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terça-feira, 21 de outubro de 2025

OS MEUS POR QUÊS SOBRE O BRASIL

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Dadas as notícias publicadas recentemente, me lembrei dos meus inúmeros "por quês" sobre este ente chamado governo brasileiro, ao qual eu servi por 44 anos como professor universitário. Agora vou explicitá-los. Por que não se ensina ao brasileiro, desde a infância, o respeito às leis?

Por que os governos no Brasil demoram tanto a tomar suas decisões, mesmo as mais óbvias? Há projetos de lei que estão no Congresso há mais de 20 anos. Aqui vou dar uma parada nos meus "por quês" e dar um exemplo dessa demora. Tomemos o caso do uso dos cintos de segurança.

Eu estudei nos Estados Unidos há 52 anos. Já naquela época, lá o motorista era obrigado a usá-lo.

Na realidade o Governo brasileiro instituiu a obrigatoriedade dos veículos aqui fabricados viessem com o cinto de segurança já em 1968. Mas, por que a obrigatoriedade do uso desse dispositivo só passou a ser exigida a partir de setembro de 1997?

Voltemos aos "por quês". Por que somente agora, depois que muitos países já a adotaram, o Congresso Nacional aprova lei que proíbe o uso de celulares nas salas de aula? Por que a construção de qualquer obra pública no Brasil demora muito mais para ser concluída do que está previsto? E por que os custos finais sempre são bem maiores que os custos iniciais previstos?

Veja-se o exemplo da Transnordestina. Por que as construções, no Nordeste, principalmente de edifícios, não deixam instaladas placas fotovoltaicas para uso de energia solar? Por que o Brasil não adotou o modelo universal de tomadas elétricas? Por que a lei de trânsito no Brasil não é mais rígida contra os transgressores?

Por que os governantes no Brasil (federal e estaduais) teimam em indicar para cargos diretivos de suas empresas estatais ou para Conselheiros de seus Conselhos de Conta, pessoas que, no mais das vezes, não têm capacidade técnica para assumir tais cargos? O caso do INSS é um bom exemplo.

Por que o Congresso Nacional é o segundo Congresso mais caro do mundo? Por que um Senador pode contratar até 83 assessores parlamentares? Por que o Congresso Nacional não permite a tributação de grandes fortunas? Por que os políticos brasileiros tornam os cargos eletivos como verdadeiros empregos? E até querem se perpetuar como "representantes do povo". Por que o Regimento Interno do STF (e dos tribunais) tem força de lei? Por que o STF não é formado somente pelos mais doutos na ciência jurídica?

Por que se permite que pessoas que sequer passaram em concurso para juiz de primeira instância, sejam "juiz de suprema instância"? Por que, no Brasil, um Professor Universitário paga mais IR que muitos milionários brasileiros? Por que o Brasil, na verdade, é um "paraíso fiscal"? Quem souber responder a estes "porquês", responda-me.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 21/09/25. Opinião. p.18.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

O BRASIL E SEU 28º ESTADO

Por Heitor Férrer (*)

Desde criança do interior, sempre sonhei com o Brasil liderando o mundo. Tinha uma inveja danada quando via as manchetes dos jornais falarem dos "norte-americanos" como a maior potência do planeta. Inocentemente, sonhava em sermos chamados de os "sul-americanos", como sinônimo de hegemonia aqui na América do Sul. Já se vão mais de 50 anos. Para não ser de um todo pessimista, podemos bater no peito e gritar que somos o 5º maior país em extensão territorial, a 6ª maior população do globo, o 7º mercado consumidor da Terra e a 8ª maior economia. Em ato continuo, baixamos a cabeça e humilhados nos calamos diante da vergonhosa condição de termos mais de 16 milhões de pessoas nesse riquíssimo Brasil, morando em favelas, 8% de nossa população, números do Censo 2022. Nesses aglomerados, 16 milhões de nossos irmãos vivem comendo o pão que o diabo amassou, sem ter acesso a saneamento básico, saúde, educação e segurança, enfrentando dia e noite as perversas mazelas da pobreza, onde muitos jovens, com um futuro pela frente, veem suas vidas interrompidas.

De 2010 a 2022, o Brasil registrou 6 mil novas favelas e quase 5 milhões de pessoas a mais morando nelas. Andamos para trás. Todo e qualquer trabalho em cima disso é apenas para resgatar prejuízos sociais que foram negados ao longo de nossa construção, desde a colonização, passado pelo império, república velha, república nova. A herança que nos foi deixada por nossos construtores é uma tragédia nacional e continuamos a vislumbrar uma herança não menos diferente para nossas futuras gerações. É culpa dos atuais governantes? Não, mas está no colo deles o "legado" e cabe a eles a solução.

Com esses dados do IBGE, tenho a petulância de dizer que o Brasil tem o seu mais novo Estado, o 28º, o 4º mais populoso, com 16 milhões de almas sofridas, vítimas da omissão do poder público, que negou a esses o direito à cidadania e à dignidade da justiça social, deixando-os a mercê da própria sorte, jogando-os no infortúnio da desventura.

Diante de tudo isso, ainda vejo reportagens e entrevistas de pessoas na televisão falando da força das favelas, de sua resistência, uma verdadeira enaltação à sua existência. Força tem a Quinta Avenida, Wall Street, Copacabana, Avenida Paulista, Meireles, Aldeota e tantas outras. Querer defender a existência de favelas como símbolo de força é não ter a noção mínima das condições sub-humanas em que esses irmãos brasileiros vivem, ou melhor, sobrevivem e nenhuma política pública desse país pode ser pensada sem focar nessa perversa realidade.

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/11/2024. Opinião. p.19.


terça-feira, 1 de outubro de 2024

OBRIGADO, DOM ADELIO!

