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segunda-feira, 6 de abril de 2026

A EQUAÇÃO DA CASA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Em muito boa hora, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dedicou a Campanha da Fraternidade de 2026 ao debate sobre a habitação. Com o lema "Fraternidade e moradia" e com um cartaz que traz, além de um sem-teto dormindo num banco de praça, um trecho do evangelho de João ("Ele veio morar entre nós"), a instituição lança luz sobre um tema complexo que mexe com a minha categoria profissional desde que o mundo é mundo. Estima-se que o déficit habitacional brasileiro é da ordem de 6 milhões de residências, o que alcança, em média, entre 24 a 30 milhões de pessoas, isso sem que se fale no gasto excessivo com o aluguel urbano e as inadequações habitacionais fruto do improviso na construção das moradas. Como se vê, é um assunto oportuno e adequado a ser tratado num ano eleitoral.

Contudo, a questão habitacional não se restringe à casa, mas a um universo mais ampliado, que envolve as regiões e as cidades. Tomemos a nossa Fortaleza como estudo de caso: com mais de 2,7 milhões de habitantes, é a quarta capital do País em população e a mais populosa do semiárido no mundo. Caucaia é o município cearense que vem logo atrás, com quase 380 mil almas. Por esses números vê-se que a disparidade é flagrante. Por sua vez, a Região Metropolitana de Fortaleza conta hoje com 19 municípios e concentra 44% da população do Ceará. A isso se chama metropolização descapitalizada, um corpo com uma cabeça grande demais e membros atrofiados. Nosso grande desafio é trabalhar para reforçar as cidades médias e evitar o êxodo que nos constrange.

Fortaleza tem hoje algo em torno de 700 mil pessoas em favelas ou comunidades urbanas, sendo a terceira no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, sem que seja preciso dizer da ação de facções e milícias nessas áreas. Projetos de urbanização para esses setores da Cidade fazem-se mais que necessários, elaborados, contudo, com índices apropriados que não aqueles produzidos para a arquitetura convencional. Aliás, é fundamental compreender que, neste tema, se o número é importante, mais ainda é a qualidade do morar. Não podemos cair novamente na esparrela do Minha Casa Minha Vida (MCMV) priorizando a quantidade e esquecendo os valores e atributos espaciais. De outra parte, a casa carece de funções correlatas para ter sentido. Como fazer mil moradas no meio do nada?

Todo domingo, no caminho para o Raimundo do Queijo, encontro uma multidão de miseráveis na fila da sopa da Praça do Ferreira. Reflito de mim para comigo: Essas pessoas querem um lugar para morar ou desejam ter um espaço para guardar suas coisas, tomar banho e fazer as suas necessidades, dormir quando cansadas? Terão elas condições de bancar a moradia, pagar água, luz, IPTU? Lembro-me da experiência do Conjunto Santa Terezinha, no Vicente Pinzón, final dos anos de 1970. Cinco favelas foram eliminadas para a construção do tal conjunto. Pouco tempo depois, inadimplentes, as famílias voltaram para os seus barracos e as casas foram ocupadas por uma classe média empobrecida. É, pois, difícil a equação da casa, algo que envolve, além da casca, a gema do ovo.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/03/26. Vida & Arte. p.2.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Campanha da Fraternidade 2026 é lançada e abordará moradia como direito fundamental

Por Luíza Vieira, jornalista de O Povo.

Com o tema “Fraternidade e Moradia: Ele veio morar entre nós”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha da Fraternidade 2026, nessa quarta-feira, 18.

Escolhido ainda em 2025, o tema da Campanha da Fraternidade 2026 propõe uma reflexão sobre os desafios da moradia no Brasil, chamando atenção para problemas como desigualdade social, insegurança fundiária e os processos de exclusão que atingem milhões de pessoas no País.

Em coletiva de imprensa, realizada na tarde desta quinta-feira, 19, no Centro de Pastoral “Maria, Mãe da Igreja”, no Centro de Fortaleza, a palavra "dignidade" ganhou destaque na mesa de honra, composta pelo arcebispo de Fortaleza, dom Gregório Paixão; pela juíza federal Paula Emília Moura Aragão; pela promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Ceará Giovana de Melo Araújo; e pela assistente social e socióloga, Patrícia Amorim Teixeira.

Gregório explicou que o déficit habitacional precisa ser enfrentado com prioridade para que a pauta não volte a ser recorrente em futuras edições da campanha. Segundo ele, é fundamental que a Igreja também cobre das autoridades medidas efetivas para garantir o direito à moradia digna.

"Finalmente, a gente teria condições de dar dignidade (às pessoas), seja na construção de grandes conjuntos habitacionais, ou seja, através de tantas outras coisas para que a gente tenha essa dignidade resgatada", afirmou o arcebispo.

A promotora Giovana de Melo Araújo enfatizou que, para que as pessoas tenham moradias adequadas, é necessário haver regularizações urbanas e fundiárias. "Por isso, a gente fala em pessoas em situação de rua e pessoas em superação de rua, porque é um processo que precisa ser acompanhado por várias equipes para que a gente consolide esta moradia", pontuou.

