terça-feira, 21 de novembro de 2023

E A SOCIEDADE SE REVELA...

Por Heitor Férrer (*)

Entrei na vida público-partidária em 1989, quando assumi meu primeiro mandato de vereador de Fortaleza. De lá para cá, nesses 34 anos como parlamentar, incluindo nessa soma 20 anos de deputado estadual, ouvi muitas críticas aos políticos - leia-se aos eleitos ao longo desses anos - com foco principalmente na sua credibilidade. Ouvi, também, muitas críticas pesadas à imprensa e aos que a fazem, os jornalistas. Com referência tanto aos políticos como aos jornalistas, ouvi muitas vezes, por muitos da sociedade, que éramos uns privilegiados, mentirosos, desonestos e sem compromisso. Por todo esse tempo, as adjetivações eram as mais cruéis, às vezes com razão, às vezes nem tanto...

Ao longo desses anos, acompanhamos o advento desse extraordinário meio de comunicação, as redes sociais, culminando com o WhatsApp e Instagram, e todas as transformações que vivenciamos hoje na maneira de nos comunicar e relacionar. Como o próprio nome diz, redes sociais, as redes da sociedade. Nelas, imaginei, aqueles que cobraram e cobram tanto da classe política e da imprensa irão dar exemplo de conduta de seriedade, de compromisso, de verdade, de honestidade, de ética. Aqui, disse para mim mesmo, a sociedade dirá como todos deveriam e devem se comportar. Ledo engano. A rede social passou a ser o que há de pior em se tratando de compromisso, de credibilidade, de verdade, de ética…

Com exceções, como em todas as atividades humanas, as redes sociais fizeram com que a sociedade mostrasse a sua cara da maneira mais crua e transformaram-se em verdadeiro lamaçal social. Nelas, vemos a negação de tudo que, há anos, a própria sociedade vinha e vem cobrando. Nelas, a sociedade publica uma intimidade podre sem qualquer comparação com aquilo que, legitimamente, cobrava e cobra dos homens e mulheres públicos. Nesse lamaçal social, lançam calúnias, ódio, discórdia, fake news…

Como uma rede, cujos donos somos nós, vem perdendo sua credibilidade por conta dos mesmos que tanto cobraram postura da grande imprensa e dos que fazem a política no país? Triste desilusão e, o que é pior, essa degeneração ética só se aperfeiçoa e se aprofunda. Era a revelação que menos esperava da rede que é nossa, a rede social, a rede da sociedade.

(*) Médico e ex-Deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/10/2023. Opinião. p.19.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

CONVITE: Lançamento do livro “A CASA AMARELA”

O presidente da Academia Fortalezense de Letras (AFL), Dra. Graça Fonteles, convida para o lançamento do livro A CASA AMARELA.

A obrta, de autoria da escritora Graça Fonteles, será apresentada pelo médico e escritor Prof. Jackson Sampaio.

Local: Ideal Clube – Av. Monsenhor Tabosa, 1.381, Meireles - Fortaleza

Data: Dia 22 de novembro de 2023 (quarta-feira). Horário: 19h.

Traje: Esporte fino.


A IMPORTÂNCIA DO LIVRINHO

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Sempre que traziam ao Marechal Lott algo com "cheiro" de golpe, o exemplar militar indagava: "Está no livrinho?" Ou seja: tem o amparo constitucional? Não? E ao dizer "caiam fora!", golpeava o eventual golpe. Lott estava em sintonia com a frase atribuída a Winston Churchill: "A democracia é a pior forma de governo, se excetuarmos todas as demais." Na democracia, o governo é julgado periodicamente; na ditadura, não, pois nela a força vale mais do que o voto.

Países evoluídos seguem a constituição e raramente a alteram. Ser democrata não é ser de esquerda ou direita, uma vez que existem ditaduras de direita e de esquerda. No totalitarismo, uma minoria se banqueteia, e a maioria é explorada, sujeita a privações não por leis, senão pelo desejo do tirano.

Renato Janine, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Helena Nader, presidente da ABC (Academia Brasileira de Ciências), Marcia Abrahão, presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), e Fabio Gomes, secretário-executivo da ICTP (Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento), assinaram, a 8 mãos, artigo na Folha de S. Paulo, a lembrar que 5 de outubro, aniversário de nossa Constituição, deveria ser uma data a instruir os que não conheceram a ditadura.

E evocam: "Vamos educar os jovens para que repudiem a tirania, o ódio e o preconceito." Lembram que "ditadura rima com tortura e censura", e, ainda, que a Argentina tornou feriado o 24 de março, aniversário da queda de sua ditadura; e, a desejar que sigamos o exemplo dos vizinhos, aconselham-nos a seguir a proposta de quase cem entidades, as quais decidiram chamar de Dia de Luta pela Democracia Brasileira o 5 de outubro, que, em 1988, foi a data da promulgação da nossa Constituição Federal, "tendo como fundo sonoro as palavras de Ulysses Guimarães: Temos ódio e nojo da ditadura".

