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segunda-feira, 22 de junho de 2026

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA QUALIFICAÇÃO

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Os debates sobre o conceito de qualificação concentram-se nas dimensões técnica e profissional, nas capacidades práticas e no conhecimento associado às técnicas do processo de trabalho, desenvolvidos por meio da formação e da experiência. No entanto, a avaliação, a identificação e o desenvolvimento das qualificações não devem ser compreendidos como processos essencialmente objetivos, mas como resultado de uma construção social.

Edgar H. Schein foi um psicólogo que uniu os universos acadêmico e pragmático da cultura e das organizações. Professor emérito da escola de negócios do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, Schein escreveu dezenas de livros sobre temas de ciências sociais, incluindo carreira, cultura organizacional, dinâmica de grupo e interações interpessoais.

Entre as contribuições mais duradouras do teórico estão as reflexões sobre os valores pessoais e as escolhas profissionais: o que motiva alguém a trabalhar? Quais valores centrais impulsionam a trajetória de uma pessoa? Como os funcionários desejam ser gerenciados ou recompensados? As respostas a essas questões determinam os pilares de uma carreira

Para Schein, a qualificação não se resume ao diploma técnico, mas envolve também o conhecimento tácito sobre como as coisas funcionam. Esse saber é construído socialmente à medida que os membros de um grupo aprendem juntos o que funciona e o que não funciona, internalizando essas lições como verdades inquestionáveis e as transmitem.

Trata-se do nível mais profundo de construção social: aquele em que os indivíduos "aprendem a perceber, pensar e sentir" de uma forma específica. Nessa perspectiva, a verdadeira qualificação está associada ao alinhamento com essa essência. A teoria da cultura organizacional, portanto, explica como competências e formas de "ser" e "agir" - isto é, a qualificação prática - são construídas, aprendidas e socialmente transmitidas dentro de um grupo.

Desde o início da nossa atuação à frente da Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE), no governo Elmano de Freitas, temos fortalecido esse processo de construção social da qualificação. Na semana passada, tivemos uma demonstração concreta desse "ser" e "agir" dos competentes servidores da Seplag-CE. Seis artigos científicos foram selecionados e apresentados no Congresso do Conselho Nacional de Secretários de Planejamento (Conseplan), ocorrido em Brasília.

Todos esses trabalhos, assim como a apresentação da palestra magna realizada no encerramento do evento, podem ser acessados no site da Seplag-CE (https://www.seplag.ce.gov.br/congresso-conspelan/). O leitor do jornal O POVO também poderá acessar todas as trilhas de aprendizagem da Escola de Gestão Pública (EGPCE) no site da instituição (https://escola.egp.ce.gov.br/). Nos últimos dois anos, a EGPCE capacitou mais de 32 mil pessoas.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 14/05/26. Opinião. p.21.


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Defesa de Memorial de Neto Cisne para Professor Titular da Administração da Uece

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, logo depois da defesa do Memorial do economista JOSÉ JOAQUIM NETO CISNE. O Prof. Neto Cisne está ladeado pelo professor Almir Bittencourt da Silva, à direita, e por Profs. Jair do Amaral Filho, Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Ana Augusta Ferreira de Freitas, à esquerda. (Foto cedida por Prof. Neto Cisne).

Ocoeeeu na tarde de ontem, quarta-feira (10/06/26), no Miniauditório Áurea Bessa do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual do Ceará - CESA/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Administração da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, formada pelos Profs. Drs. Ana Augusta Ferreira de Freitas (efetivo Uece), Jair do Amaral Filho (efetivo UFC), Almir Bittencourt da Silva (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e Krishnamurti de Morais Carvalho (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Thiciane Mary Carvalho Teixeira, aprovou o Memorial apresentado pelo professor doutor JOSÉ JOAQUIM NETO CISNE.

Congratulações efusivas ao professor Neto Cisne, por atingir o topo da carreira univsersitária, consolidada em sua decação à vida acadêmica, com substantivos feitos profissionais e pessoais, que sacramenam o seu pendor científico e a sua dedicação valioosa ao ensino superior.

Também dignos de encômios estão a graduação em Administração e os programas de pós-graduação em Administração da Uece, por contarem com o professor Neto Cisne em os seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-Uece


quarta-feira, 3 de junho de 2026

CONSAD NO CEARÁ: marco para a gestão pública

A Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag-CE) está trazendo para o Ceará o XV Congresso Consad de Gestão Pública, considerado o maior evento da área da América Latina. Pela primeira vez realizado fora de Brasília, o encontro ocorrerá entre os dias 20 e 22 de maio, no Centro de Eventos.

