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quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Em 12 de junho de 1987, em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim Ocidental, o ex-presidente Ronald Reagan solicitou: "Mr. Gorbachev, tear down this wall!" ("Derrube este muro!") A frase expressou o desejo dos EUA e de seus aliados de unificar a Alemanha e findar a separação, existente em Berlim desde 1961, entre a área ocidental e o território oriental, sob controle soviético. Para Reagan, a destruição do muro marcaria o início de reformas na União Soviética para devolver à sua população o atributo mais importante da humanidade: a liberdade.

Agora festejam-se os 35 anos da reunificação alemã de vez que só em 9 de novembro de 1989 se deu a queda do muro, comemorada na Pariser Platz (Praça de Paris) sob olhares do Portão de Brandemburgo, monumento que hoje representa a liberdade e a unidade na Alemanha. Na ocasião, Leonard Bernstein regeu músicos de orquestras de diferentes países a executar a Nona Sinfonia de Beethoven com ênfase no 4º movimento. Este apresenta uma adaptação do genial compositor para o poema "Ode à Alegria", de Friedrich Schiller, em que orquestra e coro, de forma uníssona, estimulam alegria, liberdade, fraternidade e paz. A música foi escolhida como o hino da União Europeia e, para que nenhum idioma ou país seja privilegiado, é um hino instrumental (portanto, sem letra).

Após a queda do Muro de Berlim, Jürgen Schadeberg, residente em Berlim Ocidental, adentrou a Biblioteca Pública de Berlim Oriental. Seu objetivo era devolver um livro retirado à época em que Berlim Ocidental, da área capitalista, e Berlim Oriental eram uma só. A obra foi entregue com uma carta, em que, num de seus trechos, o alemão, entre outras coisas, pedia desculpas e explicava o motivo por sua devolução tão tardia. É que, no caminho, entre sua casa e aquele espaço cultural, havia um muro. Que tal você, prezado(a) leitor(a), por alguns segundos desligar o celular, esquecer as agitações da vida moderna e meditar sobre a atitude de Schadeberg? Na sua opinião, qual o percentual de brasileiros que, no lugar do alemão, faria o mesmo?

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/11/24. Opinião, p.18.

terça-feira, 9 de maio de 2023

BELEZA DAS CATARATAS DO IGUAÇU RETRATADA, EM TELA, EM EXPOSIÇÃO ALEMÃ

 

Tela e escultura de Marina Sailer na Art Karlsruhe 2023

Por Mirna Gurgel Carlos Heger (*)

A artista bielorrussa Marina Sailer transpôs à tela "Iguazú" a beleza e a grandiosidade das Cataratas, uma das Sete Maravilhas da Natureza. Focando um ângulo das Cataratas do Iguaçu, em janeiro e fevereiro deste ano (2023), Marina Sailer adotou uma técnica mista sobre tela, dando vida a simbiose perfeita do movimento da água do rio Iguaçu, ao longo das suas 275 cachoeiras, com a fauna e flora da Mata Atlântica. As Cataratas do Iguaçu estão localizadas na cidade de Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná, Brasil, na fronteira com a cidade de Puerto Iguazu, na Argentina.

O encantamento com a beleza das Cataratas foi reforçado pela escultura de bronze "Mulher ao vento", também produzida, nos meses de janeiro e fevereiro passados, pela artista Sailer e exposta ao lado da tela "Iguazú", compondo um simétrico conjunto artístico desta Maravilha da Natureza. A tela "Iguazú" e a escultura em bronze "Mulher ao vento" estiveram expostas na Feira Internacional Art Karlsruhe 2023, realizada de 4 a 7 de maio passado, na cidade Karlsruhe, no estado de Baden-Wüttemberg, na Alemanha.

Promovido anualmente, a Feira Internacional Art Karlsruhe 2023 teve cerca de 200 galerias, abrangendo várias posições e períodos da criação artística, divida em quatro grandes áreas:  Clássico Moderno, Modernismo Clássico, Arte depois de 1945 e Arte Contemporânea. A Art Karlsruhe 2023 abrangeu também expositores da área de museus, associações e clubes, além de instituições de ensino e editoras. Karlsruhe localiza-se no triângulo fronteiriço da Alemanha, Suíça e França.

