sábado, 24 de maio de 2025

Colégio Christus: o médico que se baseia na filosofia cristã e se encanta pelo poder da IA

Por Larissa Viegas, jornalista de O Povo.

José Rocha | Abriu mão do seu sonho profissional para dar continuidade ao projeto dos pais, a partir de um pedido de ajuda da mãe. Criou com os irmãos o próprio modelo de trabalho e um processo exclusivo de sucessão. E acredita no poder da educação que une instrução e formação de bons cidadãos

De segunda a sexta-feira, a agenda das manhãs e tardes está marcada para o colégio Christus. À noite, os corredores da Unichristus tornam-se o habitat de José Rocha.

O tempo para os hobbies fica para quando está em casa. O mais recente é o estudo e o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). Este conhecimento é aproveitado na otimização do trabalho pessoal e da sua equipe.

Em cinco décadas à frente da instituição de ensino, uma recordação na linha do tempo do empresário é que seu berço já foi abrigado em uma das salas de aula da escola, batizada depois de Instituto Christus pelo pai teólogo, Roberto de Carvalho Rocha, em 1951.

O primogênito de uma “escadinha” formada por 10 filhos, estudou na escola do pai e seguiu uma trilha que o levava à realização do sonho de ser médico-cirurgião plástico.

Mal sabia que, tantos anos depois, ainda estaria à frente e dando continuidade a um desejo que não lhe pertencia, mas que manteve vivo, pela memória e pelo legado dos pais.

Hoje, ao lado de irmãos, filhos e sobrinhos, compartilha a liderança a partir de um modelo de gestão criado pela segunda geração do grupo educacional.

A família e demais profissionais de diferentes áreas são responsáveis por unidades em cinco regiões de Fortaleza, além de uma universidade com cinco campus em Fortaleza e no Eusébio.

Com olhar para os próximos anos, José fala da importância de manter os valores familiares na educação e da busca constante pela qualidade do ensino, colocando verbos neste objetivo: formar, instruir e educar.

Para além de querer ver bons profissionais, o empresário utiliza da doutrina cristã para construir nos alunos que pelo Christus passam o lema de "seres humanos exemplares". Agora, a equipe do colégio se prepara para uma parceria internacional e manter vivo o plano de sempre seguir em expansão.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/05/2025. Reportagem. Legados. p.13-15.


CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Maio/2025

 


A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de maio/2025 (Missa das Mães e Coroação de Nossa Senhora), que será realizada HOJE (24/05/2025), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Crônica: “Pediu à companheira que fizesse sushi de tilápia e...” ... e outros causos

Pediu à companheira que fizesse sushi de tilápia e...

Deu certo a arrumação culinária. O nome do gênio: Fransquin 'Yamarmorto', maior pescador de curimatã da RMF, hoje um homem rico no sudeste asiático. Quem diria, aquele matuto véi do Pacajus, comedor de farinha com açúcar, na capa de revista De H Forbes! Há buchicho de que, empreendedor nato, está investindo em energia do sopro (ictu-elétrica - ruma de meninos assoprando pás de uma turbina medonha), mas isso é pra outra ocasião. Fato é que Fransquim tá rico e famoso, e besta, até casou de novo.

Como conseguiu tal projeção? Começou quando ouviu uma propaganda de sushi no rádio; curioso, pesquisou amiúde sobre o produto. Leu que a iguaria poderia ser feita com uma variedade de peixes e frutos do mar, entre eles o salmão, o atum, o cação de escama e o peixe-espada. Nascido e criado nas brenhas da Lagoa das Pedras, já nas cercanias de Horizonte, onde encontrar peixes tão nobres, sem contar os outros ingredientes - frutos do mar, legumes, ova de peixe?...

- A de curimatã tá em casa: 10 tarrafadas no Açude do Gavião e um quilo tá garantido.

Criativo, cismou da taboca e, duma chibatada, pescou 50 quilos de cará tilápia.

