sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

JANEIRO BRANCO E O AUTOCUIDADO

Por Daphinis Brito (*)

Como uma folha em branco, janeiro chega com um sentimento comum a todos, ou pelo menos à grande maioria das pessoas, o da renovação. É o período em que estamos mais propensos à reflexões acerca de nossas vidas e também mais abertos a fazermos as mudanças que planejamos ainda no ano anterior. Um tempo para olhar pra si diante de um novo ciclo que se inicia. Dentro dessa perspectiva, foi criado o movimento do Janeiro Branco, campanha que tem como proposta chamar a atenção para questões relacionadas à Saúde Mental e Emocional a partir da conscientização sobre a importância do autocuidado e do reconhecimento das próprias necessidades físicas, mentais, sociais e emocionais.

Cercado de muitos estigmas e tabus, o tema da saúde mental vem ganhando cada vez mais atenção nos últimos anos, principalmente em decorrência da pandemia. Essa tendência tem sido notória a partir do crescimento do número de casos e atendimentos. O Brasil hoje perde apenas para os Estados Unidos em número de casos de depressão nas Américas, por exemplo, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde. Já quando falamos em ansiedade, temos a maior prevalência de ansiedade no mundo, 9,3%. Por isso, falar sobre o assunto é ainda mais importante.

A saúde mental é um aspecto fundamental da saúde geral e pode afetar todos os âmbitos da vida de uma pessoa. Por isso, é importante lembrar que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física. Algumas dicas para cuidar da saúde mental incluem praticar exercícios físicos regularmente, manter uma dieta saudável, dormir o suficiente, manter relações sociais saudáveis, aprender a gerenciar o estresse e buscar ajuda profissional, se necessário.

O Janeiro Branco é uma ótima oportunidade para refletir sobre a própria saúde mental e tomar medidas para cuidar dela. Se você ou alguém que conhece estiver passando por dificuldades emocionais ou de saúde mental, não hesite em procurar ajuda profissional. Existem muitos recursos disponíveis, incluindo terapia e grupos de apoio, que podem ajudar a lidar com esses problemas de forma saudável. Cuide-se. 

(*) Médica psiquiatra e diretora clínica do Grupo Nosso Lar.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/01/2023. Opinião. p.20.

Crônica: “As marcelas e as parcelas do poeta” ... e outros causos

As marcelas e as parcelas do poeta

Jair Moraes, que o saudoso professor Gilmar Chaves considerava o mais gabaritado artista de rua da cidade, escreve para dizer que nunca esteve tão bem de vida - saúde física e psíquica bacana, trabalhando feito um bicho, sobrevivendo dignamente com sua Banda Marmota. Ficamos felizes, merecedor do melhor é o Poeta dos Cachorros, variando entre Manezinho do Bispo e Zé Limeira em matéria de sabedoria non sense. Para provar quão supimpa está, relata três acontecidos dignos de publicação.

O primeiro é a diferença que há, "do ponto de vista semântico", entre fazer compras à prestação de artigos femininos e de artigos masculinos. Esclarece o pensador emérito da Vila União (ex-Barro Preto) que se a compra de uma geladeira for feita em 10 "letras", teremos aí uma dezena de "marcelas".

- Sim, eu comprei uma Esmaltec (276 litros) em 10 marcelas de 189,90 reais sem juros.

Nessa pegada, esclarece sobre o que seja "parcela". Para ele, o termo deve ser usado quando a compra for de coisas masculinas. Eis um exemplo que o próprio Jair oferece: "Comprei 'uma televisão' (Smart TV Semp 32 HD Wi-Fi Dual Band Wide Screen) na Magazine Luíza em 10 parcelas de 138,71 reais". Repararam que o autor da premiada canção "Sapato cor de barro" só compra em 10 chibatadas, sempre sem juros? Claro que sim! O que talvez não tenham observado é a quem se destinam as compras feitas à prestação.

- Marcelas são valores de compras a prazo que o sujeito dá a uma mãe. Parcelas são pro pai...

Falei dos neologismos do Jair pro Falcão e o cantor do "Canto bregoriano no 2" falou, se abrindo:

- Aí dentro, poeta!!!