Por O Povo, Editorial

O Ceará se despede de um dos religiosos mais atuantes e queridos pelo Estado. Dom Adelio Giuseppe Tomasin, bispo emérito da Diocese de Quixadá, morreu aos 94 anos nessa segunda-feira, 30 de setembro. Após enfrentar muitos problemas de saúde, o bispo italiano não resistiu e faleceu depois de dias internado no Hospital e Maternidade Jesus, Maria e José - a propósito, uma das benfeitorias que ajudou a criar.

Considerado um revolucionário no município de Quixadá, no Sertão Central, foi ele o responsável também por outras grandes obras na região, como o Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, a Rádio Cultura de Quixadá, a Escola Rainha da Paz e o Remanso da Paz. Conta-se que, para a construção do Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, ele teria - ele mesmo - aberto caminho a facão até a localização do espaço, iniciando daí a abertura da estrada em 1988. Também são dele as iniciativas pela criação de três instituições de ensino superior, responsáveis pela formação de incontáveis profissionais, que são a antiga Faculdade Católica Rainha do Sertão (hoje UniCatólica - Centro Universitário Católica de Quixadá), a Faculdade Cisne e, mais recentemente, a Faculdade Dom Adelio Tomasin (Fadat). Parte dele, portanto, a ideia de transformação de Quixadá em uma cidade universitária.

Dom Adelio deixa um legado de serviço à Igreja, mas também de dedicação ao povo que muito o acolheu. Ao longo de seu ministério, o religioso contribuiu enormemente para o desenvolvimento do Sertão Central, dedicando-se a obras que se tornariam grandes realizações para a região e benfeitorias notáveis para usufruto da população.

Idealizador de importantes instituições consideradas referências para a região, o bispo marca seu nome como um homem incansável no trabalho e acolhedor no carisma. Há um legado espiritual irrefutável de pastoreio e, além disso, existe um legado social incomparável de empenho e trabalho social.

Dom Adelio administrou a Diocese de Quixadá de 1988 a 2007. Foi nomeado bispo pelo papa João Paulo II em 16 de março de 1988 e ordenado em 26 de março de 1988. Tomou posse em 29 de maio de 1988, na Solenidade da Santíssima Trindade. Quando completou 75 anos de idade, conforme prevê o Código de Direito Canônico, dom Adelio enviou sua carta de renúncia, que foi aceita pelo papa Bento XVI, em 3 de janeiro de 2007.

O religioso Adelio Giuseppe Tomasin nasceu em Montegaldella, na Itália, em 27 de abril de 1930. Cursou Filosofia no Seminário Maior de Verona e concluiu o curso de Teologia no Seminário Arquidiocesano de Ferrara, sendo ordenado sacerdote em 26 de março de 1955, quando assumiu a reitoria da Casa de Formação de Roncá, província de Verona.

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota de pesar assim como o Governo do Estado e tantas outras instituições em variadas instâncias. A Prefeitura de Quixadá decretou luto oficial de três dias.

Faz-se dever da sociedade cearense apontar o reconhecimento ao bispo emérito que soube pastorear com sabedoria um rebanho marcado por várias gerações. Seu exemplo de dedicação ao serviço, de zelo com a comunidade e de compromisso pastoral é lembrado como indelével por todo um povo. As contribuições materiais, mais visíveis e palpáveis, estão à vista como prova de sua ajuda empreendedora ao crescimento da região. No entanto, e sobretudo, sua vida doada ao cuidado paterno, assistindo os mais pobres e prezando pela inclusão social, é um sinal de sua caminhada inspiradora de compaixão, justiça e caridade.

Obrigado, dom Adelio! Descanse em paz!

Fonte: O Povo, de 1/10/2024. Editorial. p.18.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

QUE PAÍS É ESSE?

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

O progresso nos trouxe benefícios vários; entre outros, o de receber em casa, na telinha, grandes atrizes e astros, com quem antes só "convivíamos" na telona, o que exigia deslocamento, ingresso e não podíamos rever uma cena. Um bom filme em streaming é "Adeus, Lenin!", que mostra o pós-coma de uma habitante e defensora ferrenha da Alemanha socialista. Fora de si, a protagonista não viu as quedas do socialismo e do muro de Berlim. Após um ano, ela acorda e não entende as mudanças.

Surpreso também ficaria um brasileiro pessimista — desses que acham o Brasil muito ruim e os EUA muito bons — se entrasse em coma e soubesse que, durante sua inconsciência, houve o que se segue: após a vitória de um candidato a presidente, os adeptos do perdedor invadiram o Congresso e, com muita destruição, 5 pessoas morreram. Talvez o patrício dissesse: "O Brasil não tem jeito." Mas isso se deu nos EUA.

Um senador e uma ex-governadora disputavam com o favorito a indicação para a candidatura à presidência. Ambos o acusaram fortemente, e depois que o ofendido foi o candidato do partido, e o senador, escolhido para candidato a vice-presidente, "mudaram de ideia", e as ofensas deram lugar aos elogios. O concidadão diria: "O que é isso, Brasil?" Mas o ocorrido foi nos USA. A mídia acusou os políticos de muito mentir, inclusive nas redes sociais, e divulgou que, em discurso, um candidato mentiu 23 vezes. E veio a pergunta: "Que país é esse?" E a resposta foi a mesma: são os EUA e não o Brasil.

Em comício, populares apontaram, num telhado, um possível atirador que, para subir, usou uma escada, porém o despreparado policial subiu nos ombros do colega e, assim que alcançou o teto, se viu na mira do atirador e, para escapar, jogou-se no chão. O sniper disparou, feriu o alvo, cuja segurança é obrigação federal, e atingiu mais 3 pessoas, uma delas mortalmente. Só depois a polícia eliminou o assassino. E surgiu a pergunta: "Brasil, que país tu és?" Mas a falha aconteceu nos USA. E Biden aprendeu com Pelé. Custou, mas soube sair. Perguntemos à maioria dos países: "Que homens públicos são esses?" Espero que a verdade responda. Ameaçada, a democracia agradece.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/07/24. Opinião, p.20.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Leis contra o indivíduo e contra a coletividade

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Não sou jurista. Mas este assunto muito me preocupa.

