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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Dia do Sanitarista - 2026

Hoje celebramos o Dia do Sanitarista, uma data para reconhecer profissionais que dedicam suas trajetórias à promoção da saúde, à equidade e ao fortalecimento das políticas públicas no Brasil.

Destacamos o líder do GPECS Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, médico sanitarista cuja atuação representa o compromisso com a Saúde Coletiva, a gestão responsável e a defesa de um sistema de saúde mais justo e eficiente. Sua contribuição reforça a importância do olhar técnico, ético e humano na construção e no aprimoramento do SUS.

O GPECS homenageia todos os sanitaristas que, por meio da pesquisa, da gestão e da prática em saúde, trabalham diariamente para melhorar as condições de vida da população.

Nosso respeito e reconhecimento!

#DiaDoSanitarista #SaúdeColetiva #SUS #EconomiaDaSaúde #GPECS SaúdePública Sanitaristas

 https://www.instagram.com/p/DTBPrtzkcoF/?igsh=aWFreGQ3emQ2NWg1


terça-feira, 8 de julho de 2025

INVESTIMENTOS NA SAÚDE OU NA DOENÇA?

Por Neila Fontenele, jornalista de O Povo

Parece paradoxal: quanto mais falamos em saúde, mais nossa atenção se volta para as doenças. O setor da saúde é um universo de investimentos massivos, englobando áreas que vão da Inteligência Artificial a equipamentos de ponta para detecção precoce de problemas, vacinas e medicamentos. Esse mercado bilionário movimenta atividades expressivas da economia, impulsionando um vasto leque de pesquisas.

No Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são quase meio trilhão de recursos envolvidos. Há uma percepção do crescimento contínuo do setor, no qual a saúde privada tem participação representativa, correspondendo a R$180 bilhões apenas em planos de saúde e tratamentos, e a R$168,3 bilhões em medicamentos.

Durante a feira Hospitalar 2025, em São Paulo, tivemos noção mais concreta desse mercado bilionário. Com mais de 80 mil participantes de 55 países, empresas disputavam o mercado com inovações e produtos. A maioria das soluções direcionada para o diagnóstico precoce de doenças e possíveis tratamentos de menor impacto para o paciente, algo positivo do ponto de vista da infraestrutura da rede pública e privada de assistência à saúde.

O fato é que existe uma indústria bilionária voltada para os tratamentos e para a detecção precoce de doenças, mas os esforços para a prevenção primária ainda são limitados. Embora a cultura do bem-estar esteja em alta, com propostas de desaceleração do ritmo de vida e ênfase na importância das atividades físicas, ainda é necessário um trabalho maior para disseminar uma medicina preventiva pela melhoria de hábitos.

Ou seja: o trabalho da equipe de saúde precisa priorizar a conscientização das pessoas para que se mantenham saudáveis. Ações de prevenção não são a mesma coisa que diagnóstico precoce, embora ambas sejam igualmente importantes.

Precisamos ter consciência para não ativar "bombas-relógio" em nosso corpo e, assim, buscar uma vida com mais qualidade. Essa discussão não é nova. Em 1986, já existiam acordos internacionais para criar ambientes favoráveis à saúde, com uma abordagem socioecológica e foco na preservação dos recursos naturais. Infelizmente, muitas dessas propostas ficaram apenas no discurso. E o resultado, apesar do aumento da longevidade, está no número de doenças evitáveis que continua crescendo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/06/2025. Opinião. p.16.

sábado, 3 de maio de 2025

MISSA POR DRA. VERA MARIA COELHO

 

Amanhã (4/05/2025), domingo, às 8h, na Igreja de Sta. Luzia, situada na Rua João Cordeiro, 679 – Meireles, em Fortaleza, será celebrada uma Missa em sufrágio da alma da Dra. Vera Maria Câmara Coelho, conceituada economista da saúde e sanitarista brasileira, técnica em planejamento em saúde da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, e membro titular da Academia Cearense de Saúde Publica (ACESP), que faleceu em 26/04/2025.

Vera Coelho possuía graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (1975) e as seguintes especializações: Planejamento a Nível Estadual, pelo Instituto de Planejamento e Economia Aplicada (1977); Saúde Pública, pela Universidade Federal do Ceará (1983); Atualização em Planejamento em Saúde, pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (1983), Técnicas de Análise Organizacional, pela Escola Brasileira de Administração Pública do Distrito Federal (1979); Planejamento de Sistemas Integrados de Saúde, pela Universidade Estadual do Ceará (1989); e Planejamento Econômico e Social a Nível Governamental, pela Universidade Estadual do Ceará (1991). Obteve o grau de mestrado em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará (1997). Atualmente Vera Coelho era Economista da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. Tinha grande experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde Pública. Atuando principalmente nos seguintes temas: Financiamento da saúde, Gastos em saúde, Economia da saúde.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Presidente da ACESP


domingo, 29 de setembro de 2024

O SUS precisa melhorar a forma pela qual ele está sendo organizado

André Médici esteve no Fórum no início deste mês de setembro e deu uma palestra sobre como a tecnologia está quebrando barreiras.

Por Gabriela Almeida, jornalista de O Povo (*)

O economista sanitário André Medici analisa os avanços e dificuldades do sistema único de saúde dias depois da aparelhagem completar 34 anos em que foi regulamentada pela Lei nº 8.080 no Brasil.

Se o Sistema Único de Saúde (SUS) fosse uma pessoa, seria alguém com prestígio internacional que, com 34 anos de idade recém completos, enfrenta uma necessidade de organização e acena com curiosidade para novidades como o avanço do mundo digital — em busca de usar a tecnologia em benefício próprio.

A metáfora resume um pouco do olhar que o economista sanitário André Medici tem sobre essa aparelhagem sanitária. Profissional participou do movimento de construção do SUS, que foi instituído pela Constituição Federal de 1988, mas regulamentado somente pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990.

Carregado de experiência, ele esteve no início deste mês de setembro no MV Experience Fórum 2024, maior evento de inovação e tecnologia para a saúde do Brasil, onde conversou com O POVO e entrelaçou presente e futuro daquele que é o maior sistema público de saúde do mundo.