Estudos mostram que nada mostram

A segunda arrumação do Poeta dos Cachorros diz respeito a descobertas "sem futuro" da ciência, lembrando os comentários geniais do LC Galetto (lcgaletto) em seu Instagram, sessão "Notícias Fuleragens". Jair pescou algumas novidades em "Aquelas curiosidades" e, ao lado de cada pesquisa, apõe seu comentário. A primeira das três descobertas: "Estudos revelam que uso do celular no banheiro tem aumentado a taxa de hemorroida da população".

- Comigo, pode é empurrar um celular de cana com linguiça apimentada que minha hemorroida dá nem notícia! Zerada! Tem fuxico não!

Continua: "De acordo com um estudo, as mulheres são mais românticas quando estão de 'barriga cheia'".

- Com minha Maria, barriga cheia é sinal de peido muito! Adeus, Roberto Carlos!

Jair lembra também que o referido Instagram noticiou: "Cientistas afirmam que a mente humana não deve estar acordada após a meia noite". A resposta é categórica.

- Claro! A mente não pode estar acordada após a meia noite porque a pessoa está dormindo à moda porco da mão branca, do quinto pro sexto sono!

Poética canina

A terceira potoca de Jair Moraes é a particular saudação ao ano novo, chegante depois de amanhã, no ensejo de fazer tudo diferente. Título longo, mas inspirador: "Adeus cueca e celular, o meu negócio agora é frescar e viver só no miudinho":

- A minha praia é ver o mar/ Voltar a ser um curumim/ Brincar de anel, andar no osso/ Assim que nem um bacurim/ Usar sabugo, pagar os juros/ Sair de cima do muro/ E assistir ao Rin-tin-tin.

Fonte: O POVO, de 30/12/2022. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

UM NOVO MOMENTO PARA A PARADIPLOMACIA NO CEARÁ

Por José Nelson Bessa Maia (*)

A história da inserção internacional do Ceará é oscilante. Ondas ascenderam e baixaram em conjunturas diferentes. Ora é um caso de internacionalização exemplar de paradiplomacia no Brasil, ora impera um olhar sonolento e equidistante das possibilidades externas. Apesar dos avanços recentes (como o Ceará 2050), há uma percepção de que o Estado deveria explorar melhor as oportunidades que se abrem em um mundo que reconfigura os canais da globalização produtiva e no momento em que o Brasil, após quatro anos de isolamento, volta a se inserir de forma ativa na rede societária internacional.

O Ceará foi pioneiro na busca de captação de recursos externos e assistência técnica para ajudar a financiar seu desenvolvimento em 1963 quando o então governador Virgílio Távora visitou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington, assim como na promoção de exportação quando criou-se o Promoexport em 1968. O Estado também foi um dos primeiros na federação a atrair investimentos com a criação do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) em 1979, a estabelecer sua secretaria de assuntos internacionais (em 1995) e a formular uma vigorosa estratégia de inserção internacional com a implantação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) em 1998.

O Ceará mudou muito nos últimos 30 anos e transformou sua economia e gestão pública. Os bons resultados estão aí em diversos campos, como a educação, energias alternativas, logística, recursos hídricos e indústria de base. Mas mesmo assim somos pouco mais de 2% da economia brasileira, contra 1,5% em 1987. Uma economia ainda pequena (US$ 35,3 bilhões) e de baixo ritmo de crescimento para superar de vez as chagas da pobreza e da vulnerabilidade às secas que nos assolam desde os tempos da colonização portuguesa.

Os avanços de internacionalização da economia cearense poderiam ter sido muito maiores se não tivesse havido o desmonte feito nas instituições e organizações voltadas para as relações externas durante os dois mandatos de Cid Gomes (2007-2014). Com esse desmonte o Ceará perdeu participação nas exportações nacionais e inúmeras oportunidades de negócios e investimento com a Europa, África e China. Afortunadamente o governo Camilo Santana restabeleceu o aparato de articulação paradiplomática e o Ceará voltou a atrair investimentos externos e ampliar as exportações graças à Siderúrgica do Pecém.

