sábado, 21 de julho de 2018

EXISTEM DUAS JUSTIÇAS NO BRASIL


Por juíza Ludmila Lins Graça
Juíza diz em artigo que existem duas justiças no Brasil: A dos juízes indicados por políticos e a dos juízes concursados
"Sempre que o STF profere alguma decisão bizarra, o povo logo se apressa para sentenciar: “a Justiça no Brasil é uma piada”. Nem se passa pela cabeça da galera que os outros juízes – sim, os OUTROS – se contorcem de vergonha com certas decisões da Suprema Corte, e não se sentem nem um pouco representados por ela.
O que muitos juízes sentem é que existem duas Justiças no Brasil. E essas Justiças não se misturam uma com a outra. Uma é a dos juízes por indicação política. A outra é a dos juízes concursados. A Justiça do STF e a Justiça de primeiro grau revelam a existência de duas categorias de juízes que não se misturam. São como água e azeite. São dois mundos completamente isolados um do outro. Um não tem contato nenhum com o outro e um não se assemelha em nada com o outro. Um, muitas vezes, parece atuar contra o outro. Faz declarações contra o outro. E o outro, por muitas vezes, morre de vergonha do um.
Geralmente, o outro prefere que os “juízes” do STF sejam mesmo chamados de Ministros – para não confundir com os demais, os verdadeiros juízes. A atual composição do STF revela que, dentre os 11 Ministros (sim, M-I-N-I-S-T-R-O-S!), apenas dois são magistrados de carreira: Rosa Weber e Luiz Fux. Ou seja: nove deles não têm a mais vaga ideia do que é gerir uma unidade judiciária a quilômetros de distância de sua família, em cidades pequenas de interior, com falta de mão-de-obra e de infra-estrutura, com uma demanda acachapante e praticamente inadministrável.
Julgam grandes causas – as mais importantes do Brasil – sem terem nunca sequer julgado um inventariozinho da dona Maria que morreu. Nem uma pensão alimentícia simplória. Nem uma medida para um menor infrator, nem um remédio para um doente, nem uma internação para um idoso, nem uma autorização para menor em eventos e viagens, nem uma partilhazinha de bens, nem uma aposentadoriazinha rural. Nada. NADA.
Certamente não fazem a menor ideia de como é visitar a casa humilde da senhorinha acamada que não se mexe, para propiciar-lhe a interdição. Nem imaginam como é desgastante a visita periódica ao presídio – e o percorrer por entre as celas. Nem sonham com as correições nos cartórios extrajudiciais. Nem supõem o que seja passar um dia inteiro ouvindo testemunhas e interrogando réus. Nunca presidiram uma sessão do Tribunal do Júri. Não conhecem as agruras, as dificuldades do interior. Não conhecem nada do que é ser juiz de primeiro grau. Nada. Do alto de seus carros com motorista pagos com dinheiro público, não devem fazer a menor ideia de que ser juiz de verdade é não ter motorista nenhum. Ser juiz é andar com seu próprio carro – por sua conta e risco – nas estradas de terra do interior do Brasil. Talvez os Ministros nem saibam o que é uma estrada de terra – ou nem se lembrem mais o que é isso. Às vezes, nem a gasolina ganhamos, tirando muitas vezes do nosso próprio bolso para sustentar o Estado, sem saber se um dia seremos reembolsados - muitas vezes não somos.
Será que os juízes, digo, Ministros do STF sabem o que é passar por isso? Por que será que os réus lutam tanto para serem julgados pelo STF (o famoso “foro privilegiado") – fugindo dos juízes de primeiro grau como o diabo foge da cruz? Por que será que eles preferem ser julgados pelos “juízes” indicados politicamente, e não pelos juízes concursados?
É por essas e outras que, sem constrangimento algum, rogo-lhes: não me coloquem no mesmo balaio do STF. Faço parte da outra Justiça: a de VERDADE.''
Nota: Esse texto, conforme a autora, foi escrito em dezembro de 2016.
Fonte: Blog do Correio Brasilense e Internet (circulando por e-mail e i-phones).

