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quarta-feira, 6 de maio de 2026

PROPAGANDA DE GOVERNO VS. ELEITORAL

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Tenho assistido na TV a uma série de textos publicitários do Governo do Estado do Ceará, sob o slogan "O governo não para". São vídeos tratando de várias situações, com vários participantes cada um, repetidos várias vezes durante o dia e até nos horários ditos nobres. Fico me perguntando, dado que estamos em ano eleitoral se isso não seria uma propaganda sub-reptícia de cunho eleitoreiro.

Para tirar minha dúvida, fui pesquisar na Constituição Federal do Brasil. Não existe verbete sobre o tema. O que existe é a Lei nº 9.504, de 30/09/1997. Mas nada que diga respeito aos tipos de propaganda do setor público.

Porém a literatura sobre o assunto define quatro (alguns autores descrevem três) tipos de propaganda, quais são: a propaganda interpartidária; a propaganda partidária, a eleitoral, e a institucional. Pelo que pesquisei as mais discutidas são as três últimas.

Antes de discutir por que vejo as atuais propagandas do governo do Ceará como propaganda eleitoral sub-reptícia, talvez seja importante definir o conceito básico envolvido no verbete "propaganda".

Este verbete, de acordo com o Dicionário Koogan Larousse, de Antônio Houaiss, significa "ação ou efeito de propagar ou difundir ideias, princípios, teorias etc./vulgarização/promoção."

Assim, o uso da frase "O governo não para", repetido às dezenas de vezes todos os dias em rede de televisão não está fazendo a promoção dos bens públicos oferecidos, pois estes não precisam de promoção, mas, sim, do governo (leia-se, governador). No ano eleitoral, isso é propaganda eleitoral!

Não nego que o governo pode (e deve) mostrar ao povo o que está fazendo, através de informes oficiais, digamos uma vez por mês, mostrando os dados fundamentais dessas obras, como, por exemplo: o tamanho; o que foi feito de novo; sua localização; o quanto foi gasto; o benefício que trará para a população beneficiada.

Isso não seria promoção do governador, mas, uma satisfação à população sobre o que o governo está fazendo.

Na linguagem comum, quando se faz uma "promoção" é por que se está querendo "vender" algo. No presente caso, o objeto da venda é a imagem do governador, um homem que "não para". Mas, como as outras "mercadorias"(os outros candidatos), podem ser "promovidas"? Dentro deste contexto não há como. Por que, então, permitir que isso aconteça? Por que a lei não trata desse assunto?

Para os políticos "da situação", isso é muito bom. E os políticos "da oposição", por que não se posicionam? Porque eles esperam um dia ser "da situação".

O que mais dizer?

Termino este artigo com as seguintes sentenças que, estou convicto, dizem muito sobre a nossa população: "O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote.", de Lima Barreto; "Você tem todo o direito de não gostar de política, mas sua vida terá influência e será governada por aqueles que gostam. Portanto, o castigo dos bons que não fazem política e ser governado pelos maus que a fazem.", de Platão; "Em geral, os homens julgam mais pelos olhos do que pela inteligência, pois todos podem ver, mas poucos entendem o que veem.", de Nicolau Maquiavel; "Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem", de Bertoldt Brecht.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 5/04/26. Opinião. p.18.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

A cidadania não se acaba aos 70...

Por Heitor Férrer (*)

É muito comum, no meu consultório, ouvir de muitos de meus pacientes que não podem mais votar. Imediatamente, pergunto "por que?". A resposta é automática: "não posso mais votar, doutor, porque completei 70 anos". Isso revela um equívoco disseminado entre a nossa população, principalmente, nos que atingem a terceira idade. Acham que perderam o direito ao voto, como se fossem anulados do processo eleitoral, quando, na verdade, deveria ser o contrário, com mais experiência, melhores escolhas.

Nunca é demais explicar e faço isso com todas as pessoas que dizem não mais poder votar porque completaram70 anos, que o voto apenas deixa de ser obrigatório, mas continua sendo voluntário, permitido e importante. O mais grave desse sentimento comum é que muitos cidadãos e cidadãs simplesmente deixam de votar, abrindo mão de um item importantíssimo de sua cidadania, que é a de participar das decisões eleitorais de sua cidade, do seu estado e do seu país.

Para fortalecer os meus argumentos e convencimento, digo a eles que quem não pode votar são apenas os menores de 16 anos. Completados os 16 anos, até a morte, o direito ao voto é garantido pela Constituição brasileira.

Abraço a iniciativa do Ministério Público, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Prefeitura de Fortaleza, que tem intensificado campanhas de cidadania para divulgar que o direito ao voto não se acaba aos 70 anos e que essas pessoas garantam a sua atividade plena nos processos de eleição em todas as esferas de poder. O objetivo, ressaltam os órgãos, é reinserir a população da terceira idade no processo eleitoral de escolha democrática dos seus governantes.

Do ponto de vista psicológico e social, quando o cidadão encarna a ideia de que não pode mais votar, ele acaba se afastando ainda mais da vida pública, do destino de onde mora, caindo numa marginalização cômoda, porque, para muitos, ir às constitui sacrifício. Não sabem eles que estão se anulando em vida.

Devemos ser pedagógicos nesse tema, fazendo todo o esforço de convencimento para que as pessoas a partir dos 70 anos não deixem de votar por desinformação, diminuindo a sua cidadania. O voto continua sendo a mais legitima, importante e poderosa ferramenta para defender posições e influenciar os rumos da política local, regional e nacional.

Em um país que envelhece rapidamente e que, muito em breve, terá mais idosos do que jovens em sua população, é urgente estimular a participação das pessoas com mais de 70 anos no processo eleitoral para que políticas públicas sejam construídas de forma a atender às suas reais necessidades. Garantir essa participação é essencial para a efetivação dos direitos da pessoa idosa.

A cidadania não se acaba aos 70 anos.

(*) Médico e deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/03/26. Opinião. p.19.

quarta-feira, 11 de março de 2026

A CORRIDA MALUCA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Senhoras e senhores, tomem seus lugares à frente da TV, do celular e do computador que a corrida começou. Sim, será mais do mesmo, só que desta vez o show está mais para hard core do que para voo de colibri. Em vez de propostas exequíveis voltadas à resolução dos problemas desta sofrida cidade, baixarias, memes, xingamentos, mentiras a granel e toda sorte de baboseiras. Claro, os histriônicos postulantes a vereador de sempre já mostram as caras, que sem eles o horário eleitoral não teria a menor graça. Por que concorrem, já que não serão eleitos? Talvez por carência, quiçá por vontade de aparecer, sabe-se lá. No quesito moda, tem do casual chic passando pelo street wear ao canelau look. Em menos de um mês, o primeiro turno das eleições municipais. Segurem-se...