No entanto, agora é o momento de reforçar o desenvolvimento do estado e aumentar o seu potencial de crescimento por meio de uma estratégia mais agressiva, profissional e sustentada de paradiplomacia. A promoção de exportações e de investimentos exige uma postura mais ativa das autoridades estaduais para captar recursos em escala suficiente para atender as necessidades do estado, reduzir a pobreza rural, diminuir as desigualdades espaciais de renda e potencializar a geração de empregos. A nova secretaria de Assuntos internacionais do governo do estado pode contribuir e muito nessa tarefa. Avança Ceará!

(*) Mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela UnB e rx-secretário de Assuntos Internacionais do governo do Ceará.

Fonte: O Povo, de 5/1/23. Opinião. p.15.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

POBREZA VERSUS PEC DA ESMOLA

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Neste mesmo conceituado Jornal já escrevi várias vezes sobre o dilema "gastos sociais controle do orçamento".

Agora, mais uma vez, volto ao tema.

É que, por mais absurdo que pareça, candidatos a presidente prometem adotar medidas que não dependem deles. Mexer no controle do orçamento federal é uma delas.

Mas, propor que a verba para o Bolsa Família fique de fora da regra do teto dos gastos por quatro anos já é descaramento!

Tenho defendido, seguindo a orientação Keynesiana que o Setor Público deve adotar medidas ortodoxas para debelar crises econômicas. Mas, usando política monetária.

Em artigo anterior já utilizei um texto de Marcus Tullius Cícero, escrito há 2.077 anos.

Faço-o, novamente, porque quero comparar seus ensinamentos com a situação do Brasil atual. O texto de Cícero é o seguinte: "O Orçamento Nacional deve ser equilibrado. As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública."

Neste discurso não há nada senão a verdade.

No caso do Brasil, os políticos sempre buscam burlar a Constituição no caso dos Orçamentos.

Em referência à segunda assertiva, o Brasil apresenta, sempre, uma crescente dívida externa, mesmo tendo presidente que afirma ter pago essa dívida, mas que terminou o governo com dívida externa maior do que começou.

Quanto à arrogância dos governantes, veja-se o exemplo do Sr. Jair Bolsonaro.

Finalmente, como os brasileiros gostam de viver às custas do Governo. A começar pelos políticos!

Pobre Cícero!

É verdade que existem milhões de brasileiros vivendo na pobreza. Mas não é dando-lhes esmola que se resolverá o problema. Há quantos anos vemos esses mesmos argumentos se repetirem, ano a ano?

Não fomos e não seremos capazes de reduzir a pobreza no Brasil com políticas assistenciais. Pois, como já cantava Luiz Gonzaga, o homem são não precisa de esmola: "... Pois doutor uma esmola para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão":

O problema no Brasil é que as verbas do Governo Federal são muito contingenciadas. Há limite para tudo.

O que chama a atenção é que os governos federais parecem querer que essa pobreza se perpetue, porque na "hora do aperto", eles diminuem as verbas para a educação, para a ciência e tecnologia, para a cultura. Não é de hoje que isto acontece. Como o País pode crescer sem investimentos nessas áreas?

Por que não há uma diminuição nos custos da manutenção do Congresso (o mais caro, proporcionalmente, dentre os países democráticos), e do Superior Tribunal Federal, por exemplo?

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 18/12/22. Opinião. p.20.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

HEITOR FÉRRER: um político que fugiu da hegemonia e rejeita a polarização

De origem na aristocracia do sertão, teve 34 anos de trajetória parlamentar como opositor aos governos. Vítima da polarização, ao não se posicionar nem a favor de Lula nem de Bolsonaro, fica sem mandato pela primeira vez a partir de fevereiro.

