Francisca Carlos da Silva |
Menos de dois anos se passaram da ida de nossa tia
Fransquinha para a casa do Pai, e já estamos celebrando o centenário de seu
nascimento. Foram 98 anos de bondade, despreendimento e de amor ao próximo. A
nossa Tatinha – era assim que nós, os seus sobrinhos, a chamávamos, seguindo o
exemplo do Paulo, o mais velho entre dezenas de sobrinhos - semeou o bem na
Terra e conquistou um lugar especial na Pátria Celestial.
Estamos hoje, aqui, reunidos na Igreja de Nossa Senhora
dos Navegantes, para agradecer a Deus a longa permanência dela entre nós. Nesta
igreja pequenina, ela e suas irmãs Eugênia, Maria e Rita rezaram e ensinaram
tantos e tantos outros, como catequistas e professoras que eram. Ajudaram a
manter viva a fé do povo católico. Era na casa delas, na Rua Aprendizes
Marinheiros um misto de escola e residência, que os livros da Paróquia eram
guardados e sempre que alguém precisava do batistério para contrair núpcias,
eram nossas tias que preparavam o documento. E confessando um segredinho: nós,
mesmo crianças, disputávamos o direito de participar, seja anotando o nome do
batizado, a data provável do batismo, dos pais e dos padrinhos, ou procurando o
registro nos livros de batistério, tão grandes que nem podíamos com eles. Não
raro, a pesquisa demandava horas porque os interessados mal informavam o
próprio nome.
Ainda lembramos, com carinho e saudades, de quando se
avizinhava a festa de primeira eucaristia das crianças da paróquia. A Tatinha,
formada pela Escola Doméstica São Rafael e professora da Escola de Nutrição
Agnes June Leight, comandava a feitura dos bolos, biscoitos e docinhos que
seriam colocados nas sacolinhas dos neocomungandos, que iam para a Missa
especial em jejum. No
salão paroquial São Francisco
de Assis, onde tia Rita lecionava, uma grande mesa era
preparada para os familiares dos que haviam recebido a Eucaristia pela primeira
vez. Tudo bancado pelas tias Carlos
da Silva, que não esqueciam as rosas do altar, compradas no Jardim
São José, no bairro de Otávio Bonfim. E com que alegria também ajudávamos na
feitura das hóstias. Não sendo bentas, permitiam que ficássemos com as
“aparas”. Com o mesmo empenho, tia Maria decorava a igreja para os casamentos
que ela sequer conhecia os noivos.
Nossa querida Tatinha abriu mão de seu próprio casamento
para cuidar dos irmãos mais novos em Fortaleza, enquanto os pais permaneciam no
sítio em Acarape.
Graças a ela, todos puderam estudar na capital. Depois,
abrigou na mesma casa os sobrinhos, filhos do Valter, para que eles também
estudassem em Fortaleza.
A eles nós, os demais, nos reuníamos nas férias escolares,
com direito a brincadeiras e até “curtir” juntos as doenças da primeira
infância. Não tivemos Papai Noel, e sim, Titia Noel. Eram elas, Tatinha, Dadá
(nome carinhoso da tia Maria) e tia Rita que não deixavam passar em branco as
noites de 24 de dezembro. Todos ganhavam presentes. Eugênia, a nossa tia Niná,
pouco tempo depois da morte de seu pai José Carlos da Silva,
tornou-se religiosa e recebeu o nome de soror Margarida Maria, da ordem das
irmãs visitandinas, observando a clausura em terras distantes de seu torrão.
Fransquinha, Maria e Rita uniram-se aos irmãos Luiz
Carlos, Zezinho, Walter, Eugênia e aos pais José Carlos e Valdevina. E nós, que
aqui ficamos, deles temos as melhores lembranças, de pessoas que só viveram
para fazer o bem. Não havia no bairro quem não os conhecessem. Não havia na
família quem não os amassem. Para a nossa tia, nascida no município de Pereiro,
mas criada entre as terras do Sítio Pau Branco e depois no simpático bairro de
Jacarecanga, deixamos aqui registrado um sentimento de gratidão eterna.
Paz e Bem.
De seus sobrinhos
15 de maio de 2013
Nota: Esse texto,
lido por mim durante a missa gratulatória de ontem, foi elaborado por Márcia Gurgel Adeodato.
Um comentário:
Primo, graças a Deus eu tive o grande prazer em conviver com elas, Tia Dadá "ligeiramente", Tia Rita e Tia Tatinha, que me passavam uma tranquilidade, conversávamos muito, quando minha Mãe Niná Carlos nos levávamos para fazer uma visita, pra mim era uma visita mais que especial, A Tia Tatinha tratava-se de uma pessoal muito especial, amiga e cristã... Meu avó Valter Carlos amava muito cada um dos seus irmãos e sempre vinha de Acarape para o Jacarecanga para visita-los.
Estive ontem na missa, não podia perder este momento especial que sempre ficará marcado em minha mente, não pude ouvir bem seu discurso por conta do microfone está baixo na hora da leitura, mais sabia que encontraria o texto por aqui... Fiquei muito feliz em ver a família reunida novamente para comemoramos o centenário da Tia Tatinha, Sou muito feliz por fazer parte desta maravilhosa Família, Família Carlos da Silva.
Um grande abraço
Do primo, Mádson Hermanny
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