quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Opinião: "ACADEMIAS E CROCODILOS"

Por Humberto Cunha Filho (*)

A morte de Paulo Bonavides, dentre as inumeráveis perdas, deixou vaga a Cadeira nº 17 da Academia Cearense de Letras (ACL), para o preenchimento da qual foram abertas inscrições, em processo que animou a esposa do falecido intelectual a lançar uma carta aberta aos membros da mencionada instituição, na qual pugna para “que o escolhido seja alguém que, por sua produção acadêmica, sua trajetória intelectual, honre a cadeira”.

O apelo público de Dona Yeda Bonavides, para que as coisas ocorram da forma como imaginamos ser a rotina, dá a entender um receio de que possa existir alguma anomalia no processo de escolha dos imortais cearenses. Por outro lado, lança um peso montanhesco sobre os eleitores e a pessoa que vier a ser eleita, dado o status de intelectual fora do comum representado por Paulo Bonavides.

Sem conhecer os meandros do funcionamento, o episódio da sucessão de Bonavides, anima a investigação, em abstrato, sobre o que é uma academia e a importância de participar de uma delas. Antecipa-se que é um tipo de instituição historicamente envolvida em polêmicas e com variações conceituais entre o uso da palavra na antiguidade e na modernidade, o que inclui as ideias de apropriação e gentrificação cultural. Originalmente, a expressão remete à escola situada nos jardins de Academos - um herói mítico -, onde Platão, um ex-escravo educado pelo dialético método maiêutico de Sócrates, ministrava aulas enquanto caminhava sob as oliveiras. Por ter sido considerada pagã, a academia platônica foi extinta por Justiniano em 529 da era de Cristo.

O ressurgimento na modernidade, conservou apenas o nome, se for observada a história da instituição até hoje supostamente paradigmática para as suas congêneres, a Academia Francesa (AF), criada em 1635 por iniciativa do Cardeal de Richelieu, título religioso de Armand Jean du Plessis, o Primeiro Ministro de Luís XIII. Detalhe importante: o criador da AF é considerado o arquiteto do absolutismo, regime político que foi levado a efeito em sua máxima potência pelo rei sucessor, Luís XIV, o imputado autor da reveladora frase “o Estado sou eu”.

Desta feita, a instituição foi o abrigo dos “titulados, mitrados e letrados”, que nos seus primeiros 100 anos serviu de instrumento ao monarca, sobremodo em algo estratégico para a unidade da França, a língua, o que pode ser visto no artigo inaugural do seu estatuto, até hoje vigente: “A principal missão da Academia será a de trabalhar com todo o cuidado e toda a diligência possíveis para dar regras precisas à nossa língua e garantir a sua pureza, eloquência e torná-la apta a lidar com as artes e as ciências”.

O caráter elitista era tão proeminente, que dentre os períodos de submersão existencial esteve o da Revolução Francesa, por a Academia representar o clero e a nobreza, justamente as fatias da sociedade contra as quais foi feita a revolta do Terceiro Estado. Todavia, a despeito das ideias de excludência e elitismo presentes em qualquer que seja o regime político no qual a academia moderna funcione, decorrentes do simples fato da limitação de cadeiras, tal sentimento de apartação é diminuído pelo objetivo adotado, quando esse é nobre e de interesse social.

No caso da Academia Brasileira de Letras (ABL), que tem natureza de associação privada, fundada em 20 de julho de 1897, por iniciativa, dentre outros, de um simples mas genial servidor público e literato, Machado de Assis, o intuito de existência da instituição assemelha-se ao da francesa, precisamente, “a cultura da língua e da literatura nacional”.

Antecedendo à brasileira, a Academia Cearense de Letras, também associação privada, foi fundada em 15 de agosto de 1894; todavia, certamente dada a limitação territorial da atuação, seu objetivo foi traçado de forma mais difusa e, por conseguinte, menos precisa: “a preservação, o cultivo e o desenvolvimento da literatura e da produção científica, filosófica e cultural reconhecida como de qualidade superior no âmbito da sociedade cearense”.

