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domingo, 9 de novembro de 2025

Morre aos 88 anos o padre João Batista Frota

Com atuações em Santana do Acaraú, Massapê, Fortaleza e Sobral, o sacerdote se tornou conhecido pelo projeto humanitário "Cabra Nossa de Cada Dia"

Morreu na noite desta sexta-feira, 7/11, em Fortaleza, o padre João Batista Frota, aos 88 anos. A informação foi confirmada pela Diocese de Sobral, que, em nota, expressou seu pesar e destacou que padre João Batista Frota deixa “um testemunho luminoso de fé e dedicação à vida humana”. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em Santana do Acaraú, microregião de Sobral, João Batista foi morar ainda muito pequeno em Massapê. Foi ordenado presbítero em Roma no ano de 1966 e havia celebrado, em março de 2025, 59 anos de vida sacerdotal.

Ao longo dos anos, exerceu seu ministério pastoral nos municípios de Santana do Acaraú, Massapê e Sobral, consagrando-se como um dos religiosos mais queridos e respeitados do norte do Ceará.

Para além do trabalho na Igreja, o sacerdote envolveu-se em projetos voltados à educação, à juventude, à saúde e à paz.

Entre suas iniciativas mais emblemáticas está a campanha “Natal Sem Fome”, idealizada em 1994, que, ao longo de sua história, arrecadou toneladas de alimentos, roupas e brinquedos, distribuídos para inúmeras famílias ao redor de Sobral.

João Lucas Frota, sobrinho do padre, destacou, dentre as características marcantes do tio, a presença acolhedora. "Hoje nos despedimos do meu tio, Padre João Batista Frota, um homem que não apenas pregava a fé, mas a colocava em cada gesto, palavra e cuidado. Ele foi presença acolhedora, conselho sereno, abraço que confortava e exemplo vivo de amor ao próximo."

Também ressaltou que, dentre as homenagens recebidas em vida, o padre João Batista Frota foi agraciado com o Prêmio de Direitos Humanos, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em 2011. E informou que o projeto “Cabra Nossa de Cada Dia” será, em breve, apresentado na COP-30, em Belém.

"Guardamos seu legado no coração e seguimos levando adiante o que ele nos ensinou: amar, acolher, caminhar com fé, ter humildade e ajudar ao próximo. Ele sempre repetia uma frase que agora faz ainda mais sentido: Enquanto temos tempo, façamos o bem”, afirmou.

Devido à sua popularidade, a despedida do religioso acontece em três municípios distintos e deverá reunir fiéis, amigos e autoridades locais ao longo deste sábado, 8/11.

Em Fortaleza, o momento ocorreu das 7 horas às 11 horas, na Funerária Ternura. Já em Sobral, acontece das 16h às 19 horas, na Igreja do Patrocínio.

Por fim, no município de Massapê, o velório ocorrerá a partir das 20 horas. O sepultamento está marcado para domingo, 9/11, às 11 horas.

Fonte: O Povo, de 9/11/2025. Cidades. p.16.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

O PAVOR SUPREMO DA LEI MAGNITSKY

Por Antonio Jorge Pereira Júnior (*)

A Lei Magnitsky, criada em resposta ao assassinato do auditor russo Sergei Magnitsky em 2009, tornou-se uma ferramenta internacional contra a impunidade. Seu propósito é aplicar isolamento econômico a indivíduos e entidades envolvidas em graves violações de direitos humanos e corrupção, promovendo um cerco financeiro global.

A lei visa responsabilizar e coibir abusos. Impõe sanções (congelamento de ativos, proibições de viagem em países que a adotam, como EUA, Canadá, Reino Unido, UE) para cortar o acesso ao sistema financeiro global. Isso gera isolamento severo: dificuldades em transações, negócios, crédito e movimentação de fundos, resultando em ostracismo financeiro e de reputação. A mensagem é clara: abusos não compensam.

A Magnitsky também atinge parceiros de empresas norte-americanas. Negociar com sancionados acarreta risco de sanções secundárias. Isso exige rigorosa "due diligence": bancos evitam processar transações, e empresas globais, inclusive as ligadas aos EUA, devem garantir relações comerciais sem vínculos com sancionados. O receio de contaminação por "dinheiro sujo" e de violações regulatórias leva ao afastamento, protegendo a integridade financeira e a reputação.

Em resumo, a Lei Magnitsky converte a indignação moral em uma barreira financeira, deslegitimando e descapitalizando aqueles que operam à margem da lei e dos direitos humanos.

Para entender a aplicação da lei contra autoridades brasileiras, pesquise "Oeste", "Entrevista Eduardo Tagliaferro", "Vaza Toga". Também encontrará explicações no perfil "Te atualizei" do YouTube, sem filtros. Por tais canais poderá ter acesso à ponta do iceberg de aberrações jurídicas no Brasil, perpetradas por autoridades supremas. São tantas as violações que é impossível uma pessoa honesta continuar a apoiar tais autoridades ao se defrontar com a verdade, quando liberta do cativeiro informacional.

E as sanções estão apenas começando. Investigações americanas começam a revisar o desmonte da Lava Jato, pois cidadãos e empresas dos EUA foram prejudicados por corruptos condenados neste processo. Também por isso autoridades supremas, cujos "familiares" lucraram com anulações de condenações, começam a se apavorar. Aguardem.

