Mostrando postagens com marcador Saúde da Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde da Família. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Gravidez precoce perpetua a pobreza e a falta de prioridade política

Por Sara Oliveira (*)

Em 2023, na sala de espera da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), lembro de entrevistar avó e mãe. A primeira com 47 anos, cinco filhos e dez netos. A segunda com 17 anos, sendo mãe pela primeira vez, depois de cuidar dos três filhos da irmã, de 20 anos. As dificuldades que eu, na época com 40 anos e dois filhos, comecei a narrar sobre a vida materna, se perderam em meio aos relatos daquelas duas mães.

O pai do bebê da adolescente estava preso, ela não havia terminado nem o ensino fundamental e quando perguntei sobre o futuro, a resposta foi "ainda não pensei". A avó, de pronto, reagiu: "Que futuro uma mãe que não trabalha pode dar ao filho? Porque eu trabalho para dar a ela, porque não tem quem dê. O pai foi só pra fazer".

Não se trata de um caso isolado. Uma em cada 23 meninas brasileiras entre 15 e 19 anos já teve um filho. Em mais de 49 mil partos, a mãe tinha entre 10 e 14 anos. Os números, embora já conhecidos, escancaram o resultado da carência de políticas públicas que amenizem as vulnerabilidades às quais meninas são expostas no Brasil.

Dados são de pesquisa da Universidade Federal de Pelotas, de 2020 a 2022, e consideram a taxa de fecundidade em 5,5 mil municípios brasileiros. Estudo exibe um recorte sócio-econômico alarmante: 69% dos municípios apresentaram índices de fecundidade acima do que seria esperado para um país de renda média-alta, que é a classificação econômica oficial do Brasil.

Cenário que destaca as desigualdades regionais e prova a relação direta entre gravidez precoce, pobreza, evasão escolar e falta de acesso a serviços públicos. Na região Norte, o índice de grávidas é de 77,1 nascimentos por mil meninas. No Sul, essa taxa é de 35.

Antes de engravidar, durante a gestação e depois de estar com o filho nos braços, essas jovens convivem com diversos e diferentes riscos sociais. São vítimas de abusos, estupros e violências. E como em todas as estatísticas que envolvem crimes sexuais e de violência contra mulheres, é preciso fazer a ressalva da subnotificação.

Em 2025, até julho, no Ceará, dos 1.019 crimes sexuais registrados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 80% tiveram como vítima crianças e adolescentes até 19 anos. Um total de 825 casos, dos quais, 85% foram contra crianças até 14 anos. Meninas que na grande maioria das vezes sofrem sem denunciar, engravidam sem ter direito a abortar e continuam a viver à margem dos direitos que deveriam lhes ser assistidos. Um ciclo geracional, afetado pela falta de assistência e oportunidade.

A gravidez precoce perpetua a pobreza e ratifica a falta de prioridade política. Tem impacto nos principais segmentos da sociedade: Saúde, Educação, Economia. Os números precisam incitar ações para que o futuro de meninas não seja mais violado.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/08/2025. Opinião. p.19.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

CONGELE O SEU FUTURO FÉRTIL

Por Evangelista Torquato (*)

Com tantas campanhas ao longo do ano, ainda encontramos aqueles que consideram a dificuldade de ter filhos um problema menor, que não merece espaço nas políticas de assistência e nos meios de comunicação. Na contramão desse pensamento, os dados mostram que olhar a saúde reprodutiva é urgente e inevitável.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou no último mês de abril um estudo que comprova um fato com o qual nos deparamos todos os dias no consultório: a infertilidade está aumentando. O relatório da OMS alerta que 1 em cada 6 pessoas será afetada pela infertilidade ao longo da vida. Trata-se de um importante problema de saúde pública, que atinge homens e mulheres em todo o mundo, sem distinção de classes sociais. O acesso aos tratamentos, por outro lado, continua desigual.

Aliado a isso, temos, no Brasil, uma diminuição da taxa de fecundidade, que é a medida de quantos filhos as mulheres têm ao longo da sua vida reprodutiva. Segundo dados do IBGE, em 1960, as brasileiras tinham em média 6,28 filhos. Em 2010, essa média caiu para 1,87. A estimativa é que a taxa de fecundidade atinja o patamar de 1,5 em 2030.

O número médio de filhos por mulher vem se reduzindo no Brasil por importantes mudanças culturais, com o aumento da escolaridade, a ampliação do acesso aos métodos contraceptivos e, principalmente, o protagonismo das mulheres no mercado de trabalho. Esses mesmos fatores as levaram a adiar a maternidade. No entanto, as mulheres têm uma reserva ovariana limitada, que vai caindo ao longo da vida reprodutiva.

Engravidar mais tarde impacta negativamente nas chances de gestação natural e no sucesso dos tratamentos de reprodução assistida. A única forma de preservar a fertilidade feminina, diante do tempo ou de um câncer, é o congelamento de óvulos.

