terça-feira, 16 de maio de 2017

Os pesquisadores e a chikungunya


A Academia Cearense de Medicina promoverá na quinta e sexta-feira desta semana, dias 18 e 19, no Hotel Sonata de Iracema, a sua XVII Bienal que, nesta edição, abordará assunto dos mais pertinentes: as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunya).
Segundo o presidente da entidade e ex-reitor da Uece, Manassés Fonteles, o evento dedicará palestras e debates sobre o tema contando com um grupo de infectologistas de peso nacional e local. Na lista, Anastácio Queiroz (hoje reitor da Unilab), Ivo Castelo Branco, André Pessoa, Antônio Afonso Bezerra, Márcia Medeiros, Fernanda Araújo e Adriana Oliveira, esta da Paraíba.
A abertura da bienal ocorrerá a partir das 8 horas de quinta-feira. O encontro inclui também painel sobre vacina contra a dengue e, claro, fará um alerta sobre a febre chikungunya que, na Capital cearense, expandiu-se feito epidemia. Para os especialistas, o melhor antídoto contra o mosquito chama-se difusão das informações sobre prevenção.

Fonte: Blog do Eliomar, de 15/5/2017.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Custo da má gestão de Dilma é maior do que o da Lava Jato

Por Mônica Scaramuzzo
Para economista, equívocos nas políticas macro e microeconômica são os responsáveis pela crise atual.
Entrevista com Eduardo Giannetti 
O economista Eduardo Giannetti da Fonseca diz que os impactos da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobrás, podem ter efeitos negativos sobre a economia brasileira, que esboça uma reação, mas afirma que as investigações em curso não deram origem à atual recessão pela qual o Brasil passa. Segundo ele, a má condução do governo Dilma Rousseff, com políticas equivocadas, colocou o Brasil nesta profunda crise, gerando a alta taxa de desemprego. A seguir, trechos da entrevista.
O Estadão: Um levantamento feito pelo ‘Estado’ mostra que as principais empresas envolvidas na Lava Jato demitiram quase 600 mil pessoas. As novas delações poderão piorar esse cenário?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O impacto (negativo) indireto sobre o emprego é ainda maior. Afeta toda cadeia, desde os fornecedores até o consumo que deixa de ser feito porque a atividade não aconteceu.
O Estadão: Com as delações que vieram à tona semana retrasada, o impacto da Lava Jato na economia pode ser maior daqui para a frente?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Acho que seria um erro de análise atribuir a atual crise econômica e o desemprego à Lava Jato. Estaríamos em crise e com alta taxa desemprego, independentemente da Lava Jato. Não foi a operação que criou esse problema. Ela ajudou a agravar, uma vez que as decisões tomadas no âmbito da corrupção que a operação está revelando foram péssimos investimentos. Um exemplo é a refinaria Abreu e Lima. Foram gastos dezenas de milhões de reais e nenhum real de retorno. A Lava Jato não causou a crise econômica.
O Estadão: Em outras palavras, a Lava Jato não está diretamente ligada à crise econômica...
Eduardo Giannetti da Fonseca: Não é o preponderante. Ela é mais o sintoma da crise do que a causa original. Uma coisa é importante esclarecer: o custo econômico da incompetência do governo Dilma é muito maior do que toda a corrupção brasileira, por mais que você superestime essa corrupção. Estamos falando de toda ordem de magnitude. Mesmo na avaliação mais ambiciosa do tamanho da corrupção no País não chega nem perto do custo que teve para a sociedade o acúmulo de equívocos macroeconômicos e de política microeconômicas do governo Dilma.
O Estadão: O sr. se refere só ao governo Dilma ou à gestão petista?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O quadro (econômico) começou a se deteriorar no segundo mandato do governo Lula, após a saída de Palocci (ex-ministro Antônio Palocci). O cenário se agravou e gerou a crise que estamos vivendo no primeiro mandato do governo Dilma, com a adoção da chamada nova matriz macroeconômica e com os erros de políticas microeconômicas nas áreas de energia elétrica, de petróleo e gás, das concessões, do uso do BNDES para favorecer parceiros. Acredito que a corrupção gere muito mais indignação porque é um desvio de responsabilidade moral.
