sexta-feira, 17 de junho de 2022

FOLCLORE POLÍTICO LXXVIII: Porandubas Políticas 634

Abro a coluna com uma historinha das Alagoas.

Povo do Bola

Gervásio Raimundo, fazendeiro, candidato a deputado estadual por Palmeira dos Índios/AL, foi fazer comício em Estrela, que antigamente se chamava Bola:

– Povo do Bola!

Atrás dele, Waldemar Sousa Lima, escritor, biógrafo de Graciliano Ramos, conserta ao ouvido:

– Gervásio, eles não gostam de ser chamados de povo do Bola.

– Meus queridos amigos bolivianos!

Waldemar ficou aflito:

– Gervásio, boliviano é quem nasce na Bolívia.

– Ó xente, e não é tudo Brasil?

Acabou o comício.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Acadêmico Marcelo Gurgel é eleito membro titular da Academia Cearense de Letras

O Acadêmico Marcelo Gurgel foi eleito Membro Titular da Academia Cearense de Letras (ACL), ocupando a cadeira 25, que anteriormente pertenceu ao saudoso membro da Academia Cearense de Medicina (ACM) Pedro Henrique Saraiva Leão, cujo patrono é Manuel de Oliveira Paiva. A ACL conta ainda com quatro membros da ACM: Murilo Martins, Lúcio Alcântara e Flávio Leitão. Marcelo Gurgel conta com 116 livros publicados, entre crônicas, contos, memórias/biografias, um romance premiado e uma peça de teatro, também premiada.

Fonte: Site da Academia Cearense de Medicina, 14 de junho de 2022.

HABEAS CORPUS DA IDADE

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Alcancei a idade de 87 anos. De que valeria alcançar esta idade, se toda sabedoria do Mundo fosse uma tolice? Atingi o estágio da vida em que posso me dar ao luxo de dizer o que penso, sem temer pelo que possa acontecer com a minha biografia.

Começo dizendo: repudio a condição do velho que somente se faz estimável pela sua longevidade. Poucas pessoas sabem ser velhas. Não devemos levar as nossas falhas juvenis para a velhice, a velhice traz com ela seus próprios defeitos, Os velhos têm pouca memória, mas em troca adquiriram bom senso e prudências aprendidas ao longo da vida.

Aos jovens dou um conselho (apesar de dizerem por aí que conselho de velho é como o sol de inverno, aclara sem esquentar):

“Torna-te velho cedo, se quiser ser velho por muito tempo (Cícero [106 – 49 a.C.] Da velhice, X.)”.

Irrito-me quando um jovem, pensando ser “politicamente correto”, começa a me tratar com muitos cuidados. Por favor, deixe-me fazer o que entendo: cometer imprudências, desobedecer, brincar, falar sem censura e outras coisas mais. Desde que não me torne em um velho ridículo; difícil, pois já entendi também o meu lugar social. Além disso, velho que não tem juízo nunca o teve.

Permitam-me falar desta vez, mesmo sem autorização da maioria do meu grupo etário, aos que se julgam jovens e tudo saber: liberte-nos de vossas fatigantes e asfixiantes bondades. Esses seus cuidados são temores que machucam. Vocês precisam entender que não somos velhos enquanto buscamos viver como todo mundo. Nós podemos pegar coisas pesadas, sim, podemos raciocinar corretamente, sim. Não fossem as lembranças da mocidade, os velhos não se ressentiriam da velhice.

O nosso mal-estar reside em não poder fazer mais o que fazíamos outrora. E vocês se esquecem de que idosos sadios são criaturas tão perfeitas quanto os moços saudáveis.  E lembrem-se todos: os velhos morrem quando não são mais amados.

Procure-nos. Desejamos conversar com todos vocês de todas as idades. Pois, já fomos jovens e também pensávamos como vocês — de tudo saber.

Vocês jovens podem ser muito espertos e rápidos nesses tempos da computação, mas não têm nossa experiência. Temos muito para lhes ensinar. Se a velhice é uma segunda infância é prudente saber que A criança é o pai do Homem.

 Estou às ordens. Basta procurar-me. Velho sabido espera a visita dos jovens que nunca vão procurar-me, primeiro. Não obstante, confesso.

