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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

BRASIL VERDE: esperança para o meio ambiente

Por Artur Bruno (*)

A questão do meio ambiente é fundamental em todo o mundo. A sigla ESG (Environmental, Social and Governance - Ambiental, Social e Governança), que representa o tripé da sustentabilidade, ganha crescente espaço nas estratégias empresariais, em sintonia também com a Agenda 2030 da ONU.

Não à toa, na reunião do Fórum Nacional de Governadores, ocorrida dia 23 de agosto, com 23 estados e o Distrito Federal, nasceu a ideia de criar o consórcio "Brasil Verde". A vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, que representou o governador Camilo Santana na reunião, comentou que a medida é algo importante para dar força, relevância e efetividade para essa agenda.

A gestão ambiental do nosso Estado é um exemplo para o Brasil - que possui a maior biodiversidade do planeta - e que já foi protagonista na questão ambiental.

Lamentavelmente, no Governo Bolsonaro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) não tem se articulado com os estados e está fragilizando o IBAMA o ICMBio, reduzindo drasticamente as verbas. O MMA teve, em 2021, o menor orçamento dos últimos 21 anos.

O Brasil virou um pária do planeta, liderando o ranking do desmatamento ano passado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro a julho deste ano, a Amazônia sofreu desmatamento de 5.026,52 km², 6% a mais que em 2020. De agosto de 2019 a julho de 2020, houve um aumento de 9,5% na área desmatada no Brasil, em comparação com o período imediatamente anterior.

Por conta do descaso federal, o Brasil não tem participado do mercado de créditos de carbono, conforme acordo assinado pela União Europeia, sequer reivindicando estes recursos.

O mercado de crédito de carbono funciona a partir de acordos entre empresas e governos de países em desenvolvimento. Segundo o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto, o pagamento também pode ser feito de um país desenvolvido com alto nível de emissão de gases para um país em desenvolvimento com baixo nível.

Sem dúvida, o Brasil Verde é uma articulação necessária e forte, dos governadores, para que o Brasil volte a priorizar a política ambiental.

(*) Secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMA) do Estado do Ceará. Sócio do Instituto do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/10/21. Opinião, p.18.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

AS FLORESTAS DE POMPEU

Por Ana Miranda (*)

Ah, se tivéssemos ouvido o senador Pompeu o Ceará seria hoje um estado repleto de bosques, matas entremeando plantios, florestas frondosas. Nosso clima seria mais fresco e o ar mais puro, teríamos mais chuvas, húmus, nuvens, alimentos, mais bem-estar e beleza, madeiras, medicinas, mais vida animal e vegetal, bancos genéticos, rios mais caudalosos, fertilidade da terra...

Teríamos, se seguíssemos as campanhas de Pompeu de Sousa, açudes por todo lado, espelhos de água refrescante, reservas com água recolhida das chuvas, água para a agricultura, para o consumo humano, vegetal e animal. Ele nos dizia, já no século 19, que devemos progredir sem destruir a natureza. A ausência das matas, pregava Pompeu, traz secura à atmosfera, esterilidade aos campos, desterro e destruição a um país. E seus alertas se desdobravam em textos convictos, alarmantes - e belos:

"Inútil Cassandra! Debalde havemos demonstrado com os princípios da ciência, com a autoridade dos sábios, com a experiência d'outros países, e até com a nossa própria, que o pernicioso sistema de roteamento de matas, o incêndio dos campos no sertão, apressarão o termo de completa ruína de nossa terra, e deixarão a nossos vindouros solidões, e ruínas, e uma maldição eterna à nossa memória".

