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terça-feira, 12 de novembro de 2024

ESPAÇO DA LEITURA PIO RODRIGUES NETO

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

A leitura é um exercício que estimula a percepção e aguça a criatividade, e pensando nos benefícios que esta atividade pode proporcionar para as pessoas, a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), inaugurou, neste domingo (10/11/24), o Espaço da Leitura Pio Rodrigues Neto, no Parque Estadual do Cocó.

O local é uma homenagem ao ambientalista, empresário e membro do Conselho Gestor da Unidade de Conservação (UC) estadual, que em 2017, promoveu o plantio de 40 mil árvores nativas às margens do rio Cocó e em áreas específicas do Parque, em celebração aos 40 anos da C. Rolim Engenharia, empresa que Pio Rodrigues Neto à época dirigia. Ele também é celebrado por suas obras literárias e por seu compromisso com a preservação ambiental.

A cerimônia de inauguração contou com a presença da titular da Sema, Vilma Freire; do secretário executivo, Fernando Bezerra; do homenageado e seus familiares. Além de frequentadores do Parque e cidadãos engajados com a causa ambiental.

Durante a inauguração, o homenageado, que também possui o título de "Amigo do Cocó", fez um discurso emocionado. “Eu não tenho nenhuma dúvida que plantar árvores faz parte da minha missão e eu fico extremadamente feliz com esta honraria de ter meu nome preservado, aqui no parque, recebo isso com o coração cheio de gratidão, mas isso também me serve de forte incentivo para continuar trabalhando. Eu acho que é uma missão cidadã, é uma missão de um ser humano que entende um pouco essa necessidade do verde em Fortaleza”, declarou Pio Rodrigues Neto.

http://www.sema.ce.gov.br

Na segunda-feira (11/11/24), fui ao Parque do Cocó para conhecer esta iniciativa, tendo deixado para o acervo do Espaço de Leitura um exemplar do livro "Edição Êxtase", de minha autoria.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 12/11/2024.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/11/espaco-da-leitura-pio-rodrigues-neto.html


sábado, 18 de novembro de 2023

SELECTA LITERÁRIA

Em 2002, publicamos “Via Literarum: incursões despretensiosas no mundo das letras”, uma obra que abrigava distintos gêneros literários, reunindo escritos que remontavam aos tempos de estudante de medicina, na década de 1970, até o início do presente século. Nesses escritos se identificavam a trajetória das ideias e o espírito criativo de um autor que, despretensiosamente, incursionava na trilha literária.

Em 13 de março de 2003, no transcurso da comemoração do nosso aniversário de 50 anos de vida, fomos contemplados com o livro “Marcelo Gurgel: em verso e anverso”, organizado e escrito por generosas pessoas amigas, que serviu de pretexto para celebrar, igualmente, o nosso duplo jubileu argentino de médico e professor.

Esses dois lançamentos literários ocorreram quando estávamos com uma carreira profissional consolidada, como médico, economista, professor universitário e pesquisador, e demarcam a incorporação de mais uma faceta do nosso viver, despontando a figura do escrevinhador contumaz, que gradualmente transforma-se em um polígrafo, passando a aliar a sua produção técnica e científica com o seu crescente fazer literário.

Entre 2003 e 2008, grande parte do nosso labor esteve concentrada na implementação do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará, mas isso não nos impediu que déssemos à estampa quase duas dezenas de livros e mais de duzentas publicações esparsas em jornais, informativos e outros veículos de divulgação.

Paralelamente, o nosso ingresso em sociedades e outras entidades associativas, com efetiva participação, concorreu para alicerçar uma produção cultural vigorosa em que se destaca a atividade editorial, tanto da própria autoria como a de colegas e de confrades, sobretudo na forma de antologias e coletâneas institucionais.

O exercício de muitos ofícios, congregando múltiplas atividades, tem nos conduzido a construir um robusto curriculum vitae, que evidencia uma substancial produção técnica e científica, expressa em livros, capítulos, artigos, relatórios etc.

Do cômputo dos poucos mais de cinco mil itens do nosso atual currículo, em sua versão completa, já superam à casa dos mil aqueles de conotação cultural, correspondendo a cerca de 20% da nossa produção intelectual, realçando a nossa proficiente atividade cultural desabrochada em diferentes campos de atuação.

O termo “Selecta”, de raro uso presente, é da época da conhecida “Crestomatia”, de Radagásio de Taborda, quando nas escolas brasileiras de ensino primário e secundário se utilizavam de livros contendo textos selecionados de autor único ou de diversos autores, congregando diferentes gêneros, em prosa ou em versos, para o aprendizado da língua portuguesa.

O livro “Selecta Literária” enfeixa uma amostra intencional do que publicamos em obras da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE), da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes), da Academia Brasileira de Médicos Escritores (Abrames), da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), da Associação Brasileira de Bibliófilos (ABB), dentre outras. Vale salientar que, no processo amostral, excluímos as produções já publicadas ou em vias de publicação em outras obras da nossa autoria.

São trinta trabalhos distribuídos em quatro partes, observando uma disposição adequada, acompanhados de ilustrações apropriadas, com a intenção de deixar mais agradável a leitura. Na parte V, em apêndices e anexos, se expõem a organização e editoração de antologias da Sobrames-CE, a lista das publicações de SILVA, M.G.C. da In: veículos literários e culturais, a biografia literária do autor empregada pela Acemes em sua revista oficial e alguns registros iconográficos literários.

Carpe diem!

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cad. 18

*Publicado In: Jornal do médico digital, 3(43): 58-60, setembro de 2023. (Revista Médica Independente do Ceará).

RD Setembro 2023.indd (jornaldomedico.com.br)

quinta-feira, 27 de abril de 2023

SUZANA RIBEIRO E A ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA

 

Suzana Dias Martins, nascida no Ipu-CE em 31/12/1917, fora mulher de rara beleza, tendo sido, em sua juventude, eleita rainha dos estudantes do Ceará.

