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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Defesa de Memorial de Consuelo Helena Aires de Freitas para Professora Titular da Enfermagem da Uece

Ocorreu na manhã de sexta-feira (4/09/26), no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - NUTEE/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Consuelo Helena Aires de Freitas, docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Joselany Afio Caetano (efetivo UFC), Patrícia Neyva da Costa Pinheiro (efetivo UFC), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno) e Ana Karina Bezerra Pinheiro (suplente externo), tendo por secretária a Profa. Dra. Lucilane Maria Sales da Silva, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora CONSUELO HELENA AIRES DE FREITAS.

Congratulações à professora Consuelo de Freitas, por chegar ao ápice da carreira acadêmica em seu bem construído exitoso percurso, repleto de êxitos pessoais e profissionais, que exibem o seu rigor científico e a sua valiosa colaboração ao ensino superior.

Também dignos de congratulações figuram a graduação em Enfermagem e o programa de pós-graduação da Cuidados Clínicos e Enfermagem (PPCLIS) da Uece, por contarem com a professora Consuelo de Freitas em seus colegiados de docência.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-Uece


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

MEU COLÉGIO INESQUECÍVEL

Por Romeu Duarte Junior (*)

Aos meus amigos do Colégio Cearense

O ano de 2026 é, para mim, motivo de dupla comemoração. Em 1966, há 60 anos, fui matriculado com muita dificuldade por meus pais no Colégio Cearense Sagrado Coração. O empecilho não era porque eu fosse um péssimo aluno, mal educado, traquinas e respondão e sim porque, como era à época a melhor instituição de ensino pública e privada do Ceará, cobrava caro de quem queria lá estudar e meus pais eram de classe média rasteira. Ao contrário: vinha de um começo de primário muito bem feito no Grupo Escolar Visconde do Rio Branco onde fiz o jardim de infância, a alfabetização (foi a minha mãe que lá ensinava que me alfabetizou, um charme, não?) e o primeiro ano primário. Agora iria enfrentar o segundo ano, de farda azul e branco, todo orgulhoso de mim mesmo.

Quase todo dia, logo cedo de manhã e antes do início das aulas, cantávamos os hinos do Brasil e do colégio. Até hoje ressoa em meus ouvidos aquela saudosa canção, cuja letra sei de cor: "Mocidade do Colégio Marista, à sombra do estandarte de Maria...". A educação era de alta qualidade e o sistema disciplinar rigoroso, às vezes injusto. Nossas mestras eram carinhosas e colaborativas, mas sabiam torcer o pepino na hora certa. O tempo do latim e da palmatória já havia passado, mas a pesada carga horária de estudo, a árdua cobrança e as provas difíceis não eram brinquedo. O primário passou bem rápido, momento em que fiz amizades para toda uma vida. O ginásio nos aguardava, com mais desafios. Não temíamos o que viria, pois nosso lema, como no hino, era, "lutar e vencer".

Em 1973, na 4ª série ginasial, o colégio, que só tinha alunos, passou a operar em regime misto, razão da nossa súbita felicidade. As meninas passavam rindo e isso nos enchia de alegria. Foi quando conheci aquele que seria o professor que mais me marcou naquele tempo: Onélio Porto. Além de ensinar diversas disciplinas, era o mentor do Combinado nas Olimpíadas Champagnat e ainda tinha agenda para sair no Maracatu Ás de Ouro no Carnaval e cuidar do zoológico que existia na Cidade das Crianças. Nossos interesses, assim como as espinhas nas nossas caras, aumentaram: futebol, rock'n'roll e as meninas, entre outros. Tal como o primário, o ginásio voou. Agora a tarefa seria encarar o científico e se preparar para o vestibular. Queria ser engenheiro, o que acabei não sendo...

Biologia, Física, Matemática, Português, Química. Naquela época não havia prova de redação; todavia, se houvesse, não haveria problema. No 3º ano, o cursinho, tal como era chamado, entraram vários alunos do Colégio Militar. Em 1976, portanto há 50 anos, terminamos nossa passagem no colégio, sabidos e aplicados, porém ingênuos. Fiz o exame para ser aceito na Universidade Federal do Ceará (UFC). Fui aprovado para engenharia entre os primeiros. Depois prestei vestibular mais duas vezes e entrei na arquitetura, onde me achei. O resto é história. Minhas lembranças do colégio são doces e amargas, aquelas em muito maior número que estas. Ficam as marcas de uma formação bastante qualificada, e que até hoje me serve, e a da severa disciplina. Moldou-me tal como sou, por Deus, pela pátria e por Maria...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/08/26. Vida & Arte. p.2.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Defesa de Memorial de Ilvana Lima Verde Gomes para Professora Titular da Enfermagem da Uece


Flagrante da Comissão Especial Julgadora, ao término da defesa do Memorial da enfermeira ILVANA LIMA VERDE GOMES. A Profa. Ilvana Lima Verde está ladeada por Profs. Maria Salete Bessa Jorge, Marcelo Gurgel Carlos da Silva, e Andrea Gomes Linard e Edna Maria Camelo Chaves, à direita, e pela professora Patrícia Neyva da Costa Pinheiro, à esquerda. (Foto cedida por Profa, Thereza Moreira).

Aconteceu na tarde de hoje, sexta-feira (12/06/26), no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará - NUTEE/Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da professora Ilvana Lima Verde Gomes, docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva (efetivo Uece), Patrícia Neyva da Costa Pinheiro (efetivo UFC), Andrea Gomes Linard (efetivo Unilab), José Jackson Coelho Sampaio (suplente interno) e Maria Salete Bessa Jorge (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Edna Maria Camelo Chaves, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora ILVANA LIMA VERDE.