Não há silêncio que não termine. Falaremos sobre a infertilidade. Alertaremos as mulheres que sua capacidade reprodutiva é finita e que há alternativas para preservá-la. E, sobretudo, buscaremos tornar a reprodução assistida mais democrática para todos (as). 

(*) Ginecologista com atuação em reprodução humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/09/2023. Opinião. p. 18.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

SAÚDE MENTAL DAS FAMÍLIAS PÓS-COVID

Por Marcelo Cavalcante (*)

Estamos iniciando mais um ano, momento oportuno para fazermos reflexões e planejarmos os próximos 365 dias. Janeiro também é conhecido como Janeiro Branco, um mês dedicado para avaliarmos nossa saúde mental. Além de propiciar melhor qualidade de vida, cuidar de nossa mente é o ponto de partida para qualquer projeto vitorioso.

No último mês de dezembro, a pandemia da Covid-19 completou três anos de seu primeiro caso. Confinamento, distanciamento social, trabalho domiciliar e suspensão das atividades escolares das crianças foram intervenções necessárias para evitar o rápido avanço da doença e reduzir o número de óbitos.

Além das sequelas físicas, conhecida como síndrome pós-Covid-19, as sequelas mentais são as mais preocupantes. Os estudos científicos começam a confirmar o que já estávamos testemunhando no nosso dia a dia: um aumento assustador no número de casos de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e dificuldades de aprendizado nas crianças.

A mudança na rotina das famílias contribuiu fortemente para a deterioração da saúde mental de seus integrantes. Durante a pandemia, foi observado aumento na violência contra a mulher e crescimento do número de divórcios e de brigas entre parentes, impactando, direta e indiretamente, na saúde mental de várias pessoas em um único ambiente familiar. Os danos para as famílias brasileiras foram além, com considerável redução do número de nascimentos durante o ano de 2021, estatística que também alcançou vários países da Europa e do mundo. O IBGE estimou que no Brasil, em 2020/2021, 300 mil bebês deixaram de nascer devido ao adiamento pelos casais, em virtude dos riscos da pandemia.

Felizmente, alguns indicadores começam a revelar uma recuperação da estrutura familiar. Em 2022, houve um crescimento importante do número de casais que desejam e buscam ajuda para engravidar. Além disso, algumas regiões dos Estados Unidos e Europa observaram um crescimento do número de nascimentos no ano de 2022.

Diante desse cenário positivo, é chegada a hora de zelar por nossa saúde mental e de nossa família. Afinal, a vida pede equilíbrio.

(*) Médico especialista em Reprodução Humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/01/2023. Opinião. p.18.


segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A PERDA GESTACIONAL E O SONHO DE SER MÃE

Por Evangelista Torquato (*)

O vínculo da mãe com o (a) seu/sua filho (a) nasce antes mesmo do (a) bebê sair de dentro da barriga. É uma relação construída por meio das sensações, das mudanças no corpo, da imaginação e dos planos. Por isso, a perda gestacional, ou seja, a perda do (a) filho (a) ainda na barriga, e a neonatal destroem tudo que é esperado pela ordem do ciclo vital. Interrompe um projeto de vida e a concretização de um sonho.

A gestação é um dos momentos mais aguardados pelas mulheres que sonham com a maternidade. No entanto, algumas têm esse projeto interrompido por complicações na gravidez. Entre as causas genéticas, a maior taxa de óbito neonatal ocorre quando o feto possui alterações no número ou na estrutura dos cromossomos, são as aneuploidias.

Essas alterações podem ser herdadas pelos pais, quando eles possuem uma alteração estrutural que neles não causam nada, mas que pode causar o desequilíbrio nos embriões. Por isso, a investigação genética é tão importante para que possamos orientar os (às) pacientes quanto ao risco de recorrência.

Além disso, é necessário preparar a mulher para a gravidez. Muitas vezes, o seu corpo não está pronto para a gestação e, dessa maneira, o bebê não encontra um ambiente intrauterino adequado para o seu desenvolvimento.

Outras situações também causam a perda gestacional, como causas imunológicas maternas, alterações anatômicas da cavidade uterina, causas infecciosas, ambientais, endocrinológica e hematológicas.

De modo geral, a principal maneira de prevenir tudo isso é por meio de um planejamento reprodutivo bem feito com consulta pré-concepcional e pré-natal para excluirmos todas as possibilidades de causa da perda neonatal.

Como profissionais, devemos buscar o conhecimento, o preparo e o olhar humanizado para essas perdas, que sabemos bem, não são fáceis. Ao enfrentar uma perda gestacional, o casal precisa saber que não está sozinho e que pode encontrar forças na família, nos (as) amigos (as), na equipe médica e em outras pessoas de sua confiança. Cada caso deve ser avaliado pelo (a) médico (a), que definirá com os envolvidos o momento ideal para tentar a próxima gestação. 