(*) Doutor e mestre em Direito - USP, professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito da Unifor.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/08/25. Opinião, p.18.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

100 ANOS DE DOM EDMILSON - uma vida de doação à justiça social

De O Povo, Editorial

Celebrar um centenário de vida já é motivo notável para ser destacado. Quando se fala de 100 anos de dom Edmilson da Cruz, esse destaque precisa ser mais relevante ainda, pelo extraordinário de homem que ele é. O bispo emérito de Limoeiro do Norte chega a um século de vida neste mês de outubro e é o bispo católico mais idoso de todo o Brasil. Experiente na idade, mas a lucidez e a humanização com que trata todo assunto se renovam cada vez mais e fazem de seu legado algo sempre moderno e atual.

A data foi comemorada no dia 3, dia de seu nascimento, com celebração presidida pelo arcebispo de Fortaleza, dom Gregório Paixão. Reuniu vários sacerdotes, demais religiosos e outros convidados para festejar a vida marcada com o ativismo social e espiritual da vocação de dom Edmilson.

Um homem comprometido com a luta em defesa dos mais pobres, que sempre que se colocou contra todo tipo de injustiça, anunciando o Evangelho em que acredita, mas, sobretudo, colocando-o em prática. Em 2010, foi convidado a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara do Senado Federal, mas recusou em discurso no plenário do próprio Senado. A atitude foi um protesto contra o aumento salarial de 61,8% aprovado pelos parlamentares em causa própria. "Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar", disse.

Para dom Edmilson, a comenda que lhe foi oferecida não honra a história de dom Helder Câmara, um religioso conhecido pela atuação destacada na luta pelos direitos humanos durante o regime militar. "A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, à cidadã contribuinte para o bem de todos, com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho", afirmou dom Edmilson à época.

Com uma vida doada à partilha, à generosidade e à sabedoria humanista, dom Edmilson é o retrato vivo do Evangelho cristão em defesa dos direitos humanos. Sua luta em busca da justiça social foi amplamente conhecida quando era bispo auxiliar de Fortaleza junto com dom Aloísio Lorscheider. Servir a Deus estando perto das pessoas mais vulneráveis o movia. Assim, conduziram a pastoral carcerária, visitando pessoas privadas de liberdade e apurando denúncias sobre violação de direitos humanos no sistema prisional cearense.

Em 1994, durante visita ao antigo Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), na Região Metropolitana de Fortaleza, eles foram vítimas de um sequestro que culminou após rebelião de internos e durou cerca de 24 horas. A conduta deles em todo o episódio chamou a atenção do País e gerou comoção no Estado.

Neste ano de 2024, fez questão de ir às urnas e depositar seu voto no domingo 6 de outubro. Na ocasião, pediu que "Deus abençoe os eleitos para que exerçam suas funções com sabedoria, humildade e defendendo sempre os mais desfavorecidos".

Que o legado de dom Edmilson inspire a gestores públicos e a toda a sociedade de forma que a preocupação com os injustiçados e vulneráveis seja sempre o objetivo maior.

Parabéns, dom Edmilson!

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/10/24. Opinião p.18.

quinta-feira, 3 de março de 2022

SONHOS

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

O cenário era o Alabama, nos EUA, em 1952. Os olhos de Martha Tucker, 25 anos, remetiam a visão para o coração, que palpitava. Sua paixão lembrava a que Tom Jobim expressa em "Wave": "Os olhos já não podem ver/Coisas que só o coração pode entender/Fundamental é mesmo o amor/ É impossível ser feliz sozinho."

protagonista real tornou os sonhos de encanto, namoro e noivado também reais. Agora, dar-se-ia o maior deles. Dominava-a a sensação só vivida por pessoa que ama, ou está apaixonada ou já esteve, sobretudo quando prestes a se casar. Mas nem tudo são flores, principalmente naquele local, naquela época.

Por ser afro-americana, Martha não acessava ônibus, toaletes, escolas, médicos, hospitais ou qualquer ambiente exclusivo de brancos, além de, como os seus semelhantes, poder ser vítima de violência, prisões indevidas e várias outras discriminações. Em todas as lojas que vendiam vestidos de noiva e foram por ela visitadas, não entravam pessoas da sua cor. A solução foi usar, no casamento, uma vestimenta azul doada por familiares.

Recentemente, ela confessou à neta Angela Strozier não ter realizado o seu grande sonho de usar uma veste de noiva. Angela decidiu dar à avó de 94 anos um dia de noiva completo - com direito a "make". Quando, já pronta, se viu no espelho, a anciã afirmou: "Olha para mim." Uma das nubentes que lá estavam chorou. Martha revelou à neta: "Eu sempre quis experimentar um vestido de noiva. Aos 94 anos, senti que ia me casar. Eu não queria tirá-lo. Eu ficava bem nele. E me perguntei como seria a minha aparência, caminhando pelo corredor. Foi emocionante."

Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou seu histórico discurso para cerca de 250 mil pessoas. Ao ecoar um grito de guerra em prol da paz. Disse-o: "I have a dream (Eu tenho um sonho)" e rogou, entre outros desejos: "meus quatro filhos pequenos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter".

Tantos anos depois, sabemos que o sonho de Martha foi realizado, mas os de Mr. King, não. Já é tempo de o grande líder ser atendido.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Membro da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/02/22. Opinião, p.18.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

O DESAFIO DO "S" NA CULTURA ESG

Por Lauro Chaves Neto (*)

As boas práticas ambientais, sociais e de governança, consolidadas como a cultura ESG, sigla que significa Environmental, Social and Corporate Governance em inglês, vem se disseminando no mundo dos negócios.

Dos três eixos ESG, a governança é a vertente mais familiar no meio empresarial, a área ambiental também ganhou adeptos com iniciativas implantadas, porém a área social é onde ocorrem menos ações, predominando a ideia de que essa é uma responsabilidade essencialmente do poder público.

Esse raciocínio é verdade tanto na visão micro das decisões dentro das empresas, quanto na visão macro para o direcionamento dos recursos dos fundos de investimentos.