Déficit habitacional

O Ceará tem um déficit habitacional estimado em cerca de 227 mil unidades. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2025, há 213 mil imóveis de uso ocasional no Ceará. Os imóveis ocasionais são propriedades de uso não contínuo, ou seja, locais habitados esporadicamente, como casas de praia, sítios, apartamentos de veraneio ou imóveis utilizados apenas durante viagens de negócios.

O arcebispo de Fortaleza informou que, durante a campanha, as paróquias da Capital estarão mobilizadas a promover ações em áreas onde vivem pessoas em situação de vulnerabilidade habitacional, garantindo que iniciativas de apoio, orientação e acolhimento cheguem diretamente a quem mais precisa.

"Estamos mais atentos em todas as paróquias, buscando encontrar locais onde podemos sugerir que pessoas atualmente com dificuldade de moradia ou então em situação de vulnerabilidade possam ser acolhidas", acrescentou.

A campanha da fraternidade é uma iniciativa anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizada durante a Quaresma. O objetivo é despertar a solidariedade, promover a conversão pessoal e comunitária, e debater temas sociais relevantes, propondo ações concretas e transformadoras para a sociedade.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/02/26. Farol. p.2.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Como é bom e agradável "Viver como irmãos"

Por Irmã Waldilene Xavier Pinto (*)

Com a Campanha da Fraternidade 2024 (CF 2024), iniciamos o tempo quaresmal, que nos prepara para Páscoa, momento para reflexão sobre questões que desrespeitam a Vida, a Humanidade, a Natureza e tudo que impede a felicidade e o bem comum.

No cenário de guerras, fome, doenças, violências, fake news, rejeição da irmandade, da falta de ética e exclusão, somos chamados a alargar nossa tenda para cuidar dos vulneráveis, usar bem as redes sociais, construir espaços de partilha fraterna e amorosa. Precisamos superar nossos egoísmos que destroem a convivência e engajamento comunitário.

A Campanha da Fraternidade há 60 anos traz tema e lema a partir do contexto em que vivemos. Em 2024, o tema é Fraternidade e Amizade Social, conteúdo da Fratelli Tutti, encíclica do Papa Francisco, e o Lema, "Vós sois todos irmãos e irmãs" (Mt 23.8). Teremos que trabalhar, lembrar o que parece óbvio, aceitar a verdade e a importância de sermos Irmãos. Urge atitudes comuns de responsabilidade coletiva que possa fazer fluir uma fraternidade e amizade social, perante os males que ameaçam a paz. É uma campanha de Evangelização, que não termina com a celebração da Páscoa, mas se prolonga a partir do que pode ter sido interpelação e sensibilidade para ação.

É a Fé em Jesus Cristo e no seu seguimento que abraçamos o projeto de Vida, Liberdade, de Amor, Paz e justiça. Isso nos impulsiona e mobiliza a termos consciência dos males que pesam sobre a família humana e não sermos indiferentes e insensíveis.

O convite é viver o amor e a solidariedade que ultrapassam as barreiras geográficas, e manter o olhar fixo no Senhor. Ter humildade, aceitação do outro como ele é, e a alegria do encontro com DEUS e seu Filho amado, enviado para nos humanizar.

A CF 2024 quer despertar o valor e a beleza da fraternidade humana, identificar felizes e exitosas experiências de comunhão, reconciliação geradoras da cultura do encontro. Pela Palavra de Deus, no Magistério da Igreja, nas comunidades, redescobrir e acolher a amizade social como parte constitutiva do humano.

É tempo de mudanças de ordem pessoal, comunitária e social. Independente de raça e gênero, todos somos responsáveis por uma nova civilização, pela defesa da vida e por um mundo onde todos sejamos irmãos.

(*) Religiosa da Congregação Filhas do Coração Imaculado de Maria.

Fonte: O Povo, de 14/02/2024. Opinião. p.24.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Grupo Cristão Mãos de Luz — Um exemplo de solidariedade

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Em 2016, um pequeno grupo resolveu instituir uma organização sem fins lucrativos, sem bandeira religiosa e sem ideologia política, reunindo cristãos de quaisquer correntes para promover a aplicação da ética da caridade, através de projetos sociais voltados para amplas necessidades dos irmãos carentes.

Esses projetos foram formatados nas Caravanas do Evangelho, com visitas semanais domiciliares a idosos com dificuldades de locomoção; no Projeto Dignidade, que realiza pequenas benfeitorias em residências, creches, escolas e outras instituições de apoio; no projeto Ensinando a Pescar, treinamentos de curta duração, para indivíduos carentes física ou mentalmente de trabalhar; e no Projeto Vivência Cristã, que realiza seis caravanas anuais para auxiliar, material e espiritualmente, diferentes grupos de vulneráveis.

Em termos de vulnerabilidade, as caravanas se distribuem no apoio às crianças (Criança Feliz), aos idosos carentes (Idade Luz), aos pacientes psiquiátricos, (Mente Luz), aos detentos em fase de ressocialização e adictos (Educação e Harmonia Social), ao povo sertanejo (Solidária dos Sertões), e aos carentes portadores de câncer, DSTs e os hansenianos (Saúde e Esperança).

O Grupo Cristão Mãos de Luz (GCML) age também como uma ponte entre voluntários e as instituições públicas ou privadas, com as pessoas e as entidades beneficentes ou prisionais, com o intuito de ampliar sua ação em ressignificar a vida, tanto dos que praticam a caridade como daqueles que são alvo dessa prática cristã.