Congratulações à professora Ilvana Lima Verde, por atingir o nível mais alto da carreira universitária, concretizada em sua desafiante trajetória de vida, marcada por feitos pessoais e profissionais significativos, que traduzem o seu empenho científico e a sua inestimável dedicação ao ensino superior.

Também merecedores de parabéns estão a graduação em Enfermagem e os programas de pós-graduação da área da Saúde Coletiva da Uece, por contarem com a professora Ilvana Lima Verde em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Convite: Defesa de Memorial para Ascensão a Professora Titular de Ilvana Lima Verde Gomes

Banca de Titular da Profa. Ilvana Lima Verde Gomes, dia 12 de junho de 2026, às 14h no Auditório do Núcleo de Tecnologia e Empreendedorismo em Enfermagem - NUTEE/Uece.

Banca de Titulares:Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Patricia Neyva da Costa Pinheiro e Andrea Gomes Linard

Suplentes: José Jackson Coelho Sampaio e Maria Salete Bessa Jorge

Secretária: Edna Maria Camelo Chaves


terça-feira, 9 de junho de 2026

Convite: Defesa de Memorial para Ascensão a Professora Titular de José Joaquim Neto Cisne

Banca de Titular do Prof. José Joaquim Neto Cisne, dia 10 de junho de 2026, às 15h no Miniauditório Áurea Bessa do CESA/Uece:

Titulares: Ana Augusta Ferreira de Freitas, Jair do Amaral Filho e Almir Bittencourt da Silva

Suplentes: Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Krishnamurti de Morais Carvalho

Secretária: Thiciane Mary Carvalho Teixeira


domingo, 3 de maio de 2026

MEMORIAL CULTURAL EM ANDAMENTO

Com o artigo LAUDATE: homenagens a confrades das academias médicas do Ceará”, inserido no Jornal do Médico, 22(204): 19-20, abril de 2026, alcançamos a marca de 800 (oitocentos) trabalhos publicados em revistas, jornais e informativos.

Essa cifra, que não contempla livros e premiações culturais, corresponde a mais da metade (53,1%) da nossa produção no âmbito da cultura, que, por sua vez, já soma 1.508 títulos do nosso curriculum vitae (CV), os quais representam cerca de 25% do total de itens desse CV.

Com vistas a integrar um futuro Memorial Cultural, tais títulos observam, presentemente, em 3/05/2026, a seguinte distribuição quantificada: Artigos em Periódicos Culturais (33), Textos em Revistas, Jornais e Informativos (800), Textos em Livros (252), Apresentações, Prefácios e Posfácios de Livros (88), Discursos Proferidos ou Apenas Preparados (230), Memoriais (6), Plaquetas (20), Organização e Editoração de Livros (47) e. Participações em Eventos Literários e/ou Culturais (32).

Em tempo: esse memorial, ora em construção, enfeixará os feitos mais vinculados às instituições literárias e culturais a que pertencemos.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Editor do Blog


Convite: Defesa de Memorial para Ascensão a Professor Titular de Andrea Caprara


 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Defesa de Memorial para Professor Titular da Enfermagem da Uece de Thereza Moreira

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, logo após a defesa do Memorial da enfermeira e advogada THEREZA MARIA MAGALHÃES MOREIRA. A Profa. Thereza Moreira está ladeada pelas professoras Maria Salete Bessa Jorge, Ana Luísa Brandão de Carvalho Lira, Edna Maria Camelo Chaves, à esquerda, e por Profs. Ana Fátima Carvalho Fernandes, Andrea Gomes Linard e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à direita.

(Foto cedida por Thereza Moreira).

Aconteceu na tarde de terça-feira (28/04/26), no auditório do Nupeinsc da Universidade Estadual do Ceará - Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva (presidente Uece), Ana Fátima Carvalho Fernandes (membro efetivo UFC), Andrea Gomes Linard (membro efetivo Unilab), Ana Luísa Brandão de Carvalho Lira (suplente externo) e Maria Salete Bessa Jorge (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Edna Maria Camelo Chaves, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora THEREZA MARIA MAGALHÃES MOREIRA.

Parabéns à professora Thereza Moreira, por atingir o ápice da carreira universitária sedimentada em uma brilhante trajetória de vida, referendada por realizações pessoais e profissionais de monta, que bem refletem o seu compromisso científico e a sua louvável dedicação ao exercício da docência superior.

De igual modo, estão de parabéns a graduação em Enfermagem e os programas de pós-graduação da área da Saúde Coletiva da Uece, por terem a professora Thereza Moreira em seus quadros funcionais.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


segunda-feira, 9 de março de 2026

ARQUIVO NIREZ: a memória da Cidade

Por Raymundo Netto (*)

Escrever sobre Miguel Ângelo de Azevedo, o nosso Nirez, é tarefa das mais complexas.

Aos 92 anos, é acervista, possuidor da maior coleção de discos de cera do Brasil e da mais completa coleção fotográfica do estado do Ceará. Pesquisador, é autor de obras de importância fundamental, como: "Fortaleza de Ontem e de Hoje", "A História Cantada no Brasil em 78 Rotações" - no tema, uma das maiores do País - e "Cronologia Ilustrada de Fortaleza", todas esgotadas.

