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quarta-feira, 6 de maio de 2026

PROPAGANDA DE GOVERNO VS. ELEITORAL

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Tenho assistido na TV a uma série de textos publicitários do Governo do Estado do Ceará, sob o slogan "O governo não para". São vídeos tratando de várias situações, com vários participantes cada um, repetidos várias vezes durante o dia e até nos horários ditos nobres. Fico me perguntando, dado que estamos em ano eleitoral se isso não seria uma propaganda sub-reptícia de cunho eleitoreiro.

Para tirar minha dúvida, fui pesquisar na Constituição Federal do Brasil. Não existe verbete sobre o tema. O que existe é a Lei nº 9.504, de 30/09/1997. Mas nada que diga respeito aos tipos de propaganda do setor público.

Porém a literatura sobre o assunto define quatro (alguns autores descrevem três) tipos de propaganda, quais são: a propaganda interpartidária; a propaganda partidária, a eleitoral, e a institucional. Pelo que pesquisei as mais discutidas são as três últimas.

Antes de discutir por que vejo as atuais propagandas do governo do Ceará como propaganda eleitoral sub-reptícia, talvez seja importante definir o conceito básico envolvido no verbete "propaganda".

Este verbete, de acordo com o Dicionário Koogan Larousse, de Antônio Houaiss, significa "ação ou efeito de propagar ou difundir ideias, princípios, teorias etc./vulgarização/promoção."

Assim, o uso da frase "O governo não para", repetido às dezenas de vezes todos os dias em rede de televisão não está fazendo a promoção dos bens públicos oferecidos, pois estes não precisam de promoção, mas, sim, do governo (leia-se, governador). No ano eleitoral, isso é propaganda eleitoral!

Não nego que o governo pode (e deve) mostrar ao povo o que está fazendo, através de informes oficiais, digamos uma vez por mês, mostrando os dados fundamentais dessas obras, como, por exemplo: o tamanho; o que foi feito de novo; sua localização; o quanto foi gasto; o benefício que trará para a população beneficiada.

Isso não seria promoção do governador, mas, uma satisfação à população sobre o que o governo está fazendo.

Na linguagem comum, quando se faz uma "promoção" é por que se está querendo "vender" algo. No presente caso, o objeto da venda é a imagem do governador, um homem que "não para". Mas, como as outras "mercadorias"(os outros candidatos), podem ser "promovidas"? Dentro deste contexto não há como. Por que, então, permitir que isso aconteça? Por que a lei não trata desse assunto?

Para os políticos "da situação", isso é muito bom. E os políticos "da oposição", por que não se posicionam? Porque eles esperam um dia ser "da situação".

O que mais dizer?

Termino este artigo com as seguintes sentenças que, estou convicto, dizem muito sobre a nossa população: "O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote.", de Lima Barreto; "Você tem todo o direito de não gostar de política, mas sua vida terá influência e será governada por aqueles que gostam. Portanto, o castigo dos bons que não fazem política e ser governado pelos maus que a fazem.", de Platão; "Em geral, os homens julgam mais pelos olhos do que pela inteligência, pois todos podem ver, mas poucos entendem o que veem.", de Nicolau Maquiavel; "Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem", de Bertoldt Brecht.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 5/04/26. Opinião. p.18.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

MARKETING NO SERVIÇO PÚBLICO, UMA NECESSIDADE!

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Lecionando a disciplina de Marketing há mais de 33 anos, estou convencido de que o serviço público muito terá a ganhar com a sua adoção. Nós, cidadãos, ainda mais.

Primeiramente é importante desmistificar esta filosofia, arte e ciência, muitas vezes confundida com suas ferramentas, em especial a propaganda (normalmente enganosa) e a venda (muitas vezes forçada). É comum lermos ou ouvirmos "o Marketing da empresa x..." ao se referir a uma promoção, por exemplo.

Considerando os três pilares em que se assenta o Marketing e os ensinamentos de diversos formuladores, em especial Philip Kotler, constatamos que os seus praticantes somente têm a ganhar.

O primeiro pilar compreende o conhecimento dos verdadeiros desejos e necessidades do cliente/cidadão. O segundo, o atingimento dos objetivos da empresa/governo a partir da satisfação do primeiro pilar. O terceiro, o respeito ao bem-estar da sociedade, este obviamente deve ser natural ao serviço público.