Com o tema "Governo Digital e Governança Interfederativa: a Agenda Estratégica do Estado do Futuro", o congresso adota uma abordagem multidimensional voltada ao fortalecimento da colaboração e à disseminação de boas práticas na gestão pública brasileira.

Vale ressaltar que a colaboração desempenha um papel fundamental na produção de conhecimento. Estudos recentes indicam que os padrões de interação em congressos podem ser usados para prever a formação de novas parcerias, mesmo quando essas interações são previamente organizadas e não escolhidas livremente pelos participantes.

Nesse contexto, destaca-se o estudo "Catalisando colaborações: interações prescritas em conferências determinam a formação de equipes", coordenado pelos pesquisadores Emma Zajdela e Daniel Abrams, da Universidade Northwestern. A pesquisa demonstrou que os participantes que formaram novas colaborações interagiram, em média, 63% mais do que aqueles que não o fizeram. Além disso, indivíduos inseridos em um cenário com maior interação apresentaram um aumento de mais de oito vezes na probabilidade d c (laborar.

O trabalho de Zajdela e Abrams, disponível em (https://arxiv.org/abs/2112.08468), não apenas sugere que os encontros entre indivíduos são importantes na definição do futuro da ciência, mas que também podem ser planejados para catalisar melhor as colaborações. No Ceará, essa dinâmica já vem sendo aplicada. A partir de 2025, o governador Elmano de Freitas orientou a implementação da governança interfederativa por meio do projeto Caravana Ceará Um Só, baseado justamente na cooperação entre o Estado e os municípios. A iniciativa já percorreu as 14 regiões de planejamento, levando boas práticas fiscais, administrativas e financeiras a mais de 4 mil gestores, servidores e técnicos municipais.

Ampliando essa lógica de cooperação, o XV Consad abre espaço para a produção científica e a interação entre pesquisadores, com a submissão recorde de 1.386 resumos de trabalhos. Diante da alta qualidade das propostas, professores de diversas universidades brasileiras enfrentaram o desafio de selecionar 400 resumos, cujos autores foram habilitados a desenvolver artigos completos que serão publicados em livro editado pela Escola de Gestão Pública do Ceará em parceria com o Insper.

As inscrições para o congresso já estão abertas e podem ser realizadas no portal oficial do evento (https://congressoconsad.org.br), que reúne todas as informações sobre a programação.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 30/04/26. Opinião. p.17.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Planejar para reformar: a necessária metagovernança da gestão interfederativa entre municípios e Estado

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O conceito de metagovernança surgiu a partir das discussões acadêmicas sobre governança na ciência política e na administração pública, sendo amplamente associado aos teóricos Eva Sørensen e Jacob Torfing. Segundo eles, os estudiosos negligenciaram o tempo como uma dimensão fundamental na formulação e na gestão das políticas públicas contemporâneas.

Ao defenderem uma “virada longitudinal” no campo da Administração Pública, Sørensen e Torfing ressaltam que é preciso levar mais a sério as dinâmicas temporal e territorial. O conceito e a prática da metagovernança trazem a necessidade de um tripé: o setor público, na dimensão interfederativa; as redes relacionais; e a estrutura hierárquica.

É exatamente nesse contexto de metagovernança, baseada na articulação interfederativa, que se inserem os desafios atuais dos municípios cearenses — especialmente a implementação de um novo modelo de tributação, a reestruturação da previdência municipal e os avanços necessários na governança digital. Esses temas orientam as ações da Caravana Ceará um Só 2026, iniciativa liderada pela Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), em parceria com a Escola de Gestão Pública.

Da reconfiguração cadastral à construção de um novo modelo de desenvolvimento econômico, a organização da gestão municipal é função precípua do planejamento. Pensar e estruturar as bases para a metagovernança, por sua vez, é atribuição da Seplag, conforme previsto na Lei nº 18.709, de 27 de março de 2024.

De modo resumido, a Caravana articula um conjunto de ações convergentes voltadas ao fortalecimento das capacidades institucionais municipais, com ênfase na modernização cadastral e tributária — como a adesão ao Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) e o aprimoramento da fiscalização do Imposto Sobre Serviços (ISS) —, no avanço da governança digital, incluindo planos municipais alinhados à Estratégia Nacional de Governo Digital, portais integrados e a digitalização de serviços, bem como na qualificação dos servidores, na gestão previdenciária e financeira, na valorização dos ativos públicos, no apoio às compras institucionais e no estímulo à cidadania orçamentária.