Passou a assinar Suzana Dias da Costa Ribeiro ao se casar, em 1941, com o Dr. José Carlos da Costa Ribeiro, um dos fundadores da Academia Cearense de Medicina (ACM), que a regalou com cinco filhos: Nádja, Zóia, Annya, Carlos e Isabel. O filho Carlos, que recebeu o mesmo nome do avô paterno, formou-se em Medicina e exerce a especialidade de hematologia no Ceará.

Ela era bastante afeita às lides literárias, como fundadora, ex-presidente e ativa participante da Sociedade Amigas do Livro, sócia da Associação Brasileira de Bibliófilos e imortal da Academia Fortalezense de Letras. Por muitos anos, lecionou Prática de Ensino no Instituto de Educação do Ceará e na Escola Normal Justiniano de Serpa, buscando incutir entre as normalistas em formação o apreço pela leitura dos livros e pela cultura em geral.

D. Suzana, a despeito de sua idade avançada, fazia questão de estar presente nos mais diversos eventos culturais, tendo especial predileção por participar das solenidades oficiais da ACM. A sua presença nesse sodalício era compreendida como uma manifestação transcendental do seu amado esposo, considerado o secretário perpétuo do silogeu da Medicina cearense.

Sempre que D. Suzana Ribeiro estivesse presente nas solenidades da ACM, a ela estava reservado um assento na mesa diretora dos trabalhos, enquanto que nas poucas vezes em que não pode comparecer a ACM mantinha uma poltrona livre, apenas demarcada por uma pelerine, cobrindo parcialmente a parte superior do encosto, como uma forma de reverência ao seu eterno secretário.

Essa centenária dama das letras do Ceará permaneceu lúcida e intelectualmente ativa até o final dos seus dias quando, serena e placidamente, regressou aos braços do Criador, na capital cearense em 8/03/2020, no Dia Internacional da Mulher, exalando os seus derradeiros suspiros, amparada no carinho dos seus queridos familiares.

Como esposa, mãe, avó, bisavó, tia e amiga, ela sempre esteve disposta a ajudar com gestos e delicadezas a quem se valia dos seus préstimos, legando, sobretudo, o seu testemunho de bondade, afeição e cooperação humana.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

*Publicado In: Jornal do médico impresso, 18(165): 18, março de 2023. (Revista Médica Independente do Ceará).


sábado, 11 de fevereiro de 2023

TALES DE SÁ CAVALCANTE: de empresário à Academia Cearense de Letras

 


Por Gisele Correa Barata, jornalista de O Povo

Engenheiro civil e empresário do ramo educacional, Tales de Sá Cavalcante enveredou pelas Letras e assumiu, em 2023, a presidência da Academia Cearense de Letras

O incentivo dos pais, a carreira na gestão educacional e um elogio de um padre são fatos que compõem a história de Tales de Sá com a literatura. O educador-empresário, como gosta de se definir, assumiu no último 24 de janeiro a presidência da Academia Cearense de Letras (ACL) e conversou com O POVO sobre a trajetória que o levou até o papel de destaque.

Um dos primeiros fatos curiosos da trajetória de Tales é a formação. Hoje articulista do O POVO, trilhou caminhos na gestão educacional, mas é engenheiro civil de formação. Fato que o fez, por um tempo, desviar de convites para a ACL por se tratar de um ambiente majoritariamente composto por pessoas das áreas de humanas e linguagens.

Eu participava de outras academias também (como a de matemática e Retórica) e as pessoas achavam que eu deveria entrar lá também. Mas tinha um certo receio (de entrar na Academia de Letras) porque achava que as pessoas que lá estavam eram mas das áreas de Humanas e eu me graduei em Ciências Exatas”, revela Tales.

Mas o engenheiro cedeu aos convites dos colegas da ACL e assumiu, em 2019, a cadeira de número nove, substituindo o advogado, professor e escritor Genuíno Sales, falecido em 2018. "Minha mãe dizia que eu era Engenheiro Civil só de escola, porque só entrava em obra quando tinha na escola - e isso era verdade. Trabalhei minha vida toda num só lugar, o Farias Brito. Aí da mesma forma da Academia de Retórica, o pessoal começou a ouvir meus discursos e achar que eu deveria entrar na academia (de Letras)", relata.

Uma das memórias de infância mais marcantes é justamente em uma livraria, aos sábados, nos arredores da Praça do Ferreira. “Quando era criança, meu pai e minha mãe tinham uma educação muito boa e ao mesmo tempo muito rígida, inclusive na área financeira. Queria que a gente se formasse e ficasse um adulto equilibrado, não ficasse como algumas pessoas que gastam mais do que ganham. Mas tinha uma coisa que eles não mediam: era quando a gente queria um livro”, relembra ele, com carinho. Mais tarde, o garoto apaixonado por livros tomaria frente dos negócios da família, sem deixar de lado a paixão pelas letras.

Eu sou bibliófilo, eu tenho uma biblioteca que considero relativamente boa, com 7.000 volumes. O Zé Augusto Bezerra, que é meu colega e da Academia Cearense de Letras é a pessoa física com a maior biblioteca do Brasil. Segundo ele, quem tem mais livros de Napoleão Bonaparte no Ceará sou eu”, orgulha-se. Apesar de ter ciência das críticas que permeiam a figura de Bonaparte, o defende como “um grande gestor e muito estudioso”.

Cronista nato, tem vivo na memória histórias do interior e da Capital. Além da Praça do Ferreira, lembra de Sobral, em especial do tradicional Colégio Sobralense, hoje parte da rede de escolas do Farias Brito.

O diretor da nossa Escola em Sobral, que é onde funcionou o Colégio Sobralense, onde estudou Ciro e Cid Gomes, resolveu lançar um livro. Chamou três pessoas: uma pra fazer a orelha do livro, outro a introdução e o prefácio. As outras duas pessoas eram padres. E o autor do livro falou para o padre Osvaldo e não disse de quem era cada texto - e o terceiro texto era meu. Ele entregou primeiro os dois textos ao Padre Osvaldo, que era sumidade tanto no aspecto da língua portuguesa quanto da religião (...) pois bem, quando o diretor entregou o terceiro ele disse: ‘olha, esse aqui é bom’. E quando perguntou quem havia escrito, o diretor disse: ‘quem escreveu foi o meu patrão (Tales de Sá), o dono do Farias Brito’ e o padre respondeu ‘que pena que ele tá perdendo tempo com essas coisas empresariais’”, conta, no combo de bom humor e orgulho.