Desde sua instalação o GCML já proporcionou, nas suas diversas formas, atendimento a mais de 80 mil pessoas, em Fortaleza e cidades do interior, conseguindo, assim, levar a tantos irmãos um pouco de carinho, conforto material e espiritual e, especialmente, palavras de fé e esperança para suas vidas.

O GCML está presente nas diversas redes sociais para facilitar suas ações de caridade, permitindo, dessa forma, que novos voluntários conheçam os trabalhos realizados e, sentindo-se motivados, venham a usufruir da oportunidade de levar auxílio a quem dele tanto necessita.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/07/23. Opinião, p.20.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

A FOME DOS IRMÃOS E IRMÃS DEVE DOER EM NÓS

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Este mês iniciamos a Quaresma, tempo de graça em que somos chamados a intensificar práticas da vida cristã: oração, jejum e caridade. Desde 1962, todos os anos a Campanha da Fraternidade, nos ajuda a aprofundar a conversão quaresmal. Em cada edição é escolhido um tema para chamando a atenção sobre uma realidade a ser transformada.

Neste ano, a Igreja no Brasil através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos propõe a reflexão sobre a fome, que atinge milhões de brasileiros. Com o tema "Fraternidade e Fome" e o lema "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Mt 14,16).

A fome dos irmãos e irmãs deve doer em nós. Por isso, aproveito para aprofundar um pouco mais sobre o importante exercício quaresmal da caridade.

Em algumas traduções bíblicas a palavra usada nas citações, é amor. Em outras traduções é caridade, mas isso não importa, pois, caridade é o sinônimo e a prática do amor. Por isso São Paulo diz que a caridade jamais passará (1 Cor 13, 8), pois na eternidade continuaremos amando e o amor será pleno. E, São Pedro nos diz: "Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados" (IPd 4,8).

Uma virtude tão imprescindível que nos foi deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo como um novo mandamento: "Dou-vos um mandamento novo: Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros" (Jo 13, 34).

O amor da caridade pode ser praticado pelas obras de misericórdia: amar sem interesse, ter a sensibilidade que entende o sofrimento do próximo, atendendo suas necessidades espirituais e materiais com a mesma empatia e compaixão do Nosso Senhor.

A caridade afetiva, expressão dessa virtude, consiste nos gestos concretos de partilha e de solidariedade para com o próximo. É dar pão a quem tem fome, mas também lutar por justiça e promover a dignidade da vida humana.

Não precisamos ser ricos para repartir; aliás, são os que possuem menos que têm as mãos mais generosas.

Repito aquilo que não me canso de falar em minhas pregações, aquilo que está estocado em nossos armários falta na mesa dos irmãos.

Por fim, espero que os exercícios quaresmais nos levem a conversão, a vida de oração, a partilha e nos façam enxergar no próximo o rosto de Jesus Cristo.

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 25/02/2023. Opinião. p.18.

quarta-feira, 2 de março de 2022

FRATERNIDADE E EDUCAÇÃO

Por Pe. Manfredo Oliveira (*)

A Campanha da Fraternidade, na Igreja católica, é preparação para a celebração da Páscoa de Jesus e significa passar de um mundo não fraterno, marcado pelo pecado, nas expressões de injustiças, omissões e opressões, para um mundo de irmãos e irmãs. O convite que nos é feito, em 2022, é para refletirmos sobre a educação a partir da convicção de que ela é uma dimensão indispensável para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Trata-se de uma interpelação a uma mudança de mentalidade que nos faça capazes de buscar um caminho que promova o desenvolvimento pessoal, a formação para a vida fraterna.

A educação é um serviço indispensável à vida, que nos ajuda a crescer na vivência do amor, do cuidado e da fraternidade, pois o ser humano somente conquista o seu ser através de relações dialógicas e cooperativas com os outros e outras, reconhecendo todo ser humano como portador de igual dignidade.

A educação, hoje, tem que enfrentar um desafio fundamental: o impacto das novas tecnologias de comunicação. A palavra se transforma em imagem e possibilita a transmissão de efeitos não verbais cultivando emoções e sentimentos e apresentando valores para orientar a vida das pessoas. Como situar-se diante da multidão dos dados transmitidos, como não ser levado passivamente pelo que aparece?

O papa Francisco (Laudato Si, 215) afirma que a educação só é eficaz tendo como objetivo difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza. Isso delineia um horizonte para as tarefas educativas próprias a nosso mundo, o que P. Freire exprimiu dizendo: "Não há prática educativa também sem um sonho. Por isso, é um pecado horrível a morte do sonho e da utopia hoje".

Na ótica da concepção de ser humano hoje preponderante, que entende o ser humano exclusivamente como indivíduo fechado em si mesmo, impulsionado por apetites, cobiças e ambições que buscam a satisfação de seus interesses próprios, a educação é subjugada ao mercado e, com isso, limitada a um processo de ajustamento dos indivíduos às suas exigências.

A consequência é clara: ela se transforma num processo de treinamento e de adestramento, convertida à simples instrução, que tem como finalidade básica a produção de indivíduos eficientes para a competição no mercado.