As pesquisas estão completamente baratinadas, não se sabe se pelo método investigativo delas ou pela falta de credibilidade de alguns institutos. Numa, o aspirante a alcaide encontra-se avançado em relação aos seus opositores; noutra, acha-se lá na rabeira, vá entender. Aliás, quem precisa de pesquisa eleitoral para definir seu voto é gente que nunca teve educação político-ideológica ou que há muito a rebolou na lata do lixo. Não será o sujeito engomadinho com seu meloso discurso quem vai ganhar o eleitor consciente. O formato debate/programa eleitoral/santinho está completamente superado pela intensidade pantanosa das redes sociais, onde vicejam patranhas mil. As muitas promessas que jamais serão cumpridas embrulham o estômago. Política baixa.

E quanto aos candidatos a prefeito? O atual ocupante do Palácio do Bispo e concorrente à reeleição passou meses desaparecido da cidade e teve que criar um personagem metido a descolado para se comunicar com o povo de Fort City. Vai dar certo? Tenho as minhas dúvidas. O chefe dos amotinados, com seu rosto de bom moço, que não engana ninguém. Aliás, os incautos é que se enganam com ele. O deputado federal conhecedor da anatomia humana que se diz anti-sistema. Se por anti-sistema se entende alguém que não reconhece nem respeita a Constituição Federal e os poderes constituídos, tal como o seu mentor, aí é caso de falta de decoro parlamentar a ser punida. O requerente que aguarda ansiosamente pelo apoio da Loura, que talvez nunca venha. E o resto é traço...

Anoto mentalmente essas impressões enquanto assisto na Praça do Ferreira a um ato do Movimento Crítica Radical. Meus valorosos e combativos amigos do grupo há muito elegeram a política e o capitalismo como entes dignos de serem levados ao paredão. "Emancipação ou extinção!", bradam eles. Ora, o que é isso senão uma forma de se fazer política? Eliminar a política evitaria as disputas, tão caras aos seres humanos? Disse Platão que "não há nada de errado com aqueles que não gostam de política; simplesmente serão governados por aqueles que gostam". É do jogo, como dizem os sábios. A tarde cai enquanto meu pensamento voa e pousa na peleja entre o pretenso Dono do Mundo e o Togado Careca. Quem ganhará? Melhor merendar um pastel com caldo de cana.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/02/26. Vida & Arte. p.2.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Ceará entre o novo e a "volta dos que não foram"

Por Luiz Eduardo Girão (*)

O ano de 2026 promete ser um divisor de águas para o Ceará. Meus conterrâneos vão compreender o que é possível realizar com uma gestão eficaz: enfrentamento real ao crime, serviços públicos de qualidade e até redução de impostos que vão gerar mais emprego e renda. Tudo isso estará em jogo na eleição de outubro, com a chance concreta de uma alternância verdadeira de poder - não o revezamento dos mesmos grupos que já passaram pelo Palácio da Abolição e nos trouxeram ao atual cenário de caos de violência e desesperança.

A mudança que rompe paradigmas só virá com alguém independente, com histórico de superação, coragem e disposição para trabalhar, administrando com valores e princípios éticos. Um líder que encare o mandato como missão existencial, e não como meio de vida, livre de acordões que perpetuam privilégios para essa ou aquela família… O foco precisa ser exclusivamente o bem-estar do cidadão cearense e a retomada do desenvolvimento.

É com esse espírito que, no no próximo dia 30/1, lançaremos no Cariri minha pré-candidatura ao Governo do Ceará e a do General Theophilo ao Senado, em evento semelhante ao realizado em Fortaleza há dois meses, com a presença de lideranças conservadoras e do centro-direita locais e nacionais.

Desde 2019, nosso gabinete destinou R$ 74 milhões em emendas ao Cariri. Utilizo apenas emendas constitucionais, sempre votei contra e denunciei o orçamento secreto. Sem qualquer uso eleitoral, firmamos convênio pioneiro com os Ministérios Públicos estadual e federal e estimulamos a participação popular por meio das redes sociais.

Investimos em todos os 184 municípios, sem distinção partidária e ideológica. O povo não tem culpa das disputas políticas e quer soluções. Priorizei organizações da sociedade civil com excelência em atendimentos sociais, como as 36 APAEs, o Iprede — que ganhou sua 1ª sede fora de Fortaleza, em Quixadá - e a Associação Peter Pan, que juntas receberam mais de R$ 27 milhões.

Não por acaso, fui eleito por vários anos o melhor senador do Ceará no Ranking dos Políticos e reconhecido pelo governo federal como o parlamentar que mais investiu no terceiro setor entre 594 congressistas. A saúde pública concentrou 65% dos nossos recursos, beneficiando hospitais, atenção primária, associações de apoio a deficientes, idosos, mulheres e comunidades terapêuticas inteiras. Também destinamos recursos para segurança, esporte, tecnologia, cultura, turismo, meio ambiente e empreendedorismo.

Em fevereiro, Juazeiro do Norte receberá o primeiro Instituto do Ceará para prevenção do câncer de mama e do colo do útero, beneficiando 45 municípios do Cariri e Centro-Sul. O projeto, fruto de uma emenda que conseguimos de R$ 36 milhões, é vinculado ao Hospital de Amor de Barretos (SP), referência nacional, com 80% dos diagnósticos precoces e 95% de índice de cura. O que já realizamos no Parlamento aponta o que podemos fazer no Executivo! Vamos juntos para um ano de viradas e vitórias, com um projeto verdadeiramente novo.

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/01/26. Opinião, p.17.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Flávio Ibiapina é eleito presidente da Unimed Fortaleza

O Povo, Economia.

O médico ginecologista/obstetra Dr. Flávio Lúcio Pontes Ibiapina foi eleito presidente da Unimed Fortaleza para o período de 2026-2030. Com eleições encerradas na noite desta quarta-feira, 4/02, a cooperativa de médicos teve 3.556 votantes, dos quais 79,75% elegeram a chapa liderada por Ibiapina.

O novo presidente é mestre e doutor em Saúde Coletiva e tem no currículo atuação desde a assistência médica, passando pelo ensino e também a gestão em saúde.

No Sistema Unimed, Ibiapina já exerceu cargos estratégicos, tendo atuado como diretor de Recursos Próprios e, mais recentemente, como diretor Administrativo-financeiro da Unimed Fortaleza, entre 2023 e 2026. Nesse período, seu trabalho foi voltado para a governança, finanças, tecnologia e estruturação de serviços.