Defensor da máxima de "para escrever bem é preciso ler bastante", Tales aproveita os momentos do cotidiano para escrever mesmo na rotina corrida da vida empresarial.

"Então a saída foi a crônica e pequenos textos que a academia me encarrega de elaborar. A crônica eu me dei muito bem com ela porque eu gosto muito de observar as coisas da vida e acho que a crônica é um relato livre, um relato sobre fatos que mostram como o ser humano pode reagir a determinadas coisas. Se você pegar as 24 horas do dia, o mundo sempre tem coisas interessantes e publicáveis, bastando você ajeitar um pouco, que elas ficam publicáveis”, defende o cronista.

Uma Academia "de portas abertas"

Promover a literatura e ir além de uma Academia voltada para si está entre os objetivos de Tales de Sá à frente da Academia Cearense de Letras. Como inspiração, os próprios exemplos pessoais, do incentivo a leitura, mas também da gestão e expansão de projetos.

No Farias Brito, quando comecei a trabalha lá, era um colégio pequeno. Mas a gente começou a criar várias coisas e elas foram tendo repercussão, foram entrando mais alunos, mais dinheiro e foi gerando mais coisas", conta Tales, que atribui à falta de recursos um dos desafios a serem enfrentados. “Tem muitos projetos interessantes principalmente para que tenhamos no futuro alunos que leiam mais e se intelectualizem mais. Mas falta verba para isso”, destaca.

"Eu acho que nosso País deveria estimular mais a cultura, mas nós vivemos em um País que não tinha nem um Ministério da Cultura até pouco tempo, que o último governo decidiu extinguir", aponta Tales de Sá.

Entre os muitos projetos em mente está o de expandir as visitas guiadas para escolas públicas e privadas no prédio da ACL. Ao fim de dois anos, o novo presidente quer olhar para trás e ver que contribuiu para as letras, cultura e educação no Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/02/23. Vida & Arte, p.3.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

EU LI TERAPIA


Literapia pretende divulgar os criadores de arte e literatura sem entraves aos autores iniciantes

As revistas literárias têm, no Ceará, uma presença tão marcante quanto efêmera, na imensa maioria delas. Assim tem sido com praticamente todas, nos últimos cinquenta anos. Este, no entanto, não parece ser o caso de Literapia, que tem no médico e poeta Pedro Henrique Saraiva Leão o seu editor. Literapia foi lançada ao público em 1999, portanto há 18 anos; o seu número zero é de junho daquele ano. E em outubro de 2016 alcança o número 23. A sua tiragem se pretende semestral e praticamente tem sido assim, mercê do mecenato de alguns amigos das letras, que viabilizam a sua continuidade, com alentadas tiragens.
Literapia se propõe publicar autores do Ceará, preferencialmente; mas tem contemplado autores de outras paragens, nomeadamente figuras já conhecidas e respeitadas no cenário da criação artística e literária. Tenho a honra de me poder dizer amigo do editor, com quem convivo e reparto bons momentos de conversações em torno do fenômeno da criação. Pedro Henrique é possuidor de uma verve bem-humorada, fazendo lembrar a admirável fleuma britânica. Lembremos a sua estada na Grã-Bretanha nos anos de sua formação profissional, tendo lá sido aceito como médico já de renome, por sua capacidade e proficiência.
Mas quero aqui destacar o poeta, autor de uma vasta obra, em que se mesclam experiências de vanguarda criativa, ao tempo em que o neoconcretismo era praticado no Brasil com mais constância. Ele foi, juntamente com poucos outros, pioneiro dessa corrente no Ceará. A par disso, PHSL é mestre de um lirismo denso, sem ser derramado; sutil, sem ser demasiadamente hermético.
Literapia pretende divulgar os criadores de arte e literatura sem entraves aos autores iniciantes. Mas é um de seus lemas não aceitar colaborações oferecidas: a participação na revista há que ser solicitada.
Literapia tem-se caracterizado por uma qualidade gráfica excelente e uma diagramação idem. Estas condições se devem a Geraldo Jesuíno da Costa, exímio artista plástico e competente diagramador, além de ser ele também refinado autor literário.
O nome da revista é uma feliz invenção de PHSL. Alude à cura pelas letras. E há ainda outras possibilidades de leitura desse neologismo: eu, por exemplo, costumo dizer que já li terapia, como continuo lendo. Também a veneração das letras: litera-pia. O seu propósito e louvável e bem conseguido.
Vida longa à Literapia! Que continuemos a usufruir de suas páginas agradabilíssimas e edificantes!
(*) Membro da Academia Cearense de Letras (ACL)
Fonte: Publicado In: O Povo, de 31/10/2017. Opinião. p.11.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