Mesmo diante de ações concretas, os desafios estruturais da metagovernança podem não admitir solução definitiva. Exigem abordagens coordenadas, aprendizado contínuo e novos arranjos de governança capazes de integrar diferentes esferas da Administração Pública e promover a resolução conjunta de problemas para além das fronteiras organizacionais, territoriais e setoriais.

A confiança e a credibilidade construídas junto aos municípios constituem a maior demonstração desse processo, reforçando a importância de um modelo fundamentado na cooperação e no compartilhamento de conhecimentos.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 11/12/25. Opinião. p.17.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Índice CFA de governança municipal para um desenvolvimento sustentável

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs, pela Agenda 2030, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 169 metas, visando à erradicação da pobreza, a proteção do planeta e a garantia da prosperidade e de todos os povos, orientada pelos princípios dos 5Ps: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias.

Tratando-se de ação integrada, global e corporativa, envolvendo governos, setor privado, sociedade civil e cidadãos, o Conselho Federal de Administração (CFA) entendeu dever participar ativamente, montando o Índice CFA de Governança Municipal (IGM-CFA) como forma de apoiar os municípios brasileiros no alinhamento de suas políticas públicas aos ODS, nas dimensões financeira, de gestão e de desempenho.

O IGM-CFA oferece diagnósticos de maior eficácia da realidade dos municípios, permitindo decisões baseadas em análises documentais, levantamentos estatísticos, estudos de caso, dentre outras ações, favorecendo, para além do alinhamento ao ODS, o aprimoramento da gestão, a melhoria da qualidade de vida dos habitantes, o acesso a fontes de financiamento mais adequadas e a sustentabilidade.

Esses estudos permitem mostrar, com mais clareza, os principais desafios com que se defrontam os gestores municipais, em termos técnicos, orçamentários e culturais, mostrando-se como uma inovação a reforçar o desenvolvimento de cidades sustentáveis, inclusivas e resilientes, diretrizes expostas na agenda urbana orientada para resultados.

O envolvimento dos profissionais de Administração é fundamental, dados os conhecimentos acumulados em sua formação. Assim, o Conselho Regional de Administração (CRA-CE) vem apoiando esses trabalhos, cujas experiências já mostram resultados promissores no Ceará.

Recentemente, em reunião na Academia Cearense de Administração (Acad), o projeto foi amplamente debatido, levantando-se novas perspectivas para a expansão dessa iniciativa, considerando-se que é nos municípios que residem as pessoas, neles estando, portanto, os problemas, mas também as soluções mais adequadas, que ferramentas como o IGM-CFA apontarão com maior segurança.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/10/25. Opinião. p.18.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Issec, da conquista à omissão governamental

Por Heitor Férrer (*)

Na década de 1970, os servidores públicos do Ceará contavam com o antigo Ipec para atendimento médico-odontológico. Não se tratava de luxo, mas de um reconhecimento à dedicação daqueles que sustentavam e sustentam a máquina estatal. Lembro-me de um episódio marcante quando, certa vez, minha mãe adoeceu e, na mesma manhã, compareceu em nossa residência, o dr. Heládio Feitosa, conduzido por um carro oficial, para examiná-la. Veja o padrão de dignidade concedido ao nosso servidor público.

Com a Constituição de 1988, tal modelo não pode continuar. O privilégio sem contrapartida foi substituído pelo princípio contributivo, impondo ao servidor a responsabilidade de participar do custeio também. Justo. Para manter o benefício teria que contribuir.

Foi então que o governador Camilo Santana, com lucidez, reformulou o Issec, criado em 2007, estabelecendo o desconto em folha, para garantir equilíbrio financeiro e assegurando aos servidores um plano de assistência médica sólido, digno e previsível. O Estado assumiu o compromisso de aportar recursos proporcionais, dividindo o peso e preservando o patrimônio de quem dedica a vida ao serviço público.

Chega o governo Elmano de Freitas e, com ele, a incerteza e a instabilidade. A engrenagem começa a ranger. Em 2024, os servidores contribuíram com R$ 214 milhões e o governo com apenas R$ 110 milhões, menos da metade. Os efeitos dessa quebra de compromisso não demoraram. As clínicas passaram a pedir descredenciamento e os médicos especialistas vêm deixando de prestar serviços ao Issec. Precariza-se o atendimento ao servidor público, que todo mês tem o desconto feito no seu contracheque, mas, ao buscar atendimento médico, se depara com desassistência. A clínica lhe bate as portas; seu médico já não está mais credenciado.