Contudo, a educação não é necessariamente isso. Pelo contrário, ela pode transformar-se num instrumento primordial e potente de tomada de consciência e habilitação para uma análise crítica dos elementos negadores da dignidade humana e ponto de partida para a descoberta do verdadeiro sentido da vida humana e seus potenciais emancipatórios, gerando assim pessoas abertas às grandes questões que dizem respeito a toda a sociedade, capazes de romper com os laços de submissão e de dependência de situações de opressão e de construir participativamente mundos alternativos.

Isso implica que ela ponha como seu princípio o respeito ao valor singular da pessoa humana e ao valor próprio da natureza, o que exige a cooperação e a superação das iniquidades. 

(*) Padre e doutor em Teologia. Professor de Filosofia aposentado da UFC.

Fonte: O Povo, de 27/02/2022. Opinião. p.18.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E FRATERNA

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Estamos no mês da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Sua imagem de apenas 40 cm, nos lembra a ternura maternal de Maria, sua dedicação a Jesus como mulher de fé, seu serviço prestado a toda a humanidade.

Nela temos o mais perfeito exemplo do discípulo de Jesus, que soube cumprir os mandamentos e fazer a vontade do Pai. Ela é a mãe solidária que continua clamando ao Filho: "Eles não tem mais vinho!".

A imagem de Nossa Senhora foi encontrada por pescadores, pessoas pobres e humildes, representantes do povo brasileiro que trabalha, sofre, luta, chora e sorri, mas nunca perde a fé e a esperança.

Providencialmente, no Brasil comemora-se no dia da Mãe Aparecida o dia da criança, isso nos leva a refletir e a nos questionar, que mundo, que futuro estamos preparando para nossas crianças? Estamos assegurando os seus direitos?

É urgente que, como Nossa Senhora, nos comprometamos com os valores do Reino de Deus e possamos construir uma sociedade mais justa e fraterna.

O mês de outubro também nos recorda que precisamos ser missionários, como falei na semana passada. A grande maioria quando pensa em "missão" imagina que para isso precisamos partir para terras distantes, não necessariamente, podemos não receber esse chamado de Deus para ir além-fronteiras, mas podemos ser missionários onde vivemos, em nossa família, nosso prédio e quarteirão.

Santa Terezinha a santa da pequena via, abre o mês das missões. Uma menina que entrou para vida religiosa com 15 anos, morreu com apenas 24 anos, sem nunca ter saído do convento Carmelita foi declarada Padroeira das missões e nos é dada como intercessora na nossa própria tarefa de sermos missionários, porque o Batismo nos faz missionários, comprometidos com o anuncio da Boa-Nova.

A Igreja é por excelência missionária. A Igreja partiu de Cristo para os doze, dos doze para setenta dois, dos setenta e dois com a missão de anunciar na Judéia, Samaria e até os confins da terra. Então, o nosso compromisso missionário é continuo. Missionários ontem, missionários hoje. 

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 9/10/2021. Opinião. p.16.


sexta-feira, 2 de abril de 2021

NUNCA MAIS COMO ANTES

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Não somos mais os mesmos depois de sucumbirmos nessa pandemia. Adquirimos um medo crônico, aparentemente incurável, que tem norteado os nossos pensamentos e ações.

Será que um dia voltaremos a viajar? Será que um dia nossos filhos voltarão a encontrar seus colegas de classe com um sorriso no rosto? Quando poderemos abraçar novamente? Quando beijaremos novamente a face dos nossos pais?

Mesmo que o mundo volte a girar, milhares de empresas já não existirão, sonhos terão sido solapados, projetos sabotados e aquele restaurante com mais de cem anos já não abrirá mais as portas para os seus clientes.

Nunca mais será como antes. A Europa não é mais a mesma. Os monumentos históricos se misturam à tristeza de olhos cheios de desencanto. Nos Estados Unidos, o paraíso das compras, agora a maior parte dos negócios acontece através da internet.

Mas se você pensar em comer aquela galinha caipira em Caucaia, a Dona Maria faleceu e levou com ela o jeito cearense de temperar. Agora o sabor mudou totalmente.

Campanha da Fraternidade está meio diferente. O Papa não condenou a aprovação do aborto na Argentina. Os Rabinos erram suas predições. Na verdade, a igreja Cristã já não é mais a mesma. Percebemos que as profecias estão se cumprindo.

Confira comigo: Israel está hoje como catalizador da paz no Oriente Médio. A Bíblia diz para olharmos para Israel como um sinal. O desgoverno mundial é a preparação ao novo governo mundial.

fome alardeada para os próximos anos é o aceno para a dependência da população de seus governos. As liberdades individuais sendo canceladas, monitoramento ostensivo da população mundial. A jubilação do dinheiro em espécie e a implantação das moedas digitais e do controle absoluto.

Os campos de reeducação e a cristofobia se somam a outras diversas profecias que já se cumpriram e com as que estão em andamento.

Encerro com uma citação de Atos dos Apóstolos: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Coreia do Sul Para a Implantação da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil.

Fonte: O Povo, 20/02/2021. Opinião. p.16.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A FRATERNIDADE É SAMARITANA!