Nirez é uma biblioteca viva, o maior guardião da história cearense, cumprindo o papel de um "mestre da cultura", transferindo amavelmente seus saberes, seus achados, fomentando e possibilitando pesquisas, ensaios, produções literárias e audiovisuais. Acessível e acolhedor, recebe em sua casa, sede do singular Arquivo Nirez, centenas de historiadores, pesquisadores, jornalistas, artistas, editores, produtores, políticos e curiosos que sabem encontrar ali não apenas o acervo raríssimo, mas o seu curador, que muitas vezes se dá entusiasmadamente como consultor.

É impossível, ao ouvir os seus relatos, não se encantar num vórtice temporal e encontrar-se com personagens de nossa história "transformados em gente" e/ou se ver em locais da Cidade que não existem mais - o que é bem do nosso desleixado desapego. E, claro, ao final, esperar o momento daquela piada guardada como troça de menino travesso.

A sua obsessão pela coleta, guarda, catalogação e manutenção de todo esse conteúdo - LPs, fotografias, filmes, livros, revistas, jornais, gravuras e máquinas, instrumentos, peças das mais diversas naturezas - já nos revela uma fortaleza extraordinária, imagine saber que todo esse legado está sendo construído e mantido bem debaixo de nosso nariz sem qualquer apoio do poder público.

Recursos financeiros o Ceará tem demais, basta acompanhar o seu desaguar na leitura de jornais ou assistir aos noticiários de rádio e TV. Mas, em todos esses anos de existência, nunca de alguma iniciativa por meio do governo estadual nem municipal. Houve, sim, por atitude de amigos do arquivo, proposições a gestores do poder executivo ou diretores de instituições. Porém, nada se realizou, mesmo quando aqueles que ocupam tais cadeiras sabem quem ele é e reconhecem a importância do seu acervo. Talvez entendam ser a cultura um território de pouco valor eleitoral, o que justifica a caquexia eterna dos equipamentos culturais mais tradicionais, sempre colocados em segundo plano diante do "elefante branco" do momento. Não raro sabemos de acervos desfeitos, perdidos ou roubados pela falta de atenção desses representantes e da população sempre distraída ao que lhe é usurpado todos os dias pela falta de pertencimento. É inadmissível fechar os olhos para a relevância desse legado a ser preservado, um patrimônio que, embora particular, é de extremo interesse público, o que por si já justificaria a mobilização e articulação dos órgãos e entidades de poder: Secretaria da Cultura do Governo do Estado e do município, Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS), Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Organizações Sociais (Instituto Mirante e Dragão do Mar), entre tantos outros.

Um dia, na sua agudeza de espírito, Nirez me disse: "Eu me sinto como se estivesse no futuro. O hoje é o meu futuro". Sim, ele atravessou o tempo e cabe a nós apresentar para ele um futuro melhor, sem celebrações vazias e pirotécnicas de 300 anos de uma cidade desmemoriada, que insiste em debochar da perda contínua de sua história e patrimônio.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/01/26. Vida & Arte, p.2.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

CONVITE lançamento de “ANTÔNIO CAMELO: um pai iluminado”

A família Parente Camelo convida para a noite de autógrafos de “Antônio Camelo: um pai iluminado”, livro coordenado pelo professor universitário e psicólogo Francisco de Assis Parente Camelo, que discorre sobre a vida e a obra do Sr. Antônio Camelo de Araújo, que foi uma grande liderança do bairro Otávio Bonfim e um exemplo dignificante de cidadão íntegro e de dedicação ao próximo

O livro possui 50 textos assinados por uma vasta gama de colaboradores, com a seguinte: distribuição: filhos (23), outros familiares (9) e amigos (6); a esses, se somam 12 depoimentos, todos eles, de maneira uníssona, reverenciando os nobres atributos morais e os valores espirituais do patriarca do Clã Camelo do Otávio Bonfim.

Data: 26 de agosto de 2025 (terça-feira), logo após a missa das 18h30.

Local: Salão Santo Antônio da Paróquia de Nossa Senhora das Dores (em frente à Praça Frais Brito do Otávio Bonfim, no início da Av. Bezerra de Meneses).

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Memorialista do Otávio Bonfim

terça-feira, 3 de junho de 2025

NOTA DE INDIGNAÇÃO

O Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), por seu presidente, vem manifestar a sua indignação pela recente derrubada da estátua do Comendador Ananias Arruda, na praça do mesmo nome, no município de Baturité-CE. Alegando a necessidade de revitalização do espaço, a Prefeitura Municipal de Baturité decidiu descaracterizar a Praça Comendador Ananias Arruda, com a instalação de um estabelecimento comercial.

A estátua do Comendador não é apenas um marco físico: é símbolo da memória, identidade e história do povo de Baturité e do Ceará. Ananias Arruda foi figura de destaque na economia e na política da região, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento do Maciço de Baturité durante o século XX. Sua memória deve ser preservada, estudada e respeitada, não apagada ou substituída por interesses comerciais imediatistas.

A substituição de um patrimônio histórico por empreendimento privado, sem ampla consulta à população e sem o devido parecer técnico dos órgãos de preservação da memória e do patrimônio, representa uma afronta à identidade cultural da cidade e um perigoso precedente para a gestão pública do patrimônio histórico em nosso estado.

Revitalizar não é destruir e preservar a história não é obstáculo ao progresso, mas condição essencial para que este ocorra com consciência, respeito e reverência aos que se empenharam na construção do nosso passado.

Por essa razão, torna-se imperiosa a recolocação imediata da estátua no lugar de origem. Também conclamamos a sociedade civil, os intelectuais, os artistas e os cidadãos de Baturité e do Ceará a se unirem na defesa de nossa memória histórica.

Seridião Correia Montenegro

Presidente do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico).