Diante do caos, solicitamos uma audiência pública para tratar do assunto na Assembleia Legislativa. Seria o momento do Governo explicar, justificar ou ao menos ouvir, mas a ordem é muito clara: o governo não quer o debate e a audiência pública até hoje não foi aprovada na comissão de saúde.

O Issec, que nasceu como conquista, hoje cambaleia como fracasso. O desmonte não é obra do acaso, mas fruto da omissão deliberada de um governo que prefere posar de popular às custas do sacrifício silencioso dos servidores.

Faço aqui um apelo ao governador para que haja respeito àqueles que sustentam o Estado e sua popularidade. Não destrua o que foi construído com responsabilidade e zelo pelo seu antecessor. Os servidores não pedem favor, pedem dignidade e respeito. A verdadeira dimensão desse sofrimento só é sentida por quem, em meio à necessidade de atendimento médico, vê seu pedido negado, mesmo tendo arcado, religiosamente, com sua contribuição mensal em folha.

(*) Médico e deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/08/2025. Opinião. p.19.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Os resultados do Programa Ceará Mais Digital

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

A palavra startup, originária da língua inglesa, combina os termos: start (começar) e up (para cima). Assim, são compreendidas como empresas que já nascem em ascensão, baseadas em inovação, disrupção e escalabilidade — ou seja, com alto potencial de crescimento e alcance.

Historicamente, a busca por soluções tecnológicas tem impulsionado avanços econômicos e sociais. De acordo com uma pesquisa recente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - disponível em https://www.oecd.org/en/publications/oecd-science-technology-and-innovation-outlook_25186167.html-, há forte presença das universidades na gestação e incubação de startups. O estudo revela que, a cada dez iniciativas do tipo nos países da OCDE, sete são fundadas por acadêmicos.

Essas startups acadêmicas representam uma oportunidade única de transformar descobertas científicas em soluções de mercado, com amplo impacto social. Conforme os dados divulgados, entre 2010 e 2021, essas empresas tiveram 70% mais chance de obter financiamento e apoio por meio de programas de assistência, como aceleradoras e incubadoras. O valor gerado por essas empresas equivale quase ao Produto Interno Bruto (PIB) de uma economia do G7 – grupo formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

Em 2021, os investimentos em startups superaram US$ 600 bilhões. O número de “unicórnios” — startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão — já ultrapassa mil e segue crescendo. Nesse cenário, o Estado busca protagonismo com o Programa Ceará Mais Digital. A Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag-CE), em parceria com a Fundação Demócrito Rocha e a Casa Azul, realizou concurso para premiar startups que tivessem como foco a governança interfederativa e a inteligência artificial.

O objetivo era selecionar soluções práticas para adoção e compartilhamento com os municípios cearenses. Das nove startups selecionadas, três foram premiadas. A campeã, Sued – Ficha Técnica, criou uma plataforma digital para o processo de produção e consumo de alimentos, aplicada ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que beneficiou, em 2024, cerca de 150 mil escolas e 40 milhões de estudantes.

A segunda colocada, Acqualog, desenvolveu sensores para monitorar a qualidade da água. O terceiro lugar ficou com a 4Eduaction, que criou jogos educativos e desafios para o ensino médio.

As três soluções têm alto potencial de aplicação prática e estão sendo preparadas para um processo de aceleração e escala, com acompanhamento de desempenho e avaliação de impacto nas políticas públicas.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 12/06/25. Opinião. p.17.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Microempreendedores individuais avançam na economia caririense

Por Rita Fabiana Arrais (*)

Uma pergunta me inquietou no instante em que fui realizar o pagamento por um serviço de jardinagem. Ouvi: “A senhora pode fazer um pix para a conta da minha empresa de paisagismo? Agora sou Microempreendedor Individual (MEI) com CNPJ".

A Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, formalizou o trabalhador individual (com faturamento anual de R$ 81 mil), anteriormente autônomo, agora como figura jurídica, com direitos (Cobertura previdenciária; Redução da carga tributária; Facilidade para vender para o governo etc.), e obrigações (Emissão de Nota Fiscal; Declaração Anual Simplificada (DASN SIMEI); Relatório Mensal de Receitas Brutas Mensalmente) (Sebrae, 2024).

A economia da Região Metropolitana do Cariri (RMC) se expande como num processo de ramificações - em que os pequenos negócios se estruturam - nos setores de grande demanda, beneficiando a concorrência e a negociação de preços pelos consumidores. Logo, o cenário crescente de atuação dos MEIs impulsiona a cadeia produtiva e consolida os setores do comércio, serviços e construção civil.