(*) Ginecologista com atuação em reprodução humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/11/2022. Opinião. p. 16.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

MORTE MATERNA AUMENTA E DEMANDA RESPOSTA

Por Astrid Bant (*)

No sistema de saúde brasileiro, uma realidade preocupa autoridades e profissionais da atenção obstétrica e da saúde das mulheres: a razão de mortalidade materna - que registra as mortes relacionadas a complicações no parto, gravidez e puerpério - alcançou patamares alarmantes, retrocedendo a índices de uma década atrás. Esse quadro oferece sérios obstáculos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no país.

Em 2021, a razão de mortalidade materna alcançou 107.53 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Isso significa que, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, 107 mulheres morreram, em média. Um aumento de 94% em relação ao período anterior à pandemia: em 2019, a razão era de 55.31 a cada 100 mil nascidos vivos. O aumento do número total de mortes maternas foi de 77% entre 2019 e 2021. As estatísticas do Ministério da Saúde foram mapeadas pelo Observatório Obstétrico Brasileiro.

No início da pandemia, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) chamou atenção para as dificuldades que o sistema de saúde materna enfrentaria, em virtude das interrupções de serviços essenciais. Mas o impacto acabou se provando significativamente maior do que esperávamos.

O enfrentamento à mortalidade materna tem sido, historicamente, uma importante missão do Estado brasileiro. Em 2015, quando a ONU propôs uma audaciosa agenda de desenvolvimento global, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Brasil estabeleceu a meta de reduzir a razão de morte materna, até 2030, a no máximo 30 a cada 100 mil nascidos vivos. A menos de oito anos do prazo final, as estatísticas ligam um aviso de preocupação.

Os números assustam, e devem assustar. Chegamos ao ponto em que não é possível ignorar esta realidade. É preciso agir agora e intensificar esforços para garantir que todas as mulheres, dos diversos perfis sociodemográficos, possam passar com segurança e dignidade pela gravidez e parto e que contem com todos os cuidados, informações e recursos relevantes. Isso passa por facilitar e garantir o acesso à atenção à saúde por mulheres afrodescendentes, em situação de pobreza, indígenas, população rural, entre outros grupos que enfrentam situações de vulnerabilidade social. Passa também pela plena imunização de gestantes, por garantir unidades de saúde equipadas, entre outras coisas. A vida das mulheres está em risco. Não há como esperar mais.

(*) Representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/10/22. Opinião, p.19.

terça-feira, 3 de maio de 2022

MAIS MÉDICOS X MÉDICOS PELO BRASIL

O programa "Mais Médicos" foi lançado em 8/7/2013 no Governo Dilma, com o suposto objetivo de suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades brasileiras, apoiado por dois eixos: o de fixar médicos, brasileiros ou estrangeiros, na rede pública de saúde de tais locais e o de ampliar a duração do curso de Medicina em dois anos, proposta que foi renunciada pelo próprio governo, diante do roldão de duras críticas suscitadas no País.

Os entraves burocráticos para absorção de médicos brasileiros, combinados com um possível desinteresse desses profissionais nacionais, ensejaram a viabilização de um plano, urdido nos gabinetes oficiais, de importação de médicos cubanos para prestação de serviços, o que já então se configurava uma das commodities da ilha caribenha, que alocou mais de onze mil cubanos dentre os cerca de dezoito mil inscritos no citado programa.

Quando Bolsonaro, o presidente recém-eleito, provocativamente, ameaçou alterar a forma de pagamento, passando diretamente aos médicos cubanos e excluindo a interveniência da Opas e do Governo cubano, Cuba anunciou, em 14/11/2018, por meio de nota divulgada pelo Ministério de Saúde do Brasil, a intempestiva saída do programa em comento.

Em 1º/08/2019, o Governo Bolsonaro lançou o programa "Médicos para o Brasil" em substituição ao "Mais Médicos", o qual somente agora, após um longo ciclo de transição, será, talvez, implementado em sua completitude.

Dentre as mudanças substantivas arroladas no "Médicos para o Brasil", figuram: Programa do Ministério da Saúde, operacionalizado por meio da Agência de Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (Adaps) com supervisão desse ministério; visa a atender prioritariamente aos vazios assistenciais do Brasil, com vagas em municípios de difícil provimento e alta vulnerabilidade, com descrição estabelecida em lei e maior concentração de vagas no Norte e Nordeste do País; e processo seletivo estruturado em que o médico selecionado, após especialização em medicina de família e comunidade, passa a ser contratado como celetista da Adaps com expectativa de progressão de carreira.

Espera-se que, para o bem do Brasil, esse novo programa seja um importante reforço à Estratégia Saúde da Família.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor titular de Saúde Pública da UECE

Fonte: Jornal O Povo, de 30/04/2022. Opinião. p.21.

terça-feira, 5 de abril de 2022

COVID-19 E SEUS IMPACTOS NA FERTILIDADE

Por Marcelo Cavalcante (*)

O início da pandemia da Covid-19, advertimos a comunidade científica sobre os possíveis impactos da infecção pelo novo coronavírus na fertilidade masculina e feminina. O alerta foi feito por meio de cartas enviadas às revistas científicas, The Journal of Maternal-Fetal & Neonatal Medicine e Molecular Human Reproduction.