sexta-feira, 20 de julho de 2018

AOS VIVOS: H2Ovos e outros casos



Por jornalista Tarcísio Matos, de O Povo
H2Ovos
“Viver e aprender, viver e vivenciar. Viver, enfim, e frescar”. A mais recente intervenção no comércio do amigo Jair Morais (da frase supra) não podia resultar diferente – definitivamente, viver é frescar. E Jair o comprova ao inaugurar, em paralelo aparentemente distante, o que chamaremos de uma “Subway dos Ovos”, na Vila União. Tudo científica e mercadologicamente pensado.
Palavras do próprio Jair – o Poeta dos Cachorros – não deixam dúvidas: “Se americano gasta mais dinheiro em fast food do que em cinema, música, livros, revistas e jornais, na ruma, por que não o fortalezense com os ovos de minha loja?” Está inaugurada, pois, a H2Ovos do Jair, especializada em ovo – de galinha, inicialmente, devendo estender-se ao de capota, de perua, de pata e de codorna. O primeiro fast food de ovo do mundo. Um fuleiro ou um visionário?
Mr. Ovo (Jair) abre o cardápio e, sem medo de ser copiado, anuncia o que tem a servir: ovo na tijela, ovo flambado, ovo a dorê, hambúrguer de ovo, escalope de ovo na moranga, tropical kobe ovo (diabeisso?), ovo ao thermidor, ovo a provençal, lascas de ovo marinadas, filé de ovo com risoto à parmegiana, abóbora assada com bobó de ovo e catupiry, ovos tingidos no saquê e shoyu etc..
Mencionamos, por fim e pontualmente, concepções empresariais vencedoras na seara do ovo, consoante o homem de negócios Jair de Moura Morais, que servirão de inspiração a quem busque empreender no ramo:
1. Ovacionar é meus ovos!;
2. Tenha dotz, mas não contenham glúten nos ovos;
3. Quem tem medo de obrar não come (ovos).
Coaching esculhambativo
Para chegar aonde chegou, hoje uma referência potencial nos ovos, Jair experimentou de um tudo - vivendo e aprendendo, vivenciando e frescando. No comércio, nos negócios, no empreendedorismo. Nos início dos 70, por exemplo, foi contratado por conhecida madame de cabaré da cidade, para coaching junto às rapariga do lupanar. Explica:
- Gaguinha queria que eu encorajasse o mulheril então vacilante, ensinando novos procedimentos, motivando-lhe ao pleno desempenho profissional.
Relata o motivo da falta de vontade das meninas, ao ponto de carecer de coach:
- Estavam encantadas com as novelas da tevê. Só atendiam se o freguês tivesse a boniteza do Tarcísio Meira, do Carlos Alberto. Lascô, povo fêi!
A última do Jair
Faz tempo, ele era tratorista numa cidade do interior. Todo sábado, final de tarde, pegava o carro, botava uma rapariga dentro e ia tomar cana e comer peixe assado em restaurante na beira do Orós. Carro aos pedaços, mas a menina nem se importava. Jair tinha sovaqueira braba, ela fazia vistas grossas. O garçom que os atendia era ignorante, mas a moça, nem aí pro azar.
Certa vez, sem companheira de aventura pra se esbaldar, levou a própria esposa ao tal restaurante fuleiro – no mesmo carro velho, com a mesma sovaqueira, atendidos pelo mesmo garçom pouco higiênico. A mulher não parava de reclamar da catinga de gato do fusca, da inhaca de urubu das axilas dele, do ambiente nada familiar. Até que o garçom se aporrinhou e lascou o grito:
- Égua, seu Jair!!! Pense numa rapariga enjoada, essa que o senhor trouxe hoje!
Fonte: O POVO, de 30/07/2016. Coluna “Aos Vivos”, de Tarcísio Matos.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