O Estadão: Mas foi o governo Lula que estimulou as políticas de ‘campeãs nacionais’. Isso já não era um indício do início do problema?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O segundo mandato do Lula foi um ensaio. Mas a realização em larga escala desses projetos foi no mandato da Dilma. O Lula ainda tinha um álibi de lidar com o impacto da crise econômica global de 2008 e 2009. Podia justificar que eram medidas anticíclicas para diminuir a crise. No governo Dilma já não foi nada disso. Foi uma convicção equivocada de alocação de recursos e intervenção com mão pesada nos setores elétrico e de óleo e gás, na alocação de crédito... Depois, uma inflação muito alta, reprimindo os preços administrados, o que obrigou a aumentar os juros durante a recessão. De novo, a crise atual não tem nada a ver com a corrupção. Não é a primeira vez que o Brasil passa por crises. Foi assim no governo Geisel (Ernesto Geisel). Dilma gerou uma nova década perdida.
O Estadão: Mas as revelações da Lava Jato agravaram o desemprego?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Agravaram sim.
O Estadão: A situação poderá ficar mais crítica com futuras delações, como a do Palocci?
Eduardo Giannetti da Fonseca: A Lava Jato é um exemplo da deformação patrimonialista do Estado brasileiro. Governos que comandam junto com segmentos do setor privado o uso dos recursos na economia. Por dois motivos basicamente: o setor privado buscando um atalho de crescimento por meio de acesso privilegiado; e os governantes buscando a perpetuação no poder por meio da cooptação do setor privado. É uma via de mão dupla. Fazem um conluio para se beneficiar – uns com lucro e outros no poder. Isso não envolve todo o empresariado nem todos os políticos. E, de fato, estão faltando dois elos ainda da cadeia da corrupção brasileira: o setor financeiro e o judiciário, que devem ser apurados.
O Estadão: Uma vez que se jogue luz sobre esses dois elos, o cenário econômico e político pode piorar?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Acho que à medida que se instaure no Congresso uma ideia do salve-se quem puder, em que se blindariam os políticos da Lava Jato, corre-se o risco de o governo Temer ficar esvaziado, afetando a governabilidade. O governo está correndo desesperadamente para manter as condições de governabilidade. E ele já sabia que tinha um prazo de validade definido para poder usar o capital político. Com a Lava Jato e com o que ocorreu semana retrasada, esse capital político foi depreciado.
O Estadão: O governo terá condições de dar continuidade às reformas?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O governo já esteve em condições melhores de aprovar a agenda de reformas. Quanto mais o tempo passa, menos ele fica operacional. Ficou mais complexo daqui para frente.
O Estadão: Está mais vulnerável?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Sim. E ele está buscando se reagrupar para reconstituir os mecanismos de sustentação do Congresso Nacional. Mas o risco está em um cenário do salve-se quem puder, em que o Congresso passa a ser muito mais regido pela lógica da sobrevivência a qualquer preço do que uma agenda de reformas que também pode ter custos eleitorais mais à frente.
O Estadão: Mas a equipe econômica está empenhada em fazer os ajustes.
Eduardo Giannetti da Fonseca: Por mais crítico que se seja ao governo Temer, ele acertou na área econômica. Não só no Ministério da Fazenda, como nas estatais brasileiras, BNDES, Banco Central e com uma agenda correta, baseada na “Uma ponte para o futuro”.
O Estadão: Mas há risco sistêmico?
Eduardo Giannetti da Fonseca: A economia está esboçando reação. Provavelmente, estamos saindo neste primeiro trimestre de uma sequência de 11 trimestres de PIB negativo. Uma pena que uma tempestade política coloque em risco essa recuperação. Institucionalmente, para o Brasil, o mais importante é que esse movimento de apuração se complete. Seria um enorme retrocesso se, em nome de qualquer pretexto, houvesse um conluio de acordo para terminar esse processo tão doloroso que é o da apuração e da punição. O que vai causar prejuízo econômico é a paralisia do governo.