EXPERIÊNCIA COMO PRESIDENTE

Por João Soares Neto (*)
As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.” Carlos Drummond de Andrade.
Fui, há alguns anos, presidente de uma Academia de Letras, cujo nome não vem ao caso. Intrigado, publiquei, recentemente, um livro de 138 páginas. O nome é direto ao ponto: “Experiência como Presidente” (ISBN 978-85-923210-0-0). Retrato, inclusive, com fotos, os dois anos da gestão com todos os detalhes legais, culturais, sociais. Necessários e talvez alguns supérfluos.
Uma entidade de letras ou similar deve incentivar os seus membros a publicar livros e a frequentá-la. Para isso, criei selo editorial específico e, durante esses dois anos alguns livros foram lançados por consócios, participamos de duas Bienal de Livros e procuramos estimular a criação de Academias estudantis, em conjunto com a Secult e alguns colégios. Tivemos êxito. A cada ano, fizemos uma “Semana Cultural Viajando nos Livros” e uma Exposição de Livros Raros, ambos com a participação de dezenas de colégios públicos e privados. Públicos acima de mil pessoas.
Realizamos festas natalinas e no aniversário da Academia. Sem dinheiro alheio. Idealizamos e criamos, com a ajuda de Regina Fiúza, de Murilo Martins e de Pedro Henrique Saraiva Leão, grupo para planejar e dar o “startup” no restauro do Palácio da Luz. Depois, concretizada por José Augusto Bezerra.
A par disso, consultados os colegas e pedir-lhes colaboração para a confecção de novo Estatuto, mourejei solitário na minha gávea. Produzi documento que, através de assembleia geral convocada, foi lido e relido, pois distribuídas cópias.
Na Assembleia, em 16 de junho de 2010, o Estatuto, levado à discussão, foi aprovado por unanimidade. Possui 37 artigos. Neles, estão claros os direitos e obrigações. Além do Estatuto, submeti aos pares um Regimento Interno com 22 artigos, igualmente aprovado na sobredita Assembleia.
Três colegas faleceram nesses dois anos e foram devidamente pranteados. Após o período do luto oficial, significaram eleitos novos membros, sendo recomposto o quadro social.
Criamos boletim mensal eletrônico e blog para noticiar os eventos, mas poucos acessos aconteceram, mercê da carência de interesse de alguns por esse mundo esquisito e definitivo da Internet.
O boletim possuía conteúdo definido: palavra do presidente, acontecimentos do mês e do seguinte, pensamento de autor ilustre e a prestação de contas do mês anterior.
A entidade foi homenageada com placa de prata, em sessão solene, na Câmara Municipal de Fortaleza-CMF, em outubro de 2009, por iniciativa do vereador Paulo Facó. Apresentamos ao presidente da CMF, Salmito Filho, a intenção de participar do “Pacto por Fortaleza, a cidade que queremos para 2020.”
Com a Secretaria da Cultura do Ceará, parceira da gestão, sem que a ela fossem exorados recursos, criamos a ideia do “Anuário da Cultura”, aprovado pelo secretário Auto Filho. O belo Anuário saiu em 2010. Os secretários da cultura e os presidentes que nos sucederam não o levaram avante. Pena.
Fizemos publicar um número da revista da entidade, com colaboração de acadêmicos. Distribuímos, gratuitamente, broches (bottons) e carteiras de identidade social. As reuniões foram descrevidas pelo secretário Eduardo Fontes. Culminamos com a eleição de nova diretoria, sem esquecer de deixar a tesouraria com caixa positivo de R$ 13.750,51. Referimos que nessa gestão não solicitamos quaisquer ajudas financeiras a pessoas ou instituições privadas ou órgãos públicos. Não homenageamos nenhuma pessoa, empresa ou entidade, pública ou privada. Foi assim.
Pergunta final: Por que pessoas concorrem a eleição, às vezes duras, em Academias de Letras ou similares e, logo em seguida, após a desejada assunção, sessão de posse e coquetel, deixam de frequentá-la?
Alguns, sentem-se até incomodados com a cobrança da mensalidade devida e necessária para a precária manutenção dessas entidades. Esse é um drama comum e atual de quase todas e pode servir de base para discussões e providências que urgem.
(*) João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado, provavelmente, no jornal Diário do Nordeste, Ideias, 8/09/17.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

PAI DOS BURROS

Pedro Henrique Saraiva Leão (*)

É assim como alguns o chamam. Jocosamente. O respeitado escritor paulista Mário da Silva Brito, contudo, afirmava – com arrojo (atrevimento) ou certa imodéstia - ser o léxico (dicionário) “o pai dos inteligentes: os burros dispensam-no”. A seu respeito, Graciliano Ramos, alagoano de Quebrângulo (1892), um dos sóis da literatura brasileira no Nordeste (“São Bernardo”, “Angústia”, “Vidas Secas”) reconheceu: “não poderíamos trabalhar sem eles, como ( ) sem couro ou tijolos se fossemos sapateiros ou pedreiros”.

Penso assim também. Há muito estão meus dedos calejados de tanto abrir e folhear dicionários. Sempre cortejei-os, e – geralmente – fui recompensado. Aqui se impõe o advérbio, pois a palavra procurada, às vezes, ali não está.
Mesmo assim, nesses casos (raros) deparamos (encontramos) seus sinônimos ou correlatos. Ressalte-se, por igual, a prestimosidade destes livros, eis que respondendo nossas perguntas definem outros termos, acima e embaixo, nos dirimindo (anulando) outras dúvidas vernaculares, i.e., relativas à língua. Este é mais um dos seus encantos, estimulando maior conhecimento dos consulentes (quem consulta). O português originou-se do latim, e – consoante historiadores fidedignos os romanos ocuparam demoradamente a Inglaterra (do ano 55 antes de Cristo ao 6º século) ali inseminando esse idioma. Sua importância para os utentes (usuários) do português foi explicitada por um certo senhor Brander Mttheus, ao asseverar (assegurar, declarar): “não é preciso saber latim, mas devemos, pelos menos tê-lo esquecido”.
Com menos vocábulos contribuíram os gregos, sendo dos helênicos (da Hélade, ou Grécia Antiga) a formação da palavra “epicaricácia”, termo estrambótico (estapafúrdio ou bizarro, excêntrico) pouco conhecido. Vinda até nós pelos ingleses, “epicaricácia” não se encontra no Aurélio ou no Houaiss, mas na internet (Wikipedia). Deriva de “epi” = sobre + “chara” = alegria + “kakon” = mal, traduzindo-se por “alegria pela infelicidade de outrem”. Talvez seja mais conhecida em Alemão: “Schadenfreude” (“Schaden” = prejuízo; “Freude” = alegria) (In “Dictionary of Early English”. Joseph T. Shipley, Editor: Littlefield, Adams & Co. Paterson, New Jersey, EUA, 1963). Segundo o escritor norte-americano Gore Vidal, o fracasso dos amigos seria uma forma de felicidade. Já fui vítima dessa desfeita, perpetrada (cometida) por um colega, ex-estagiário, alegado “amigo–irmão”. “Hélas”!
Alguns leitores acusam-me de usar “palavras difíceis”, embora logo a seguir as defina. Faço-o, entretanto, para enriquecer-lhes o patrimônio vocabular, atualmente minguado pela falta de leitura, pela TV e pela internet. Recomendo ler/reler meu artigo “Vox barbara”, no O POVO, 14/10/2009. O primeiro léxico de Português foi a “Dictionarium Lusitanico in Latinum Sermonen”, por Jerónimo Cardoso, publicado em 1569.
Concluindo, tirante os dois acima mencionados, exemplifico com os clássicos Morais Silva (12 volumes), 1954; Laudelino Freire (5 volumes), 1940; Cândido de Figueiredo (2 volumes), 1945, além daqueles de Francisco Fernandes (Verbos e Regimes; Sinônimos e Antônimos; Regimes de Substantivos e Adjetivos). Lembro ainda os dicionários Latino – Português e Português – Latino, de Francisco Torrinha (Porto, 1942), além de inúmeros outros que tais, venerandos habitantes da minha biblioteca. 
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, 13/09/2017. Opinião, p.14.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