Os Fundos Internacionais, a cada dia, reforçam a importância do ESG, porém mantêm recursos em países, cuja atuação é polêmica na área de direitos humanos. Arábia Saudita, Rússia, Egito e China são exemplos claros desse dilema.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU deviam ser o guia do "S", porém o seu primeiro enunciado, o de erradicação da pobreza, é tratado subliminarmente por grande parte do setor produtivo e nenhum fundo de investimento o menciona em suas políticas.

O "S" pode e deve receber maior atenção para a obtenção dos resultados esperados da cultura ESG, para isso é possível separar as iniciativas entre aquelas de caráter interno ou externo às organizações.

Externamente é possível usar a expertise para ajudar na elaboração de iniciativas públicas de combate à pobreza e na redução das desigualdades, incluir no seu mix produtos capazes de melhorar a qualidade de vida dos mais vulneráveis e ainda atuar diretamente em projetos sociais.

Internamente, deve-se melhorar as condições e as relações de trabalho, estimular as políticas de inclusão e diversidade dentro e fora das empresas, garantir a privacidade e segurança de dados, promover impacto positivo no seu entorno, além de respeitar os direitos humanos.

O roteiro acima é uma amostra do longo caminho a ser percorrido até que a cultura ESG passe a gerar efeitos positivos e prove que é para valer e não mais um modismo ou marketing no mundo dos negócios.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 23/8/21. Opinião. p.22.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA

Por Rev. Munguba Jr. (*)

A igreja onde sou pastor a mais de trinta e quatro anos e onde meu pai exerceu seu ministério por mais de cinquenta anos, a Seven Church, vem, há setenta e sete anos ininterruptos, proclamando o evangelho de Jesus Cristo e foi requisitada para ser uma seção eleitoral durante as eleições desse ano.

Temos a garantia da liberdade de culto e a inviolabilidade dos templos religiosos através do artigo 5º, VI, da Constituição Federal:

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade, nos termos seguintes:

VI - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e a suas liturgias"

Mas parece que a observação da nossa Constituição está meio fora de moda.

Os templos religiosos, de todas as denominações, são protegidos pela nossa lei maior e nenhuma interferência pode ser aceita em qualquer religião.

Protocolamos a nossa defesa diante do juiz eleitoral, a qual foi indeferida. A alegação do magistrado, aborda que a igreja poderia fazer culto em qualquer outro dia e não no domingo. Na Seven Church, nesse final de semana específico, teremos três celebrações no sábado e quatro no domingo, o Dia do Senhor. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) bloqueia o sábado e o domingo para as eleições.

Comunicamos ainda ao TRE, a existência de prédios da Universidade Federal do Ceará (UFC), sendo um na esquina ao lado do prédio da igreja, curso de farmácia e restaurante universitário; e ainda todo o complexo do campus de Porangabussu, também da UFC, ficando a apenas cinco quadras da igreja.

O que também foi esquecido é que há mais de dois mil anos a igreja cristã tem suas celebrações aos domingos, uma tradição milenar em um País de maioria cristã.

Onde passa um boi, passa uma boiada. Hoje confiscam a igreja para uma eleição e amanhã vão nos impedir de cultuar e de exercer o nosso papel de fundamental importância para a saúde das famílias brasileiras.

Peço a sua oração. 

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Coreia do Sul Para a Implantação da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil.

Fonte: O Povo, 31 de outubro de 2020. Opinião. p.18.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

DIREITOS DAS MAIORIAS

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

A dignidade da Pessoa Humana, direito fundamental e inviolável de todos os cidadãos e cidadãs, representa a base da ordem social, política e econômica. Como consequência surgem os conceitos de justiça, evidenciando a igualdade de oportunidades, e de democracia, ressaltando a noção de liberdade. Por outro lado, nos dias atuais, o conceito de minoria aceito pela ONU precisa ser revisto. Quando foi concebido, os grupos de pessoas com características étnicas, linguísticas ou religiosas, em muitos países, eram e ainda são, discriminados e vítimas do preconceito. Juntaram-se, principalmente, os subempregados e os desempregados. Portanto, o que era minoria transformou-se em maioria, em decorrência, em grande parte, do progresso tecnológico necessário e de políticas públicas incorretas adotadas por governos de diferentes ideologias. As minorias de hoje são representadas pelas elites políticas e econômicas. As maiorias, por sua vez, pelos deserdados e excluídos. Dessa forma, a política e a administração dos países devem ser conduzidas por uma ação objetiva, global e atenta ao princípio da solidariedade humana. A relação entre os povos deve ser realizada dando-se maior ênfase para os aspectos políticos e culturais do que para os econômicos e financeiros, com vistas a se alcançar uma solidariedade universal, bem como a paz e não um relacionamento caracterizado, unicamente, pelas forças do mercado e a ganância, inclusive em países ditos socialistas como a China. A ação econômico-financeira deve ter por objetivos, de um lado, proporcionar condições para a superação dos desníveis sociais e, de outro, permitir o surgimento de fatores capazes de democratizar o uso das riquezas, mediante uma melhor distribuição de renda. É a falta da ética e da moral que se encontra a origem da crise planetária, pois interesses pessoais, de países e de grupos prevalecem sobre o bem da humanidade.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 9/10/2020.