O Estadão: Como o sr. vê o cenário eleitoral para 2018?
Eduardo Giannetti da Fonseca: A única coisa segura é que a expectativa sobre 2018 está mais aberta do que já era porque os nomes que seriam competitivos e estariam concorrendo provavelmente não chegam vivos até lá.
O Estadão: Os acordos de leniência podem ser uma saída para o Brasil começar do zero?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Não existe começar do zero. Mas você não pode condenar uma Petrobrás e outras empresas pela má ação de parte da diretoria. O País perder as grandes empreiteiras é ruim. Tem de investigar e punir, mas não confundir desmandos de uma diretoria com a nação brasileira.
Fonte: O Estado de São Paulo (O Estadão), de 22/04/2017.

O QUE SÃO CALORIAS?


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Montagem sem autoria explícita.

domingo, 14 de maio de 2017

Não sou eu a tua mãe?

Por Savânia Maria (*)

Quando olho para meu esposo e meus filhos, peço à Maria que me ajude a ser uma esposa e uma mãe semelhante a ela

Algumas pessoas carregam consigo o rosário, uma medalha ou uma pequena imagem de Nossa Senhora. Em minha família, todas as mulheres trazem “Maria” no nome. É uma tradição. No entanto, aquilo que a certidão traz por escrito é apenas um sinal de uma herança eterna que trazemos: somos filhas de Maria. O rosário, a medalha, a imagem, o nome, tudo reflete um amor, um respeito e um carinho a que chamamos “devoção”.
A devoção mariana deu nome a ruas, bairros, cidades, como expressão da história de um povo, de um povo que não é órfão de mãe. De fato, uma parte de nossa história só pode ser contada a partir do olhar de nossa mãe. É nela que acontece nosso primeiro contato com a vida. Se Deus quis por Maria fazer nascer a Verdadeira Vida, foi ao dar a sua vida na cruz que nos deu Maria por mãe. A verdadeira maternidade gera vida e ela nos trouxe esta Vida em abundância.
Neste dia 13 de maio de 2017, nós, católicos, celebramos o centenário das aparições de Nossa Senhora na cidade de Fátima, em Portugal. Neste mesmo ano, recordaremos os 300 anos da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Em diferentes datas e com diferentes nomes, é a mesma mulher que carrega consigo as orações e esperanças de seus filhos. Maria leva nossas preces a seu filho Jesus e ainda nos traz a resposta: “Fazei o que Ele vos disser”!
Cada vez que escrevo meu nome, recordo aquela que é bendita entre todas as mulheres. Vida, doçura e esperança nossa. Quando olho para meu esposo e meus filhos, peço à Maria que me ajude a ser uma esposa e uma mãe semelhante a ela. Quando peço seu socorro, recordo o que a Virgem de Guadalupe disse ao indiozinho Juan Diego: “Não tenha medo. Não sou eu a tua mãe?”
(*) Missionária da Comunidade Católica Shalom; casada com Leonardo e mãe de Bernardo e João Emmanuel.
Fonte: O Povo, de 13/5/2017. Opinião. p.11.

EM LOUVOR À MÃE


Por Luiz Carlos da Silva (*) 

Há um ser sem par que nós amamos
Que sentimos em nós um coração a dois
As alegrias da vida em profusão
A repetir no peito o eco da ternura
Que sobre nós esparze o amor de mãe 

Desde os vagidos primeiros da existência
O olhar, o doce olhar materno
Contempla-nos com o brilho da esperança
A derramar as bênçãos da bondade
Vendo no filho tenro, na criança amada

O sol que lhe ilumina a vida

Razão suprema de ser mãe feliz! 