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Convite Lançamento: LÉGUAS TIRANAS III

 

Os frades capuchinhos da Provìncia do Ceará e do Piauí da Ordem Franciscana Menor (OFM Cap) convidam para o lançamento de “Léguas Tiranas III”, livro póstumo de Frei Hermínio Oliveira, etimólogo e dicionarista, organizado pelo jornalista Zacharias Oliveira.

O livro é prefaciado pelo médico e professor Marcelo Gurgel, membro das Academias Cearenses de Medicina, Médicos Escritores e Letras, e apresentado por Frei Lopes (OFM Cap), um capuchinho cearense atualmente radicado no Canadá.

O evento acontecerá após a Missa das 18 horas, presidida pelo Arcebispo Emérito de Fortaleza Dom José Antônio Aparecido, em comemoração dos 90 anos do Seminário Seráfico de Messejana.

Local: Seminário Seráfico de Messejana.

Avenida Frei Cirilo, 4.454 – Messejana - Fortaleza.

Data: 4 de dezembro de 2024 (quarta-feira). Horário: 19h.

Traje: Esporte fino.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


domingo, 18 de fevereiro de 2024

PÁGINA DE MARCELO GURGEL NA WIKIPÉDIA

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

O médico, economista, professor universitário e escritor Marcelo Gurgel Carlos da Silva foi distinguido com uma página na enciclopédia livre.

Conteúdo:

Início. Juventude. Formação Acadêmica. Carreira Profissional. Agremiações e honrarias. Atuação como escritor. Vida pessoal. Notas. Referências

Títulos quantificados:

As contribuições de Marcelo Gurgel à comunidade cearense são amplas e multifacetadas. Além de sua dedicação acadêmica expressa nos mais de 5.500 títulos quantificados pelo Curriculum Vitae, suas atividades científicas, de magistério, profissionais, culturais e participações em concursos e bancas examinadoras destacam-se como pilares fundamentais para o progresso educacional e científico da região. Ao somar mais de 1.200 atividades científicas, 671 no magistério, 278 na esfera profissional, 1.332 atividades culturais, e seu envolvimento em inúmeras bancas examinadoras, congressos, jornadas e reuniões, Marcelo Gurgel emerge como um agente transformador, influenciando positivamente o cenário educacional, científico e cultural do Ceará. Seus 125 prêmios e distinções são um testemunho adicional de impacto e relevância na sociedade. (WIKI)

Endereço eletrônico: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Gurgel#

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel em 26/01/2024 e postado no Blog Linha do Tempo em 4/02/2024.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/02/pagina-de-marcelo-gurgel-na-wikipedia.html


domingo, 14 de maio de 2023

Participação no livro “Academia Cearense de Medicina: história e membros titulares”

Mesa diretora e acadêmicos na solenidade de encerramento da XX Bienal da ACM (Foto cedida pela médica Angelita Aníbal de Castro)

Durante a Sessão Solene em comemoração ao 45º aniversário da Academia Cearense de Medicina (ACM) e de encerramento da XX Bienal da ACM, realizada na noite 12/05/2023 deu-se o lançamento do livro ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA: história e membros titulares, que foi distribuído aos acadêmicos participantes do evento.

Dando continuidade ao trabalho da Diretoria de Publicações de nosso sodalício, a obra contou com a nossa contribuição, em particular, na condição de editor.

O livro, em capa dura, com 328 páginas, contendo todas as 134 biografias de membros titulares da ACM foi impresso na Expressão Gráfica e Editora, e nele compareço com a apresentação e a publicação das seguintes biografias:

1 Ana Margarida Arruda Rosemberg (Cadeira 35). p.44-45.

2 Antônio Carlile Holanda Lavor (Cadeira 55). p.50-51.

3 Carlos Alberto de Sousa Tomé (Cadeira 18). p.64-65.

4 Carlos Alberto Studart Gomes (Cadeira 35). p.66-67.

5 Djacir Gurgel de Figueirêdo (Cadeira 12). p.73-73.

6 Francisco Aluísio Pinheiro (Cadeira 16). p.84-85.

7 Francisco Braga Andrade (Cadeira 54). p.86-87.

8 Francisco Waldeney Rolim (Cadeira 25). p.108-109.

9 Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves (Cadeira 19). p.114-115.

10 Janedson Baima Bezerra (Cadeira 60). p.128-129.

11 Joaquim Eduardo de Alencar (Cadeira 18). p.138-139.

12 José Carlos da Costa Ribeiro (Cadeira 14). p.148-149.

13 Maria Zélia Petrola Jorge Bezerra (Cadeira 57). p.228-229.

14 Oswaldo Oliveira Riedel (Cadeira 32). p.242-243.

15 Raimundo Hélio Cirino Bessa (Cadeira 27). p.260-261.

16 Viliberto Cavalcante Porto (Cadeira 31). p.288-289.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


domingo, 9 de abril de 2023

PARA A NOSSA MÃE ELDINHA: um ano de saudades

 


            Todo dia sentimos tua falta, seja numa frase, num gesto, num canto de mesa.

Ufa! Quanta saudade!

Querida Eldinha, sabemos que estás no Céu, pois como cristãos entendemos e acreditamos na ressurreição em Cristo. Há um ano, em 9/04/2022, a senhora partiu para o plano divino, mas nossa certeza de que estás com o Pai Eterno vem também da vida terrena que tiveste, considerando que te conduziste no caminho da bondade, do amor ao próximo e dos serviços aos entes queridos e, principalmente, a Deus.

Tua convivência conosco foi marcada pelo exemplo da retidão e do espírito de abnegação, de doação.