Dados técnicos: Galeria Steinberger

Artista: Marina Sailer

Título: Iguazú

Técnica: técnica mista sobre tela

Tamanho: 140 x 190 cm

Ano: 2023 

Edição: Único

Preço: 13.500, - E

Dados técnicos: Galeria Steinberger

Artista: Marina Sailer

Titel: Frau im Wind (Mulher ao vento), Farbunikat

Técnica: bronze, cor única

Tamanho: aprox. 67h x 36 d x 17 w cm

Ano: 2023

Edição 8 + 2 EA

Preço: 15.000, - E

 (*) Jornalista brasileira radicada em Karlsruhe – Alemanha.


domingo, 11 de julho de 2021

O ALEMÃOZINHO MUDO

Um casal de americanos decidiu adotar um menino alemão. Depois de dois anos, a criança não falava e seus pais começam a se preocupar com ele. Depois de três anos, ele ainda não falava e depois de quatro anos, ele continuava sem pronunciar uma palavra sequer.

O casal achava que ele nunca iria falar, mas, ainda assim, ele era um filho adorável e, para o seu quinto aniversário, eles deram uma festa e fizeram para ele um bolo de chocolate com cobertura de glacê de laranja.

Os pais estão na cozinha quando o garoto entra e diz: "Mãe, pai, eu não gostei da cobertura de laranja no bolo de chocolate".

"Meu Deus”, diz a mãe. "Você pode falar?"

Ao que o garoto alemão responde: "É claro".

"Como é que você nunca falou antes?", pergunta o pai.

"Bem", diz o garoto, "até agora, eu tinha gostado de tudo".

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

A Alemanha disse adeus a Merkel com seis minutos de calorosos aplausos

A Alemanha disse adeus a Merkel com seis minutos de calorosos aplausos. Os alemães escolheram-na para liderá-los, e ela liderou 80 milhões de alemães por 18 anos com competência, habilidade, dedicação e sinceridade. Durante esses dezoito anos de liderança da autoridade no seu país, não houve transgressões contra ele. Não designou uma secretária para nenhum de seus parentes. Não afirmou ser a criadora da glória. Ela não lutou contra aqueles que a precederam. Quando falava não dizia asneiras. Não apareceu nos becos de Berlim para ser fotografada. Ela é a mulher que foi apelidada de "A Senhora do Mundo" e foi descrita como o equivalente a seis milhões de homens.

Há poucos dias Merkel deixou a posição de liderança do partido e entregou-a aos que a seguiram, e a Alemanha e seu povo alemão estão em melhor forma do que estavam quando ela chegou. A reação dos alemães foi sem precedentes em toda a sua história. Toda a gente nas cidades saiu para as sacadas das casas e aplaudiu calorosa e espontaneamente por 6 minutos contínuos. Ao contrário da nossa realidade populista, não houve elogio, hipocrisia, representação ou exagero.

A Alemanha permaneceu como um só corpo despedindo-se da líder da Alemanha, uma física química que não se deixou seduzir pela moda ou pelas luzes e não comprou imóveis, carros, iates ou aviões particulares, sabendo que era da ex-Alemanha Oriental. Ela abandonou o seu posto depois de deixar a Alemanha na liderança. Dezoito anos e não trocou de roupa.

Numa conferência de imprensa um jornalista perguntou a Merkel: - Reparo que o seu vestido é repetido, a senhora não tem outro?

Ela respondeu: - Sou funcionária do governo e não modelo.

Noutra conferência de imprensa perguntaram-lhe: - A senhora tem empregadas domésticas que fazem a limpeza da casa, preparam as refeições, etc.?

A sua resposta foi: - Não, não tenho trabalhadores e não preciso deles. O meu marido e eu fazemos esse trabalho em casa todos os dias.

A Sra. Merkel mora num apartamento normal como qualquer outro cidadão. Este apartamento é aquele na qual ela vive desde antes de ser eleita Primeira-Ministra da Alemanha e não o deixou, e ela não possui uma mansão com empregados, piscinas e jardins. Esta é Merkel, a primeira-ministra da Alemanha, a maior economia da Europa!

Fonte: Internet (circulando por e-mails e iPhones). Sem autoria explícita. A pesquisa no Google identifica o texto acima no Facebook de Davidson Botelho e em uma postagem do Blog Portugalamordaçado.

Nota do Editor do Blog: A notícia acima erra quando menciona que a Sra. Merkel está deixando no momento o cargo de chefe-maior da Alemanha. Na verdade, ela apenas entregou o cardo de presidente do seu partido político.