A preocupação era devido à capacidade do Sars-CoV- 2 provocar infecções nos testículos e ovários, além do histórico de casos de infertilidade relatados durante surtos infecciosos de outros tipos de coronavírus.

Diante dessas incertezas e dos riscos de complicações da Covid-19 para as gestantes, a Anvisa recomendou que os centros de reprodução assistida suspendessem os tratamentos de fertilização in vitro em casais com dificuldades para engravidar.

Na primeira onda da Covid-19, os estudos não observaram risco elevado de abortamento espontâneo ou de malformações fetais em gestantes acometidas pela doença. Dessa forma, no segundo semestre de 2020, houve o retorno gradativo desses tratamentos.

Em relação ao impacto da Covid-19 na fertilidade, um estudo publicado já em 2022 pela Universidade de Boston, observou que a infecção pelo Sars-CoV-2 provoca uma redução transitória na fertilidade masculina, sem nenhum impacto na fertilidade feminina.

O efeito da vacinação contra a Covid-19 na fertilidade é outra preocupação dos casais que desejam engravidar ou estão em tratamento para infertilidade. Tentantes e gestantes apresentam contraindicações para algumas vacinas que compõe o calendário vacinal de adultos, em especial as que são preparadas a partir de vírus vivos e atenuados.

Hoje, as vacinas disponíveis comercialmente contra Covid-19 são elaboradas a partir de vírus inativado, vetor viral ou RNA mensageiro. Esse estudo também observou que a vacinação dos tentantes não teve impacto negativo na fertilidade masculina ou feminina.

Assim, diante da segurança atestada pelas evidências atuais e dos riscos de complicações da infecção da Sars-CoV-2 à saúde das futuras gestantes, recomenda-se que as tentantes mantenham o esquema de vacinação para Covid-19 atualizado.

(*) Médico especialista em Reprodução Humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/03/2022. Opinião. p.18.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

COVID-19, a situação de gestantes e vacinas

Por Ricardo Martins (*)

Muitas gestantes têm me procurado para saber se elas podem se vacinar e se é seguro. Desde o mês de julho deste ano, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação de gestantes e puérperas - ou seja, aquelas que deram à luz há pouco tempo - com os imunizantes contra a covid-19.

O grupo foi incorporado ao Plano Nacional de Imunizações (PNI) e foram previstas mais de 2,5 milhões de mulheres imunizadas. O cenário agora é de liberação dessas aplicações em gestantes com e sem alguma(s) comorbidade(s).

Isso somente ocorreu após análises técnicas, avaliações e debates por parte dos pesquisadores levando em conta os dados epidemiológicos.

Com as informações atuais já sabemos que o coronavírus e suas variantes podem causar formas mais graves da Covid-19 em gestantes, por isso, esse grupo é considerado de risco. Esse é mais um motivo para as futuras mamães ficarem atentas para buscar a proteção que elas e os seus bebês precisam.

O Ministério da Saúde, no entanto, orienta que em grávidas sejam aplicadas somente doses dos imunizantes da Pfizer e da CoronaVac, pois essas não possuem o chamado vetor viral. Enquanto que as vacinas da AstraZeneca e da Janssen utilizam essa tecnologia, sendo assim, são excluídas do plano de vacinação de gestantes e puérperas.

É necessário dizer que as pesquisas sobre a Covid-19 estão avançando cada vez mais em busca de uma proteção mais efetiva e que as vacinas existentes já fazem um bom trabalho quanto à imunização. 

No caso daquelas grávidas que, por algum motivo específico, tenham tomado a primeira dose da AstraZeneca, o Ministério da Saúde recomenda que aguardem o momento da passagem do período puerpério para que estejam habilitadas e recebam a segunda dose da vacina.

Vale ainda ressaltar que não se deve combinar doses de vacinas diferentes e que as normas de higiene e biossegurança contra o vírus da Covid-19 devem ser mantidas.

Reforço a enorme importância de tomar todas as doses recomendadas do imunizante, dessa forma você protege a sua vida, do seu filho e de muitas outras pessoas. Vacinas salvam.

(*) Ginecologista e obstetra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/10/2021. Opinião. p.22.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

A PANDEMIA E OS RISCOS ÀS GRÁVIDAS E ÀS PUÉRPERAS

Por Liduína Leite (*)

Quando pensamos em gravidez, surgem inicialmente - construção cultural e historica - ideias de felicidade e plenitude. Pouco se dialoga sobre como nós, mulheres, significamos as mudanças ou sobre as gestações não planejadas (que são cerca de 60%!). Dada a radicalidade das mudanças, essa deveria ser uma escolha consciente. Para isso são fundamentais políticas públicas que garantam o respeito aos direitos reprodutivos, incluindo espaço seguro e adequado à assistência ao pré-natal, parto e puerpério.