- Se há quem faça feijoada vegana com legumes e tofu, e se eu posso fazer um bolo sem farinha de trigo, substituindo-a por aveia ou coco...

- Sim, sim! - a mulher, curiosa, quis saber.

- Por que não um sushizim de cará tilápia, escalado?!?

- Cará? Sushi de cará!

- Só se tu num quiser! Cará é rico em vitamina B12, D e vitaminas do complexo B! Também contém minerais essenciais, no modelo do fósforo, do potássio e do selênio...

- Aí mente!

- E só não faço o sashimi pra não humilhar o póbi dos japoneses!!!

Unidos pela desunião

Passaram 45 anos residindo sob o mesmo teto, 25 dos quais sem se falar. Nada de conversa, nenhuma palavra trocada entre ambos, e olha que tinham 12 filhos, 13 netos e negócios em comum que tratar diariamente. Faziam-no os interlocutores ou por meio de bilhetes apócrifos. Mandavam um ao outro se lascar pelo pensamento, se amavam se odiando, gritavam em silêncio, viviam um inferno calado.

Mas um dia, enfim, já velhinhos, rolou aquele diálogo, perdido nas dobras do tempo, tão esperado, embora em duas breves frases. E só podia ser "ela", aquela danada, a responsável por novidade que alegrou demais os filhos ressentidos com o sepulcral silêncio entre os pais. Era a hora da janta. E seu João Nambuco, temendo ficar sem "ela", falou alto com a mulher, Rosa Jarina:

- Me passa essa farinha, nó cego! Coma toda não!

- E precisa gritar, fulerage! Toma! Ah uma dor de barriga!

O vento é o cavalo da chuva

Sabia de vários fatos que prenunciavam a chegada de chuva - e chuva muita. O comportamento de formigas, borboletas, lagoas e colmeias, por meio dos quais podia-se prever o volume de chuva. E também a presença de mutucas após as primeiras chuvas. Sem contar as plantas, vistas como indicadores de chuva. Chuva até o dia de São José como sinal de boa colheita, algo trivial. O percuciente Ademar Vidal dizia que "A natureza tem por esporte anunciar, generosamente, as suas intenções".

O que queria dizer com essa conversa mole toda é que eu nunca tinha "ouvisto falar" que roncar de papo pro ar era sinal de inverno rigoroso, se o fato se der a partir do mês de abril, em caso de o Ferrim chegar à primeira divisão...

Fonte: O POVO, de 25/04/2025. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Inteligência Artificial dominou a Bienal da Medicina

Por Lêda Maria Souto Paulino (*)

CENTRALIZADA no tema "Inteligência Artificial e Humanismo na Medicina", foi encerrada sábado, 17, após acontecer durante três dias, a Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), presidida pelo dr. José Henrique Leal Cardoso. A programação, desenvolvida entre palestras, homenagens e o lançamento da edição do XXI Anais da ACM, teve como momentos de grande importância a mesa-redonda enfocando "A Inteligência Artificial 1 - Impacto, tendência e tecnologia", presidida por Janedson Baima Bezerra. Acompanhando o tema, outros deram continuidade, como: Planejamento de Saúde com IA, dr. Joaquim Celestino Jr. (Uece); IA e humanismo na medicina, dr. Erick Martins Faria de Abreu (UFMG); e Limites éticos da IA pelo acadêmico da ACM, médico Ivan Moura Fé.

A Bienal da ACM, considerada uma passarela de estudos e exposições dos grandes temas, constou também de uma mesa-redonda sobre "Impacto, Tendência e Tecnologia", quando um espaço foi bem utilizado para a apresentação do tema "Na pesquisa de novos tratamentos de Neoplasias e doenças autoimunes", pelo dr. Fernando Barroso Duarte, acompanhado dos debatedores Renan Magalhães Montenegro, Glauco Lobo Filho e Helena Pitombeira.