O POVO - O senhor participou do movimento de construção do SUS. Quando olha para esse sistema, o que analisa que ainda falta alcançar? Quais são os principais déficits?

André Cézar Medici - Eu acho que os principais déficits são associados a área de gestão. O SUS precisa melhorar a forma pela qual ele está sendo organizado. Ou seja, boa parte da organização do sistema de saúde ele utilizou a base municipal como base de territorialização. Na verdade, a maior parte dos municípios brasileiros têm menos de 50 mil habitantes. Ou seja, quando você tem menos de 50 mil habitantes você não tem as condições técnicas necessárias pra poder dar uma saúde integral àquela população.

Então o município acaba não tendo condições de atender tudo que a população necessita, tem que ir pra outro município mais próximo e muitas vezes você tem problemas porque o prefeito do município mais próximo não atende naquele município porque a pessoa é de outro partido, ou porque tem rixa política, ou porque não tem estrutura, só pode atender o pessoal do próprio município.

O que você tem que fazer pra combater isso? Criar redes de saúde, eu acho que o SUS tentou algumas soluções mais voluntárias, como os consórcios intermunicipais de saúde, muitos deles deram certo, mas a maioria não, e muitas vezes eles duravam por um tempo e depois acabavam. Então a ideia de regiões de saúde, que podem ser organizadas através de organizações sociais, [é que elas teriam] uma perenidade muito maior pra poder organizar dentro de uma rede de saúde um conjunto de pessoas, um conjunto de serviços, que tem os hospitais, que tem os centros de saúde, os ambulatórios especializados, exames, tudo aquilo que necessita uma rede pra poder funcionar e atender a população, em um conjunto de municípios, de uma maneira mais sólida.

OP - Já que mencionou a questão política, nesses últimos anos nós temos visto o crescimento do negacionismo científico. Quando a gente fala sobre o avanço do sistema de saúde, como isso tem impactado?

André - Eu diria que a questão política dentro do SUS é o fato de eles [gestores] não terem muitas vezes uma aceitação pra determinados tipos de processos de gestão que possam ser melhores. O SUS acaba sendo um sistema que se permanece como um sistema público e na verdade o sistema de saúde deveria ter um pouco mais de mobilidade. Eu sempre fui a favor de parcerias público-privadas, onde você pudesse integrar estabelecimentos privados com o SUS. Na prática isso acontece, mas que você pudesse ter um sistema que se beneficiasse de tudo aquilo que você tem de saúde em um determinado local.

Mas o que acontece [é que] muitas vezes há determinados tipos de posturas que são muito radicais, [que determinam que] o SUS só atenda dentro dos postos de saúde do SUS e há do lado uma série de outras clínicas privadas que podem atender também. Então não faz com que você tenha basicamente uma conformação dos serviços necessários, usando todos os recursos disponíveis [...] Com isso acontece mau atendimento e desperdício, pois tem recursos da sociedade que não estão sendo utilizados.

OP - E quando a gente fala sobre inovar, direcionando o olhar para outros países, que inovações que estão sendo realizadas lá fora que poderiam ser aplicadas no SUS?

André - Todas as questões específicas de prontuário eletrônico de paciente, a questão de uso de telessaúde, telemedicina, a possibilidade de você ter interoperabilidade das bases de dados e a inteligência artificial, todas as coisas que estão avançando em saúde estão avançando muito nessa linha hoje em dia, utilizando isso cada vez mais. E esse é um dos processos que podem não só melhorar a atenção como baratear custo. [...] Até o próprio governo atual está criando um processo enorme de rever o Datasus e criar um sistema específico de Tele SUS, alguma coisa desse tipo, que possa reorganizar a questão específica da atenção digital ou dos procedimentos digitais.

OP - Quais as principais barreiras que existem no Brasil para que a área da saúde tenha um avanço, e como a tecnologia pode contribuir para ultrapassar elas?

André - Uma das principais barreiras é a questão da distância. Você tem comunidades rurais que não têm acesso a serviços de saúde. Como que você pode fazer com que essas populações rurais tenham acesso a serviços de saúde? Através da telemedicina. Você implanta núcleos de saúde lá, essas pessoas passam a ter acesso, elas não precisam ir até as cidades nas quais muitas vezes elas precisam viajar 20 dias de barco ou mil quilômetros pra poder ter acesso há algum tipo de atenção, então isso dai é uma coisa fundamental. A outra questão é fazer com que elas [população] tenham um número, um registro que permita com que toda a sua saúde seja registrada, para que você saiba que tipo de problema ela tem, como que essa pessoa foi tratada até então e como se pode melhorar o atendimento dela no futuro a partir da sua história clínica, e também a partir do seu trajeto ao longo do seu serviço de saúde.

OP - O senhor citou a telemedicina, que foi impulsionada na pandemia. Como enxerga o avanço dela no Brasil nos últimos anos?

André - A telemedicina e a telessaúde têm avançado cada vez mais, elas chegam por exemplo hoje em dia a monitorar determinados tipos de intervenções. Você tem pessoas que de longe ficam monitorando basicamente aquela intervenção que o médico com menos experiência pode fazer. Não só através de monitores remotos, mas também através da própria tela, que ela tem alta resolução, e isso permite que você possa avançar muito na atenção e cuidado ao paciente e dar uma certa coisa mais instantânea.

OP - Que outros serviços foram impactados pela pandemia? 

André - A pandemia trouxe muitas inovações como a telemedicina, mas a pandemia trouxe alguns problemas para o Brasil, que foi especificamente aquele represamento enorme de determinados tipos de procedimentos, de cirurgias eletivas, uma série de coisas. O governo tem que lidar agora com uma carga enorme de procedimentos eletivos que até hoje em 2024 não foram cumpridos, você tem mais de um milhão de pessoas na fila de procedimentos eletivos, então essa é uma questão que exige que se tenha uma maior capacidade dos serviços, de começar a produzir esses tipos de processos, e toda a parte de registro eletrônico de saúde, é uma estratégia fundamental pra isso.