Marcelo Gurgel

quinta-feira, 4 de junho de 2020

SUBMARINO DA “FROTA PERDIDA DE HITLER” É ENCONTRADO APÓS 70 ANOS


Um submarino do tipo IIB, parte da “frota perdida de Hitler” que afundou no Mar Negro durante a Segunda Guerra Mundial, foi encontrado a 40 metros abaixo da superfície, a cerca de 3,7 quilômetros da costa de Agva, na Turquia.
A descoberta foi feita durante as filmagens de um documentário sobre o resgate dos submarinos, produzido pela emissora turca TRT Haber e pela marinha do país. A partir do navio de resgate TCG Akin, um dispositivo equipado com uma câmera, controlado remotamente, capturou as primeiras imagens dos restos do submarino.
Com 280 toneladas e 40 metros de comprimento, o U-23 foi um dos seis submarinos construídos pela Alemanha nazista entre 1935 e 1940 para participar da Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética.
A frota de submarinos participou de 56 operações contra navios soviéticos e conseguiu afundar dezenas de barcos. Em 1944, no entanto, os soviéticos conseguiram afundar três dos submarinos. Depois disso, a própria Alemanha teria dado ordens para afundar os três restantes, para evitar que fossem capturados pelos aliados.
Os seis submarinos – do U-18 ao U-23 – que desapareceram no Mar Negro ficaram conhecidos como “a frota perdida de Hitler”. A localização exata do naufrágio permaneceu desconhecida até 2008, quando o engenheiro naval turco Selcuk Kolay determinou a localização do U-20. A partir daí, estimou a posição dos outros cinco.
O U-23 é o quinto submarino da “frota perdida” a ser resgatado. O único que continua desaparecido é o U-19 – acredita-se que ele esteja escondido na costa da província de Zonguldak, a uma profundidade de mais de 450 metros.

Fonte: Aventuras na História /uol/com.br.

terça-feira, 8 de maio de 2018

O JUDEU MARGINAL: Heinrich Heine

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
O gentio é logo admirado, logo desprezado”.
Ele era o tipo característico do intelectual judeu marginal. Nasceu em um lar onde não havia tradição, fosse judia ou alemã. Passou a juventude em um ambiente completamente amorfo e instável. Em Dusseldorf, onde nasceu, apesar de não haver impedimento para frequentar educandários públicos, o fato de ser judeu não deixava de ser um obstáculo extraoficial.
O poeta Heine, na adolescência, sofreu crises de desassossegos, inquietações, medos, e o denominado “nervosismo judaico”. Oriundo de uma família rica e destinado ao Comércio, optou por estudar Direito. A seguir, por vocação, decidiu aprender Literatura Romântica, visando alcançar certas posições vetadas aos judeus. E, pensando que a religião luterana era o passaporte para a cultura germânica, converteu-se àquele credo.
Ainda jovem, e a despeito de já ser famoso pelos poemas e livros de viagens, Heine tentou firmar sua situação material, em várias cidades alemãs. Em 1831, desgostoso com o quadro de antissemitismo presente na Alemanha, resolveu migrar para Paris, onde julgava encontrar um ambiente mais liberal e menos hostil. Na Cidade Luz, encontrou uma boa acolhida nos meios literários, e passou a viver confortavelmente, como correspondente de importantes periódicos de língua alemã.
Não obstante o sucesso, aos poucos, sua vida em Paris foi se tornando obscura, em decorrência de conflitos políticos, de dificuldades financeiras frequentes e por conta da relação com uma mulher inculta. Tudo isto culminou com uma paralisia que o levou à morte.
O extrato poético do autor está contido no Livro das Canções, com baladas amorosas, quadros satíricos e suas grandiosas evocações marítimas. Essa obra teve um grande sucesso, com treze edições, durante a vida de Heine, tornando-o um intelectual de muita popularidade.
Seu poema O Navio Negreiro, de 1853/1854, do original alemão Das Sklavenschiff, retratou a condição dos prisioneiros de um navio de escravos africanos, aportado no Rio de Janeiro. Tal poema serviu de base à inspiração de Castro Alves. Heine foi admirado por diversos escritores brasileiros, entre os quais Machado de Assis, Gonçalves Dias, Raul Pompéia, Alphonsus de Guimaraens, Fagundes Varela e Manuel Bandeira.
O poeta judeu alemão influenciou, de forma marcante, o sergipano Tobias Barreto (1839-1889), expoente da denominada “Escola do Recife”, Movimento que teve, entre seus objetivos culturais, o de deslocar o Brasil da exclusividade à cultura francesa, rumo à cultura alemã. Por causa de suas ideias, Tobias Barreto polemizou com várias personalidades, a exemplo de Joaquim Nabuco, (Visconde) Alfredo de Taunay e José de Alencar. Sofreu um alijamento social e morreu na miséria.
Gostaria de lembrar, por fim, que, ao participar da cultura do grupo dominante, um indivíduo, quando rejeitado, pode se tornar um marginal extremado. Quanto mais intensa e profunda for sua ligação com o grupo dominante, maior também será a severidade do choque psíquico, por meio da rejeição.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