Ele acreditava, como os iluministas de seu tempo, como Humboldt, como Goethe, como Rousseau, no poder dos seres humanos de interferir na natureza. Creio que para o bem e para o mal. Grupos humanos tornam florestas em lugares desérticos; outros tornam desertos em locais férteis, frescos e agradáveis. Ele tentou educar agricultores, criadores, governantes, fez campanhas incansáveis a pregar suas ideias ecológicas - foi o primeiro por aqui a usar o termo "ecologia". Pregou a arboricultura e o manejo correto de plantas; a preservação de florestas e mananciais e o reflorestamento do que já fora devastado. Transmitia seu pensamento por meio de artigos de jornal, livros, relatórios, discursos no Senado. Absorto na contemplação da natureza, sempre em conexão com os seres humanos, usava muito de seu tempo medindo e anotando. Desenhava quadros com dados sobre índices de chuvas, de temperatura, épocas de estio, ao longo dos anos, fazia quadros comparativos. Usava o que a ciência podia alcançar, lia os naturalistas, os científicos, os diários de viagens. E foi bem claro, em tudo o que pensava. E poético.

"Antigamente", fala das serras cearenses, "à tarde, pela manhã até alto sol, e principalmente à noite, a névoa descia dos píncaros, ou levantava-se das matas, e brejos, e estendia-se sobre a planície e habitações, envolvendo tudo debaixo de um imenso tocado de vapor úmido. A temperatura em todo tempo baixa, e desde as 4 horas da tarde o frio começava a incomodar aos forasteiros: hoje apenas sente-se à noite um ar mais fresco".

Mas, infelizmente, no Ceará não seguimos as ideias do Pompeu, não plantamos matas e, a cada dia, desmatamos. Nascido em 1818, na cidade de Santa Quitéria, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, trisavô da maravilhosa escritora Angela Gutiérrez, foi uma dessas explosões de inteligência cearense.

(*) Escritora.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/08/21. Vida & Arte, p.2.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

TERRA

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Há 51 anos, nos porões da Ditadura, Caetano Veloso viu uma foto a mostrar a magnanimidade do azul de um sólido quase esférico: a inédita vista da Terra a partir do espaço sideral. E surgiram lindos versos, entre os quais: "Quando eu me encontrava preso / Na cela de uma cadeia / Foi que eu vi pela primeira vez / As tais fotografias / Em que apareces inteira / Porém lá não estavas nua / E sim coberta de nuvens". Era criada a música Terra.

Em 22 de setembro, às 10h31min, o Sol se alinhou ao plano do Equador, com sua luz a incidir da mesma forma sobre os dois hemisférios. Abriram-se as pétalas. Naturalmente, brotaram as flores. A Natureza (com N maiúsculo, como desejamos) reciclou-se na esperança de que as pessoas rejuvenescessem. Chegou a Primavera, a trazer boas e novas lições de vida. Podemos aproveitar esta estação para iniciarmos uma nova era nos cuidados com o meio ambiente.

Vivemos numa sociedade que muito maltrata o nosso planeta, a ponto de uma minoria planificar um sólido redondo. E uma maioria acredita que, para ser feliz, é preciso acumular bens tangíveis, pois o consumismo instituiu a ilusão da felicidade que se compra, de acordo com uma visão puramente materialista.

As lições de preservação ainda não foram aprendidas. E, às vezes, quem ensina é alguém ainda na adolescência, como Greta Thunberg e Malala Yousafzai, aliadas aos princípios da Unesco, a provar ao mundo que ser uma voz ativa por causas como Educação, Direitos Humanos e Meio Ambiente independe de idade, gênero, raça, crença.

Faltam mediadores entre os que defendem o progresso em detrimento da proteção ambiental e os que praticam a recíproca. Um paradigma similar ao das escolas que preparam para a vida a esquecer os desafios e das que, voltadas a estes, desprezam os valores humanos. Também aqui, a virtude está em fazer as duas coisas. E, no caso da Natureza, realizar ambas significa conseguir o sonhado desenvolvimento sustentável.

