sábado, 27 de agosto de 2016

MELHOR IDADE



Por Ruy Castro (*)
Melhor idade é a puta que te pariu – a melhor idade é de 18 aos 40 anos… A voz em Congonhas anunciou: "Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.". Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade" – algo entre os 60 anos e a proximidade da morte.
Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.
Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.
Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.
Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo (que têm os dedos ligados por uma membrana) da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: "Voltando da farra, Ruy?".
Respondi, eufórico: "Que nada! Estou voltando da farmácia!". E esta, de fato, é uma grande vantagem da "melhor idade": você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.
Primeiro, a aposentadoria é pouca, quase uma esmola, e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.
Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te veja e por caridade pare o veículo e espere pacientemente você subir antes de arrancar com rapidez como costumam fazer.
No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo:
– "Sou deficiente".
O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou:
– "Que deficiência você tem?"
– "Sou broxa!"
Ele deu uma gargalhada e eu entrei.
Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo… Eu disse bem baixinho para uma delas:
– "Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não", foi só para viajar de graça.
Bem… fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.
Subi na pedra e pensei em cumprir o ritual que costuma ser feito pelos mais jovens no local. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?
Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: "Dá a mão aqui, senhor!!!"
Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.
Sentar na pedra e olhar a paisagem era tudo o que eu queria naquele momento.
É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora.
Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.
Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:
– "O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair."
Resmungo entre dentes: … "só se cair em cima da sua mãe"… mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.
Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e nada do por do sol.
Vou pensando – enquanto desço e o sol não – "Volto de metrô é mais rápido…"
Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.
Olha sério para mim, segura a roleta e diz:
– "O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem."
A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.
Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos… Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega… Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam… Desisti… lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava… Me senti o máximo.
Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.
Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.
É agora…
Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:
– "O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?"
Melhor Idade ??? – Melhor idade é a puta que te pariu!

(*) Ruy Castro é escritor e jornalista, trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e de São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.
Fonte: Internet. (Circulando por e-mail).

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Agosto/2016

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de AGOSTO/2016, que será realizada HOJE (27/08/2016), às 18h30min, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CLÁSSICO E JOVEM



Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Sei que as gerações mais jovens fazem “brincadeiras” com tudo e de todos, para logo se acomodar e enxergar os verdadeiros valores da humanidade. O Papiro de Erbs (documento egípcio descoberto, em 1873, pelo egiptólogo alemão Georg Erbs escrito há mais de 1500 anos a.C.) já falava na rebelião da juventude e das suas revoltas contra os costumes da geração precedente. Apesar de lamentar tais arroubos juvenis, sem eles perderíamos o direito de ser avós.
Razão possuía Marcel Proust (1871-1922), quando afirma na novela ‘A Prisioneira’:
Quando passamos de uma certa idade, a alma da criança que fomos e a alma dos mortos de quem saímos vêm jogar-nos à mão-cheia suas riquezas e os maus fados, pretendendo cooperar nos novos sentimentos que experimentamos e, nos quais, apagando-lhes as antigas efígies, os refundem numa criação original.
Retorno ao título desta crônica, que é sobre a importância da Literatura e das suas obras consideradas clássicas. Alguns, mais irônicos, dizem do livro clássico ser um título que se elogia, cita-se com frequência, mas não se lê. Será isso verdade? Bem sei que a vida moderna não deixa tempo para a leitura de livros tipo compêndio. Tornamo-nos por demais práticos.
Leia caro leitor, o que encontrei eu um sítio muito popular da Internet que deletei sem querer.
Leon Tolstoi: Guerra e Paz. Paris, Ed. Chartreuse. 300 páginas.
Resumo: - Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.
Marcel Proust: À La Recherche du Temps Perdu. (Em Busca do Tempo Perdido) Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.
Resumo: - Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque.
Gustave Flaubert: Madame Bovary. 778 páginas
Resumo: - Uma dona de casa insatisfeita põe chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim
William Shakespeare: Romeo and Juliet. Londres Oxford Press. 685 páginas
Resumo: - Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma ideia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.  Fim.
William Shakespeare: Hamlet. Londres, Oxford Press. 950 páginas.
Resumo: - Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto, suicida-se ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelos irmãos da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.
Sófocles: Édipo-Rei - tragédia grega. Várias edições. 105 páginas.
Resumo: - Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a Psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, arranca-lhe os olhos da cara em cada consulta. Fim.
William Shakespeare: Othelo. 750 páginas.
Resumo: - Um rei otário, tremendo zé ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro.  O zé mané acredita e mata a rainha. Depois, descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.
Mas, como não posso fugir dessas minhas ideias sedimentadas pela experiência, aconselho os jovens a lerem os clássicos, pois é neles que descobrimos o que há de moderno. A literatura clássica está em situação mais confortável que os novos títulos, já superaram a barreira do Tempo, quando foram escritas. São sempre atuais.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A PRAÇA DO BETO STUDART


Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
É a antiga Praça das Flores, renomeada (15/5/2016) Praça Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, pai daquele. É bem que tenha sido assim. As flores, embora marcessíveis (pois murcham) não precisam ser regadas para delas nos lembrarmos, seu aroma quedando-se no ar. Tal não acontece com as pessoas, muita vez olvidadas pela posteridade esquecediça, e desdenhosa. O dr. Carlos Alberto Studart foi uma das figuras solares da pneumologia (pulmões) entre nós.
Por 39 anos (1944-1983), dirigiu com zelo e clarividência o então Sanatório de Messejana, habilitando nosso Estado para acudir ao crescimento epidemiológico das cardiopatias vasculares no Brasil. Em agosto, no Norte e Nordeste brasileiros, 1970, foi ali realizada, com precedência, a primeira operação cardíaca com circulação extracorpórea para transplante. Naturalmente, com justiça, essa casa de saúde – hoje de referência nacional – foi reconhecida com o augusto nome de Hospital (de Messejana) Dr. Carlos Alberto Studart Gomes. Dele podemos afirmar, em verdade, ter sido qual flor amarantina, imarcessível, que não feneceu (murchou) como diziam os gregos. Justíssimas, portanto, todas estas homenagens.
Como salientamos no O POVO em 9/x/2013 (“Mais Brasil para os médicos”), ali, já em 2009, seus cirurgiões cardíacos, liderados pelo dr. Juan Mejia conseguiram o pronto apoio financeiro do empresário Jorge Alberto Vieira Studart Gomes (da BSPar) para a fabricação do primeiro coração artificial brasileiro, antecipando-se aos paulistas (USP) em três anos. Foi dessarte desenvolvida em nossas plagas, o Ax-Tide, originalíssimo coração mecânico a ser usado como prótese temporária até o transplante. Tudo bancado, nacionalmente, sem insumos outros, pela Studheart Technologies, a qual, até àquela data, já havia investido R$ 6 milhões.
Diferentemente do badalado engodo lulopetista, este, sim, é mais Brasil para os médicos, outra ferramenta terapêutica, e não demagogicamente lido ao contrário. Vale aqui salientado que – pelos padrões internacionais – nós temos médicos suficientes. Faltam-lhes, contudo, estetoscópios, tensiômetros, películas de raios X, até gaze, esparadrapo. Aliás, em 2012, o Brasil deixou de aplicar R$ 17 bilhões na saúde! E esta só conta oficialmente com R$ 2/dia/pessoa!
Deduz-se dali outro exemplo edificante do espírito humanitário e fraterno do amigo Beto Studart, um dos faróis do empreendedorismo no Ceará. Ocorreram-me estas considerações há pouco, manhãzinha cedo, ao contornar aerobicamente não mais outro malcuidado logradouro público, mas uma praça nova, civilizada, praça do povo, como o céu é do condor, com pombos arrulhantes e ronronantes gatos. Parabéns! Nossos corações agradecem. É assim que deve caminhar a humanidade. 
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, Opinião, de 27/7/2016. p.10.

Pedro Henrique Saraiva Leão

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Idoso morre durante o sexo e fica 'grudado' em prostituta


(Foto: Reprodução/LiveLeak)
Redação RedeTV!
Uma prostituta teve de passar por intervenção cirúrgica após ficar 'grudada' em um cliente que morreu durante a relação sexual. As informações são do Metro.
De acordo com o jornal britânico, acredita-se que o caso tenha acontecido na China, já que imagens publicadas no site Miaopai - a versão chinesa do YouTube - mostram o casal sendo retirado em uma maca.
As circunstâncias da morte não ficaram claras. Ambos foram levados ao hospital onde a mulher teria sido 'separada' do homem.
Casos como esse seriam possíveis devido a uma rara situação conhecida como "penis captivus", quando a contração dos músculos vaginais acabam 'prendendo' o pênis do parceiro.
Fonte: RedeTV! / UOL Notícias, de 4/2/2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

NINGUÉM ESCREVE POIS QUE QUER...