OP - E as consequências que ficaram em razão da ideologia pregada nesses últimos anos, principalmente na pandemia, contra o uso de vacinas?

André - O Brasil foi muito prejudicado por isso. Você teve uma resistência muito grande na pandemia, então o Brasil demorou muito a ter uma posição do Governo favorável na questão das vacinas, isso retardou a vacinação da população brasileira e acabou fazendo com que no Brasil tivesse um número de mortes e um número de pessoas que contraíram a doença desproporcional em relação ao tamanho da população. O Brasil foi um dos países que teve, principalmente no início da pandemia, um dos piores processos. Depois disso, quando chegou em 2021-2022, o Governo convenceu que tinha que vacinar em massa, mas aí já tinha morrido muita gente.

OP - Ainda existe essa resistência as vacinas? Ainda é um problema?

André - Existe uma resistência a vacinas, mas é menor, mas existe essa resistência não é só no Brasil, é em vários outros lugares. Pois é um tipo de resistência que está baseada em determinados tipos de falsa informação, de coisas que as pessoas pensam. Muita gente pensa que a vacina está associada a doenças mentais, uma coisa que não é verdade [...] São várias coisas desse tipo. Criam falsas impressões que muitas vezes passam a ter resistência a vacinas, mas eu acho que hoje em dia a gente já tem muito mais aceitação.

OP - E para a próxima década, o que esperar do SUS?

André - Eu gostaria de ser otimista. Eu espero que o SUS consiga, por exemplo, ter um avanço muito grande nessa parte de registros eletrônicos, com uma colaboração grande desse processo com o setor privado. E com isso ele consiga avançar muito na melhoria do acesso da população e na produção de um tipo de assistência médica que seja mais sustentável, pois o grande problema que você tem dentro do SUS hoje em dia é a sustentabilidade do SUS, frente ao processo de envelhecimento e uma séria de outras coisas.

Então eu tenho esses aspectos positivos, mas eu acho também que esse processo de envelhecimento que a população brasileira está sofrendo vai exigir muito mais capacidade do serviço de saúde de detectar as condições prévias, de promoção e prevenção. O que leva àquela questão para que as pessoas possam viver mais e evitar que tenha mortalidade precoce por determinadas tipos de doenças crônicas que a gente tem hoje em dia. Principalmente, doenças cardiovasculares e por câncer que são os grandes problemas que a gente tem hoje em dia.

*A repórter viajou para São Paulo a convite da empresa MV Saúde Digital 

Fonte: O Povo, de 22/09/24. Aguanambi 282. p.17.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Professor da Uece lança dois novos livros: um sobre Covid-19 e outro de economia da saúde

 

A mesa diretora do lançamento dos livros composta pelos professores Lúcia Duarte, Antonio Rodrigues Jr. Marcelo Gurgel (Foto cedida gentilmente por Samuel Mattos).

A ocasião foi também voltada para homenagear a professora Maria Helena Lima Sousa (in memoriam)

Novos Escritos em Tempos da Covid-19” e “Temas de Economia da Saúde VII: contribuição para a gestão do SUS” são os títulos dos livros, correspondente, de autoria e de organização do professor da Uece Marcelo Gurgel, lançados na última sexta-feira (28), no auditório do Núcleo de Pesquisas em Enfermagem e Saúde Coletiva (Nupeinsc), campus Itaperi. As obras foram editadas pela EdUECE.

Para o lançamento, compuseram a mesa principal, além do autor, a coordenadora do Grupo de Trabalho de combate ao coronavírus da Uece, professora Lúcia Duarte; e o coordenador do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPSAC), professor Antonio Rodrigues Jr.; que contribuíram, respectivamente, com a escrita do prefácio e do posfácio da primeira obra citada.

Considerando serem esses os livros de número 127 e 128, de autoria do professor Marcelo Gurgel, professora Lúcia Duarte parabenizou o escritor por ser um pesquisador inquieto. “Parabenizo essa pessoa inquieta, que muito tem contribuído com seus escritos, que contribuiu de forma incansável durante a pandemia de Covid-19. Parabéns por mais esse lançamento e desejo que possa continuar contribuindo com a ciência”.

Após fazer a leitura do posfácio, professor Antonio Junior acrescentou: “professor Marcelo é, sem dúvidas, um dos autores mais profícuos da Uece. Agradeço a oportunidade de ser um dos primeiros a ler o livro e de poder contribuir”.

Professor Marcelo Gurgel agradeceu aos dois docentes presentes na mesa e adiantou que, além dos 128 livros, tem mais de 20 em processo de finalização.

Ao lançar o segundo livro, Temas de Economia da Saúde VII: contribuição para a gestão do SUS, professor Marcelo Gurgel destacou que era a professora Maria Helena Lima Sousa (in memoriam), a primeira organizadora da obra. Ela era economista (UFC), especialista em Planejamento Regional do Desenvolvimento (Cetrede) e em Economia da Saúde e Farmacoeconomia (Universidade Pompeu Fabra – Espanha), mestre em Saúde Pública (Uece) e doutora em Saúde Coletiva (Uece). Servidora aposentada da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, era professora visitante do PPSAC e do Mestrado Profissional em Gestão em Saúde da Uece.

Professor Marcelo Gurgel destacou o brilhantismo e a dedicação da professora Helena e ressaltou “que o trabalho e o legado que Helena deixou seja seguido pelos filhos”. Ele se referia a André Lima, professor do curso de Ciências Sociais da Facedi, e Natália Lima, doutoranda em Saúde Coletiva também na Uece. “O filho André estará à frente de um curso de graduação a ser lançado em breve, que teve ela como uma das idealizadoras”, adiantou o professor Marcelo.