Mas, eis que no passar dos anos
Os dias de ventura, os sonhos do porvir
Cruzam os caminhos da dor e da tristeza
A mão que tantas vezes afagara o filho
Os lábios que beijaram o pequenino ser
A voz sussurra cantigas de ninar
Sente o amargor das primeiras desditas
Os espinhos da longa caminhada 

A Mãe que exulta é a mesma que sofre
São duas faces da vida – a hipóstase eterna –
Perpetuando a dor, a angústia, o prazer
Entrelaçando a vida nos braços da morte 

A grandeza do amor de todas as mães
É bem maior, mais forte que o Universo
Mais bela, até, que a própria Natureza.
Guarda no escrínio do seu coração
O segredo da vida nas gerações que passam 

Mulher, mãe, ser quase divino
Parcela de Deus na criação dos mundos
Tens o poder de transmitir o amor
Num gesto amigo, num sorriso, apenas 

No murmúrio da voz meiga e sublime
No afago das mãos feito caricias,
No rolar de uma lágrima furtiva
Espelha-se a imagem de uma santa
Que fez da terra um trono, um paraíso
E de si mesma, bipartindo as células,
Transfundindo o sangue de seu próprio sangue
Deu-nos o maior dos bens: A Vida

 

(*) Advogado e professor. Falecido em Fortaleza em 2000, aos 81 anos de idade.

 

Notas do Editor do Blog: 1) Essa poesia de Luiz Carlos da Silva, feita em Fortaleza e datada de 7 de maio de 1971, certamente que dedicada à sua mãe Valdevina, foi encontrada há dez anos e lida em família, por ocasião do Dia das Mães, em 14 de maio de 2006. Ela foi publicada no livro “Dos Canaviais aos Tribunais: a vida de Luiz Carlos da Silva”, dos seus filhos Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Márcia Gurgel Adeodato. Já foi postada neste blog.

2) Publicado no encarte “Mãe: beleza e poesia”, organizado pela jornalista e escritora  Leda Maria, em O Povo, de 12/05/2017, sob o título “Louvores”.

sábado, 13 de maio de 2017

Maria, o caminho mais seguro para Jesus

Por Alyne Georgia de Castro (*)
Nas suas aparições em Fátima, Nossa Senhora nos mostra uma das armas mais poderosas, que é o Santo Rosário

Salve Maria! O centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, é uma grande graça de Deus para todos aqueles que têm a oportunidade de, verdadeiramente, experimentar a sua misericórdia por meio das revelações da sua Mãe para a nossa salvação.

Há 100 anos Nossa Senhora apareceu aos pastorezinhos Lúcia, Jacinta e Francisco, para alertar a humanidade sobre o que aconteceria se não correspondêssemos ao chamado do Seu Filho. Cada aparição tem sua particularidade, mas todas nos levam a mesma direção: o apelo de Nossa Senhora em nos mostrar o caminho certo e seguro, caminho de oração, penitência e sacrifício. O centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima vem nos mostrar e lembrar o imenso amor de Deus por cada um de nós, reforçando o zelo de Maria e o apelo pela conversão.
Devemos desejar estar intimamente ligados ao amor de Maria e procurar corresponder com gratidão a graça de vivenciar este Ano Mariano. É tempo, momento oportuno para nos consagrarmos inteiramente a Jesus pelas mãos de Maria, de lutar pela nossa conversão e a dos nossos.
Nas suas aparições em Fátima, Nossa Senhora nos mostra uma das armas mais poderosas, que é o Santo Rosário, que tem sua eficácia grandiosa para a nossa conversão e de toda a humanidade. Além disso, Nossa Senhora nos pediu, em suas aparições, a prática dos cinco primeiros Sábados e a devoção ao Imaculado Coração de Maria.
Estar neste ano de 2017 vivenciando um ano mariano, estabelecido assim pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) por ocasião dos 100 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima, bem como o jubileu de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, é ter a oportunidade de verdadeiramente receber as graças e proteção de Jesus pelas mãos de Maria.
Maria é o caminho mais fácil, curto, seguro e eficaz para chegar a Jesus, e para bem viver este Ano Mariano correspondendo ao apelo de Nossa Senhora em Fátima devemos rezar o santo terço mariano todos os dias, de preferência em família, fazer a consagração a Jesus pelas mãos de Maria, visitar um santuário mariano, aqui em Fortaleza, de forma especial as paróquias de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Fátima, fazer a devoção aos primeiros sábados e ao Imaculado Coração de Maria e procurar sempre essa íntima união com Maria.
Todos os dias, ao acordar, medito e tenho a certeza no meu coração: Maria me ama e quer me levar para o céu! Para isso preciso construir meu céu aqui na terra, caminhando na vontade de Deus e seguindo sua vontade para a minha vida, que é sempre o melhor. Na vida, precisamos passar por certos caminhos, e sentir a presença de Deus neles é presente do céu, certeza de uma alegria que não passa na presença de Jesus e Maria. Os sonhos mais lindos para a nossa vida estão guardados e selados no coração de Jesus e quem primeiro os conhece e intercede junto Dele é Maria Santíssima e nos conduz a realizá-los de acordo com a vontade de Deus.
Que Maria Santíssima nos guarde sempre no seu amor materno e molde em nós as virtudes necessárias para bem viver nesse caminho de santidade.
(*) Vocacionada da comunidade Católica Missionária Um Novo Caminho.
Fonte: O Povo, de 13/5/2017. Opinião. p.11.

O centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima


Por Nélia Frota (*)

Irmã Lúcia diz que Deus escolheu crianças ignorantes porque opera ao contrário dos homens, porque "Deus não vê como o homem vê"

Ano de 1917. O mundo está em guerra. Este é um ano de batalhas sangrentas, do uso de armas químicas, do tanque de guerra na frente de batalha. Ano da revolução russa. Ah, quantos centenários!

Ano de 1917, aldeia de Aljustrel em Fátima, Portugal, mais precisamente Cova da Iria, terra agreste, chão pedregoso, lugar inóspito. Foi ali que o Senhor escolheu para manifestar sua misericórdia ao mundo. Enquanto os homens, para vencer, preparam instrumentos de guerra, Deus prepara instrumentos de paz. Mas quem escolheria este lugar? Quem iria até lá? Neste ponto está uma reflexão que Fátima nos propõe: 100 anos depois, a terra seca se transformou em um manancial de água viva onde a humanidade pode saciar sua sede. Cem anos e esse lugar inóspito se tornou lugar de encontro com Deus pela Virgem Maria.
O que dizer dos pastorinhos! Irmã Lúcia mesma diz que Deus escolheu pobres crianças ignorantes porque ele opera ao contrário dos homens, porque “Deus não vê como o homem vê, pois o homem olha a aparência e Deus olha o coração” (1Sm 16,7).
O ano da aparição da Virgem (1917) não foi uma escolha aleatória. Em meio ao caos, Fátima nos mostra que o protagonismo da história pertence ao Deus trino que se faz presente por meio de Maria. É sobre esse pano de fundo trágico da história que ressoam as palavras do Anjo aos pastorinhos: “Eu sou o Anjo da Paz”. Que bela alternativa para tão triste situação ou seria melhor dizer: que grande misericórdia de Deus que, em meio à carne dolorida do mundo, marca sua presença de amor e misericórdia! Isto é Fátima para 1917 e também para nós, neste mundo dolorido e doloroso em que vivemos. Fátima provoca uma fissura nas paredes duras do mundo e ali coloca a presença de Deus, único remédio para o mundo doente.
A chave de compreensão da mensagem de Fátima é o mistério de Deus trino. Toda a sua espiritualidade parte da Trindade Santa e a ela conduz. A adoração ocupa lugar central. Nos gestos e nas palavras do Anjo e de Maria, Deus revela-se suscitando uma resposta generosa de adoração, do dom de si mesmo e de reparação dos pastorinhos que chega até nós, 100 anos depois.
Neste centenário, exultantes pela subida aos altares de Jacinta e Francisco sejamos cada vez mais devotos do Coração Imaculado de Maria que triunfará, e rezemos o terço todos os dias. Rezemos juntos com a Virgem, meditando com ela os mistérios da nossa salvação. A oração do terço, pedido por ela, nos faz mergulhar em Deus.
Salve Maria!
(*) Formadora bíblica.
Fonte: O Povo, de 13/5/2017. Opinião. p.11.
 

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