Gestar e parir em meio à pandemia, no Brasil das mais de 500 mil mortes por Covid-19, nos traz ansiedade, dúvidas e medo - da perda de um filho e da própria morte. Antes da pandemia pela Covid-19 no Brasil, tínhamos poucos registros de mortes maternas (na gravidez e até 42 dias após o parto).

Infelizmente a realidade brasileira, especialmente por falta de políticas públicas corretas pelo Governo Federal, trouxe respostas angustiantes.

Gestantes e puérperas com Covid-19 têm maior chance de desfechos obstétricos ruins: mais partos prematuros, quadros hipertensivos, hemorragias, eventos tromboembólicos. Mulheres infectadas pelo coronavírus têm maior risco de quadros graves, internação e morte.

A Covid-19 se tornou a principal causa de morte materna no Brasil, ultrapassando as causas diretamente relacionadas à gestação. Em 2021, responde por cerca de 59% dos óbitos no Ceará.

Em abril deste ano, a Rede Feminista de Ginecologia e Obstetrícia fez um chamado à ação por políticas públicas para grávidas e puérperas no Brasil, incluindo acesso a métodos contraceptivos, distribuição de máscaras PFF-2, afastamento das gestantes das atividades laborais presenciais, Acesso ao pré-natal com qualidade, renda mínima justa para as gestantes sem trabalho formal e ampla testagem das grávidas, com testes moleculares, na admissão em maternidade, para as grávidas sintomáticas e seus contatos. Garantia de internação em UTI com acompanhamento obstétrico de qualidade, 24h, prioridade para vacinação de gestantes e puérperas, com ou sem riscos obstétricos.

Que a gravidez seja uma escolha consciente, que o pré-natal de qualidade seja uma realidade, que o parto respeitoso seja uma cultura, que a gente não tenha que chorar tantas mortes evitáveis. Que o futuro seja a vida. 

(*) Médica ginecologista e obstetra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/7/2021. Opinião. p.19.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

O AVANÇO DA VACINA PARA GESTANTES

Por Daniel Diógenes (*)

Duas notícias excelentes para gestantes foram divulgadas nas últimas semanas. A primeira é que a Pfeizer e a BionTech iniciaram os testes de vacinas contra o coronavírus em 4 mil grávidas.

Esse é o primeiro passo para termos resultados consistentes nos efeitos da vacina para esse grupo. A outra é que pelo menos 240 grávidas em São Paulo estão entre as voluntárias dos testes dos laboratórios internacionais.

Os fatos vêm como uma luz em tempos tão obscuros, principalmente para elas, que ainda seguem como grupo exilado da imunização emergencial que acontece no país.

Por enquanto, elas ainda aguardam do Ministério da Saúde, um posicionamento sobre inclusão nos grupos prioritários (afinal estamos falando de duas vidas - mãe e filho), ou o desenvolvimento de uma campanha nacional que realmente traga segurança, não só a elas, mas a todos os brasileiros.

Das que receberam as doses do imunizante, estas eram profissionais de saúde na linha de frente do combate contra o coronavírus.

Enquanto isso, as 240 mulheres iniciam a participação nos testes em abril e se unem a outros voluntários de 20 países. Os teste devem acompanhar mães e filhos, após o nascimento, por dois anos para coletar dados, inclusive sobre a imunização de mãe para filho, ainda no útero.

Mesmo apesar da falta de resultados oficiais sobre o impacto da vacina em mulheres grávidas, é suficiente dizer que elas estarão seguras quando a liberação ocorrer - o que deve acontecer ainda esse ano.

Isso porque vale lembrar que a tecnologia usada, por exemplo, pela coronavac, já é uma velha conhecida nossa - com o uso do vírus inativo - mesma formulação já aplicada nas vacinas contra a influenza e aplicada nas campanhas nacionais de vacinação.

Para as gestantes, é importante que haja uma conversa com seu médico. A orientação é que façam avaliações individuais, a partir do momento que as vacinas estiverem aprovadas para elas.

A decisão entre o médico e a paciente deve considerar vários fatores para se chegar à conclusão de que os benefícios sobrepõem potenciais riscos. 

(*) Médico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/3/2021. Opinião. p.16.