E prosseguindo sua valiosa programação, a ACM realizou, noite do dia 16, a posse solene da médica Clinete Lacativa, cearense radicada no Rio, como membro efetivo honorário. O ato aconteceu no auditório da Reitoria da UFC, com a presença dos colegas, familiares e amigos da nova acadêmica, ali recebendo discurso valioso do presidente Henrique Leal. Clinete manifestou, como forma de gratidão pela sua escolha, palavras bonitas, mantendo capítulo de sua trajetória como profissional atuante, defendendo a profissão e buscando salvar e orientar a vida das muitas pessoas a ela confiadas, em etapas diversas e difíceis, quer no trabalho médico, quer hospitalar.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/05/2025. Vida & Arte. Coluna da Lêda Maria, p.5.


Tem velhinho novo na Academia Cearense de Letras

Por Majela Lima (*)

Cacá, de berço, Ricardo Guilherme, dos programas e cartazes, R.G, como ele prefere, ou simplesmente o velhinho, como eu prefiro, de agora até sempre, tem assento na cadeira de número 33 da celebrada Academia Cearense de Letras (ACL). Ele passa a ocupar a vaga deixada pela morte da professora Noemi Elisa Soriano Aderaldo, membro da ACL por 36 anos, que tem como patrono o mais cearense de todos os baianos, Rodolfo Teófilo. Homem de teatro, o ator, dramaturgo e diretor chega à casa centenária trazendo olhares para outros textos e formas de expressão.

Fundada em 1894, nossa academia, a primeira do gênero no Brasil, nunca foi tacanha em seu recorte. Embora reúna sobretudo escritores em seu quadro, há ali um encontro de inteligências do mundo acadêmico, jurídico, político, artístico e empresarial. É o fórum mais simbólico que o Ceará dispõe para, no precioso campo do sensível, pensar suas grandes e pequenas questões. Pela força e tradição, a ACL funciona quase que como um parlamento informal a iluminar nossos desejos e ideias de futuro enquanto preserva o passado.

Pouco diverso, é verdade, composto em sua esmagadora maioria por homens brancos, o colegiado passa a dialogar com outros segmentos da vida social e cultural do Ceará a partir do ingresso de Ricardo Guilherme. Apesar de homem branco, como o poeta Geraldo Amancio, eleito para a Academia em 2022, ele oxigena, entretanto, os corredores do Palácio da Luz com uma força popular muito particular. À primeira vista um artista hermético, autor de uma poética central para o pensamento da teatralidade contemporânea, Ricardo se enxerga e reconhece como um palhaço, naquilo que o tipo tem de mais potente e sofisticado.

Referência para o teatro no Ceará há 50 anos, Ricardo Guilherme não é propriamente um novato na Academia Cearense de Letras. Ilustre representante daquela categoria que, como se diz, já nasce velho, ele construiu sua vanguarda dialogando com as nossas tradições. Onde o Ceará conseguiu preservar suas memórias, lá tem estado Ricardo Guilherme fazendo seu teatro. Do acervo da ACL, por exemplo, ele pinçou os originais do grande Carlos Câmara, publicados em coletânea em 1979 em parceria com Marcelo Costa. Por isso e por tudo, enfim, a atuação de Ricardo Guilherme há de ser das mais expressivas na nossa Academia. 

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/04/25. Opinião. p.17

quarta-feira, 21 de maio de 2025

VAMOS PRECISAR DESENHAR?

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Insistimos, há mais de dois anos, numa solução para os déficits mensais que sofrem as instituições filantrópicas na área da saúde, por causa da claríssima defasagem da Tabela SUS, reconhecida por todos.

Parece que laboramos em terreno árido, pois nada é realmente feito em direção àquela que será a solução do problema, que é a complementação da Tabela, a exemplo do que fez o Estado de São Paulo, com amplo êxito.