UFC concede título de Professor Emérito a José Linhares Filho


O título que recebo me traz contentamento e incentiva-me o gosto de viver", afirmou o Prof. José Linhares Filho em trecho de seu discurso após receber o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará, em solenidade realizada na noite dessa quinta-feira (13/7/17), no auditório da Reitoria.
Em sua fala, o Prof. Custódio Almeida, Vice-Reitor no exercício da Reitoria, assegurou que a concessão da honraria era ato de reconhecimento ao "docente que ministra aulas memoráveis, o orientador sério e meticuloso, cujos ensinamentos foram repartidos entre gerações de alunos de Letras".
A Profª Odalice de Castro e Silva, escolhida para saudar o novo Professor Emérito da UFC, preferiu destacar "um pouco por experiência própria" (foi sua aluna) o muito que José Linhares Filho ofereceu à Universidade Federal do Ceará, "com sua dedicação, disciplina, na condução de aulas, palestras, conferências, no âmbito de suas atividades docentes na área de literatura portuguesa, atividades conciliadas com pesquisa, extensão, orientação e administração, conduzidas sempre de modo sério, criterioso e cortês com alunos e cooperadores".
Admitiu o Prof. José Linhares Filho que Letras foi sempre, para ele, "uma vocação inelutável." E relembrou as primeiras redações "efetivadas, espontaneamente, sobre temas figurados em decalcomania, as quais mereciam a aprovação e o incentivo dos pais, na distante infância em Lavras da Mangabeira". Confessou que sentia "mais facilidade e gosto em decorar os versos de um poema do que os números da tabuada", mas afirma reconhecer a importância e a universalidade da matemática, tanto que a ela dedicou uma ode. No entanto, assegura serem "mais essenciais e comoventes os valores da literatura, especialmente da poesia."
FORMADOR DE GERAÇÕES – Referindo-se ao homenageado, a Profª Odalice de Castro e Silva afirmou que "muito aprendemos com ele, todos os que tivemos a oportunidade de partilhar de seu vasto saber, de sua vasta cultura, da leveza e segurança com que transitava entre os saberes das humanidades, vivenciando, no cotidiano de seu compromisso de humanista, as metodologias que defendia, no sentido mais profundo do termo, como no dizer do poeta Antonio Machado, 'pelos caminhos feitos ao caminhar". O Prof. Linhares formou gerações de estudantes e pesquisadores, hoje mestres, doutores, sem jamais deixar de referir-se, com gratidão, aos seus mestres queridos, apontou.
Como para confirmar o que acabara de dizer a Profª Odalice Castro Silva, em trecho de seu discurso o Prof. Linhares citou alguns dos maiores professores do Ceará do magistério de Língua Portuguesa, de Literaturas de Língua Portuguesa, de Teoria da Literatura, de Literatura Comparada e Estilística, com os quais conviveu, "primeiro como aluno, depois como colega". E passou a enumerá-los: Moreira Campos, Artur Eduardo Benevides, Pedro Paulo Montenegro, Carlos D'Alge, José Rebouças Macambira, Antônio Pessoa Pereira, Luiz Tavares Júnior.
GRATIDÃO – O sentimento de gratidão do Prof. Linhares Filho se revelou, também, ao agradecer ao Conselho Universitário, sobretudo a seu presidente, Reitor Henry de Holanda Campos; ao Departamento de Literatura do Centro de Humanidades, e ao Conselho Departamental do Centro, por considerá-lo, em sua generosidade, digno do título outorgado. Fez um agradecimento especial à esposa, Mariazinha, e às filhas Ceiça, Mônica, Catarina e Isabel.
RECONHECIMENTO – Para o Prof. Custódio Almeida, conceder o título de Professor Emérito ao Prof. José Linhares Filho "é um preito de gratidão da Universidade", que "reconhece os méritos que sobejam em Linhares Filho, pelo vasto conhecimento amealhado na área da literatura, pelo talento como poeta e ensaísta e, acima de tudo, pela forma como se dedicou ao magistério, desde que aqui ingressou, em 1969, como professor auxiliar de ensino". Disse ainda o Prof. Custódio "que o título celebra toda uma carreira profissional dedicada a esta Casa, que Martins Filho e um punhado de bravos edificaram nos anos 50 e que chega aos nossos dias como uma grande Universidade, alinhada entre as 10 maiores e melhores do País".
POETA-PROFESSOR – "Em Linhares, se confundem o poeta, o ensaísta e o professor. Um incorpora o outro quando, em sala de aula, discorre sobre os Sermões de Vieira, o romantismo de Almeida Garret, o realismo de Eça e Antero, os heterônimos de Pessoa", ressaltou o Prof. Custódio. "Em meio à dissecação das mais belas páginas da literatura portuguesa, há sempre um interregno sentimental, um espaço para reminiscências que o levam de volta a Lavras da Mangabeira, onde veio à luz, e onde, com certeza, deita suas raízes poéticas. Este professor-poeta, ou poeta-professor – talvez não saibamos jamais onde se esconde a primazia –, é autor de uma vasta obra, com inúmeros títulos assentados nos pagos da poesia, com incontáveis ensaios críticos, peças de oratória e páginas de memória, além de quase duas dezenas de inserções em antologias".
Ao mesmo tempo, ilumina essa produção uma fortuna crítica de alto nível, que disseca o resultado da colheita em mais de quatro décadas de andanças e marinhagens no universo literário. As apreciações sobre essa obra são abundantes e brotam de algumas das fontes mais límpidas da literatura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, que comentou "Frutos da Noite de Trégua", confessando: "Percebe-se que o seu 'pacífico guerreiro' tem o vigor e o talento necessário para dar ao verso toda a melodia e todo o encanto verbal".
Finalizando o discurso, o Prof. Custódio Almeida declarou o orgulho que é para a UFC tê-lo em seus quadros, "por ter contribuído de uma forma notável para que a Instituição avançasse ainda mais no terreno da excelência e na seara da responsabilidade social, fazendo-se imprescindível como tradutora dos mais ricos valores da cearensidade. Daí, nosso sincero aplauso", concluiu.
SOLENIDADE – A mesa diretora que presidiu a sessão solene do Conselho Universitário para a entrega do título de Professor Emérito ao Prof. José Linhares Filho foi composta pelos professores Custódio Almeida, Odalice de Castro e Silva e Vládia Borges, diretora do Centro de Humanidades; pelo presidente de honra da Academia Cearense de Letras, Murilo Martins; e pelo tenente Alex Leal, representando a Capitania dos Portos do Ceará.
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