domingo, 29 de setembro de 2019

Diferença entre Greta Thunberg e Malala Yousafza

Greta & Malala
Por Isaac Averbuch

Nos últimos tempos duas meninas chamaram a atenção do mundo e ambas foram parar na ONU. Duas histórias muito diferentes e duas personalidades totalmente distintas. Uma falou com pleno conhecimento de causa e outra sem conhecimento algum. Uma trazia um sentimento nobre, palavras sensatas e um semblante humilde; a outra exibe uma face arrogante, um discurso malcriado e interesses ocultos nada admiráveis (e que por isso precisam permanecer ocultos).
A que surgiu mais recentemente, a sueca Greta, que nem completou o ensino médio, pretende dar ao mundo aulas de ecologia. A ela não faltou, jamais, qualquer suporte material, desde antes de nascer. Nascida num dos países mais ricos do mundo, nunca viu a miséria de perto, não faz a mínima ideia do que sejam as dificuldades da vida, mas do alto da sua ignorância quer ditar como a humanidade deve viver. O excesso de conforto material não evitou que a mocinha se transformasse num pequeno poço de revolta. Em tom quase histérico anuncia que estamos às portas de uma “extinção em massa”. Com o olhar injetado de ódio e rosto crispado, questiona, sabe-se lá quem: “vocês roubaram a minha infância e os meus sonhos!”.
Como assim? O que lhe faltou na sua infância? Pelo jeito, carinho da família ou dos amigos e uma educação que lhe abrisse os olhos para o fato (evidente) de que o mundo é complicado mesmo e que as coisas não se resolvem do dia para a noite. Talvez conselhos no sentido de não ser tão agressiva e rancorosa. Se foi isso que lhe “roubaram”, garota, procure os culpados na sua casa e na sua escola, não no resto do mundo. Ah,.... mas à escola a menina-que-sabe-tudo não vai mais, exatamente porque já sabe tudo....
Eu me pergunto: roubaram seus sonhos? Foi mesmo? Aos 16 bem vividos anos já não há mais com o que sonhar? Se alguém lhe “roubou” esses sonhos e você não tem mais nenhum, o problema está em você, não no resto da humanidade. Se você não sonha em ter uma profissão ou uma carreira, ganhar a sua vida, ter uma família e, quem sabe, colaborar para construir um mundo melhor, o problema está só em você, que espera que seus “sonhos” lhe sejam entregues sem esforço. Isso não vai acontecer, menina. Melhor se acostumar com a ideia, por frustrante que ela seja. Talvez até hoje seus pais e financiadores ocultos tenham feito o possível para realizar esses tais “sonhos”, mas à medida que o tempo passa, o esforço precisa, cada vez mais, ser seu mesmo. E não adianta inchar a veia do pescoço enquanto esbraveja na ONU, sob os aplausos de uma plateia de idiotas que, avidamente, tentam sorver os ensinamentos que você não tem para lhes oferecer, porque isso não vai trazer seus "sonhos" de volta.
A outra garota anda meio desaparecida, mas não pode, jamais, ser esquecida. Em tudo difere da petulante suequinha. Refiro-me à paquistanesa Malala. Ela, sim, teve a infância roubada (e quase a vida se foi junto). Malala nasceu nos confins mais atrasados do Paquistão, onde predominam costumes tribais e o fundamentalismo islâmico. Malala tinha um sonho, estudar, e foi esse sonho, tão singelo, que lhe tentaram roubar. Sofreu ameaças, levou um tiro na cabeça. Sua família teve que fugir do país e ela chegou entre a vida e a morte na Inglaterra (num antiecológico avião a jato, não num barco a vela), onde foi salva. Malala sobreviveu para contar a sua história, para prosseguir no seu sonho e para ajudar a fazer um mundo melhor, para si e para todas as mulheres que sofrem perseguições e discriminações e, com o seu exemplo, dar-lhes maiores oportunidades. Malala tinha mil razões para odiar e para se queixar, mas sua presença, por onde passa, transmite uma mensagem de serenidade e firmeza na defesa de ideais nobres. Malala não exala ódio, desejo de vingança, ao contrário, cativa pela sua modéstia e seu sincero desejo de fazer o bem.
O contraste entre as duas é brutal. Uma sempre teve tudo e acha que nada presta. A outra, teve uma origem extremamente humilde, não tinha sequer liberdade e quase perdeu a vida por um sonho tão modesto. Não se abateu, não se vitimiza e não se diz “roubada”. Malala quase morreu porque desejava estudar, mas foi em frente. Greta posa de vítima e não vai mais à escola porque, tolamente, pensa que já pode dar lições ao mundo.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Postado em diversos blogs.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA E LIBERAÇÃO FEMININA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Explosão demográfica é o súbito crescimento da população do mundo ou de um determinado território ou região. O crescimento da população causa preocupação quanto à disponibilidade de recursos ao aumento da violência. Atualmente, a população mundial está estimada em 7,2 bilhões de pessoas.
Há dois mil anos, avalia-se que o número de habitantes na Terra fosse inferior a 250 milhões de pessoas. Em 1650, o número alcançou 500 milhões. Em 1850, o planeta atingiu a casa de 1 bilhão de pessoas; em 1950, 2,5 bilhões; em 1987, 5 bilhões e, em 2010, quase 7 bilhões de pessoas.
Diversos fatores são mencionados como causadores desse efeito, sendo que o marco explicativo mais importante para o aumento do número de habitantes na Terra é atribuído à Primeira Revolução Industrial. A partir do século XVIII e da urbanização acelerada ocorrida nos países desenvolvidos e, mais recentemente, nos subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
Quando as mulheres tiveram direito à alfabetização e acesso ao controle da natalidade o número de nascimentos amorteceu. Quando passaram a ter direito a ocupar cargos e profissões reservadas ao sexo masculino, a taxa de natalidade atingiu números bem menores. Até mesmo nos países subdesenvolvidos mulheres das classes sociais menos afluentes têm duas vezes mais filhos que as pertencentes à classe média...
O que mais chama a atenção é que a correlação entre a emancipação feminina e o controle da natalidade é um dos fatores menos mencionados, frente à emancipação feminina, aliada ou não aos contraceptivos, à escolaridade, à liberdade social, ao nível de desigualdade sexual, etc.
Na Espanha, em 1975, era raríssimo encontrarem-se mulheres nas universidades e a taxa de natalidade por mulher era em torno de 2,9 crianças. No ano 2000, 60% dos universitários eram do sexo feminino a taxa de natalidade caiu para 1,12. Sem desejar entrar no mérito da questão, onde foram aplicadas regras compulsórias de controle da natalidade, como na China, a taxa de natalidade por mulher foi maior do que as verificadas no ocidente (é de 1,8 agora).
Em países democráticos, observam-se taxas espontâneas que são baixas, como na Suíça (1,46), na Itália (1,2), Grécia, Rússia, Alemanha (1,35).
Nos países em desenvolvimento a mídia tem sido uma grande arma para o controle da natalidade através de informação, educação e alguma melhoria do contexto sócio-educacional, o que tem diminuído as taxas de nascimento.
A população do Ocidente vai declinar na segunda metade do século XXI e não podemos fazer muita coisa contra a fome e violência causada pela hiperpopulação do restante do planeta. O fato é que podemos controlar a natalidade pela emancipação feminina (direito à integridade do seu corpo, direito ao aborto e direitos reprodutivos, incluindo o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade), pela proteção de mulheres contra a violência doméstica e o assédio sexual. Será que as feministas e os machistas sabem disso?
O Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. Ou partimos para ações positivas ou continuaremos para sempre na época das ideologias.
É sempre bom relembrar: uma das maneiras de combater a devastação do planeta pela superpopulação dos denominados Homo sapiens é a emancipação da mulher, não especificamente ou exclusivamente através da eliminação do assédio que está virilizando na mídia social e profissional, que na realidade ocorre em ambos os sentidos. Um relato honesto desenrola-se melhor se feito, escrito, falado, sem rodeios. “Sempre que liberamos uma mulher, libertamos um homem” (Margaret Mead - 1901-1978).
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