Por Pe. Patriky Samuel Batista (*)
O tempo quaresmal nos oferece uma oportunidade singular de conversão que tem como pressuposto o amor. Iluminados pela Palavra de Deus, fortalecidos pelos sacramentos e irmanados na vida comunitária percorremos um caminho de oração, partilha, intimidade e solidariedade fraterna. Um verdadeiro retiro espiritual que nos prepara para a Páscoa do Senhor oferecendo a Ele o melhor de nós: uma vida reconciliada e pacificada no amor.
Há mais de cinco décadas, a Campanha da Fraternidade apresenta-se como um modo de viver o período quaresmal na Igreja no Brasil prestando atenção uns aos outros e nos comprometendo com a edificação do amor que faz nascer as boas obras da fé. Em 2020, avançamos nesse caminho inspirados pelo tema: "Fraternidade e vida: dom e compromisso".
A vida é dom de Deus que devemos cultivar e também um compromisso que devemos assumir. Desde a concepção e passando por todas as etapas de existência, a vida deve ser promovida e protegida, buscando sempre o horizonte da eternidade sem tirar os pés do chão e ofertando coração fraterno ao irmão. E como trilhar esse caminho? Agindo como bom samaritano. Ele é a grande inspiração e modelo para vivermos a quaresma deste ano.
Na parábola do Samaritano, descobrimos que o meu próximo é aquele de quem eu me aproximo para cuidar, com amor e ternura, independente de quem seja a pessoa e em quais condições ela se encontra. Reconhecer o próximo é romper com a indiferença. É ter a capacidade de interromper a própria rotina para se fazer próximo com atitudes concretas. Amar com gestos, decisões, agilidade, presença e carinho.
Eis o belo caminho de conversão que temos pela frente: um coração interpelado pela Palavra que converte e convoca a traduzir em atitudes os bons sentimentos que brotam da fé, são alimentados pela vida de comunidade e nutridos pelos sacramentos da Igreja. Com olhos fixos em Jesus, a Campanha da Fraternidade 2020 nos convoca a romper com toda e qualquer atitude de indiferença, vencendo o pecado pela graça redentora que nos envia como missionários da vida plena para todos, sobretudo os mais pobres e excluídos, vítimas de uma sociedade marcada profundamente pelos traços de Caim.
Olhando ao nosso redor, percebemos cada vez mais que a vida se encontra ameaçada e um sinal claro de tal ameaça é o modo de vida da sociedade marcado pela indiferença.
Uma sociedade de Caim que traz situações, atitudes e estruturas que se alimentam da indiferença e nutrem o ódio e a aversão.
Que propaga e enaltece a cultura do descarte, da morte revelada em ações injustas e desumanas.
Que a Campanha da Fraternidade nos ajude a ver com os olhos de Deus a realidade que está ao nosso lado. Ver direcionando o nosso olhar para aquele a quem chamamos de irmão e devemos tratá-lo como tal. Que a fé nos ajude a julgar segundo os critérios da compaixão e da justiça condicionados pelo amor a fim de que sejamos promotores de uma nova sociedade na qual a globalização da ternura e do cuidado sejam reais e que comece em nós, em nossos corações convertidos, as mudanças que esperamos no mundo.
Que Santa Dulce dos Pobres interceda a Deus por nós a fim de que vivamos a fé cristã com o compromisso de ver, compadecer e cuidar, pois, a fraternidade é samaritana! 
(*) Secretário Executivo para Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Fonte: O Povo, 27 de fevereiro de 2020. Opinião. p.17.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

SÃO FRANCISCO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
São Francisco de Assis nasceu em 1181, em Assis de Francesco, converteu-se ao cristianismo em 1206, renunciando aos bens paternos e iniciando uma vida de pregação do Evangelho. Com certeza, Francisco analisou e debateu a religião, a civilização e a sociedade, observando os valores espirituais e materiais. Sempre valorizou o diálogo, principalmente, mediante as palavras simples, o amor de Deus, a caridade, a cautela nos julgamentos, a firmeza nas resoluções, a fidelidade nas obrigações, a humildade e a sabedoria. Segundo Jacques Le Goff, um dos biógrafos de Francisco, “A fraternidade franciscana, a consagração a pobreza e uma liderança dinâmica alternando a solidão e a inserção social a partir da pregação nas cidades de Úmbria o fixaram como uma das mais cultuadas figuras religiosas do Ocidente”. Ainda de acordo com Le Goff, “São Francisco seria o santo mais moderno da Igreja por defender a ecologia, o anticonsumismo, a simplicidade, a liberdade de espírito, sendo um feminista de primeira hora na relação com Santa Clara e a ordem das clarissas”. Realmente, são Francisco sempre desenvolveu e estudou uma proposta de paz, o que é visível em sua conhecida oração: “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz”. Acredito que, se fizemos uma análise do conteúdo da oração, teríamos um mundo melhor, onde a solidariedade e o amor ao próximo prevaleceriam. É por isso que essa oração é ecumênica, ou seja, não se conflita com nenhuma outra religião. Defensor da gratuidade (ofereça sem pensar em receber) - Lc 14, 12-14- assim era Francisco. O mundo está com sede de paz. Como seria bom se nos dias de hoje os líderes mundiais e as pessoas que formam opinião, seguissem o pensamento de São Francisco. Tiremos o ódio de nossos corações e coloquemos amor. Segundo São Francisco: “Ler a Sagrada Escritura significa pedir o conselho de Cristo”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 16/8/2019.