CONVITE: lançamento de “A Saga Lírica de Giselda Medeiros”


A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria do Ceará (AJEB-CE), e o Náutico Atlético Cearense convidam para o lançamento de A Saga Lírica de Giselda Medeiros, livro organizado pela professora e escritora Gisela Nunes da Costa, que traz a participação de dezenas de autores.
A apresentação da obra será feita pela professora e escritora Ângela Gutiérrez, da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará.
Local: Náutico Atlético Cearense / Av. Desembargador Moreira, nº 1, Meireles, Fortaleza-CE.
Data: 13 de julho de 2017 (quinta-feira) Horário: 19h.
Traje: Esporte fino.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SOLENIDADE DE REINAUGURAÇÃO DO PALÁCIO DA LUZ


Participei ontem à noite, 6 de fevereiro de 2017, da Solenidade de Reinauguração do Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras (ACL), restaurado na atual administração, cuja entrada solene voltou a ser pela rua Sena Madureira. A ocasião serviu para reavivar o clima do que seria esse palácio, ao tempo de sua inauguração, em 1781.
Na oportunidade, foram agraciados com a Medalha 120 Anos - Benemérito e a Comenda Uma Lenda do Ceará personalidades e instituições apoiadoras da entidade, dentre os quais, os seguintes homens públicos: o governador Camilo Santana, o senador Tasso Jereissati, o prefeito Roberto Cláudio, o chanceler Airton Queiroz e os empresários Beto Studart e Ivens Dias Branco (in memoriam). O governador Camilo Santana agradeceu em nome dos homenageados.
A solenidade, presidida pelo bibliófilo José Augusto Bezerra, foi conduzida, com muito cuidado e organização, pela Diretora Administrativa da ACL, a escritora Regina Cláudia Fiúza, sendo justo destacar a abertura musical com a Camerata de Cordas da Unifor e a reverência aos poetas antepassados do Ceará, por meio de declamações de poesias, tendo por mote um passeio de Maria Fumaça, um espetáculo concebido pelo Ac. Carlos Augusto Viana.
O evento foi abrilhantado pela presença expressiva de pessoas do mundo empresarial e cultural cearense, além de integrantes de academias e sociedades locais, como o Instituto do Ceará, a Academia Cearense de Medicina e a Sobrames/CE.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Posse de Flávio Leitão na Academia Cearense de Letras


Ac. Flávio Leitão diante da mesa diretora da solenidade de posse na ACL.
Aconteceu ontem à noite, 10 de janeiro de 2017, no Palácio da Luz, a solenidade de posse do Dr. Francisco Flávio Leitão de Carvalho na cadeira 34 da Academia Cearense de Letras (ACL), tida como a primeira do gênero instalada no Brasil, tendo antecedido à criação da Academia Brasileira de Letras, em três anos.
A solenidade, conduzida pelo Presidente do sodalício, bibliófilo José Augusto Bezerra, foi preparada, com muito cuidado e organização, pela Diretora Administrativa da ACL, a escritora Regina Cláudia Fiúza.
É justo destacar os discursos de recepção, proferido pelo Ac. Pedro Paulo Montenegro, em nome do sodalício, e do novel imortal Flávio Leitão, que fez um retrospecto da história de vida do patrono da sua cadeira, patroneada por Samuel Uchoa e de seus sucedâneos ocupantes, salientando de forma mais especial o médico e poeta Ac. José Telles da Silva, a quem ele coube suceder nessa instituição cultural.
Muito tocante foi a homenagem prestada ao Prof. José Valdivino de Carvalho, ex-membro da ACL e pai do recipiendário, que abriu a sua fala de saudação com um belo soneto da lavra do poeta, marcado pelas lembranças da infância no Engenho Livramento.

Ac. Flávio Leitão acompanhado de colegas médicos na solenidade de sua posse na ACL.
O evento foi abrilhantado pela massiva presença de pessoas do mundo médico e cultural cearense, como integrantes de academias e sociedades locais, como a Academia Cearense de Medicina, a Sobrames/CE e o Instituto do Ceará.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Solenidade dos 122 Anos da Academia Cearense de Letras