Heitor Férrer (União Brasil) é trineto de Fideralina Augusto Lima, matriarca de uma poderosa família, raro caso de mulher coronel na política do século XIX dos sertões cearenses. Do mesmo clã que dominou Lavras da Mangabeira e expandiu a influência por todo o Estado descendem o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) e o ex-senador e deputado federal Eunício Oliveira (MDB). Além de Joaquim Bastos Gonçalves, que foi presidente da Assembleia Legislativa, e Vicente Férrer Augusto Lima, ex-deputado federal, suplente de Wilson Gonçalves no Senado e que assumiu o mandato por alguns meses em 1965. Este último é padrinho de Heitor. Deputado que descende dessa tradição aristocrática, mas buscou fugir dela.

A porta de entrada na política foi em Fortaleza, e por meio da medicina. Fez do consultório um espaço político, onde atende de graça a pessoas que não podem pagar, escuta das carências da saúde pública, que denuncia depois na tribuna. A realidade que conheceu ali o levou a se candidatar. Foram 34 anos consecutivos de mandatos — 14 como vereador da Capital e 20 como deputado estadual. Sempre como oposição, rejeitando o DNA de uma família que era politicamente dona da cidade natal.

A partir de fevereiro, ele fica pela primeira vez sem mandato desde que se elegeu pela primeira vez, em 1988. Acredita que foi prejudicado pela polarização nacional. Não se posicionou nem a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem de Jair Bolsonaro (PL). Identifica-se como centro-esquerda e sempre se alinhou com setores progressistas no Legislativo. Mas, tem eleitorado na Aldeota, no Meireles, onde os bolsonaristas são muitos. Cobravam que tomasse um lado, o que não fez. Não se arrepende. Sabe que perdeu votos, mas acredita que o impacto seria ainda mais caso fizesse uma opção.

O que fará de agora em diante? "O político nunca deixa de ser político". O que não sabe é se terá mandato ou não. Enquanto não tem, segue fazendo política no consultório e fora dele.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/01/2023. Páginas Azuis. p.4-5.

Nota do Blog: O jornal O Povo, de ontem (16/01/2023), publicou uma longa e minudente entrevista com o médico Heitor Férrer, que após 34 anos ininterruptos de exercício parlamentar terá que, infelizmente, se afastar do parlamento cearense por não ter sido reeleito deputado estadual no último pleito.

O Dr. Heitor Férrer sempre honrou os mandatos que lhe foram confiados por seus eleitores, demonstrando atenção redobrada em prol da defesa dos valores maiores da sociedade e dos corretos princípios da cidadania.

A matéria foi conduzida e está assinada pelo experiente jornalista político Érico Firmo e está disponível aos leitores desse importante veículo de comunicação.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Editor do Blog

https://mais.opovo.com.br/jornal/politica/2023/01/14/heitor-ferrer-um-politico-que-fugiu-da-hegemonia-e-rejeita-a-polarizacao.html

HISTÓRIAS DOS MARES: o marinheiro Popeye existiu?

Sim, na vedade seu nome real era Frank "Rocky" Fiegel, nascido em 1868. Era marinheiro e depois de aposentado foi contrato pela taverna Wiebusch's na cidade de Chester, Illinois, para limpar e manter a ordem. Tinha reputação de envolver-se em brigas, por isso tinha um dos olhos deformados (Pop-eye "olho estourado" em português). Sempre estava fumando um cachimbo, por isso falava apenas com um dos lados da boca. Era amável com as crianças. Não parava de contar aventuras imaginárias, gabando-se das proezas de sua força física, garantindo que nunca tinha perdido uma briga. O autor das histórias em quadrinhos Popeye, Elzie Crisler Segar, nascido em Chester conheceu Frank quando jovem, onde ficava ouvindo suas histórias e anos depois o homenageou com o personagem Marinheiro Popeye.

Olivia Palito também existiu, era Dora Paskel, dona de um armazém geral em Chester. Ela era alta, magra e usava o cabelo bem enrolado em um "coque". Ela também é descrita a se vestir da mesma forma que Olívia, usando sapatos de botões que eram populares naquela época.

Segar manteve contato com Frank e sempre o ajudou financeiramente.