terça-feira, 24 de setembro de 2019

MÉDICO DA FAMÍLIA CEARÁ: em busca da satisfação dos usuários


Por Salustiano Pessoa (*)
Em dezembro de 2018 a Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE) foi consultada, pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Fortaleza, sobre a possibilidade de viabilizar o projeto de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde na capital cearense. Idealizado pela a Prefeitura de Fortaleza com objetivo de ampliar a assistência médica nas Unidades de Atenção Primária à Saúde - UAPS e suprir a lacuna deixada pela saída dos profissionais do Programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde, o projeto foi abraçado pelo o Governo do Estado, que ofereceu total apoio para implementação, visto que o mesmo está alinhado ao Plano de Governo Ceará Saudável.
A Escola, por sua vez, iniciou um estudo de cenário da assistência básica do Estado, pontuando suas necessidades e oportunidades de melhoria. Verificou-se que a ideia proposta era plenamente possível de ser implementada e que algumas medidas de aperfeiçoamento precisariam ser adotadas. Teríamos que fazer algo realmente inovador. Seria o passo inicial para prover, em um espaço de 10 anos, avanços significativos na Atenção Primária à Saúde em nosso estado.
Promulgada a lei nº 16.702, no dia 20 de dezembro de 2018, a ESP/CE iniciou o desenvolvimento do projeto, genuinamente cearense, realizado por muitas mãos e com participação ativa e colaborativa da Secretaria da Saúde do Estado e do Município de Fortaleza.
Para consecução do projeto, foi regulamentado o programa Médico da Família Ceará por meio do decreto nº 33.018, no dia 18 de março de 2019, com as diretrizes de atuação do programa e a criação do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Atenção Primária à Saúde (APS). O Programa é singular e traz como meta o atendimento a um milhão de pacientes na Capital, no período de um ano, por meio de 140 novos médicos discentes, em formação, e 50 médicos docentes especialistas que atuarão na formação e supervisão dos alunos. O objetivo é alcançar 100% de satisfação dos usuários dos serviços de saúde do Estado.
As perspectivas são alvissareiras. Esperamos que o desempenho dos profissionais em treinamento transcorra dentro do planejado, e que, com a adesão de outras prefeituras, se consiga ampliar e capilarizar, em todo o estado, não só o programa para médicos, mas também para os demais profissionais da área de saúde. 
(*) Médico. Professor de Cirurgia Plástica da UFC. Superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/09/2019. Opinião. p.21.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

IPREDE: orgulho do Ceará


Por Antônio Vasques (*)
Impossível não ficar emocionado após visita ao Iprede, instituição dedicada ao atendimento da primeira infância (crianças até 6 anos) e suas famílias. Este depoimento, baseado em textos retirados de sua home-page, relata nosso sentimento de orgulho cearense ao conhecer o trabalho desenvolvido pelo abnegado médico Sulivan Mota e equipe.
Fundado em 1986 como Instituto de Prevenção da Desnutrição e da Excepcionalidade, começou sua trajetória histórica em consonância com a necessidade de prevenir e tratar crianças com desnutrição infantil até a atualidade de investimento na primeira infância, passando a denominar-se Instituto da Primeira Infância.
Na década de 1980 no Estado do Ceará havia uma realidade onde apenas 100 crianças em cada mil nascidas tinham possibilidade de alcançar um ano de idade e onde 30% das crianças desnutridas tinham sequelas de crescimento. Passados os anos a situação mudou bastante, o índice de desnutrição infantil é residual, entre 6% e 7% e taxa de mortalidade abaixo de 20 por cada mil nascidos, provocando que a instituição evoluísse na sua missão.
O Instituto desenvolve programas, projetos e serviços em articulação com os diversos setores da sociedade, com fins públicos, foco na nutrição e desenvolvimento na primeira infância, bem como trabalha na geração e disseminação de conhecimentos técnico-científicos, em parceria com universidades de destaque mundial como Harvard, Quebec e USP.
Funcionando no bairro Cidade dos Funcionários em sede própria com mais de 5.000 m², durante o ano de 2017 foram realizados 19.188 atendimentos a crianças e seus familiares, com média mensal de 1.000 crianças. Os atendimentos estão distribuídos nos programas institucionais: Programa de Acolhimento e Atenção Psicossocial a Família, Programa de Desenvolvimento na Primeira Infância e Programa de Atenção a Mulher.
O Iprede impressiona pelo envolvimento de sua equipe com o objetivo de cuidar de nosso futuro. De nossas crianças. Por isso é motivo de orgulho para os cearenses que, como eu, tiveram a oportunidade de conhecer seu magnífico trabalho.
(*) Professor da Uece. Pós-Doutor em Educação.
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 5/2/19. p.16.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