Sugerem "educar crianças e jovens a repudiarem tirania, ódio e preconceito ao abraçarem a fraternidade, a liberdade e a igualdade de direitos". E para que esses objetivos sejam atingidos, a educação não é uma saída. É a saída.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/10/23. Opinião, p.18.

domingo, 19 de novembro de 2023

Causo Médico: A MORTE DO DONO

O Ambulatório Geral de Pediatria do Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), naquela manhã de segunda-feira, estava lotado de pacientes, que, em parte, se acumulavam pelos corredores, em função da coincidência de datas com a realização de um grande congresso nacional de Pediatria em Fortaleza, motivando a liberação do trabalho, de dois dos pediatras escalados para o atendimento.

Em vista disso, os três colegas, a postos no serviço, desdobravam-se para dar conta dos pacientes agendados daquela manhã, uma vez que muitas mães rechaçaram qualquer tentativa de remanejamento de consultas para outra data próxima.

Dra. Fátima Gurgel (nome fictício), ciente e antevendo o problema, chegara até um pouco mais cedo ao Ambulatório, para iniciar os atendimentos. Por volta das 10h30, ela já estava na vigésima consulta, quando a Joaninha (nome fictício), a atendente dos consultórios, veio alertá-la de que Dona Gislena (nome fictício), a mãe da próxima criança a ser atendida, estava muito revoltada e fizera um escarcéu na sala de espera, com ameaça de denunciar o HIAS, no programa radiofônico do Paulo Oliveira.

Logo que a mãe e o menino ingressam no consultório, a Dra. Fátima Gurgel dirige-se à mãe nos seguintes termos:

– Bom dia, D. Gislena! Está tudo bem com a senhora e o seu filho?

– Bom dia, coisa alguma, doutora – repeliu asperamente D. Gislena.

– Estou penando aqui desde sete horas e perdi o meu dia de faxina. Quem é que vai pagar o meu prejuízo? Um dia perdido de serviço, é dinheiro que vai fazer falta pras compras lá de casa.

– Lamento, senhora. Mas minhas duas colegas estão liberadas, nesta semana, para participar de um congresso. Essa é uma atividade importante para que os médicos fiquem mais atualizados e possam prestar um melhor atendimento aos nossos pacientes.

– Isso é lorota! Elas devem estar é zanzando por aí, passeando ou fazendo compras nas boutiques das madames. Foi só o dono daqui morrer, ganhar um paletó de madeira, que esse hospital degringolou e essas médicas se aproveitaram da situação pra fazer corpo mole.

– E quem era o dono desse hospital, D. Gislena? – A médica tinha em mente que esse hospital pediátrico de Fortaleza era, equivocadamente, denominado de “Roberto Seis” por sua clientela pouco atenta e de baixa instrução.

– Era esse tal de “Alberto Seibe”, o que “bateu a cachuleta” na semana passada, o dono deste troço aqui – completou D. Gislena.

Dra. Fátima Gurgel percebeu, então, que o diálogo com a interlocutora materna não deveria prosperar e concentrou a sua atenção nas necessidades mais visíveis e imediatas da criança.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.19-21.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. AMC. Causo médico: a morte do nome. Informativo AMC (Associação Médica Cearense). Março de 2022 - Edição n.10, p.11-12 (em pdf).


Guerras raramente encontradas em livros de história: 8. A GUERRA DO BANCO DOURADO

Outrora uma cobiçada região dentro da atual Gana, o Reino Ashanti chamou a atenção do Império Britânico. Em 1896, a recusa do rei Prempeh em aceitar o status de Protetorado Britânico resultou na imposição forçada dos britânicos de sua proteção ao reino. Sem se deixar abater pelos invasores, o povo Ashanti demonstrou determinação inabalável, engajando-se em feroz resistência contra os britânicos. O Reino Ashanti considerava o Banco Dourado um símbolo poderoso. Acreditava-se que o banquinho continha todas as almas do povo Ashanti e servia como um símbolo de sua unidade. Feito de ouro maciço, este artefato sagrado media 18 polegadas de altura e 24 polegadas de comprimento, e sua importância cultural era imensa. No entanto, em 1900, Sir Frederick Hodgson, o governador britânico da Gold Coast, insistiu em sentar nele. Um forte sentimento de fúria envolveu o povo Ashanti neste ato, desencadeando uma guerra feroz que durou seis meses e resultou na perda de 2.000 vidas Ashanti e 1.000 soldados britânicos. Yaa Asantewaa, a Rainha Mãe e Guardiã do Banco Dourado, acabou sendo capturada, mas o banco escapou das forças britânicas e permaneceu escondido deles por muitos anos antes de ser devolvido ao seu sagrado lugar de honra.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