Frank e Popeye carregam algumas características inerentes a todos os Homens do Mar como bravura, coragem, cavalherismo e virilidade. Que Deus abençoe e proteja todos nós, Homens do Mar, e a todos os lugares e pessoas a quem amamos.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

COMO CHE GUEVARA MATOU UMA CRIANÇA

Relato de Pierre San Martín (ex-prisioneiro)

Aconteceu durante os últimos dias de dezembro de 1959. Na escuridão da minúscula cela, dezesseis de nós dormiam no chão, enquanto outros dezesseis ficavam de pé, para que então pudessem descansar. Mas ninguém pensava nisso. Pensávamos somente no fato de estarmos vivos e que isso era o mais importante. Vivíamos hora por hora, minuto por minuto, sabendo que qualquer segundo poderia ser o último.

Certa manhã, quando o som o horripilante daquela porta de aço enferrujada que enquanto abria nos pôs de pé, os guardas do Che empurravam um novo prisioneiro para dentro da cela. Era um menino com no máximo uns 12 ou 14 anos. Seu rosto estava manchado de sangue. 'O que você fez?', perguntamo-lhe, horrorizados. 'Tentei defender o meu pai', balbuciou o menino sujo de sangue. 'Mas eles o mandaram para o paredão!'".

Todos se entreolharam como se para encontrar as palavras certas, a fim de consolar o garoto, mas não as encontramos. Estávamos cheios dos nossos próprios problemas. Havia dois ou três dias que não executavam ninguém, e tínhamos cada vez mais esperança de que aquilo chegaria ao fim. As execuções são cruéis, tomam-lhe a vida quando você mais precisa dela para si e para outrem, sem levar em consideração seus protestos ou anseios de vida.

Nossa alegria não durou muito. Quando a porta se abriu, chamaram dez detentos para fora, entre eles o menino que acabara de entrar. Estávamos errados, pois aqueles que eram chamados nunca mais eram vistos.

Como é possível tirar a vida de uma criança dessa forma? Seria possível estarmos equivocados e fossem nos soltar? Próximo do sangrento pavilhão onde conduziam as execuções, com as mãos na cintura, um homem perambulava de um lado para o outro: o abominável Che Guevara!

O Che deu a ordem para primeiro trazer a criança e cuspiu suas ordens no menino: 'Ajoelhe!'.

Nós todos gritávamos de nossa cela para que ele não cometesse esse crime e nos oferecemos a nós mesmos em seu lugar. O garoto o desobedeceu com uma coragem inexprimível em palavras e lhe respondeu com esta infame afronta: 'Se vocês vão me matar', disse ele, 'terão de fazê-lo enquanto ainda estou de pé. Homens morrem de pé!'.

Che posicionou-se atrás do menino e sussurrou: 'Então você é um rapaz corajoso...'. Vimos Guevara sacar sua pistola. Ele encostou o cano atrás do pescoço do menino e disparou. O tiro quase arrancou sua cabeça.

Nós nos inflamos: 'Assassinos, covardes miseráveis!'. Che finalmente olhou para cima, em nossa direção, apontou-nos o revólver e esvaziou o pente. Não sei quantos de nós foram mortos ou feridos. A partir desse horrível pesadelo, do qual jamais conseguiremos despertar, embora feridos e na clínica universitária do hospital Calixto Garcia, uma coisa ficou clara: a única regra do jogo era escapar, a nossa única esperança de sobrevivência.

Notas

O artigo acima do ex-prisioneiro Pierre San Martín foi originalmente publicado em El Nuevo Herald, 28 de dezembro de 1997 e pode ser encontrado na Revista Autogestión, n° 61, 28/12/2005.

O relato aqui traduzido também pode ser encontrado no livro de Humberto Fontova, O verdadeiro Che Guevara e os idiotas úteis que o idolatram. São Paulo: Realizações Editora, 2009, páginas 125-6.

Disponível em: http://www.trenblindado.com/Sanmartin.html (Inglês)

Disponível em: http://www.cubaeuropa.com/historia/Che/Che6.htm (Espanhol)

Citações

BRAVO, Marcos. La otra cara del Che. 1. ed. Bogota: Editorial Solar, 2004.

ORTEGA, Luis. Yo soy el Che!. Mexico: Ediciones Monroy-Padilla, 1970.

 

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