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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

O papel do Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

O Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo, em Fortaleza, tem uma longa e complexa história, que se confunde com o desenvolvimento da assistência psiquiátrica no Ceará. Fundado em 1º. de março de 1886, como "Asilo dos Alienados", foi iniciativa da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza, sob a liderança do Comendador Severiano Ribeiro da Cunha e o apoio de movimentos filantrópicos e de outros grupos, que buscavam o que era considerado como a "problemática da loucura" na província.

Primeira das instituições do estado a oferecer, de forma planejada, cuidados para pessoas com transtornos mentais, em que pesem as práticas do século XIX estarem então alinhadas ao modelo de isolamento, a instituição marcou um ponto de virada ao centralizar o atendimento, antes feito em espaços sem estrutura adequada. Ainda hoje busca adaptar-se aos novos conceitos de tratamento e humanização, evoluindo sempre.

Atuando como um recurso vital para a rede de saúde mental de Fortaleza, oferece uma gama de serviços, que vão desde o internamento e os cuidados intensivos em momentos de crise, com assistência 24 horas, à manutenção de uma equipe multidisciplinar trabalhando em conjunto, em busca de um tratamento mais completo e focado na reintegração social do paciente, até tratamentos diversificados, que ajudam no desenvolvimento de habilidades e na valorização da vida.

Atendendo pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), garante o acesso a tratamentos para a população. Além disso, trabalha em conjunto com o Ministério Público do Ceará (MPCE) para garantir a correta comunicação sobre internações, especialmente as involuntárias e compulsórias, assegurando a proteção dos direitos dos pacientes.

Erguida no bairro Parangaba, carece ainda hoje do apoio da sociedade, tendo em vista que os recursos públicos destinados pelo SUS não são suficientes para cobrir os custos cada vez maiores desses tratamentos, o que vem dificultando a sobrevivência das instituições, nesse campo.

139 anos depois, o São Vicente de Paulo continua oferecendo guarida e tratamento humanizado aos seus pacientes.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/08/25. Opinião. p.16.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

O que aprendemos com David Capistrano Filho

Por Doutor Vicente (*)

Em 2003 aprovamos, depois de muita luta, a lei que estabelece os direitos fundamentais das pessoas com transtornos mentais. A Reforma Psiquiátrica, como ficou conhecida a Lei n.º 10.216 de 2001, demarca a garantia dos direitos básicos da pessoa que possui transtornos mentais.

David Capistrano Filho foi um político responsável por uma intensa e importante luta pelos direitos das pessoas com transtornos mentais. O jornalista e médico sanitarista realizou a intervenção da Casa de Saúde Anchieta no ano de 1989, após denúncias de maus tratos e abusos.

A intervenção resultou na criação do NAPS, ou Núcleo de Acompanhamento Psicossocial, evoluindo para CAPS, os Centros de Atenção Psicossocial. A luta do Dr. David serviu de exemplo para o resto do Brasil.

Entretanto, o CAPS vem se perdendo ao longo dos anos. O sistema encontra-se em visível declínio. Faltam profissionais, principalmente médicos psiquiatras. A periculosidade de Fortaleza também interfere no bom funcionamento do sistema, alguns pacientes não podem se ser atendidos em determinados endereços e precisam procurar o de outros bairros. A prefeitura realiza concursos, mas o salário desvalorizado impede a permanência dos médicos e de demais profissionais para compor os quadros de funcionários. Somado a esses problemas, vem o resultado inevitável: a indiferença!

Sou médico psiquiatra há mais de 30 anos e compus o quadro de psiquiatria do Hospital Mental de Messejana e do CAPS de Messejana, acompanho a cada dia os problemas que essa indiferença causa. Não podemos destratar o paciente que procura o serviço em sofrimento.

Pessoas que se deslocam pegando dois ou mais transportes públicos para conseguir seu atendimento, e por vezes voltam sem sequer terem marcado consulta. Todas as pessoas devem ser bem recebidas no CAPS. Ninguém deve sair de lá sem ter sido atendido. O acolhimento é parte essencial de qualquer tratamento!

É necessário fortalecer o atendimento básico à saúde mental e políticas efetivas através dos CAPS, mas primeiro precisamos melhorar o atendimento.

A luta de Capistrano Filho pela melhoria da saúde mental e humanização do SUS é um exemplo a ser seguido. Quem tem transtorno mental precisa ser tratado com humanidade. É necessário repensar as políticas públicas voltadas para a saúde mental. Sempre juntos.

(*) Médico psiquiatra. Vereador de Fortaleza (PT).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/06/2024. Opinião. p.19.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

O CEARÁ CONTRA O ESTIGMA DA ESQUIZOFRENIA

Por Gabriella Aguiar (*)

A esquizofrenia é um transtorno mental que altera a percepção da realidade, causando alucinações, delírios, alterações comportamentais e prejuízos cognitivos. A trajetória de quem vive com essa condição é desafiadora, por isso destacamos a necessidade de combater o estigma associado, além de promover respeito e apoio aos pacientes e a seus cuidadores.

