíquica, podendo dar origem a graves distúrbios. Recalcamentos emocionais são perigosos para nossa saúde dita mental. Denotam um mecanismo intelectual de defesa contra ideias que sejam incompatíveis com o eu.

Daí dizer que o escravo pode se alforriar e ficar livre, enquanto o senhor — o dono do escrevo— jamais se libertará da escravidão que acalentou.

A escrava pegou a filhinha nascida/ Nas costas. E se atirou no “rio” Paraíba, para que a criança não fosse judiada”, confira na poesia SENHORA (Pau-Brasil de Oswald de Andrade 1890 – 1954).

Aos que argumentam que o racismo era comum na época, respondo que comum não significa hegemônico, mas devemos todos lutar contra o preconceito, seja sob qual forma se apresente no decorrer dos Tempos.

Será que herdei um sismógrafo, por ser de origem judaica?

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

sábado, 2 de dezembro de 2023

UM JUDEU RUSSO QUE EMIGROU PARA ISRAEL

Um judeu russo foi finalmente autorizado a emigrar para Israel.

No aeroporto de Moscou, a alfândega encontra uma estátua de Lenin em sua bagagem "O que é isso?"

O homem respondeu: "O que é isso? Pergunta errada, camarada. Você deveria ter perguntado: Quem é ele? Este é o camarada Lênin. Ele lançou as bases do socialismo e criou o futuro e a prosperidade do povo russo. Estou levando comigo como uma memória de nosso querido herói."

O funcionário da alfândega russa o deixou ir sem mais inspeção.

No aeroporto de Tel Aviv, o oficial da alfândega israelense também perguntou ao nosso amigo russo:

"O que é isso?"

Ele respondeu: "O que é isso? Pergunta errada, senhor. Você deveria estar perguntando: 'Quem é?'  Este é Lênin, o bastardo que fez com que eu, um judeu, deixasse a Rússia. Levo esta estátua comigo para que possa amaldiçoá-lo todos os dias."

O funcionário da alfândega israelense diz: "Peço desculpas, senhor, está liberado para ir"

Instalando-se em sua nova casa, ele colocou a estátua sobre uma mesa.  Para comemorar sua imigração, ele convida amigos e parentes para jantar.

Um de seus amigos perguntou: "Quem é?"

Ele respondeu: "Meu caro amigo, 'Quem é este' é uma pergunta errada. Você deveria ter perguntado: O que é isso?

“São dez quilos de ouro maciço que consegui trazer comigo sem pagar taxas alfandegárias e impostos."

MORAL DA HISTÓRIA: Política é quando você pode dizer a mesma merda de maneiras diferentes para enganar públicos diferentes, para permitir que você tenha uma boa aparência em todos os sentidos.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

sábado, 25 de novembro de 2023

O SAMURAI JUDEU

Era uma vez um poderoso Imperador da Terra do Sol Nascente que colocou um anúncio para contratar um Samurai-Chefe. Passado um ano, apenas três candidatos apareceram para se candidatar ao cargo: um japonês, um chinês e um judeu.

"Demonstrem seu talento!", ordenou o Imperador. O japonês deu um passo à frente, abriu uma caixinha e soltou uma mosca. Sacou o seu sabre e "swish!" - a mosca caiu no chão, perfeitamente divida ao meio! "Que talento!", disse o Imperador.

"Candidato número dois, mostre-me o que você faz." O chinês, confiante, sorriu, deu um passo à frente e abriu uma caixinha, soltando uma mosca. Sacou seu sabre e "swish, swish!" - a mosca caiu no chão perfeitamente cortada em quatro.

"Isto é que é habilidade!", exclamou o Imperador. "Como você vai superá-lo, candidato número três?"

O candidato judeu deu um passo à frente, abriu uma caixinha, soltando uma mosca, sacou seu sabre e "swooosh!" - fazendo um floreio. Mas a mosca continuou voando.

Desapontado, o Imperador disse: "Que tipo de talento é esse? A mosca não está nem está morta!""Morta?", replicou o judeu. "Matar é fácil. Quero ver fazer uma circuncisão, como eu fiz!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