FEMINISMO


Meraldo Zisman
Médico-Psicoterapeuta
Feminismo, é movimento político daqueles que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher, ou a equiparação dos seus direitos aos do homem. Do ponto de vista médico: é a presença, congênita ou adquirida, de caracteres sexuais secundários femininos em homem.
Assunto sobre feminismo sempre me atraiu. Razões as tenho, e de sobra, pelo ramo da medicina que abracei (pediatria), durante a maior parte de minha vida profissional e, agora, exercendo a Psicoterapia. Lidei com elas como mães, esposas, namoradas, colegas, amigas, companheiras, empregadas e patroas. Não menos com jovens, velhas, maduras, inteligentes, burras e, tenho encontrado nelas, das mais diferentes situações socioeconômicas e categorias sociais, um sentido de vida bem diferente do homem. Atendo, seus filhos e filhas, muitos deles e delas, agora, também, pais e mães.
As antigas mães de meus clientes de pediatria, me procuram para conversarmos e, algumas delas, tornam-se minhas pacientes. No caso, não por doença e, sim, para tirarem melhor proveito da vida nos tempos atuais. Algumas vezes, o pai, também me procura. Mas, é menos comum. Sorte a minha, se é que isto existe, de continuar convivendo com elas e eles, ainda que não assiduamente, mas, por mais tempo. A pediatria acaba, mais a amizade permanece.
Há mais mulheres em busca de psicoterapia, não porque exista, demograficamente, mais mulheres que homens, mas, porque as condições das mulheres evolucionaram-se, de tal maneira, que a camada do social, ou, do aprisionamento, foram rompidas e, jamais, em tempo algum, significaram e abrangeram tão intensa e rápida aberturas conseguidas, ainda que, à força.
Apesar de saber, que o caminho a percorrer é muito amplo, um vasto território a ser desbravado, perdura em perder-se na linha do infinito, mas, elas não se abatem.
Estes acontecimentos, jamais podem ser explicados por razões apenas demográficas e/ou psicossociais, econômicas e, muito menos, por razões de Mercado. Elas mudaram, sendo elas mesmas, as principais agentes da própria evolução e, com isto, arrastaram a dinâmica social para novos espaços, e, compreensivamente, desejam estar/ser mais adaptadas e adotantes à nova etapa que alguns respeitáveis intelectuais, denominam de Tempo Líquido. Pouco tem de líquido. É sólida e real. É verossímil.
Para as mulheres, esta história de pós modernidade não existe. Aprendi no meu tempo de escola, que o estado físico ou líquido de um corpo, como aquilo que flui ou corre, toma sempre a forma dos recipientes em que se encontra. Pelo que sinto, vejo e, escuto, a mulher d’agora, não é mais líquida como outrora, e sim, bastante sólida, como a mulher costuma ser.
De qualquer maneira, sem a emancipação feminina o que hoje vemos e assistimos, demoraria mais tempo para acontecer. A implicação do prolongamento /qualidade da vida, seria impossível, e, seria, no mínimo, insuportável sem elas e, sobretudo, a quebra de tabus pareceriam eternos.
Apesar disto, contado e provado, um dia desses, passeando pelo Google, o que me chamou a atenção, foi a repercussão, ainda enorme, de um livro de uma psicanalista mexicana-americana, não somente pela abordagem do assunto, e mais, pelo título: Mulheres que Correm com os Lobos - mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem; tradução de Waldéa Barcellos Rocco/ Rio de Janeiro/1999 - título original, Women Who Run With The Wolves / Copyright 1992, By Clarissa Pínkola Estés, Ph.D. No prefácio escreve a autora:
Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.
Termino este comentário, com o que diz Millôr Fernandes, embora, também, não concorde com ele: "É a verdade, irmão. / É o que querem as mulheres,/ A cada dia que passa / Mais e mais estão/ Presas à liberação".
Não é verdade caríssimo Millôr! Você tem uma visão crepuscular do tempo! Elas lutam por uma melhor qualidade de vida para a Humanidade e, são, sem dúvida alguma, por natureza, persistentes e corajosas.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Instituto do Ceará promove palestra sobre dom Aloísio Lorscheider