Que os terráqueos cuidem bem de sua morada porque, como versou e musicou Caetano, "Terra, Terra / Por mais distante / O errante navegante / Quem jamais te esqueceria? 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Membro da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 5/11/20. p.18.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

POLÍTICA E DINHEIRO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Início esse pequeno texto ressaltando que as ideias e os conceitos emitidos não dizem respeito a todas as pessoas e instituições participantes ou envolvidas com a pandemia Covid-19. Aliás, a maioria é bem-intencionada e se dedica com solidariedade, amor e cientificamente ao combate do cruel novo coronavírus. Existem pessoas e instituições que trabalham obstinadamente e defendem suas teses com convicção e seriedade, porém, ainda não se encontrou, no mundo, uma diretriz consensual sobre o desafiador problema. De um modo geral, tem-se uma expectativa preocupante, em todos os países, no tocante aos aspectos sociais, econômicos e políticos, gerando crises emocionais e de desesperança. Todavia, uma minoria, de pessoas e de instituições gananciosas e inescrupulosas, está mais obcecada com os seus interesses políticos e com o dinheiro do que com as dificuldades inerentes ao povo (saúde e emprego, por exemplo). A má política, do ponto de vista pessoal ou de grupos, e a ambição de se conseguir mais dinheiro constituem os pilares básicos, no momento, dessa angustiante situação porque passa o mundo. Precisa-se ter consciência crítica de ser a vida humana superior às disputas políticas e eleitorais, como também aos lucros exagerados de algumas empresas e laboratórios. A atual crise mundial (Covid-19) não pode ser atropelada por outros objetivos. O debate, realizado de forma séria, diretamente ou através da mídia, visando à união de esforços, é uma coisa saudável; no entanto, a busca odiosa e deplorável do poder político ou monetário é uma atitude irresponsável e mesquinha. Ademais, é bom interpretar o livro do Eclesiastes (capítulo 3, versículo 1): “Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião”. Deus, pedimos-Lhe, a união e a sinceridade de todos, para que consigamos a saúde no corpo e na alma.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 24/5/2020.

terça-feira, 17 de março de 2020

BRASIL, MEIO AMBIENTE E O FÓRUM DE DAVOS


Por Artur Bruno (*)
Antes, protagonista nas questões relacionadas às mudanças climáticas, o governo brasileiro expressa, atualmente, um certo ceticismo em relação ao tema. Em janeiro último, por ocasião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o posicionamento do Brasil acabou ficando na contramão da cimeira e impactando sobre os esforços do Ministério da Economia na busca por investidores. Investidores esses que questionaram o governo Bolsonaro na área ambiental.
Este ano, o Fórum, frequentemente criticado por ser muito fechado, um tanto quanto distante do "mundo real", fez diferente e trouxe, para os encontros de alto nível entre os líderes empresariais e políticos de todo o mundo, a sustentabilidade global. "Partes interessadas para um mundo coeso e sustentável" foi o tema central e, entre os principais assuntos discutidos, estava a "Ecologia e como agir agora com os desafios climáticos e ambientais urgentes".
Os temas que dizem respeito ao impacto das mudanças climáticas, além da questão referente à maior consciência dos consumidores, deixaram claro que na nova agenda planetária dos grandes investidores está definitivamente posto que é possível compatibilizar meio ambiente e negócios, e que o tema está relacionado tanto aos pobres quanto aos ricos.
Os resultados da inação climática estão se tornando cada vez mais evidentes. As fortes chuvas que recentemente inundaram a Grande Belo Horizonte, os incêndios, as queimadas e altas temperaturas, mostram isso. Ninguém se engane, estamos enfrentando uma emergência climática e Davos 2020 deixa a reflexão de que é preciso, ou de que já existe, de fato, uma nova visão de mundo. O mundo que aderiu à agenda ambiental, à economia verde.
Adesão essa, que o Ceará, sob a liderança do governador Camilo Santana, escolheu como primordial em sua gestão. Um modelo capaz de garantir que os processos produtivos atuais respeitem os limites da natureza. O Governo do Estado dialoga com o setor privado, acaba de criar o Selo Empresa Sustentável, incentiva à criação de unidades de conservação, o reflorestamento e executa a política de gestão de resíduos.
(*) Secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMA) do Estado do Ceará. Sócio do Instituto do Ceará.
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 27/2/20. p.16.