Participei ontem à noite, 17 de agosto de 2016, no Salão Meireles do Ideal Clube, da solenidade comemorativa dos 122 anos de fundação da Academia Cearense de Letras (ACL), considerada a primeira do gênero no Brasil, tendo antecedido à criação da Academia Brasileira de Letras, em três anos.
Na oportunidade, foram homenageados com a Medalha de Beneméritos da entidade as seguintes pessoas públicas: o Secretario de Cultura do Estado Sr. Fabiano Piúbas, o Secretário da Regional Centro de Fortaleza, o Presidente do ideal Clube Sr. Amarílio Cavalcante e a Sra. Suzana Ribeiro., e distribuídas as comendas alusivas do aniversário a todos os acadêmicos presentes. A mim, na condição de Presidente da Sobrames-CE, coube a responsabilidade da entrega ao Acadêmico Pedro Henrique Saraiva Leão.
A solenidade foi conduzida pelo Presidente do sodalício, bibliófilo José Augusto Bezerra, com o apoio diligente da secretária Cláudia, seguindo o esquema preparado pela Diretora Administrativa da ACL, a escritora Regina Cláudia Fiúza.
O ponto alto do evento foi a entronização do novo Príncipe dos Poetas Cearenses, o Ac. José Linhares Filho, eleito por unanimidade dos seus pares, para substituir o grande vate Artur Eduardo Benevides, aliás, o meu padrinho de batismo. Linhares Filho foi saudado de forma acurada e apurada pelo poeta e crítico literário Sânzio de Azevedo, e retribuiu com um esplendoroso discurso de agradecimento que prendeu a atenção da seleta audiência.
A efeméride foi prestigiada a pela marcante presença de pessoas do mundo empresarial e cultural cearense, como integrantes de academias e sociedades locais, como o Instituto do Ceará, a Academia Cearense de Medicina e a Sobrames/CE.
Ao término, acadêmicos e seus convidados se confraternizaram em um requintado jantar.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

sábado, 29 de agosto de 2015

CONVITE: Posse Frei Hermínio B. de Oliveira na AMLEF


No próximo dia 31 de agosto, às 19h30, no Plenário 13 de Maio da Assembleia Legislativa, ocorrerá a Sessão Solene em comemoração aos 10 (dez) anos da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - AMLEF. Na ocasião, será empossado o Frei Hermínio Bezerra de Oliveira, na cadeira nº 01 e será outorgada a Medalha Mário Caúla (a mais alta comenda da AMLEF) às senhoras Luciana Dummar, Presidente do Grupo de Comunicação O POVO, e Sra. Leda Maria, jornalista que coordena os Suplementos Literários do Jornal O POVO.
Convidamos os parentes, familiares e amigos para nos honrar com suas luminosas presenças.
Na paz,
JÚNIOR BONFIM - OAB/CE 15.545
Presidente da AMFLEF

quarta-feira, 4 de março de 2015

PLEONASMOS



Atire a primeira pedra quem nunca "pleonasmou"...
Autor: “Anônimo Desconhecido” (Já é o primeiro pleonasmo)
Você já “pleonasmou” hoje?
Todos os brasileiros (ou quase todos) sofrem de “pleonasmite”, uma doença congênita para a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos. Não tem cura, mas também não mata. Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem convive com o paciente.
O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que, com o objetivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético.
Definição confusa? Aqui vão quatro exemplos óbvios: “Subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.
Já se reconhece como paciente de pleonasmite? Ou ainda está em fase de negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora.
Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos “pequenos detalhes”? E que nunca partiu uma laranja em “2 metades iguais”? Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?
Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”. Baseio-me em “fatos reais” para lhe dar este “aviso prévio” de que esta “doença má” atinge “todos sem exceção”.
O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o aliciam com “ofertas gratuitas”. E agências de viagens que anunciam férias em “cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um “acabamento final” naquele projeto. Tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”: “Cala a boca!”?
O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que “estreia pela primeira vez”.
E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, tenho más notícias para si. Porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a “principal protagonista” da propagação deste vírus.
Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite direto na tela da TV. Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol vai se queixar dos “elos de ligação” entre a defesa e o ataque. Um governante dirá que gere bem o “erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. E um qualquer “político da nação” vai pedir um “consenso geral” para sairmos juntos desta crise.
E por falar em crise! Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?
Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos “viver a vida” com um “sorriso nos lábios” no seu “habitat natural”.
Mas como lhe disse no início, o descontrole da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades. Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada. E “já agora” siga o meu conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!
Ou então esqueça este texto. Porque afinal de contas eu posso estar só “maluco da cabeça”....
E agora, com a sua licença, vou continuar a escrever a MINHA Auto Biografia!!!!!!!!!!
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

ELEIÇÃO ACADÊMICA, AS CRÍTICAS E O PRESENTE

Por João Soares Neto
No próximo dia 10 deste fevereiro, a Academia Cearense de Letras, a mais antiga das academias brasileiras, realizará sessão eleitoral para preencher a vaga aberta com a perda do grande poeta, ensaísta, professor e cidadão Artur Eduardo Benevides. São quatro os candidatos.
Esta introdução serve apenas para analisar artigo de Mário Sérgio Conti, jornalista e escritor, sob o título “Conformismo e coonestação”, publicado em 28 de novembro de 2014, em que critica a Academia Brasileira de Letras, a maior e a mais bem aquinhoada em nomes e prendas.
Ele começa dizendo: “A desimportância da Academia Brasileira de Letras emudeceria até Lobão (refere-se ao cantor, grifo meu). Ninguém liga para ela, exceto os 40 autoproclamados imortais. Que eles desfrutem em sossego do privilégio de se fantasiarem de fardão pela eternidade afora”.
Uma primeira observação: por que Mário Sergio Conti não emudeceu. Se ninguém liga para ela, qual o sentido e a razão de seu artigo tão candente?
Ele argui, em seguida: “A Academia é um clube cujos sócios, em graus variados de senectude, se reúnem para tomar chá e trocar dois dedos de prosa acerca de seus sublimes antecessores”. Não precisa ter lido Freud, Jung ou Melanie Klein, para ver réstias de ressentimento explícito em cada frase do articulista.
Ele continua: “É perda de tempo criticar a Academia. Não importa que ela sobreviva à sombra do Estado. Que jamais tenha emitido um sussurro contra a censura e os outros paus-de-arara na vida cultural”. E aduz: Que cultive a mediocridade literária (Nélida Pinõn, Murilo Melo Filho etc.) e a bajulação de poderosos (Fernando Henrique Cardoso, Marco Maciel etc.). Ninguém liga”.
Claro que alguém liga. Ele próprio, Conti, está ligando e dando cavaco. Qual a razão desse seu artigo grave?
Mais lá na frente, passo para evitar detalhes menores, ele se contradiz, ao afirmar: “A Academia só deixa de ser inócua quando nela entra um poeta de verdade. Isso é chato porque as más companhias têm influência e a instituição os diminui individualmente: todos os ratos são pardos no Petit Trianon” (nome da sede da ABL).
Ele está falando do poeta Ferreira Gullar e acrescenta texto do próprio vate maranhense: “A Academia já fez tudo para eu entrar lá, e eu digo: não. Jamais entrarei para a Academia... Como eu não tenho cabeça acadêmica, como não é a minha, não vou entrar lá”.
Parêntesis meu: Ferreira Gullar entrou na ABL em dezembro do ano passado.
Sem esquecer que havia elogiado Gullar (poeta de verdade, ele disse), mais a frente, muda de ideia e o ataca: “Nem sempre conseguiu o que buscava. Seus poemas são às vezes discursivos ou demagógicos; o credo stalinista o fez tropeçar; seus versos perderam voltagem com a passagem do tempo”. Em seguida, elogia: “O resultado final, porém, é largamente positivo. Pelo que sua poesia tem de inventividade formal e insubmissão”.
Como se vê, há um “morde e assopra” no escrito de Mário Sérgio Conti sobre a entrada na ABL de Ferreira Gullar, o autor, entre outros, do “Poema Sujo”.
Como afirmou Tchekhov, escritor russo: “De inveja fica-se estrábico”. Por outro lado, está claro que as academias brasileiras, sejam de letras, ciências e artes, precisam repensar seus desígnios. Mudar e evoluir, ter a coragem de ajustar-se ao tempo em que vivem, às mudanças definitivas dos processos anacrônicos de escolhas de novos candidatos (por que não um debate entre os candidatos? por que não uma prova de conteúdo?), dos seus modelos de gestão em que só o presidente faz tudo. Isto não é desrespeitar a tradição, mas ter coerência com o tempo em que se vive.
Sem menosprezar a tradição e os costumes, incorporar o que há de saudável e lógico nestes tempos em que antigo passa a ser tudo aquilo substituído pela voragem da inovação. A senectude, a que se refere Conti, não é a idade dos componentes, mas a permanência de métodos e ações que já não mais fazem sentido e pouco produzem resultados efetivos.
João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2015 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