Além de ramificado, o objetivo da ACL, ao receber o complemento de que a atividade precisa ser “reconhecida como de qualidade superior”, abre o flanco para dúvidas e ambições, pois a pessoa escolhida passa a compor uma elite cuja obra recebe um selo de que supostamente tem maior perfeição e valor que as demais, o que é extremamente problemático, dado o caráter de incomparabilidade das criações intelectuais, algo reconhecido desde gigantes da literatura, como Victor Hugo, chegando até mesmo aos redatores das leis de licitações.

Mas isso, em sociedades que valorizam as aparências, ao invés de ser um obstáculo, é um estímulo: aqueles - mesmo os destituídos de pendores literários - que querem e têm meios de acrescentar ao seu patrimônio esse “capital simbólico” (expressão consagrada na obra de Pierre Bourdieu), fazem questão de ingressar na academia, desde que entre seus confrades existam nomes incontestáveis, que servem exatamente para qualificar o ambiente no qual todos que estejam nele usufruirão do prestígio gerado por simples proximidade. Superar a falta de produção intelectual, para os intelectuais por agregação, passa a ser o menor dos problemas.

Certamente as academias existentes no Brasil, em seus processos de renovação, já enfrentaram situações que lembram as relatadas por Hélène Carrère d’Encausesse, ao historiar “incidentes eleitorais” da francesa, como o que, diante da morte de Corneille, a instituição correu o risco de preterir o irmão do dramaturgo, Thomas, porque o Duque do Maine, então com 15 anos, “quase iletrado”, adentrou na fantasia de ser imortal, tendo providenciado a prova de sua precocidade literária, com base na qual fez publicar suas “obras selecionadas” de quando tinha 7 anos de idade.

O fato é que esse tipo de problema é insolúvel para a concepção fechada de academia que se conserva até hoje, para a qual a resposta tem sido de algum modo tola, que é a de fazer pulular novas agremiações similares, com o mesmo modelo aromatizado com as ideias de distinção e genialidade. E alternativas há, inclusive no universo privado, sendo a mais evidente delas a da Academia de Artes e Ciência Cinematográficas (de Hollywood), a do Oscar, pujante em suas realizações, transfronteiriça, baseada na criação intelectual permanente, que abriga milhares de membros.

As possibilidades apresentadas sugerem que o modelo acadêmico moderno precisa ser repensado, uma demanda que certamente já se transformou em lugar-comum e, segundo a observação de Horace Engdahl (o secretário perpétuo da Academia Sueca, de 1999 a 2009), com chances ínfimas de sucesso, uma vez que para ele, o conservadorismo dessas instituições é tão acentuado ao ponto de inspirar a observação metafórica de que as academias são os crocodilos do mundo social”.

(*) Humberto Cunha Filho é professor de Direitos Culturais nos programas de graduação, mestrado e doutorado da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Autor, dentre outros, do livro “Teoria dos Direitos Culturais: fundamentos e finalidades”.

Fonte: Anunciado In: O Povo, de 18/1/2021. Vida & Arte. p.3.

Nota do Blog: Apenas disponível para acesso virtual dos assinantes.

ONDE ESTÁ A VERSÃO 2.0 DOS PROTOCOLOS?

Por Henrique Soárez (*)

Sabemos que o processo eleitoral é mais importante que o estado de calamidade pública. Somente o apagão no Amapá foi capaz de atrasar as eleições. E a população há tempos decidiu seguir com seu cotidiano. Segundo o Google Mobility as visitas ao local de trabalho em Fortaleza no início de dezembro eram 9% inferiores ao nível base do início do ano. O longínquo "fique em casa" agora incrementa somente 7-8% o tempo na residência. A vida não voltou ao normal, mas não creio que essas pequenas variações seriam suficientes para conter uma segunda onda como as que assolam capitais europeias.