Natália assumiu a homenagem com a exibição de vídeo em que professores e amigos lamentavam sua precoce partida em 2021, ao mesmo tempo em que lembravam da grande pessoa e profissional que era. Com discurso espontâneo, Natália deu prosseguimento falando com orgulho de sua mãe. “Ela era uma defensora do SUS”. Além disso, Natália revelou que sua mãe era uma sonhadora e que, ao encontrar anotações, concluiu: “os sonhos dela nunca eram somente pra ela, era para a família e também para seus alunos”. Natália acrescentou, ainda, que ao ser aprovada na seleção para professora visitante na Uece, ela “estava realizando um sonho e nos ensinando que nunca é tarde pra gente sonhar”.

O evento contou também com a presença de professores, alunos, servidores e amigos da homenageada e do professor Marcelo Gurgel. Ao final do lançamento, houve distribuição gratuita de livros.

Fonte: Uece. Assessoria de Comunicação, postado em 1/07/24.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

CONVITE: Lançamento dos livros Novos Escritos em Tempos da Covid-19 e Temas de Economia da Saúde VII

 

O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva – PPSAC e o Grupo de Pesquisa em Economia da Saúde- GPECS da Universidade Estadual do Ceará convidam para a solenidade de lançamento dos livros: Novos Escritos em Tempos da Covid-19, de Marcelo Gurgel Carlos da Silva, e Temas de Economia da Saúde VII: contribuição para a gestão do SUS, organizado por Maria Helena Lima Sousa (in memoriam) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, que serão gentilmente aos distribuídos aos presentes no evento.

Na ocasião serão prestadas homenagens póstumas à Profa. Dra. Maria Helena Lima Sousa.

Dia: 28 de junho de 2024 (sexta-feira).

Horário: 9h30min.

Local: Sala de Videoconferência NUPEINSC/Uece – Campus do Itaperi.

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

AS FILANTRÓPICAS E A TABELA SUS

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

O Sistema Único de Saúde (SUS) permite uma cobertura ampla, seja através das redes públicas, seja pelas entidades filantrópicas, das quais a Santa Casa de Fortaleza é um dos bons exemplos.

Mas é preciso muito cuidado, pois a defasagem da Tabela SUS gera problemas financeiros para todo o sistema, sufocando especialmente as filantrópicas que, não estando inscritas no orçamento estatal, precisam encontrar outras fontes de recursos para cobrir os cada vez maiores déficits mensais.

Tendo a Santa Casa como referência, por ser um hospital com 95% de pacientes SUS, vemos que as receitas daí geradas são suficientes para honrar apenas 60% das despesas incorridas.

Para manter os 13.000 atendimentos mensais, nos valemos de recursos de emendas parlamentares e doações, que não mais atingem os 40% necessários, resultando em crescimento da dívida junto a fornecedores e prestadores de serviços.

Da parte dos credores, realçamos a compreensão que nos reforça no trabalho interno de modernização da Santa Casa e na busca de novas parcerias, especialmente para os avanços planejados em termos de inovação, com mais de uma dezena de acordos em andamento ou assinados.

Entretanto, essas ações não têm retorno imediato e precisamos responder aos nossos credores com atos e não apenas com as esperanças levantadas a partir de contatos já feitos nas áreas empresarial, governamental e política, que reforçam a confiança no sucesso das iniciativas, mas mantém um risco que não se pode desprezar, porquanto fornecedores e prestadores de serviços têm seus próprios limites e não podem sustentar uma situação deficitária por longo tempo.

Assim, a atualização da Tabela SUS, que hoje remunera uma consulta médica em R$ 10 (dez reais), é uma imposição para que não se venha aumentar o número de hospitais filantrópicos a fecharem suas portas, como ocorreu com 315 deles, no período de 2018 a 2022, representando menos 7.000 leitos.

A Santa Casa de Fortaleza, salvando vidas desde 1861, continuará lutando com toda garra para que essa situação se reverta rapidamente e possamos multiplicar e não reduzir nossa atuação pelos mais carentes.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/08/23. Opinião, p.20.

terça-feira, 23 de maio de 2023

A SANTA CASA E O DEVER DE CASA

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

O problema financeiro que infecta as instituições filantrópicas hospitalares como a Santa Casa, precisa de soluções vindas de muitos eixos, dentre os quais a atualização da Tabela SUS e a conscientização dos entes municipais para reduzirem a defasagem com que repassam os recursos são apenas dois exemplos mais visíveis.

Mesmo as doações, emendas parlamentares e outras formas de ingresso de recursos de forma pontual, tão bem-vindos para minorar os ingentes problemas, não podem ser tidos como solução definitiva e ideal.

Conscientes disso, os que fazem a Santa Casa de Fortaleza optaram por proceder a reflexões estratégicas, baseadas nas grandes riquezas que a Santa Casa detém em termos de conhecimento e experiências, em múltiplas áreas. Aliás, sua atuação a classifica como unidade hospitalar com vocação e atuação para o ensino e a pesquisa.

Uma das bases para aproveitar esse tesouro será o inter-relacionamento cada vez mais estreito com as instituições de ensino superior, com troca de saberes e de oportunidades, como cursos de formação e especialização, estágios e outras maneiras de interação, além da criação de um periódico científico que sirva de base para a disseminação das pesquisas nela realizadas.

Em termos de inovação e tecnologia, a recém-criada Diretoria de Inovação em Saúde já está agindo no sentido de também instituir redes de trocas, visitando hubs de inovação e mantendo contatos com instituições que detém expertise no segmento. A ideia central é a troca de experiências, porquanto, embora neófita na área é a Santa Casa um campo fértil de interesse para pesquisadores de ponta, inclusive por já desenvolver tecnologias leves em saúde.

Passando a dedicar ainda mais esforços na otimização de seus processos internos e no desenvolvimento de projetos de inovação em saúde, a Santa Casa irá se habilitar como instituição de ciência e tecnologia, pronta a estabelecer parcerias para utilização das mais avançadas tecnologias no ramo.

É a Santa Casa que, salvando vidas desde 1861, continua um diferencial na vida do cearense, com serviços de saúde humanizados e de alta qualidade, voltados especialmente para os mais carentes.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/04/23. Opinião, p.18.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Nota de falecimento: Solon Magalhães Vianna

Solon Magalhães Vianna durante o 5º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Abrasco | Foto: Acervo ENSP.