"Essa vitória nasceu do diálogo e da construção de uma cooperativa forte. A troca de gestão não é um ponto final, é um recomeço. Espero que essa união continue ajudando a construir uma cooperativa cada vez mais transparente e dedicada aos nossos cooperados, clientes e colaboradores. Hoje, celebramos a força do cooperativismo, fruto de uma vitória histórica. Desejo que este seja o ponto de partida de uma nova e grande jornada", comentou o novo presidente.

Conheça a diretoria

Acompanham Ibiapina no comando da Unimed Fortaleza no quadriênio 2026-2030 o anestesiologista Marcos Antônio Aragão de Macedo, como diretor Administrativo-financeiro; o pediatra João Osmiro Barreto, como diretor Comercial; o cirurgião geral Marcus Valerius Sabóia Rattacaso, como diretor de Provimento de Saúde; e a cardiologista Patrícia Lopes de Souza, como diretora de Recursos Próprios.

Também foram eleitos os demais integrantes do Conselho de Administração: o mastologista/ginecologistas/obstetra Antônio de Pádua; a pediatra Aurélia Teixeira; o cirurgião geral/urologista Lívio Lobo e a ortopedista/traumatologista Christiane Muniz.

No Conselho Técnico foram eleitos a oftalmologista Ana Valéria Teixeira; o cardiologista Fernando Medeiros; o anestesiologista Túlio Osterne; o cirurgião vascular Renato Callado; o ortopedista/traumatologista Ronaldo Silva; e a otorrinolaringologista Patrícia Mesquita.

Vidas e ativos sob gestão

Os diretores assumem nos próximos quatro anos a 11ª maior cooperativa singular do Sistema Unimed em números de beneficiários. No total, a Unimed Fortaleza administra os cuidados de 375 mil pessoas a partir da cooperação de 4 mil médicos, entre inscritos como pessoas física e jurídica.

Ficam sob a gestão deles também o Hospital da Unimed, o maior hospital do Ceará em número de leitos (330) e o maior do sistema Unimed no Brasil. Além disso, estão na lista de ativos o Hospital Unimed Sul, que possui serviços de emergência pediátrica e obstétrica, internação obstétrica, adulta e pediátrica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e oncologia pediátrica, um centro cirúrgico moderno, com atendimento a cirurgias eletivas.

A rede própria da Unimed Fortaleza conta ainda com 11 laboratórios, cinco Clínicas Unimed, oito Clínicas de Saúde Integral, além de programas como a Medicina Preventiva.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/02/2026. Economia. p.11.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

O ARCO SEM FLECHA

Por Saraiva Junior (*)

O arco da aliança política liderado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Ceará visa as eleições de 2026 para presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais. Em nome desse arco de aliança inclui-se até a turma da extrema direita na vã ilusão de que os batizados de neoliberais estejam com o PT. Quem acredita que esses políticos direitistas estarão com o PT na próxima eleição?

Para o atual arco de aliança, o que importa é a permanência no poder, embora careça de um projeto estrutural que aponte mudanças significativas. Para tanto, entender a política exige a leitura das pesquisas. Por exemplo, se a questão do meio ambiente, antes defendida com garra pelo PT, não é uma preocupação do povo, especialmente das classes pobres, e não se traduz em votos, não tem por que o arco da aliança se preocupar tanto com o meio ambiente.

Ora, se as pessoas não têm a (devida) informação de que o ano de 2024 foi o mais quente já registrado, com temperatura média global de 1,55°C, também não vai acreditar em possíveis condições climáticas extremas e devastadoras com o derretimento do gelo e o aumento do nível do mar. A discussão de níveis recordes de gases de efeito estufa devido às atividades humanas talvez seja conversa fiada. Já que a maioria das pessoas é desinformada mesmo, é melhor calar a boca de alguns ambientalistas, dando-lhes cargos de confiança.

Doutra, o arco da aliança parece não perceber que a proliferação das igrejas neopentecostais nos bairros pobres beneficia a extrema direita. E o que os políticos do arco da aliança fazem? Visitam os bairros apenas no período eleitoral. E o que fazem os diretórios municipais do PT? Absolutamente nada! Sem militância organizada e sem discussões sobre moradia, trabalho, saúde, segurança, dentre outras questões, deixa a população à mercê do fanatismo religioso.

Os políticos incrustados no arco da aliança acreditam na entrega assistencialista de suas administrações como moeda de troca pelo voto. Não se preocupam sequer com a eleição de deputados federais ou estaduais, bastam os atuais, é o suficiente para manter acesa a chama da democracia. A esquerda quer que o povão salve a democracia muito mais pelo emocional do que pela consciência. Falta flecha para atingir um alvo crível.

(*) Escritor e ex-conselheiro do Conselho de Leitores de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/06/25. Opinião. p.16.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

ELEIÇÕES 2026: vão esconder o aquário novamente?

Por Luiz Eduardo Girão (*)

A oligarquia PT e PDT não tinha como dar certo. E o estrago ocorrido no Ceará se repete a nível nacional. Como diz o jargão do futebol quando adivinhamos o resultado da partida, “eu já sabia”! E os cearenses sabem do que estou falando, pois têm sofrido na pele os estragos cometidos por eles para transformar a “Terra da Luz” em “Terra das trevas” com descaso na segurança e prática da cooptação por projeto de poder. Nem bem esfriaram os escândalos do mensalão e do petrolão, essa turma se junta a Lula 3 e golpeia o brasileiro com um dos esquemas mais perversos de desvio: o roubo a aposentados, em que a maioria dos prejudicados são nordestinos assalariados. Empresas de fachada operavam à vontade no Ceará e estima-se que o prejuízo, entre descontos e créditos consignados indevidos, ultrapasse R$100 bilhões. Para investigar a fundo e não deixar esses roubos impunes, propus uma CPI, já que muitos “voltaram à cena do CR1M3”, como outrora disse o vice-presidente Alckmin. Mas aqui no Ceará essa mesma dupla PT/PDT, de figuras carimbadas, também tem seus escárnios recentes com o dinheiro alheio.