SAÚDE DA FAMÍLIA: do Brasil para o mundo


Ivana Barreto (*)
Foi no lapso de tempo dos últimos 31 anos que ocorreu a institucionalização dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), nacionalizados em 1991 por meio do Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS- Ministério da Saúde). Os ACS efetivaram o acesso de milhões de brasileiros às tecnologias em saúde já existentes como imunizações e sais de reidratação oral, mas que não chegavam ao povo em virtude do vazio assistencial então existente no semiárido nordestino e em outras regiões do Brasil. Em dezembro de 1993, foi implantada a 1ª equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) em Quixadá-CE.
Passados 31 anos da institucionalização do PACS, a ESF, no Brasil, abrange 48.605 equipes e 270.867 ACS. No Ceará, tem-se 2.458 equipes e 14.788 ACS, estando presente em 97,5% dos municípios brasileiros e atendendo cerca de 146 milhões de pessoas, 70,2% da população, segundo o Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde.
São estas e outras questões que serão abordadas no 1º Encontro Nordeste de Saúde da Família, de 13 a 15 deste mês, em Fortaleza, cuja necessidade presente na alma de cerca de 40 mil profissionais de saúde do Ceará, fizeram com que estes aderissem massivamente. O evento reunirá 5.367 participantes que dialogarão sobre 1.316 pesquisas e experiências de trabalho desenvolvidas na ESF do Nordeste.
O 1º Enesf oportunizará o compartilhamento de experiências e de resultados de pesquisa, catalisando a formação de redes colaborativas e comunidades de prática. Será um momento também em que os trabalhadores se posicionarão frente à política de austeridade imposta pela EC 95/2016 que congela os recursos para saúde por 20 anos, inviabilizando a atenção universal e integral a uma população que envelhece rapidamente.
Nada mais forte que uma ideia quando seu tempo chegou. O tempo de construir a Estratégia Saúde da Família está mais presente do que nunca. Só uma rede de saúde capilar e baseada no princípio da promoção da saúde poderá ser capaz de, junto com as políticas de promoção do trabalho, educação, moradia, cultura, esporte, lazer, meio ambiente e segurança, efetivamente contribuir para superação dos complexos problemas de nossa população no século XXI.
(*) Pesquisadora especialista em Saúde Pública – Fiocruz/Ceará.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/06/2018. Opinião. p.20.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

CHUVA & SANGUE


Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
Aconteceu há uns 36 anos na Assistência Municipal, ou Instituto José Frota, hoje, Frotão. Àquela época, quaisquer doenças ou desconfortos, simples ou graves, agudos ou crônicos exacerbados levavam para aquele pronto–socorro doentes de Fortaleza, e até de estados vizinhos. Os plantões tornavam-se assim verdadeiros cursos de medicina de urgência, ou, quando menos prementes, de cuidados emergenciais. Sobressaiam os traumatismos em geral, as facadas, as lesões por armas de fogo, os vômitos c/s dores abdominais por colecistite (inflamação de vesícula biliar), pancreatite, e apendicite, esta ilustrando 50% dos casos do chamado abdome agudo. As obstruções intestinais de natureza variada. O edema súbito dos pulmões, a insuficiência coronariana abrupta (infarto ou enfarte do miocárdio), os acidentes encefálicos, como o vascular cerebral, as crises instantes (subitâneas) de asma, anginas do peito (dor torácica precordial e do ombro esquerdo) ou orofaringeanas.
Lá também registravam-se os abscessos, as histerias, estas neuroses com manifestações corporais sem causas aparentes, equivalentes ao chamado pitiatismo, ou pit. São de pronta resolução com aspiração de amoníaco, ou “flor de maçã” como se diz no jargão dos médicos socorristas. Eventualmente lá compareciam casos de tétano, “dordolho”, e até “Tunga penetrans”, ou “bicho – de – pé” (na minha experiência nesses anos lembro-me bem destes exemplos).
Transcorria tranquilo aquele expediente noturno. Chovia. Pelas 3h30 da madrugada o cirurgião foi acordado do seu leve cochilo para atender a uma moreninha trazida pela ambulância. Desfalecida, suando em profusão, extremamente pálida, apresentava pressão arterial diastólica (a mínima) de 4mmHg. A anamnese (história clínica) recente sugeria prenhez ectópica rota, i.e., gravidez desenvolvendo-se fora do útero (numa trompa), portanto rompida, sangrando profusamente.
A punção do fundo de saco reto – vaginal corroborou o diagnóstico. Impunha-se a laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal) imediata. Acordando, o anestesista contraindicou a operação alegando a baixa pressão arterial. Enquanto o sangue jorrava no abdome da moribunda, ao telefone instamos com os dois chefes do bocejante anestesista, os quais contudo não conseguiram demove-lo de tão temerária hesitação. Resolvi então operar com anestesia local (sinalgan). Durante a aspiração do copioso sangramento abdominal, subitamente faltou energia elétrica. Contudo, sob a luz de duas lanternas, conseguimos descobrir a artéria culpada. Deus ainda não queria aquela paciente de volta. Pinçado e ligado aquele vaso, fechamos a doente, concluindo a operação.
Anos depois, umas das copeiras da Santa Casa da Misericórdia me indagou o nome e recordamos aquele incidente. Era a mesma moreninha daquela noite de chuva e sangue. Quanto ao anestesista, há muito tornara-se-me ultra disponível, solícito, após termos lhe operado da fimose (postectomia, ou circuncisão), assim preparando seu enxoval de noivo. Ao que parece, curei-o também da “paresse”, como dizem os franceses!
(*) Médico, ex-presidente e atual secretário geral da Academia Cearense de Letras.
Fonte: O Povo, Opinião, de 29/4/2015. p.8.