FAMÍLIA DISFUNCIONAL


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Filho(a) de rico também pode ser preso!
Defino ‘família disfuncional’ como sendo aquela que não funciona de acordo com a sua realidade e com os padrões sociais.
Tanto os comportamentos socialmente positivos quanto os negativos são absorvidos na vivência da dinâmica familiar, iniciada pelos avós, que passam para os pais e estes para seus filhos, dando origem ao Padrão Trigeracional (os sentimentos/ações acumulados durante as interações entre os membros de três gerações de uma família). Tal padrão pode resultar num ciclo intergeracional de valores morais ou não (ação socialmente ruim).
A infância e a adolescência são períodos de moldagem da personalidade do adulto, por vezes tumultuadas por crianças e adolescentes difíceis, que extrapolam a simples rebeldia. Devemos compreender que o jovem é normalmente violento. Essa violência faz parte do desenvolvimento natural de nossa espécie. Quer queiramos ou não, teremos que conviver com o atributo de rebeldia da juventude.
Apesar de toda compreensão de que os mais velhos devem prover-se para enfrentar essas atitudes de ‘rebeldia da mocidade’, é mandatório estabelecer limites entre o apropriado e o marginal.
Tenho consciência de que os jovens representam de certa forma, as forças que criam as transformações sociais. Não poucas vezes essa energia transpassa para o lado destrutivo. Cabe então ao adulto ser coerente, repudiando energicamente a selvageria, sob todas as suas formas - e com autoridade.
A permissividade dos adultos que tentam ser pós-modernos ou qualquer outra designação assemelhada, leva o jovem a uma maior desorientação, sensação de abandono, aumento das dúvidas e insegurança.
Os pais, temerosos de serem taxados de quadrados, arcaicos, atrasados, são, não poucas vezes, os principais geradores dos comportamentos criminosos (em maior ou menor grau) dos seus filhos e filhas. As fronteiras entre acidentes, negligência e comportamento antissocial são tênues.
As famílias disfuncionais mais pobres e numericamente maiores são as que formarão os delinquentes juvenis, espancadores, criminosos, terroristas e também os presidiários das gerações seguintes, o que resulta em sucessivos ciclos de violência.
Será que a cor da pele é causadora de violência? Essa e tantas outras explosões opinativas e preconceituosas são apenas achismo.
O que acontece, acredito, é que a maioria da nossa população é constituída por pobres. As estatísticas apontam para o alto percentual de famílias pobres – e números percentuais dependem dos absolutos.
Chega de discutir a importância do que empurrou um jovem a atitudes antissociais. Será muito mais construtivo e preventivo estudar de que maneira aumentar a sua capacidade de adaptação, fortalecendo os fatores de proteção às adversidades e reforçando os conceitos de como atravessar a vida de maneira sadia, como cidadão, seja habitante da cidade ou do campo, sem prejulgar pelo nome/importância da família da qual se origina.
O assunto é urgente e não permite que se perca mais tempo com divagações, pesquisas e lamentações centradas exclusivamente nas adversidades socioeconômicas.
Um favelado não precisa tornar-se, obrigatoriamente, um presidiário, assim como um filho de um rico nem sempre quer ser um virtuoso na vida. Chega de diagnóstico de situação, vamos cuidar da prevenção. Ou prevenimos ou ‘corrigimos’.
Atenção: a prisão foi feita para pobre e também para os filhinhos e filhinhas do papai.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

A JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL


Por Carmelo Leão (*)
Após 30 anos da Constituição Federal de 1988, os poderes Executivo e Legislativo não conseguiram efetivar o direito à saúde previsto no texto constitucional. A população convive com hospitais superlotados, filas para exames, consultas com especialistas e falta de insumos básicos nas unidades de saúde. Nessa situação, outro poder entrou em cena, e cada vez mais, o acesso à saúde é definido através da imposição do Judiciário. Entretanto, a imposição judicial é de natureza individual e não influi nas políticas públicas de saúde, podendo até prejudicá-las, já que o orçamento é limitado e os recursos para atender determinada decisão poderá faltar para uma outra atividade que já havia sido planejada e orçada. 
Mas o que um juiz pode fazer diante do caso concreto? Um paciente diante da autoridade judicial com um laudo, atestando a necessidade de realizar determinado procedimento médico gera a necessidade de uma decisão. E o juiz, amparado pela Constituição Federal e pelo laudo do médico que indicou o procedimento, defere a maioria dos pedidos. Na verdade, instâncias sociais anteriores falharam e deixaram para o juiz a responsabilidade de decidir sobre uma questão fundamental, que é o acesso à saúde. Nesse cenário, houve uma explosão de decisões judiciais favoráveis aos requerentes e os gastos só do Ministério da Saúde com judicialização aumentaram 1.000% de 2010 para 2016.  
A tendência infelizmente é de piora, já que a mudança demográfica em curso no Brasil pressionará ainda mais os gastos com saúde. O déficit fiscal do País é enorme e os recursos para saúde não deverão aumentar, sem falar na corrupção e má gestão. A solução a curto prazo passa por uma maior aproximação entre o poder judiciário e as entidades médicas e sociedades de especialidades para que as decisões dos juízes tenham amparo nas melhores evidências científicas. A solução definitiva passa por uma reorganização do sistema de saúde com um novo modelo de financiamento e uma reforma no SUS para que ele possa suprir a maioria das necessidades de saúde da população.
(*) Presidente da Associação Médica Cearense – AMC
Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/06/2018. Opinião. p.20.