No Ceará, temos feito progressos. Aprovamos recentemente a lei que institui a Semana Estadual de Conscientização e Apoio às Pessoas com Esquizofrenia, de minha autoria, sancionada pelo governador Elmano de Freitas.

Nesse cenário, é fundamental reforçar os Centros de Atenção Psicossocial nos municípios e expandir os serviços ambulatoriais da Secretaria de Saúde do Estado. Exemplos notáveis são o Núcleo de Estudos em Esquizofrenia (Nuesq), o Ambulatório de Primeiro Episódio Psicótico (PEP) e o Psicose de Difícil Controle (PDC).

A interiorização do cuidado em saúde mental é essencial para levar tratamento de qualidade a regiões menos atendidas. O Ceará avança com a recente criação de uma residência médica em Psiquiatria pela Escola de Saúde Pública, no município de Tauá. Essa iniciativa capacitará profissionais e fortalecerá o suporte a quem enfrenta a esquizofrenia e outros transtornos mentais.

Em crises agudas, a internação hospitalar pode ser necessária. Devemos lidar com essas situações com responsabilidade e respeito aos direitos humanos. Por isso, precisamos incluir unidades psiquiátricas nos hospitais gerais, além de reestruturar e humanizar o Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto.

A interrupção do tratamento farmacológico por efeitos colaterais é uma causa comum de internação, evidenciando a importância de incluir antipsicóticos modernos na lista do SUS.

A situação de pacientes abandonados nos hospitais mentais precisa ser enfrentada. Restabelecer laços familiares e construir residências terapêuticas para acolher essas pessoas com dignidade é essencial.

Por fim, convido todos para os eventos da Semana Estadual de Conscientização e Apoio às Pessoas com Esquizofrenia, em 24 de maio. Juntos, vamos construir uma sociedade mais inclusiva e solidária.

(*) Médico geriatra. Deputado estadual.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/05/2024. Opinião. p.26.

sábado, 4 de maio de 2024

A SOLUÇÃO MAIS BARATA

Perturbada por uma terrível fobia, uma senhora foi ao psicólogo em busca de ajuda. Chegando lá, ela conta o que está acontecendo:

— Doutor, toda noite, quando vou deitar na cama para dormir, eu tenho uma terrível sensação de que tem algo embaixo da cama! E não consigo identificar o que é! Eu tento, mas não consigo dormir e tenho medo de olhar!

— Estranho.... — disse o psicólogo — em todos os meus anos de trabalho, nunca ouvi algo semelhante. Assim como as outras, essa fobia pode ser tratada, mas a senhora vai precisar fazer muitas sessões de psicoterapia, no mínimo 20 delas.

— Tudo bem, eu aceito. Mas quanto vai custar?

— Ah, 100 reais cada sessão, mas acredite, depois disso a senhora estará curada!

Ela então agendou a primeira sessão para o dia seguinte. O psiquiatra esperou, esperou e ela não apareceu. Preocupado, ligou para a paciente.

— Veja, eu a esperei por horas mas a senhora não apareceu. Aconteceu alguma coisa?

Ela então responde:

— Bem... Quando eu voltei para casa e falei para o meu marido sobre o tratamento e quanto iria custar, ele simplesmente cortou os pés da cama!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

domingo, 17 de setembro de 2023

UM PROBLEMA VERGONHOSO

Um homem entra num bar e pede uma taça de vinho branco. Ele toma um gole e, logo em seguida, joga o restante no rosto do garçom. Antes que o garçom pudesse sequer se recuperar da surpresa, o homem começou a chorar. "Eu realmente sinto muito. Eu faço isso o tempo todo com garçons e não sei por quê. Eu não tenho nem como explicar quanta vergonha eu sinto por ter uma compulsão como esta!"

Ao contrário de ficar irritado, o garçom ficou com pena do homem. Eles conversaram um pouco sobre isso e o garçom então sugeriu que o cliente consultasse um psicanalista a respeito do seu problema. "Veja, eu tenho aqui o número de um psicanalista excelente", disse o garçom. "Meu irmão e sua esposa tratam-se com ele e dizem que nunca estiveram tão bem!" O homem anota o nome do médico, agradece ao garçom e vai embora. O garçom sorri, sabendo que tinha feito uma boa ação por outro ser humano. Seis meses depois, o homem estava de volta:

"E então? Você fez o que eu sugeri?", pergunta o garçom, já servindo uma taça de vinho branco. "Claro que sim!", disse o homem. "Estou indo no psicanalista duas vezes por semana".