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
O verdadeiro escritor vale pelo sentimento que consegue transmitir ao leitor. Por mais que domine o vocabulário, a gramática e a beleza das frases, se não transmitir sensibilidade não estará produzindo Literatura.
Acredito que a história da vida de uma pessoa não possa ser escrita por ela nem por outrem. Apesar de a maioria dos biógrafos tentar explicar uma pessoa por meio de fatos da vida do biografado, na verdade é o contrário. A partir da obra é que se pode contar a história de uma Vida.
Para o leitor, à primeira vista, poderá parecer que o que escrevo não passa de um amontoado de alíneas, sem continuidade. Estou imitando a vida como ela é, atemporal como nosso inconsciente.
Graciliano Ramos, em seu livro ‘Linhas Tortas’, diz: A frase é reles clichê perfeito, chavão repetido mil vezes em versinhos alambicados de poetas de meia-tigela. Com todo o respeito e admiração pelo exemplo da vida e obra literária desse alagoano ilustre, não vou me importar se alguém me tachar de mais um produtor de clicherias literárias... ou assemelhado.
Dia desses, relendo João Guimarães Rosa — Grandes Sertões: Veredas, deparei-me com estas linhas: Ser escritor é “ser” um difusor de ideias, semeador de transformações, mas nem por isso (permita-me acrescentar, Mestre João Guimarães), os pássaros, os répteis, as borboletas, as abelhas, os beija-flores e tantos outros bichos deixam de sê-lo..., sem se arvorarem o título de escritor.
O bicho gente, também; mesmo quando não pertence à galeria dos escritores ilustres, nem por isso perde a capacidade de deitar uma boa semente e dela florirem rosas. Como não pretendo gastar meu tempo como aprendiz e, sim, pôr no papel as minhas experiências de homem e de médico; acho que para alguma coisa estes escritos poderão vir a ser de proficuidade.
Parafraseando Paul Valery (1817-1945), concluo: Como escreve mal esse anotador. Que importa! O que escrevo é pelo desejo de compartilhar minhas emoções com meus irmãos de jornada.
Lembro o que disse a nossa querida escritora Raquel de Queiroz a respeito dos escritores medíocres:
Tanto luta e pena o bom escritor quanto o medíocre. Enquanto o primeiro tem o seu prêmio nos aplausos, homenagens e reconhecimento o medíocre trabalha à toa, somente recebe a paga do anonimato, esquecimento indiferença, e o pior de tudo— o de não ser lido. Tanto um quanto o outro deseja escrever suas mentiras e não sabe que estão escrevendo as suas verdades... De uma coisa tenho certeza: ninguém escreve pois que quer.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O PRESENTE DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS


João Brainer Clares de Andrade (*)
Na Uece, se o governador tiver interesse, há solo para o nunca executado Hospital Metropolitano
O cabo de força entre professores e alunos das universidades estaduais contra o Governo do Estado do Ceará parecer continuar, a despeito do fim da era Cid e sua incapacidade de diálogo. Até poucos anos, Brasília era visitada para se passar a tutela de nossas universidades estaduais ao ente federal. Porém, a “quebra de braço” restou ao erário estadual. Mesmo vencido, Cid parece não ter passado a lição a seu sucessor.
É sabido que uma universidade funciona como força motriz de um estado: há um presente nobre de inovação, formação profissional, qualificação das instituições públicas correlatas e de oportunidades de extensão que levam material de alto nível a comunidades que mais demandam atenção. Por outro lado, há um preço alto que se paga, reacendendo a dúvida de onde obter recursos. No Ceará, o desafio é grande.
No entanto, incentivar a parceria privada, flexibilizar leis que facilitem captar recursos, estabelecer piso de repasse direto de impostos e - por que não? - cobrar, mesmo que simbolicamente, dos alunos que apresentam condições de arcar com ensino superior privado são uma necessidade. Para popularizar as universidades, não é justo que o melhor que se tem em ensino superior seja em sua quase maioria destinado a egressos de escolas particulares. No papel, o incremento mensal, com mensalidade simbólica, mudaria o presente das nossas universidades.
Do outro lado, as universidades podem abrir seus campi; um modelo de integração a escolas, instituições públicas, órgãos de gestão e, principalmente, a rede de saúde. Na Uece, se o governador tiver interesse, há solo para o nunca executado Hospital Metropolitano e, em menor escala, mas não em menor importância, um complexo de ambulatórios de especialidades médicas usando a oportunidade de professores de excelente formação técnica. Investimento e respeito às universidades estaduais presenteariam milhares de pessoas.
O jogo atual se torna inoportuno: o governador se esconde dos compromissos assumidos, degola o sonho da profissão de quase 30 mil estudantes, interrompe pesquisas de ponta, estaciona projetos de extensão que levam saúde e educação a centenas de comunidades na Capital e no Interior. Camilo não negocia, não ouve, não respeita... E a cada dia, perde a oportunidade de viver o presente das universidades estaduais do Ceará.
(*) Médico egresso da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Residente de Neurologia do HGF.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/8/2016. Opinião. p.19.
 

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