Cabe destacar que nos surpreendia sempre com tua atitude sábia e um exemplo “franciscano” de viver, demonstrando desprendimento das coisas materiais e ainda a importância da união familiar e dos valores éticos, morais e espirituais.

Eldinha, não temos palavras suficientes para expressar a grandeza da tua vida e da enorme satisfação em sermos teus filhos.

Por fim, reafirmamos o sentimento de que o teu amor por nós, teus filhos, continua presente no cuidado, no olhar afetuoso, no zelo maternal, só que agora vem de outro plano.

Obrigado por tudo, querida mamãe, estamos tentando seguir teus ensinamentos, conscientes do grande legado recebido por nós.

Paz e bem!

Magna Gurgel Carlos da Silva

Pelos irmãos do Clã Gurgel-Carlos


domingo, 29 de janeiro de 2023

GLAUCO LOBO: a Academia Cearense de Medicina o recebe de peito aberto

 

José Glauco Lobo Filho nasceu em Fortaleza em 13 de julho de 1951, filho de José Glauco Bezerra Lobo, professor de medicina legal da UFC e cirurgião torácico do Hospital de Messejana e Hospital de Maracanaú, e de Artamilce Moreira Guedis Lobo, professora e orientadora educacional.

José Glauco fez o Ginásio e os dois primeiros anos do científico no Colégio Militar de Fortaleza, durante seis anos, no período de 1963 a 1968, e o terceiro ano no Colégio Sagrado Coração de Jesus em 1969.

Aprovado no vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC), Glauco Lobo ingressou no Curso de Medicina em 1970, graduando-se médico em dezembro de 1975. Durante a sua graduação, cumpriu vários estágios extracurriculares, tendo sido estagiário em: cirurgia no Hospital de Maracanaú (Cirurgia Torácica), do primeiro ao sexto ano; cirurgia cardíaca no Hospital das Clínicas da UFC, do quarto ao sexto ano; e emergência do Instituto Dr. José Frota, do quinto ao sexto ano médico.

O Dr. Glauco Lobo Filho cumpriu a Residência Médica em Cirurgia Geral no Hospital das Clínicas da UFC, o atual Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), em 1976 e 1977.

Após essa primeira Residência Médica, o Dr. Glauco Lobo Filho seguiu para Paris-França, a fim de se especializar em Cirurgia Cardiovascular, realizando, inicialmente, a Residência Médica em Cirurgia Torácica e Cardiovascular no Hospital Broussais, da Universidade de Paris, nos anos de 1979 e 1980, sob a chefia do Professor Charles Dubost, tendo convivido com o Professor Alain Carpentier, ao tempo em que fez, em 1980, o estágio de aperfeiçoamento em Cirurgia Torácica no Hospital Foch, de Paris, tendo por orientador o Professor Toty. À conta desses estudos, foi aquinhoado, em 1980, com o título de Assistente Estrangeiro da Faculdade de Medicina de Paris.

Complementou a sua formação técnica por meio de outros estágios de aperfeiçoamento em: Cirurgia Cardiovascular, no Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital Broussais (1984); Cirurgia Valvar, Revascularização do Miocárdio e Transplante Cardíaco, no Washington Hospital Center (USA) (1987), sob a orientação do Dr. Mitchell Edson; Transplante Cardíaco, no Serviço de Cirurgia do Hospital Marie-Lannenlongue, da Universidade Paris Sud (1991), sob a orientação do Professor Neveux; e Cardiopatias Congênitas, no Centro Cirúrgico do Hospital Marie-Lannenlongue da Universidade Paris Sud (1991), sob a orientação do Professor Claude Planché.

A sua trajetória de especialista em cirurgia cardiovascular, ratificada pelo Título de Especialista em Cirurgia Cardiovascular conferido pelo Conselho Federal de Medicina em 1982, é marcada por grandes feitos, a começar no ano de 1986, quando foi admitido no Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital Universitário Walter Cantídio, do qual foi o Coordenador no período 1990 a 2010. A partir de 1990, foi fundador e colaborador na implantação de vários serviços de cirurgia cardiovascular em Fortaleza e no Estado do Ceará.

O Dr. Glauco Lobo coordenou a equipe e realizou o primeiro e o segundo transplante cardíaco no Ceará, respectivamente, em fevereiro e maio de 1993. Foi o pioneiro no Norte e Nordeste do Brasil na aplicação e divulgação das técnicas de reconstrução da valva mitral (plástica mitral) e pioneiro no Ceará na implantação e consolidação da cirurgia de revascularização do miocárdio sem circulação extracorpórea e sem manuseio da aorta.

Com a carreira médica sacramentada e consolidada, ele decidiu investir, mais intensamente, no campo da pesquisa, com vistas à possível inserção na docência superior, voltando-se ao ensino e à formação de médicos.

Para tanto, em 1997, ingressou no Mestrado de Farmacologia do Departamento de Farmacologia e Fisiologia da UFC, obtendo o diploma de Mestre em 1998, ao defender a Dissertação “Proteção do miocárdio isquêmico de coelho, utilizando-se perfusato enriquecido com glutation”, tendo por orientador o Prof. Dr. Manassés Claudino Fonteles.

Em 2001, matriculou-se no Doutorado em Cirurgia (área de Cirurgia Cardíaca) Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vindo a obter o Diploma de Doutor em Cirurgia, área cirurgia cardiovascular, com a Tese intitulada “Cirurgia de revascularização do miocárdio com enxerto composto da artéria torácica interna esquerda e veia safena magna: análise de fluxo”, obtenção: defendida em 2004, conduzida sob a orientação do Prof. Dr. Eduardo Sérgio Bastos.