terça-feira, 17 de julho de 2018

SEU SILVA - O mestre educador do bairro de Otávio Bonfim



Por Vicente de Paula Falcão Moraes
Quando a tristeza bater na sua porta, não tenha medo de dizer:
desculpe, mas a felicidade chegou primeiro.
A maior experiência da vida do ser humano tem seu início a partir da família, onde se desenvolve a estrutura moral e educacional.
A extraordinária obra “LUIZ, MAIS LUIZ”, escrita pela ilustre família GURGEL CARLOS DA SILVA, organizada pelos filhos de LUIZ CARLOS DA SILVA, Dr. MARCELO GURGEL CARLOS DA SILVA e Dr. PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA, e de todos os familiares, hoje, aqui apresentada, constitui um fenômeno literário raramente igualado. Nesta obra imortal se constrói com muita dignidade o CENTENÁRIO do Dr. LUIZ CARLOS DA SILVA, nosso querido “MESTRE EDUCADOR DO BAIRRO DE OTÁVIO BONFIM”, mais conhecido como seu SILVA. Afirmo, com toda minha convicção – pois sou testemunho, ainda vivo de muitas passagens textualizadas na brilhante obra. O presente livro será recebido com grande entusiasmo pela população do bairro de Otávio Bonfim que viveu os “ANOS DOURADOS E ILUMINADOS” do nosso querido bairro como também pelos familiares e amigos, se impondo silenciosamente como um autêntico “best-seller”. Os temas aqui apresentados se alinham entre os mais variados. São crônicas verdadeiras de quem viveu e conviveu mais próximo desse grande Mestre educador – seu SILVA. Permito-me com o direito de silenciar sobre minhas escrituras publicadas no livro de minha autoria “Anos Dourados em Otávio Bonfim”. Reportar-me-ei somente sobre fatos que me emocionam e traduzem uma riqueza de saudáveis momentos de plena felicidade.
Para complementar estes belos momentos históricos homenageando o patrono da presente obra, detalhada e feita com o mais sublime amor. O certo, certíssimo baseia-se na busca de fontes de um verdadeiro tesouro, onde chega-se à conclusão de que tudo teve sua complementação através da publicação do livro editado no ano de 2008, “DOS CANAVIAIS AOS TRIBUNAIS”, de autoria dos brilhantes filhos de seu SILVA e Dª ELDA GURGEL E SILVA, Dr. MARCELO GURGEL CARLOS DA SILVA E Dra. MÁRCIA GURGEL CARLOS ADEODATO.
SIC TRANSIT GLÓRIA MUNDI - As glórias do mundo são transitórias. 
Existem coisas emocionantes na vida do ser humano. Talvez a mais gratificante seja você ter a condição de olhar pelo retrovisor da vida e mensurar a “Linha do Tempo”. Com a devida permissão do Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva, pego este gancho para comentar e dizer de meu orgulho pessoal de ler depoimentos em forma de crônicas de amigos e alunos do querido Instituto Padre Anchieta. O que mais importa é a segurança da análise, o equilíbrio no discernir, a justeza no opinar, a correção expressional. Multicoloridas foram as luzes projetadas no livro “LUIZ, MAIS LUIZ”. São reflexos com brilho uniforme das belas noites estreladas, violadas e cantadas nos versos sertanejos, na pequenina Redenção.
·                    Como sendo a “Primeira Linha do Tempo”: TARCISO MORAES, a despeito de ser meu irmão foi taxativo e seguro assim opinando:
Todos os acontecimentos textualizados na presente obra servirão de exemplo para nossos filhos e netos, com uma marca do mais puro sentimento sob a orientação da igreja e de pequenas escolas primárias como o Instituto Padre Anchieta tendo à frente o seu SILVA, que tudo fizeram no sentido de preservar a união família/cristandade com base sólida para um futuro promissor”
·                    Em seguida temos a “Segunda Linha do Tempo”: Na crônica “O MESTRE E ADVOGADO DO OTÁVIO BONFIM”, Marlene Alexandre Rolim desenvolve sua cultura com aquele anseio de quem procura o amigo que muito quer vitorioso, com a isenção de quem se situa no estreito círculo formado pelos autores e familiares e ao próprio leitor impessoal.
Nosso querido bairro, Otávio Bonfim, destacou-se na área do saber pela ilustre presença e dedicação de nosso querido Mestre advogado: LUIZ CARLOS DA SILVA. Tornou-se um modelo para seus alunos, tendo em vista sua maneira de ensinar. Homem de vasta cultura. Ele lecionava Português, Matemática, História ou qualquer outra matéria que fosse. Seu saber era quase que ilimitado.
Além de professor querido, seu SILVA foi o meu Mestre das primeiras letras e meu patrão diretor, pois cheguei a lecionar em seu INSTITUTO PADRE ANCHIETA. Foi também meu orientador quando da escolha da minha profissão, e um fiel amigo de todas as horas.