Desenhando: a Santa Casa de Fortaleza, por exemplo, é 95% SUS, em respeito à sua condição de hospital de caridade. Desses, mais de 70% são para procedimentos de média complexidade, cuja defasagem é superior a 200%, entre valores pagos e custos incorridos.

Como exemplo, uma histerectomia, que é tabelada em R$ 1.103,64, tem custo médio de R$ 2.500, cujo desembolso é imediato e o recebimento do valor da tabela ocorrerá mais de 60 dias depois.

Como o SUS é constitucionalmente tripartite, os Estados e Municípios, ao atender em seus hospitais, cobrem as diferenças, aportando recursos orçamentários. Por que não dar tratamento semelhante à rede complementar? Por que exigir dessas que busquem recursos em outras fontes para continuar prestando esses serviços?

Em audiência de setembro de 2024, o Ministério assumiu compromisso de aporte adicional de recursos imediatos e o atendimento de pleito da Prefeitura, através da CIB 349/2024, que destina R$ 38.400.000,00/ano de acréscimo aos valores contratualizados. Em fevereiro, no entanto, o processo voltou à estaca zero, sem justificativa ou prévio aviso.

Estamos discutindo novo Plano de Negócios e parcerias para a Santa Casa, enquanto continuamos a reforçar, junto à sociedade, o espírito de colaboração, por meio das mais diversas formas de doação.

Mas isso não vai ocorrer no médio prazo, pois é um caminho complexo e não cogitamos em desfavorecer exatamente o nosso público-alvo, para o qual fomos criados: os mais carentes.

Assim, como Estado e Município complementam os seus custos e o Município é responsável pela regulação de pacientes, nunca vamos deixar de insistir em apresentar-lhes essa conta, que não é das filantrópicas.

Está bem desenhado?

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/04/25. Opinião. p.16.

Trump e o cerco às universidades

Por Sofia Lerche Vieira (*)

O mundo assiste perplexo à chegada de Trump ao poder. Medidas comerciais extremas, que abalam os mercados mundiais, são uma pequena amostra do que pode acontecer em seu segundo mandato. O isolacionismo subjacente à apologia do "Faça a América Grande Outra Vez" (Make America Great Again) se associa a perseguições de diversas ordens, a começar pelos imigrantes. O cerco às universidades é outro componente desses tempos de crescente intolerância, onde convive-se com reedições de racismos e ameaças à diversidade de um passado que permanece insepulto.

Conhecidas por se constituírem como ilhas de liberdade intelectual, ao longo de sua história, as universidades norte-americanas se tornaram celeiros de excelência, sobretudo por abrigarem cérebros de todas as nacionalidades, o que veio a contribuir para a pujança intelectual expressa em prêmios Nobel em todas as áreas do conhecimento. Este cenário começa a mudar perante a disseminação de uma "ideologia anti-intelectual" que se expressa em um duplo movimento: gigantescos cortes financeiros e supressão da liberdade acadêmica e individual. Universidades de grande prestígio da chamada Ivy League, como Columbia, Princeton, Harvard e Pensilvania, estão perdendo recursos incalculáveis de seu orçamento. Em tempos de caça às bruxas, estudantes com manifestações pro-Palestina estão sendo presos até mesmo na rua e sob risco de deportação iminente, caso da estudante turca Rumeisa Osturk, aluna de doutorado na Universidade Tufts.

Embora tenha havido protestos de rua contra essas medidas, a reação pública ainda parece tímida face à envergadura do que ocorre. Poucos são os que se posicionam contrários a tais extremismos, como fez Christopher Eisgruber, reitor de Princeton, em entrevista à Bloomberg, ao afirmar que "temos de ter a disposição de dizer não a um financiamento se isso vai restringir nossa capacidade de buscar a verdade". Afinal, como dizia Karl Jaspers, filósofo alemão e importante pensador desta instituição: "a universidade é o lugar da busca da verdade sem constrangimentos". E se isso não pode ser, não faz sentido existir.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/04/25. Opinião. p.16.

 

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