Temos um “elefante branco”, que deveria ser um aquário na Praia de Iracema, orçado inicialmente em R$300 milhões, em 2009. Anos depois e com R$130 milhões gastos, encontra-se abandonado. Nas eleições de 2018, a oligarquia PT/PDT tentou esconder o gigantesco desperdício, gerando falsa expectativa de parceria com tradicional grupo empresarial do estado. Era jogada de marketing para evitar desgaste eleitoral. Passada a eleição, coincidentemente, o tal acordo foi desfeito. Agora, às vésperas de uma nova eleição, vêm anunciar que o fracassado aquário dará lugar a um hospital Universitário, o Walter Cantídio, Campus UFC- Sede Praia. Sim, vão construir um hospital em um ponto turístico, descentralizado dos usuários. A quem servirá tal manobra? Enquanto isso, o Ceará continua tomando empréstimos bilionários para rolar dívidas, sem cortar despesas, e negligenciando ações urgentes contra a violência, deixando facções aterrorizarem nossos conterrâneos.

Diante das tragédias assistidas diariamente, desde março pedi intervenção federal na segurança cearense, medida ignorada pelo presidente… Mas pudera, o condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro relativiza até roubo de celular… Por que se preocuparia? Certa estava minha avó que dizia: ou aprendemos pelo amor ou pela dor. Acorda, Ceará! Paz & Bem!

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/05/25. Opinião, p.19.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

AS ELEIÇÕES EM FORTALEZA E A SAÚDE PÚBLICA

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

A legislação brasileira é clara no sentido de que a saúde é direito do cidadão e obrigação do Estado, com o seu financiamento se dando de forma tripartite, estabelecidos os percentuais mínimos dos entes federados e dos municípios.

Assim, criamos um dos mais importantes sistemas de saúde, o SUS, com foco na universalidade, mas temos que reconhecer, também, que esse importante instrumento vem perdendo força por falta de reajustes adequados dos valores dos seus serviços.

A defasagem da tabela vem comprometendo cada vez mais os orçamentos de estados e municípios para manterem o funcionamento da rede pública, e mesmo assim não em volume suficiente, como se depreende dos pacientes que veem agravadas suas condições de saúde enquanto enfrentam longas filas de espera.

Como "a causa da saúde é a causa da democracia e da justiça social", conforme a Ministra da Saúde, Nísia Trindade, os candidatos que vão à disputa de segundo turno precisam ser criativos na busca de soluções inteligentes e que estão bem ao seu alcance.

Uma solução simples exige apenas uma pequena engenharia financeira em que o orçamento municipal inclua recursos complementares para as entidades filantrópicas, viabilizando essas instituições, que são parte integrante e fundamental do SUS, com mais de 50% dos atendimentos e internações de todo o sistema.

Cabe assim aos candidatos já colocar em pauta a discussão de um pacto que permita que essas instituições saiam da atual situação esdrúxula em que precisam prover significativa parte dos recursos necessários às suas atuações como rede complementar, o que muitas vezes inviabiliza seu pleno funcionamento.

Segundo estudo de 2022, do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif), para cada R$ 1,00 de imunidade essas entidades entregaram R$ 9,79 em serviços, demonstrando sobejamente que os recursos nelas aplicados serão sempre uma excelente opção orçamentária.

Este é um momento ideal para a abertura de rodas de conversas com os representantes dessas entidades numa demonstração de que a prioridade para com a saúde não é apenas retórica, mas compromisso de governo.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/10/24. Opinião. p.16.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

E AGORA, FORTALEZA?

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Entre ódios e paixões, Fortaleza foi às urnas. Boa parte do tempo da campanha foi perdida com acusações e temas acessórios. A cidade em si, suas imensas contradições e desafios ficaram em segundo plano.

Os candidatos escolhidos no primeiro turno têm perfis, ideologias e trajetórias diferentes. André Fernandes (PL) é um jovem que promete seguir os passos de Dom Pedro I e libertar Fortaleza. Evandro Leitão (PT), por sua vez, além de presidir a Assembleia Legislativa do Ceará, dirigiu importante time de futebol local.

Hoje, no calor do pós-primeiro turno, parece difícil prever para onde irão os votos dos candidatos derrotados. Também não se sabe ainda como será o embate entre dois candidatos tão distintos à prefeitura. Aproveitarão a oportunidade para discutir e aprofundar propostas ou se concentrarão em falácias e golpes baixos? Tomara que não! Fortaleza merece o bom debate.

A gestão de uma cidade comporta diferentes áreas de atuação, como saúde, educação, infraestrutura, habitação, transporte coletivo e outras.

Cabe, agora, a cada um dos candidatos explicitar o que pretende fazer caso vitorioso, para que os eleitores possam fazer uma escolha consciente no segundo turno.

Apesar dos impasses políticos resultantes das eleições passadas, que colocaram em palanques distintos antigos aliados, uma encruzilhada entre a continuidade e a mudança está em cena. Do mesmo modo, certas promessas de campanha soam falaciosas e improváveis.

Em políticas públicas, muitas vezes o que levou décadas para ser construído pode ser perdido, como já se viu, na administração federal.

No caso da educação, uma década de esforços permitiu avanços consideráveis. Fortaleza saiu do limbo para tornar-se vitrine nacional por seus bons resultados e iniciativas. As políticas deflagradas pelas administrações de Roberto Cláudio e José Sarto serão mantidas?

Que os candidatos venham a público e explicitem suas prioridades em relação às necessidades da população sob a responsabilidade da gestão municipal. Nossa cidade não pode ser refém de improvisos. A hora da verdade chegou. Que o voto decida o melhor! 

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/10/24. Opinião. p.21.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

A DEMOCRACIA EM FESTA

Por Heitor Férrer (*)

Tirei meu título de eleitor em 1973. Só fui voltar para prefeito de Fortaleza em 1985, 12 anos depois, e para presidente da República em 1989, 16 anos. Era o auge da ditadura militar. Não se votava para prefeito das capitais nem para governadores nem para presidente da República. Que coisa mórbida e sem graça. Sob democracia plena, o Brasil vivencia a escolha dos administradores de nossas cidades. Vemos a empolgação das pessoas, a busca por notícias, o fervor da imprensa, a emoção a cada divulgação das pesquisas eleitorais, as promessas dos candidatos, e, acima de tudo, a esperança renovada a cada eleição.

A democracia é pilar fundamental para a construção de uma sociedade plural, onde a voz de todos é valorizada através voto popular universal e secreto. A ditadura militar nos deixou cicatrizes profundas. A ausência de eleições era a anulação da vontade popular. Na frieza do Palácio do Planalto, o general presidente da República nomeava o prefeito de Fortaleza e o governador do Ceará, e nós, povo, apenas dizíamos amem! Éramos privados de nossas escolhas.