Ele pega a taça de vinho, toma um gole e, mais uma vez, joga o restante na cara do garçom. O garçom, perturbado, enxugou o rosto com uma toalha e falou: "Não parece que está funcionando muito, não é mesmo?" "Pelo contrário", disse o homem, "ele está me fazendo muitíssimo bem!" "Mas você acabou de jogar o vinho na minha cara de novo!", exclama o garçom. "Sim", disse o homem. "Mas agora eu não sinto nem um pouco de vergonha!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


quarta-feira, 5 de julho de 2023

MORRE PSIQUIATRA CLETO PONTES AOS 70 ANOS

Psiquiatra tinha 70 anos. Ele era professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, onde foi docente por 28 anos, e era articulista do jornal O POVO há 30 anos.

Morreu nesta terça-feira, 4/6/23, o psiquiatra cearense Cleto Brasileiro Pontes, aos 70 anos, vítima de complicações de uma pneumonia. O médico era professor aposentado do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), membro fundador da Associação de Psiquiatria do Estado do Ceará (Apec) e articulista do O POVO há 30 anos. Ele deixa a esposa, Albanisa Lucia, três filhas e três netos.

Cleto também era diretor da Clínica Psiquiátrica da Aldeota, coordenador do Centro de Estudos Vandick Ponte e membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

Trajetória acadêmica do psiquiatra Cleto Pontes

Professor Cleto graduou-se em Medicina pela UFC em 1976. Ele continuou seus estudos de pós-graduação na França: é mestre em Medicina pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (1980) e doutor em Medicina pela Université Lumière Lyon 2 (1987). Sua admissão como professor do magistério superior na UFC ocorreu em 1º de março de 1985, aposentando-se em 18 de janeiro de 2013.

SERVIÇO: Velório Cleto Pontes

Local: Funerária Ternura. Endereço: Rua Padre Valdevino, 2255 – Aldeota

Quando: 5/7/23 (quarta-feira) Horários: Início do Velório às 8h; 1ª missa - 10h e 2ª missa - 18h.

Encerramento: 19h30min no Crematório Parque Anjo da Guarda (avenida Dionísio Leonel Alencar, 1652, Ancuri)

Fonte: Extraído de O Povo, de 5/07/2023. Cidades. p.15.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

JANEIRO BRANCO E O AUTOCUIDADO

Por Daphinis Brito (*)

Como uma folha em branco, janeiro chega com um sentimento comum a todos, ou pelo menos à grande maioria das pessoas, o da renovação. É o período em que estamos mais propensos à reflexões acerca de nossas vidas e também mais abertos a fazermos as mudanças que planejamos ainda no ano anterior. Um tempo para olhar pra si diante de um novo ciclo que se inicia. Dentro dessa perspectiva, foi criado o movimento do Janeiro Branco, campanha que tem como proposta chamar a atenção para questões relacionadas à Saúde Mental e Emocional a partir da conscientização sobre a importância do autocuidado e do reconhecimento das próprias necessidades físicas, mentais, sociais e emocionais.

Cercado de muitos estigmas e tabus, o tema da saúde mental vem ganhando cada vez mais atenção nos últimos anos, principalmente em decorrência da pandemia. Essa tendência tem sido notória a partir do crescimento do número de casos e atendimentos. O Brasil hoje perde apenas para os Estados Unidos em número de casos de depressão nas Américas, por exemplo, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde. Já quando falamos em ansiedade, temos a maior prevalência de ansiedade no mundo, 9,3%. Por isso, falar sobre o assunto é ainda mais importante.

A saúde mental é um aspecto fundamental da saúde geral e pode afetar todos os âmbitos da vida de uma pessoa. Por isso, é importante lembrar que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física. Algumas dicas para cuidar da saúde mental incluem praticar exercícios físicos regularmente, manter uma dieta saudável, dormir o suficiente, manter relações sociais saudáveis, aprender a gerenciar o estresse e buscar ajuda profissional, se necessário.

O Janeiro Branco é uma ótima oportunidade para refletir sobre a própria saúde mental e tomar medidas para cuidar dela. Se você ou alguém que conhece estiver passando por dificuldades emocionais ou de saúde mental, não hesite em procurar ajuda profissional. Existem muitos recursos disponíveis, incluindo terapia e grupos de apoio, que podem ajudar a lidar com esses problemas de forma saudável. Cuide-se. 

(*) Médica psiquiatra e diretora clínica do Grupo Nosso Lar.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/01/2023. Opinião. p.20.

domingo, 16 de junho de 2019

UM DIA NORMAL NA ALA DE PSIQUIATRIA


Um médico psiquiatra estava fazendo suas rondas matinais, quando entra no quarto de um paciente e o encontra sentado no chão, serrando um pedaço de madeira com a mão.
Enquanto isso, outro paciente na mesma sala, estava pendurado no teto pelo pé. O médico perguntou ao paciente o que ele estava fazendo sentado no chão.
O paciente respondeu bem irritado: "Você não vê que eu estou trabalhando? Estou serrando essa madeira ao meio!"
O médico perguntou: "E por que aquele sujeito está pendurado no teto?"
"Ah, ele é meu amigo, mas acho que ele não tá batendo muito bem da cabeça. Ele acha que ele é uma lâmpada!"
O médico pergunta: "Se ele é mesmo seu amigo, você não acha que deveria ajudá-lo a descer dali antes que ele se machuque?"
"O quê? E trabalhar no escuro?"
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