Faleceu ontem (14/5), em Brasília, Solon Magalhães Vianna, um dos fundadores e primeiro presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES). Além de sua contribuição para a Economia da Saúde, participou de todos os passos da Reforma Sanitária Brasileira e criação do SUS.

Vianna era graduado em Odontologia pela UFRJ, pós-graduado em Saúde Pública pela USP e tinha especialização em Planejamento de Saúde pela Fiocruz. Trabalhou na Secretaria de Saúde e na Fundação Hospitalar do Distrito Federal (1961-1975), e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e no Ministério do Planejamento (1975-1993).

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva lamenta a sua partida, e se solidariza com colegas de trabalho, amigos e familiares. 

Postado na Home Page da Abrasco em 15/05/2023. 

segunda-feira, 15 de maio de 2023

PESAR POR SOLON MAGALHÃES VIANNA

É com grande pesar que ora registro o falecimento ontem, dia 14/05/2023, em Brasília-DF, do Dr. Solon Magalhães Vianna, aos 88 anos de idade.

Solon Magalhães Vianna era cirurgião-dentista de formação e possuía especializações em Saúde Pública e em Planejamento de Saúde e o diploma de livre-docência.

Ocupou cargos de direção e assessoramento na Secretaria de Saúde e na Fundação Hospitalar do Distrito Federal, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e no Ministério do Planejamento.

Como consultor, Solon Magalhães Vianna trabalhou para instituições nacionais, e internacionais.

Integrou, na função de conselheiro ou assessor, vários órgãos colegiados em Brasília-DF e em Porto Alegre-RS.

Colaborou com inúmeras instituições de ensino e pesquisa, públicas e privadas como consultor ou docente.

Solon Magalhães Vianna foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES).

O seu desenlace do mundo terreno enluta a Saúde Pública brasileira, diante do tanto que ele empreendeu em prol do Movimento da Reforma Sanitária, e a Economia da Saúde, por seu pioneirismo entre os economistas da saúde de nosso País.

O velório do Dr. Solon Magalhães Vianna acontece hoje (15/05/2023), em Brasília-DF, na Capela 4 do Cemitério Campo da Esperança, a partir das 14 horas, e o sepultamento do seu corpo está marcado para às 16 horas desta segunda-feira.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da ABrES e da Abrasco


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A SAÚDE E OS DESAFIOS QUE AINDA NÃO ENFRENTAMOS

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

A saúde pública está entre as principais demandas da sociedade brasileira. No entanto, às vésperas das eleições não assistimos a nenhuma proposta dos candidatos a presidente da república, mesmo diante da tragédia que vivemos com a pandemia da Covid 19.

Da mesma forma, apesar da demonstração evidente da fragilidade dos nossos sistemas de saúde público e privado, é evidente a omissão das universidades, dos sindicatos, dos conselhos, ou seja, dos órgãos de representação de classe referente à análise e ao debate de reformas conceituais, urgentes.

Mas, o que está tão óbvio? A desigualdade entre as regiões é evidente quando avaliamos qualquer aspecto, desde a infraestrutura física e de recursos humanos até a ausência de equidade na distribuição de recursos federais. A diferença da relação de leitos de UTI per capita exemplifica essa distorção. Estão localizadas no Nordeste as regiões com mais de 200 mil habitantes que não possuíam nenhum leito de UTI até o ano passado.

A ausência de uma política pública de recursos humanos, a defasagem tecnológica das nossas unidades de saúde, e principalmente, a ausência de um sistema de inteligência e transparência de dados que permitam conhecer a realidade das problemáticas que mais nos aflige, protagonizam, consequentemente, uma ineficiência escandalosa da aplicação dos gastos públicos em saúde.

Nesse aspecto, muito se fala sobre os reduzidos recursos para a saúde, mas nada se diz sobre a precarização da força de trabalho, sobre o clientelismo e o aparelhamento ideológico do nosso SUS. Pois bem, infelizmente esse slogan: "o SUS é dos brasileiros" não é verídico; no momento, o SUS pertence aos comensais do sistema, as corporações e aos políticos que tradicionalmente exercitam o toma lá dá cá em todos os níveis de atenção, da rede primária à terciária.

Há, certamente, um ufanismo sobre o nosso sistema. É simples, que modelo é esse que não atende às necessidades dos clientes e dos trabalhadores da saúde? Não há dados sobre eficiência do atendimento ou mesmo sobre o impacto de políticas de doenças muito frequentes, como a hipertensão arterial.

Assistimos aos teóricos e gestores da saúde defenderem estratégias sem resultados.

De nada adianta dizer “eu defendo o SUS”, se não entendermos que urge a implantação de transparência de dados de eficiência da nossa rede, se não aplicarmos recursos com equidade entre as regiões do Brasil, ou mesmo no interior de cada Estado, se não aplicarmos e incentivarmos a garantia da qualidade do sistema público e também do privado, se não tornarmos obrigatória e disponível a formação com residência em saúde e médica, se não extinguirmos a precarização do trabalho na saúde. No Ceará, cerca de 80% dos trabalhadores da saúde têm vínculos empregatícios precarizados. E a maioria dos médicos formados no Brasil atual não possuem título de residência. 46% dos médicos no Brasil têm titulo de especialista emitido por sociedade de especialidade ou obtido após conclusão de Residência Médica.

A ineficiência do gasto público na saúde é um câncer refratário a tratamentos disponíveis na política brasileira atual e na história mais recente. Apenas em 2017, segundo André Medici, essas ineficiências somavam R$ 35,8 bilhões. Ou seja, representam o equivalente a dez anos de gasto público em saúde do Ceará.

Milhares usurpam de jargões para esconderem a ausência de competência na gestão pública. Não há planejamento para o curto e médio prazos. Os orçamentos públicos não obedecem a qualquer critério de viabilidade, grande parte da aplicação dos recursos é usado para seduzir prefeitos, deputados e vereadores. Não podemos confundir projetos de crise com elaboração de uma política de Estado. Por exemplo, o programa Mais Médicos é uma estratégia de crise e não uma política de Estado como a opção pela formação e fixação de talentos e de gestão e desenvolvimento de pessoas. Assim, é evidente a demonstração que não há nenhuma garantia de conformidade ética e Jurídica no serviço público de saúde no Brasil.