Na legislação brasileira existem leis específicas contra os crimes que afetam não um só indivíduo, mas uma coletividade?

Quando uma pessoa é assassinada, ou roubada, ou estuprada etc., os efeitos atingem o indivíduo. No máximo, a sua família.

Mas, quando há um roubo de fios de cobre em uma zona qualquer, não é um indivíduo que sofre, mas toda uma comunidade.

Imaginemos que há um roubo de cabos elétricos em uma rua e que nessa rua há um hospital. A falta de energia causada por este roubo pode ocasionar a paralisação do centro cirúrgico e várias pessoas podem morrer por isso.

E quando alguém destrói uma floresta, seja por queimadas, seja pela exploração ilegal de madeira, que causa graves problemas para o meio ambiente, prejudicando várias coletividades, isso é o mesmo que uma invasão de fazenda?

Ou quando há um saque contra o erário, que determinará falta de recursos para a política social ou para investimentos em infraestrutura, isto é tratado como um assalto a uma empresa qualquer?

Li um trabalho da advogada Cristina Tontini, onde há uma classificação dos crimes na legislação brasileira.

Nessa classificação não encontrei o que estou chamando "crime contra a coletividade". O que me leva a crer que os crimes acima citados são tratados como "crimes comuns".

O meu problema é que não julgo certa tal classificação. Será que a minha ignorância jurídica não me deixa ver que não há diferenças entre eles?

Por que ainda não se acabou o roubo de fios de cobre? Encontrar quem corta os fios deve ser difícil porque esses ladrões agem no escuro, em lugares pouco frequentados. Mas os receptores são comerciantes, têm endereço e, talvez, até CNPJ. Será, tão difícil, assim, encontrá-los? Prisão imediata e pena de longo prazo, sem apelação, tenho certeza, reduziria a incidência desses crimes.

Diz-se que a justiça brasileira é lenta, precária e "injusta". Por que isso acontece? Porque a legislação permite, ou por que o Congresso não se interessa em mudá-la, ou por que os magistrados (alguns deles) são coniventes com os desonestos?

Ou será porque a justiça brasileira além de cega e lenta é, também, a justiça da conivência? A justiça do desamparo social? Ou a justiça dos desonestos de gravata?

Crimes contra a coletividade deveriam ser tratados sem os diversos "caminhos" que levam à impunidade.

Hoje a praia de Iracema sofre com a poluição dos esgotos clandestinos. A imprensa atualmente está dando ênfase a esse problema. Quantos há em Fortaleza? Fala-se em 300.

Na minha opinião os indivíduos que assim agem não têm amor pela população. E por isso devem ser punidos!

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 14/01/24. Opinião. p.18.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

E A SOCIEDADE SE REVELA...

Por Heitor Férrer (*)

Entrei na vida público-partidária em 1989, quando assumi meu primeiro mandato de vereador de Fortaleza. De lá para cá, nesses 34 anos como parlamentar, incluindo nessa soma 20 anos de deputado estadual, ouvi muitas críticas aos políticos - leia-se aos eleitos ao longo desses anos - com foco principalmente na sua credibilidade. Ouvi, também, muitas críticas pesadas à imprensa e aos que a fazem, os jornalistas. Com referência tanto aos políticos como aos jornalistas, ouvi muitas vezes, por muitos da sociedade, que éramos uns privilegiados, mentirosos, desonestos e sem compromisso. Por todo esse tempo, as adjetivações eram as mais cruéis, às vezes com razão, às vezes nem tanto...

Ao longo desses anos, acompanhamos o advento desse extraordinário meio de comunicação, as redes sociais, culminando com o WhatsApp e Instagram, e todas as transformações que vivenciamos hoje na maneira de nos comunicar e relacionar. Como o próprio nome diz, redes sociais, as redes da sociedade. Nelas, imaginei, aqueles que cobraram e cobram tanto da classe política e da imprensa irão dar exemplo de conduta de seriedade, de compromisso, de verdade, de honestidade, de ética. Aqui, disse para mim mesmo, a sociedade dirá como todos deveriam e devem se comportar. Ledo engano. A rede social passou a ser o que há de pior em se tratando de compromisso, de credibilidade, de verdade, de ética…

Com exceções, como em todas as atividades humanas, as redes sociais fizeram com que a sociedade mostrasse a sua cara da maneira mais crua e transformaram-se em verdadeiro lamaçal social. Nelas, vemos a negação de tudo que, há anos, a própria sociedade vinha e vem cobrando. Nelas, a sociedade publica uma intimidade podre sem qualquer comparação com aquilo que, legitimamente, cobrava e cobra dos homens e mulheres públicos. Nesse lamaçal social, lançam calúnias, ódio, discórdia, fake news…

Como uma rede, cujos donos somos nós, vem perdendo sua credibilidade por conta dos mesmos que tanto cobraram postura da grande imprensa e dos que fazem a política no país? Triste desilusão e, o que é pior, essa degeneração ética só se aperfeiçoa e se aprofunda. Era a revelação que menos esperava da rede que é nossa, a rede social, a rede da sociedade.

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/10/2023. Opinião. p.19.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

GRETA X MALALA

Imagens autoexplicáveis.

Fonte: Circulando por e-mail (internet). Sem autoria definida.


quinta-feira, 19 de maio de 2022

IDEIA FIXA É COISA DE LOUCO

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

…apesar de respeitar a opinião de cada pessoa, a apreciação é um evento emocional e os acontecimentos — sejam bons ou ruins— são fidedignos. Como médico ou simples cidadão tenho por obrigação alertar sobre o agravamento dessa negação à vacinação.