O Instituto do Ceará retoma a programação mensal de palestras hoje, 22, às 15 horas. O desembargador Fernando Ximenes fala sobre "Dom Aloísio Lorscheider e os Direitos Humanos". O debate também faz parte do projeto Outubro Cultural, que está em sua quarta edição, e é aberto ao público.
Em sua palestra, Ximenes discutirá a importância de Dom Aloísio na história política do Ceará, tratará sobre a atuação dele nas lutas em defesa das causas indígenas e dos sem terra e do papel na formação de uma consciência social através da religião e de suas ações em prol dos direitos humanos. "Os últimos anos da história cearense não podem ser contados sem ressaltar a importância de dom Aloísio Lorscheider", afirma o desembargador.
Segundo o ex-governador Lúcio Alcântara, presidente do Instituto do Ceará, a escolha de temas é feita a critério do palestrante, salvo exceções como datas comemorativas ou notáveis na história do Ceará. O assunto a ser debatido deve estar dentro dos assuntos de interesse do instituto: História, Geografia, Antropologia e demais ciências referentes ao Estado. As palestras são realizadas, tradicionalmente, nos dias 20 de cada mês, podendo ter suas datas ajustadas de acordo com o calendário.
Além da palestra, o Instituto do Ceará oferecerá curso de restauração em acervo bibliográfico e documental nos dias 23, 26 e 29, sempre das 15 às 17 horas. Na quarta-feira, 31, haverá uma apresentação do maestro Gladson de Carvalho, da Orquestra Filarmônica do Ceará.
SERVIÇO
Palestra "Dom Aloísio Lorscheider e os Direitos Humanos"
Quando: hoje, às 15 horas 
Onde: rua Barão do Rio Branco, 1594
Informações: 3021-7559 ouwww.institutodoceara.org.br

Fonte: Jornal O Povo, de 22/10/18. p.19.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O PAPA E AS MÃES (solteiras ou não)




Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

AS DIFERENÇAS DOS DIFERENTES

Márcia Alcântara Holanda (*)
Todas as pessoas são diferentes. Rostos, corpos, fala, andar, pensamento e ideias, que são simples expressões de seus DNAs. Cada uma dessas é única, sem semelhante, geneticamente falando. Nem os gêmeos univitelinos são iguais. A prova disso está na análise das impressões digitais, dos genomas e de novas técnicas de estudo da identidade.
Se olharmos, por exemplo, no âmbito do ambiente do nosso trabalho, verificamos que, cada pessoa daquele grupo tem: andar, tom de voz, orelhas diferentes, personalidades especiais e assim por diante. Os seres humanos são uma espécie da Natureza que possuem uma quantidade descomunal de variações de corpo e mente.
A medida em que se avança na tecnologia do estudo da identidade das pessoas descobrem-se sobre o que os faz diferentes, e assim, especiais. A propósito disso, que muito tem a ver com a genética, algumas pessoas nascem mais diferentes, por terem alterações mais especiais ainda dos seus cromossomos o que os tornam diferentes dos diferentes, ou seja, da maioria.
Os autistas formam um grupo desses, cuja mutação genética desdobra-se em um espectro de formas diversas de um tipo de deficiência na comunicação verbal, visual e expressão corporal.
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, tem como filosofia levar a todos uma melhor compreensão do significado do que é ser uma pessoa com autismo: um diferente dos diferentes, mas com todos os direitos iguais. A Associação Brasileira Para o Direitos das Pessoas Autistas (Abraça), prega nos seus eventos desta semana (http://abraca.autismobrasil.orgcampanha2018/) um desbloqueio social e uma ampla abertura para que os autistas vivam e participem das ações da comunidade em que vivem. E, seja recebido como todos devem ser em sociedade.
Retroagindo o nosso olhar para os humanos em geral, mesmo com síndromes cromossômicas, todos são diferentes e possuem um espectro infindo dessas diferenças.
O olhar para os autistas nesse sentido, é o que se deseja na conscientização sobre essa síndrome. Por isso, melhor será nos tratarmos como iguais, respeitando todas “as diferenças dos diferentes”.
(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro da Academia Cearense de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/04/2018. Opinião. p.21.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