Enfim, se mantivermos essa realidade aprofundaremos a desigualdade e a perversa falta de acesso às populações mais dependentes do SUS.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/09/2022. Opinião. p.21.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

CONVITE: Homenagem póstuma à Profa. Helena Lima

 


A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da Universidade Estadual do Ceará (UECE), ao ensejo do Seminário Introdutório do PPSAC 2022, e o Grupo de Pesquisas de Economia da Saúde da UECE, convidam para a Homenagem Póstuma à Profa. Maria Helena Lima Sousa.

Data: 26 de janeiro de 2022 (quarta-feira), às 16h30.

A solenidade ocorrerá de forma remota/virtual, por meio do aplicativo Google Meet.

Segue o link do google meet para o acesso à solenidade.

https://meet.google.com/jbf-cbua-idx

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE

CONVITE: Lançamento dos livros “Temas de Economia da Saúde V e VI”

A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da Universidade Estadual do Ceará (UECE), ao ensejo do Seminário Introdutório do PPSAC 2022, e o Grupo de Pesquisas de Economia da Saúde da UECE, convidam para o Lançamento dos livros Temas de Economia da Saúde V: contribuição para a gestão do SUS” e Temas de Economia da Saúde VI: contribuição para a gestão do SUS em tempos da Covid-19.

As obras, organizadas por Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Maria Helena Lima Sousa, recebem o selo editorial da Editora da UECE.

Data: 26 de janeiro de 2022 (quarta-feira), às 16h.

A solenidade ocorrerá de forma remota/virtual, por meio do aplicativo Google Meet.

Segue o link do google meet para o acesso à solenidade de Lançamento:

https://meet.google.com/jbf-cbua-idx

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


terça-feira, 17 de agosto de 2021

MISSA DA ESPERANÇA DA PROFA. MARIA HELENA LIMA SOUSA



A família da Profa. MARIA HELENA LIMA SOUSA convida para a Missa da Esperança pela alma dessa ilustre economista e docente da Universidade Estadual do Ceará a acontecer às 19 horas de hoje (17/08/2021) na Igreja da Paz (Rua Visconde de Mauá, 905 – Aldeota).

Aos que não puderem comparecer, presencialmente, será feita uma transmissão ao vivo pelo YouTube.

*Link para acompanhar a missa* – https://www.youtube.com/watch?v=4bHDc49EVac

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Docente do PPSAC/Uece


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

PESAR POR PROF. SEBASTIÃO LOUREIRO

Foi doloroso tomar ciência, ontem à noite (15/08/2021), do falecimento do Professor Sebastião Antônio Loureiro de Souza e Silva.

Conhecíamo-nos há muitos anos. Fomos coparticipes desde os primeiros anos da então Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) e das reuniões do Fórum de Coordenadores da Pós-Graduação em Saúde Coletiva.

Estivemos juntos na visita técnica ao Reino Unido para implementar a Economia da Saúde no Brasil, com o suporte do DFID/UK.

Recentemente, ele escreveu o texto introdutório do livro “Temas de Economia da Saúde VI”, organizado por Marcelo Gurgel e Maria Helena Lima Sousa, professora que nos deixou nesta semana.

Foram duas grandes perdas para a Associação Brasileira de Economia da Saúde em poucos dias.

Sebastião Loureiro deu grande contribuição à Saúde Pública brasileira. Atualmente, Loureiro era decano do Centro de Formação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), professor adjunto da Faculdade Federal de Medicina da Bahia e professor emérito da UFBA, integrando o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Saúde Coletiva.

Ele pertencia também à Academia Baiana de Medicina.

Descansa em paz, valoroso sanitarista!

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Saúde Pública

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

PESAR POR PROFA. MARIA HELENA LIMA SOUSA

É com profundo pesar que a comunidade acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (PPSAC/Uece) comunica o falecimento na madrugada de hoje, 11 de agosto de 2021, da Profa. Maria Helena Lima Sousa, funcionária aposentada da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, desde 2016, e professora visitante do nosso programa desde 2018.

Graduada em Ciências Econômicas pela UFC, Helena Lima ingressou no Mestrado Acadêmico em Saúde da Uece em 1998, obtendo o título de Mestre em 2000, e em 2009 matriculou-se no Doutorado em Saúde Coletiva, logrando o diploma de doutor em 2013, também pela Uece. Sua formação acadêmica incluía as Especializações em Planejamento Regional do Desenvolvimento (CETREDE) e em Economia da Saúde e Farmacoeconomia pela Universidade Pompeu Fabra (UPF-Espanha) e dava andamento ao pós-doutorado na FIOCRUZ.

Atualmente, como professora visitante do PPSAC/Uece, ministrava disciplinas no campo da Economia da Saúde, e lecionava no Curso de Mestrado Profissional em Gestão da Saúde (MEPGES/Uece), respondendo pela disciplina Financiamento da Saúde e pela orientação de mestrandos. Era líder do Grupo de Pesquisas em Economia da Saúde da Uece e membro do Observatório de Políticas Públicas da UFC, como docente do PPSAC/UECE.

Coordenou o Núcleo de Economia da Saúde da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (2000 a 2014), atuando na elaboração e no monitoramento do Orçamento da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (SESA), na gestão de custos em unidades de saúde do SUS-CE e na coordenação de estudos e pesquisas em economia da saúde de interesse do Estado, em parceria com universidades cearenses, tendo inclusive gerenciado o projeto de fortalecimento do SUS, como parte da cooperação técnica Brasil-Reino Unido.

No campo profissional, como economista, ela foi Presidente do Conselho Regional de Economia - 8ª Região, Presidente do Sindicato dos Economistas do Ceará e Vice-Presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES).