Muito já se aprendeu sobre o vírus. Mas ainda vigora a versão 1.0 dos protocolos de biossegurança, construída há mais de cinco meses. Cabe uma tomada de consciência pelas autoridades cearenses: os protocolos atuais foram feitos com conhecimento incompleto e os entes privados têm interesse em aprimorar, buscando sua autopreservação antes de tudo. Não é bom tratar cidadãos como incompetentes ou irresponsáveis. Quem se esforça para cumprir protocolos aprende e pode sugerir melhorias. Quando não evolui junto com a sociedade, a legislação cai em descrédito. Precisamos refinar o que vai ficar e revogar o que não tem valor prático.

Países economicamente mais desenvolvidos agora buscam formas de manter escolas abertas durante suas segundas ondas. Nós sequer concluímos a abertura após a primeira onda. Há alunos cearenses proibidos de frequentar suas salas de aula (mas liberados para ir ao cinema). Alunos na Europa assistem aulas envoltos em cobertores para lidar com o ar frio que entra pela janela aberta. Cientistas americanos monitoram o nível de CO² nas salas de aula como forma de calibrar o distanciamento seguro. Aqui, a educação privada segue sem interlocução desde o início de novembro. Sabemos operar escolas com segurança. Desde setembro há alunos e professores trabalhando presencialmente e não houve um relato sequer de surto em escola. Na comunidade científica há o consenso que escolas não são locais de grande propagação do vírus. As escolas merecem liberdade para administrar a saúde e o aprendizado.

(*) Engenheiro eletricista, diretor do Colégio 7 de Setembro e da Uni7

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/12/20. Opinião, p.22.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Inscrições para sucessão na Academia Cearense de Letras seguem até 1º/2

Por João Gabriel Tréz, jornalista de O Povo

Estão abertas até 1º de fevereiro as inscrições para os postulantes à cadeira 17 da Academia Cearense de Letras, que ficou vaga após a morte do respeitado jurista e professor Paulo Bonavides, em outubro de 2020. O passo-a-passo do processo sucessório dentro da ACL é previsto em estatuto.

Conforme o artigo 27 do estatuto da ACL, as inscrições para preenchimento da vaga ficam abertas pelo prazo de 60 dias a partir da publicação do edital referente ao processo, que ocorreu em 3 de dezembro de 2020, como informa Angela Gutierrez, atual presidente da ACL. As inscrições podem ser feitas na Secretaria da sede da Academia, no Palácio da Luz, de 8 às 16 horas.

Ainda segundo a presidente, as candidaturas, após o prazo de inscrições, serão analisadas por Comissão Especial que, em 10 dias, emitirá parecer. Depois, a eleição será marcada - geralmente, conforme Angela, opta-se pela data da próxima reunião mensal a ser realizada. Entre nomes já inscritos estão o empresário Pio Rodrigues - autor de livros de poesia e músicas - e a professora de Direito da UFC Denise Lucena Cavalcante - pós-doutora pela Faculdade de Direito de Lisboa e autora de livros sobre Direito Tributário.

A ACL "tem por finalidade a preservação, o cultivo e o desenvolvimento da literatura e da produção científica, filosófica e cultural reconhecida como de qualidade superior no âmbito da sociedade cearense", como indica o estatuto da instituição. A viúva do professor Paulo Bonavides, Yêda Bonavides, divulgou carta aberta - publicada no O POVO em 5 de janeiro - referente ao processo de sucessão do marido na ACL.

No texto, reforça a "honra" de ocupar a cadeira na Academia, cujo patrono é o professor e político Joaquim Catunda (1834-1907). "Imagino que o escolhido venha a ser alguém que, por sua produção acadêmica, sua trajetória intelectual, honre a cadeira antes ocupada por meu esposo, um dos mais ilustres juristas de nosso país, reconhecido internacionalmente", escreveu.

Paulo Bonavides nasceu na Paraíba, mas cedo se mudou para o Ceará. Ainda adolescente, venceu um concurso para repórter do O POVO e estabeleceu relação com o jornal como funcionário, fonte e colaborador. Integrou-se à vida intelectual pela atuação como jurista e professor da Faculdade de Direito da UFC, sendo reconhecido em todo o território nacional. Na produção literária, escreveu sobre temas do Direito, Ciência Política, ensaios, crônicas, e, também, foi autor de "Demócrito Rocha: Uma Vocação para a Liberdade", sobre o fundador do O POVO.