Guerras raramente encontradas em livros de história: 7. A GUERRA DO FUTEBOL

Embora o futebol possa inflamar a paixão entre os torcedores, é difícil imaginá-lo se tornando motivo de guerra, não é? Mas foi exatamente o que aconteceu em 1969. Reconhecidamente, os gatilhos iniciais para o breve conflito entre El Salvador e Honduras em 1969 estavam relacionados à reforma agrária e às preocupações com a imigração. No entanto, a situação piorou dramaticamente quando as duas nações se enfrentaram nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1970 em 8 e 15 de junho. Esses jogos foram marcados por violentas altercações entre torcedores rivais, resultando na dissolução dos laços diplomáticos e, eventualmente, levando a uma guerra de cinco dias no mês seguinte, que custou cerca de 3.000 vidas.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 18 de novembro de 2023

SELECTA LITERÁRIA

Em 2002, publicamos “Via Literarum: incursões despretensiosas no mundo das letras”, uma obra que abrigava distintos gêneros literários, reunindo escritos que remontavam aos tempos de estudante de medicina, na década de 1970, até o início do presente século. Nesses escritos se identificavam a trajetória das ideias e o espírito criativo de um autor que, despretensiosamente, incursionava na trilha literária.

Em 13 de março de 2003, no transcurso da comemoração do nosso aniversário de 50 anos de vida, fomos contemplados com o livro “Marcelo Gurgel: em verso e anverso”, organizado e escrito por generosas pessoas amigas, que serviu de pretexto para celebrar, igualmente, o nosso duplo jubileu argentino de médico e professor.

Esses dois lançamentos literários ocorreram quando estávamos com uma carreira profissional consolidada, como médico, economista, professor universitário e pesquisador, e demarcam a incorporação de mais uma faceta do nosso viver, despontando a figura do escrevinhador contumaz, que gradualmente transforma-se em um polígrafo, passando a aliar a sua produção técnica e científica com o seu crescente fazer literário.

Entre 2003 e 2008, grande parte do nosso labor esteve concentrada na implementação do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará, mas isso não nos impediu que déssemos à estampa quase duas dezenas de livros e mais de duzentas publicações esparsas em jornais, informativos e outros veículos de divulgação.

Paralelamente, o nosso ingresso em sociedades e outras entidades associativas, com efetiva participação, concorreu para alicerçar uma produção cultural vigorosa em que se destaca a atividade editorial, tanto da própria autoria como a de colegas e de confrades, sobretudo na forma de antologias e coletâneas institucionais.

O exercício de muitos ofícios, congregando múltiplas atividades, tem nos conduzido a construir um robusto curriculum vitae, que evidencia uma substancial produção técnica e científica, expressa em livros, capítulos, artigos, relatórios etc.

Do cômputo dos poucos mais de cinco mil itens do nosso atual currículo, em sua versão completa, já superam à casa dos mil aqueles de conotação cultural, correspondendo a cerca de 20% da nossa produção intelectual, realçando a nossa proficiente atividade cultural desabrochada em diferentes campos de atuação.

O termo “Selecta”, de raro uso presente, é da época da conhecida “Crestomatia”, de Radagásio de Taborda, quando nas escolas brasileiras de ensino primário e secundário se utilizavam de livros contendo textos selecionados de autor único ou de diversos autores, congregando diferentes gêneros, em prosa ou em versos, para o aprendizado da língua portuguesa.

O livro “Selecta Literária” enfeixa uma amostra intencional do que publicamos em obras da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE), da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes), da Academia Brasileira de Médicos Escritores (Abrames), da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), da Associação Brasileira de Bibliófilos (ABB), dentre outras. Vale salientar que, no processo amostral, excluímos as produções já publicadas ou em vias de publicação em outras obras da nossa autoria.

São trinta trabalhos distribuídos em quatro partes, observando uma disposição adequada, acompanhados de ilustrações apropriadas, com a intenção de deixar mais agradável a leitura. Na parte V, em apêndices e anexos, se expõem a organização e editoração de antologias da Sobrames-CE, a lista das publicações de SILVA, M.G.C. da In: veículos literários e culturais, a biografia literária do autor empregada pela Acemes em sua revista oficial e alguns registros iconográficos literários.

Carpe diem!

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cad. 18

*Publicado In: Jornal do médico digital, 3(43): 58-60, setembro de 2023. (Revista Médica Independente do Ceará).

RD Setembro 2023.indd (jornaldomedico.com.br)

 

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