sábado, 19 de março de 2016

DOIS FORTES ALIADOS


Por Pe. Geovane Saraiva (*)
Neste artigo falamos de dois pastores que edificaram a casa de Deus, isto é, a Igreja, tendo como alicerce sólido o bem e a justiça, não cedendo às ciladas dos injustos e poderosos. Neles a profecia de Jeremias se realiza: "Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com sabedoria e inteligência" (Jr 3, 15).
Trata-se de Dom Helder Pessoa Câmara e Dom Aloísio Cardeal Lorscheider, que anunciaram a boa nova da Salvação em toda sua plenitude, a partir da dor e do sofrimento de uma multidão de irmãos e irmãs. O entusiasmo e a mística desses grandes sacerdotes causaram e continuam a causar profundas marcas de generosidade, sempre crescente, nas pessoas que exerceram e exercem suas funções nos mais diversificados setores de nossa sociedade.
Guardemos no íntimo do coração a mensagem de otimismo e esperança, deixada por Dom Helder Câmara, o artesão da paz e cidadão do mundo, o bispo brasileiro mais influente no Concílio Vaticano II, ao abrir o caminho para a renovação, na sua mais profunda e autêntica coerência em favor dos pobres: "Se não engano, nós, os homens da Igreja, deveríamos realizar dentro da Igreja as mudanças que exigimos da sociedade".
Falou também com extraordinária paixão que Deus é amor, em tom de poesia: "Fomos nós, as tuas criaturas que inventamos teu nome!? O nome não é, não deve ser um rótulo colado sobre as pessoas e sobre as coisas... O nome vem de dentro das coisas e pessoas, e não deve ser falso... Tem que exprimir o mais íntimo do íntimo, a própria razão de ser e existir da coisa ou da pessoa nomeada... Teu nome é e só podia ser amor".
Ao assumir a Arquidiocese de Olinda e Recife, em abril de 1964, afirmou: "Ninguém se escandalize quando me vir ao lado de criaturas humanas tidas como indignas e pecadoras (...). "Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo".
Dom Helder deixou uma gigantesca obra escrita, soube aliar, numa "síntese raríssima e feliz o místico e o homem da ação, que contemplava e escrevia durante as madrugadas e agia pela manhã, tarde e noite". "Foi um articulador da melhor qualidade"; dotado de uma fé clamorosa, de uma enorme capacidade de comunicação, força e convicção inabaláveis, que saia de dentro peito magro, daquele homem baixo e franzino na estatura, que parecia o retirante de Portinari.
Profeta dos pobres, artesão da paz, cidadão do mundo, o homem dos grandes sonhos e das grandes utopias ele o foi, a sinalizar uma verdadeira conversão, nas mudanças dos costumes, no sentido de uma melhor compreensão da Igreja, na busca de sua renovação, do seu rejuvenescimento – ao verdadeiro "aggiornamento", ao mesmo tempo, em que devia anunciar a pessoa de Jesus Cristo, diante do clamor dos empobrecidos, dos "sem voz e sem vez".
O grande ardor e entusiasmo desse homem, em todo seu trabalho articulado, no amor pela Igreja pobre e servidora, nunca podemos negar e esquecer. "Sou daqueles que tem a convicção de que os escritos de Dom Helder ainda serão fonte de inspiração na América Latina, daqui a mil anos" (José Comblin).
Já Dom Aloísio Lorscheider, que no seu amor à verdade e no apego ao Evangelho, como critério de vida e de pastoreio, também na sua capacidade de dialogar com as classes sociais e no seu amor para com os empobrecidos, permaneceu humilde, serviçal, sendo um irmão entre irmãos.
Doçura e ternura em pessoa, alegria constante, posições corajosas e determinadas, ao mesmo tempo, pregava e anunciava o Evangelho com coragem profética e grande sabedoria. Ele carregou sempre no seu grande coração, as alegrias, as esperanças, as tristezas, as angústias e os sofrimentos de sua querida gente (cf. GS 200). Além de travar, sem jamais se cansar, uma luta pela redemocratização, pela liberdade de expressão, pela dignidade da pessoa humana e pelo fim da tortura em nosso querido Brasil.
Dom Aloísio, ao se tornar Arcebispo de Fortaleza (1973-1995), logo de início afirmou: "A comunidade eclesial não é feudo do bispo, mas ele é o servidor de uma Igreja que se entende a si mesma como sacramento do Reino, isto é, da presença da verdade e do amor infinito de Deus para com cada criatura humana".
Daí ele não compreender como algo natural e normal se conviver com a miséria e o acentuado empobrecimento do povo, que tinha como consequência o êxodo, o flagelo e a morte de muitos irmãos, levantando sua voz de profeta para dizer que não era vontade de Deus a realidade aqui encontrada e, ao mesmo tempo, usou de todos os meios, com uma enorme vontade de transformar essa mesma realidade, marcando profundamente a história do nosso Ceará.
Dom Aloísio foi o grande teólogo que sabia compreender a realidade na sua conjuntura e, com suas posições bem claras e definidas, nas análises e nas conclusões teológicas pastorais, passando para o povo um clima que favorecia e gerava uma confiança generalizada. Daí ser o Cardeal que mais se destacou em todos os Conclaves e Sínodos de que participou, gerando para o mundo inteiro e, especialmente, para a imprensa uma grande expectativa. Sua palavra corajosa e profética era acolhida por todos como uma boa notícia.
"Em pleno regime de exceção, a sociedade cearense logo sentiu os efeitos dessa guinada. As camadas desfavorecidas ou marginalizadas, os sem-terra, os sem-teto, os presos políticos, os presidiários comuns, os trabalhadores em greve – ganharam aliado de peso" (Desembargador Fernando Ximenes).
"[...] sua voz, naturalmente doce, alternava-se quando era preciso confrontar os vendilhões da justiça, quando todos os jardins da democracia corriam o risco de ser alvo de bombas atiradas pelos olhares fixos da repressão. Sua voz ecoou pelos corredores das prisões [...]" (Senador Pedro Simon).
Quando ele se tornou bispo emérito de Aparecida, veio a pergunta: O que o senhor vai fazer? Respondeu: "Sou um simples frade menor e vou fazer o que o meu provincial mandar, porque a obediência me torna livre".
Também nunca esquecemos sua palavra lúcida e segura, advertindo "oportuna e inoportunamente" (2Tm 4, 2), bem como sua voz mansa e corajosa em denunciar as injustiças e, sobretudo, sua ternura franciscana, nos leva a afirmar que Dom Aloísio, verdadeiramente, mora em nossos corações.
Por isso mesmo peçamos a Deus, que na sua infinita e inesgotável bondade, chamou Dom Helder e Dom Aloísio à missão de profetizar, que sempre os tenhamos como referência, nos iluminando e fazendo sempre mais compreender a indispensável força de sua graça, que quer nos tornar capacitados a fermentar este mundo em que vivemos na sua realidade cultural e social, que tanto desafia a humanidade.
(*) Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza e Pároco de Santo Afonso.
Fonte: twitter.com/pegeovane, de 22/09/2011.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016