Enquanto aguardava a abertura de vaga para a docência superior em sua área de estudo, ele ainda encontrou tempo para cursar a pós-graduação sensu lato em Administração Hospitalar pela Universidade Gama Filho em 2003/2005.

Essa oportunidade somente veio a ocorrer em 2008, quando logrou o primeiro lugar no concurso para Professor Adjunto da UFC, na área de Cirurgia Cardiovascular, sendo lotado no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina. De 2008 a 2016, ele foi galgando as referências da Classe de Professor Adjunto, sendo em 2017 promovido, por mérito, para a referência I da Classe de Professor Associado, da qual passou para a referência II em 2019, encontrando-se, desde 2020, na condição de Professor Associado III.

Dentre os seus principais cargos e encargos assumidos na UFC, convém apontar: Vice Chefe do Departamento de Cirurgia (Biênio 2014/2015); Membro do corpo de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia (2016/2022); Chefe do Departamento de Cirurgia (Biênio 2016/2017) da Faculdade de Medicina da UFC; Chefe reeleito do Departamento de Cirurgia (Biênio 2018/2019); Membro Efetivo do Conselho de Ensino e Pesquisa (CEPE) (Biênio 2016/2017); Membro Efetivo do Conselho Universitário (CONSUNI) desde 2019; atual Vice-Reitor da UFC no quadriênio 2019/2023.

A sua produção científica inserida na Plataforma Lattes, disponível em seu currículo atualizado em 19/05/2022, dá conta das seguintes cifras: artigos completos publicados em periódicos (54), capítulos de livros (6), trabalhos publicados em anais de evento (11), resumos publicados em anais de eventos (23), apresentações de trabalho (37), orientações concluídas de mestrado (6) e orientações concluídas de doutorado (3).

Com respeito à sua atuação em Sociedades Médicas, cumpre assinalar os seguintes fatos: fundador e primeiro Presidente da Associação Cearense de Médicos Residentes (ACEMER) em 1977/1978; Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, desde 1989, tendo sido Membro do Conselho Deliberativo, de 2011 a 2013; Membro Titular da Sociedade Norte-Nordeste de Cirurgia Cardiovascular, na qual ocupou cargos de tesoureiro, secretário e presidente em diversas gestões; e Membro do Conselho Deliberativo da Unimed Fortaleza, de 2002 a 2006.

Da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, é oportuno salientar que o Dr. Glauco Lobo presidiu o 26º Congresso Brasileiro de Cirurgia Cardiovascular em 1999 e o 43º Congresso Brasileiro de Cirurgia Cardiovascular em 2016 e foi revisor do Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery (Online), de 2014 a 2016, o periódico oficial dessa associação médica.

Como reconhecimento dos seus pares e da sociedade, ele foi galardoado, dentre tantas outras, com as seguintes honrarias: Menção Honrosa “Rotary Clube Internacional” por serviços dedicados a sociedade em 1999; Sereia de Ouro em 1999; Título de Cidadão Parnaibano em 2004; Menção Honrosa da “Assembleia Legislativa do Ceará” em 2008, pelo pioneirismo no transplante cardíaco no Estado; Título de Cidadão Piauiense em 2013; e Medalha Centenário Colégio Militar de Fortaleza (CMF) 2019.

Casado com a cardiologista Maria Claudia de Azevedo Leitão, José Glauco é pai de Daniela (advogada e nutricionista), Denise (fisioterapeuta), Débora (designer gráfico), Marília (médica) e Mateus (empresário).

O Acad. José Glauco Lobo Filho foi empossado na Academia Cearense de Medicina (ACM), em 14/10/2022, na Cadeira 26, patroneada por João Cardoso de Moura Brasil, ocupada anteriormente pelo Acad. Roberto Misici, que foi abruptamente retirado deste mundo menor, sendo saudado na ocasião pelo Acad. José Huygens Parente Garcia.

A chegada de Glauco Lobo na ACM traz à tona a lembrança do seu avô João Otávio Lobo, o insigne médico e ex-diretor da Faculdade de Direito do Ceará, reconhecido pelos fundadores dessa arcádia que o designaram patrono da Cadeira 16.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

*Publicado In: Revista Digital Jornal do Médico. Ano III, Nº 33, janeiro de 2023 p.47-49.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

O RESGATE DE PINTO MARTINS

Editorial de O Povo, de 22 de janeiro de 2023.

O Ceará, através da sociedade civil e também pelo engajamento mais firme de suas forças políticas, precisa se envolver de maneira mais efetiva na luta que tem sido desprendida nos últimos anos por segmentos isolados em defesa do restabelecimento de uma homenagem que não faz sentido que se tenha decidido, na prática, cancelar. No caso, a exclusão do nome de Pinto Martins da fachada do aeroporto internacional de Fortaleza, decisão tomada pela Fraport, empresa alemã que assumiu, como concessionária, o controle de administração do terminal desde 2018 e que até hoje não apresentou uma justificativa aceitável para a atitude.

Consideremos, de início, que não se trata de uma homenagem qualquer. Euclydes Pinto Martins, filho de Camocim, no litoral norte do Ceará, sempre foi um apaixonado pela causa aeronáutica. Mais do que isso, protagonizou pioneiro voo sobre o oceano Atlântico, entre Nova York e o Rio de Janeiro, no distante ano de 1922, num percurso de 5.678 km marcado por extraordinárias 100 horas de uma viagem plena de aventuras e intempéries, incluindo-se pousos em rios localizados em áreas selvagens da Amazônia e uma sentimental parada em sua Camocim natal. Típico caso, voltando ao tema da nominação do aeroporto, de um tributo que faz sentido considerados todos os aspectos pelos quais seja analisado.