Dados fornecidos pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Sebrae, no primeiro trimestre de 2025, revelam que há no Brasil aproximadamente 15 milhões de MEIs, dos quais mais de 470 mil estão no Ceará. Neste quantitativo relevante, a RMC impõe a Juazeiro do Norte (14 mil), Crato (5.145) e Barbalha (2.099) a proeminência de MEIs ativos (Jucec, 2024).

É inegável que as políticas públicas inseridas na área de programas de crédito imobiliário, microcrédito para inscritos no CadÚnico e renegociação de inadimplentes com dívidas bancárias promovem a sobrevivência das MEIs, ao mesmo tempo em que impulsionam o aumento da formalização no País.

Empreender por necessidade é um caminho fácil e rápido, porém não permite as observações e as análises necessárias para o conhecimento do mercado. É real que os "Microempreendedores Individuais têm a menor taxa de sobrevivência no Brasil, com apenas 57,7% dos negócios ativos após cinco anos de operação" (Sebrae, 2024).

Escolha empreender por oportunidade. Busque apre(en)der sobre as ferramentas úteis para o seu negócio permanecer no mercado. E junte-se aos parceiros que amparam seus sonhos.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 11/04/25. Opinião. p.19.


quarta-feira, 16 de abril de 2025

HOLDING FAMILIAR: é o fim do inventário e da partilha?

Por Antônio Araújo (*)

O que se entende por holding familiar? Esta pergunta me foi feita por um médico, com quem me consultei há alguns dias; igualmente, foi-me feita por um ex-aluno, com quem me encontrei na secção de hortifrúti do supermercado, e se repetiu várias vezes em mensagens que recebi pelo WhatsApp.

Esta pergunta anda nas cabeças e anda nas bocas de quem construiu um patrimônio e quer saber se é possível transmiti-lo aos seus herdeiros por um processo de partilha mais rápido e menos oneroso do que o tradicional inventário e partilha.

A essas pessoas eu respondo que é possível, por meio da holding familiar, descrita aqui em poucas palavras, apesar da complexidade do tema, a começar pela ideia de que, no direito societário, este conceito se refere a um sistema de organização do patrimônio familiar.

Tal sistema, na maioria dos casos, é formado por uma sociedade limitada, que incorpora ao seu capital social os bens do sócio fundador que, por sua vez, distribui cotas da sociedade para os seus herdeiros e, eventualmente, para outras pessoas, conforme o seu desejo.

Vale ressaltar que a criação da holding familiar se inicia com o seu registro na Junta Comercial, sob a orientação de advogado e contador, e o seu capital é integralizado com os bens da família, que migram do CPF do proprietário para o CNPJ da empresa.

Essa holding é regida por contrato social com cláusulas de direitos e obrigações dos sócios, entre elas, a cláusula de usufruto e a cláusula de administração vitalícia, que garantem ao proprietário o controle do patrimônio até o fim da sua vida, antes da sucessão hereditária, depois que ele falecer.

A propósito, esta sucessão é desburocratizada, rápida e menos onerosa, em comparação com o inventário, e basta que os herdeiros compareçam à Junta Comercial com a certidão de óbito do de cujus para comprovar o fim do usufruto e efetivar o que determina as cotas.

Para tanto, é necessário pagar o ITCMD, cuja base de cálculo é o valor do bem declarado no imposto de renda, portanto, inferior ao valor venal, como ocorre no inventário. Mas cada caso é um caso, e dada a complexidade do tema, é fundamental a orientação do advogado.

(*) Advogado.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/03/25. Opinião, p.16.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

A CAPACITAÇÃO DAS LIDERANÇAS

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

A Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado (Seplag) formulou e lançou o Programa de Governança fiscal Interfederativa para formação de líderes nos municípios cearenses. Agentes públicos qualificados são fundamentais para a execução eficaz das políticas e têm potencial para transformar a qualidade de vida dos cidadãos. Para contribuir com os municípios cearenses nesse desafio, compartilhar sua expertise e fortalecer ainda mais o seu papel de indutor do desenvolvimento, o Governo do Ceará, por meio da Seplag e da Escola de Gestão Pública (EGPCE), assinou o termo de cooperação com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e a União dos Vereadores e Câmaras do Ceará (UVC).

O Programa de Capacitação já se inicia nessa sexta-feira, dia 12 de julho e, durante o evento, apresentaremos e disponibilizaremos uma trilha de conhecimentos em Ensino à Distância (EAD), de forma presencial e híbrida. Foram sete trilhas de conhecimentos construídas e realizadas a partir de pesquisa direta junto aos 184 municípios cearenses. Iniciaremos também no dia 12 um painel específico sobre a cota-parte do ICMS, uma fonte de receita significativa para construção das políticas públicas dos municípios cearenses.