Campanha da Fraternidade 2016 aposta no ecumenismo para o cuidado da ‘Casa Comum’

Por Cristina Fontenele
Lançada oficialmente nesta Quarta-Feira de Cinzas, 10 de fevereiro, no auditório Dom Helder Câmara, na sede da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], em Brasília, a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 traz como tema a "Casa Comum, nossa responsabilidade”. A Campanha está em sintonia com os discursos do Papa Francisco sobre a responsabilidade conjunta pela Casa Comum e utiliza o ecumenismo para unir forças em prol do direito ao saneamento básico e de políticas públicas que garantam o futuro do Planeta. 
Realizada pela CNBB e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), a cada cinco anos, a Campanha ocorre de forma ecumênica, agregando diferentes expressões religiosas. A primeira CFE foi organizada no ano 2000 e teve como tema "Dignidade humana e paz”. Em 2005, a segunda edição tratou de "Solidariedade e paz”; e, em 2010, o tema versou sobre "Economia e vida”.
Durante a entrevista coletiva para o lançamento da Campanha, Dom Flavio Irala, presidente do Conic, destacou que a iniciativa pretende mobilizar igrejas, sociedade e governo em torno da urgência do saneamento básico como um direito humano fundamental. Segundo ele, a Campanha, que vem sendo elaborada há pelo menos dois anos, enfrentou alguns desafios, como, por exemplo, uma atual conjuntura religiosa que nem sempre está aberta às questões ecumênicas. "No entanto, o Espírito Santo sopra quando e onde quer e ele soprou para que essa Campanha acontecesse”.
Em carta, lida na coletiva de imprensa, o Papa Francisco expressou sua adesão à Campanha. "Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus – ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho com vossa luz infinita”.
O Sumo Pontífice destacou ainda a importância do acesso à água potável como questão de sobrevivência. "Na encíclica Laudato Si’, recordei que o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para exercício dos outros direitos humanos; e que a grave dívida social para com os pobres parcialmente é saudada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres”. 

Números
Dados divulgados pela Campanha mostram que:
-·O Brasil é considerado campeão mundial em desperdício de água;
-·As empresas de abastecimento de água apresentam índices de perda de água tratada de até 60% (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE);
-·82% da população brasileira não têm acesso à água tratada (Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento Básico - 2013);
-·Mais de 100 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto;
-·39% dos esgotos são tratados;
-·Diariamente, são despejados na natureza o equivalente a 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento;
-·10,6% dos domicílios não são contemplados pelo serviço público de coleta de resíduos sólidos (PNAD/2013);
-·O Brasil está entre os 20 países do mundo nos quais as pessoas têm menos acesso aos banheiros;
-·Entre as principais consequências por falta de saneamento e água potável estão doenças como cólera, hepatite, febre tifóide, infecções intestinais. No mundo, uma criança morre a cada 2,5 minutos por não ter acesso à água potável.
-·Em 2013, ocorreram 340 mil internações por infecções gastrointestinais (DATASUS);
-·O Brasil gera aproximadamente 150 mil toneladas diárias de resíduos sólidos;
-·Cada pessoa gera, em média, 1 quilo de resíduos sólidos diariamente;
-·São Paulo gera entre 12 mil a 14 mil toneladas diárias de resíduos sólidos.
Fonte: Adital Notícias, em 10/02/2016.