DA MORTE À VIDA

Márcia Alcântara Holanda (*)
A dor romba, da qual já falei aqui, aquela que nos atinge no cuore, forma um oco na alma, dando-nos a impressão de que fomos trespassados por um golpe, bem certeiro, de enorme covardia, quando nossa essência se desfigura, nossos sonhos se esvaem e fica esse enorme buraco no ser (“As dores rombas de setembro” – O POVO – 27/09/2016). Essa dor veio de novo. Dessa feita provavelmente atingiu as mais de cinquenta milhões de brasileiras negras e pardas desse Pais, e também boa parcela do nosso povo desvalido do necessário ao bem viver. Foi assim que a morte de Marielle nos atingiu, minando a todos e, principalmente, a sua exemplar representação de injustiçados e oprimidos brasileiros.
No primeiro momento vem a questão: por que? Nem se sabe exatamente o motivo, mas uma coisa é certa: foi exibicionismo do poderio do crime, seja de qual milícia. O que eles disseram, eliminando Marielle e Anderson, foi que detêm o poder, até porque usaram armas adquiridas com o nosso dinheiro, pois pertenciam ao Estado.
Mesmo sendo combativa e de passado de luta, Marielle nunca havia sido ameaçada ou sofrido qualquer atentado, segundo testemunho de seus companheiros e familiares.
Para aprofundar os danos, o deputado Alberto Fraga, defensor do uso de armas (Folha, 19/03/2018 -Alessandra Orofino), tentou denegrir o caráter de Marielle e, a partir de sua argumentação, reconhecida depois, por ele mesmo, como infundada, fez com que as redes sociais se abarrotassem de postagens, que nada revelavam, depreciando a vítima e aumentando a dor de todos.
Marielle era recebida em todas as instâncias da periferia de sua cidade, sempre lutando pelos direitos humanos (Folha, Caderno Um - 18/03/2018).
A dor está aí, mas a morte da moça vereadora se faz combustível, e bem ativo, para as militâncias que têm como meta a observação, na integra, dos direitos humanos.
A mobilização popular tem sido bem maior do que a covardia dos seus assassinos e dos detratores de seu caráter. A morte de Marielle hoje é viço alimentado por sua carreira política, pelo seu compromisso com as causas femininas e das populações negra e trabalhadora.
Marielle e Anderson Gomes tiveram suas vidas interrompidas, mas acenderam todas as outras que compartilhavam seus ideais e suas lutas. A morte de Marielle é vida.
(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro da Academia Cearense de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/03/2018. Opinião. p.19.

sábado, 7 de abril de 2018

PÁSCOA E MUNDO

Por Pe. Manfredo Araújo de Oliveira (*)
...não podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive seu dia a dia precariamente, com funestas consequências...
Certamente a condição para entender o sentido da Páscoa é descer aos porões da vida humana, perceber que há aí forças presentes que parecem tragar tudo a que se pode aspirar como bom na vida humana, algo que perpassa todos os projetos humanos e é capaz destruir relações humanas e sua ligação com a terra. Para o papa Francisco, isto significa hoje para a igreja a tarefa de tomar consciência de que seu destino não é diferente de toda a humanidade e que, portanto, sua missão consiste em inserir-se no mundo e abrir-se às alegrias e às esperanças, às tristezas e às angústias dos homens e das mulheres de hoje sobretudo dos pobres e atribulados. Isto implica que a igreja seja capaz de escutar a sociedade, de ter sensibilidade para as gigantescas desigualdades sociais, de considerar com toda seriedade e sem temor todas as questões que a sociedade levanta, conhecendo e respeitando o ser humano em todas as suas dimensões, mostrando profunda compaixão diante do sofrimento e confrontando-se com as inúmeras formas de injustiça.
Os gritos que pedem justiça continuam muito fortes: “...não podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive seu dia a dia precariamente, com funestas consequências...O medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas” ... (Alegria do Evangelho 52), vítimas de um sistema econômico que põe o lucro acima do ser humano. O papa fala de uma espécie de terrorismo de base que provém do controle global do dinheiro, ameaçando a humanidade inteira. Cumprir sua missão significa para a igreja não se refugiar em si mesma e ir para as periferias geográficas e existenciais do mistério da dor, do sofrimento, da violência, da injustiça, de toda miséria humana. Uma igreja que por sua pregação e estilo de vida ajude as pessoas a compreender que somos todos responsáveis pela formação das novas gerações, ajudando-as a reabilitar a política que é uma das formas mais altas de caridade a fim de que cresça a participação das pessoas no enfrentamento dos problemas comuns, imprimindo uma visão economista à configuração da vida social.
O evangelho é o anúncio àquele que espera de que o objeto da esperança chegou na fragilidade das condições da vida humana, pois é uma realidade carregada de sentido vital e definitivo: a vitória do poder de Deus sobre o que esmaga o ser humano e a integração plena da criação no projeto de Deus.
(*) Padre e professor de Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Fonte: O Povo, de 1/4/2018. Opinião. p.25.

sábado, 21 de outubro de 2017

DIREITOS HUMANOS POLICIAIS


👩📞- Alô é da Polícia?
👮📞- Sim, em que posso ajudar?
👩📞- Manda uma viatura aqui na minha rua. Está acontecendo um assalto e os bandidos estão armados e atirando nas pessoas!
👮📞- Olha senhora, nenhuma viatura quer ir. Se os assaltantes reagirem e atirarem nos policiais e se os PMs revidarem e eles morrerem, seu vizinho vai filmar eles sendo baleados e amanhã, vai estar em todos os jornais a matéria: Absurdo! Polícia Militar  executa jovens em comunidade! E os policiais serão afastados, demitidos e presos, chamados de assassinos e condenados pela sociedade antes mesmo de serem julgados! A família dos bandidos vai dizer que eles eram estudiosos, trabalhadores, excelente filhos e cidadãos exemplares. Vai haver manifestações, vão queimar ônibus, apedrejar vitrines, vão fechar sua rua e o trânsito vai virar um caos. a ONU vai divulgar uma nota de repúdio e solicitar o fim dá Polícia Militar, a OAB vai pedir indenização à família dos jovens (bandidos) que tiveram seu sonho interrompido pela polícia e os direitos humanos vão custear um velório com direito a honrarias e cobrirão os caixões com a bandeira nacional e o mundo inteiro irá se comover e se posicionar contra a PM.
👩📞- E agora, o que eu devo fazer?
👮📞- Pode ir morar num País sério ou pode ligar para os direitos humanos e pedir para eles irem aí conversar com os bandidos. Eles vão garantir os direitos dos bandidos assaltarem em segurança!
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones sem autoria definida).

quarta-feira, 19 de julho de 2017

SAÚDE E DIREITOS HUMANOS


Por José Jackson Coelho Sampaio (*)
Em 1986, logo após o encerramento formal do ciclo 1964-1985 da Ditadura Civil-Militar, a 8ª Conferência Nacional de Saúde concebeu e desenhou, para o Brasil, o SUS, incorporando princípios como o da necessidade de oferecer atenção e cuidado a todos os habitantes do território nacional, sobretudo apresentou a saúde como um direito, não favor ou mercadoria.