terça-feira, 3 de março de 2015

DR. GALBA ARAÚJO - um legado



Antero Coelho Neto (*)
De 5 a 7 de março será realizado, em Fortaleza, o importante evento “Congresso Sobre Trabalho de Parto e Seus Desafios Clínicos”. Nele será prestada homenagem ao nosso inesquecível médico obstetra, Galba Araújo (José Galba de Araújo, nascido em Sobral, 1917) através de palestras por seus ex-auxiliares e amigos, Antero Coelho Neto, Silvia Bonfim Hipólito e José Málbio Rolim ; por seus filhos médicos Beatrice Madrazo e Galba Araújo Filho e um banner por sua filha Terry Kay Araújo, com ilustrações de seus momentos de valorização. Galba tem vasto currículo, onde se destacam graduação na Bahia com residência e pós-graduação nos EUA, e títulos de desenvolvimento técnico e científico, mas, muito mais do que isso, para todos nós, o seu grande espírito de médico, onde a obstetrícia humanizada se destacava.
Para ele, o parto era ato de “amor-maior” que envolvia a família, a parteira ou o parteiro e o ambiente. Em 1975, como diretor da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), verificou que grande número de parturientes do interior do Estado procurava a maternidade acompanhadas por parteiras empíricas ou tradicionais. Criou então o Programa Comunitário de Saúde Familiar, com o treinamento das parteiras, para o parto normal domiciliar e a identificação das gestantes de alto risco, através de trabalhoso e difícil mecanismo de convencimento ao público, aos políticos, autoridades e, principalmente, à classe médica. Começou a agir e a tentar convencer a muitos de suas verdades, seus princípios e intenções. Guaiúba e Lagoa-Redonda ficaram famosas pelos êxitos alcançados no início de suas atividades.
O sucesso do programa tornou-se reconhecido e autoridades de diferentes comunidades carentes passaram a procurar o dr.Galba. Desejavam participar do programa e, ao longo de algum tempo, dezenas de pequenas maternidades e casas-de-parto surgiram em consórcio com as comunidades e prefeituras. Centenas de parteiras foram treinadas e capacitadas para o atendimento ao parto normal.
Em 1980, verificando a necessidade de ações médicas complementares, o ajudamos na criação do Paps (Programa de Atenção Primária de Saúde), e conseguimos o financiamento da Fundação Kellogg podendo, então, estender as atividades para outras áreas de maneira lenta, eficiente e constante. O programa passou a ser denominado Proais (Programa de Ações Integradas de Saúde) tendo se desenvolvido com projeção internacional até 1985, quando Galba faleceu.
Sua visão era maior do que a de uma obstetrícia humanizada mas, a de toda uma medicina humanizada. A realização desse congresso internacional, depois de tantos anos, reafirma a importância da humanização da obstetrícia, tão bem aplicada pela Meac. E, neste momento, quando o Ministério da Saúde aprova o indicado pela OMS sobre parto normal, torna-se necessário, pelo seu aspecto humano e técnico, destacar o legado de Galba Araújo.
Fonte: O Povo, Opinião, de 25/2/2015. p.8.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Defesa de Dissertação em Saúde da Família (UECE) de Roberta Alves Sousa


Ocorreu na tarde de terça-feira (2/09/14), na Universidade Estadual do Ceará, a defesa da dissertação do Mestrado Profissional em Saúde da Família (MPSF/Renasf) da Universidade Estadual do Ceará. A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Mônica Cardoso Façanha, Ana Valeska Siebra e Silva e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, aprovou a Dissertação “Baixa detecção da tuberculose na Estratégia Saúde Família em Itapipoca-CE”, apresentada pela mestranda ROBERTA ALVES SOUSA, nossa orientada.

Com essa conclusão, completamos 40 (quarenta) orientados de mestrado.

 
 

Flagrante da banca com a mestranda, logo após a defesa da dissertação da Enfa. Roberta Alves Sousa. Roberta está ladeada pelos professores Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à direita, e por Ana Valeska Siebra e Silva e Mônica Cardoso Façanha, à esquerda.
(Fotos cedidas por Roberta).
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da Uece

 

domingo, 28 de abril de 2013

Exame de Qualificação em Saúde da Família (UECE) de Roberta Alves Sousa

Flagrante da banca com a mestranda, logo após o Exame de Qualificação da Enfa. Roberta Alves Sousa. Roberta está ladeada pelos professores Mônica Cardoso Façanha e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à direita, e por Ana Valeska Siebra e Silva, à esquerda.
(Foto cedida por Roberta).


Ocorreu na manhã de sexta-feira (26/04/13), na Universidade Estadual do Ceará, o Exame de Qualificação do Mestrado Profissional em Saúde da Família (MPSF/Renasf) da Universidade Estadual do Ceará. A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Mônica Cardoso Façanha, Ana Valeska Siebra e Silva e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, aprovou o Projeto da Dissertação “Baixa detecção da tuberculose na Estratégia Saúde Família em Itapipoca-CE”, apresentada pela mestranda ROBERTA ALVES SOUSA, nossa orientada.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da Uece
 

Free Blog Counter
Poker Blog