Trazido para o âmbito dos governos, o planejamento deve fugir dos padrões tradicionais e buscar ouvir, de fato e in loco as comunidades, verdadeiras detentoras do conhecimento e da prioridade dos seus problemas e das formas de solução mais adequadas.

A partir deste levantamento, deve-se construir projetos bem elaborados e participativos, para aprimorar os benefícios esperados e facilitar a aprovação legislativa, quando for o caso, por se referir a anseios vindos da própria sociedade.

Na elaboração dos projetos, deve-se definir os fundamentos da prestação de contas, aprimorando também essa importante ferramenta de interação com a sociedade, que é a financiadora de todas as ações governamentais e deve então estar sempre bem informada.

É óbvio que não é tarefa fácil convencer a quem enxerga Marketing apenas como venda com retorno financeiro. Não é isto que ensina a teoria. Marketing "vende" também ideias e ideais e, portanto, bem empregado resultará em ganhos para o governo, por melhor cumprir seus compromissos, e para a comunidade por se ver, enfim, contemplada na solução compartilhada de seus problemas.

(*) Professor da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/08/21. Opinião, p.22.

domingo, 24 de março de 2019

PATO OU ÁGUIA? VOCÊ DECIDE


Eu estava no aeroporto quando um taxista se aproximou. A primeira coisa que notei foi um táxi limpo e brilhante.
O motorista bem vestido, camisa branca e calças bem passadas, com gravata.
O taxista saiu, me abriu a porta e disse:
Eu sou João, seu chofer. Enquanto guardo sua bagagem, gostaria que o senhor lesse neste cartão qual é a minha missão”.
No cartão estava escrito: < Missão de João - Levar meus clientes a seu destino de forma rápida, segura e econômica, oferecendo um ambiente amigável>. Fiquei impressionado.
O interior do táxi estava igualmente limpo.
João me perguntou:
"O sr. aceita um café?" Brincando com ele eu disse: "Não, eu prefiro um suco". Imediatamente ele respondeu:
"Sem problema. Eu tenho uma térmica com suco normal e também diet, bem como água" também me disse:
"Se desejar ler, tenho o jornal de hoje e também algumas revistas."
Ao começar a corrida João me disse:
"Essas são as estações de rádio que tenho e esse é o repertório que elas tocam."
Como se já não fosse muito, o João ainda me perguntou se a temperatura do ar condicionado estava boa.
Daí me avisou qual era a melhor rota para meu destino e se eu queria conversar com ele ou se preferia que eu não fosse interrompido. Eu perguntei:
"Você sempre atende seus clientes assim?" "Não", ele respondeu.
"Não sempre. Somente nos últimos dois anos. Meus primeiros anos como taxista passei a maior parte do tempo me queixando igual aos demais taxistas.
Um dia ouvi um doutor especialista em desenvolvimento pessoal. Ele escreveu um livro chamado <Quem você é faz a diferença.>.  Ele dizia: Se você levanta pela manhã esperando ter um péssimo dia, certamente o terá.
Não seja um pato. Seja uma águia! Os patos só fazem barulho e se queixam, as águias se elevam acima do grupo.  Eu estava todo o tempo fazendo barulho e me queixando.
Então decidi mudar minhas atitudes e ser uma águia. Olhei os outros táxis e motoristas. Os táxis sujos, os motoristas pouco amigáveis e os clientes insatisfeitos.
Decidi fazer umas mudanças. Quando meus clientes responderam bem, fiz mais algumas mudanças.
No meu primeiro ano como águia dupliquei meu faturamento. Este ano já quadrupliquei.
O sr. teve sorte de tomar meu táxi hoje. Já não estou mais na parada de táxis. Meus clientes fazem reserva pelo meu celular ou mandam mensagens. Se não posso atender, consigo um amigo taxista "águia" confiável para fazer o serviço."
João era diferente. Oferecia um serviço de limusine em um táxi normal. João, o taxista, decidiu deixar de fazer ruído e queixar-se como fazem os patos e passou a voar por sobre o grupo, como fazem as águias.
Não importa se você trabalha em um escritório, com manutenção, professor, servidor público, político, executivo, empregado ou profissional liberal ou taxista! a decisão de parar de murmurar é sua. Faça você a diferença.
Como você se comporta? Se dedica a fazer barulho e se queixar? Ou está se elevando acima dos demais?
Lembre-se: A DECISÃO É SUA
Essa chave só abre pelo lado de dentro!
E CADA VEZ VOCÊ TEM MENOS TEMPO PARA MUDAR!
Decida-se por fazer a diferença.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Autoria desconhecida.