Nosso papel é fazer uma grande rede de cooperação com o Centec, Aprece, UVC e universidades. Hoje, temos uma condição, no âmbito da tecnologia, da formação e do conhecimento de podermos ampliar, transferir e compartilhar conhecimento para os municípios. Assim, a assinatura desse termo é muito importante, pois estamos levando qualidade do setor público cearense para os municípios. Estamos colocando a governança interfederativa à disposição dos municípios cearenses. Ou seja, estimulando o processo de liderança, também no âmbito municipal, pois este é um programa de Estado.

Este programa tem o pioneirismo no Brasil, onde tivemos oportunidade de apresentar no Centro de Gestão e Políticas Públicas, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em São Paulo. Esta iniciativa se converte em uma política de Estado, orientada pelo governador Elmano de Freitas que, de fato, implementa o Programa de Governança Fiscal Interfederativo, denominado de "Ceará um Só".

Mais uma vez o Estado do Ceará será uma referência no Brasil, integrando os municípios cearenses nas políticas públicas de interesses comuns. A nossa missão de melhorar a administração pública cearense, por meio da formação de pessoas e geração de conhecimento em gestão e governança, soma-se as iniciativas de geração e propagação se baseando sempre em evidências para o desenho, implementação, gestão e avaliação das políticas públicas, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social nas esferas municipais. Toda a programação poderá ser acompanhada a partir da https://www.seplag.ce.gov.br/.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 11/07/24. Opinião. p.23.

domingo, 11 de junho de 2023

HIERARQUIA EMPRESARIAL

Imagem autoexplicável.

Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 3 de junho de 2023

A VERDADE SOBRE O CONGRESSO...

Era uma vez um governo que tinha um vasto depósito de sucata no meio do deserto. 

O Congresso disse: "Alguém pode roubar essas peças à noite". Então, eles criaram uma vaga de trabalho e contrataram um vigia noturno.

Em seguida, o Congresso disse: "Como é que o vigia vai fazer o seu trabalho sem instrução?'' Assim, eles criaram um departamento de planejamento e contrataram mais duas pessoas, uma para escrever as instruções e outra para fazer estudos de tempo para essa função.

E então, o Congresso disse novamente: "Como saberemos se o vigia noturno está fazendo suas tarefas corretamente?'' Assim, eles criaram o Departamento de Controle de Qualidade e contrataram mais duas pessoas. Um para fazer os estudos e outra para escrever os relatórios.

Uma nova dúvida surgiu e o Congresso disse: "Como essas pessoas vão receber o pagamento?" Assim, eles criaram mais duas posições de trabalho: uma pessoa para gerenciar o tempo dos trabalhadores e outra para cuidar da folha de pagamento e os contrataram imediatamente.

Em seguida, o Congresso disse: "Quem será o responsável por todas essas pessoas?" Então mais uma vez, eles criaram uma seção administrativa e contrataram três pessoas: um oficial administrativo, um assistente do oficial e um secretário legal.

No final do ano, o Congresso percebeu que estava algo errado e fala: "Nós tivemos este comando em funcionamento há um ano e estamos R$ 18.000 acima do orçamento, nós devemos cortar custos".

Então, eles demitiram o vigia noturno!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

A EXECUTIVA BEM-SUCEDIDA VAI PARA O CÉU

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou-se. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal. Ainda meio tonta, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo largos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava a acontecer, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar com urgência para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque o meu seguro de saúde é Platina, e isto aqui está a parecer-me mais a urgência dum Hospital público. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- O céu, CÉU....?! Aquele com querubins, anjinhos e coisas assim?

- Exato! Aqui vivemos todos em estado de graça permanente.

Apesar das óbvias evidências, ausência de poluição, toda a gente a sorrir, ninguém a usar telemóvel, a executiva bem-sucedida levou tempo a admitir que havia mesmo batido as botas.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor a senhora conversar com Pedro, o coordenador.

- É?! E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

Assim? (...)

- Quem me chama?

A executiva bem-sucedida quase desabava da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Porém, a executiva tinha feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu logo:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século veio?

- Do XXI. O distinto vai dizer-me que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se me permite, gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para essa gente toda aí, só na palheta e andando à toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PhD em reorganização. Por exemplo, não vejo ninguém usando identificação. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Percebeu? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar em anarquia. Mas podemos resolver isso num instante implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, parece-me extremamente atrativo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, teremos de nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias da praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho a certeza de que vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar num turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que a senhora terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”. De autoria ignorada, mas pela grafia lusitana deve ter sido elaborada em Portugal.


domingo, 15 de maio de 2022

UM CEO MUITO ZANGADO

A General Motors do Brasil, sentindo que estava na hora de fazer umas mudanças, contratou um novo CEO. O novo chefe estava determinado a livrar a empresa de todos os preguiçosos.