Inscrições para ACL

Quando: até 1º/2

Onde: Rua do Rosário, 1, Centro (Praça dos Leões)

Infos: 3226-0326 ou acdeletras@gmail.com

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/1/2021. Vida & Arte. p.3.

É EDUCAÇÃO

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

O ineditismo de 2020 deu-se em várias áreas, e lamentáveis são as inúmeras vidas perdidas. Vimos médicos de alto nível surpresos com os sintomas e, hoje, graças à sua competência, vencem a maioria dos confrontos com o vírus.

Outro ineditismo foi o jornalismo, que, em vez de apenas noticiar, analisar e criticar, deu-nos grandes lições, como se professor fosse. Um desses exemplos foi dado por Renata Cafardo, do jornal O Estado de S. Paulo, em 22/11, ao dizer:

"Já que as crianças estão indo para a escola, então podemos jantar fora, chamar amigos em casa, fazer festões. É assim que boa parte das classes média e alta de São Paulo parece estar raciocinando. Mas o pensamento deveria ser radicalmente oposto. (…)

A Europa entendeu isso depois de passar pela primeira onda sem nenhum ensino presencial. Agora, na segunda, pós-verão de praias e cafés cheios, governos de França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica e Escócia passaram a decretar novos lockdowns.

No fim de outubro começaram a fechar restaurantes, mandar funcionários de volta ao home office, restringir encontros sociais a duas famílias. Mas mantiveram as escolas abertas. O governo de Angela Merkel falou até em usar hotéis e bares, fechados pela pandemia, como alternativa para ter mais espaço para as aulas."

A educação é o mais importante, e a relação do usuário com um evento ou um bar é distinta da ligação entre aluno e professor. Em outros setores, quase sempre não se sabe quem é o cliente, nem se este voltará. Na educação, é diferente. Há uma parceria com a família em prol do educando, o que ocasiona um cuidado especial, principalmente com a saúde.

O vínculo é íntimo, anual ou semestral, e estatísticas mostram um contágio baixíssimo na escola. Disse o médico paulista David Uip ao jornal O Estado de S. Paulo: "O perigo é a casa contaminar o colégio, e não o contrário".

Para a jornalista, "se queremos desenvolver o futuro do nosso país, se entendemos que a escola é essencial na formação das crianças, no contexto social em que vivemos, na alimentação das mais pobres, no emocional dos nossos filhos, precisamos deixá-los ir e continuar nos isolando". 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Membro da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 11/12/20. p.18.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA II

Pedro Henrique Saraiva Leão (*)

Em 14/05/2019, com artigo homônimo encerrara aqui minha jornada de relator mensal em medicina, literatura, e outro temas de interesse geral. Fi-lo desde 1991 (29 anos) e parece que fui bafejado pelo apreço dos leitores. Esses artigos, coletados, virão a lume brevemente em livro (Sob os Plátanos de Cós). Ocorreu-me agora reincidir, como presidente daquela entidade, há pouco eleito virtualmente (08/07). Para reger tal quarentona instituição (12/05/1978) elegi, como meta primordial, uma aproximação efetiva com os cuidadores oficiais da nossa saúde, notadamente suas secretarias, estadual e municipal de Saúde, a Fiocruz, e a Escola de Saúde Pública.

Tendo nosso longo aprendizado profissional sido custeado pelo Governo, acredito corre-nos a obrigação de retribui-lo por tamanho investimento. Primando esta academia por escolher os melhores médicos do Ceará, compraz-se a partilhar sua "expertise" na abordagem da nossa higidez (saúde). Tal seria uma contrapartida, ou "rondonização"!