Redemocratizamo-nos! Cada pleito eleitoral é um festival de cidadania. Cada voto é um grito de independência e liberdade. As eleições de 1985 para prefeitos e de 1989 para presidente foi o retorno da esperança, onde deposita-se em cada um de nós, eleitores, a responsabilidade de definirmos o nosso próprio futuro. Nenhum dirigente nos é imposto. Nós escolhemos!

Como entender que, até há bem pouco tempo, ainda se falou em intervenção militar, volta de AI-5, em detrimento de toda essa riqueza da democracia. A emoção de cada resultado eleitoral é a manifestação de um povo que se recusa a ser silenciado novamente, porem a história nos ensina que a democracia tem construção diária, exige vigilância permanente e que os vencedores entendam que, a cada novo voto, eles têm o compromisso de melhorar a vida das pessoas, sustentáculo de todo o poder. Ode à democracia, diploma da vontade popular, caminho único de um futuro coletivo e que nunca mais olhemos para trás.

Democracia sempre, ditadura nunca mais!

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/10/2024. Opinião. p.21.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Mulheres das periferias caririenses garantem renda nas campanhas eleitorais

Por Fabiana Arrais (*)

Conforme dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024), no segundo trimestre de 2024 o Brasil quantificou 7,4 milhões de pessoas desocupadas. É importante destacar que as consequências deste cenário socioeconômico são rigorosas para as mulheres e, mais ainda para as mulheres negras seja no campo da oferta de trabalho, como na questão salarial.

Para a pesquisadora e professora da Unicamp Dra. Marilane Teixeira (2024) "[...] os piores indicadores, desemprego, subutilização, e taxa de ocupação sempre estão entre as mulheres". No curso desta afirmativa vê-se no primeiro momento uma estagnação das possibilidades de inserção da mulher no mercado de trabalho formal, e posteriormente o aumento da demanda pela informalidade consolidando o cenário de trabalho precarizado e ausência de garantias trabalhistas.

O período eleitoral é tempo em que uma quantidade considerável de mulheres caririenses das periferias conseguem uma renda, ainda que pequena, para ajudar a suprir as necessidades básicas da família.

Espalhadas pelas praças e esquinas onde o trânsito de carros e pedestres se faz mais intenso, essas mulheres cumprem rigorosamente o ritual das "bandeirinhas". Vestindo camisetas nas cores do partido e com bandeiras em punho se reúnem às 8:00h da manhã nos locais determinados, e permanecem até as 17h (com direito a 1hora de almoço).

Percorrendo os dois grandes colégios eleitorais do Cariri (Crato e Juazeiro do Norte) torna-se evidente que a questão de ser porta-bandeira não se reduz a uma fidelização partidária. Algumas mulheres que naqueles espaços agitam suas bandeiras ao vento, com sol e temperatura de 37º C aguardam a primeira quinzena de trabalho para receberem o equivalente a R$ 500,00 reais.

É facílimo a inserção destas mulheres neste trabalho, pois alguns pontos escolhidos pelas equipes dos diversos partidos ficam próximos das periferias, ou estão nas periferias. Dessa maneira, a proximidade da residência com a ocupação momentânea proporciona um custo-benefício, como bem afirmou Maria das Dores: "trabalho quase na porta de casa, venho a pé pela rua e volto no horário de almoço para ver as crianças que ficam com a minha mãe. [...] A bandeira não é tão pesada, mas também o dinheiro que paga só dá para segurar isso!".

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 27/09/24. Opinião. p.19.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

ELEIÇÕES MUNICIPAIS E O DESTINO DAS CIDADES

Mais da metade da população mundial vive nas cidades e grande parte está submetida à tragédia da desigualdade, da exclusão, dos desastres climáticos, da violência e do desemprego. As cidades são símbolos exemplares das assimetrias do sistema-mundo capitalista.

Em 2017, o urbanista estadunidense Richard Florida no seu livro Crise urbana: como nossas cidades estão aumentando a desigualdade, aprofundando a segregação e falhando com a classe média e o que podemos fazer a respeito, observa que um índice revelador dessas disparidades é o número de horas que levaria um trabalhador médio, em cidades ao redor do mundo, para pagar por um iPhone, objeto paradigmático da economia do conhecimento. Em 2015, na cidade de Nova York, esse trabalhador levaria apenas 24 horas para ganhar dinheiro suficiente que lhe permitisse efetuar a compra, contra 350 horas em Mumbai, 460 horas em Jacarta, e mais de 600 horas em Kiev. Impossível não observar que a globalização, responsável pela criação de centralidades e periferias, é especialmente cruel na ampliação do fosso entre cidades ricas e pobres, descolando a produção econômica e o consumo do território e do desenvolvimento local. Esse quadro expressa a face sombria das cidades, seja por meio dos incessantes e dramáticos fluxos migratórios, seja pelo crescimento exponencial de doenças, seja pelas constantes ameaças à vida, face aos acidentes ambientais.

Causa indignação observar que parte expressiva dos governantes municipais produz intervenções urbanas desconexas do desenvolvimento sustentável das cidades, sobretudo, na superação da pobreza. No caso brasileiro, não são exceções os prefeitos e prefeitas que privilegiam intervenções cosméticas, em áreas turísticas, em detrimento da criação de infraestrutura básica, sobretudo, nos bairros de periferia, cada vez mais perigosos e inabitáveis. Expansão não significa desenvolvimento. É o caso de Fortaleza, que hoje é a quarta maior cidade do Brasil. O que isso significa? Uma boa pergunta a ser respondida pelos atuais candidatos às eleições municipais.

(*) Cientista Social. Professora da Uece. Sócia da Tempos de Hermes Espaço Criativo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/09/24. Opinião. p.18.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

A CORRIDA MALUCA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Senhoras e senhores, tomem seus lugares à frente da TV, do celular e do computador que a corrida começou. Sim, será mais do mesmo, só que desta vez o show está mais para hard core do que para voo de colibri. Em vez de propostas exequíveis voltadas à resolução dos problemas desta sofrida cidade, baixarias, memes, xingamentos, mentiras a granel e toda sorte de baboseiras. Claro, os histriônicos postulantes a vereador de sempre já mostram as caras, que sem eles o horário eleitoral não teria a menor graça. Por que concorrem, já que não serão eleitos? Talvez por carência, quiçá por vontade de aparecer, sabe-se lá. No quesito moda, tem do casual chic passando pelo street wear ao canelau look. Em menos de um mês, o primeiro turno das eleições municipais. Segurem-se...