Sem dúvida, o tema deveria mobilizar mais a classe política, por exemplo. Vê-se, ao contrário, manifestações isoladas, mesmo que frequentes, de parlamentares como os deputados Acrísio Sena (PT) e Sérgio Aguiar (PDT), este último conterrâneo de Pinto Martins, cobrando a concessionária e exigindo que ela devolva a homenagem, inclusive considerando-se os aspectos legais envolvidos. O nome do aeroporto é resultado de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que foi sancionada em 1952 pelo então presidente da República, Café Filho, portanto, é mais apenas do que uma mera questão política que está em discussão.

O próprio governo do Ceará deveria estar mais empenhado, aliando-se aos deputados já abraçados à causa e colocando sua força política à disposição de uma luta que precisa ser de todos. Talvez seja o caso de também cobrarmos mais mobilização das nossas entidades classistas empresariais ou do movimento social, sempre ativas em relação às agendas de seus interesses diretos, no sentido de fazê-las mais conscientes da importância do envolvimento do conjunto diverso da sociedade com uma pauta que busca, simplesmente, exigir respeito à memória e à história do nosso Estado.

A concessionária do aeroporto, com tudo de importante que tenha representado com sua chegada em termos de práticas administrativas novas e que têm mesmo melhorado a parte estrutural, precisa ser levada a entender que o resgate do nome de Pinto Martins é um assunto de interesse do Ceará. Por enquanto, diante da timidez com a qual temos agido e pelo fato de serem isoladas as vozes que gritam contra o que foi feito, talvez não esteja sendo dimensionado o tamanho real da injustiça representada pela medida. Nosso grito precisa ser mais alto e exige mais vozes para que, enfim, se faça ouvir.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/01/23. Editorial, p.18.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

SOBRE CRAVOS E MANGUEIRAS: à memória de José Liberal de Castro

Por Romeu Duarte (*)

Conheci-o em 1981, mal entrado na Escola de Arquitetura da UFC, quando, logo no primeiro encontro, inoculou-me o vírus do patrimônio. Ácido, crítico e mordaz, de uma cultura e de uma inteligência fascinantes, gostava de abrir cabeças, não de fazê-las. Tudo isso me passou pela memória como um raio, eriçando meus pelos, quando soube da notícia no comecinho da noite de ontem. Ele agora está ali, num esquife repleto de cravos, cujo perfume intenso me craveja a alma. Na chegada ao velório, destroçado, sou por todos tratado como se fora um filho seu. Mestre, mentor e guru de gerações de arquitetos cearenses, agora dorme o seu eterno sono. Magro como um passarinho, num severo paletó, o véu imóvel sobre a face sisuda. Choro como um menino órfão.

Os familiares e os muitos amigos se acomodam para pranteá-lo no vestíbulo do pavilhão, naquele instante transformado em câmara mortuária. "Velá-lo aqui foi a melhor decisão", disse de mim para comigo, "aqui, nesta escola, que sempre foi a sua casa". E as lembranças me atropelam, como a um pobre cachorro cego numa rua movimentada. As aulas da sua disciplina, nossa viagem a Icó, o telegrama de felicitações pela minha formatura, seu apoio quando dirigi o IAB e o IPHAN, uma longa conversa numa tarde, quando me contou sua ida ao Rio de Janeiro para trabalhar e estudar. Até as nossas brigas entraram no rol das recordações. Jovens estudantes, que nunca foram seus alunos e poderiam ser seus netos, graves e solenes. O forte olor dos cravos mistura-se ao das coroas.

Seu colega-amigo-irmão chega amparado. À beira do ataúde, diz: "Mais de 60 anos de amizade e convivência, e agora?". Meus olhos fitam os seus, os quatro marejados. Abraço-lhe e beijo-lhe a testa. "Lembra de que vocês dois ficaram até o fim do enterro do meu pai?", perguntei-lhe. Ele me sorriu e devolveu o amplexo. O pátio da Arquitetura, sempre animado, servia então, com suas muitas sombras, como espaço de acolhida ao público silente e triste que não parava de vir. Todos tinham uma boa história com ele. "Viveu uma vida longa e próspera", falou-me um colega. "Você está assistindo a "Jornada nas Estrelas" demais...", brinquei. Era também o momento de rever velhos companheiros, todos nós desolados pelas últimas perdas do nosso acervo pessoal. Muito luto.

Súbito, o vento forte de setembro, que espalha o pólen-sêmen do amor pelas árvores engravidando-as, agita com suas rajadas as centenárias mangueiras do pátio. Estas idosas mangueiras, que presenciaram os esforços dos quatro destemidos arquitetos que criaram este curso. "Que esta ventania dissemine as lições do grande professor entre as gentes e que nestas brotem valores mais humanos", pedi. Recebo no celular uma mensagem da minha filha mais velha: "Foi-se uma rainha, vai-se um rei". As lágrimas me vêm novamente, mesmo sabendo que ele recusaria a alegada realeza, apesar do orgulho que guardaria no coração pelo elogio. As pessoas já conversam em rodas, preparando-se para os ritos finais. No ar, a perfumada sinfonia dos cravos e das mangueiras...

(*) Arquiteto. Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/09/22. Vida & Arte, p.2.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Série sobre imortais da Academia Cearense de Letras será lançada em outubro

Por Lara Montezuma (*)

Série documental "Imortais Cearenses" aborda a trajetória dos imortais da Academia Cearense de Letras. Projeto destaca a relevância da instituição para a cultura.