O dia em que Hitler quis ganhar a guerra dominando a Amazônia


A desconhecida história de dominação da Amazônia pretendida pelo III Reich, e seus atores que chegaram em Belém como se fosse uma expedição científica e que aqui, recebeu apoio do Governo paraense. Buscavam o mapeamento do Rio Jari, no Amapá, e o caminho para a Guiana Francesa, fundamental, no plano alemão de conquista da região.
Um livro de 1938 achado recentemente num sebo em Berlim traz anotações precisas da expedição. Intitulado "Mistérios do Inferno da Mata Virgem", o diário do geologista e piloto Otto Schulz-Kampfhenker revela que os quatro oficiais alemães teriam outros interesses que os científicos - buscavam os acessos e caminhos do Amapá até a Guiana Francesa, região estratégica a ser ocupada na guerra que se aproximava.
Os exploradores partiram de Belém, e levaram 11 toneladas de suprimentos e munição para 5 mil tiros. Enviaram para a Alemanha as peles de 500 mamíferos diferentes, centenas de répteis e anfíbios e 1.500 objetos arqueológicos. Produziram 2.500 fotografias e 2.700 metros de filme 35mm que mostram índios, caboclos, animais, peles, cobras e outros espécimes exóticos do mundo tropical. Aproveitaram para testar um hidroavião com flutuadores de compensado de madeira, técnica inédita na época, e algumas armas e equipamentos não detalhados no livro.
A missão foi repleta de incidentes. O piloto errou duas vezes a rota de Arumanduba, de onde partiriam. Somente ao chegarem ao rio descobriram que era raso, encachoeirado e pedregoso, inviabilizando o uso da aeronave. O jeito foi seguir a pé e de barcos, com a contratação de caboclos para fazer o trabalho braçal.
A expedição, porém, continuava azarada. Um dos alemães, Joseph Greiner, contraiu malária e morreu poucos dias depois. Foi enterrado ali mesmo, numa ilha do Rio Jari, onde está a cruz com a suástica. A expedição prosseguiu por mais um ano, até fevereiro de 1937, com ajuda de caboclos e índios. Malária, repetidos acidentes e apendicite atacaram os alemães. Otto quase perdeu a vida ao tentar subir as violentas corredeiras do rio.
Para os índios, os alemães estavam sendo castigados por terem matado uma sucuri de sete metros, animal sagrado cuja morte traz azar. A expedição terminou e os sobreviventes retornaram à Alemanha."
Fonte: Internet (circulando por e-mails e i-phones sem autoria definida).

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Professores X pessoas comuns na Alemanha


Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

sábado, 14 de outubro de 2017

PROVÉRBIOS ALEMÃES QUE ILUSTRAM A VIDA

9 essenciais provérbios alemães que ilustram a vida com salsichas, cervejas e pôneis

Estes provérbios sobre começos, fins, salsichas e pôneis ajudam a entender o modo de pensar dos alemães.