A substantiva produção intelectual da Profa. Helena Lima, expressa em trabalhos técnicos e científicos, foi de grande relevo para a Economia da Saúde no Brasil, e serviu para consolidar o Ceará no cenário nacional como centro de produção de conhecimentos e de formação no campo da Economia da Saúde, valendo salientar a sua participação na organização da série de livros de Temas de Economia da Saúde.

Consternados, apresentamos nossos sentimentos aos familiares de nossa admirada docente, alcançada pela indesejada das gentes, quando se encontrava no apogeu da sua profícua vida ativa.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Docente do PPSAC/Uece


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

E$SG, a nova fronteira da sustentabilidade

Por Lauro Chaves Neto (*)

O ESG é a travessia da atuação macro para a ação microeconômica na promoção da sustentabilidade. É a disseminação da cultura ESG e a implantação das suas práticas no setor produtivo que será a responsável por trazer a sustentabilidade para a rotina da sociedade.

O desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender às suas. Esse conceito foi desenvolvido pela ONU, na década de 70. É importante a compreensão da evolução da sustentabilidade para dimensionar a relevância do ESG.

Em 1982, surge a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, seguida do Relatório Nosso Futuro Comum. O Brasil protagoniza a Eco-92, estabelecendo a agenda 21. Em 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto dando início ao mercado de créditos de carbono, depois as Nações Unidas lançaram os oito objetivos do Milênio.

A Rio 20 reforça o relatório o "Futuro que queremos". Em 2015 ocorre a adoção da nova agenda e um acordo global sobre a mudança climática. São apresentados os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. No mesmo ano, foi assinado o acordo de Paris, substituindo o Protocolo de Kyoto.

O tema ESG - Environment, Social and Governance - é o foco dos investidores internacionais na recuperação pós-pandemia. Avalia a sustentabilidade e o impacto social de um negócio, aspectos determinantes para o valor das empresas.

Apenas nações praticando a sustentabilidade não é o suficiente. O Setor Produtivo precisa implantar a ética e a transparência na sua governança, cuidar do meio ambiente desde a seleção dos seus fornecedores até a gestão dos resíduos, e cuidar das pessoas, não só de acionistas e colaboradores, assim como atuar pro ativamente na transformação da sociedade.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) com a liderança do presidente Ricardo Cavalcante, mais uma vez, está na vanguarda criando uma área específica para disseminar a prática ESG nas indústrias cearenses.

As Governanças Ambiental, Social e Corporativa serão valorizadas e a sua prática será avaliada e reconhecida, com a criação do Selo e do Prêmio Fiec-ESG! 

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 31/5/21. Opinião. p.18.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

ACESSO E PREÇOS DE TESTES DA COVID-19

         No final de março de 2020, quando já decorria mais de um mês da confirmação do primeiro caso de Covid-19 em solo brasileiro e 15 dias do caso-índice cearense, chamava a atenção a pouca disponibilidade de testes diagnósticos para se fazer frente à pandemia que tomava fôlego no País, disseminando-se, com distintas velocidades, por todas as nossas unidades federativas.

O então Sr. Ministro da Saúde, o Dr. Luiz Henrique Mandetta, em suas quase diárias coletivas de imprensa, apresentava a marcha da Covid-19, anunciando os casos confirmados e as mortes ocorridas, e comunicava os esforços públicos para conduzir ao rotulado achatamento da curva epidêmica, ao tempo em que se disporia de meios que pudessem amenizar a pletora de atendimentos provocados pelo novo coronavírus, evitando um possível colapso da rede de saúde.

Dentre as preocupações do citado gestor máximo da saúde brasileira, ao lado do provimento de leitos hospitalares, especialmente os de Unidade de Terapia Intensiva, e da aquisição de respiradores em larga escala, constou a busca de testes diagnósticos da Covid-19. No tocante a esse último aspecto, o Sr. Ministro da Saúde ressaltava os esforços dos grandes laboratórios e centros de pesquisa públicos, como a Fiocruz, o Instituto Butantã, universidades etc., para comporem o pool de instituições que executariam tais exames, assim como as doações monetárias de empresas estatais e conglomerados econômicos para custearem esses exames em favor do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em abril último, no Ceará, praticamente somente Fortaleza contava com meios diagnósticos laboratoriais para a Covid-19, com a produção concentrada no Laboratório Central de Saúde Pública da Secretaria de Saúde do Estado, subsidiariamente complementada por alguns laboratórios que possuíam uns lotes de kits de testagem. Nesse período, conseguir fazer o teste na rede pública parecia ser contemplado com um “prêmio”, mesmo que fosse à custa de muito padecimento associado à sintomatologia da pandemia ou por razões de exposição ocupacional, notadamente daqueles profissionais que estavam na linha de frente dos cuidados a pacientes acometidos da doença ou com suspeição de acometimento. Não menor era a dificuldade de se obter o exame na órbita privada pelo alto preço pago pelo serviço e pela demora no agendamento da data da coleta. Em ambas as esferas, em comum, estava a longa espera para a recepção do resultado diagnóstico, algo como quinze dias de aflição e de expectativas.

Na capital cearense, nos meses seguintes, essa situação de estrangulamento foi descomprimida com a inauguração de um amplo laboratório de virologia da unidade da Fiocruz do Ceará, dotada de elevada capacidade de testagem para Covid-19, o que permitiria efetuar exames em massa, e a chegada de novos ofertantes do serviço, com a entrada em cena de vários laboratórios clínicos e dos testes rápidos nas principais redes de farmácias aqui instaladas, conferindo maior capilaridade nos procedimentos de coleta.

Segundo levantamento feito em 13 estabelecimentos pesquisados pelo jornal O POVO e publicado por Irna Cavalcante em 14 de julho de 2020, para se fazer um teste para Covid-19 na rede particular em Fortaleza era preciso desembolsar entre R$ 120 e R$ 460, na dependência do local e da metodologia utilizada para se fazer o exame.