TÉCNICAS PARA NÃO RECEBER CORRESPONDÊNCIAS/TELEFONEMAS INDESEJADOS


NÃO DEIXE DE LER, APLICAR E REPASSAR.
SE TODOS SE UNIREM, MUITOS ABUSOS IRÃO ACABAR.
Um editor de notícias da CBS nos brinda com essas preciosas dicas sobre como lidar com as agressões de marketing que nos bombardeiam todos os dias.
1) Um método que realmente funciona: Ao receber uma chamada de telemarketing oferecendo qualquer coisa, diga apenas:
- "Por favor, aguarde um momento..."
Diga isso, deixe o fone sobre a mesa e vá cuidar de outras tarefas (ao invés de simplesmente desligar o telefone de imediato).
Isso vai fazer com que cada chamada de telemarketing que fizerem tenha uma duração muito longa, arruinando as metas do marqueteiro que lhe ligou.
Periodicamente verifique se o marqueteiro ainda está na linha e reponha o fone no gancho somente após ter certeza de que ele desistiu e desligou. Isso dá uma lição de alto custo para esses intrusos.
Se difundirmos esse método ajudaremos a eliminar ofertas indesejadas por telefone.
2) Alguma vez você já atendeu ao telefone, e parecia não haver ninguém do outro lado?
Esta é uma técnica de telemarketing onde um sistema computadorizado faz a ligação e registra a hora em que a pessoa atendeu.
Esta técnica é utilizada por marqueteiros para determinar a melhor hora do dia em que uma pessoa real deverá ligar, evitando assim que o "precioso" tempo de ligação deles venha a ser desperdiçado, caso você não esteja em casa.
Neste caso, ao receber este tipo de ligação, não desligue. Ao invés disso, pressione o botão "#" no seu telefone seis ou sete vezes seguidas, em rápida sucessão.
Isso normalmente confunde o computador que discou seu número, fazendo registrar que seu número é inválido, e eliminando seu número do banco de dados. Ah, que pena, eles não têm mais seu número para ligar de novo...
3) Propaganda inserida em suas contas recebidas pelo correio:
Todos os meses recebemos propaganda indesejada inserida em nossas contas de telefone, luz, água, cartões de crédito, e outros. Muitas vezes essas propagandas vêm com um envelope de resposta comercial, que "não precisa selar; o selo será pago por..."
Insira nesses envelopes pré-pagos a propaganda recebida e coloque de volta no correio, COLOCANDO A PRÓPRIA COMPANHIA COMO DESTINATÁRIO.
Caso queira preservar sua privacidade, remova qualquer coisa que possa identificá-lo antes de inserir no envelope.
Isso funciona excepcionalmente bem para ofertas de cartões, empréstimos, e outros itens "pré-aprovados". Não jogue fora esses envelopes pré-pagos. Devolva-os com as propagandas recebidas. Faça essas companhias pagarem duas vezes pela propaganda enviada.
Aproveite para inserir anúncios da pizzaria local, de lavanderias, supermercados, ou qualquer outro item inoportuno que esteja à mão.
Algumas pessoas já estão praticando isso e devolvendo esse lixo de volta a essas companhias. Mas, veja bem, temos que dar nosso recado. Precisamos ter números expressivos de pessoas aplicando essas técnicas eficazes de protesto.
Por isso talvez este e-mail seja um que você realmente queira repassar aos seus amigos.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Autoria desconhecida.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO MARKETING NO NORDESTE

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Como notícia e pensamento um puxa o outro me lembrei de uma velha história do escritor francês Júlio Verne (1828-1905) e para os menores de 40 anos de idade vênia para refrescar a memória nessa época de internet. 