Se a história ocidental construiu a ideia de direito, também a categorizou em humano, social e político. A condição para o exercício dos direitos políticos tem a ver com produção/distribuição de poder, como votar e ser votado, em nação específica, por exemplo. Para os direitos sociais, o processo básico é o da sobrevivência, como o de ter emprego e salário dignos, por exemplo. Os direitos humanos têm concepção básica simples, fincadas na inscrição na espécie homo sapiens, porém seus resultados são muito complexos, pois representam o usufruto de liberdade, educação e saúde.
Saúde é um direito político, cuja contrapartida de dever cabe ao Estado; também é um direito social, pois saúde é síntese da história biológica e das condições de vida; finalmente é, de modo integral, direito social. Este campo síntese de integração de direitos foi constituir capítulo da Constituição brasileira de 1988, a carta que apresenta o mapa do primeiro projeto de estado do bem-estar social em nosso país.
Falar em saúde e direitos humanos, como categorias distintas, embora objetivando interconectá-las, constitui grave equívoco. Saúde é direito humano, concepção consolidada, apesar da juventude histórica. Mesmo com os ataques àquele mínimo estado de bem-estar, liberdade, educação e saúde não devem e não podem ser perdidos. Apesar das descontinuidades e subfinanciamentos, o SUS ainda constitui a melhor política de inclusão social do País e um dos melhores planos populares de saúde do mundo. Estou no SUS quando sou transplantado em hospital público ou tomo uma água mineral, sou vacinado, como em restaurante ou tomo remédio, sob aval da Anvisa.
(*) Professor titular em saúde pública e reitor da Uece.
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 27/6/17. p.10.

sábado, 8 de outubro de 2016

BEBIDA E CHIFRE


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Fotomontagem sem autoria explícita.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

SURDOS AO CLAMOR DO POVO

Por Affonso Taboza (*)
"Sobre a superlotação das cadeias, a solução seria deixar bandidos à solta, matando a esmo?"
É uma pena. Nossos representantes em Brasília, com exceções, vivem noutro planeta. Votam projetos de lei importantes alheios aos anseios de quem lhes deu um voto de confiança. Estão no Congresso como procuradores do povo, mas se recusam a agir como deseja quem lhes outorgou a procuração. Daí o descrédito nas duas casas.
A imprensa tem noticiado que cerca de 90% dos habitantes do País são favoráveis à maioridade penal aos 16 anos. Mas ontem veio a decepção, a proposta foi derrotada. Lamentável. Mas vêm outras votações capazes de repor o trem nos trilhos, se os senhores parlamentares se lembrarem de que não são donos de seus votos.
Mitos correntes: 1) Os menores criminosos são vítimas da sociedade; provêm de famílias desestruturadas, muito pobres, às vezes de pais usuários de drogas. 2) A culpa da delinquência juvenil é da sociedade que não lhes dá oportunidade. É a visão boazinha; em parte verdadeira, em parte falsa.
Atribuir à pobreza o comportamento criminoso de jovens nascidos e criados nesse ambiente é uma tentativa míope de simplificação de assunto complexo. O ambiente é propício, mas o ingresso no mundo do crime depende da decisão de cada um. Não fosse assim, não haveria mente sã entre os jovens favelados.
Também é falso atribuir à sociedade a culpa desses desvios. As oportunidades estão aí, é só correr atrás. E muitos rapazes pobres conseguem. Mas alguns acham que pegar uma arma e sair matando seus semelhantes é mais fácil que mourejar um dia inteiro no trabalho e à noite ir pra escola. Questão de opção. A ditadura do politicamente correto define as cadeias como locais de ressocialização. Meia verdade. Elas foram concebidas como locais de punição.
Desculpas: 1) A maioridade aos 16 não resolve a criminalidade. 2) As cadeias estão superlotadas. Ora, a maioridade aos 16 não resolve, mas ajuda a resolver. Não há solução única para problema complexo. Sobre a superlotação das cadeias, a solução seria deixar bandidos à solta, matando a esmo? Contamina o País uma estranha ideologia que inverte o conceito de direitos humanos - humano é o bandido, a vítima não.
Novas votações vêm por aí. Espera-se de deputados e senadores que legitimem sua representação. Cerrem fileira com a maioria, de costas para os pregoeiros dessa ideologia nefasta, que vem deixando o Brasil de cabeça pra baixo.
(*) Engenheiro civil e militar, e membro do Instituto do Ceará.
Fonte: Publicado In: O Povo. Fortaleza, 2/07/2015. Opinião. p.11.

domingo, 25 de janeiro de 2015

ADOTE UM PRESO


Por Rogério Medeiros Garcia de Lima *
“Direitos humanos”
Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. Retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me “honraram” mais com suas visitas e... os menores ficaram presos. É assim que funciona a “esquerda caviar”.
Tenho uma sugestão ao Professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Jânio de Freitas, à Ministra Maria do Rosário e a outros tantos defensores dos “direitos humanos” no Brasil. Criemos o programa social “Adote um Preso”. Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a sociedade a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda, é claro.
* Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (Belo Horizonte, MG).
Fonte: Folha de São Paulo, Painel do Leitor, de 10/01/2014. Reproduzido em vários blogs.
 

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