Escrito por Gabriel Mestieri
Aprender um idioma é uma das melhores maneiras de entender outra cultura. Às vezes, você tem que se colocar, de verdade, no lugar dos falantes nativos: pensar como eles pensam, tentar ver o mundo sob o ponto de vista deles. Esse processo pode ser muito bem complementado com alguns provérbios, já que eles ilustram a maneira de pensar de um povo.
Os ditos populares também desconstroem alguns mitos sobre a língua alemã, como o de que que ela é dura, direta demais, sem humor, poesia ou outros respiros: estas expressões são cheias de imagens e ironia.
E se as cervejas, as salsichas, os pôneis e os peixes fedidos destas expressões não forem suficientes para você se divertir com o idioma alemão, eu também divido o modo como interpreto e vivo essas máximas, já que elas têm bastante a ver com a minha mudança para Berlim. Vamos começar pelo início…

1 "Aller Anfang ist schwer." (Todo começo é difícil)

Então, finalmente decidi me mudar para Berlim. Deixei meu emprego em São Paulo, comprei uma passagem só de ida e reservei um hostel por duas semanas. Falando assim parece fácil, mas certamente não foi. As duas semanas no hostel se aproximavam do fim e eu começava a perceber, da maneira mais difícil possível, que a procura de um lugar para morar em Berlim pode se estender por meses. Encontrar um emprego também não foi fácil: sim, Berlim oferece várias vagas, mas encontrar uma que se encaixe às suas necessidades e expectativas é outra história. Hoje, dois anos depois, eu acho que posso dizer aos recém-chegados: "mantenha a calma e não desista de procurar um canto para chamar de seu. Aller Anfang ist schwer, mas você encontrará em algum momento aquele apartamento dos sonhos em Kreuzkölln.

2 "Kein Bier vor vier." (Nada de cerveja antes das 4)

Composto por apenas 4 palavras, esse provérbio impressiona pela simplicidade e por ser um exemplo de que, às vezes, é possível dizer bastante em alemão utilizando poucos caracteres. Eu frequentava as aulas de alemão pela manhã e, sem ter nada para fazer o resto do dia, é claro que aprendi essa regra bebendo muitas cervejas vor vier. A primeira vez que ouvi essa expressão foi quando um colega espanhol se recusou a tomar uma cerveja comigo na hora do almoço. Eu fui assim mesmo e desde então essa expressão é uma das minhas favoritas, ainda que eu a desrespeite constantemente.

3 "Alles hat ein Ende, nur die Wurst hat zwei." (Tudo tem um fim, só a salsicha tem dois)

Assim como as cervejas, as salsichas são quase que imediatamente associadas à Alemanha e aos alemães. E, é claro, que elas também estão presentes nos ditados populares do idioma, neste caso, para explicar que tudo na vida passa. Portanto, não se preocupe tanto. Nem se apegue muito a nada, afinal… Mas o que faz essa expressão especial é que o seu começo faz você esperar algo bastante profundo e filosófico: “Alles hat ein Ende, [insira uma grande sabedoria aqui]". Mas, para a nossa sorte, a segunda parte quebra completamente essa expectativa ao contar algo óbvio envolvendo salsichas. Quem disse que os alemães não têm senso de humor? (Se você quiser saber mais expressões sobre salsichas, esse é apenas um de muitos exemplos. Não deixe de ler outras formas de se expressar no idioma alemão com salsichas neste artigo em inglês).

4 "Der Fisch stinkt vom Kopf her." (O peixe começa a feder pela cabeça)

Ainda na categoria dos comes e bebes, este provérbio coloca o olfato na lista de sentidos explorados pela sabedoria popular. Ao dizer que o peixe começa a feder pela cabeça – como confirma o químico Hartmut Rehbein neste texto em alemão –, o provérbio insinua que as pessoas no comando são as responsáveis quando algo dá errado. Para mim, essa expressão também pode ser interpretada no âmbito pessoal: muitos dos seus problemas começam e existem apenas na sua cabeça.

5 "Nicht jede Kuh lässt sich melken." (Nem toda vaca se deixa ordenhar.)

Esse provérbio, ao meu ver, ilustra a importância da resistência, da manutenção da dignidade e do estabelecimento de limites. Às vezes, na vida, somos obrigados a fazer coisas de que não gostamos, e isso pode ser especialmente doloroso quando figuras de autoridade estão envolvidas. Seja um parceiro ou familiar abusivo, um agente arbitrário do Estado, um chefe intransigente ou um extremista religioso, é possível que em algum momento da sua vida você se depare com pessoas que acreditam poder dizer o que você deve fazer. Nesses casos, lembre-se sempre: Nicht jede Kuh lässt sich melken.

6 "Erst kommt das Fressen, dann die Moral." (Primeiro vem a comida, depois a moral.)