Em um passeio pelas instalações, o chefe notou um homem encostado na parede. A sala estava cheia de funcionários e ele queria demonstrar como a empresa seria gerenciada a partir de agora.

Ela se aproximou do homem encostado na parede e perguntou: "Quanto você ganha por semana?"

Um pouco surpreso, o jovem olhou para ele e respondeu: "Ganho R$ 400 por semana. Por quê?"

O CEO deu ao homem R$ 1.600 em dinheiro e gritou: "Aqui estão quatro semanas de pagamento. Agora, saia e nunca mais volte!"

Sentindo-se muito bem consigo mesmo, o chefe olhou em volta e perguntou: "Alguém quer me dizer o que esse maldito preguiçoso estava fazendo aqui?"

Do outro lado da sala, ouviu-se uma voz, dizendo: "Chefe, esse era o entregador de pizza".

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

terça-feira, 15 de março de 2022

ESG, greenwashing e socialwashing

Por Lauro Chaves Neto (*)

O ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês) segue firme e forte na sua crescente mobilização de adeptos. Algumas práticas são rotuladas de ESG, mas, na realidade, não conseguem agregar valor ao negócio e tendem a ser abandonadas ao longo do tempo; já outras possuem um viés ainda mais danoso, ao divulgarem ações que não possuem conexão com a realidade.

Uma empresa que tentasse mostrar, através de propaganda, que faz mais pelo meio ambiente do que aquilo que realmente executa, estaria utilizando-se de uma propaganda enganosa, porém o vocabulário corporativo prefere usar o termo "greenwashing", nesses casos. Já quando são "falsas" informações sobre iniciativas sociais é comum se usar o termo "socialwashing". Vale reforçar que ESG não é um produto ou serviço que a empresa compra de um fornecedor, é uma mudança na cultura organizacional, uma verdadeira transformação no mindset.

Um dos erros que mais se repete no mundo corporativo é divulgar iniciativas sustentáveis que foram planejadas e ainda não colocadas em práticas, ao invés de focar a propaganda nos resultados efetivos de iniciativas exitosas.

O impacto do greenwashing ou do socialwashing extrapola a reputação da organização que o praticou, a ação desvirtua a própria natureza das ações sustentáveis e tende a contaminar a confiança da sociedade em ações ESG. As boas práticas devem continuamente ser validadas, é recomendável que os especialistas em ESG participem da concepção e da aprovação das campanhas, reduzindo o risco de alguma distorção.

Há três ou cinco anos, poucos conheciam algo sobre ESG, o tema avançou nas pautas empresariais e governamentais, embora que de forma ainda superficial. Para o bem ou para o mal, as organizações passaram a se denominar verdes, sustentáveis e com o propósito em questões sociais. O que abriu a oportunidade para o greenwashing e o socialwashing.

Vincular as questões ambientais, sociais e de governança à cadeia de valor da organização é uma estratégia de negócios que irá contribuir para a sustentabilidade da empresa, exatamente o contrário dos resultados do greenwashing e do socialwashing. 

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 10/01/22. Opinião. p.14.

sábado, 6 de novembro de 2021

TRÊS MACAQUINHOS CAROS

Um homem entra em uma loja de animais e começa a olhar através das gaiolas para ver os bichos.

Em seguida, vê um macaco que custa US$ 5.000 e vai até o funcionário para pedir mais detalhes.

"Olá, uma pergunta, você sabe por que o macaco vale tanto dinheiro?"

"Bem, esse macaco sabe tudo sobre o Windows 7 e Windows 10 e também conhece o Word, C ++, .net, programação de aplicativos e, por último, mas não menos importante, ele sabe jogar jogos de computador".

"Uau, bom macaco, vale o dinheiro investido."

O homem continua a visitar a loja e encontra outro macaco com um preço de US$ 10.000 e, novamente, perguntará ao funcionário.

"E qual é a especialidade deste macaco?"

“Este macaco entende de Linux, Unix, Corel e Autocad".

"Uau, nem eu sei essas coisas."

Em uma volta final, ele encontra outro macaco sentado lá com um preço de US$ 20.000.

A história se repete, e o homem vai até o funcionário para pedir os detalhes do macaco.

"E o que esse macaco faz por tanto dinheiro?"