Aqui no Brasil estamos aceitando a polarização política. Raiva, brigas, famílias se decompondo, antigas amizades apartadas, muitos deus-nos-acuda motivados por diferenças ideológicas ou políticas. Virou um “nós contra eles” agudíssimo, fora de ocasião e destrutivo. Muitos estão sofrendo o impacto desses debates que, em muitos casos, afetam a própria saúde psicossomática. Lembro sermos seres gregários (animais que vivem em grupo e se juntam por instinto ou, se desejarem, por natureza). A nossa própria família de origem é exemplo meridiano dessa tendência.

Escrevo este artigo como simples cidadão brasileiro e médico, sem acusar a mídia como a única culpada por tamanha balbúrdia entre nossas diferenças individuais, ainda que dentro do mesmo grupo social.

Percorramos o fato de tomar ou não tomar vacina?

Para uma tentativa de resposta, afirmo: apesar de respeitar a opinião de cada pessoa, a apreciação é um evento emocional e os acontecimentos — sejam bons ou ruins— são fidedignos. Como médico ou simples cidadão tenho por obrigação alertar sobre o agravamento dessa negação à vacinação.

Passeando por Sigmund Freud, gostaria primeiro, de lembrar… as conhecidas personalidades narcísicas que admiram exageradamente sua imagem e nutrem uma paixão por si mesmo – e adiciono: não aceitam opinião que divirja da sua.

Não mudam, nem diante dos fatos. Por suas opiniões, próprias ou herdadas do grupo ao qual avaliam pertencer e no caso particular das “polarizações políticas”, tornam-se arautos de negatividades e desesperanças que agridem nosso maior bem que é a Vida Humana.

Para esses enviesados pouco importam as evidências acumuladas. Pouco lhes importa se a polarização política traz como consequência a ausência de empatia de um para com o outro. Cautela, leitor, quanto às generalizações, elas são sempre muito perigosas. No caso, essa dicotomia é uma forma de narcisismo – separa o seu Eu dos outros, como se você fosse um gigante da moralidade, talvez o único ser perfeito na face da Terra.

Será que você é algum anjo? Algum enviado do Senhor? Um descrente da ciência ou niilista político que, como tal, deseja fundamentalmente a destruição de todas as forças políticas, religiosas e sociais que, na verdade, são essenciais para um futuro melhor. E acrescento: se todo mundo não presta e o único certo é aquele que generaliza o tal de ‘politicamente correto’, ele próprio termina por ficar paralisado e vai para casa. Tem medo de ser rejeitado pelo seu grupo. Desiste de lutar. Fica enclausurado em um conformismo individualista e, pior, não se junta aos homens e mulheres de bem para lutar contra a Pandemia. Fica conformado em nada mudar. Não tem jeito. E não tem mesmo jeito, o mundo é todo imperfeito, como é possível alguém ficar dizendo para si mesmo:— detenho dentro de mim toda a Moral e toda a Ética? Sou um Ser perfeito e único!  Se todos e tudo são imperfeitos e eu sou o único perfeito, para que lutar?… Já ganhei a batalha (perdida)!

O velho Freud tinha razão quando escreveu: “É costume de um tolo pôr a culpa no outro e de um indivíduo sábio agir”. E acrescento: tais indivíduos, quando erram, em vez de se culparem por sua opinião, passam a colocar nos outros a responsabilidade pelo erro.

Lembre-se: “O conformismo é o desespero de quem não luta mais”, ensina o adágio popular, tão antigo quanto a nossa legendária fuga à responsabilidade sobre nossos atos e conceitos, o que leva inexoravelmente à Fênix do Totalitarismo.

Este velho médico, simples esculápio de província, teve sua atenção chamada pela manchete publicada no Diário de Pernambuco:

BOLSONARO CEDE E INFORMA QUE SERÁ VACINADO NESTE SÁBADO DE ALELUIA (EDIÇÃO DIA 3 E 4 DE ABRIL DE 2020)

Advirto: parece que o presidente não mudou de apreciação, mas assistindo ao somatório dos fatos mudou de opinião quanto à vacinação e sua pertinência. Por isso reafirmo ser a “ideia fixa” uma exclusividade dos loucos.  Mudar de postura, antes tarde do que nunca, é que é racional. Já hoje, 04/04/2021, a CNN noticiou que o presidente não se vacinou. Dado tudo isso, este velho esculápio já não sabe em quem acreditar. Porém, enfatizo: se o presidente Bolsonaro não se vacinou, há que lembrar o que ensinou o Rabino Maimônides (Ram bam) -1138-1204): “Os fatos moldam a opinião e não o contrário. As opiniões não moldam os fatos. As coisas existem e são verdadeiras ou não existem, independentemente das crenças e opiniões das pessoas”.

O meu desejo é que se criem fatos concretos e, para isso, que se vacinem todos os que quiserem e puderem.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

sábado, 16 de abril de 2022

DES-EMERGENCIAMENTO DA COVID

Por Henrique Soárez (*)

Quando o vírus chegou ao Brasil não sabíamos o que esperar. Agora, 2 anos mais tarde, liberados das máscaras em ambientes abertos, fica mais evidente que as políticas públicas precisam acelerar para acompanhar a realidade.

A precaução era no início, corretamente, o valor maior. O vírus era desconhecido e salvar vidas implicava em cautela extrema. O momento agora demanda objetivos mais amplos.

Pragmatismo e liberdade são os valores a resgatar nesta etapa pós-pandêmica. Por precaução tentamos conter o Carnaval, mas agora sabemos que o esforço trouxe benefícios limitados: as festas aconteceram e o vírus não voltou a circular. Ao promover o valor do pragmatismo nota-se que a nova regra das máscaras veio tarde, pois em ambientes abertos muitos já andavam sem máscaras.