Releve-se ser projetada aliança estribada na ciência, e na ética, assim eximindo-nos de quaisquer vírus político-partidário. As conferências habituais pela Comissão Científica (acadêmicos Iran Rabelo, Oswaldo Gutierrez, Roberto Misici, Eduilton Girão) serão eventualmente proferidas online, consoante ditames deste bravo mundo novo. Contudo sem descurar dos fraternais encontros de corpo presente, pois para tanto Deus nos criou. "Não nos dispersemos!". Para cúmplice salutar neste cometimento convocamos nossa siamesa irmã, a literatura. Aludida geminação recorda os feitos médicos narrados por Homero na Ilíada, e na Odisseia. Já temos encontros marcados na Academia Cearense de Letras. Materializando admiração aos nossos maiores, faremos cunhar medalhas em seu louvor, sendo a primeira delas a ser outorgada ao fundador dr. Antônio Justa. Médicos, estaremos no gerúndio, pesquisando, preparando-nos para porvindouras façanhas e falácias do nosso magno ofício.

Continuando a rememorar nossos perecidos, fiéis faróis a nos conduzir. Destarte, cientes do passado, atentes ao presente, aguardamos confiantes o futuro.

(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.

Fonte: O Povo, 6/08/2020. Opinião, p.16.

domingo, 17 de janeiro de 2021

MAU PRESSÁGIO NA NECRÓPOLE

Estou aqui no cemitério...

Caí na besteira e vim para o enterro de uma pessoa que nem conhecia, um tio de um amigo do meu vizinho. Após o sepultamento, a família tem uma tradição religiosa que sempre levam uma vidente para dizer quem é o próximo a morrer. Depois de fazer uma concentração, a vidente informou que o próximo a morrer seria o primeiro que saísse do cemitério.

Já estamos aqui desde 9h da manhã, o pessoal já pediu quentinha, galeto, churrasco, refrigerante, suco, água, café...

Tem uma turma jogando dominó; outra, baralho, outra, dama; uns já armaram tendas para dormir e estamos todos aqui sem previsão de deixar o local.

Estou esperando a vidente sair, pois nem a infeliz saiu ainda, imagine eu!

Fonte: Internet (circulando por e-mails e iPhones).

10 MANDAMENTOS DE AMOR À PESSOA IDOSA

I – Deixe-a falar - Porque do passado a pessoa idosa tem muito a contar. Coisas verdadeiras e outras nem tanto, mas todas úteis aos espíritos ainda em formação.

II – Deixe-a vencer nas discussões - E não fiques a lembrar a todo instante que suas ideias estão superadas. Ela precisa sentir-se segura de si mesmo.

III – Deixe-a visitar seus velhos amigos - entreter-se com seus camaradas, porque é dessa maneira que a pessoa idosa consegue reviver os tempos idos.

IV – Deixe-a contar histórias demoradas - ou, muitas vezes, repetidas, porque a pessoa idosa precisa provar a si mesmo que os outros gostam de sua companhia.

V – Deixe-a viver entre as coisas que amou - e que sempre recorda, porque ela já sofre ao sentir que, aos poucos, vai sendo abandonado pela vida.

VI – Deixe-a reclamar, mesmo quando está sem razão – porque toda pessoa idosa, tem direito, como as crianças, à tolerância e à compreensão.

VII – Deixe-a viajar em teu carro – quando saíres de férias ou nos fins de semana, porque sentirás remorso, se algum tempo depois ela já não estiver aqui para fazer-lhe companhia.

VIII – Deixe-a envelhecer com o mesmo paciente afeto - com que assistes aos teus filhos crescerem, porque em ambos os casos estarás, demonstrando o mesmo sentimento de amor e proteção.

IX – Deixe-a rezar onde e como queira – porque a pessoa idosa deseja ver sempre a sombra de Deus no resto de estrada que ainda vai percorrer.

X – Deixe-a morrer – entre braços acolhedores e amigos, porque o amor dos familiares e das pessoas amigas é o melhor sinal do amor do Pai que está no céu.

Nota: “Os dez mandamentos de amor à pessoa idosa” foram redigidos na Itália, por um frade carmelita. A tradução para o português foi feita por um confrade da mesma ordem, residente em Teresópolis, RJ. O texto acima foi revisto por um poeta pernambucano que não quis se identificar. São dele alguns acréscimos ao texto original.

Fonte: Internet (circulando por e-mails e iPhones).

 

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