Havia, de conformidade com o jornal, também grandes variações dentro de uma mesma categoria, porquanto se mostrou, por exemplo, que, dentre os testes rápidos, a diferença de preços poderia chegar a 141,6%. Esse tipo de exame, mais rápido e menos complexo, feito a partir de uma gota de sangue, podia ser encontrado tanto em laboratórios, variando de R$ 280 a R$ 290, e em farmácias ou no próprio Serviço Social da Indústria (Sesi), com preços que variavam de R$ 120 a R$ 140.

Os testes do tipo sorológico, coletados por amostra de sangue, para identificar se a pessoa já teve contato ou não com a doença a partir da contagem quantitativa e qualitativa dos anticorpos, requerem estrutura laboratorial. Dentre os testes sorológicos, a maior variação de preços foi identificada nos exames executados via metodologia por quimioluminescência, da ordem de 62,5%, com valores entre R$ 240 e R$ 390. Já os sorológicos pela metodologia Elisa custavam entre R$ 290 e R$ 400, uma diferença de 37,9%.

De acordo com essa aludida matéria do jornal O POVO, os do tipo PCR, exemplificado pelo RT-PCR (do inglês: Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reaction) considerado o 'padrão ouro' e que identifica se o vírus está presente no organismo naquele momento, custavam em Fortaleza entre R$ 310 e R$ 460, variação de 48,3%, sendo que o mais caro se explicava pela comodidade da coleta ser realizada pelo laboratório no domicílio do interessado.

A variabilidade dos preços descarta que se estivesse ocorrendo cartelização dos preços para cima, em função da pouca oferta. Diversos fatores explicam a variação de preços dentro de uma mesma categoria. Desde a qualidade do exame oferecido, medida por suas propriedades diagnósticas (sensibilidade, especificidade, acurácia e valores preditivos), o fornecedor escolhido, a estrutura do estabelecimento, passando também pelo poder de negociação do laboratório ao efetuar suas compras. Assim é que laboratórios menores têm maior dificuldade de oferecer um preço mais competitivo no mercado. Comodidades oferecidas aos clientes, como coleta em domicílio ou drive-thru, também adicionam valores ao preço final do produto.

Os testes rápidos são mais baratos porque sua forma de produção e de análise dependem menos da intervenção humana. Neles se trabalha com kits pré-prontos, que dão uma resposta mais rápida, mas com menor precisão. Como são produzidos em grande escala, há uma redução do preço ao consumidor.

No caso das farmácias comerciais e do Sesi, ainda que por se tratar de compras nacionais, ou seja, em maior quantidade, por conta da capilaridade do setor, há uma facilidade maior de negociação com os fornecedores deste tipo de produto, comportando lembrar que o tipo de kit adquirido também influencia na conta.

Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), os estabelecimentos farmacêuticos estão ao alcance de milhões de brasileiros e, nesse período de pandemia, eles detêm “um papel fundamental de esclarecer dúvidas, orientar a população e auxiliar na detecção da doença, contribuindo para desafogar o sistema de saúde. Os exames são feitos por farmacêuticos capacitados e os resultados são gerados por meio de laudos laboratoriais.”.

Dados da Abrafarma apontavam que este tem sido um mercado promissor para o setor. Em dois meses, tinham sido aplicados pelas farmácias quase 200 mil testes rápidos no Brasil. A quantidade de procedimentos realizados no período de 29 de junho e 5 de julho de 2020, de cerca de 52 mil, era 36% superior à da semana anterior e 82% em relação à semana retrasada.

Nos idos de julho, em números absolutos, o Ceará era o quinto estado que mais realizava testes em farmácia comerciais. Em setembro passado, os testes rápidos estavam disponíveis em 1.848 farmácias localizadas em todos os estados, sendo 67 no Ceará, onde foram feitos, de maio até o fim de agosto, 22.094 exames.

Até o momento, as grandes redes do varejo farmacêutico nacional já realizaram mais de 700 mil testes rápidos para detecção do novo coronavírus. A previsão é superar a marca de um milhão até o fim do ano em curso.

Agora, outubro de 2020, passados seis meses de tempos marcados por óbices que travavam a fácil realização de testes para o novo coronavírus, a situação presente melhorou bastante, ainda que não seja a ideal, de modo que a disponibilidade e o acesso a tais exames não mais configuram problema de monta, tanto no setor público como no privado. De fato, em Fortaleza, pode se dizer que que há vários locais de coleta de amostras disponíveis na rede pública de saúde, incluindo praças de grande circulação de pessoas, e o agendamento em laboratórios clínicos particulares e farmácias comerciais resulta mais da necessidade de otimização e de manutenção do distanciamento entre cidadãos do que de uma lista de espera por exames.

Diga-se, de passagem, que a Agência Nacional de Saúde (ANS) determinou a obrigatoriedade dos prestadores de serviços integrantes da Saúde Suplementar assumirem o ônus da testagem para Covid-19 aos seus usuários, independente dos planos de saúde conterem cláusulas de não cobertura desse procedimento. Tal medida da ANS ampliou as opções de obtenção dos exames e gerou também um certo alívio aos usuários do SUS, indiretamente beneficiados pelo escoamento de parte da demanda para outra raia.

Por oportuno, convém ponderar que os valores em pecúnia atrelados à feitura dos testes laboratoriais para o diagnóstico da Covid-19 estão distantes da realidade financeira da maior parte da população brasileira. O valor mais barato de um exame do tipo PCR, por exemplo, é pouco mais da metade do valor do auxílio emergencial de R$ 600 oferecido, mensalmente, pelo governo federal nos primeiros meses da pandemia.

Embora hoje muitos testes já sejam produzidos no Brasil, boa parcela dos seus insumos é importada, o que torna a operação mais cara. Mas a tendência é que, consoante as tecnologias forem avançando e mais empresas produzindo, os preços também se tornem mais acessíveis.

Espera-se que essa benesse não chegue depois da pandemia se dissipar do nosso Brasil.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico-sanitarista e economista da Saúde

Das Academias Cearenses de Medicina e de Saúde Pública

*Publicado In: Jornal do médico digital, 1(6): 94-98, outubro de 2020. (Revista Médica Independente do Ceará).

 

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