Esse é o perfil de nosso querido Professor Luiz Carlos da Silva, a quem rendo minha homenagem por seu centenário que ora comemoramos.
·                    Na sequência encontramos na “Terceira Linha do Tempo, (só o final):
O grifo abaixo é do autor (VPFM). 
“Seu SILVA, o grande mestre educador, a enciclopédia ambulante do bairro de Otávio Bonfim”. 
·                    Sem sair do ritmo, chegamos a “Quarta Linha do Tempo” onde encontramos a crônica “EU E O INSTITUTO PADRE ANCHIETA (Memórias), uma crônica que traduz uma vivência do Jair Braga de Lima (ex-aluno): 
Lá no Instituto Padre Anchieta, o Diretor era o Professor Luiz Carlos da Silva - o seu SILVA, todos assim o chamavam. Nessa mesma ocasião ele já era formado pela Faculdade de Direito do Ceará. Em vista disso, recebia a dedicada ajuda de seu irmão, Professor José Carlos, que foi meu mestre efetivo, e por vezes da carismática Professora Eugênia, que também era sua irmã.  Ao dedicado homem que fez da própria vida um hino de amor ao bem fazer, as nossas homenagens, e a minha eterna gratidão por ter me conduzido sempre pelas veredas e caminhos largos, em busca da dignidade, do saber e da educação.
Saudades eternas do Grande Mestre!... 
Na “Quinta Linha do Tempo” demonstrando eterno amor pelo bairro de Otávio Bonfim deslizando em suaves águas bentas, na crônica “AS PALAVRAS VOAM, OS ESCRITOS FICAM” na opinião de meu irmão - Mauro Moraes. 
Pela bondade infinita do Criador da Vida, sinto-me hoje presente no Instituto Padre Anchieta, tal como estivesse vivendo há 74 anos dos 84 já vividos. Sou um personagem vivo, moldado nessa Oficina de Ciência que foi concebida para preparar grandes transformações sociais. Bendito seja. Santuário dos meus sonhos. Relicário da gratidão e do reconhecimento do seu ex-aluno que, genuflexo, agradece a formação primária dos estudos preparatórios para o Exame de Admissão ao Ensino Secundário prestado no Colégio Cearense Sagrado Coração. Em estado de graça contemplo saudosamente, a Praça, o Relógio, a Igreja e com os olhos marejando lágrima, tenho a visão do seu SILVA adentrando a sala de aulas do Instituto Padre Anchieta. Fonte sagrada, onde viveu o privilégio de chegar, sentar, ouvir e praticar os sadios ensinamentos de um Santo-professor.
Seu SILVA, sou-lhe eternamente grato.
Permaneça com DEUS.
AMÉM... 
Finalizando, nos deparamos com a “Quinta Linha do Tempo”. LUIZ CARLOS DA SILVA E O INSTITUTO PADRE ANCHIETA.
Edmar Gurgel Coelho – o Edmarzinho - era o cunhado peralta do seu SILVA, e eu digo ser ele o meu “Anjo da Guarda”, traduz a dignidade de seu reconhecimento e amor pelo bairro e pela família. Puro sentimento de amor. 
Lembro-me com saudade do Instituto Padre Anchieta, no início da Rua Justiniano de Serpa, no bairro de Otávio Bonfim, onde comecei nos anos de 1945, juntamente com meus irmãos a alfabetização. Era seu proprietário/diretor, o professor LUIZ CARLOS DA SILVA, conhecido por todos como seu SILVA. Com ele formava o corpo docente do Instituto seus irmãos José Carlos chamado de professor Zezinho e Dª Eugênia, conhecida carinhosamente por Dª Niná. A disciplina aplicada era rígida, valendo narrar que naquele tempo era comum em algumas escolas o castigo físico para os indisciplinados, tais como: puxão de orelhas, palmatória ou ficar de joelhos em cima de tamborete. Tem outra passagem boa em 1961: eu e meu primo Tarcisio Gurgel, estávamos na sala do Instituto, já desativado, preparando-nos para o Concurso do Banco do Brasil. Do famoso livro de Fábio de Melo, tentávamos resolver mais ou menos os 1100 problemas de matemática dos mais variados existentes. O SILVA, ao adentrar viu que muitos exercícios não tinham sido resolvidos. Então afirmou que se lembrava de seus estudos de álgebra ainda do ginásio do Colégio Cearense. A partir desse momento, passou a resolver todos os que apresentávamos. Que ensinamento! Tirei ótimo proveito, sendo aprovado no concurso e assumindo no BB no ano seguinte. 
Na presente condição, vimos “LUIZ, MAIS LUIZ”, e como apoteose da obra, afirma-se e confirma-se, o leitor saudosista e amadurecido, a deitar jurisprudência ao lado dos melhores “experts”.
No mais a sensação da leitura foi de agradável deleite. 
Parabéns Dr. Marcelo e Dr. Paulo e toda a família Gurgel e Carlos da Silva, pois ainda existe uma esteira de LUZ à frente. 
* Discurso proferido por Vicente Moraes, ao ensejo da sua apresentação, quando do lançamento do livro “Luiz, Mais Luiz! Centenário de nascimento de Luiz Carlos da Silva”, no Ideal Clube, em Fortaleza, em 24 de janeiro de 2018.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