ANSIEDADE


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Perguntas que Não Devem/Podem Ser Feitas
Eficácia e Segurança dos Antidepressivos e Psicoterapia para Crianças e Adolescentes
O transtorno de ansiedade infantil é um dos diagnósticos de desordem mental mais frequentes, com uma taxa de prevalência de 15% a 20% e está associado a comprometimento significativo na criança e no adolescente.
Existem várias opções de tratamento para transtornos de ansiedade infantil, incluindo psicoterapia, farmacoterapia e abordagens de tratamento combinado, porém nenhum deles tem se mostrado de eficácia, comprovada.
Diante desse quadro onde as estatísticas apontam que cerca de um em cada quatro americanos terá um transtorno de ansiedade em algum momento de sua vida, seria bom começarmos a pensar na frequência de tal nosologia.
Esses presságios são tão graves quanto as demais inseguranças aportadas com o progresso científico e tecnológico desta contemporaneidade.
Sublinho. Os transtornos de ansiedade são problemas de saúde mental frequentemente vistos em crianças e adolescentes, e não sabemos o que dizer de sua importância/repercussão na vida adulta. A idade média em que os sintomas de ansiedade começam é a de 11 anos. Aproximadamente 5% a 13% das crianças menores de 18 anos apresentam transtorno de ansiedade.
Conferir em: (Arch Pediatr. Adolesc. Med. 2010; 164 (10): 984. doi: 10.1001 / archpediatrics.2010.179). (JAMA Pediatr. Published online August 31, 2017 doi:10.1001/jamapediatrics.2017.3036).
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Existem vários tipos de transtornos de ansiedade. Os sintomas nas crianças incluem preocupação grave e incontrolável com vários aspectos de sua vida. Essas manifestações podem incluir timidez; não desejar conversar com pessoas adultas; falta à escola; medo; pânico; sudorese; tremores; dificuldade em respirar, e sentir que algo terrível vai acontecer; dor torácica; coração acelerado; tonturas; náuseas; dor abdominal e dores de cabeça; além de outros que, quando não bem equacionados, podem levar a distúrbios de saúde mental em adultos, como depressão e uso de drogas, além de aumento das taxas de suicídios consumados ou tentados.
Muitas crianças têm preocupações e medos que podem ocorrer em determinadas idades ou estágios de desenvolvimento. Isso é normal. Mas, os transtornos de ansiedade são mais graves e persistentes...
Diante desse quadro, principalmente nas crianças e jovens das camadas populacionais mais afluentes, onde a competição é cada vez mais acirrada, acredito que a medicalização desse desconforto existencial não poderá ser aquilatada jamais por condutas psicoterápicas associadas ou não à epidemia de emprego dos antidepressivos, de resultados incertos e inócuos, e sim nosso foco de atenção deveria ser deslocado para os aspectos preventivos psicossociais.
Não sei como as Instituições e a Literatura Médica Oficial não patrocinam melhores estudos para a profilaxia desse considerado mal do século atual. Ou há perguntas que não devem ser feitas? Valho-me do habeas corpus da idade, após mais de cinquenta anos de prática pediátrica. Será que a ditadura do Mercado serviria para controlar essa ansiedade globalizada? Fica o aviso.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

NO TEATRO, O TE ATO E O TRANSE


Por José Jackson Coelho Sampaio (*)
A experiência teatral tornou-se quadrado esquema de galãs de novela e rala densidade crítica, assim perdi paixão. Mas, neste mês fui ao teatro, provocado pelo nome, "Para frente, o pior", e o registro de teatro laboratório do Porto Iracema das Artes, pela Companhia Inquieta. Foi insólito o vivido.
Agrupamo-nos por trás do prédio, para entrada pelo palco, com a plateia vazia. Teatro do Absurdo, Living Theater e oficina propunham estas fusões palco/plateia, porém, trilhei mais os Teatros de Protesto, do oprimido e marginal, pois a ideia de arte engajada em transformar a realidade me seduzia. Entretanto, não esqueci a arte-prazer, denúncia e convocação, sem bula.
No tempo da cena, a percepção inicial foi de que, embora a pesquisa original fosse "um corpo em final de festa", não havia festa, só repetição, ida-vinda, recusa ao significado, expressão caricata da "vida como ela é" e do processo de alienação, articulando leituras da antipsiquiatria e do marxismo.
Pela lateral da plateia os atores sobem ao palco e o jogral indica a busca da vida sem certo/errado, metáfora, ideologia, só fluxo de coisas entre coisas. Pela lateral da plateia os atores somem do palco, deixando órfãos os assistentes. No ínterim, seis personas, ligadas por braços e mãos, contorcem-se para fugir da liga, arfantes. Uma assume a liderança, para logo ser arrastada, exausta.
Os jovens atores se entregam plenamente, com disciplina e paixão, para explicitar o vazio e a impotência, mas demonstram as impossibilidades disso. Militância, talvez cega, e força, talvez bruta, transformam-se em massa de drama, e se há drama, há sentimento. No fundo da alienação emerge o espasmo de um sentido. O abandono dos assistentes no palco vazio induz reflexão sobre aparências e ritos. A liga do grupo impede que cada indivíduo desabe. Mas, grupo fetichizado, sem gestão democrática das perdas, parece produzir apenas o fascismo da sobrevivência.
Numa terça-feira de julho, no Brasil da corrupção por si mesma e dela usada para justificar golpes, violenta perda de direitos após breve primavera e ódios ideológico-culturais por sobre exploração econômica e luta de classes, aconteceu esta excruciante vivência da dor mais profunda.
(*) Professor titular de Saúde Coletiva e Reitor da Uece.
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 28/07/18. p.17.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