A liberdade é o valor que busca limitar a intervenção do Estado na vida do cidadão. Foi legitimamente sacrificada durante a pandemia e sua restauração exige que as intervenções das autoridades acompanhem o movimento dos dados e das descobertas científicas.

Com o que sabemos hoje sobre as formas de transmissão do vírus, talvez fosse melhor manter obrigatório uso das máscaras em situações de aglomeração de público, mesmo que ao ar livre, como nos estádios de futebol.

Não cabe mais falar em emergência ou calamidade pública em decorrência do vírus. Já é possível prever que a onda de fechamentos agora vistos na China não vai chegar a Fortaleza.

A onda que sim irá chegar é a que acontece na Inglaterra: contágio dos idosos vacinados ou não, que não contraíram a ômicron e, além disso, como acontece com as viroses sazonais, uma marola de absenteísmo laboral resultado dos sintomas leves da Covid em adultos vacinados.

Não cabe mais coibir quem está vacinado e não tem comorbidades. É chegado o momento dos cuidados se tornarem individuais: quem tem o sistema imunológico debilitado deve escolher bem as interações sociais e caprichar no uso da máscara.

Para a população em geral é hora de oficializar que a pandemia acabou. Se a realidade mudar o governo terá então capital político para voltar a intervir na vida privada.

(*) Engenheiro eletricista, diretor do Colégio 7 de Setembro e da Uni7

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/03/22. Opinião, p.20.

sábado, 8 de maio de 2021

COVID, CIDADANIA E RESPONSABILIDADE

Por Nagib de Melo Jorge Neto (*)

Temos um severo déficit de cidadania. Tenho a impressão que a maioria dos brasileiros pensa que direitos são favores que os políticos concedem ao povo. Talvez porque fui criado em meio a pessoas pobres, no interior do Ceará, onde o clientelismo e o patrimonialismo ainda são arraigados. Mas há outras pistas.

Aderimos facilmente aos políticos e a suas ideias, defendemo-los apaixonadamente, como se fossem nossos pais ou filhos. Frequentemente acreditamos na figura do salvador da pátria. Precisamos de heróis.

A cidadania é quando tomamos o destino em nossas próprias mãos. A subserviência é quando colocamos nosso destino nas mãos de alguém, supostamente mais poderoso ou capaz. A democracia vale pouco sem capacidade para a cidadania.

Isso sempre me intrigou. Por que agimos assim? Temos dificuldade em cobrar responsabilidade dos políticos e administradores públicos. Constrangemo-nos. Sentimos que somos mal educados ou grosseiros.

Gostamos de ser cordiais, como diria Buarque de Holanda. Talvez tenhamos medo. Os políticos são poderosos, nós não. Talvez não nos julguemos parte da solução. O problema é deles, não meu. Talvez não nos sintamos atingidos. Eles que resolvam. Talvez não nos julguemos parte do problema. Sou um mero cidadão, o que posso fazer?

Em um ano, somamos mais de 320 mil mortos pela covid. Em números absolutos, somos o país com maior número de mortes em março. Em números ajustados pela faixa etária, em apenas oito países, de 178 pesquisados, se morre mais por covid.

O risco de morrer por covid no Brasil é quase quatro vezes maior que no resto do mundo. Vivemos um colapso hospitalar, na iminência de um colapso funerário. Uma tragédia que mostra o fracasso das políticas de enfretamento.

É preciso cobrar responsabilidades: moral, política e jurídica. Quantas mortes poderiam ter sido evitadas se as vacinas tivessem sido compradas a tempo, se houvesse coordenação nas políticas de isolamento social e auxílio financeiro? Não estamos diante de uma escolha duvidosa.

No caso brasileiro, era possível prever o desastre. A morte foi uma escolha consciente. 

(*) Juiz federal e professor da UniChristus.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/4/2021. Opinião. p.20.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

VÍRUS E CIDADANIA

Por José Lima de Carvalho Rocha (*)

Foram diversas as reações pessoais e institucionais quando surgiu a Covid-19 em nossa cidade. Estas reações foram moduladas pelas características da personalidade de cada um, assim como pela capacidade de gestão na crise.

No ensino superior há, como princípios, a pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas. Esses conceitos, aliados às autorizações do Conselho Nacional de Educação, permitiram que durante o início da quarentena as Instituições do Ensino Superior (IES) conseguissem rapidamente passar das aulas presenciais para novos modelos de ensino.

Como nossos alunos poderiam manter o ritmo de estudo? Como estabelecer ambientes de aprendizagem permitindo o desenvolvimento da teoria própria de cada curso?

Capacitar os professores para que lecionassem remotamente, considerando que até o dia 18 de março de 2020 estudavam e lecionavam de forma presencial, foi um grande desafio. O desafio não foi apenas pedagógico, foi também tecnológico.

Algumas IES optaram por gravar aulas, denominadas de Aulas Remotas Assíncronas (ARA), e as disponibilizaram para os alunos. Outras optaram pelo caminho das Aulas Remotas Síncronas (ARS), aulas em ambiente virtual que permitem a interação em tempo real entre professor e alunos. Algumas IES optaram pelos dois caminhos.

Entendo que a correta gestão de uma IES precisa considerar sentimentos e necessidades dos professores e alunos no presente, assim como o compromisso destes estudantes com os futuros pacientes ou clientes. Estas necessidades do presente e do futuro nos guiam para a tomada de boas decisões. Várias adaptações foram feitas, considerando o momento vivido. Alguns pré-requisitos para uma boa prática pedagógica, no entanto, precisam ser mantidos. Não podemos aceitar que estudantes de 2020 se tornem profissionais menos qualificados quando comparados aos anteriormente formados.