O tal escritor tinha como especialidade escrever livros de aventura e ficção científica. Escreveu pra lá de 100 livros e foi traduzido em 148 línguas. Creio que, se não me falha a retentiva, por volta de 1956 fizeram um filme em Hollywood baseado em um dos seus títulos de maior vendagem: “A Volta ao Mundo em 80 Dias”.
A sinopse do filme ou fita, como se dizia antigamente é a seguinte: um nobre inglês fez uma aposta que daria a volta ao mundo em 80 dias, em um balão. Fez-se acompanhar de um criado e voou mundo afora, teve muitas aventuras. O lorde ganhou a aposta. Naquela época não existia internet e as novidades vinham na maior parte pelo cinema.
Eu tinha um colega de Faculdade de Medicina do Recife vindo do interior cearense. Nas festas de São João ia passar com os pais. Já habituado com o mundo, gostava de ler muito se entusiasmou pelo marketing (mercadologia no vernáculo), e chegando a casa, encontrou o pai macambúzio. Ele era o dono do cinema da cidade. Tinha gasto uma fortuna para alugar um filme que era sucesso. Qual era? Justo ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’. Mesmo na noite de sábado, dia de feira, apenas uns gatos pingados.
Desespero do velho. Teria que vender algumas cabeças de gado. O filho preocupado sugeriu ao pai:
– Pai porque o senhor não troca o título do letreiro? – O nome dele veio da América. ‘Gringo sabe que faz’, – retruca o velho sertanejo ainda mais abusado com a insolência do filho: – Desculpe pai mas por que o senhor não troca o nome por maneira de falar local? – Jeito? Que jeito? – Resmungava o velho sertanejo. – Pai... troca o nome deste filme para:
Quasi treis meis fora de casa.
A bilheteria estourou. Viva o marketing!
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

OPINIÃO PÚBLICA




Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Nos dias de hoje a sondagem de opinião foi elevada a consciência pública.
A ideia de auscultar a opinião pública não é nova. Platão (428/ 427- 348/347 A.C) já afirmava, num dos seus principais livros, A República: “não é prudente o governante sempre dar ouvidos à opinião da maioria”. O povo não careceria de ser ouvido para a tomada de decisões, pois sua opinião é a junção de uma ideia nascida da ignorância com o seu despreparo...
Nicolau Maquiavel (1469-1527) em outro livro, O Príncipe, lembra ao príncipe: “não se deixe guiar pela opinião publica, mas não a ignore”.
A força maior da expressão popular, adormecida desde a Idade Média, desabrocha no início do século XIX, quando surgiram novas técnicas, supostamente científicas, para medir (auferir, auscultar) a avaliação pública dos eventos correntes.
Alexis de Tocqueville, aristocrata francês (1805-1859) escreveu longamente sobre o valor relativo dessas aferições e seu uso para referendar ações governamentais. E foi um dos maiores críticos da popularização das pesquisas de opinião na América do Norte. Quem nelas se baseia esquece de que a lógica das mentes humanas jamais poderá ser expressa por uma média (numa distribuição, valor que se determina segundo uma regra estabelecida a priori e que representa todos os valores da distribuição).
A mente humana, de fato, não pode ser medida por médias. Imagine o leitor que, em pleno obscurantismo do medievo, um monge-astrônomo polonês, Nicolau Copérnico (1473-1543), causou polêmica quando disse e provou que o nosso planetinha não passava de um astro mixuruca e que rodava em torno do Sol, estrela meio apagada — chinfrim. Caso a ideia do obscuro Nicolau fosse submetida a um referendo popular à época, o resultado seria bem previsível. Além do analfabetismo universal, grassava a ameaça das fogueiras, da Inquisição.
A moderna psicologia comprova que, de uma forma ou de outra, trocamos todas as nossas insaciabilidades por um bem-estar efêmero. O consumismo, ou o que seja, e as necessidades primárias seriam os fatores prevalentes da natureza humana. As técnicas da Psicologia de Massa levam os marqueteiros a investir no aumento dessa fragilização/dependência do humano, incrementada quando ajuntada à pobreza, à ignorância e à falta de educação básica.
Além do mais, a natureza consensual do povão é subjugada ao Poderoso de plantão. Esse consenso, natural ou não, passou a ser um reflexo condicionado, desvirtuado pelo marketing e cada vez mais aprimorado. O consenso é uma das mais fortes variáveis para uma escolha qualquer na vida; tanto faz se for escolher o Presidente ou uma marca de sabão em pó. A psicodinâmica é a mesma.
Passeando pelas Máximas, Pensamentos e Reflexões de autoria do Marquês de Maricá (1773-1848): “Existe muita gente que procura afiançar com a opinião pública os seus equívocos pessoais ou partidários”. O fato é que uma república que se diz democrática não pode jamais confiar às ruas a tarefa de aprimorar as instituições, com ou sem a Internet.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