As pesquisas estão completamente baratinadas, não se sabe se pelo método investigativo delas ou pela falta de credibilidade de alguns institutos. Numa, o aspirante a alcaide encontra-se avançado em relação aos seus opositores; noutra, acha-se lá na rabeira, vá entender. Aliás, quem precisa de pesquisa eleitoral para definir seu voto é gente que nunca teve educação político-ideológica ou que há muito a rebolou na lata do lixo. Não será o sujeito engomadinho com seu meloso discurso quem vai ganhar o eleitor consciente. O formato debate/programa eleitoral/santinho está completamente superado pela intensidade pantanosa das redes sociais, onde vicejam patranhas mil. As muitas promessas que jamais serão cumpridas embrulham o estômago. Política baixa.

E quanto aos candidatos a prefeito? O atual ocupante do Palácio do Bispo e concorrente à reeleição passou meses desaparecido da cidade e teve que criar um personagem metido a descolado para se comunicar com o povo de Fort City. Vai dar certo? Tenho as minhas dúvidas. O chefe dos amotinados, com seu rosto de bom moço, que não engana ninguém. Aliás, os incautos é que se enganam com ele. O deputado federal conhecedor da anatomia humana que se diz anti-sistema. Se por anti-sistema se entende alguém que não reconhece nem respeita a Constituição Federal e os poderes constituídos, tal como o seu mentor, aí é caso de falta de decoro parlamentar a ser punida. O requerente que aguarda ansiosamente pelo apoio da Loura, que talvez nunca venha. E o resto é traço...

Anoto mentalmente essas impressões enquanto assisto na Praça do Ferreira a um ato do Movimento Crítica Radical. Meus valorosos e combativos amigos do grupo há muito elegeram a política e o capitalismo como entes dignos de serem levados ao paredão. "Emancipação ou extinção!", bradam eles. Ora, o que é isso senão uma forma de se fazer política? Eliminar a política evitaria as disputas, tão caras aos seres humanos? Disse Platão que "não há nada de errado com aqueles que não gostam de política; simplesmente serão governados por aqueles que gostam". É do jogo, como dizem os sábios. A tarde cai enquanto meu pensamento voa e pousa na peleja entre o pretenso Dono do Mundo e o Togado Careca. Quem ganhará? Melhor merendar um pastel com caldo de cana.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/09/24. Vida & Arte. p.2.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Anúncio de vacância de cadeiras da Academia Cearense de Médicos Escritores

COMUNICADO

A Academia Cearense de Médicos Escritores – Acemes – na pessoa do seu presidente Luiz Moura, vem a público declarar a vacância de três das suas cadeiras, quais sejam:

Cadeira 14 – Patrono Alarico Leite

Cadeira 17 – Patrono Heládio Feitosa

Cadeira 28 – Patrono Célio Girão.

Interessados em ocupar as referidas cadeiras, ora declaradas vacantes, obrigatoriamente médicos, nascidos e domiciliados no Ceará, com tempo mínimo de 25 anos de formados, conforme o artigo 7° do Estatuto da Academia, deverão apresentar suas candidaturas por intermédio do e-mail do Secretário Geral da Acemes, Geraldo Bezerra – gb.ggac@gmail.com – o qual fornecerá todas as informações de como se processará a inscrição.

O prazo de inscrição vai desde a data de publicação deste comunicado até dez dias antes da data das eleições, ou seja, até 21 de outubro de 2024, já que as referidas eleições estão marcadas para o dia 31 de outubro de 2024.

Luiz Moura

Presidente da Acemes


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Viva Fortaleza; sem medo de ser feliz!

Por Luiz Eduardo Girão (*)

Este será meu último artigo publicado no O POVO - pelo menos até outubro. Isso porque sou pré-candidato a prefeito da cidade em que nasci e me criei e o jornal obedece a regras nesse período eleitoral. Desde quando tomei posse no Senado, em 2019, escrevo aqui com muita honra e espero que volte a fazê-lo em novembro, seja como parlamentar ou, se Deus e o povo quiserem, como líder eleito do executivo municipal.

Uma das maiores conquistas populares obtidas com a nossa Constituição de 88 foi a garantia ao acesso universal ao Sistema Único de Saúde, uma referência mundial. Mas se o SUS é tão bom porque há tantas reclamações? Posso assegurar que não é por falta de dinheiro, mas de gestão. O orçamento da Saúde é o maior dentre todas as áreas, atingindo nesse ano a marca de 231 bilhões!

A crise perene decorre de graves falhas de administração, desperdício e corrupção. É um setor que, por ser tripartite, deveria ser essencialmente técnico, sem negociatas e submetido a auditoria externa. Mas, não tem sido assim. O atendimento é precário, com longas filas para a realização de exames e de cirurgias - só das eletivas há 27 mil pessoas na fila em Fortaleza. A politicagem chega ao ponto de vereadores governistas atuarem como verdadeiros despachantes intermediando a realização de procedimentos médicos.

Desde quando assumi o mandato no Senado jamais utilizei um centavo do indecente "orçamento secreto" que libera bilhões em emendas aos que apoiam o governo. Quanto às emendas "constitucionais" consegui ajudar todas as 184 cidades do CE com 207 milhões de reais, sem distinção partidária ou ideológica. Em cada centavo enviado procuro conferir pessoalmente sua correta aplicação. Destaque para a nossa especial Fortaleza, que recebeu mais de 20 mi só para a Saúde, dos 45 milhões enviados por nosso gabinete. Foram contemplados os Hospitais Albert Sabin, do Coração, da Saúde Mental e o HGF. Também o Iprede, a Santa Casa de Misericórdia, o Instituto do Câncer e a Associação Peter Pan.

Com a experiência adquirida como empreendedor, gestor de empresas, ONGs e, agora, como senador, estou convencido de que é possível promover grandes transformações com os recursos já disponíveis. Além da eficiência na gestão e da máxima transparência, é necessário romper com a prática da velha política mantida pelo chamado "Centrão", que junto com PT e PDT tem priorizado as barganhas por cargos em detrimento de toda a população. As eleições deste ano representam uma grande oportunidade para uma mudança de paradigma. Paz & Bem

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/24. Opinião, p.19.


quinta-feira, 14 de março de 2024

FORTALEZA NÃO É DEGRAU PARA PROJETO DE DOMINAÇÃO!

Por Luiz Eduardo Girão (*)

Não é fácil fazer política numa terra que ainda não se livrou dos "coronéis" cuja tática, da vez, é a cooptação com o dinheiro do pagador de impostos; o seu dinheiro vem sendo torrado aos bilhões - do executivo estadual, municipal e nas casas legislativas - em patrocínios e propagandas para controlar boa parte da mídia. Até entidades empresariais, historicamente independentes, viraram "puxadinhos" dos palácios de governo.