sábado, 22 de junho de 2019

ECOLOGIA EM PAUTA


Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo (*)
"Nunca maltratamos e ferimos tanto a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos." Essas palavras do Papa Francisco, na Carta Encíclica Laudato Si' - sobre o cuidado com a Casa Comum, revela triste situação: em nome da ganância sem limites, devasta-se o meio ambiente, submete-se tudo ao domínio do dinheiro, até mesmo a vida. "Tapar os olhos" para não enxergar essa realidade pode causar certo conforto para alguns, comprometidos apenas com a tarefa de acumular ganhos pessoais. Mas, cedo ou tarde, tragédias humanas e ambientais colocam em evidência os crimes praticados contra o planeta. E a indiferença é abalada pelos golpes da própria realidade.
Em Minas Gerais, as tragédias em Mariana e Brumadinho mostram que o modelo de desenvolvimento econômico sustentável é ainda um sonho distante. E engana-se quem permanece indiferente, achando estar seguro diante da exploração predatória dos recursos naturais. O Papa Francisco, na Carta Encíclica sobre o cuidado com a Casa Comum, sublinha importante ensinamento do Catecismo da Igreja, sobre a interdependência de todas as criaturas: "O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal - o espetáculo das suas incontáveis diferenças e singularidades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente no serviço umas das outras".
A indiferença diante da necessidade de se buscar o equilíbrio ecológico deve ser superada. E a Igreja Católica, sob a liderança do Papa Francisco, busca oferecer a sua contribuição. Neste ano, será realizado o Sínodo para a Pan-Amazônia. É missão urgente encontrar caminhos para levar o Evangelho da Vida ao território amazônico, muitas vezes esquecido e desrespeitado, transformando realidades à luz dos ensinamentos do Mestre Jesus.
Seja acolhida no coração de cada um a convocação do Papa Francisco: todos busquem viver uma conversão ecológica, que significa deixar emergir, nas relações com o mundo, as consequências de um autêntico encontro com Jesus Cristo. "Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa." Assim se cultiva a imprescindível harmonia entre tudo que habita a Casa Comum.
(*) Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Fonte: O Povo, de 31/5/2019. Opinião. p.21.

quarta-feira, 6 de março de 2019

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL


Artur Bruno (*)
Uma das muitas falácias apregoadas por setores conservadores é que os movimentos ambientais entravam o desenvolvimento econômico. Nada mais falso. Um dos fundamentos do Estado brasileiro é a livre iniciativa, isto é, o direito a todos de empreender. Ao mesmo tempo, o Estado reconhece que a dignidade humana depende da existência de um meio ambiente equilibrado.
Estes dois princípios quando em vez entram em conflito, posto que é comum uma atividade econômica causar danos ao meio ambiente. Estes impactos, se desregrados, podem ser irreversíveis. Os exemplos de Mariana e Brumadinho deixam claro que a premissa do respeito às leis ambientais é inquestionável.
O meio ambiente, por sua vez, não deve servir de obstáculo intransponível à existência humana. É preciso que as fiscalizações e estudos sejam feitos de forma desburocratizada. Para que estes conflitos sejam equacionados de forma racional e técnica, existe o licenciamento ambiental, presente em qualquer país desenvolvido.
É através dele que o Estado exerce controle sobre as atividades humanas que interferem nas condições ambientais. É a busca da conciliação do desenvolvimento econômico com o uso dos recursos naturais, verificando localização, instalação, ampliação e operação das atividades.
Neste quesito, o Ceará dá exemplo ao País, sendo o único estado onde todos os grandes empreendimentos, que possam gerar impactos relevantes aos recursos naturais, precisam passar pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema). É uma entidade composta por 37 conselheiros vindos de instituições governamentais, universidades, entidades ambientalistas e ONGs.
Mesmo com todo este rigor, o Ceará foi, em 2018, o 1º estado do Brasil - em termos proporcionais - em capacidade de investimento (o 2º em termos absolutos) em relação à Receita Corrente Líquida, tendo aplicado 15% de seu orçamento, ou seja, R$ 3 bilhões. Crescimento econômico e responsabilidade ambiental podem - e devem - andar juntos e são fundamentais para a garantia da sustentabilidade e sobrevivência humana.
 (*) Secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMA) do Estado do Ceará. Sócio do Instituto do Ceará.
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 21/2/19. p.16.