UM ALERTA (Depressão e Suicídio entre Médicos Estagiários e Residentes)


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
As organizações nacionais (dos Estados Unidos) deverão abordar a saúde mental dos residentes e bolsistas, propondo estratégias para a educação integral, rastreio e tratamento destas nosologias psíquicas.
Nos primeiros dois meses do ano letivo 2014-2015, ocorreram dois suicídios de jovens médicos residentes, na cidade de Nova York.
Em resposta a essa ocorrência, um estagiário da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale escreveu um artigo de opinião no New York Times, destacando a ligação entre a formação médica e o isolamento, depressão e suicídio, principalmente entre os recém-formados.
Para aqueles que não sabem: suicídio entre os médicos é uma ocorrência comum. Segundo a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio, 300 a 400 médicos cometem suicídio a cada ano, cerca de 1 médico por dia. A formação médica envolve inúmeros fatores de risco para a doença/distúrbios mentais, tais como transição de papéis, diminuição do sono, traumas, mortes, doenças, tragédias e muitos outros acontecimentos inerentes à sua vida profissional.
A “deslocalização” aumenta a sensação de isolamento e falta de apoio, e é fato berrante para esses jovens doutores e doutoras jogadas em ambulatórios onde o diabo perdeu as botas. Um conjunto de testes demonstrou que a residência médica, os estágios, e outras formas de treinamento médico, são de alto risco no que concerne a depressão e pensamentos suicidas.
Muitos programas de treinamento não têm sido capazes de identificar e fornecer tratamento, de forma sistemática, para estes residentes, bolsistas, estagiários.
As organizações nacionais americanas, como o Conselho de Avaliação da Educação Médica Superior (ACGME), tentam, sem muito sucesso, abordar a saúde mental dos residentes e bolsistas, propondo estratégias de educação integral, rastreio e tratamento.
Conferir: Matthew L. Goldman, MD, MS 1; Ravi N. Shah, MD 2; Carol A. Bernstein, MD 3 1 Departamento de Psiquiatria da Columbia University Medical Center, New York, New York 2 Instituto New York State Psychiatric, New York 3 Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York.
O que dizer dos nossos recém-formados desassistidos, jogados em locais isolados, sem orientação, sem apoio, que atendem ao programa Mais Médico para se credenciarem, no ano seguinte ao de sua formatura, a um Novo e Mais Difícil Vestibular, apenas para conseguir talvez (?), maior chance de cursar uma residência médica credenciada, obrigação imposta a eles por quem se arvorou em abrir um novo “enxame” de Escolas Médicas?
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