quinta-feira, 12 de março de 2015

IGREJA E SOCIEDADE



Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald
A Campanha da Fraternidade de 2015 com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema “Eu vim para servir” será oficialmente lançada no dia 18 de fevereiro vindouro, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília. Este ano de 2015 a Igreja Católica celebra o 50º. Aniversário de encerramento do Concílio Vaticano II, sem dúvida o evento mais importante da Igreja no século 20.
A Igreja está aproveitando deste aniversário para voltar às grandes orientações da maior assembleia episcopal católica na sua história. Apesar do fato que um considerável número dos ensinamentos do Concílio Vaticano, ll foram postos em prática nos últimos 50 anos, ainda estão longe de serem plenamente aplicados. Por isso, a Campanha da Fraternidade deste ano vai abordar a relação Igreja-sociedade à luz da fé cristã e das orientações e diretrizes do Concílio Vaticano ll.
No início da segunda sessão do Concílio, o Papa Paulo Vl perguntou “Qual é a missão da Igreja”? Os dezesseis importantes documentos do Concílio, e especificamente as Constituições Pastorais “Lumen Gentium” (A luz dos Povos) e “Gaudium et spes” (A alegria e a esperança) tentam responder a pergunta do Sumo Pontífice.
Menciono “Gaudium et spes” porque no proémio do documento aborda “A Igreja no mundo de hoje”. Na introdução deste documento conciliar a condição do homem no mundo é analisada.
Na primeira parte do documento temas como os seguintes são abordados: a) a dignidade da pessoa humana; b) a comunidade humana; c) a atividade humana no mundo e o papel da Igreja no mundo contemporâneo. A segunda parte do documento analisa alguns problemas mais urgentes da sociedade. Entre os quais podemos citar: (I) a promoção e a dignidade do matrimônio e da família; (II) a promoção do progresso cultural; (III) a situação da cultura no mundo atual; (IV) alguns deveres mais urgentes dos cristãos com relação à cultura; (V) a vida econômico-social e o desenvolvimento econômico; (VI) alguns princípios diretores de toda a vida econômica-social; (VII) a vida da comunidade política; (VIII) a promoção da paz e da comunidade internacional etc.
A Campanha da Fraternidade de 2015 vai retomar essas ideias do Concílio Vaticano II e apresentá-las novamente à reflexão no contexto da realidade contemporânea brasileira. Por isso, o Objetivo Geral da Campanha da Fraternidade de 2015 é “Aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre Igreja e a Sociedade” e o lema “Eu vim para servir” (Mt 10,45) têm a intensão de inserir a Campanha da Fraternidade nas comemorações do Jubileu de Ouro do Concílio Vaticano ll.
O arcebispo de São Paulo, o cardeal Odilo Pedro Scherer, disse que “a promoção do verdadeiro espírito fraterno no convívio social é, sem dúvida, um importante serviço à sociedade”.
Brendan Coleman Mc Donald é padre redentorista e assessor da CNBB Reg. NE.
Fonte: O Povo, de 18/1/2015. Espiritualidade. p.14.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Hospital da Mulher recebe o nome de Zilda Arns




O Hospital da Mulher passará a ser denominado “Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann”. O plenário da Câmara Municipal aprovou o projeto de lei Nº 0020/2013 que dá a referida denominação ao equipamento de saúde pública do município de Fortaleza. A iniciativa, acolhida por todos os parlamentares, foi do presidente da Casa, Walter Cavalcante (PMDB).
A justificativa apresentada pelo vereador ressalta a necessidade de denominação do Hospital da Mulher, equipamento público importante para o atendimento de saúde da população feminina e que até a presente data ainda não havia sido denominado. “Achamos por bem alterarmos inclusive a denominação do próprio hospital, que passa a chamar-se de Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann”, ressaltou.
Para Walter Cavalcante, a escolha pelo nome da Dra. Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista, justifica-se pelo vasto currículo da homenageada na luta pelos direitos humanos e na defesa das pessoas carentes. “Ela doou a sua vida, literalmente, pela saúde dos mais necessitados”, destacou o propositor da homenagem.
DETALHE – O nome “Zilda Arns” foi uma ideia do professor e médico Marcelo Gurgel, repassada à presidência da Câmara Municipal. Demorou a aprovação, que saiu após boas cutucadas deste Blog e da Coluna Vertical do O POVO.

Fonte: Blog do Eliomar, de 10/12/14.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mensagem do Papa Francisco para a Campanha da Fraternidade 2014



Queridos brasileiros,
Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recordo a vitória da Páscoa: <<É para a liberdade que Cristo nos libertou>> (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: <>. Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõe este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.
Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! <> (Discurso aos novos Embaixadores, 12/XII/2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?
Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais... E isso – pasmem! A troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós:<< “Abbá, Pai!”>> (cf. Gal 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).
Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.
Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.
Francisco
Fonte: CNBB

Papa Francisco Envia Mensagem para a Campanha da Fraternidade 2014




Por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2014, que aborda o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" e o lema "É para a liberdade que Cristo isto nos libertou", o papa Francisco enviou mensagem aos bispos da CNBB e a todos os fiéis das dioceses, paróquias e comunidades do Brasil. No texto, o papa afirma que o tráfico de pessoas é uma “uma chaga social”.
“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano!”, destacou Francisco. 
Ao final da mensagem, Francisco concedeu bênção apostólica a todos os brasileiros desejando uma Quaresma de vida nova em Cristo.
Fonte: CNBB
 

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