Como fortalezense, acho acintoso ver a inteligência do cidadão ser desrespeitada quando aliados de pouco tempo atrás, PT e PDT, agora se digladiam com seus projetos de poder pelo poder, trazendo soluções mirabolantes. Ora, por que eles não colocaram essas ideias em prática durante as sucessivas "gestões" dessa oligarquia que representam? Esses mesmos poderosos não têm qualquer pudor ao "arranjar boquinhas" para seus parentes e correligionários às custas do povo. Que o diga o festival de benesses da Cagece e Detran… Enquanto isso, a tragédia social só aumenta seja no domínio das facções criminosas, no atendimento desumano na saúde pública ou mesmo no crescimento da pobreza.

O que fazer? Há várias medidas, mas nenhuma passa por fortalecer a famigerada indústria de multas de trânsito e nem criar mais impostos, como a cobrança da renovação de alvarás, taxa do lixo… Aliás, as chuvas chegaram e com elas novamente a calamidade de todos os anos: ruas alagadas e cheias de lixo mostram que a prefeitura recebeu e não devolveu em serviço tal vergonhoso tributo que deveria ser revogado imediatamente. A solução passa por um líder que tenha vontade política para acabar com burocracia, simplificando e melhorando o ambiente de negócios. É necessário também um corte drástico nos gastos supérfluos e de cunho politiqueiro, os "carguinhos do toma lá dá cá".

O caminho eficaz é a profissionalização com meritocracia, criando indicadores para coibir toda forma de desperdício e desvio dos recursos públicos. A prefeitura tem todas as condições de se tornar um bom agente facilitador e até promotor de oportunidades de geração de renda. É possível? Claro. Minha vida toda foi de gestão em Fortaleza seja no comando de empresas que geraram milhares de empregos ou na promoção assistencial beneficiando milhares de mulheres, adolescentes e idosos, seja ainda na produção cultural com a realização de filmes e peças de teatro, levando cultura de Paz aos cearenses ou mesmo na gestão esportiva, presidindo o Fortaleza num momento dramático de sua história, em que poucos acreditavam mas Deus abençoou nosso trabalho, colocando o Clube onde merece: no topo do futebol brasileiro. E é com essa responsabilidade que Fortaleza, nossa cidade, também necessita ser encarada. Já dizia Renato: "disciplina é liberdade, compaixão é FORTALEZA e ter bondade é ter coragem ". Paz & Bem!

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/02/24. Opinião, p.19.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

PERDEU, MANÉ, NÃO AMOLA!

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

A Roupa Nova do Rei é um conto de fadas de autoria do dinamarquês Hans Cristian Anderson, publicado em 1837. Começa assim: Era uma vez um bandido, fazendo-se passar por um alfaiate de terras distantes, diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele. O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas. Até que um dia, o rei se cansou de esperar, e ele e seus ministros quiseram ver o progresso do "alfaiate". Quando o falso tecelão mostrou a mesa vazia, o rei exclamou: "Que lindas vestes! Você fez um trabalho magnífico!", muito embora, não visse nada além de uma mesa, pois, dizer que nada via seria admitir que não tinha a capacidade necessária para ser o rei. Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido, nenhum deles querendo que achassem que era incompetente ou incapaz. O bandido garantiu que as roupas logo estariam completas, e o rei resolveu marcar uma grande festa na capital para que ele exibisse as vestes especiais, quando descesse a rampa do seu palácio do Planalto. O leitor deve lembrar-se dessa história, da sua própria infância, sobre dois espertalhões que enganavam o rei, dizendo irem vesti-lo com um traje finíssimo? No final, o rei sai todo pomposo desfilando pela rua, e todo mundo nota que ele está nu, mas ninguém tem coragem de falar. Enquanto o protagonista desfila pela Rampa, um menino grita: "O rei está nu", e todos concluem que, se uma criança, com toda sua pureza, constatava que o monarca estava mesmo exposto em suas vergonhas, é que tudo naquele reino não passava de uma farsa. E o nosso mito majestático, desmoralizado, recolheu-se ao castelo e jamais saiu de lá até a morte. Quando ao "costureiro vigarista", deu o fora com o ouro pago e não se soube mais dele, pois foi viver em um paraíso fiscal. E por pior: todos os ministros e assessores que não ousaram admitir que não havia roupa nenhuma caíram em desgraça e demitidos. Até aí, nenhuma novidade. Mas, graças a louvável esforço de pesquisa, técnicos em Ciências Carochinhas decidiram dizer não às convenções e apresentar a versão não autorizada desse embuste, desenvolvida segundo os conceitos vigentes na sociedade e ambiente de longínquo país latino-americano. Toda desgraça teve início quando um bandido chamado Frajola gritou pelo celular: "O rei está nu! O rei está nu!" Esqueceu que, no Brasil, nós todos "estamos nus". Agora em 2022 a moral desta história toda é esta: A frase do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Roberto Barroso dita a um manifestante em Nova York, nos Estados Unidos, ao ser questionado sobre o código-fonte das urnas eletrônicas virou música. “Perdeu, mané, não amola!”, disse Barroso na última 3ª feira (15.nov.2022) ao ser abordado…

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 6 de julho de 2023

ANSIEDADE E ELEIÇÕES – 1

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Não sei se é verdade, porém dizem por aí que o povo com a maior ansiedade no mundo é o brasileiro.

O psicólogo norte-americano Steven Stosny escreve na revista Psychology Today e fundou a empresa “Compassion Power”. Além disso, é autor de vários livros sobre autoconhecimento e relacionamentos. Apesar de se dedicar mais a casais problemáticos, cunhou uma denominação para um novo tipo de ansiedade causada pelo aumento da carga mental que seus pacientes e parte dos americanos sentiam ao ver a disputa entre o republicano Trump e sua rival, a democrata Hillary Clinton. Criou então o termo transtorno de estresse eleitoral (“election stress disorder” em inglês). A condição é causada pela elevação da ansiedade provocada pela discussão/agressões/ desavenças políticas.

Hoje, no Brasil, o aumento da violência política é um dos fatores a impulsionar o debate sobre saúde mental, mormente tendo em vista o acirramento dos ânimos causados pela imprensa, que parece querer apenas colocar mais lenha na fogueira. Pesquisa do Datafolha mostrou que um em cada três eleitores temiam atos de violência no segundo turno da disputa entre Lula (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) independentemente do resultado eleitoral. O que é sabido é que a violência política é gatilho para a depressão e a ansiedade nas pessoas. Stosny assevera ademais que o estresse eleitoral é uma tendência mundial e é veemente ao afirmar que, após as eleições no Brasil, a condição não só permanecerá, como pode piorar. Para ele, esse não é um fenômeno novo, mas foi potencializado pelo extremismo e pelas redes sociais. Assevera ainda: “Sempre existiu, mas não era tão onipresente. Hoje você não mais consegue dela fugir”. Ao perceber o quanto esse estresse estava relacionado às notícias divulgadas pela mídia, ele chamou-o de transtorno do estresse da manchete (“headline stress disorder“, em inglês).