sexta-feira, 16 de junho de 2017

BULLYNG - Violência Escolar

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Bullying é um termo inglês empregado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, que são praticados seja por uma pessoa, ou seja por um grupo de "valentões", com o objetivo de intimidar e/ou agredir uma ou várias pessoas incapaz (es) de se defender.
Por não existir uma palavra equivalente na língua portuguesa, capaz de expressar todas as situações possíveis de bullying, registro, a seguir, algumas ações que estão relacionadas a esse tipo de violência: colocação de apelidos, humilhações, ofensas, discriminações, assédios, gestos violentos, agressões, empurrões, chutes, tapas, ferimentos, destruição de pertences, intimidações, entre outros.
Uma pesquisa realizada pelo Institute Warwick Medical School, da University of Warwick, Coventry, na Inglaterra, e que foi publicada no Arch. Gen. Psychiatry, em 2009, concluiu que as vítimas das agressões acima citadas se tornavam mais susceptíveis de apresentar sintomas psicóticos, no início da adolescência. Neste sentido, das 6.437 crianças estudadas desde o nascimento, e submetidas anualmente a avaliações física e psicológica, aquelas que haviam sofrido agressões, por parte dos colegas, apresentaram uma propensão, quatro vezes maior, de desenvolver sintomas psicóticos - alucinações, delírios e distúrbios de pensamentos - na pré-adolescência, quando comparadas com as crianças que não sofreram violências (o grupo de controle).
Mesmo aquelas que não foram vitimizadas, e, apenas, presenciaram as cenas de vandalismo em relação aos colega(s), temendo vir a se tornar a próxima vítima, estavam mais propensas a ser pessoas desajeitadas, do ponto de vista social, e mais susceptíveis de ser alvo de chacotas, quando adultos, principalmente em âmbito profissional. O mesmo resultado foi encontrado em uma pesquisa realizada com gêmeos monozigóticos, que frequentaram educandários distintos: aquele que sofreu agressões de seus pares apresentou dificuldades sociais, ao passo que seu irmão (ou irmã), que não vivenciou tal situação, não apresentou qualquer dificuldade social.
De forma geral, então, a violência escolar deveria ser um alvo de maior interesse, em se tratando da prevenção e intervenção precoce à saúde mental e à profilaxia das psicoses. E, se 10% das crianças inglesas sofreram ou virão a sofrer algum tipo de agressão, por parte dos seus colegas, imaginem os(as) leitores(as), em nosso país, o percentual de casos que existe entre as crianças das populações marginalizadas.
Arrematando: o bullying aumenta, sobremaneira, a probabilidade de as crianças desenvolverem transtornos psiquiátricos, a exemplo da esquizofrenia e da depressão na adolescência, estendendo-se isso à vida adulta. Por sua vez, as crianças e adolescentes que são abusadoras(es), no presente, também estão propensos a desenvolver comportamentos antissociais no futuro. Portanto, qualquer tipo de violência na idade escolar, deve ser encarado como um sério problema, agora e sempre.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

sexta-feira, 9 de junho de 2017

EM DEFESA DE UMA CERTA ANSIEDADE

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
A ansiedade pode ser sinal de coisa boa?
Desde que o mestre Sigmund Freud afirmou ser a causa das neuroses, ela passou a ser vista como maligna, quando deveria ser considerada como uma das defesas para a perpetuação da espécie.
Os dicionários definem ansiedade como uma sensação de aflição, receio ou agonia, sem causa aparente; inquietação ou impaciência acarretada por desejo ou vontade, traduzido por um estado afetivo penoso, pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso. A maioria dos psicólogos considera a ansiedade como uma atitude emotiva concernente ao futuro, marcada por vaivém entre o medo e a esperança.
Acredito que qualquer que seja o conceito atribuído, ele deveria ser encarado de outra maneira, antes de ser tido como patologia. A ansiedade muda com o “espírito da época”, ou seja, com o conjunto da atmosfera intelectual e cultural vigente, em determinada fase da História. Os exemplos são numerosos. No século passado, por exemplo, a ansiedade estava associada ao problema do holocausto atômico - o Day After, tema que atemorizava a todos.
Passada a Guerra Fria, a ansiedade ficou associada à questão do desemprego, das crises econômicas, dos terremotos, do aquecimento global, da poluição, do terrorismo, da violência, das migrações, das guerras localizadas, entre outros problemas que sensibilizam ou venham a sensibilizar. E os meios de comunicação, em particular, sabem como ninguém comandar as ansiedades da ocasião.
Considerando-se a ansiedade, por si só, creio que, para o homem das cavernas, o medo do aparecimento do tigre de dentes de sabre deve ter sido bem mais estressante, do que hoje, o medo dos assaltantes e bandidos. O mecanismo referente ao estresse permanece o mesmo. Em outras palavras, diante do perigo, todos nós somos iguais. O grau de resposta é que varia de uma pessoa para outra.
No século XVI, o maior medo era o de ser queimado vivo, por problemas de crenças religiosas (como a Inquisição), dívidas, ou doenças como a peste negra. Quanto aos açoites e torturas, estes permanecem no tempo. O medo de errar, de se sentir culpado, frustrado ou envergonhado, fazem parte da condição humana. Desconheço civilização onde alguém sobreviva sem sentir algum grau de ansiedade. Contudo, ela passa a ser um problema quando atinge um estado psíquico de intranquilidade permanente, de agitação, de temor diante de uma ameaça real ou imaginária. Ainda assim, só será problema para quem acha que ela é um problema. E esses não estão adaptados para viver a vida de uma maneira menos ansiosa (devido a causas psíquicas ou fisiológicas). Será que os evolucionistas não percebem que, na luta vital contra os predadores, a presença de indivíduos, apontados como ansiosos, foi decisiva? A ansiedade foi e continua sendo uma necessidade adaptativa à sobrevivência da espécie. O problema é saber delimitar seu diagnóstico. Faz-se necessário cuidado com as rotulações do poder médico. Quantos gênios não estariam confinados em manicômios, se a ansiedade fosse considerada uma patologia?
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