VAIDADE


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Smith, homem de meia idade, boa aparência, possuidor de recursos econômicos herdados do genitor, graduado – com dificuldade – em Ciências Sociais era extremamente vaidoso. Apesar de casado, procurava ter relacionamentos com moças bonitas e, enganando-as, fazer viagens românticas. Não se dedicava ao trabalho, vivendo ou “vegetando” de rendas auferidas sem esforço. A rigor, mau caráter, pois sua vida era dominada por sentimentos oriundos da vaidade, tais como, a inveja, a calúnia, o ódio, a ambição, o orgulho, dentre outros. Por não possuir um interior sadio e consistente, não se importava com o mundo exterior. Coitado do Smith! Não percebia que a vaidade de hoje é a ilusão da grandeza que se transformará em sofrimento amanhã. Pois bem, como sempre, vivendo de aventuras irresponsáveis, procurou o seu “melhor amigo” para pedir uma opinião. Desejava se candidatar a um cargo no Legislativo Federal e gostaria de saber de Pedro Luiz se era uma boa ideia. Ao ouvir a pergunta, o “pseudo-amigo” ficou perplexo. No entanto, Pedro Luiz teve um momento de lucidez e desaconselhou o visionário e egoísta Smith. Foi mais além, indagando-lhe a razão do seu desejo. Respondeu Smith: Na vida consigo tudo o que quero e “ficaria feliz”, quando falecer, ter meu nome imortalizado numa avenida, numa praça, numa rua, ou até mesmo num município. Pobre Smith! Observando-se trechos do poema “Ilusão da Vida” de Francisco Otaviano, pode-se dizer: Smith você “passou pela vida em branca nuvem”; “foi espectro de homem”; “só passou pela vida, não viveu”. É importante saber que a humildade é o caminho para se encontrar a verdade e a felicidade.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 6/7/2018.

domingo, 15 de julho de 2018

O MURO EM BRASÍLIA


Três empreiteiros estão fazendo um orçamento para construir um muro em Brasília.
O primeiro pega uma fita métrica, mede tudo e faz alguns cálculos. "Bem", ele diz, "Eu acho que o trabalho vai custar uns R$ 900. R$ 400 em materiais, R$ 400 para minha equipe, e R$ 100 de lucro para mim."
O segundo empreiteiro também tira medidas e, em seguida, diz: "Eu posso fazer este trabalho por R$ 700. R$ 300 para materiais, R$ 300 para minha equipe, e R$ 100 de lucro para mim."
O terceiro não mede nada e não faz nenhum cálculo. Ele se vira para o funcionário e fala baixinho em seu ouvido: "R$ 2.700."
O funcionário, incrédulo, diz: "Você nem sequer mediu como os outros caras! Por que está cobrando tão caro?!"
O empreiteiro sussurra de volta: "R$ 1.000 para mim, R$ 1.000 para você, e nós contratamos o segundo cara para fazer o muro".
"Feito!" responde o funcionário.
E assim, meus amigos, surgiu o Palácio do Planalto!
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

 

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