Como ter certeza? Podemos dividir a matriz curricular em duas partes principais. Aulas teóricas e aulas práticas. As duas são complementares. No segundo semestre as aulas práticas foram autorizadas. Importantes práticas que não foram oportunizadas no primeiro semestre, acontecem no segundo.

As avaliações remotas tiveram início no primeiro semestre. Esperávamos que os alunos respondessem às questões de modo individual e sem consultas. Em parte, obtivemos êxito. As dificuldades surgidas nos possibilitaram evoluir.

Durante o final do primeiro semestre e o início do segundo, os alunos e as instituições se adaptaram às novas formas de avaliação. Hoje, é possível oferecer exames com resultados mais fidedignos. Mesmo considerando este avanço, testes presenciais precisam ser oferecidos aos alunos. Durante a pandemia, alunos deveriam poder decidir se respondem a provas remotas ou presenciais. Estas últimas ainda precisam ser autorizadas pelas autoridades governamentais.

A valorização do processo de ensino-aprendizagem aliado ao compromisso de se tornarem excelentes profissionais, permite afirmar que os futuros formandos serão tão competentes ou até mais do que os graduados antes da pandemia. 

(*) Médico e pedagogo. Reitor de Medicina da UniChristus.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/11/2020. Opinião. p.21.

terça-feira, 28 de abril de 2020

A CONTA DO NOSSO EGOÍSMO


Por Pedro Aihara (*)
No dia 22.03.20, no meio da pandemia, uma senhora, 90 anos, faleceu na Bélgica após ter recusado o ventilador mecânico. “Guarde para alguém mais jovem. Eu vivi uma boa vida”, disse.
O inimigo dessa vez é invisível e implacável: fez os líderes das grandes nações parecem crianças assustadas, fez o Papa sozinho, perdoar nossos pecados. Judeus e muçulmanos rezarem juntos.
Não se iluda. Cloroquina ou hidroxicloroquina não irão nos salvar dessa vez.
As nossas tradicionais armaduras falharam. De nada adiantou o poderio militar nuclear dos mísseis ou os inalcançáveis imóveis de luxo do Central Park:
o gramado agora está cheio de tendas de hospital de campanha. Nossos planos de saúde caros não foram suficientes para tirar o receio da falta de equipamentos de nossas cabeças e tampouco nossos celulares e televisões sofisticados foram capazes de entreter no meio dessa solidão sentida e vivenciada por todos.
Sentimo-nos amedrontados, perdidos, sozinhos.
E aí, diante de algo que não sabemos como nem quando vai acabar, fomos obrigados a ajoelhar.
E para ajoelhar, todos nós fomos obrigados a aprender que é necessário sair dos nossos tronos, das nossas bolhas, coberturas, das nossas realidades e aproximar a cabeça do chão, frágeis e despidos.
Quando a gente se abaixou, esbarramos as cabeças uns nos outros e o milagre começou a acontecer. Começamos a perceber que a doença que mata a minha mãe também mata a mãe de quem mora do outro lado do mundo.
Vimos que o mesmo problema que quebra o meu negócio desemprega o meu funcionário mais simples. Passamos a ver a importância de profissões que considerávamos pouco importantes ou dispensáveis.
Constatamos que o medicamento que me falta também faltará para quem mora na favela.
Sentimos que a mesma solidão que se abate sobre mim angustia o outro que tem nome, cor, origem e religião diferentes dos meus.
Despedaçados perante nossos medos mais ocultos, enfim fomos obrigados a admitir aquilo que já sabíamos mas não queríamos aceitar: somos todos iguais. No final das contas, após todo o dinheiro, todo o status, todos os privilégios, encolhemo-nos de medo das mesmas coisas e sentimos uma compaixão comum diante dos números que crescem, seja na Itália, EUA, ou na nossa cidade.
Se antes bastava se cercar no próprio feudo e a guerra não chegaria ali, agora, para funcionar pra mim, precisa funcionar pra todo mundo. Para que eu seja protegido, preciso proteger os outros. A conta do nosso egoísmo chegou, cara e sem desconto.
Mas com o milagre, percebemos que essa conta pode ser paga de outra forma. Dito e repetido, não são hidroxicloroquina ou cloroquina que encerrarão esses tempos obscuros. Já descobrimos a cura e ela se chama amor. Pode parecer piegas, não é mesmo? Mas a verdade é que chegamos no ponto decisivo, na curva da inflexão na qual ou mudamos a maneira de conviver enquanto sociedade ou estaremos sempre à mercê de nosso egoísmo disfarçado de vírus, guerras, crises econômicas ou governantes inescrupulosos.
Para muito além do desespero e caos que estafam a nossa mente, o Brasil que se apresenta agora é o Brasil dos profissionais de saúde exaustos que se revezam para salvar pessoas que nem conhecem. É o Brasil de empresários assumindo prejuízos para não demitir seus funcionários.
É o Brasil de pessoas parando atividades para garantir o bem-estar de outros. É o Brasil dos entregadores, caminhoneiros, garis e caixas de supermercados. É o Brasil de pessoas que doam o pouco que tem para que quem tem menos ainda possa ter algo.
É o país do amor ao próximo e de gente que se preocupa com gente, de forma real e além de discursos vazios e hipócritas.
Esse país de gente solidária, trabalhadora e resiliente pode afinal ser o gigante que acordou, ainda que tantos discursos e personagens irresponsáveis tentem macular nosso foco. A reflexão sobre qual lado da história iremos (e optaremos por) estar nunca foi tão necessária.
Tempos difíceis servem para algumas coisas, entre elas grandes aprendizados e reflexões incômodas. Quando aquela senhora heroína na Bélgica cedeu o equipamento, a afirmação dela pode e deve ser repetida aqui: “guarde para alguém mais jovem”...
E dessa vez, não é sobre o equipamento.
É sobre o legado e a história que estamos construindo nesse momento decisivo. É a hora de abaixarmos as nossas bandeiras ideológicas e substituí-las por empatia, bom-senso e álcool em gel. Fiquemos em casa e ajudemos uns aos outros, irrestritamente.
Construamos, unidos, nesse momento difícil, uma nação melhor e mais solidária, para que possamos deixar, após a crise, um país melhor “guardado para os mais jovens”. É essa a real cura para o temido vírus... 
QUEM ESCREVEU
(*) Pedro Aihara, bombeiro militar, mestre em Direitos Humanos, especialista em Gestão e Prevenção de desastres, professor e palestrante. Atuou em crises como as de Brumadinho, Mariana, Janaúba, entre outras.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Com autoria atribuída a Pedro Aihara.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