terça-feira, 11 de abril de 2017

PEDOFILIA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
A sociedade, como tudo que a envolve - crianças, adolescentes, cultura, sexo e religião - faz do assunto pedofilia uma matéria sensacionalista. Por sua vez, a mídia reflete o que o público deseja assistir. Este é seu papel e dever: vigiar, informar, denunciar. Como todos os atos e engenhos humanos, ela possui falhas e virtudes. No meu entender, porém, sem liberdade de imprensa morreremos todos por asfixia.
Quando o caso é o celibato da Igreja Católica Romana (do qual não sou defensor por razões, até, fisiológicas) e a pedofilia, nada me impede, como um psicoterapeuta de origem judaica, de não enxergar alguma relação entre padres portadores deste distúrbio e, muito menos, de entender a comparação desastrada desta patologia com o preconceito anti-judaico.
Preconceito este que levou à Inquisição, aos pogroms (palavra russa que significa "causar estragos, destruir violentamente”. Historicamente, o termo se refere aos violentos ataques físicos das populações europeias contra os judeus, tanto no império russo quanto em outros países), e que culminou com o Holocausto.
Dado às minhas raízes judaicas, eu considero um absurdo a comparação que se faz, atualmente, à Igreja Católica, associando as críticas aos padres pedófilos com as ações dos antissemitas contra o povo hebreu. Quem assim pensa desrespeita tanto as crianças abusadas sexualmente, quanto os seis milhões de judeus que foram mortos e queimados nos fornos crematórios nazistas.
Dito isto, aviso a quem me lê, agora, e não me conhece. Exerço a Pediatria e a Psicoterapia, há mais de 50 anos e lembro ser ela um transtorno de personalidade e de preferência sexual que se caracteriza pela escolha sexual por crianças, quer se trate de meninos ou meninas, geralmente pré-púberes ou no início da puberdade. Conferir: CID-10 - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde -, Organização Mundial de Saúde (OMS).
O DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder) utiliza a classificação dos transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria, que condiciona o diagnóstico deste transtorno mental às pessoas com idades de 16 anos ou 17 anos que são, pelo menos, 5 anos mais novas do que as crianças abusadas.
O portador de tal perturbação tem pensamentos e fantasias eróticas repetitivas, ou atividade sexual com crianças menores de 12 ou 13 anos de idade. A pedofilia está comumente associada a casos de incesto: a maioria dos casos envolve pacientes da mesma família (pais/padrastos com filhos e filhas). Via de regra, o ato pedófilo consiste em toques, carícias genitais e sexo oral, sendo a penetração menos comum.
Com a expansão da internet, tem sido mais frequente a presença de pedófilos que apreciam fotos de crianças, com a finalidade de se excitar e/ou se masturbar. No meu entender, a história da pedofilia não deve incluir, apenas, o escândalo dos padres católicos (0,6% dos clérigos). Tampouco na falsa associação com o Holocausto, ou no esquecimento deste. Solicito uma trégua. Não escrevo esta crônica para me indignar. Tento contribuir para o debate do momento, com observações sugeridas pela Psicopatologia e pela clínica de Pediatria. Voltarei ao assunto... Se me permitirem.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A SÍNDROME DE ESTOCOLMO E O HOMEM CORDIAL

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
(Quando é que Vamos Deixar de ter Peninhas¹?)
A Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet, em sueco) é um distúrbio mental apresentado por pessoas que foram vítimas de sequestro ou de torturas. A expressão foi cunhada pelo psiquiatra e criminologista Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto ao Banco Kreditbanken, ocorrido em 1973, em Estocolmo, na Suécia.
Neste sentido, pela primeira vez, conseguiu-se registrar como o “Eu” de uma vítima buscava se moldar a algumas características do sequestrador/torturador, como um mecanismo de defesa, ou talvez, segundo explica a Psicologia, como uma expiação de culpas inconscientes.
A mídia destacava o fato de que as vítimas, em seus depoimentos realizados após o resgate, pareciam simpatizar com os criminosos, destacando certas gentilezas recebidas deles, que as haviam mantido em cárcere privado no interior de uma agência bancária cercada pela polícia por mais de seis dias. Isso permaneceu como um fator inexplicável. Soube-se que uma das vítimas se casou com um dos assaltantes e que outro integrante do bando, durante sua permanência no cárcere, recebia cartas apaixonadas de uma refém.
Trabalhos posteriores sobre a relação de parceria/afinidade entre vítimas e agressores, ou seja, torturados e torturadores, passaram a ser pesquisados em outras condições, a exemplo de cenários de guerras, com sobreviventes de campos de concentração, indivíduos que foram submetidos à prisão domiciliar por parte de familiares, vítimas de abusos de diversas ordens, e mulheres e crianças submetidas à violência doméstica.
Como pediatra, muitas vezes pude observar, por ocasião dos depoimentos, crianças e adolescentes que foram barbaramente agredidas pela mãe, pelo pai ou por outro adulto responsável por sua guarda, defenderem o agressor ou agressora.
Com o tempo, os torturadores começam a parecer menos ameaçadores e passam a ser compreendidos menos como agressores e mais como instrumentos de sobrevivência e de proteção. A vítima passa a sofrer, então, uma ilusão autoimposta em uma tentativa de sobrevivência psicológica, além de física. E, no intuito de reduzir o inimaginável estresse de sua situação, começa a acreditar que os torturadores, agressores ou carcereiros sejam seus amigos, que não a matarão, e que as duas partes podem mutuamente ajudar-se.
Desse modo, as pessoas do lado de fora, que se esforçam para lhes resgatar dos seus captores, parecem-lhes mais ameaçadoras que os próprios criminosos.
Esta síndrome, também conhecida como Vinculação Afetiva de Terror ou Traumática, não é reconhecida por dois importantes manuais de psiquiatria: o "Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders" (DSM, ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o "International Classification of Diseases" (ICD, ou Classificação Internacional de Doenças).
Quanto a muito discutida cordialidade do brasileiro, vale conferir: HOLANDA, Sérgio Buarque de. O homem cordial. In: Raízes do Brasil: 26 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995; receio que venhamos a fatiar/abrandar as sentenças dos verdadeiros culpados de corrupção muito embora não sendo ingênuo de acreditar que a situação nacional no presente tem muitas outras causas que estão fora do Petrolão, sinônimo atualmente de corrupção.
Há! Se fosse apenas isso. Pobre nação.
Quando é que vamos deixar de ter peninhas?
***
¹Peninha - Termo diminutivo de pena, geralmente usado no sentido de lástima, de tristeza.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