Academia Cearense de Letras (ACL) foi fundada em agosto de 1894, mais precisamente no dia 15, tornando-se pioneira literária no Brasil. O Palácio da Luz, localizado no Centro de Fortaleza, foi berço para o intenso fluxo de atividades culturais na Cidade e consagra 40 imortais - membros que ocupam cadeiras vitalícias na instituição. Com mais de 120 anos de história, o local já sediou a Biblioteca Pública do Ceará e guarda parte do arquivo histórico do Estado.

A gama de conteúdo fez com que a ACL se tornasse um dos escritórios de pesquisa do documentarista e cineasta Roberto Bonfim. O espaço deixou de ser apenas uma área de estudo e resultou, também, em inspiração. Após cerca de nove anos de apuração, o profissional está em processo de finalização do projeto "Imortais Cearenses", série documental que estreia no mês de outubro. "Fui verificar e vi que não tinha nada nos registros audiovisuais do Ceará acerca desses imortais. Tinham algumas entrevistas, participações em programas e filmes, mas era algo pontual. Eu pensei em fazer algo diferente. A Academia é imortal, mas os imortais são mortais", sinaliza.

Impulsionado pela ideia de mergulhar na história das pessoas que constroem as narrativas de uma das principais entidades brasileiras, Roberto define os parâmetros para o projeto chancelado por Lúcio Alcântara, escritor, médico, ex-governador e atual presidente da Academia. A proposta é mostrar a trajetória profissional destes considerados imortais, trilhando os primeiros passos na escrita e o processo de entrada na ACL. Eles também compartilham detalhes sobre as obras e sobre o próprio órgão, focando na função institucional. "Existe o produto, essa série de diversos episódios, que será doado para a Academia Cearense de Letras. Cada um tem em média 25 minutos. Claro que, em contrapartida, todos os imortais recebem seu próprio vídeo", informa o documentarista.

A produção foi gravada a partir de 2021 em parceria com o diretor de fotografia Eduardo Barros, da produtora Zoom Digital, e os planos envolvem a distribuição para a TV e plataformas digitais, a exemplo do YouTube. "É uma forma da gente trazer, na nossa contemporaneidade, um outro meio de visualização e aproximação do público", argumenta. Os depoimentos de acadêmicos como os poetas Batista de Lima e Virgílio Maia são considerados por Roberto como "referências importantes", visto que podem influenciar novas gerações. "Nas entrevistas a gente pode ver como alguns são simples ao contar suas histórias. É um toque pequeno para que um jovem possa pensar em fazer parte da primeira academia de letras do Brasil. A gente não pode fugir disso, os imortais vão ficando mais velhos. Cadê os novos acadêmicos? Onde estão as novas intelectualidades e referências de arte?", indaga Roberto.

A necessidade de incitar a cultura influenciou, inclusive, a escolha do formato para a iniciativa. Com experiência no ramo documental, Roberto acredita que o audiovisual pode ser uma ponte entre distintas épocas. "O audiovisual traz um impacto, agrega valor e, ao lado da literatura e de outras linguagens, colabora com o saber. Eu digo que é um chamariz para a informação completa que consta nos livros, uma coisa que puxa a outra. Por isso a importância de continuar, devemos atentar para as novas tecnologias e novos momentos", complementa. Olhar para frente, entretanto, não significa esquecer o que ficou para trás. O profissional, por exemplo, defende o conhecimento das tradições do Ceará. "Temos que ter apego com a nossa história. Nossa preocupação é que a gente possa deixar pessoas que se interessem pela sua própria história, que sempre começa dentro de casa. Esse projeto traz a perpetuação desses imortais enquanto estão vivos no nosso presente. É uma parceria muito legal porque abre margens para que a gente produza outros trabalhos documentais acerca de outros projetos da Academia".

Uma das imortais presentes na série documental é a promotora Grecianny Carvalho Cordeiro, ocupante da cadeira nº 8, deixada pelo poeta Horácio Dídimo. A formação jurídica não a impediu de enveredar pelos textos desde a adolescência, sendo a literatura sua "grande paixão". Os escritos de Grecianny transitam entre o romance, a poesia e os contos. "Em 2018 surgiu a oportunidade de me candidatar a uma vaga na ACL, concorrendo com dois candidatos e logrei êxito. Tomei posse em 2019 e representou um grande momento em minha vida, por ingressar na academia literária mais antiga do País", relembra.

Ela também é diretora de comunicação da ACL e conta que, ainda no comando de Ângela Gutiérrez, se tornou uma das responsáveis pela criação de um novo site para a instituição. "O Dr. Lúcio Alcântara deu continuidade a ideia e hoje temos um site bonito e atualizado. As redes sociais são espaços de divulgação da Academia e resgate de sua história", pontua a profissional ao ressaltar o trabalho em equipe. Com "empolgação" por "Imortais Cearenses", Grecianny destaca a relevância histórica da entidade, considerada a "academia-mãe da literatura cearense". A escritora destaca a reinvenção do órgão durante a pandemia por meio de atividades virtuais e um calendário que se mantém atuante por ciclos de atividades como conferências, palestras e solenidades de homenagens. "Por ela passaram grandes nomes relevantes para a literatura e cultura no Ceará, no Brasil e no mundo. Esse projeto busca levar ao conhecimento do público de um modo geral sobre os atuais acadêmicos da ACL, para que contem um pouco de suas trajetórias e, assim, possam manter viva a história da literatura cearense".

Lançamento "Imortais Cearenses"

Quando: 11 de outubro

Onde: Academia Cearense de Letras (rua do Rosário, 01 - Centro)

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 31/08/22. Vida & Arte, p.1.

 

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