Mas que saudades das horas loucas da mocidade! Mesmo sem a proteção de habeas “corpus”.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 15 de junho de 2022

O LIVREIRO GABRIEL

Por Rosemberg Cariry (*)

Tive a honra de visitar o livreiro Gabriel José da Costa, recentemente. Nos seus 90 anos de idade, ali estava ele, em boa forma e vigorosa prosa, recebendo correspondências e embalando livros de várias partes do mundo, para enviá-los, à sua custa, a bibliotecas públicas.

A história de Gabriel é feita de lutas humanitárias e amor aos livros. Ainda jovem, organizava pequenas bibliotecas e creches, em comunidades rurais e na periferia pobre de Recife (década de 1950/60), como militante de esquerda. Visitou e estudou em outros países (o pai era dono de navios mercantes).

Por conta das perseguições políticas, no tempo da ditadura militar, que apreendeu a sua biblioteca de mais de 30 mil volumes, Gabriel deixou Pernambuco e chegou a Fortaleza, onde abriu a sua "Livraria Gabriel". Embora pequena, foi, pouco a pouco, sendo o ponto de encontro de escritores e intelectuais.

Os livros, difíceis de se conseguir no mercado, chegavam por encomendas diretas de Gabriel, por intermédio de editoras de vários países da Europa, América Latina e África, com imensos riscos para a sua segurança. Era assim que tínhamos acesso a muitas artes e pensares que fervilhavam no mundo.

A Livraria Gabriel, também editora, ajudou na publicação de livros, jornais e revistas, como Nação Cariri, animando alguns movimentos literários e sociais do Ceará, entre a década de 1970 e os anos 1980, quando o país vivia o processo de redemocratização e esperançava maior justiça social. Acredito mesmo que Gabriel gastou boa parte da fortuna que herdou do seu pai distribuindo livros e ajudando escritores e artistas.

Depois, a Unifor o recebeu com a sua livraria, e ali ele continuou sendo um mecenas, querido dos estudantes e, também, um grande protetor dos gatos. Gabriel virou mesmo uma referência naquele campus, de onde se afastou por conta da covid 19. Se a história da vida de Gabriel, com suas viagens e aventuras, amores e lutas, dá um bom filme ou romance, registre-se que ele também tem as suas próprias incursões literárias, reunidas pelo filho, Gustavo Costa, no livro "Escritos", em e-book disponível na Amazon. Para a minha geração, que com ele tanto conviveu, ele continua sendo uma pessoa admirável.

(*) Cineasta.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/06/22. Opinião, p.18.

PÓS-MODERNIDADE E ESPIRITUALIDADE

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

A pós-modernidade desafia a Igreja a fazer chegar a mensagem de Jesus ao mundo. A mensagem Dele é atemporal. Como atualizar sua mensagem ao mundo? Primeiro é conhecer o cenário das juventudes. Estamos inseridos na "era da informação", dos algoritmos, da incerteza, das mudanças e celeridade"; etc. Convivemos com a geração Y ou Millennials, geração Z, geração Alfa, que compreende os nascidos a partir de 2010, com o controle da informação, linguagem própria; integram diferentes redes sociais, com seguidores virtuais.

Mergulhados nessa realidade possuem seguidores, mas são solitários. Estamos formando gerações abastadas de informação, mas solitárias, ansiosas, com medos e incompletudes, deprimidos e inseguros. Curtem seus "conhecidos virtuais", dialogam com os de fora, e silenciam com os de dentro, gerando vazio e poucos laços e relações sólidas. O excesso de uso das mídias digitais tem aumentado a infelicidade a níveis inimagináveis. Temos pessoas frágeis, sem raízes e asas.

Mas, nem tudo está perdido. Acreditamos que podemos construir pressupostos que podem servir de suporte para a transformação da realidade dessa geração. O que podemos fazer para que os jovens tenham dias felizes e saudáveis numa sociedade ansiosa e depressiva? Sob a luz dos ensinamentos de Santo Inácio de Loyola, o enfoque está na construção do projeto de felicidade que dá sentido à vida, educando no autoconhecimento, no saber e competências relacionais. Uma evangelização que engloba corpo, pensamento, sentimentos e movimentos interiores. A Interioridade não se reduz ao intimismo, mas abre à relação com o outro, despertando empatia e partilha.