UM MUNDO MELHOR


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Quais seriam os princípios básicos para que possamos alcançar um mundo melhor? A pergunta não é de fácil resposta; bastante complexa, todavia tomamos a liberdade de apontar quatro pontos substanciais: democracia, espiritualidade, respeito aos direitos humanos e paz. Reconhecendo o elevado grau de utopia, precisamos ter esperança. São conceitos interdependentes e necessitam ser observados dentro de um contexto sistêmico, permitindo assim o surgimento de uma sociedade dos cidadãos, isto é, da cidadania. A ideia democrática se opõe a ideologias opacas em que o poder é, na maioria das vezes, exercido mediante força, mídia tendenciosa e dinheiro. A espiritualidade leva o cidadão a procurar o melhor caminho, em razão da força interior, através da meditação e da oração. A universalidade dos direitos humanos se opõe às teses e propostas dos egoístas e daqueles que não buscam a solidariedade. A paz vai de encontro à violência física e moral. Ademais, não devemos esperar pelos outros. As ações de cada um de nós, pode indicar a luz que nos leva a um porto seguro. É importante refletir sobre algumas questões que preocupam a opinião pública mundial em nossos dias. A ganância de determinados países motiva uma desconfiança que prejudica o entendimento, gerando desigualdades e desequilíbrios políticos, econômicos, sociais e culturais. Assim, surgem a exploração desordenada dos recursos naturais não renováveis, a miséria crescente de milhões de pessoas, a corrida armamentista, a falta de solidariedade humana, a ausência de uma paz estável, dentre outros problemas. O ideal decadente traduz a falta de perspectiva das novas gerações e deixa num clima de perplexidade os mais idosos. O ideal se conquista com o trabalho sério, a verdade e os mecanismos justos de colaboração. Por sua vez, a generosidade e a gratuidade mostram o caminho que conduz ao amor.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 29/11/2019.

domingo, 22 de setembro de 2019

A JUSTIÇA CARCOMIDA É O PIOR CÂNCER DE UMA SOCIEDADE


Por John Kirchhofer
Em 1971, ganhei um bolsa para estudar nos USA. Foi um seminário sobre desenvolvimento econômico na Harvard University.
Em um encontro com um professor, eu propus uma simples pergunta a ele. Qual o principal fator (citando apenas um), para explicar a diferença do desenvolvimento americano e o brasileiro, ao longo dos 500 anos de descobrimento de ambos países?
O então mestre sentenciou sem titubear: A justiça!
Explicou ele em poucas palavras: A sociedade só existe e se desenvolve fundamentada em suas leis e sua igualitária execução. A justiça é o solo onde se edifica uma nação e sua cidadania.
Se pétrea, permitirá o soerguimento de grandes nações. Se pantanosa, nada de grande poderá ser construído.
Passados quase 50 anos deste aprendizado, a explicação continua cristalina e sólida como um diamante.
Sem lei e justiça, não haverá uma grande nação.
Do pântano florescerão os "direitos adquiridos", a impunidades para os poderosos. Daí se multiplicarão as ervas daninhas da corrupção. Que por sua vez sugaram a seiva vital que deveria alimentar todas as folhas que compõem a sociedade.
Como resultado se abrirá o abismo da desigualdade. Este abismo gerará a violência e tensão social.
Neste ambiente de pura selvageria, os mais fortes esmagarão os mais fracos.
O resultado final: o pântano se tornará praticamente inabitável.
As riquezas fugiram sob as barbas gosmentas da justiça paquiderme para outras nações.
Os mais capazes renunciarão a cidadania em busca por terras onde a justiça garanta o mínimo desejado por todos: que a lei seja igual para todos.
Este é o fato presente e a verdade inegável do pântano chamado Brasil!
Minha geração foi se esgotando na idiota discussão entre esquerda e direita e ainda continua imbecilizada na disputa entre "nós e eles", criada pelo inculto Lula e o seu séquito.
Não enxergaram um palmo na frente do nariz da essência da democracia. Foram comprados com pixulecos, carros, sítios e apartamentos.
Não sei quantos jovens lerão este texto e terão a capacidade de interpretar e aprofundar a discussão.
Aos meus quase 70 anos, faço o que está ao meu pequeno alcance.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ESPERANÇA E FELICIDADE