domingo, 4 de outubro de 2015

SÃO FRANCISCO, figura ecológica e atemporal


Por Frei Gilberto Siqueira Alves (*)
"Para São Francisco, não teria sentido cuidar dos irmãos e irmãs na fé se não fosse zeloso com a natureza"
Ecologia quer dizer o estudo ou cuidado da casa, nosso habitat. Os santos são profetas que romperam a inércia através da metanoia, ou seja, mudança de mentalidade traduzida em atitudes evangélicas, espirituais, afetivas e sociais. O chamado de Deus em seus corações foi maior do que as utopias pessoais. São Francisco pensava em ser cavaleiro, era a maior honraria de seu tempo. Ele foi lapidado à luz das transformações da cidade de Assis, na Itália, do século XIII.
Personificou com brava virtude as palavras do crucifixo de São Damião - “Francisco, não vês que minha casa está ameaçando ruir? Corre e trata de repará-la” (LARRAÑAGA, Inácio. O Irmão de Assis. Paulinas, 1989, p. 59-60). São Francisco interpretou literalmente.
Saiu restaurando prédios de igrejas em declínio. Deus queria que ele reconstruísse a Igreja a partir dos religiosos, pois havia um descompasso gritante que ia de encontro ao Evangelho que é norma normata do Divino Salvador! Não é à toa que é admirado também pelos não crentes, pois a linguagem do bem é universal. Uníssonos peçamos ao Pai Francisco que nos ajude a ressignificar nossa insensibilidade à Palavra de Deus escrita na criação!
Para São Francisco, não teria sentido cuidar dos irmãos e irmãs na fé se não fosse zeloso com a natureza; “a conversão de Francisco é bem mais do que uma simples mudança espiritual, é uma escolha de vida social” (MANSELLI, Raoul. São Francisco. Vozes, 1980, p. 68).
Francisco agradeceu ao Deus Criador a partir da composição do Cântico das Criaturas, em singular inspiração poética: “[...] Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde e preciosa e casta [...]” (Fontes Franciscanas e Clariana. Vozes, 2004, p. 104-105). O referido Cântico desperta-nos o cuidado com o planeta Terra, casa de subsistência da nossa e das futuras gerações.
A exploração não tem limites: poluição dos lençóis freáticos, ganância para com as riquezas minerais e o desrespeito à dignidade e sacralidade da vida humana. Em muitos países, cresce o número das vítimas de catástrofes ambientais. Seria o planeta Terra pedindo um basta na maneira com a qual o ser humano o explora? O cuidado responsável com a mãe terra, presente de Deus, é questão de sobrevivência. Agindo de maneira inconsequente o que deixaremos para as futuras gerações?
Em nossa contemporaneidade, a Igreja nos prestigiou com a eleição do papa Francisco, cujo nome não é aleatório. Sinaliza um novo projeto de pontificado a partir de novos ares com repercussões na práxis pastoral e de rosto samaritano. Em boa hora chegou a Laudato Si sobre o cuidado da casa comum. “As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. Às próximas gerações, poderíamos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo. O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta [...]”.
Há esperança, “o movimento ecológico mundial já percorreu um longo caminho, enriquecido pelo esforço de muitas organizações da sociedade civil” (FRANCISCO. Laudato Si. Paulus, 2015, n. 161 e 166). Os ambientalistas agradeceram a voz do papa Francisco que chamou atenção da humanidade para ouvir os apelos do planeta Terra!
Passados oito séculos da existência de São Francisco, a causa que ele defendeu torna-se questão de sobrevivência para nós e futuras gerações.
(*) Frade capuchinho. Vigário na Paróquia São Benedito, Arquidiocese de Teresina (PI).
Fonte: O Povo, de 4/10/2015. Espiritualidade. p.31.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

CONVITE: Projeto Jovem Explorador e Ecomuseu de Pacoti


 
 

Os filhos e amigos de Pacoti-CE estão sendo convidados para o lançamento do Selo Postal Personalizado do Projeto Jovem Explorador e da placa de anúncio das obras do futuro Ecomuseu de Pacoti.
Data: 18 de julho de 2015 (sábado).
Horário: 8 horas.
Local: UECE – Estação Ecológica – Campus de Pacoti-CE.
 

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