sexta-feira, 30 de abril de 2010

FOBIAS E SUAS DEFINIÇÕES III

O que é fobia?
Fobia é o medo irracional ou incontrolável de situações, objetos e tipos de objetos. É caracterizada por um estado de angústia e ansiedade impossível de ser dominado.
Só porque você não consegue pronunciar ou não sabe o que significa, não quer dizer que você não esteja sofrendo de uma dessas condições.
Aqui vai uma lista de 10 fobias e suas definições:
21. Ofidiofobia: Medo de cobras
22. Ornitofobia: Medo de pássaros
23. Fasmofobia/Espectrofobia: Medo de fantasmas, monstros e demônios
24. Filofobia: Medo do amor
25. Fotofobia: Medo da luz
26. Parakavedekatriafobia: Medo da sexta-feira 13
27. Pupafobia: Medo descontrolado de marionetes e outros bonecos desengoçados
28. Pirofobia: Medo de fogo
29. Pluviofobia: Medo da chuva
30. Tanatofobia ou Tantofobia: Medo da morte ou de morrer
Por Editores da Publications International Ltd. - traduzido por HowStuffWorks Brasil

sábado, 27 de março de 2010

FOBIAS E SUAS DEFINIÇÕES II

O que é fobia?
Fobia é o medo irracional ou incontrolável de situações, objetos e tipos de objetos. É caracterizada por um estado de angústia e ansiedade impossível de ser dominado.
Só porque você não consegue pronunciar ou não sabe o que significa, não quer dizer que você não esteja sofrendo de uma dessas condições.
Aqui vai uma lista de 10 fobias e suas definições:
11. Aviofobia: Medo de voar
12. Caliginefobia: Medo de mulheres bonitas
13. Coulrofobia: Medo de palhaços
14. Cinofobia: Medo de cachorros
15. Gamofobia: Medo do casamento
16. Ictiofobia: Medo irracional de peixes
17. Herpetofobia: Medo de répteis e anfíbios
18. Melanofobia: Medo da cor preta
19. Misofobia: Medo de germes ou sujeira
20. Nictofobia: Medo do escuro ou da noite
Por Editores da Publications International Ltd. - traduzido por HowStuffWorks Brasil

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

FOBIAS E SUAS DEFINIÇÕES I

O que é fobia?
Fobia é o medo irracional ou incontrolável de situações, objetos e tipos de objetos. É caracterizada por um estado de angústia e ansiedade impossível de ser dominado.
Só porque você não consegue pronunciar ou não sabe o que significa, não quer dizer que você não esteja sofrendo de uma dessas condições.
Aqui vai uma lista de 10 fobias e suas definições:
1. Ablutofobia: Medo irracional de lavar roupa ou tomar banho
2. Acrofobia: Medo irracional de altura
3. Agorafobia: Medo de se achar sozinho em espaços abertos, de multidões, de atravessar locais públicos ou de sair de um lugar seguro
4. Ailurofobia (Elurofobia): Medo de gatos
5. Alectorofobia: Medo de frangos
6. Antropofobia: Medo de pessoas
7. Anuptafobia: Medo de ficar solteiro
8. Aracnofobia: Medo de aranhas
9. Atiquifobia: Medo do fracasso
10. Autofobia: Medo de si mesmo ou de ficar sozinho

Por Editores da Publications International Ltd. - traduzido por HowStuffWorks Brasil
 

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