A solução, aponta, está na mudança de comportamento em nível pessoal, interpessoal e institucional — principalmente por parte da imprensa, seja ela profissional ou social. Sempre existiram notícias ruins, mas com as redes televisivas de notícias funcionado 24 horas por dia e os alertas das redes sociais, o fluxo de más notícias tornou-se constante. E elas vêm misturadas com as suas mensagens pessoais. Isso causa confusão. Você acaba levando as notícias para o lado pessoal, sabe? Sinal disso é que você se sente ansioso antes de assistir às notícias ou as notificações no seu celular. Se você tem as notificações ativadas — o que eu não recomendo — você sente seu corpo todo ficando tenso pouco antes de olhar para a tela do seu smartphone. Isso é seu corpo lhe preparando para o estresse, lhe preparando para lutar uma batalha.

Os últimos quatro anos foram uma chance de restaurar uma velha visão do patriarcado onde o papel do homem na sociedade é prover para sua família, cuidar dela e protegê-la. Já vivemos numa época na qual o patriarcado está desaparecendo, devido à emancipação feminina.

Os questionamentos feitos pelos militares e usados pelo presidente Jair Bolsonaro para reforçar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro criaram um aumento da ansiedade sobre o final real das eleições. Como a ansiedade aumenta mesmo com os resultados das eleições consagrado, o medo da população permanece muito alto.

Não sei se é verdade, porém dizem por aí que o povo com a maior ansiedade no mundo é o brasileiro.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

ELEIÇÃO DA DIRETORIA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS (Biênio 2023-24)

Ocorreu na tarde de ontem, 12 de dezembro de 2022, no Palácio da Luz, a eleição da Diretoria da Academia Cearense de Letras (ACL), para o biênio 2023-24.

A Chapa Genuíno Sales, eleita por unanimidade dos acadêmicos votantes, tem a seguinte composição:

PRESIDENTE DE HONRA – José Murilo de Carvalho Martins

DIRETORIA EXECUTIVA

PRESIDENTE – Tales de Sá Cavalcante

VICE-PRESIDENTE – Juarez Fernandes Leitão

SECRETÁRIO GERAL – Flávio Leitão

SECRETÁRIO GERAL-ADJUNTO – Batista de Lima

DIRETORA DE FINANÇAS – Antônio de Pádua Lopes

DIRETORA CULTURAL – Maria de Lourdes Dias Leite Barbosa

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO – Noemi Elisa Costa de Soriano Aderaldo

DIRETORA DE COMUNICAÇÃO – Grecianny Carvalho Cordeiro

DIRETOR DE PATRIMÔNIO – José Linhares Filho

DIRETOR JURÍDICO – Durval Aires Filho

DIRETOR DO MEMORIAL – José Murilo de Carvalho Martins

CONSELHO FISCAL

José Augusto Bezerra– Acadêmico

Virgílio Nunes Maia – Acadêmico

Seridião Correia Montenegro – Representante da Comunidade

CONSELHO DE EX-PRESIDENTES

José Murilo de Carvalho Martins

José Augusto Bezerra

Ubiratan Diniz Aguiar

Angela Maria Rossas Mota de Gutiérrez

Lúcio Gonçalo de Alcântara

CONSELHO CONSULTIVO

PRESIDENTE: Angela Maria Rossas Mota de Gutiérrez

Cid Saboia de Carvalho

José Augusto Bezerra

Maria Beatriz Rosário de Alcântara

Antônio de Pádua Lopes

COMISSÃO DA REVISTA: Noemi Elisa Costa de Soriano Aderaldo, Linhares Filho, Giselda Medeiros, Flávio Leitão.

Após a apuração da eleição, aconteceu a tradicional confraternização natalina da ACL, que contou com a presença de muitos membros titulares.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Letras

domingo, 30 de outubro de 2022

PERGUNTAS PARA O MÊS DE OUTUBRO

Por Henrique Soárez (*)

O brasileiro ganhou a oportunidade de debater, durante um mês inteiro, duas formas distintas de governar o país. Duas alternativas estão colocadas à frente do eleitor. É verdade que o Brasil merecia muito mais em termos de opções de voto, mas não podemos menosprezar a escolha que nos foi oferecida.

Para quem quer decidir em quem votar, listo a seguir uma série de perguntas para mostrar que a economia ficou esquecida no primeiro turno e que os candidatos têm muito trabalho à frente para comunicar suas propostas. Onde anda o Paulo Guedes de 2018? O que Lula pretende fazer se voltar ao poder? A política de campeões nacionais voltará a valer? O que pretendem fazer para apoiar a iniciativa privada? Como o Estado pode reduzir a fome e o sofrimento da população? Como irão trabalhar para cuidar do meio-ambiente, importante quesito na atração do capital estrangeiro? Quem promete disciplina fiscal? O que teremos no lugar do teto dos gastos? Quem promete embarcar em uma reforma administrativa? Quem promete lutar pela reforma fiscal? O que pretendem fazer pela educação básica? Como pretendem lidar com o Congresso, que será majoritariamente de centro-direita?

Para quem quer gastar neurônios tentando prever o resultado do próximo pleito, então, as perguntas são outras. Os candidatos deixarão de estimular medo em seus eleitores? Como se comportarão os índices de rejeição aos dois candidatos? Onde irão os 8,5 milhões de votos de Simone e Ciro? O absenteísmo em 2022, quando 15 estados elegeram seus governadores no primeiro turno, vai crescer mais que em 2018, quando 13 estados fizeram isso? O que farão Ipec e Datafolha para identificar corretamente os votos em Bolsonaro? Como irão evitar os assustadores erros de previsão ocorridos nas corridas para governador e senador de São Paulo, Rio Grande do Sul, e Pernambuco?

O primeiro turno teve contornos de segundo turno: 91,6% dos votos válidos foram depositados em apenas dois candidatos. Eliminamos 9 presidenciáveis da corrida. Agora temos um mês para fazer a escolha final do modelo que governará nosso país pelos próximos 4 anos.

(*) Engenheiro eletricista, diretor do Colégio 7 de Setembro e da Uni7.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/10/22. Opinião, p.18.


 

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