Essa não é exatamente uma expressão popular, mas uma citação famosa de A Ópera dos Três Vinténs, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Para mim, ela exemplifica perfeitamente como as aflições mais urgentes da vida, às vezes, nos impedem de filosofar sobre questões mais existenciais (e importantes), além de servirem como uma espécie de pretexto para flexibilizarmos muitas de nossas ideias acerca do certo e errado . Essa expressão também dialoga com o meu início de vida em Berlim: ao chegar, tendo de encontrar um emprego e um lugar para morar, eu não tinha tempo de pensar nos mistérios da existência e do universo. Agora que essa fase inicial passou, eu finalmente tenho tempo para me perguntar: "Quem sou eu?" "O que estou fazendo nesse planeta?"

7 "Ein gutes Gewissen ist ein sanftes Ruhekissen" (Uma consciência limpa é o travesseiro mais macio que existe.)

Eu gosto de pensar que minha consciência sempre esteve (mais ou menos) limpa, mas ainda assim eu tive problemas para dormir durante toda a vida. Além disso, nunca ouvi falar que psicopatas sofram mais com insônia que o resto da população. Então, apesar de essa expressão soar bem, com sua rima e metáfora descolada, eu tenho que dizer que discordo completamente.

8 “Knapp daneben ist auch vorbei." (Quase ganhar também é perder.)

Esse ditado pode ser um pouco cruel para aqueles que deram seu melhor e chegaram em segundo lugar – afinal de contas, o importante é competir, certo? Errado, pelo menos de acordo com esse provérbio alemão. Mas não vamos levar tudo tão a sério: essa é uma ótima frase para provocar seu amigo alemão após vencer em qualquer esporte, competição, jogo de cartas ou videogame (e oportunidades não vão faltar, pois os alemães são loucos por jogos).

9 "Das Leben ist kein Ponyhof." (A vida não é uma fazenda de pôneis.)

Para fechar a lista, uma máxima que pode ser vista como um jeito bastante sarcástico de enxergar a vida: Das Leben ist kein Ponyhof. Portanto, espere muitos imprevistos, mudanças inesperadas, problemas, e assim por diante. Mas é claro que tudo depende da forma como você interpreta isso. Para mim, uma fazenda de pôneis (ou uma vida em que tudo acontece conforme o planejado) soa como algo extremamente entediante. Que bom que a realidade não é assim!
Fonte: pt.babbel.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Projeto investiga intercâmbio científico entre Brasil e Alemanha nazista