MARKETING, ESTATÍSTICAS E SEXO VIRTUAL




Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
30.07.13
A divinização que se faz das estatísticas e do marketing é temerária, pelo que se pode tergiversar através dos números, ou impingir determinadas condutas indesejadas, a um número cada vez maior de pessoas. Criam-se circuitos de aleivosias, que se alastram pelo espaço virtual, através dos meios de comunicação das massas, denominados de social.  Neste sentido, colaboram, não poucas vezes, para um desserviço à sociedade.
Basta olhar os tipos de sociopatias na civilização atual: o consumismo, o hedonismo e o narcisismo. Elas teorizam, ou induzem, de tal maneira, as ações humanas, que, passamos a ser motivados, pela procura do prazer imediato e pelas soluções de problemas da Natureza Humana, em uma tentativa de evitar o desprazer, que conduz à excessiva busca pelo prazer, como um modo de vida. Isto adquiriu tamanha dimensão que foi criado um neologismo, o verbo “midiatizar”, no Dicionário Aurélio: divulgar através dos meios de comunicação de massa; o Governo procura midiatizar sua ação social...
Desse modo, são esquecidas informações, divulgadas sem comprovação, acondicionadas em estridentes persuasões, tomadas como autênticas, até certo ponto, porém, parciais e/ou sem responsabilidade, por parte do/dos emitente(s). E elas podem ser mais danosas, que benéficas, para quem as recebe. A fonte geradora sempre é livre para transmitir o que deseja, sem qualquer censura.
Sendo assim, é organizado um gigantesco contingente de usuários, conforme suas afinidades, e facilitadas todas as formas de comunicações interpessoais. Tudo isso torna a vida mais prática. Contudo, torna, também, mais controvertidas as atribuições das dimensões políticas, midiáticas, ou culturais, quando ultrapassam determinados limites.
Porém, afirmar que a mídia, por si só, seja revolucionária, me parece um tanto exagerado. Um dos fatos mais convincentes é o incremento do hedonismo, entendido, aqui, como a tendência de buscar o prazer imediato, individual, como a única e possível forma de vida moral, para se evitar tudo o que possa ser desagradável, inclusive a presença real de um(a) parceiro(a) na cama, ou, em outro lugar, que se pretenda fazer sexo real.
Observem o disparate de alguns sexólogos, profissionais da área psicológica, quando afirmam: o sexo casual será ultrapassado pelo sexo virtual. Isto representa uma verdadeira blasfêmia!
Um periódico e uma revista, dos mais importantes da Europa, o Daily Telegraph, de Londres, e a Revista DER SPIEGEL, em 27.07.13, transformaram o sexo em público, em Berlim, em uma atração turística. Dizem eles: Faça turismo em Berlim, realize sua fantasia de fazer sexo em público, os parques preferidos para os casais mais conservadores (em carne e osso) e não o virtual. E aconselham os melhores locais: o parque Tiergarten (no centro da cidade), e Treptowe, este mais afastado, a oeste da cidade.
E tem mais! O jornal e a revista semanais noticiam que, a multa por fazer sexo em público é de cento e cinquenta euros, enquanto que, os desempregados, enfrentam uma pena bem menor: pagam, somente, trinta e quatro euros, fator que pode acarretar uma disputa social, em se tratando da extinta luta de classes.
A porta-voz da Agência Federal de Emprego, da Alemanha, ressaltou: "Isso cria incentivos distorcidos e divide a sociedade". Afinal, existe, apenas, um conjunto de multas por infrações de trânsito, e as mesmas dependem do ganho (ou não) de benefícios sociais.
Será que o problema é, somente, esse?
Caso seja, fica até mais barato, para os turistas brasileiros, viajar para Berlim, no verão europeu, e apreciar quão romântico é fazer amor em público. Imagine tudo isso no outono, quando as folhas das árvores ficam douradas... Por, só, cento e cinquenta euros, até que vale a pena satisfazer uma simples quimera sexual.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).
 

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