A orientação é a formação de jovens conscientes e compassivos uns para com os outros. Jovem que desenvolve sua liberdade para viver e decidir com responsabilidade. Disposto a superar-se, desenvolver habilidades intelectuais, emocionais e a serviço dos outros. Reconhece o outro em sua dignidade. Comprometido com a transformação da humanidade e com o cuidado da "casa comum". Assim, teremos pessoas inteiras, profetas da vida, de Deus, da felicidade. 

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Diretor do Seminário Apostólico de Baturité.

Fonte: O Povo, de 7/05/2022. Opinião. p.18.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Docente da Uece é eleito membro titular da Academia Cearense de Letras

 

O professor do curso de Medicina da Uece e escritor, Marcelo Gurgel, foi eleito Membro Titular da Academia Cearense de Letras (ACL), ocupando a cadeira 25, que anteriormente pertenceu ao poeta Pedro Henrique Saraiva Leão, cujo patrono é Manuel de Oliveira Paiva, autor da obra Dona Guidinha do Poço.

Para o docente, tornar-se membro titular da ACL representa o “coroamento de uma carreira literária”. Professor Marcelo Gurgel tem 20 anos de produção literária. “Em 2013 lancei o meu primeiro livro literário. Hoje conto com 116 livros publicados, sendo que mais de 60 são literários, entre crônicas, contos, memórias/biografias, um romance premiado e uma peça de teatro, também premiada”, revela o escritor.

A Academia Cearense de Letras é a entidade literária máxima do Ceará. É a mais antiga das Academias de Letras existentes no Brasil, fundada em 1894, três anos antes da Academia Brasileira de Letras.

A ACL possui 40 cadeiras, sendo preenchidas, em sua maioria, por membros vinculados a instituições de ensino superior. Atualmente, a Uece conta com a representação do professor Carlos Augusto Viana, além de outros docentes aposentados. “Este é um reconhecimento não apenas pessoal, mas também institucional”, conclui o professor Marcelo Gurgel.

Fonte: UECE. Assessoria de Comunicação, em 13 de junho de 2022.

DEZ ANOS FORMANDO MÉDICO

Por José Lima de Carvalho Rocha (*)

No início da implantação do curso médico da Unichristus, existia a preconizada desconfiança de que "curso de medicina mantido por instituição particular não teria a mesma qualidade que os cursos gerenciados por instituições governamentais." Assim, realizou-se consulta informal a várias entidades representativas dos médicos acerca da aceitação, em Fortaleza, de um curso de medicina mantido pela livre iniciativa. A resposta foi unânime: "se o curso possuir qualidade, será bem aceito".

Iniciamos as atividades em 2006. Desenvolvemos metodologia própria, em que as competências e habilidades do futuro médico são priorizadas. Durante o curso, os alunos são constantemente avaliados. Isso permite que possíveis falhas na formação sejam detectadas e logo corrigidas. O curso foi avaliado em 2019, presencialmente, pelo MEC, obtendo o conceito máximo, 5.

Sabemos que a nossa afirmação de que o curso é excelente necessita de evidências, e o conceito 5 é uma das comprovações. Outra constatação consiste nos resultados obtidos por nossos alunos nas provas para o ingresso na residência médica. Em 2012, entregamos os diplomas para os primeiros alunos. A maioria dos nossos egressos obtém aprovação nas residências no Ceará e em vários outros estados brasileiros.

Embora o conhecimento médico de cada professor seja inquestionável, é necessária constante atualização nas técnicas em educação médica. Professores do Mestrado na Educação em Saúde da Unichristus participam dessas capacitações.

A responsabilidade de um curso médico não está restrita apenas ao aspecto conhecimento, os alunos precisam estudar ética e praticá-la, precisam entender as doenças e o doente, não podem esquecer o paciente enquanto estudam e tratam a doença. Acompanhar o crescimento acadêmico de nossos alunos é nossa obrigação. Aqueles que apresentam dificuldades acadêmicas se transformam em desafio para os nossos educadores. Quando atendem às orientações dos professores, tornam-se excelentes médicos. 

(*) Médico e pedagogo. Reitor do Centro Universitário Christus (UniChristus) e diretor do Colégio Christus.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/05/2022. Opinião. p.20.

 

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