OVO DA SERPENTE E ELEIÇÕES

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

A expressão “o ovo da serpente” alastrou-se por todo o mundo e serve como parâmetro para tudo que, ao nascer, possa a ser pernicioso ou poder causar futuros prejuízos à coletividade. A chocadeira do ovo da serpente funciona bem quando há: depressão econômica, alta taxa de desemprego, insegurança, instabilidade sócio-político-moral e inflação, conferir em:

https://www.chumbogordo.com.br/20004-o-ovo-da-serpente-por-meraldo-zisman/

Para não ser taxado ‘de direita’ ou ‘de esquerda’, expressões das mais usadas durante e depois das eleições brasileiras e sendo leitor da Lancet, revista médica inglesa, uma das publicações mais sérias da Medicina Ocidental, fiquei surpreso ao ver que esse periódico abriu espaço para acusações contra a sobrevivência do Estado de Israel, esquecendo que o ovo da serpente do nazifascismo continua vivente. E está bastante atual. Pouco custará para eclodir em metamorfoses camufladas das mais variadas e em inesperadas mutações, como a que se expressou agudamente no Holocausto, consequência do mais antigo preconceito erroneamente denominado de antissemitismo, quando deveria ser antijudaísmo.

Bastaria dar um passo atrás da Historiografia Brasileira para encontramos preconceitos envolvendo nossos povos originários (ÍNDIOS) e AFRODESCENDENTES (negros ou pretos), como prova de que a Inquisição permanece absolutamente atual. Evito o termo estrutural para não cair na nova adjetivação dos preconceitos.

Portugal, que com a Espanha forma a Península Ibérica, até hoje permanece com este ranço, tentando reconhecer os que de lá saíram fugidos.

Embora sem a segurança tecnológica das ciências da Estatística ou da Informática, lembro que os descendentes desses denominados cristãos-novos ou marranos (porcos) eram, à época do achamento do Brasil por Cabral, cerca de 20% dos habitantes de Portugal. Muitos deles fugiram para o Brasil e se homiziaram no nosso sertão, uma vez que, longe da costa, era mais fácil protegerem-se dos longos braços da SANTA INQUISIÇÃO, a qual, do ponto de vista subconsciente dos judeus que emigraram para o Brasil, é mais abafada do que o Holocausto do século XX.

Tendo escrito isso, volto à minha área profissional e comento o que publicou a veterana revista médico-cientifica que, baseando-se em um episódio ocorrido na denominada Faixa de Gaza, emitiu opinião sobre a guerra entre Judeus e Palestinos (que, como toda guerra, é um suicídio). E isso não é de hoje. Basta que se leia o artigo da Lancet de 30 de julho de 2014 [DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(14)61125-9 © 2014 Elsevier Ltd.]

No último número dessa publicação, de novembro de 2022, aparecem, em letras miudinhas, os nomes dos autores do artigo sobre geopolítica: Abuzerr S, Hadi M, Zinszer K, et al. O artigo descreve a avaliação quantitativa do risco microbiano para estimar o risco anual de infecção e carga de doença atribuível a Escherichia coli O157: H₇em água potável na Faixa de Gaza: um estudo prospectivo. Lancet 2022; 399 (supl. 1): S₄

Traduzindo: o artigo acusa Israel de estar ‘envenenando’ a água que fornece aos Palestinos.

Isso é o suficiente para que eu me recorde do renascimento arrastado do Ovo da Serpente. Parece-me que a The Lancet deveria ter mais cuidado ao publicar artigos sobre determinados assuntos que não pertencem às ciências médicas, honrando o que escreve em sua propaganda:

The Lancet: Publicado desde setembro de 1843 para participar de uma severa disputa entre a inteligência, que avança, e uma indigna e tímida ignorância que obstrui nosso progresso”.

Será que a tradicional publicação deseja agora ser também uma das aves chocadeiras do funesto Ovo da Serpente?

Perguntar não ofende!

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).


quinta-feira, 20 de abril de 2023

OS RELIGIOSOS JUDEUS FUGINDO DA CHUVA

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Quatro jovens judeus ortodoxos estavam andando em uma rua quando começou uma chuva muito forte.

Os rapazes com chapéus e barbas compridas correram para o único local aberto: uma igreja, onde entraram para se abrigar da tempestade e sentaram na primeira fila.

Ali algumas noviças estavam a ponto de fazer os votos de pobreza, obediência e castidade exigidos pela Ordem na qual estavam ingressando.

Vestidas com túnicas brancas, aguardavam que o Bispo iniciasse a cerimônia. Após o grupo se sentar, a Madre Superiora dirigiu-se aos rapazes:

– “O Bispo e eu estamos honrados por vocês desejarem compartilhar esta experiência conosco, e são bem-vindos à cerimônia onde as noviças farão o casamento com Jesus, mas vocês se importam se minha curiosidade me dominar e eu lhes perguntar porque vieram?”

Nesse momento um dos rapazes respondeu:

– “Nós somos da família do noivo.”

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

 

Free Blog Counter
Poker Blog