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
No atual estágio da humanidade, destacam-se como fundamentais os direitos à vida e à liberdade, como também o direito de se ter o mínimo indispensável para alcançar a cidadania. Ações de política econômica precisam ser concebidas visando buscar uma melhor justiça distributiva, consequentemente uma organização socialmente justa. A vida é mais agradável e bela quando percebemos a presença da amizade e a ausência da inveja e do ódio. Torna-se básico a exaltação dos valores internos e morais, para que possamos buscar felicidade e esperança. Vivemos dias de expectativas, para não dizer de intranquilidade e angústia no contexto mundial. Em todas as nações, da mais ricas às mais pobres, existem problemas relacionados com a falta de entendimento, humildade, justiça, amor e paz. Acreditamos que a supremacia dos valores materiais sobre os espirituais é a grande responsável pelo atual desajuste universal. Quando dizemos valores espirituais não estamos nos referindo e também nos restringindo a uma determinada religião, doutrina ou seita. Vale lembrar Mahatman Gandhi: “Considero-me hindu, cristão, muçulmano, judeu, budista e confuciano”. Não podemos mais conviver com guerras, terrorismo, disputas inócuas, enfim, com qualquer tipo de violência política, social, econômica, etc. A discriminação entre as pessoas, por exemplo, representa a forma mais cruel de coação, permitindo o constrangimento físico ou moral. A falta de solidariedade leva ao desentendimento, à intolerância e ao comportamento irracional. Não queremos um mundo preconceituoso e sem amor. Tudo que fazemos para reduzir ou evitar o sofrimento de nossos irmãos é uma prova de estarmos cada vez mais perto de Cristo. Como disse Goethe: “Abra o coração para que entre mais amor”. Segundo Jo (13, 34-35): “Amem uns aos outros, como eu amo vocês”. Orientemo-nos pela palavra de Deus.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 6/9/2019.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A HONRA E O CARGO



Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Honra é o princípio de conduta de pessoa que se comporta de modo virtuoso, corajoso, honesto; cujas qualidades são consideradas socialmente virtuosas. O seu antagônico é empregar meios ilícitos visando obter vantagem. A conduta honrosa permite o surgimento da confiança entre os Homens.
Devo dizer que a honra de um cidadão ou político é perdida por um único deslize. É o que indica a expressão inglesa “character”, que significa renome, reputação, honra ou estilo. Ademais, a perda da honra é irreversível, a menos que se deva a calúnia ou a falsas aparências. Para isso existe a Lei para punir, com duras penas, a injúria e a calúnia.
A pessoa que ocupa um cargo público (Político) deverá ser dotada de honra civil e de honra pública, além da capacidade de exercê-las, isto é, desempenhar as funções inerentes a cargo, trabalho, ofício. Situação que deve ocorrer em observância a outros princípios da regra ou norma moral.
A honra civil baseia-se na pressuposição do respeito incondicional ao direito de cada um. Ela é o condicionante de todo e qualquer contato disciplinador entre os Homens. Muito embora Jean-Jacques Rousseau (1712- 1778) ter dito que as pessoas, cada vez mais conscientes do olhar do próximo, moldam seu comportamento em função desse vínculo, aprendendo a viver mais para a vida alheia do que para si.
Essa deturpação leva a uma corrupção generalizada.
Apreciaria esclarecer a existência de variados subgrupos da honra, mas antes apreciaria compará-la a um dos seus sinônimos — glória (fausto, grandeza, homenagem, exaltação, fama, esplendor). Mas é preciso ter em mente que a verdadeira glória deve ser conquistada sem que a honra seja ferida.
Voltando às várias expressões da honra, ela apresenta e corresponde a diferentes modelos como já mencionei: primeiro a civil e seguem-se a honra do cargo ocupado e até a honra sexual, englobando as subordens devidas pelos servidores estatais, médicos, advogados, em suma todos aqueles que foram qualificados para exercer determinado tipo de trabalho intelectual ou profissional.
Quando um ser humano se candidata a um cargo político, tem de ter/ver/saber que deverá manter a sua honra de forma diferente da honra de um simples cidadão, pois deve também ter a competência para exercê-lo com proficiência muito além da honra civil.
O que desejo dizer é que a honra de um cidadão comum pertence exclusivamente à esfera particular, enquanto que a de um político ultrapassa esse nível, pois passa a compreender o povo em geral: interesse público.
Um político não pode aceitar acusações quanto a não cumprir com probidade os deveres do cargo que ocupa. Quanto mais influente for a função que ele exerça numa organização pública, tanto mais deve ser possuidor de capacidade intelectual e as qualidades morais que façam dele uma pessoa apta a ocupar tal função e ainda ser capaz e – principalmente – honesto. Sempre. Ou então damos aceitação a Arthur Schopenhauer (1788-1860) quando diz:
A honra é, objetivamente, a opinião dos outros acerca do nosso valor, e, subjetivamente, o nosso medo dessa opinião.
Parece-me que no Brasil de hoje há uma falta generalizada desse atributo que desconfiávamos não existir, porém a desonra jamais foi escancarada como na situação que estamos vivendo. Os ocupantes de cargos públicos deveriam saber que a honra e sua prática não depende da idade e muito menos da origem do ocupante do cargo. Se jovem e ocupante de cargo público, não podemos tolerar desonestidade pelo que ele promete ser ou o argumento de que ainda não foi testado, é inexperiente.
Quem é inexperiente não pode exercer funções de mando. Caso for experiente, se tem noção, tem prática, tem conhecimento das coisas e tem cabelos brancos, isso não o isenta da honra. É bom lembrar que rugas também são sinais de velhice e não despertam sinais de respeito: nunca se fala de rugas veneráveis, mas sim de cabelos brancos veneráveis.
Nunca esquecer que aqueles que ocupam cargos públicos (seja por nomeação, concurso, eleição, pouco importa), além da capacidade para exercer a função devem ser pessoas honradas em primeiro lugar, além de dotados de competência.
Lembro que a honestidade de quem ocupa um cargo público, por menor ou maior que seja ele, garante nossa segurança como país, estado, nação, município e Sociedade, mormente no trato da: “Res publica”, uma expressão latina que significa literalmente “coisa do povo”, “interesse público”. É a origem da palavra república. E o político/administrador público, após deixar o cargo, deve permanecer respeitado por seus sucessores. Não é isso que estou assistindo!
Portanto, preocupado estou. Preocupado, de todo coração, com o futuro e com a felicidade do meu povo, muito embora não deixe de ser esperançoso por dias melhores.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).
 

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