Cientistas alemães no aniversário de 80 anos de Bernhard-Nocht (em destaque, na frente), fundador do Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo, em 1937. Rocha Lima participou da homenagem (ao fundo). (Arquivo Histórico do Bernha Rd-Nocht Institute für Tropenmedizin)
Por Juliana Sayuri, da Revista Pesquisa Fapesp
Nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, a cidade alemã recebeu mais do que delegações de atletas e turistas. Desembarcaram também na "nova" Alemanha os primeiros estudantes latino-americanos atraídos por cursos, congressos e visitas a instituições médicas do país. As excursões cresceram nos anos seguintes, tornando-se itinerantes. Do Brasil, jovens graduandos, principalmente da Escola Paulista de Medicina, visitaram hospitais, laboratórios e órgãos oficiais, em missões médico-diplomáticas manejadas por ministérios à época dominados pelo Partido Nazista. Algumas eram promovidas pela Academia Médica Germano-ibero-americana, fundada em 1935. O objetivo era fomentar as relações médicas entre Alemanha e países da América Latina.
"A medicina teve papel importante nessas relações diplomáticas porque gozava de grande prestígio internacional, embora não fosse uma ferramenta tão visível de propaganda cultural", diz o historiador André Felipe Cândido da Silva, da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). "Durante o nacional-socialismo, a corporação médica alemã foi um dos segmentos que se alinhou mais estreitamente ao novo regime. Os médicos, como representantes da arena acadêmica, eram porta-vozes convictos do intenso nacionalismo vigente. E havia a dinâmica indústria farmacêutica, com interesse em consolidar seus laços com clientes estrangeiros." Silva explorou o papel da ciência na diplomacia cultural alemã entre 1919 e 1950, com ênfase na década de 1930, durante pós-doutorado realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Por diplomacia cultural entenda-se o esforço germânico que congregou diplomatas e cientistas, universidades, empresas e companhias de navegação, entre outros atores.
Além das expedições científicas de estudantes, enfermeiros, docentes, pesquisadores e até pacientes, algumas estratégias articulavam médicos e diplomatas entre Brasil e Alemanha. Havia periódicos especializados, como a Revista Médica de Hamburgo, fundada por Ludolph Brauer, organização de encontros científicos internacionais, campanhas sanitárias, consolidação de produtos da indústria farmacêutica alemã e construções de hospitais por vezes voltados à assistência de imigrantes.
Enquanto no Brasil – especialmente no circuito Rio-São Paulo – as faculdades de medicina ganhavam corpo, com maior especialização e interesse tecnológico, sofisticação das técnicas de intervenção cirúrgica e avanços em procedimentos de diagnóstico e profilaxia, a Alemanha já era ponta de lança do desenvolvimento científico. Ali foi elaborado o modelo médico que alicerçou a formação contemporânea com o tripé ensino, assistência clínica e pesquisa universitária em Berlim, Göttingen, Heidelberg e Munique. Descobertas clínicas e inovações cirúrgicas vinham de laboratórios de universidades, indústrias e institutos alemães, que contavam com expoentes como Robert Koch, Rudolf Virchow, Paul Ehrlich, Emil Kraepelin, Emil von Behring, August von Wassermann, entre outros.
As ciências tiveram impacto no contexto político, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. "Tornaram-se ingredientes importantes do prestígio nacional, ainda mais no ambiente de intenso nacionalismo", diz Silva. Na análise do historiador, a experiência da Primeira Guerra já tinha demonstrado a importância de estruturar complexos nacionais de pesquisa científica, aliando instituições acadêmicas, indústrias, militares e Estado. "Além disso, o discurso científico contribuiu para legitimar ambições territoriais e pretensões de superioridade nacional e racial importantes para conquistar a adesão interna e a externa, de aliados", observa.
Superioridade cultural
De acordo com Silva, médicos alemães se envolveram na propaganda cultural, persuadidos pela superioridade de sua cultura. Entretanto, após a Primeira Guerra, a ciência alemã ficou relativamente isolada quando parte dos cientistas se manifestou a favor do militarismo germânico. Ademais, físicos, médicos e químicos participaram de estudos como o desenvolvimento de gases letais. A instrumentalização do conhecimento para fins bélicos levou vários países a boicotar a ciência alemã até meados da década de 1920. "É importante, no entanto, distinguir os diferentes níveis da cooperação científica transnacional para ter clareza de que muitos pesquisadores continuaram mantendo contato informal com seus pares de países outrora inimigos. Embora repercutisse internacionalmente, para os latino-americanos não teve praticamente nenhum efeito uma política de boicote levada a cabo por organizações das quais muitos deles não faziam parte", pondera.
O patologista e microbiologista carioca Henrique da Rocha Lima, por exemplo, se tornou um dos principais colaboradores da diplomacia alemã nas décadas de 1920 e 1930. Rocha Lima descobriu a origem do tifo exantemático em 1916, no Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo. Na volta definitiva ao Brasil, em 1928, foi uma liderança marcante do Instituto Biológico de São Paulo. O patologista Walter Büngeler, alemão de Danzig (atual cidade polonesa de Gdansk), escolhido para a cátedra da Escola Paulista de Medicina, pretendia ali iniciar um núcleo alinhado à ciência alemã – e correspondeu às expectativas dos oficiais da chancelaria e do Partido Nazista, transformando a escola num celeiro científico para as iniciativas da Academia Médica Germano-ibero-americana, especialmente com as excursões de estudantes.
O intercâmbio expressivo incluiu nomes como o oftalmologista Antônio de Abreu Fialho, o psiquiatra Antônio Pacheco e Silva, o dermatologista Adolfo Lindenberg, que foram convidados a visitar a Alemanha. Do outro lado, vieram ao Brasil médicos como Franz Volhard, Helmut Ulrici e Walter Unverricht, Heinrich Huebschmann e Karl Fahremkamp, entre outros. Diretor do Hospital Eppendorf, Ludolph Brauer visitou o Rio, Salvador e São Paulo – ali ainda passou pela distante colônia de Presidente Epitácio, onde existia uma ativa célula do Partido Nazista. A deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, abalou o intercâmbio científico, que acabou a partir da entrada do Brasil no conflito, ao lado dos Aliados, em 1942.
Fonte: UOL Notícias, de 20/05/2015.
 

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