BIBLIOTECA DA ACL SERÁ REABERTA HOJE


Por Eduarda Talicy
A Biblioteca Justiniano de Serpa reabre hoje. Cerimônia de entrega do espaço, que passou por reforma, terá homenagens e mesas redondas
Após três meses de reforma, a Academia Cearense de Letras (ACL), com sede no Palácio da Luz, no Centro, abre novamente as portas da Biblioteca Justiniano de Serpa. Localizado no pavimento principal do edifício, o equipamento dispõe de 25 mil livros. A partir das 16 horas de hoje, uma cerimônia comemora a reabertura da biblioteca com a entrega de medalhas, lançamento da revista anual da associação e mesa-redonda para discutir o centenário dos escritores Moreira Campos e Antônio Girão Barroso. Participam dos debates a autora Ângela Gutierrez, diretora cultural do espaço; o acadêmico da ACL Linhares Filho; a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Neuma Cavalcante; o teatrólogo Oswald Barroso; e Carolina Campos, neta de Moreira Campos.
Com o fim das obras, a biblioteca, uma das principais do Estado, ganha climatização, sala para leitura, nova acomodação para acervo e um mezanino para acondicionar as publicações raras. Os trabalhos, orçados em R$ 240 mil, também incluíram revitalização da estrutura, com restauro do piso e conserto de infiltrações e rachaduras nas paredes.
 “É uma promessa que nós estamos cumprindo, resgatando esse local de consultas, de informações, de aprimoramento da nossa sociedade através da leitura”, afirma José Augusto Bezerra, presidente da ACL. Fundada em 1894, a instituição comemorou 120 anos de atividades. A entidade literária é a mais antiga do gênero no Brasil, antecedendo até mesmo a Academia Brasileira de Letras (ABL), criada somente três anos depois.
De acordo com Olímpio Rocha, engenheiro e coordenador do projeto de reforma, os trabalhos buscaram respeitar as características originais da edificação.
Encontros
Erguido com o auxílio de mão de obra indígena no século XIX, o Palácio da Luz comemora 200 anos de construção neste ano. É lá onde se reúnem 40 literatos cearenses em encontros que ocorrem sempre às 16 horas dos dias 10 de cada mês. Atualmente, o local abriga também reuniões de outras 14 entidades e agremiações. Entre elas, a Academia Cearense da Língua Portuguesa e a Sociedade Amigas do Livro.
Olímpio explica que todas as intervenções tiveram, por causa do tombamento do prédio, acompanhamento de técnicos da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). “A reforma é importante e dá mais qualidade para quem trabalha e estuda no local”, projeta.
O engenheiro ressalta ainda que, após a requalificação física da Justiniano de Serpa, é importante começar o processo de catalogação, digitalização e informatização do acervo.
Diretora-executiva da ACL há mais de 20 anos, Regina Fiúza também acredita que a reforma é um sonho que se realiza. “Nós sempre havíamos tentado, mas só agora a coisa se concretizou. Desta vez, entregaremos um equipamento de pesquisa e de leitura importantíssimo para a comunidade que é tão carente desse tipo de espaço”, festeja.
O projeto de restauração e requalificação da biblioteca da Academia Cearense de Letras contou com apoio cultural do Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi; da Fundação Beto Studart; e da Secult.
SERVIÇO
Academia Cearense de Letras
Onde: Rua do Rosário, 1, Centro (próximo à Praça dos Leões).
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas.
Telefone: 3253 4275.
SAIBA MAIS
O Palácio da Luz, que sedia a Academia Cearense de Letras, também receberá obras de restauração.
No último dia 4, o presidente da instituição, José Augusto Bezerra, firmou convênio com o Banco do Nordeste (BNB) que garante financiamento no valor de R$ 500 mil.
A empresa responsável pelo restauro será escolhida por meio de licitação. Os trabalhos podem seguir até junho de 2015, quando se encerra o cronograma do financiamento.
Em matéria publicada pelo O POVO, no dia 5 deste mês, José Augusto Bezerra afirmou que, com a reforma, a ACL deverá promover atividades culturais permanentes no espaço.
Fonte: O Povo, de 12/11/2014. Caderno Vida & Arte, p.4.
 

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