"Honestamente, nunca o vi fazer nada, mas os outros dois o chamam de gerente de projetos."

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

MARKETING NO SERVIÇO PÚBLICO, UMA NECESSIDADE!

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Lecionando a disciplina de Marketing há mais de 33 anos, estou convencido de que o serviço público muito terá a ganhar com a sua adoção. Nós, cidadãos, ainda mais.

Primeiramente é importante desmistificar esta filosofia, arte e ciência, muitas vezes confundida com suas ferramentas, em especial a propaganda (normalmente enganosa) e a venda (muitas vezes forçada). É comum lermos ou ouvirmos "o Marketing da empresa x..." ao se referir a uma promoção, por exemplo.

Considerando os três pilares em que se assenta o Marketing e os ensinamentos de diversos formuladores, em especial Philip Kotler, constatamos que os seus praticantes somente têm a ganhar.

O primeiro pilar compreende o conhecimento dos verdadeiros desejos e necessidades do cliente/cidadão. O segundo, o atingimento dos objetivos da empresa/governo a partir da satisfação do primeiro pilar. O terceiro, o respeito ao bem-estar da sociedade, este obviamente deve ser natural ao serviço público.

Trazido para o âmbito dos governos, o planejamento deve fugir dos padrões tradicionais e buscar ouvir, de fato e in loco as comunidades, verdadeiras detentoras do conhecimento e da prioridade dos seus problemas e das formas de solução mais adequadas.

A partir deste levantamento, deve-se construir projetos bem elaborados e participativos, para aprimorar os benefícios esperados e facilitar a aprovação legislativa, quando for o caso, por se referir a anseios vindos da própria sociedade.

Na elaboração dos projetos, deve-se definir os fundamentos da prestação de contas, aprimorando também essa importante ferramenta de interação com a sociedade, que é a financiadora de todas as ações governamentais e deve então estar sempre bem informada.

É óbvio que não é tarefa fácil convencer a quem enxerga Marketing apenas como venda com retorno financeiro. Não é isto que ensina a teoria. Marketing "vende" também ideias e ideais e, portanto, bem empregado resultará em ganhos para o governo, por melhor cumprir seus compromissos, e para a comunidade por se ver, enfim, contemplada na solução compartilhada de seus problemas.

(*) Professor da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/08/21. Opinião, p.22.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

JOÃO ALVES DE MELO, uma história de vida

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Tive o privilégio de fazer a apresentação do livro "João de Melo, o BNB e o Desenvolvimento do Nordeste: uma história de vida" que retrata o cearense João Alves de Melo, ex-presidente do BNB, ex-secretário municipal e estadual e atual presidente da Academia Cearense de Administração - Acad.

Desde sua infância no interior, marcada pelo trabalho em tenra idade, mas com uma orientação familiar e uma vontade própria de mudar os rumos da vida pelos estudos, Melo dá exemplos preciosos de abnegação e tenacidade.

Jovem, partiu para a Escola Agrícola São Sebastião, em Jaboatão-PE, um Aspirantado Salesiano que oferecia hospedagem e alimentação, com contrapartida em trabalhos agropecuários ou domésticos.

Melo não se assustou com a mudança em sua vida e seguiu com determinação, aplicando-se com afinco, até que a distância da família, a dura lida diária e, principalmente, a inauguração de um ginásio em Iguatu motivaram seu retorno ao lar.

Completado o ginásio, e já funcionário concursado do BNB em Campos Sales, incentivou ali a criação de uma Escola Normal para assim poder se habilitar ao vestibular. Graduou-se em Economia e em Administração, sendo hoje Mestre pela Universidade Estadual do Ceará - UECE e Doutor pela centenária Universidade de Coimbra.

No BNB, destacou-se por suas excelentes contribuições e, como chefe de gabinete da presidência e diretor, preparou-se para depois assumir, com brilho, a sua presidência e aprofundar essas contribuições, agora de forma mais ampla e profunda.

Foi o mentor de projetos que ainda elevam o nome do BNB, como o Programa de Desenvolvimento do Turismo - Prodetur e o Programa de Geração de Emprego e Renda - PROGER. Destaco ainda a sua atuação nos bastidores, de fundamental importância para a inclusão do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE, na Carta Magna de 1988.

São apenas alguns detalhes, pelo espaço deste artigo, que ressaltam este exemplo digno de um cidadão voltado para o aprender e o compartilhar, como o fez em sua vida no BNB, na Prefeitura de Fortaleza, no Governo do Estado e por onde passou e vai passar. Parabéns, Melo!

(*) Professor da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/7/21. Opinião, p.18.

 

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